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Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 199.4-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos Ă queles infelizes! –diz Jesus e, virando as costas para a cidade, se dirige para um lugar desolado, situado nas encostas de uma colina rochosa, que fica entre as duas estradas, que vĂŁo de JericĂł para JerusalĂ©m.

É um lugar estranho, parecendo-se mais com um conjunto de escadarias, depois da primeira subida, acima da qual se chega a um caminho, de tal modo que o primeiro lance fica a pique, pelo menos uns trĂȘs metros acima do caminho, e igualmente o segundo. Tudo aqui Ă© aridez e morte
 Uma grande tristeza.

– Mestre –grita Simão Zelotes–, eu estou aqui. Para aí, que eu vou te ensinar o caminho


E Zelotes, que tinha se encostado Ă  rocha, procurando um pouco de sombra, vai para a frente, e conduz Jesus por um caminho em degraus, que vĂŁo no rumo do GetsĂȘmani, mas apartado dele pela estrada que, do Monte das Oliveiras vai para BetĂąnia[1].

– Já chegamos. Entre os sepulcros de Siloan eu vivi, e aqui estão os meus amigos. Só uma parte deles. Os outros estão em Ben Hinon mas não podem vir
 Teriam que atravessar a estrada, e seriam vistos.

– NĂ©s iremos a eles tambĂ©m.

– Obrigado! Por eles e por mim.

– Eles são muitos?

– O inverno matou a maior parte. Mas aqui ainda há cinco daqueles aos quais eu havia falado. Eles estão te esperando. Lá estão eles, ao lado da sua prisão


Devem ser uns dez monstros. Digo “devem ser”, porque se cinco sĂŁo bem visĂ­veis de pĂ©, os outros, ou pela cor cinzenta da pele, ou pela deformidade do rosto, ou porque assomam apenas por cima do pedregal, podem ser tĂŁo mal divisados, que tanto poderiam ser mais, como menos. Entre os que estĂŁo em pĂ©, sĂł hĂĄ uma mulher. Quem diz isto sĂŁo somente os seus cabelos jĂĄ embranquecidos e descuidados, que caem, duros e sujos, pelas costas atĂ© Ă  cintura. Mas, quanto aos outros, nĂŁo se distingue sexo, porque a doença, muito adiantada, jĂĄ os reduziu a esqueletos, destruindo todas as curvas femininas e, nos homens, sĂł um ainda mostra leves traços de bigodes e barba. Os outros jĂĄ foram rapados pela doença destruidora.

Eles gritam:

– Jesus, Salvador nosso, tem piedade de nós! –e estendem suas mãos deformadas ou cheias de feridas–. Jesus, Filho de Davi, tem piedade!

– Que quereis que Eu vos faça? –diz Jesus, levantando o rosto para aquelas misĂ©rias.

– Que Tu nos salves do pecado e da doença.

– Do pecado salva a vontade e o arrependimento


– Mas se Tu queres, podes cancelar os nossos pecados. Pelo menos, cancela os nossos pecados, se não queres curar os nossos corpos.

– Se Eu vos disser: “Escolhei uma das duas coisas”, qual delas quereis?

– O perdão de Deus, Senhor. Para ficarmos menos desolados.

Jesus faz um sinal de aprovação, com um luminoso sorriso, depois levanta os braços, e grita:

– Que sejais atendidos. Assim quero.

Atendidos! Pode ser quanto ao pecado, ou quanto à doença, ou quanto às duas coisas, e os cinco infelizes ficam sem saber. Mas, quem não ficou assim foram os apóstolos, que não podem fazer outra coisa, senão gritar hosanas, ao verem a lepra ir desaparecendo rapidamente, assim como desaparece um floco de neve, quando cai no fogo. E então, os cinco compreendem que foram completamente atendidos. E seu grito ressoa como uma exclamação de vitória. Abraçam-se uns aos outros e jogam beijos a Jesus, jå que ainda não podem ir precipitar-se a seus pés. E depois se dirigem aos companheiros, dizendo:

– VĂłs ainda nĂŁo quereis crer? Mas que espĂ©cie de infelizes sois?

– Bons! Sede bons. Os pobres irmĂŁos precisam pensar. NĂŁo lhes digais nada. A fĂ© nĂŁo se impĂ”e, mas se prega com a paz, a doçura, a paciĂȘncia, a constĂąncia. É isso que fareis, depois de vossa purificação, como SimĂŁo fez convosco. AliĂĄs o milagre, por si sĂł jĂĄ Ă© uma pregação.. VĂłs, curados, ireis quanto antes mostrar-vos ao sacerdote. VĂłs, doentes, aguardai-nos pela tarde. Iremos trazer-vos comida. A paz esteja convosco.

Jesus desce de novo para o caminho, acompanhado pelas bĂȘnçãos de todos.

199.5

– Agora, vamos para Ben Hinon –diz Jesus.

– Mestre
 eu gostaria de ir. Mas estou vendo que nĂŁo posso. Eu vou para o GetsĂȘmani –diz LĂĄzaro.

– Vai, vai, Lázaro. A paz esteja contigo.

Enquanto LĂĄzaro lentamente vai se pondo a caminho, o apĂłstolo JoĂŁo diz:

– Mestre! eu vou com ele. É cansativo e o caminho nĂŁo Ă© muito bom. Depois te alcançarei em Ben Hinon.

– Então, vai. Vamos.

Passam pelo Cedron. Costeiam o lado sul do Monte Tofet e entram pelo pequeno vale coberto de sepulcros e de lixo, sem uma ĂĄrvore nem um abrigo contra o sol, que neste lado sul derrama todos os seus fogos, abrasando as pedras destes degraus infernais, em cujas bases soltam fumaça incĂȘndios fedorentos, que aumentam ainda mais o calor. Dentro desses sepulcros, parecidos com fornos crematĂłrios, hĂĄ pobres corpos que vĂŁo se consumindo
 Siloan deve ser um lugar muito feio no inverno, com toda essa umidade que tem, e jĂĄ quase virado para o norte. Mas aqui deve ser horrĂ­vel Ă© no verĂŁo


SimĂŁo Zelotes, solta um grito de chamado e, primeiro trĂȘs, da comitiva, depois dois, depois um e mais um, vĂŁo chegando como podem, atĂ© o limite marcado. Aqui hĂĄ duas mulheres, e uma vem trazendo pela mĂŁo uma criança de aspecto horroroso, pois a lepra a atacou principalmente no rosto. Ela jĂĄ estĂĄ cega
 HĂĄ tambĂ©m um homem de aspecto nobre, apesar de sua miserĂĄvel condição. Ele Ă© que toma a palavra por todos:

– Bendito seja o Messias do Senhor, que desceu atĂ© Ă  nossa Geena, para dela tirar os que nele esperam. Salva-nos, Senhor, porque perecemos! Salva-nos, Salvador! Ó rei da estirpe de Davi, Ó Rei de Israel, tem piedade dos teus sĂșditos. Ó rebento de JessĂ©, do qual foi dito que no seu tempo nĂŁo haverĂĄ mais mal, estende a tua mĂŁo para recolher estes restos do teu povo. Faze desaparecer de nĂłs esta morte, enxuga as nossas lĂĄgrimas, pois assim foi dito de Ti. Chama-nos, Senhor, Ă s tuas pastagens excelentes, para as tuas ĂĄguas doces, pois nĂłs estamos cheios de sede. Leva-nos para as colinas eternas, onde nĂŁo hĂĄ mais culpa nem dor. Tem piedade, Senhor


– Quem Ă©s tu?

– Sou JoĂŁo, um do Templo. Fui contaminado, talvez por um leproso. Como vĂȘs, faz pouco tempo que a doença me pegou. Mas estes aĂ­!
 Alguns estĂŁo hĂĄ anos esperando a morte e esta menininha estĂĄ desde quando ainda nĂŁo sabia andar. Ela nem sabe que Ă© uma criação de Deus. Tudo o que ela conhece, tudo de que ela se lembra, entre as maravilhas de Deus, sĂŁo estes sepulcros, este sol desapiedado e as estrelas da noite. Piedade para os culpados e para os inocentes, Senhor, nosso Salvador.

E todos se ajoelharam, estendendo as mĂŁos.

Jesus chora ao ver tanta miséria, depois abre os braços, e grita:

– Pai, Eu quero: saĂșde, vida, vista e santidade para eles.

Fica ainda rezando intensamente, de braços abertos, com todo o seu espírito. Ele parece adelgaçar-se e elevar-se na oração, como uma chama branca de amor, branca e poderosa, por entre os poderosos raios de ouro que o sol emite.

– Mamãe, eu estou vendo!

É o primeiro grito, e a este correspondem os da mãe, que aperta contra o coração a menina curada, depois os gritos dos outros e dos apóstolos
 O milagre foi feito.

– JoĂŁo, tu, sacerdote, guiarĂĄs os companheiros no rito. A paz esteja convosco. A vĂłs tambĂ©m traremos alimentos, lĂĄ pela tarde.

Abençoa, e faz como quem vai tomar o caminho de volta.

Mas o leproso JoĂŁo lhe grita:

– Sobre os teus passos eu quero ir. Dize-me o que devo fazer e onde ir pregar sobre Ti!

– Nesta terra desolada e nua, que precisa converter-se ao Senhor. Que a cidade de JerusalĂ©m seja o teu campo. Adeus.

Detalhe

SimĂŁo, o Zelota, pediu a Jesus que fosse ao Vale da Morte, onde havia leprosos.

Anotação

E SimĂŁo, que se tinha encostado Ă  rocha para ter um pouco de sombra, avança e conduz Jesus por um caminho em degraus que leva ao GetsĂ©mani, mas que estĂĄ separado dele pela estrada que vai do Monte das Oliveiras para BetĂąnia. Segue-se o desenho de Maria Valtorta, que reproduzimos aqui. Colocou no centro a "pequena montanha", no cimo da qual escreveu trĂȘs vezes "leproso". A norte estĂĄ o "GetsĂ©mani", a partir do qual escreveu "O caminho mais curto para BetĂąnia e JericĂł". Do outro lado, escreveu a lĂĄpis: "O Monte das Oliveiras Ă© aqui". A oeste, fez correr o "Cedron", para alĂ©m do qual traçou "O caminho mais longo para BetĂąnia e JericĂł".

O mesmo acontece com os homens, dos quais apenas um tem um resto de bigode e barba. Os outros foram rapados por esta doença destruidora. Zacarias, o leproso. Cf. EMV 417.2.

Palavras-chave

EMF 199.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Do pecado salva a vontade e o arrependimento


Palavras-chave

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos à mãe –diz depois aos apóstolos.

– Mas, onde está ela? –perguntam muitos.

– Em uma casa que João sabe. Na casa da menina que foi curada[2] no ano passado.

Entram na cidade, percorrem boa parte do populoso bairro de Ofel e vĂŁo atĂ© uma casinha branca. Jesus entra, com sua doce saudação, na casa, cuja porta estĂĄ semi-aberta e de lĂĄ sai a voz suave de Maria, a voz argĂȘntea de AnĂĄlia e a voz grossa da mĂŁe dela. A menina prostra-se adorando, a mĂŁe ajoelha-se. Maria se levanta.

Gostariam de deter lå o Mestre com sua mãe. Mas Jesus, prometendo voltar em outro dia, abençoa e se despede.

Anotação

Na jovem curada no ano passado. Cf.EMV 85 eEMV 86.4/5, a cura de Annalia.

Palavras-chave

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro vai indo com Maria, todo feliz. Os dois estĂŁo segurando o menino pela mĂŁo, e parecem uma pequena famĂ­lia feliz. Muitos se viram e olham para eles. Jesus observa como eles vĂŁo andando, e sorri.

– Simão está feliz –exclama Zelotes.

– Por que estás sorrindo, Mestre? –pergunta Tiago de Zebedeu.

– Porque naquele grupo estou vendo uma grande promessa.

– Que promessa, Irmão? Que estás vendo? –pergunta Tadeu.

– Vejo o seguinte: Que poderei ir-me embora tranquilo, quando chegar a hora. Que nĂŁo preciso temer pela minha Igreja. Ela, entĂŁo, ainda estarĂĄ pequena, como Margziam. Mas nela estarĂĄ minha mĂŁe, segurando-a assim pela mĂŁo e a fazer para com ela as vezes da mĂŁe, e nela estarĂĄ Pedro, fazendo as vezes do Pai. Em sua mĂŁo honesta e cheia de calos, posso colocar sem preocupaçÔes, a mĂŁo da minha Igreja nascente. Ele lhe darĂĄ a força da sua proteção. E minha mĂŁe, a força do seu amor. E a Igreja crescerá
 como Margziam
 Ele Ă© verdadeiramente o menino-sĂ­mbolo! Deus abençoe minha mĂŁe, meu Pedro e o menino deles e nosso! Agora, vamos Ă  casa de Joana


Palavras-chave

EMF 199.7-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação


 E novamente, pela tarde, já estamos na casinha de Betñnia. Muitos, cansados, já se retiraram. Mas Pedro anda para lá e para cá pelo caminho, levantando frequentemente os olhos para o terraço, onde estão sentados, conversando, Jesus e Maria. João de Endor, por sua vez, está conversando com Zelotes, estando os dois sentados debaixo de uma romãzeira toda florida.

Maria jå falou muito, porque ouço Jesus dizer:

– Tudo o que me disseste Ă© bem justo e de tudo considerarei a justiça. TambĂ©m acho que Ă© justo o teu conselho dado Ă  AnĂĄlia. Que o homem o tenha acolhido com tanta presteza Ă© bom sinal. Na verdade, a alta JerusalĂ©m estĂĄ cheia de obtusosidade, de Ăłdio e, Eu poderia atĂ©, dizer, de sujeira. Mas, no meio do seu povo humilde, hĂĄ pĂ©rolas de um valor desconhecido. Fico alegre porque AnĂĄlia estĂĄ feliz. É uma criatura mais do CĂ©u, do que da terra e talvez o homem, que agora entrou no conceito do espĂ­rito, tenha intuição disso e preste a isso um respeito quase de veneração. Seu pensamento de ir para outro lugar, a fim de nĂŁo perturbar, com algum sobressalto humano, o cĂąndido voto da menina, o estĂĄ demonstrando.

– Sim, meu Filho. O homem percebe o perfume das virgens
 Eu me lembro de JosĂ©. Eu nĂŁo sabia de que palavras devia fazer uso. Ele nĂŁo conhecia o meu segredo
 E, no entanto, ele me ajudou a dizĂȘ-lo, com a sua percepção de santo. Ele tinha sentido o odor da minha alma
 NĂŁo vĂȘs tambĂ©m JoĂŁo?
 Que paz!
 E todos o procuram
 O prĂłprio Judas de Keriot, por mais que
 NĂŁo, meu Filho. Judas nĂŁo mudou. Eu sei e Tu sabes. NĂłs nĂŁo falamos, porque nĂŁo queremos ser nĂłs que começamos a guerra. Mas, ainda que nĂŁo falemos, nĂłs o sabemos
 e, mesmo que nĂŁo falemos, os outros estĂŁo enxergando
 Oh! Meu Jesus! Contaram-me os jovens hoje, em GetsĂȘmani, o episĂłdio de Magdala e o da manhĂŁ de sĂĄbado
 A inocĂȘncia fala
 porque ela vĂȘ pelos olhos do seu anjo. Mas os velhos tambĂ©m entrevĂȘem
 NĂŁo deixam de ter razĂŁo. É um ser esquivo
 Tudo nele Ă© esquivança
 e eu tenho medo dele, e tenho sobre os lĂĄbios as mesmas palavras do Benjamim de Magdala e do Margziam no GetsĂȘmani, porque tenho pelo Judas a mesma repugnĂąncia que por ele sentem as crianças.

– Nem todos podem ser como João!

– Nem eu pretendo isso. Isso seria um paraíso na terra. Mas, estás vendo, Tu me falaste do outro João
 Um homem que matou
 mas que só me causa dó. Judas me dá medo.

– Ama-o, minha mãe! Ama-o por amor de Mim!

– Sim, meu Filho. Mas nem meu amor servirĂĄ. SerĂĄ apenas mais um sofrimento para mim e uma culpa para ele.. Oh! Para que foi ele entrar! Perturba a todos e ofende a Pedro, que Ă© digno de todo respeito.

199.8

– Sim. Pedro Ă© muito bom. Por ele Eu faria qualquer coisa, pois ele o merece.

– Se ele te ouvisse, diria com aquele seu sorriso bom e sincero: “Ah! Senhor, isso nĂŁo Ă© verdade!” E teria razĂŁo.

– Por quĂȘ, mĂŁe?

Mas Jesus estĂĄ sorrindo porque jĂĄ compreendeu.

– Porque Tu o não contentas, dando-lhe um filho. Ele me contou todas as suas esperanças, os seus desejos
 e as tuas recusas.

– E nĂŁo te disse as razĂ”es com que as justifiquei?

– Sim, ele as disse, e acrescentou: “É verdade
 mas eu sou um homem, um pobre homem. Jesus teima em querer ver em mim um grande homem. Mas eu sei que nĂŁo sou mais do que um ser mesquinho e, por isso
 me poderia dar um menino. Eu me casei para ter um
 e vou morrer sem ter.” E, mostrando o menino que, feliz pela veste para ele comprada por Pedro, o havia beijado, dizendo-lhe: “Meu pai amado”, disse-me: “VĂȘ, quando este pequenino que, hĂĄ somente dez dias, eu nem conhecia ainda, fala-me assim, eu me sinto mais maleĂĄvel do que manteiga, e mais doce do que o mel, e atĂ© choro porque
 cada dia que passa, ele quer me levar embora este menino
”

Maria se cala, observando Jesus, estudando-lhe o semblante, esperando uma palavra
 Mas Jesus colocou o cotovelo sobre o joelho, a cabeça encostada na palma da mĂŁo e estĂĄ tambĂ©m calado, olhando para a grande extensĂŁo verde do pomar.

Maria pega a mĂŁo dele e a acaricia, dizendo:

– SimĂŁo tem esse seu grande desejo
 Enquanto eu ia andando com ele, nĂŁo parou de falar-me nisso, e com razĂ”es tĂŁo justas, que
 eu nĂŁo pude dizer nada para fazĂȘ-lo calar-se. Eram as mesmas razĂ”es, nas quais pensamos todas nĂłs, mulheres e mĂŁes. O menino nĂŁo Ă© robusto. Se ele tivesse sido como eras Tu
 Oh! entĂŁo teria podido ir ao encontro da vida, como um discĂ­pulo sem medo. Mas Ă© tĂŁo fraquinho!
 Muito inteligente, muito bom
 e nada mais. Quando um pombinho Ă© delicado, nĂŁo se pode lançå-lo ao vĂŽo logo, como se faz com os fortes. Os pastores sĂŁo bons
 mas sĂŁo sempre homens. Os meninos precisam das mulheres. Por que nĂŁo o deixas com SimĂŁo? Enquanto lhe negas um filho nascido dele, eu compreendo o motivo. Um pequenino nosso Ă© para nĂłs como uma Ăąncora. E SimĂŁo, destinado a tĂŁo grande sorte, nĂŁo pode ter Ăąncoras que o detenham. Contudo, deves convir que ele deva ser o ‘pai’ de todos os filhos que Tu lhe deixarĂĄs. E, como haveria ele de ser pai, se nĂŁo tiver treinado com um menino? Um pai deve ser manso. E SimĂŁo Ă© bom, mas manso, nĂŁo. Ele Ă© impulsivo e intransigente. NĂŁo hĂĄ nada como uma criaturinha, que lhe possa ensinar a arte sutil da compaixĂŁo para com quem Ă© fraco
 Pensa nesta sorte de SimĂŁo
 Afinal, Ă© o teu sucessor! Oh! tenho afinal que dizer esta palavra cruel! Mas, pela grande dor que me custa dizĂȘ-la escuta-me. Eu nunca te aconselharia uma coisa que nĂŁo fosse boa. Margziam
 Tu queres fazer dele um perfeito discĂ­pulo
 Mas ele ainda Ă© um menino. Tu
 TerĂĄs que ir embora, antes que ele se torne um homem. A quem, entĂŁo, o entregarĂĄs para completar sua formação, senĂŁo a SimĂŁo? Afinal, pobre SimĂŁo, Tu sabes quanto tem sofrido, tambĂ©m por causa de Ti, da parte de sua sogra Contudo ele nĂŁo recuperou nem um grĂŁozinho do seu passado, da liberdade que tinha, hĂĄ um ano, para ser deixado em paz pela sogra, que nem Tu pudeste mudar. E aquela pobre criatura, que Ă© a mulher dele? Oh! Ela tem um grande desejo de amar e de ser amada. A mĂŁe
 Oh! O marido? Um amĂĄvel prepotente. Nunca um afeto que lhe seja dado sem tantas exigĂȘncias
 Pobre mulher!
 Deixa-lhe o menino. Escuta, Filho. Por enquanto, o levamos conosco. Eu tambĂ©m virei para a Judeia. Tu me levarĂĄs contigo Ă  casa de minha companheira no Templo e quase nossa parenta, porque Ă© descendente de Davi. Ela mora em Betsur. Eu a irei ver de boa vontade, se Ă© que ainda vive. Depois, ao voltarmos para a Galileia, o daremos Ă  PĂșrpura. Quando estivermos nas vizinhanças de Betsaida, Pedro o tomarĂĄ. E, quando viermos para longe, o menino ficarĂĄ com ela. Ah! Mas Tu agora estĂĄs sorrindo! EntĂŁo contentarĂĄs Ă  tua mamĂŁe. Obrigada, meu Jesus.

– Sim. Seja feito como Tu queres.

199.9

Jesus se levanta, e grita com força:

– Simão de Jonas, vem aqui.

Pedro dĂĄ um salto, e vai correndo pelos degraus.

– Que queres, Mestre?

– Vem aqui, homem usurpador e corruptor!

– Eu? Por quĂȘ? Que foi que eu fiz, Senhor?

– Tu corrompeste minha mĂŁe. Para isso Ă© que querias estar sozinho. Que devo te fazer?

Mas Jesus estĂĄ sorrindo e Pedro fica mais tranquilo.

– Oh! –diz ele–, me fizeste ficar com medo! Mas agora estás rindo
 Que queres de mim, Mestre? A vida? É só o que tenho, pois me tomaste tudo
 Mas, se a queres, eu a dou.

– Eu não quero tirar-te nada. Mas quero te dar. Mas não fiques te gloriando pela vitória e não contes o segredo aos outros, ó homem matreiríssimo, que vences o Mestre com a arma da palavra materna. Tu ficarás com o menino, mas


Jesus não fala mais, porque Pedro, que se havia ajoelhado, pÔe-se rapidamente de pé e beija Jesus com tanto ímpeto, que lhe embargou a palavra.

– Agradece a ela, não a Mim. Mas, lembra-te que isso te deve servir de ajuda e não de estorvo


– Senhor, não terás que arrepender-te por este presente
 Oh! Maria! Que Tu sejas sempre bendita, santa e boa


E Pedro, que de novo caiu de joelhos, estĂĄ chorando de verdade e beijando a mĂŁo de Maria.

Anotação

No que diz respeito a Annalia, penso que o seu conselho tambĂ©m Ă© correto. É um bom sinal que o homem a tenha aceite tĂŁo prontamente. Samuel Ă© o seu noivo. Annalia fez voto de virgindade, a primeira das virgens consagradas. Cf. EMV 156.3/5.

Oh, meu Jesus! Os jovens contaram-me hoje, no Getsémani, o episódio de Magdala e da manhã de såbado. Duas crianças disseram que Judas as "assustou": Benjamim de Magdala em EMV 184.7 e Marziam em EMV 196.6.

Também eu irei à Judeia. Levar-me-ås contigo a uma das minhas companheiras de Templo - quase uma parente, pois é descendente de David. Ela vive em Bet-zur. Gostaria de a voltar a ver, se ainda for viva. Ela é Elisede Betzur.

199.9 Jesus levantou-se e chamou em alta voz

"SimĂŁo, filho de Jonas, vem cĂĄ!"

Pedro fica assustado e sobe as escadas a correr:

"O que Ă© que queres, Mestre?

- Vem cĂĄ, usurpador e corruptor!

- Eu? PorquĂȘ? O que Ă© que eu fiz, Senhor?

- Tu corrompeste a minha MĂŁe. Foi por isso que quiseste ficar sozinho. Que te hei-de fazer?

Mas Jesus sorriu e Pedro ficou tranquilo.

Oh", diz ele, "pregaste-me um susto! Mas agora estĂĄs a rir... O que queres de mim, Mestre?

JESUS AGRADÁVEL: Esta passagem causou polémica entre algumas pessoas:

- Alguns nĂŁo conseguiam imaginar Jesus a brincar como se faz com os melhores amigos (parecendo acusĂĄ-los da antĂ­tese do que obviamente sĂŁo).

- Os outros tĂȘm uma leitura parcial que interpreta a corrupção isolada como uma prĂĄtica indigna e chocante.

MARIA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS :

Relativamente ao primeiro ponto, a anedota, é de notar que Jesus não usa a vulgaridade habitualmente associada a este tipo de anedota, mas tira dela uma lição sagrada: Maria, Medianeira de todas as graças. Ele estå a "evangelizar" a nossa humanidade.

Quanto Ă  outra, uma leitura do contexto elimina qualquer dĂșvida sobre a intenção de Pedro quando, vendo negado o seu desejo mais profundo, pede a ajuda e a mediação de Maria.

Palavras-chave

EMF 200

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Aglaé e o perfume da sua alegria de ser salva.

Data da visĂŁo: Segunda-feira 25 de junho de 1945.

Calendårio: Segunda-feira 27 de março 28 (14 Nisan 3788)

Local (mapa) : BetĂąnia

Ciclo: A segunda viagem pascal

Resumo: Jesus regressa sozinho a casa de SimĂŁo, o Zelota, e estĂĄ preocupado. É evidente que estĂĄ Ă  espera de alguĂ©m e Maria, sua MĂŁe, acaba por lhe trazer Aglaia. Ele pede Ă  Virgem que nĂŁo os incomode, e Cristo fala finalmente com a antiga pecadora. Ela ajoelha-se em adoração e chora. Revela que nĂŁo ousava esperar obter o amor do Senhor depois de ter pecado tanto. O Mestre consola-a e explica-lhe que este desejo de amar vem do prĂłprio Deus. Quando o convertido se espanta com o facto de o AltĂ­ssimo amar uma pessoa como Aglaia, Jesus responde de novo que Deus Ă© um abismo de misericĂłrdia incompreensĂ­vel para a mente humana e confirma que ela foi perdoada.

Surge entĂŁo uma pergunta legĂ­tima: o que Ă© que ela deve fazer? Cristo diz-lhe para ir para um lugar deserto e informa-a de que nunca mais se verĂŁo na terra e que ele morrerĂĄ para obter a sua redenção. Ela, por seu lado, dedicar-se-ĂĄ Ă  penitĂȘncia e virĂĄ outro apĂłstolo para lhe dizer tudo o que precisa de saber: nĂŁo serĂĄ, no entanto, AndrĂ©, que a levou atĂ© Jesus.

A antiga pecadora då-lhe então as suas jóias e esvazia uma ùnfora de perfume. Por fim, ela vai-se embora e Jesus abençoa-a de onde estå, enquanto ela se afasta. Depois, pede à sua Mãe que lhe traga André e diz-lhe que ela estå salva. O irmão de Pedro, no entanto, não deve dizer nada, e logo chegam os outros apóstolos. Perguntam quem é que respondeu ao perfume e Judas queixa-se, o que irrita Låzaro e os outros companheiros. Jesus leva então o Iscariotes embora e a visão cessa entretanto.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 200.1: Jesus parece preocupado. 200.2: Maria anuncia a chegada de Aglaia e leva-a atĂ© ele. 200.3: Jesus confirma o perdĂŁo de Deus a Aglaia. 200.4: Envia-a para o deserto, onde um dos seus apĂłstolos a vai visitar. 200.5: Ela esvazia uma Ăąnfora de perfume aos seus pĂ©s. 200.6: Jesus agradece a AndrĂ© pelo seu trabalho apostĂłlico com Aglaia. 200.7: DiscussĂŁo sobre o perfume derramado.

Edição anterior: Volume 3, capítulo 61

Palavras-chave

EMF 200.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estå tão absorto, que nem percebe o barulho das muitas vozes e do tropel dos muitos passos pelo corredor da entrada, e depois, de dois passos mais leves de alguém que sobe pela escadinha externa e que se aproxima do salão. Só quando Maria o chama é que Ele levanta a cabeça.

– Meu Filho, chegou a Susana de JerusalĂ©m com a famĂ­lia, e logo AglaĂ© me acompanhou. Queres atendĂȘ-la, enquanto estamos sĂłs?

– Sim, mĂŁe. Vou atendĂȘ-la jĂĄ. E que ninguĂ©m suba, enquanto nĂŁo terminar tudo. Espero ter acabado, antes da volta dos outros. Mas Eu te peço que cuides para que nĂŁo haja curiosidades indiscretas
 em ninguĂ©m
 e especialmente em Judas de SimĂŁo.

– Estarei atenta, e cuidarei disso


Maria sai, para voltar pouco depois, segurando Aglaé pela mão, não mais embrulhada em seu manto cinzento e com o seu véu caído para a frente, não mais com suas sandålias altas e cheias de fivelas e fitas, que ela antes usava, mas totalmente transformada como mulher hebreia, pelas sandålias planas e baixas, muito simples como as de Maria, com a veste de um azul escuro, sobre a qual estå posta o manto, e com um véu branco, colocado como fazem as mulheres hebreias do povo, isto é, posto simplesmente na cabeça, com uma parte jogada para as costas, de modo que o rosto fica coberto por ele, mas não completamente. O håbito comum, como é usado por muitíssimas mulheres, e estando ela no meio de um grupo de galileus, tudo isso tornava possível que Aglaé deixasse de ser reconhecida.

Ela entra de cabeça inclinada, enrubescendo a cada passo que då, e acho que, se Maria não a fosse puxando docemente para Jesus, ela se teria ajoelhado na soleira.

– Aqui está, meu Filho, aquela que vinha te procurando há tanto tempo. Escuta-a –diz Maria, ao chegar perto de Jesus, e depois se retira, abaixando os toldos sobre as portas escancaradas e fechando a que estava mais perto da escadinha.

Palavras-chave

EMF 200.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Este desejo dele te serve de prova de que Deus corresponde ao teu amor, de que Ele é teu amigo, que te chama e te convida, que te quer. Deus é incapaz de permanecer inerte, diante do desejo de uma criatura sua, porque aquele desejo foi inspirado àquele coração por Ele, o Criador e Senhor de toda criatura. Ele o inspirou, porque amou com um amor privilegiado a alma que agora o deseja. O desejo de Deus vem sempre antes do desejo da criatura, porque Ele é Perfeitíssimo e, por isso, o seu amor é bem mais habilidoso e abrasado do que o amor da criatura.

Detalhe

Sobre o desejo de Deus.

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