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Palavras-chave principais e transversais 🌟

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EMF 196.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Quando iremos a esta “MamĂŁe”, Senhor? –pergunta, com uns olhos cheios de desejo, JabĂ©.

– Hoje de tarde. Que dirás a ela, quando a vires?

– “Eu te saĂșdo, mĂŁe do Salvador.” EstĂĄ bem assim?

– Muito bem, confirma Jesus, acariciando-o.

– Mas hoje não vamos ao Templo? –pergunta Filipe.

– Antes de irmos para BetĂąnia, iremos ao Templo. E tu ficarĂĄs aqui. NĂŁo Ă© verdade?

– Sim, Senhor.

A mulher de Jonas, guarda do olival, que veio se aproximando pouco a pouco, diz:

– Por que não o levas? O menino está desejando isso.

Jesus a fita com insistĂȘncia, sem dizer nada.

A mulher compreende e diz:

– Já compreendi. Mas devo ter ainda uma pequena capa, a do Marcos. Vou buscá-la –e sai correndo, depressa.

Jabé puxa João por uma manga:

– Os mestres serão muito exigentes?

– Oh! NĂŁo. NĂŁo tenhas medo. Depois nĂŁo Ă© para hoje. Em poucos dias, estando com a mĂŁe, serĂĄs mais sĂĄbio do que um doutor –encoraja-o JoĂŁo.

Os outros ouvem e sorriem diante da apreensão de Jabé.

– Mas quem Ă© que vai apresentĂĄ-lo, como se fosse pai dele? –pergunta Mateus.

– Eu. É natural. A não ser que
 o mestre queira apresentá-lo

–diz Pedro.

– Não, Simão. Não farei isso. Deixo para ti essa honra.

– Obrigado, Mestre. Mas estarĂĄs lĂĄ Tu tambĂ©m?

– Certamente. Todos estaremos lá. É o “nosso” menino


Maria de Jonas estå de volta, com uma capa roxo-escura, ainda em boas condiçÔes. Mas, que cor! Ela mesma o diz:

– Marcos não a quis mais usar por que a cor não lhe agradava.

Com toda a razĂŁo. A capa Ă© horrorosa! E o pobre JabĂ©, jĂĄ de cor azeitonada como Ă©, parece um afogado, vestido com aquele roxo
 Mas ele nĂŁo se vĂȘ
 e por isso estĂĄ feliz com aquela capa, com a qual vai poder enfeitar-se como adulto..

– A refeição está pronta, Mestre. A servente tirou agora mesmo o cordeiro do espeto.

– Então, vamos.

E, descendo do lugar onde estão, entram na ampla cozinha para a refeição.

Detalhe

Jesus acaba de falar da Virgem Maria.

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EMF 197

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : No Templo com José de Arimateia. A hora do incenso.

Data da visĂŁo: Sexta-feira 22 de junho de 1945

Calendårio: Såbado 25 de março de 28

(12 Nissan 3788)

Localização (mapa) : Templo de Jerusalém

Ciclo: A segunda viagem pascal

Resumo: O grupo apostĂłlico vai ao Templo com Yabeç e JoĂŁo de Endor. Pedro Ă© o tutor da criança e esta confessa francamente que nĂŁo se lembra da Ășltima vez que foi ao Templo, pois era um bebĂ©. Jesus preocupa-se com JoĂŁo de Endor, que se sente intimidado com a perspetiva de regressar Ă  casa do Pai. Cristo tranquiliza-o e absolve-o de tudo, o que comove o novo convertido.

Dirigem-se ao tesouro para fazer a sua oferta, quando encontram José de Arimateia. Este fica surpreendido por ver um rapazinho com eles e Pedro explica-lhe que o rapaz estå prestes a fazer o exame de maioridade. O irmão de André pede ao fariseu que se aproxime dele, para que os doutores da Lei não causem problemas. José cumprimentou então o Mestre e este ofereceu-se para ir a Betùnia ter com ele. O homem aceitou de bom grado e foi-se embora.

Jesus explica então a Yabeç o que é a hora do incenso e porque é que ele deve rezar; explica-lhe também a grandeza do ministério do sacerdote. Por fim, vão adorar o Senhor.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 197.1: Pedro segura Yabeç pela mĂŁo. 197.2: Jesus conforta JoĂŁo de En-Dor. 197.3: Pedro explica a Yabeç as coisas do Templo. 197.4: Jesus convida JosĂ© de ArimatĂ©ia para ir a BetĂąnia. 197.5: A oração da noite.

Edição anterior: Tomo 3, capítulo 58

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EMF 197.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Oh! Mestre! DĂĄ-me a tua bĂȘnção!

– A paz esteja contigo, JosĂ©. Tenho muito prazer em ver-te, e com boa saĂșde

– Eu tambĂ©m, Mestre, e tambĂ©m os amigos te verĂŁo com alegria. EstĂĄs no GetsĂȘmani?

– Estava. Depois da oração, irei para Betñnia.

– À casa de Lázaro?

– NĂŁo. À casa de SimĂŁo. Estou tambĂ©m com minha mĂŁe, com a mĂŁe dos meus irmĂŁos e a de JoĂŁo e Tiago. IrĂĄs lĂĄ ver-me?

– Ainda perguntas?! Grande alegria e grande honra. Eu te agradeço por isso. Eu irei com vários amigos!


– Vai devagar, JosĂ©, com, esses amigos!
 –aconselha SimĂŁo Zelotes.

– Oh! VĂłs jĂĄ os conheceis. A prudĂȘncia diz: “Que as paredes nĂŁo ouçam.” Mas, quando vĂłs os virdes, compreendereis que sĂŁo amigos.

– Então


– Mestre, SimĂŁo de Jonas estava me falando sobre a cerimĂŽnia do pequeno. Tu chegaste na hora em que eu lhe estava perguntando quando pretendeis realizĂĄ-la. Eu tambĂ©m quero estar lĂĄ.

– Será na quarta-feira, antes da Páscoa. Quero que ele faça a sua Páscoa, já como filho da Lei.

– Muito bem. Está entendido. Eu virei apanhar-vos em Betñnia. Mas, na segunda-feira eu virei com os amigos.

– Está dito.

– Mestre, eu vou deixar-te. A paz esteja contigo. Está na hora do incenso.

– Adeus, JosĂ©. A paz esteja contigo.

Detalhe

Jesus encontra-se com José de Arimateia.

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EMF 197.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A manhĂŁ inicia o dia. E Ă© bom que o homem bendiga ao Senhor, para ser abençoado durante o dia, em todos os seus trabalhos. Mas a tarde Ă© ainda mais solene. A luz diminui, cessa o trabalho, a noite vem chegando. A luz que diminui faz lembrar a queda no mal e de fato as açÔes pecaminosas realizam-se quase sempre de noite. E porque? Porque o homem, nĂŁo estando mais ocupado com o trabalho, mais facilmente se deixa rodear pelo Maligno com seus chamarizes e pesadelos. Por isso, Ă© bom, depois de termos dado graças a Deus, por ter-nos protegido durante o dia, que lhe supliquemos para que se afastem de nĂłs os fantasmas da noite e as tentaçÔes. A noite, o sono
 sĂ­mbolo da morte. Mas, felizes daqueles que, tendo vivido com a bĂȘnção do Senhor, adormecem, nĂŁo nas trevas, mas em uma luminosa aurora.

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EMF 197.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A manhã inicia o dia. E é bom que o homem bendiga ao Senhor, para ser abençoado durante o dia, em todos os seus trabalhos.

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EMF 198

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Jesus encontra a sua mãe em Betùnia. Yabeç (Jabé) muda o seu nome para Marziam.

Data da visĂŁo: SĂĄbado, 23 de junho de 1945.

Calendårio: Såbado 25 de março de 28 (12 Nissan 3788)

Local (mapa) : BetĂąnia

Ciclo: A segunda viagem pascal

Resumo: Por vir

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 198.1: Muitos vĂȘm de BetĂąnia para encontrar Jesus que vai ao encontro de sua MĂŁe. 198.2: Maria enxuga as lĂĄgrimas de Yabeç. 198.3: E deseja paz a JoĂŁo de En-Dor. 198.4: Em casa de SimĂŁo, o Zelota. As mulheres estĂŁo ocupadas a receber toda a gente. 198.5: Porque Ă© que Yabeç, um ĂłrfĂŁo, foi acolhido. 198.6: Pedro nĂŁo quer que Yabeç, que LĂĄzaro propĂ”e adotar, lhe seja tirado. 198.7: Ele serĂĄ capaz de prover todas as suas necessidades materiais. 198.8: Maria muda o nome de Yabeç para Marziam (Margziam). 198.9: NotĂ­cia em particular da prisĂŁo do Batista. 198.10: Yabeç aparece com uma roupa nova que lhe foi dada por Marta. 198.11: Jesus e Maria conversam sobre a visita de Aglaia.

Edição antiga: Volume 3, capítulo 59.

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EMF 198.1-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

AtravĂ©s da sombreada estrada, que liga o Monte das Oliveiras a BetĂąnia, — e eu poderia dizer que o monte chega com suas ramificaçÔes verdes atĂ© Ă s campinas de BetĂąnia — Jesus com os seus vai caminhando solĂ­cito, para a cidade de LĂĄzaro. Ele ainda nĂŁo entrou, mas jĂĄ estĂĄ sendo reconhecido, e os estafetas voluntĂĄrios vĂŁo correndo por todos os lados, a fim de darem notĂ­cia de sua chegada. Por causa deles, eis que, por um lado, vĂŁo-se pondo em movimento LĂĄzaro com Maximino, Isaac com Timoneo e JosĂ© do outro; em terceiro lugar vem vindo Marta com Marcela e esta levanta seu vĂ©u para curvar-se e beijar a veste de Jesus e logo depois vĂŁo chegando Maria de Alfeu com Maria SalomĂ©, que prestam sua veneração ao Mestre e depois abraçam seus filhos e, enquanto o pobre JabĂ© sempre levado pela mĂŁo de Jesus, agitado por todos estes que chegam de todos os lados, observa espantado e JoĂŁo de Endor, sentindo-se um estranho, vai para trĂĄs do grupo e fica separado, eis que vem se aproximando pelo caminho que conduz Ă  casa de SimĂŁo, a mĂŁe.

Jesus abandona a mĂŁo de JabĂ© e, delicadamente, vai deixando para trĂĄs os amigos, apressando-se em ir ao encontro dela. As conhecidas palavras rasgam os ares, e ressoam, como um solo de amor, pelo meio do murmĂșrio da multidĂŁo: “Filho!”; “MamĂŁe!” E se beijam, mas no beijo de Maria vĂȘ-se a Ăąnsia de quem ficou temendo por muito tempo e agora — desfazendo-se o terror que a infernizou —, sente o cansaço pelo esforço feito, mede em toda a sua extensĂŁo o perigo em que incorreu


Jesus a acaricia, Ele que compreende e diz:

– AlĂ©m do meu anjo, Eu tinha o teu, mĂŁe, a velar sobre Mim. Assim, nada de mal me podia acontecer.

– Louvores sejam dados ao Senhor. Mas Eu sofri tanto!

– Eu queria vir mais depressa, mas tive que fazer outro caminho, para obedecer a ti. E foi bom, porque a tua ordem, minha mãe, como sempre, floresceu para produzir o bem.

– Foi a tua obediĂȘncia, Filho!

– Foi a tua ordem sábia, minha mãe


E sorriem como dois enamorados.

Mas, serå possível que esta mulher seja a mãe deste Homem? Onde estão os dezesseis anos de diferença? O frescor e a graça do rosto e do corpo virginal fazem de Maria a irmã do seu Filho, que estå na plenitude de sua belíssima virilidade.

– E nĂŁo me perguntas por que Ă© que tudo floresceu para produzir um bem? –pergunta-lhe Jesus, sempre sorrindo.

– Eu sei que meu Jesus não esconde nada de mim.

– Mamãe querida!

E a beija de novo


As pessoas se conservaram longe, Ă  distancia de alguns metros, e fazem como se nĂŁo estivessem observando aquela cena. Mas eu tenho certeza que nenhum desses olhos, que parecem estar olhando para outro lado, deixe de estar olhando, de soslaio para uma cena de tĂŁo grande suavidade.

198.2

Quem estĂĄ olhando, mais que todos Ă© JabĂ©, que Jesus deixou, quando foi abraçar sua mĂŁe, e que ficou sozinho porque, desde que começaram a atropelar-se com perguntas e respostas, nĂŁo prestaram mais atenção no pobre menino
 Ele fica olhando, olhando, depois inclina a cabeça, luta contra o choro
 mas, enfim, nĂŁo aguenta mais e explode em um choro, gemendo: “MamĂŁe! MamĂŁe!”

Todos, entĂŁo, e, em primeiro lugar, Jesus e Maria, e todos os outros, procuram remediar o caso e saber quem Ă© o menino. Maria de Alfeu chega e tambĂ©m Pedro — eles estavam juntos — e ambos dizem:

– Por que estás chorando?

Mas antes que, em seu forte pranto, Jabé possa achar fÎlego para falar, Maria jå correu e o tomou nos braços, dizendo:

– Sim, meu filhinho, Ă© a mamĂŁe! NĂŁo chores mais
 desculpa, se eu nĂŁo te vi antes. Aqui estĂĄ, meus amigos, o meu filhinho


Compreende-se que Jesus, naqueles poucos metros que andou atĂ© o menino, deve ter dito a Maria: “É um pobre orfĂŁozinho que Eu tomei comigo.” E todo o resto Maria compreendeu logo.

O menino ainda estå chorando, mas agora menos inconsolåvel e, visto que Maria o tem nos braços e o beija, acaba até por sorrir, com o seu rostinho banhado pelo pranto.

– Vem cá, que eu te enxugo todas estas lágrimas. Não deves chorar mais. Dá-me um beijo


Jabé  nĂŁo desejava senĂŁo aquilo, e, depois de receber tantas carĂ­cias atĂ© de homens barbudos, ele se aconchega agora no calor do afeto, beijando a face lisa de Maria.

198.3

Mas Jesus saiu procurando e jĂĄ avistou JoĂŁo de Endor, e vai buscĂĄ-lo lĂĄ em seu cantinho afastado. E, enquanto todos os outros apĂłstolos saĂșdam Maria, Jesus chega atĂ© perto dela, segurando pela mĂŁo JoĂŁo de Endor, e diz:

– Eis, mãe, o outro discípulo. Estes dois filhos, foi a tua ordem que os conseguiu.

– A tua obediĂȘncia, meu Filho –repete Maria, e depois cumprimenta o homem, dizendo–: A paz esteja contigo.

O homem, o rĂșstico e inquieto homem de Endor, que jĂĄ mudou tanto, desde aquela manhĂŁ em que um capricho de Iscariotes levou Jesus atĂ© Endor, acaba agora de despojar-se do seu passado, enquanto se inclina para Maria. Eu acho que Ă© assim, de tal forma o rosto que se levanta, depois daquela profunda inclinação, aparece sereno, verdadeiramente “pacificado.”

198.4

PÔem-se todos a caminho da casa de Simão. Maria, com Jabé nos braços, Jesus, segurando pela mão João de Endor, e depois, ao redor e atrås ,estão Låzaro e Marta, os apóstolos com Maximino, Isaac, José e Timoneu.

Entram na casa, em cuja soleira o velho servo de SimĂŁo venera a Jesus e a seu patrĂŁo.

– A paz esteja contigo JosĂ©, e com esta casa –diz Jesus, levantando a mĂŁo para abençoar, depois de tĂȘ-la posto sobre a cabeça jĂĄ branca do velho servo.

LĂĄzaro e Marta, depois da primeira alegria, ficaram um pouco tristes e Jesus pergunta:

– Por que, amigos?

– Porque Tu nĂŁo estĂĄs conosco e porque todos vĂȘm a Ti, menos a alma que nĂłs quererĂ­amos que fosse tua.

– Animai-vos com paciĂȘncia, na esperança e na oração. AlĂ©m disso, Eu estou convosco. Esta casa!
 Esta casa nĂŁo Ă© mais do que o ninho, ao qual o Filho do Homem voarĂĄ todos os dias para os queridos amigos, que estĂŁo tĂŁo perto no espaço, mas que, considerando-se sobrenaturalmente o assunto, estĂŁo infinitamente mais perto no amor. VĂłs estais no meu coração, e Eu estou no vosso. Pode-se estar mais perto do que estando assim? Mas, nesta tarde, estaremos juntos. Vinde sentar-vos Ă  minha mesa.

– Oh! pobre de mim! E eu fico aqui me balançando. Vem cĂĄ, SalomĂ©. Temos muito que fazer!

O grito de Maria de Alfeu faz todos sorrirem, enquanto a boa parenta de Jesus se levanta prontamente para ir ao seu trabalho.

Mas Marta logo lhe diz:

– Não te preocupes, Maria, pela comida. Eu vou dar ordens. Tu, prepara somente as mesas. Eu vou te mandar cadeiras suficientes e tudo mais que for preciso. Vem Marcela. Eu volto logo, Mestre.

198.5

– Eu vi JosĂ© de Arimateia, LĂĄzaro. Segunda-feira ele vai vir aqui com uns amigos.

– Oh! Então, naquele dia serás meu!

– Sim. Ele vem para estarmos juntos, mas tambĂ©m para combinarmos uma cerimĂŽnia, que diz respeito a JabĂ©. JoĂŁo: leva o menino para o terraço. Ele vai se divertir.

João de Zebedeu, sempre obediente, levanta-se logo do seu lugar e, pouco depois, jå se ouve a voz do menino e o barulho de seus pezinhos, no terraço que estå ao redor da casa.

– O menino –explica Jesus Ă  mĂŁe, aos amigos, Ă s mulheres, entre as quais estĂĄ Marta, que andou voando para nĂŁo perder nem um minuto da alegria de estar perto do Mestre–, Ă© neto de um dos camponeses de Doras. Eu passei por Esdrelon


– É verdade que os campos estão uma desolação, e que ele os quer vender?

– Que estĂŁo uma desolação, estĂŁo. Quanto Ă  venda, nĂŁo estou sabendo. Um dos camponeses de JocanĂŁ me falou do assunto. Mas nĂŁo sei se Ă© coisa certa.

– Se ele os vendesse
 eu os compraria de boa vontade, para ter neles um abrigo para Ti, tambĂ©m dentro daquele ninho de serpentes.

– Não sei se conseguirás. Jocanã está disposto a ficar com eles.

– Isso veremos
 Mas, continua o que ias dizendo. De que camponeses se trata? Os que tinha antes, ele os esparramou todos.

– É verdade. Os de agora estĂŁo vindo de suas terras na Judeia, pelo menos o velho, que Ă© parente do menino. O menino era mantido no bosque, como um animal selvagem, a fim de que Doras nĂŁo o visse
 e esteve lĂĄ desde o inverno


– Oh! pobre menino! Mas por quĂȘ?

As mulheres estĂŁo todas comovidas.

– Porque o pai e a mĂŁe dele ficaram sepultados pela avalancha nas vizinhanças de EmaĂșs. Todos: o pai, a mĂŁe e os irmĂŁozinhos. Ele ficou vivo, porque nĂŁo estava em casa. Levaram-no para a casa do avĂŽ. Mas, que podia fazer um camponĂȘs de Doras? Tu, Isaac, falaste de Mim, como de um salvador, tambĂ©m para este caso.

– Eu fiz mal, Senhor? –pergunta humildemente Isaac.

– Fizeste bem. Deus assim queria. O velho me deu o menino, que estĂĄ atĂ© para tornar-se maior de idade por estes dias.

– Oh! pobrezinho! Tão pequeno, com doze anos?! O meu Judas tinha quase o dobro de altura, quando estava nesta idade
 E Jesus? Que flor! –diz Maria de Alfeu.

E Salomé:

– Meus filhos tambĂ©m eram bem mais fortes!

Marta murmura:

– De fato, Ă© bem pequenino! Eu pensava que nem tivesse ainda dez anos.

– É isso. A fome Ă© bruta. E ele deve ter passado fome desde que nasceu. Agora, entĂŁo
 Que Ă© que o velho lhe iria dar, se lĂĄ todos estĂŁo morrendo de fome? –diz Pedro.

– Sim, ele sofreu muito. Mas ele Ă© muito bom e inteligente. Eu o tomei para consolar o velho e o menino.

198.6

– Tu o vais adotar? –pergunta Lázaro.

– Não. Não posso.

– Então, eu fico com ele.

Pedro vĂȘ desvanecer-se sua esperança, e solta um bem claro e verdadeiro gemido:

– Senhor! Tudo para ele?

Jesus sorri:

– LĂĄzaro, tu jĂĄ fizeste tanto e Eu te sou agradecido por isso. Mas este menino nĂŁo o posso confiar a ti. É o “nosso menino.” De todos nĂłs. É a alegria dos apĂłstolos e do Mestre. AlĂ©m disso, aqui ele cresceria no meio da riqueza. E Eu lhe quero dar de presente o meu manto real: “a honesta pobreza.” Aquela que o Filho do homem quis para Si, para poder aproximar-se de todas as grandes misĂ©rias, sem humilhar ninguĂ©m. Tu tiveste, hĂĄ pouco tempo, um presente meu


– Ah! sim. O velho patriarca e sua filha. Muito ativa a mulher e o velho Ă© muito bom.

– Onde estão eles agora? Quero dizer: em que lugar?

– EstĂŁo aqui, em BetĂąnia. Achas que eu iria afastar de mim a bĂȘnção que me enviaste? A mulher trabalha com o linho. O trabalho com ele exige mĂŁos ligeiras e experientes. O velho, visto que ele sĂł quer mesmo Ă© trabalhar, eu o mandei tomar conta das colmeias. Ontem — nĂŁo Ă© verdade, mana? — ele estava com a barba toda cor de ouro. As abelhas, tendo enxameado, tinham-se agarrado todas Ă quele barba e ele estava conversando com elas, como com umas filhas. Ele estĂĄ feliz.

– Eu faço ideia! Que tu sejas bendito! –diz Jesus.

– Obrigado, Mestre.

198.7

Mas aquele menino vai fazer-te gastar! Tu me permitirás, pelo menos


– Eu estou pensando em sua veste para a festa –grita Pedro.

Todos se riem da impulsividade do grito.

– EstĂĄ bem. Mas haverĂĄ necessidade tambĂ©m de outras roupas. SimĂŁo, sĂȘ bom. Eu tambĂ©m nĂŁo tenho filhos. Deixa que eu e Marta nos consolemos, tratando das pequenas vestes a serem feitas.

Pedro, tendo sido assim rogado, de repente se comove, e diz:

– As vestes
 sim. Mas a veste para quarta-feira, dela eu trato. O Mestre jĂĄ me prometeu, e atĂ© disse que eu devo ir com a mĂŁe comprĂĄ-la amanhĂŁ.

Pedro diz tudo isso por medo de que haja alguma mudança em seu desfavor.

Jesus sorri, e diz:

– Sim, mãe. Eu te peço que vás amanhã com Simão. Senão, este homem acaba morrendo de aflição. Tu o aconselharás na escolha.

– Eu disse: veste vermelha e cinta verde. Ficará muito bem. Pelo menos melhor do que a cor que ele tem agora.

– Vermelho ficarĂĄ muito bem. TambĂ©m Jesus estava vestido de vermelho. Mas eu diria que ficaria melhor sobre o vermelho uma cinta vermelha, ou pelo menos, bordada em vermelho –diz Maria com doçura.

– Eu dizia assim, porque estou vendo como Judas, que Ă© moreno, fica muito bem com aquelas fitas verdes sobre o hĂĄbito vermelho


– Mas elas não são verdes, amigo –diz, rindo, Iscariotes.

– Não? Então, de que cor são?

– Esta cor Ă© chamada “veio de ĂĄgata.”

– E, que queres que eu entenda disso?! A mim me pareceu verde. É a cor que eu vejo nas folhas!

Maria intervém com benignidade:

– Simão tem razão. É exatamente a cor que as folhas tomam, com as primeiras chuvas de Tisri


– Aí está! E, assim como as folhas são verdes, eu dizia que era verde –termina, contente, Pedro.

A Virgem Suave fez haver paz e alegria até numa pequena coisa como esta.

198.8

– Quereis chamar o pequeno? –pede Maria.

E o menino chega logo, junto com JoĂŁo.

– Como te chamas? –pergunta Maria, acariciando-o.

– Eu sou
 eu era JabĂ©. Mas agora estou esperando o nome


– Tu o estás esperando?

– Sim. JabĂ© estĂĄ querendo um nome que queira dizer que Eu o salvei. Tu procurarĂĄs esse nome, minha mĂŁe. Um nome de amor e salvação.

Maria fica pensando
 e depois diz:

– Marjiziam (Maarhgziam). Tu Ă©s a pequena gota do mar dos salvados de Jesus. Agrada-te? Assim ele faz pensar em mim e na Salvação.

– É muito bonito –diz contente o menino.

– Mas, este, nĂŁo Ă© um nome de mulher? –pergunta Bartolomeu.

– Com um L no fim, em lugar do M, quando este esboço de homem se tornar um adulto, podereis mudar o seu nome em nome de homem. Por enquanto, vai levar o nome que lhe deu a Mamãe. Está bem?

O menino diz que sim, e Maria o acaricia.

A cunhada lhe pergunta:

– Esta lĂŁ Ă© bonita –e toca na capinha de Jabé–, mas tem uma cor! Que achas? Eu a tingirei de vermelho escuro. FicarĂĄ bem.

– AmanhĂŁ de tarde faremos isso. Porque amanhĂŁ Ă© que ele vai receber sua veste nova. Agora nĂŁo podemos tirar esta.

Marta diz:

– Virias comigo, menino? Te levo aqui perto, para ver muitas coisas e depois retornamos aqui


Jabé não recusa. Ele nunca recusa nada
 mas parece que estå com um pouco de medo de ir com uma mulher quase desconhecida. Ele diz, entre tímido e delicado:

– João poderia ir comigo?

– Sem dĂșvida!

E lĂĄ se vĂŁo.

198.9

E, enquanto eles estão ausentes, as conversaçÔes entre os vårios grupos continuam. São narraçÔes, comentårios, suspiros por causa da dureza humana.

Isaac conta tudo o que ele pîde ficar sabendo do Batista. Há quem diga que ele está em Maqueronte, e quem diga que está em Tiberíades. Os discípulos ainda não voltaram


– Mas, eles não o haviam acompanhado?

– Sim. Mas, perto de Doco, os captores atravessaram o rio com o prisioneiro e não se sabe se depois subiram para o lago ou se desceram para Maqueronte. João, Matias e Simeão puseram-se em seu encalço, para saberem, e certamente não o abandonarão.

– E tu, Isaac, com certeza não abandonarás este novo discípulo. Por enquanto, ele está comigo. Quero que faça a Páscoa comigo.

– Eu a farei em JerusalĂ©m, na casa da Joana. Ela me viu, e me ofereceu um quarto para mim e os meus companheiros. Todos irĂŁo este ano. E estaremos com JĂŽnatas.

– VirĂŁo tambĂ©m os do LĂ­bano?

– TambĂ©m. Mas talvez nĂŁo poderĂŁo vir os discĂ­pulos de JoĂŁo.

– Sabes que virão os de Jocanã?

– É verdade? Estarei junto Ă  porta, junto aos sacerdotes que fazem as imolaçÔes. Eu os verei e levarei comigo.

– Podes esperĂĄ-los, lĂĄ pela Ășltima hora. Pois eles tĂȘm, um tempo contado. Mas tĂȘm o cordeiro.

– Eu tambĂ©m. MagnĂ­fico! Foi LĂĄzaro quem o deu. Imolaremos este; e o outro, o deles, servir-lhes-ĂĄ para a volta.

198.10

– EstĂĄ entrando de novo Marta com JoĂŁo e o menino, vestido este com uma pequena veste de linho branco e uma sobreveste vermelha. Sobre o braço traz umo manto tambĂ©m vermelho.

– Estás reconhecendo isto, Lázaro? Estás vendo como tudo serve?

Os dois irmĂŁos sorriem.

Jesus diz:

– Eu te agradeço, Marta.

– Oh! Senhor meu! Eu tenho a mania de ficar guardando tudo. Eu a herdei de minha mãe. Tenho ainda muitas vestes do meu irmão. Muito queridas, porque foram tocadas pela minha mãe. De vez em quando, eu tiro uma parte delas para algum menino. Agora, vou dá-la a Margziam. São um pouco compridas, mas podem ser encurtadas. Lázaro, quando se tornou maior de idade, não as quis mais
 Um bonito capricho, próprio de crianças
 e que venceu porque minha mãe adorava o seu Lázaro.

A irmĂŁ o acaricia com amor e LĂĄzaro pega sua belĂ­ssima mĂŁo, beija-a e diz:

– E tu, não?

Sorriem um para o outro.

– Foi providencial isto –observam muitos.

– Sim, o meu capricho deu bom resultado. Talvez me será perdoado por isso.

A ceia está pronta, e cada um vai para o seu lugar


Palavras-chave

EMF 198.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jå é noite, quando Jesus pode falar em paz com sua mãe. Eles subiram para o terraço e, sentados em cadeiras um ao lado da outra, com a mão na mão, falam e escutam um ao outro. Primeiro é Jesus, que narra as coisas que aconteceram. Depois, é Maria que diz:

– Meu Filho, depois da tua partida, logo depois, veio Ă  minha casa uma mulher
 Ela estava Te procurando. Uma grande misĂ©ria. E uma grande redenção. Mas essa criatura tem necessidade do teu perdĂŁo, para ser firme em sua resolução. Eu a confiei Ă  Susana, dizendo que era uma das curadas por Ti. É verdade. Eu a poderia ter comigo, se nossa casa nĂŁo fosse o que Ă©, um verdadeiro mar, onde todos navegam, e muitos com mĂĄs intençÔes. E a mulher jĂĄ estĂĄ com repugnĂąncia pelo mundo. Queres saber quem Ă©?

– É uma alma. Mas, dize-me o seu nome, para que Eu possa acolhĂȘ-la sem erro.

– É AglaĂ©. É a romana, dançarina e pecadora, que Tu começaste a salvar no Hebron, que Te procurou e Te encontrou em Águas Belas e que, por sua renascida honestidade, jĂĄ tem sofrido. E quanto!
 Ela me disse tudo
 Que horror!


– O seu pecado?

– Este é ., diria, mais ainda; que horror Ă© o mundo! Oh! Meu Filho! Desconfia dos fariseus de Cafarnaum! Daquela infeliz eles queriam servir-se para Te fazerem mal. AtĂ© dela


– Eu sei, mĂŁe
 Onde estĂĄ AglaĂ©?

– Chegará com Susana, antes da Páscoa.

– EstĂĄ bem. Eu falarei com ela. Estarei aqui todas as tardes, menos na tarde do dia da PĂĄscoa, que Eu devo consagrar Ă  famĂ­lia, Eu a atenderei. Basta detĂȘ-la aqui, se ela vier. É uma grande redenção, como disseste. E tĂŁo espontĂąnea! Em verdade, Eu te digo que em poucos coraçÔes a minha semente se enraĂ­za com a força com que se enraizou nesse terreno infeliz. E depois AndrĂ© ajudou o crescimento, atĂ© a sua completa formação.

– Ele me disse.

– Mãe, que foi que sentiste, ao te aproximares daquela ruína?

– Senti asco e alegria. Parecia-me estar Ă  beira de um abismo do inferno, mas, ao mesmo tempo, me sentia sendo transportada ao azul. Como Tu Ă©s Deus, meu Jesus, quando realizas esses milagres!

Ficam calados por baixo das estrelas luminosĂ­ssimas e na brancura de um quarto de lua que jĂĄ estĂĄ quase cheia. Calados, e repousando um no amor da outro.

Palavras-chave

EMF 199

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Entre os leprosos de Siloé e Ben Hinom. Pedro obtém Marziam através de Maria.

Data da visĂŁo: Domingo, 24 de junho de 1945 (festa de SĂŁo JoĂŁo Batista).

Calendårio: Domingo 26 de março 28 (13 Nissan 3788)

Localização (mapa) : Betùnia, depois Jerusalém

Ciclo: A segunda viagem pascal

Resumo: Em Betùnia, um servo de Låzaro cuida de Marziam: cortam-lhe o cabelo e vestem-na convenientemente. Tomé cruza-se com ele e leva-o às mulheres, que querem dar-lhe de comer. Com a autorização de Maria, decidem chamar-lhe Marziam em vez de Margziam. Todos se juntam à volta de Jesus e decidem o que vão fazer. Judas foi ter com amigos, Bartolomeu e Filipe foram ter com um certo Samuel, Tomé foi para casa de um parente, onde poderia ver o pai. Os outros, incluindo João de Endor e Låzaro, acompanharam o Mestre.

Foram aos tĂșmulos de SiloĂ©, onde havia leprosos. SimĂŁo, o Zelota, tinha-os precedido e guiava-os. Jesus cura os doentes que acreditam nele e, quando Cristo decide ir para Ben Hinom, LĂĄzaro retira-se porque a viagem Ă© demasiado longa para ele. Um dos leprosos fala em nome de todos e JoĂŁo apresenta os doentes que o esperavam. Entre eles estava uma criança. Jesus cura-os e depois vai a AnĂĄlia buscar a sua MĂŁe. De lĂĄ, a Virgem foi com Pedro e Marziam comprar-lhe o que precisava para a sua festa. O Mestre viu aĂ­ uma imagem da Igreja nascente, que explicou a SimĂŁo, o Zelota, e depois foram ter com Joana de Kouza.

A visão prolonga-se pela noite dentro. Jesus e Maria conversam: falam do noivo de Annalia, que parece ser bom; depois falam de Judas, que não muda apesar do contacto de Jesus. A Virgem confessa que tem por ele a mesma repulsa que Marziam e Benjamim de Magdala, e Jesus pede-lhe que ame o Iscariotes. Finalmente, abordam o delicado assunto de Simão Pedro, que revelou a Maria o seu desejo de adotar o jovem Yabeç. A Mãe intercede pelo apóstolo, explicando-lhe que isso lhe permitiria tornar-se gentil. Finalmente, ela ganha a causa e Jesus chama o irmão de André, dizendo-lhe que ele terå a criança, mas que isso não deve tornar-se um obståculo à sua missão...

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 199.1: Num ambiente de alegria, Marziam Ă© preparada. 199.2: A criança Ă© objeto de comentĂĄrios sobre a sua roupa e o seu nome, que serĂĄ pronunciado Marziam e nĂŁo Margziam. 199.3: Jesus vai ver os leprosos e todos sĂŁo livres de ir para onde quiserem. 199.4: Cura de cinco leprosos em SiloĂ©. 199.5: Cura de sete leprosos em Ben Hinnom, incluindo o sacerdote JoĂŁo. 199.6: Paragem em casa de AnĂĄlia. Marziam entre Maria e Pedro, um sĂ­mbolo. 199.7: DiĂĄlogo entre Jesus e Maria: AnĂĄlia, a pĂ©rola, e Judas, a escĂłria. 199.8: Maria pede a Pedro a Jesus, que lhe diz que lhe confia Marziam.

Edição anterior: Tomo 3, capítulo 60

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EMF 199.1-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A esplendida manhã convida realmente a dar um passeio, a deixar as camas e as casas e os moradores da casa do Zelotes, como abelhas ao primeiro sol, surgem muito cedo e partem para respirar o ar puro do pomar de Låzaro, que fica ao redor da pequena casa hospitaleira. Logo se ajuntam também os que estão hospedados com Låzaro, isto é, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, André e Tiago de Zebedeu. O sol entra festivo por todas as janelas e portas escancaradas, e os quartos, simples e limpos, vão-se vestindo com uma tinta de ouro, que aviva as cores das vestes, e faz brilhar também as cores dos cabelos e das pupilas.

Maria de Alfeu e Salomé estão atentas em servir a estes homens, que estão com um apetite notåvel. Maria, por sua vez, estå observando um dos criados de Låzaro, enquanto ele vai compondo os cabelinhos de Margziam, cortando-os com mais habilidade do que tinha feito o primeiro cabeleireiro dele:

– Por enquanto, fica assim –diz ele–. Depois, quando tiveres oferecido a Deus a tua cabeleira de menino, eu a encurtarei como se deve. Quando chegar o calor, te sentirĂĄs melhor, sem cabelos no pescoço. E eles ficarĂŁo mais fortes. Agora, estĂŁo secos e frĂĄgeis, descuidados. EstĂĄs vendo, Maria? Eles precisam de cuidados. Agora vou untĂĄ-los, para conservĂĄ-los em seu lugar. EstĂĄs sentindo, menino, que cheirinho bom? É o Ăłleo que Marta usa. AmĂȘndoa, palma, miolo do que hĂĄ de mais fino e com essĂȘncia rara. Isto faz muito bem. Minha patroa disse que eu guardasse este potinho para o menino. E, entĂŁo, ele estĂĄ aqui. Agora, ficas parecendo o filho do rei.

E o servo, que deve ser o barbeiro da casa de LĂĄzaro, dĂĄ uma palmadinha na face de Margziam, saĂșda Maria, e vai-se embora satisfeito.

– Vem cá, que eu vou te vestir –diz Maria ao menino que, por enquanto, está só com uma tunicazinha de mangas curtas, que eu creio que seja a camisa ou o que naqueles tempos fazia as vezes dela.

E, pela boa qualidade do linho, compreendo que ela fazia parte do enxoval de Låzaro, quando criança. Maria tira a toalha com que Margziam estava quase enfaixado, e o reveste com a saia feita de linho, franzida na raíz do pescoço e nos pulsos, e com a sobreveste vermelha, de lã, com um amplo decote e mangas largas. O linho, muito alvo, aparece no decote e nas mangas de tecido vermelho e opaco. A mão de Maria deve ter trabalhado a noite inteira para prover a tudo, regulando o comprimento das vestes e das mangas, e agora estå tudo bem, especialmente depois que Maria o cingiu na cintura com a faixa macia, que termina em um floco de lã branca e vermelha. O menino nem parece mais aquele ser pobrezinho de poucos dias atrås.

– Agora, vai brincar, sem sujar-te, enquanto eu vou me preparar

–diz Maria, acariciando-o.

E o menino sai, pulando de contente, para ir procurar os seus grandes amigos.

199.2

O primeiro a vĂȘ-lo Ă© TomĂ©:

– Mas, como estĂĄs bonito! Vestido de noivo! Tu me fazes desaparecer –diz o alegre TomĂ©, gorducho e tranquilo.

E o toma pela mĂŁo, dizendo:

– Vem cá, vamos ao lugar onde estão as mulheres. Elas estavam te procurando, para ensinarem o que deves dizer ou fazer.

Entram na cozinha, e Tomé passa um susto nas duas Marias, gritando com o seu vozeirão para elas que estavam inclinadas e viradas para os seus pequenos fornos:

– Aqui está um jovenzinho que quer vos ver –e rindo-se, apresenta o menino, que estava escondido atrás do seu volumoso corpo.

– Oh! querido! Vem cĂĄ, que eu te dou um beijo! Olha, SalomĂ©, como ele estĂĄ bonito –exclama Maria de Alfeu.

– É verdade. Agora, sĂł falta ele ficar mais robusto. Mas disso cuidarei eu. Vem cĂĄ, que eu tambĂ©m te beijo –responde SalomĂ©.

– Mas Jesus vai confiĂĄ-lo aos pastores –objeta TomĂ©.

– Isso, nem por sombra! Neste ponto o meu Jesus erra. Que Ă© que quereis fazer, que Ă© que, vĂłs homens, sabeis fazer? Brigar — porque, seja dito de passagem, sois, antes de tudo, uns briguentos
 como uns cabritos, que se amam, mas dĂŁo chifradas uns nos outros, — sabeis comer, falar, ter mil necessidades e querer que o Mestre preste toda atenção em vĂłs
 caso contrĂĄrio ficais amuados
 E os meninos precisam Ă© das mamĂŁes. NĂŁo Ă© verdade
 como te chamas?

– Margziam.

– Ah! Mais esta! Bendita a minha Maria! Ela podia ter-te dado um nome mais fácil!

– É quase como o dela! –exclama SalomĂ©.

– Sim. Mas o dela Ă© mais simples. Ele nĂŁo tem aquelas trĂȘs letras no meio
 TrĂȘs sĂŁo demais


Iscariotes acabou de entrar, e diz:

– Ela pîs o nome certo, em seu significado, segundo a linguagem antiga, não adulterada.

– EstĂĄ bem. Mas Ă© difĂ­cil, e eu tiro uma delas, e digo Marziam. Assim Ă© mais fĂĄcil e o mundo nĂŁo virĂĄ abaixo por isso. NĂŁo Ă© verdade, SimĂŁo?

E Pedro, que ia passando diante da janela, conversando com JoĂŁo de Endor, se aproxima, e diz:

– Que desejas?

– Estava dizendo que eu chamo o menino de Marziam. É mais fácil.

– Tens razĂŁo, mulher. Se a mĂŁe me permite, eu tambĂ©m o chamarei assim. Mas, como estĂĄs bem! Mas, eu tambĂ©m, hein? Olhem sĂł!

De fato, ele estĂĄ todo escovado, barbeado nas faces, com cabelos e barba alinhados e untados, a veste nĂŁo amarrotada, as sandĂĄlias parecendo novas, de tĂŁo limpas e tornadas brilhantes, nĂŁo sei com quĂȘ. As mulheres o admiram, e ele se ri contente.

O menino acabou de comer, e sai para ir andar com o seu grande amigo, a quem ele dá sempre o nome de “Pai.”

199.3

Eis Jesus que vem da casa de LĂĄzaro, junto com o mesmo e, ao menino que vai correndo ao seu encontro, Ele diz:

– A paz esteja entre nós, Margziam. Demo-nos o beijo da paz.

LĂĄzaro, saudado pelo menino, dĂĄ-lhe um docinho.

Todos se reĂșnem ao redor de Jesus. TambĂ©m, Maria, revestida com uma veste de lĂŁ cor de turquesa, sobre a qual cai um amplo manto mais escuro, vem vindo sorridente em direção de seu Filho.

– Podemos ir entĂŁo –diz Jesus–. Tu, SimĂŁo, com minha mĂŁe e o menino, se Ă© que estĂĄs mesmo disposto a gastar, ainda mais agora que LĂĄzaro jĂĄ proveu a tudo.

– Mas, sem dĂșvida! E depois
 poderei dizer que pude, pelo menos uma vez, caminhar ao lado de tua mĂŁe. Uma grande honra.

– Então, vai. E tu, Simão, me acompanharás. Vamos aos teus amigos leprosos


– De verdade, Mestre? Nesse caso, se me permites, irei na frente correndo, para reuni-los. Depois me encontrarás. Já sabes onde eles estão


– EstĂĄ bem. Vai. Os outros façam o que quiserem. Estais todos livres atĂ© quarta-feira pela manhĂŁ. Nesse dia, Ă  hora terça, estajam todos junto Ă  Porta Dourada.

– Eu irei contigo, Mestre –diz João.

– Eu tambĂ©m –diz Tiago, irmĂŁo dele.

– E nĂłs tambĂ©m –dizem os dois primos.

– Eu irei tambĂ©m –diz Mateus e, com ele, AndrĂ©.

– E eu? Eu gostaria de ir tambĂ©m
 mas tenho que ir Ă s compras, e nĂŁo posso ir convosco
 –diz o Pedro, na dĂșvida entre duas vontades.

– Pode-se fazer tudo. Primeiro, vamos aos leprosos e, nesse Ă­nterim, minha mĂŁe vai com o menino a uma casa amiga em Ofel. Depois nĂłs a encontraremos, e tu vais com ela, enquanto Eu e os outros vamos Ă  casa de Joana. Nos reuniremos no GetsĂȘmani para a refeição, e depois, perto do pĂŽr do sol, estaremos aqui.

– Eu, se me permites, vou à casa de alguns amigos
 –diz Judas Iscariotes.

– Mas Eu já disse. Fazei o que quiserdes.

– EntĂŁo, vou ver meus pais. Talvez meu pai jĂĄ tenha vindo. Se tiver, eu o trarei a Ti –diz TomĂ©.

– E nós dois, que achas, Filipe? Poderíamos ir à casa do Samuel.

– Disseste bem –responde ele a Bartolomeu.

– E tu, João? –pergunta Jesus ao homem de Endor–. Preferes ficar aqui, para pîr em ordem os teus livros, ou ir comigo?

– Na verdade, eu gostaria de ir contigo
 Meus livros
 já me agradam menos. Prefiro ler em Ti, o livro vivo.

– Então, vem. Adeus, Lázaro, a


– Mas, eu vou tambĂ©m. Minhas pernas estĂŁo um pouco melhor, e eu te deixarei depois da visita aos leprosos e irei esperar-te em GetsĂȘmani.

– Vamos. A paz esteja convosco, mulheres.

AtĂ© Ă s vizinhanças de JerusalĂ©m, vĂŁo indo todos juntos. Depois, eles se separam, indo Iscariotes, por sua prĂłpria conta, entrando na cidade provavelmente por aquela porta que fica perto da fortaleza AntĂŽnia, enquanto que TomĂ©, com Filipe e Natanael, andam ainda algumas dezenas de metros com Jesus e os companheiros e depois entram na cidade pelo subĂșrbio de Ofel junto com Maria e o menino.

Anotação

"Como Ă© que te chamas?

- Marziam.

- Estou a ver! Mas a minha bem-aventurada Maria podia ter-te dado um nome mais fĂĄcil!

- É quase o dela! exclama SalomĂ©.

- Sim, mas o dela Ă© mais simples. NĂŁo tem aquelas trĂȘs consoantes no meio... TrĂȘs Ă© demasiado...". MaRGZiam, simplificado para Marziam na nova tradução, de acordo com o que Marie d'AlphĂ©e e Pierre dizem no resto do texto.

"Ela tomou o nome exato pelo seu significado, de acordo com a lĂ­ngua antiga". O hebraico, sem dĂșvida, uma vez que o aramaico (uma lĂ­ngua muito prĂłxima) se tinha tornado a lĂ­ngua comum no tempo de Jesus. Esta proximidade Ă© perfeitamente captada na reflexĂŁo de SalomĂ©. Conhecemos tambĂ©m esta proximidade pela oração de Jesus na cruz: ElĂŽi, elĂŽi, lama sabachthani, uma citação aramaica ligeiramente diferente em Mateus 27,46 e Marcos 15,34. No entanto, esta proximidade nĂŁo exclui diferenças, pois o capĂ­tulo 8 do livro de Neemias relata que os exilados que regressavam a JerusalĂ©m ouviram a leitura da TorĂĄ "na lĂ­ngua antiga", mas nĂŁo a compreenderam: foi necessĂĄrio traduzi-la.

Tu, Simão, vais acompanhar-me até aos teus amigos leprosos ... Simão, o Zelota, é um antigo leproso, curado por Jesus.

EstĂŁo todos livres atĂ© quarta-feira de manhĂŁ. À hora da Tarde, todos vĂŁo para a Porta Dourada. Esta porta dĂĄ diretamente para o Templo, vindo de BetĂąnia e do GetsĂ©mani.

Entretanto, a minha mãe e a criança vão para uma casa amiga em Ofel. Este bairro fica a sul do Templo e, portanto, a leste da cidade.

O que achas, Filipe, de irmos os dois para casa de Samuel? Provavelmente Samuel, o noivo de Annalia.

Ele deve entrar na cidade pelo portĂŁo perto da Torre AntĂłnia. O portĂŁo de Peixes.

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