– Não, Mestre. Eu parti de Doco, ao amanhecer, junto com Simão, ao qual eu disse aquilo que Tu desejavas. Depois, paramos juntos nos campos de Betânia, repartimos o alimento, e falamos de Ti aos camponeses que lá encontramos. Quando o sol já estava menos quente nos separamos. Simão foi à casa de um amigo, o qual quer falar de Ti. É o dono de quase toda a Betânia. Simão o conhece de antes, desde quando eram vivos os pais de um e do outro. Mas amanhã Simão virá para cá. Disse-me para falar-te que é feliz em servir-te. Simão é muito capaz. Eu gostaria de ser como ele. Mas sou um moço ignorante.
– Não, João. Tu também fazes muito bem.
– Estás mesmo contente com o teu pobre João?
– Muito contente, meu João. Muito.
– Oh! Meu Mestre!
João se inclina, num impulso, para pegar a mão de Jesus e a beija e a passa pelo rosto como uma carícia.
Detalhe
Jesus e João voltam a encontrar-se no olival do Getsémani e Jesus pergunta-lhe:
– Não, Mestre. Junto com a saúde, veio-me um vigor que eu ainda não conhecia.
– E sei que o estás empregando bem. Tenho falado com muitos e todos me falaram de ti como daquele que já os instruiu sobre o Messias.
Simão sorri contente:
– Ontem mesmo, à tarde, falei de Ti com uma pessoa que é um israelita honesto. Espero que um dia o conheças. Gostaria que fosse eu quem Te conduzisse a ele.
– Isto não é impossível.
(...) Jesus, sozinho com Simão, lhe pergunta:
– Aquela pessoa de Betânia é um verdadeiro israelita?
– Um verdadeiro israelita. Há nele todas as idéias predominantes, mas ele tem também uma verdadeira ânsia pelo Messias. E quando eu lhe disse: “Ele já está entre nós”, ele respondeu imediatamente: “Feliz de mim, que vivo nesta hora!”
– Iremos a ele um dia para levar a bênção à sua casa.
– (...) Nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.
– Porém tu, bem que te apressaste em tomar posse dos teus bens, depois de teres visto o Mestre e teres sido curado –responde ironicamente Judas.
– É verdade. Eu disse e fiz isso. Mas sabes por que? Como é que podes julgar, se não sabes tudo? O meu agente recebeu ordens claras. Agora que Simão, o Zelote, está curado — e os seus inimigos não podem mais prejudicá-lo segregando-o, nem persegui-lo, porque ele agora é somente de Cristo, e não de nenhuma seita: ele tem Jesus, e basta — pode dispor de seus haveres, que um homem fiel e honesto lhe conservou. E eu, dono deles ainda por uma hora, dei ordens que fossem reformados para receber mais dinheiro na venda, e poder dizer… não, isto eu não digo.
– Os anjos o dizem por ti, Simão, e o escrevem no livro eterno –diz Jesus.
Simão olha para Jesus. E os dois olhares se encontram, um admirado, o outro abençoante.
Detalhe
O homem de negócios mencionado por Simão, o Zelote, é certamente Lázaro (ver EMV 84.4-5), que vive muito perto de Simão. Se o apóstolo também recuperou os seus bens, foi para os dar ao seu criado idoso, José de Betânia (ver também EMV 84.4-5).
Jesus está no campo. Fala com um camponês que lhe confidencia o bem que lhe faz ouvir Jesus (é exatamente o mesmo para nós que lemos a Obra). Jesus fala da bênção de Deus e do sofrimento, do facto de ser expiação e de ser graça. Depois João vai-se embora e Judas pede para ir a Jerusalém ter com um amigo. Jesus fica deprimido com Judas e chora em silêncio numa moita. Reza. Por fim, junta-se-lhe Simão, o Zelota, que sente a sua dor. Falam de Judas... E Simão manifesta também o seu desejo de que ele se encontre com Lázaro.
Jesus chega a Betânia. É o seu primeiro encontro com Lázaro. Lázaro confirma rapidamente que tem fé em Cristo: acredita que ele é o Messias. Um pouco mais tarde, os três homens estão a comer: Lázaro diz a Simão que a sua casa foi comprada por um anónimo (Mateus). O zelote só queria que o seu velho criado pudesse ficar em sua casa, e o comprador concordou. Lázaro pergunta então ao Mestre se usa palavras duras ou palavras de misericórdia, e Jesus responde que usa o amor. Menciona brevemente o Olimpo e as areias movediças que prendem os culpados, mas uma palavra de amor pode ajudá-los a sair. Lázaro fala então das suas leituras, porque lê obras gregas e romanas para as comparar com os seus livros judaicos e ver nelas a Doutrina de Deus. Jesus diz que não há mal nenhum em ler os seus livros, desde que a ideia de Deus não seja alterada nele. Ele recorda-nos que todas as acções não são pecaminosas se agirmos de forma santa.