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Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 196.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A manhĂŁ do sĂĄbado foi ocupada, na maior parte do tempo, em restaurar os corpos cansados e limpar as roupas cheias de poeira e amarrotadas pela viagem. Nas amplas cisternas do GetsĂȘmani, que a ĂĄgua da chuva foi enchendo, e no Cedron, cujas ĂĄguas cantam ao bater nas pedras, espumando, cheio como ele estĂĄ pelas chuvas dos Ășltimos dias, hĂĄ tanta ĂĄgua que Ă© um verdadeiro convite a quem a vĂȘ. Por isso, os peregrinos, um depois do outro, sem terem medo da ĂĄgua fria, descem para mergulhar e depois, tornando a vestir-se da cabeça aos pĂ©s, com os cabelos ainda um pouco corridos, por causa da ĂĄgua da torrente, tiram ĂĄgua das cisternas para despejĂĄ-la em tanques de bom tamanho, onde estĂŁo as roupas, separadas pelas cores.

– Oh! Muito bem –diz contente Pedro–. Ali elas jĂĄ ficarĂŁo menos sujas e Maria as poderĂĄ lavar com menos cansaço. –(Suponho que seja a mulher que mora no GetsĂȘmani)–. SĂł tu, pequenino, nĂŁo podes mudar de roupa. Mas amanhã


De fato, o menino tem uma vestezinha limpa, tira-a de sua sacolinha, uma sacolinha que mal daria para o enxoval de uma boneca, de tĂŁo pequena que Ă©. Mas a vestezinha que ele tirou, estĂĄ ainda mais desbotada e rasgada do que a outra e Pedro olha para ela preocupado e murmurando:

– Como Ă© que eu vou fazer para levĂĄ-lo pela cidade? Eu poderia dividir em duas a minha capa, porque com uma capa
 ele se cobriria todo.

Jesus, que ouviu este solilĂłquio paterno, diz:

– É melhor fazer que ele descanse agora. Esta tarde iremos a Betñnia


– Mas eu quero comprar a roupa para ele. Eu lhe prometi


– Tu o farĂĄs com certeza. Mas Ă© melhor aconselhar-se antes com a mĂŁe. Tu sabes
 as mulheres
 tĂȘm mais capacidade do que nĂłs nas compras
 e ela se sentirĂĄ feliz por ocupar-se com um menino
 VĂłs ireis juntos!

A ideia de ir junto com Maria fazer as compras arrebata o apóstolo taté o sétimo céu. Não sei se Jesus lhe expressou todo o seu pensamento, ou se omitiu uma parte , ou seja, aquela que tivesse dito que a mãe tem um gosto mais apurado para evitar certos conjuntos horríveis de cores. Mas o fato é que Ele consegue o seu escopo sem precisar deixar aborrecido seu Pedro.

Palavras-chave

EMF 196.2-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus estå passeando e observando Jabé, que alegre estå brincando com João e com os mais jovens. Também Iscariotes, depois de passada a sua raiva de ontem, estå alegre e brincando. Os mais velhos observam e sorriem.

– Que dirá a tua mãe deste menino? –pergunta Bartolomeu.

– Eu acho que Ela dirĂĄ: “É muito fraquinho” –diz TomĂ©.

– Oh! Não. Ela dirá: “Pobre menino” –responde Pedro.

– Ela Te dirá, pelo contrário: “Estou contente, porque Tu o amas”

–objeta Filipe.

– A mĂŁe nunca teria dĂșvidado disso. Mas eu creio que Ela nĂŁo dirĂĄ nada. Ela o receberĂĄ em seu coração –diz Zelotes.

– E Tu, Mestre, que dizes que Ela dirá?

– Ela fará o que vós estais dizendo. Mas muitas coisas, ou melhor, todas Ela as pensará, e ao beijá-lo dirá só: “Que tu sejas bendito!”, e cuidará dele como se fosse um passarinho que caiu do ninho.

196.3

Um dia, Ela me contou o que aconteceu, quando Ela era uma menininha. Ainda nĂŁo tinha trĂȘs anos, porque ainda nĂŁo estava no Templo, e seu coração se partia de amor, produzindo, como a flor ou a azeitona esmagadas na prensa, todos os seus Ăłleos ou os seus perfumes. E, em seu delĂ­rio de amor, dizia Ă  sua mĂŁe que queria ser virgem para agradar mais ao Salvador, mas que teria gostado de ser pecadora, para poder ser salva e ficava quase chorando, porque a mĂŁe nĂŁo a compreendia e nĂŁo sabia dizer-lhe como Ă© que se pode ser “pura” e “pecadora”, ao mesmo tempo. Quem a tranquilizou foi seu pai, que lhe mostrou um pequeno passarinho, que ele tinha conseguido salvar quando estava em perigo, Ă  beira de uma fonte. O pai, entĂŁo, com o passarinho, criou uma parĂĄbola[2], dizendo-lhe que Deus a tinha salvado de um modo antecipado e que, por isso, Ela lhe devia dar graças duas vezes. E a pequena Virgem de Deus, a grandĂ­ssima Virgem Maria, exerceu pela primeira vez sua maternidade espiritual sobre aquele pequeno ser caĂ­do do ninho, que Ela pĂŽde lançar ao vĂŽo, quando ficou forte, mas que nunca mais abandonou o jardim de NazarĂ© e lĂĄ ficou ainda, consolando com seus vĂŽos e seus pios, a triste casa e os tristes coraçÔes de Ana e de Joaquim, quando Maria esteve no Templo. O passarinho morreu pouco antes da morte de Ana
 Ele tinha cumprido sua tarefa


196.4

Minha mĂŁe tinha feito voto de virgindade por amor. Mas tinha, sendo uma criatura perfeita, a maternidade no sangue e no espĂ­rito. Porque a mulher foi feita para ser mĂŁe. E Ă© atĂ© uma aberração, quando ela se faz de surda aos apelos desse instinto, que Ă© amor de segunda potĂȘncia


Pouco a pouco, os outros foram chegando para perto.

– Que queres dizer, Senhor, quando falas de amor de segunda potĂȘncia? –pergunta Judas Tadeu.

– Meu irmĂŁo, hĂĄ muitos amores e de diversas potĂȘncias. HĂĄ um amor de primeira potĂȘncia: Ă© o que se dĂĄ a Deus. Depois, o amor de segunda potĂȘncia: Ă© esse amor materno, ou paterno, porque, se o primeiro Ă© todo espiritual, este Ă© espiritual em duas partes, e carnal por uma. É verdade que no homem se mistura, sim, o sentimento afetivo humano, mas sempre predomina o superior, porque um pai e uma mĂŁe, sadia e santamente tais, nĂŁo dĂŁo somente alimento e carĂ­cias Ă  carne de seu filho, mas tambĂ©m alimento e amor Ă  mente e ao espĂ­rito dele. E, tanto Ă© verdade o que digo que quem se dedica Ă  infĂąncia, ainda que seja apenas para instruĂ­-la, acaba por amĂĄ-la como sua carne.

– De fato, eu amava muito aos meus discípulos –diz João de Endor.

– JĂĄ compreendi que devias ter sido um bom mestre, ao ver como tratas JabĂ©.

O homem de Endor se inclina, e beija a mĂŁo de Jesus, sem dizer nada.

– Continua, por favor, a tua classificação dos amores –pede-lhe Zelotes.

– Existe o amor pela companheira: Ă© um amor de terceira potĂȘncia, porque Ă© feito — falo sempre dos sadios e santos amores — pela metade de espĂ­rito e pela metade de carne. O homem para a esposa Ă© um mestre e um pai, alĂ©m de esposo. e a mulher, para o esposo, Ă© um anjo e uma mĂŁe, alĂ©m de esposa. Estes sĂŁo os trĂȘs amores mais elevados.

196.5

– E o amor ao próximo? Não estás enganado? Ou terás esquecido dele? –pergunta Iscariotes.

Os outros olham espantados para ele e ameaçadores por causa da observação que ele fez.

Mas Jesus, placidamente, responde:

– NĂŁo, Judas. Mas presta atenção. Deus hĂĄ de ser amado porque Ă© Deus e, por isso, nĂŁo hĂĄ necessidade de explicação para persuadir a prestar esse amor. Ele Ă© o que Ă©, ou seja: o Tudo; e o homem Ă© o nada, que se torna participante do Tudo pela alma que nele foi infundida pelo Eterno — sem a alma, o homem seria um dos muitos animais brutos, que vivem na terra, nas ĂĄguas e no ar — e que deve adorĂĄ-lo por dever, e para merecer sobreviver no Tudo, isto Ă©, para merecer fazer parte do Povo santo de Deus no CĂ©u, cidadĂŁo da JerusalĂ©m, que nĂŁo conhecerĂĄ profanaçÔes e destruiçÔes, nunca mais.

O amor do homem, e especialmente o da mulher, aos filhos, Ă© indicado como uma ordem nas palavras de Deus a AdĂŁo e Eva, depois de tĂȘ-los abençoado, vendo que havia feito “coisa boa”, naquele longĂ­nquo sexto dia, o primeiro sexto dia da criação. E Ele lhes disse: “Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra
”

Vejo a tua não formulada objeção e respondo assim dado que na criação, antes da culpa, tudo era regulado e baseado no amor, essa multiplicação dos filhos teria sido amor, um amor santo, puro, poderoso e perfeito. E Deus o deu como primeira ordem, ao homem: “Crescei e multiplicai-vos.” Amai, pois, depois de Mim, aos vossos filhos. O amor, como agora existe, esse amor atual gerador de filhos, antes não existia. A malícia não existia e não existia a execrável fome da sensualidade. O homem amava a mulher, e a mulher ao homem, de um modo natural, não natural segundo a natureza como nós a entendemos, ou melhor, como vós homens a entendeis, mas segundo a natureza de filhos de Deus: sobrenaturalmente[3].

Que doces os primeiros dias de amor entre os dois, que eram irmĂŁos, porque nascidos do mesmo Pai, e que, no entanto, eram esposos, e que, ao se amarem, olhavam um para o outro com os olhos inocentes de dois gĂȘmeos no berço; e o homem sentia um amor de pai para com sua companheira “osso de seus ossos e carne de sua carne”, assim como Ă© o filho em relação a seu pai. E a mulher conhecia a alegria de ser filha, isto Ă©, protegida por um amor bem alto, porque sentia ter em si alguma coisa daquele maravilhoso homem que a amava, com inocĂȘncia e angĂ©lico ardor, nos belos prados do Éden!

Depois, na ordem dos mandamentos dados por Deus, com um sorriso para os seus queridos pequeninos, vem aquilo que o prĂłprio AdĂŁo, dotado pela Graça de uma inteligĂȘncia, que sĂł era menor que a de Deus, decreta, falando da companheira do homem, e nela, de todas as mulheres, o decreto do pensamento de Deus, que se refletia nĂ­tido no tenro espelho do espĂ­rito de AdĂŁo, e florescia no pensamento e na palavra: “O homem deixarĂĄ seu pai e sua mĂŁe, e se unirĂĄ Ă  sua mulher, e os dois serĂŁo uma sĂł carne.”

Se nĂŁo houvesse os trĂȘs pilares dos trĂȘs amores acima referidos, terĂ­amos podido ter o amor ao prĂłximo? NĂŁo. NĂŁo o terĂ­amos podido. O amor a Deus torna Deus amigo, e ensina o amor. Quem nĂŁo ama a Deus, que Ă© bom, com toda a certeza nĂŁo pode amar ao prĂłximo que, em sua maior parte, Ă© defeituoso. Se nĂŁo houvesse amor conjugal e paternidade no mundo, nĂŁo terĂ­amos o prĂłximo, porque os prĂłximos sĂŁo os filhos nascidos dos homens. EstĂĄs persuadido disso?

– Sim, Mestre. Eu não havia refletido.

– De fato, Ă© difĂ­cil voltar atrĂĄs, subindo para as nascentes. O homem jĂĄ estĂĄ pregado, hĂĄ muitos sĂ©culos e milĂȘnios, na lama, e aquelas nascentes estĂŁo bem lĂĄ nos cumes! A primeira delas Ă© uma nascente que vem de um abismo de altura: É Deus
 Mas Eu vos tomo pela mĂŁo e vos levo Ă s nascentes. Eu sei onde elas estĂŁo


196.6

– E os outros amores? –perguntam juntos Simão Zelotes e o homem de Endor.

– O primeiro da segunda sĂ©rie, Ă© o do prĂłximo. Na realidade, Ă© o quarto em potĂȘncia. Segue o amor Ă  ciĂȘncia. Depois vem o amor ao trabalho.

– E basta?

– E basta.

– Mas há ainda muitos outros amores! –exclama Judas Iscariotes

– NĂŁo. HĂĄ outras fomes. Mas nĂŁo sĂŁo amores. SĂŁo desamores. SĂŁo a negação de Deus e a negação do homem. Por isso, nĂŁo podem ser amores, visto que sĂŁo negaçÔes, e a negação Ă© o Ăłdio.

– Se eu me nego a consentir no mal, isso Ă© Ăłdio? –pergunta Iscariotes.

– Infelizes de nĂłs! Mas tu Ă©s mais capcioso do que um escriba. Queres dizer-me o que tens? SerĂĄ o ar fino da Judeia que te estĂĄ beliscando os nervos como uma caimbra? –exclama Pedro.

– NĂŁo. Eu gosto de instruir-me e de ter muitas ideia s, mas claras. Aqui Ă© fĂĄcil falar e logo com os escribas. NĂŁo quero ficar sem argumentos.

– E achas que podes, no momento em que precisares, puxar para fora o fio da cor de que estás precisando do saco que vais atulhando com todos estes trapos? –pergunta Pedro.

– Trapos, as palavras do Mestre? Estás blasfemando!

– Ora, nĂŁo me queiras parecer escandalizado. Na boca do Senhor nĂŁo sĂŁo trapos; mas, uma vez que sejam mal usadas por nĂłs, tornam-se tais. Experimenta tu pĂŽr um linho fino na mĂŁo de um menino
 NĂŁo leva muito tempo, ele jĂĄ serĂĄ um trapo sujo e imprestĂĄvel. Isto acontece conosco
 Agora se pretendes pescar, no momento bom, um trapinho que te interessa, entre este trapinho e o que Ă© sujo, nĂŁo sei aonde poderĂĄs chegar.

– Não penses nisso. Esses assuntos são meus


– Oh! EstĂĄ certo. que nĂŁo penso. JĂĄ tenho que pensar muito nos meus. E depois!
 Eu me contento que nĂŁo prejudiques o Mestre. Porque, neste caso, pensarei tambĂ©m nos teus assuntos


– Quando eu lhe prejudicar, tu farás assim. Mas isso não acontecerá nunca, porque eu sei fazer as coisas
 Eu não sou um ignorante


– Mas eu o sou, sei disso. Mas, justamente porque sei, nĂŁo fico acumulando nada, para o ficar ostentando, quando chega o bom momento. Mas nessa hora eu me recomendo a Deus e Deus me ajudarĂĄ por amor ao seu Messias, de quem eu sou o Ășltimo dos servos e o mais fiel.

– FiĂ©is somos todos nĂłs! –rebate, arrogante, Judas.

– Oh! Malvado! Por que ofendes o meu pai? Ele Ă© velho e bom. NĂŁo deves. És um homem mau e me causas medo –diz JabĂ©, muito sĂ©rio, rompendo o silĂȘncio atento em que estava.

– JĂĄ sĂŁo dois! –diz em voz baixa Tiago de Zebedeu, dando uma cotovelada em AndrĂ©.

Ele falou baixo, mas Iscariotes ouviu.

– VĂȘ, Mestre, se as palavras do estulto menino de Magdala nĂŁo terĂŁo deixado um sinal? –diz Judas aceso de raiva.

196.7

– Mas nĂŁo seria mais bonito continuar a lição do Mestre, em vez de ficarmos parecendo uns cabritos irritados? –pergunta o pacĂ­fico TomĂ©.

– É verdade, Mestre. Continua a falar-nos de tua mãe. É tão cheia de luz a sua infñncia. Ela nos torna a alma virgem por reflexo e eu, um pobre pecador, tenho tanta necessidade disso! –exclama Mateus.

– Que Ă© que Eu vos devo dizer? HĂĄ tantos episĂłdios, um mais doce do que o outro


– Ela os contou?

– Alguns. Mas muitos mais JosĂ©: foi a mais bela narração feita a Mim quando criança, e tambĂ©m Alfeu de Sara, que era pouco mais velho que minha mĂŁe e foi amigo dela nos breves anos em que ela esteve em NazarĂ©.

– Oh! Então, conta
 –suplica-lhe João.

Todos se pÔem ao redor dele, sentados à sombra das oliveiras, com Jabé no centro, olhando fixamente para Jesus, como se estivesse ouvindo uma paradisíaca lenda.

– Eu vos falarei da lição de castidade que deu minha mãe, poucos dias antes de ir para o Templo, ao seu pequeno amigo e a muitos outros.

Havia-se casado naquele dia uma moça de NazarĂ©, parente de Sara, e Joaquim e Ana tambĂ©m tinham sido convidados para a festa das nĂșpcias.Com eles foi a pequena Maria que, junto com outras crianças, tinha o encargo de jogar pĂ©talas desfolhadas sobre caminho da esposa. Dizem que era belĂ­ssima de pequena, e todos a disputavam, depois da festiva entrada da noiva. Era muito difĂ­cil ver Maria, porque ela vivia sempre em casa, pois gostava muito de uma pequena gruta que dizia ser a “dos seus esponsais”, mais do que qualquer outro lugar. Por isso, quando era vista — loura, rosada e graciosa —, era cumulada de carĂ­cias. Chamavam-na de “A Flor de NazarĂ©â€, ou entĂŁo “A PĂ©rola da Galileia”, ou ainda “A Paz de Deus”, lembrando o enorme arco-Ă­ris, que se tinha formado, de repente, ao primeiro vagido dela. E ela era, de fato, tudo o que diziam e mais ainda. É a Flor do CĂ©u e da Criação, Ă© a PĂ©rola do ParaĂ­so, e a Paz de Deus
 Sim, a Paz. Eu sou o PacĂ­fico, porque sou Filho do Pai e filho de Maria: A Paz Infinita e a Paz Suave.

Naquele dia todos a queriam beijar e tomar no colo. E ela, esquivando-se aos beijos e aos contatos, disse com uma delicada gravidade: “Eu vos peço: NĂŁo me amarroteis.” Eles pensaram que Ela estava falando de sua veste de linho, cingida Ă  cintura com uma faixa azul, e tambĂ©m nos pequenos pulsos, no pescoço, ou entĂŁo da pequena grinalda com florzinhas azuis com que Ana a tinha coroado, para conservar em seu lugar os cachinhos do cabelo.

E, assim pensando, eles lhe garantiram que nĂŁo amarrotariam nem a veste nem a grinalda.

Mas ela, segura, como uma pequena mulher de trĂȘs anos, de pĂ©, no meio de um cĂ­rculo de adultos, disse-lhes sĂ©ria: “NĂŁo estou pensando no que se repara. Estou falando da minha alma. Ela Ă© de Deus. E nĂŁo quer ser tocada, a nĂŁo ser por Deus.” EntĂŁo lhe disseram: “NĂłs beijamos a ti, nĂŁo a tua alma.” E Ela: “O meu corpo Ă© templo da alma, e o sacerdote nele Ă© o espĂ­rito. O povo nĂŁo Ă© admitido no recinto sacerdotal. Eu vo-lo peço. NĂŁo entreis no recinto de Deus.”

Alfeu, que jĂĄ tinha entĂŁo mais de oito anos, e que a amava muito, encontrando-a perto da pequena gruta, ocupada em apanhar flores, lhe perguntou: “Maria, quando fores mulher, nĂŁo me quererias como esposo?” Nele ainda estava viva a lembrança da festa de nĂșpcias Ă  qual estivera presente. E ela: “Eu te amo muito. Mas, nĂŁo olho para ti como para um homem. Vou dizer-te um segredo. Eu sĂł vejo a alma dos vivos. Aquela eu amo de todo o coração. Mas, nada mais eu vejo senĂŁo Deus, como ‘Verdadeiro Vivente’ ao qual poderei entregar-me a mim mesma.”

AĂ­ estĂĄ um episĂłdio.

– “Verdadeiro Vivente!” Sabes que esta Ă© uma palavra profunda!

–exclama Bartolomeu.

E Jesus, com humildade e com um sorriso:

– Ela era a mãe da Sabedoria.

– Era?
 Mas nĂŁo estava sĂł com trĂȘs anos?

– Era. Desde a sua concepção, eu já vivia nela, sendo eu Deus[4] , em sua Unidade e Trindade perfeitíssima.

196.8

– Mas, desculpa-me se eu, um culpado, ouso falar: então Joaquim e Ana sabiam que Ela era a virgem escolhida? –pergunta Judas Iscariotes.

– Eles não sabiam.

– E entĂŁo, como Ă© que Joaquim pĂŽde dizer que Deus a tinha salvado com antecipação? Isto nĂŁo se refere ao privilegio dela quanto Ă  culpa?

– Refere-se. Mas Joaquim falava pela boca de Deus, como todos os profetas. Ele tambĂ©m nĂŁo compreendeu a sublime verdade sobrenatural, que o espĂ­rito punha em seus lĂĄbios. Porque Joaquim era um justo. A ponto de merecer aquela paternidade. E era um homem humilde. Pois nĂŁo hĂĄ justiça onde existe soberba. Ele era justo e humilde. Consolou a filha por seu amor de pai. Instruiu-a pela sabedoria de sacerdote, pois ele o era, na qualidade de tutor da Arca de Deus. Ele a consagrou como PontĂ­fice, com o mais honroso dos tĂ­tulos: “A sem Mancha.” Dia virĂĄ em que um outro jĂĄ encanecido sacerdote dirĂĄ ao mundo: “Ela Ă© a concebida sem pecado”, e entregarĂĄ ao mundo dos crentes esta verdade, como um artigo de fĂ© incontestĂĄvel, para que no mundo que virĂĄ, um mundo que se irĂĄ afundando sempre mais numa situação cinzenta e nebulosa, de heresias e de vĂ­cios, possa brilhar, plenamente conhecida, a Toda Bela de Deus, coroada de estrelas, vestida com a luz da Lua, que Ă© menos pura que a Dela, apoiada sobre os astros, Rainha de todo Criado e do Incriado. Porque Deus-Rei tem Maria por Rainha, no seu Reino.

– Então, Joaquim era um profeta?

– Era um justo. Sua alma disse como um eco, aquilo que Deus dizia à sua alma amada por Deus.

196.9

– Quando iremos a esta “MamĂŁe”, Senhor? –pergunta, com uns olhos cheios de desejo, JabĂ©.

– Hoje de tarde. Que dirás a ela, quando a vires?

– “Eu te saĂșdo, mĂŁe do Salvador.” EstĂĄ bem assim?

– Muito bem, confirma Jesus, acariciando-o.

– Mas hoje não vamos ao Templo? –pergunta Filipe.

– Antes de irmos para BetĂąnia, iremos ao Templo. E tu ficarĂĄs aqui. NĂŁo Ă© verdade?

– Sim, Senhor.

A mulher de Jonas, guarda do olival, que veio se aproximando pouco a pouco, diz:

– Por que não o levas? O menino está desejando isso.

Jesus a fita com insistĂȘncia, sem dizer nada.

A mulher compreende e diz:

– Já compreendi. Mas devo ter ainda uma pequena capa, a do Marcos. Vou buscá-la –e sai correndo, depressa.

Jabé puxa João por uma manga:

– Os mestres serão muito exigentes?

– Oh! NĂŁo. NĂŁo tenhas medo. Depois nĂŁo Ă© para hoje. Em poucos dias, estando com a mĂŁe, serĂĄs mais sĂĄbio do que um doutor –encoraja-o JoĂŁo.

Os outros ouvem e sorriem diante da apreensão de Jabé.

– Mas quem Ă© que vai apresentĂĄ-lo, como se fosse pai dele? –pergunta Mateus.

– Eu. É natural. A não ser que
 o mestre queira apresentá-lo

–diz Pedro.

– Não, Simão. Não farei isso. Deixo para ti essa honra.

– Obrigado, Mestre. Mas estarĂĄs lĂĄ Tu tambĂ©m?

– Certamente. Todos estaremos lá. É o “nosso” menino


Maria de Jonas estå de volta, com uma capa roxo-escura, ainda em boas condiçÔes. Mas, que cor! Ela mesma o diz:

– Marcos não a quis mais usar por que a cor não lhe agradava.

Com toda a razĂŁo. A capa Ă© horrorosa! E o pobre JabĂ©, jĂĄ de cor azeitonada como Ă©, parece um afogado, vestido com aquele roxo
 Mas ele nĂŁo se vĂȘ
 e por isso estĂĄ feliz com aquela capa, com a qual vai poder enfeitar-se como adulto..

– A refeição está pronta, Mestre. A servente tirou agora mesmo o cordeiro do espeto.

– Então, vamos.

E, descendo do lugar onde estão, entram na ampla cozinha para a refeição.

Anotação

Ele contou-lhe a parĂĄbola do passarinho: Ver o paradoxo do "pecador por amor" expresso pelo Sem Pecado e a parĂĄbola do passarinho: ver EMV 7.5.

Ele é Aquele que é, ou seja, o Todo; e o homem é o nada que se torna parte do Todo graças à alma infundida nele pelo Eterno. "Parte" foi corrigido (de acordo com a explicação dada na nota da EMV 167.9) para "participante" numa cópia dactilografada; acrescenta-se no fim da pågina: "Se a alma sabe permanecer em estado de graça, assim deificada, não por identidade de substùncia, mas por elevação à ordem sobrenatural. "

Nota da EMV 167: "Parcela de Deus" parece ter sido alterado para parcela nascida de Deus por uma correção pouco clara de Maria Valtorta numa cópia dactilografada, à qual acrescentou a seguinte nota: A palavra "parcela" não deve ter o significado de "parte de Deus" infundida em nós, mas de "lugar do trono", "assento" infundido ou "espirado" (pelo "sopro de vida" de que fala o Génesis 2,7) por Deus, ou seja, coisa de Deus vinda de Deus para o homem. São Tomås de Aquino chama-lhe "uma capacidade de Deus" que Deus enche de si mesmo, para que todos possamos participar na sua vida divina".

Esta explicação de Maria Valtorta (e o texto deEMV 10.9) deve ser tida em conta sempre que a obra fala da alma como "parte" ou "partícula" de Deus.

Pode ser relacionado com as notas de EMV 4.6, EMV 54.5, EMV 165.4, EMV 170.4, EMV 365.16, EMV 444.4, EMV 463.4, EMV 524.7, EMV 537.11.

"Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra... "Segundo o Génesis 1:28.

O homem amou a mulher e a mulher amou o homem, naturalmente, nĂŁo naturalmente segundo a natureza como nĂłs a entendemos, ou melhor, como vĂłs homens a entendeis, mas segundo a natureza dos filhos de Deus: sobrenaturalmente. "Sobrenaturalmente": Maria Valtorta anota numa cĂłpia dactilografada: sem que a desordem da malĂ­cia se una ou mesmo "se substitua" Ă s leis ordenadas de Deus, inerentes Ă  multiplicação e ao povoamento da terra. Acrescenta Ă  margem: Enquanto o homem permaneceu nesta ordem, nĂŁo nasceu nele o veneno da trĂ­plice concupiscĂȘncia que o tornou delirante, depois rebelde, finalmente caĂ­do.

O homem sentia o amor de um pai pela sua companheira "osso dos seus ossos e carne da sua carne", como uma criança sente pelo seu pai. Segundo o Génesis 2, 23.

"O homem deixarå o seu pai e a sua mãe e unir-se-å à sua mulher, e os dois serão uma só carne. "Segundo Génesis 2, 24.

Livro do Génesis 1, 28

Gn 1, 28: Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a, dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os seres vivos que se movem sobre a terra".

Livro do Génesis 2, 23-24

Gn 2, 23-24 : E o homem disse: "Esta Ă© osso dos meus ossos e carne da minha carne! Esta chamar-se-ĂĄ mulher, porque foi tirada do homem. Por isso, o homem deixarĂĄ o seu pai e a sua mĂŁe e unir-se-ĂĄ Ă  sua mulher, e eles serĂŁo uma sĂł carne.

Palavras-chave

EMF 196.2-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus estå passeando e observando Jabé, que alegre estå brincando com João e com os mais jovens. Também Iscariotes, depois de passada a sua raiva de ontem, estå alegre e brincando. Os mais velhos observam e sorriem.

– Que dirá a tua mãe deste menino? –pergunta Bartolomeu.

– Eu acho que Ela dirĂĄ: “É muito fraquinho” –diz TomĂ©.

– Oh! Não. Ela dirá: “Pobre menino” –responde Pedro.

– Ela Te dirá, pelo contrário: “Estou contente, porque Tu o amas”

–objeta Filipe.

– A mĂŁe nunca teria dĂșvidado disso. Mas eu creio que Ela nĂŁo dirĂĄ nada. Ela o receberĂĄ em seu coração –diz Zelotes.

– E Tu, Mestre, que dizes que Ela dirá?

– Ela fará o que vós estais dizendo. Mas muitas coisas, ou melhor, todas Ela as pensará, e ao beijá-lo dirá só: “Que tu sejas bendito!”, e cuidará dele como se fosse um passarinho que caiu do ninho.

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EMF 196.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um dia, Ela me contou o que aconteceu, quando Ela era uma menininha. Ainda nĂŁo tinha trĂȘs anos, porque ainda nĂŁo estava no Templo, e seu coração se partia de amor, produzindo, como a flor ou a azeitona esmagadas na prensa, todos os seus Ăłleos ou os seus perfumes. E, em seu delĂ­rio de amor, dizia Ă  sua mĂŁe que queria ser virgem para agradar mais ao Salvador, mas que teria gostado de ser pecadora, para poder ser salva e ficava quase chorando, porque a mĂŁe nĂŁo a compreendia e nĂŁo sabia dizer-lhe como Ă© que se pode ser “pura” e “pecadora”, ao mesmo tempo. Quem a tranquilizou foi seu pai, que lhe mostrou um pequeno passarinho, que ele tinha conseguido salvar quando estava em perigo, Ă  beira de uma fonte. O pai, entĂŁo, com o passarinho, criou uma parĂĄbola[2], dizendo-lhe que Deus a tinha salvado de um modo antecipado e que, por isso, Ela lhe devia dar graças duas vezes. E a pequena Virgem de Deus, a grandĂ­ssima Virgem Maria, exerceu pela primeira vez sua maternidade espiritual sobre aquele pequeno ser caĂ­do do ninho, que Ela pĂŽde lançar ao vĂŽo, quando ficou forte, mas que nunca mais abandonou o jardim de NazarĂ© e lĂĄ ficou ainda, consolando com seus vĂŽos e seus pios, a triste casa e os tristes coraçÔes de Ana e de Joaquim, quando Maria esteve no Templo. O passarinho morreu pouco antes da morte de Ana
 Ele tinha cumprido sua tarefa


Detalhe

Jesus conta um episĂłdio da infĂąncia da Virgem Maria.

Anotação

Ele contou-lhe a parĂĄbola do passarinho: Ver o paradoxo do "pecador por amor" expresso pelo Sem Pecado e a parĂĄbola do passarinho: ver EMV 7.5.

Palavras-chave

EMF 196.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Minha mĂŁe tinha feito voto de virgindade por amor. Mas tinha, sendo uma criatura perfeita, a maternidade no sangue e no espĂ­rito. Porque a mulher foi feita para ser mĂŁe. E Ă© atĂ© uma aberração, quando ela se faz de surda aos apelos desse instinto, que Ă© amor de segunda potĂȘncia


Anotação

Sobre os diferentes poderes do amor, verEMV 196.4-6.

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EMF 196.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O homem para a esposa é um mestre e um pai, além de esposo. e a mulher, para o esposo, é um anjo e uma mãe, além de esposa.

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EMF 196.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O amor a Deus torna Deus amigo, e ensina o amor. Quem nĂŁo ama a Deus, que Ă© bom, com toda a certeza nĂŁo pode amar ao prĂłximo que, em sua maior parte, Ă© defeituoso.

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EMF 196.7-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mas nĂŁo seria mais bonito continuar a lição do Mestre, em vez de ficarmos parecendo uns cabritos irritados? –pergunta o pacĂ­fico TomĂ©.

– É verdade, Mestre. Continua a falar-nos de tua mãe. É tão cheia de luz a sua infñncia. Ela nos torna a alma virgem por reflexo e eu, um pobre pecador, tenho tanta necessidade disso! –exclama Mateus.

– Que Ă© que Eu vos devo dizer? HĂĄ tantos episĂłdios, um mais doce do que o outro


– Ela os contou?

– Alguns. Mas muitos mais JosĂ©: foi a mais bela narração feita a Mim quando criança, e tambĂ©m Alfeu de Sara, que era pouco mais velho que minha mĂŁe e foi amigo dela nos breves anos em que ela esteve em NazarĂ©.

– Oh! Então, conta
 –suplica-lhe João.

Todos se pÔem ao redor dele, sentados à sombra das oliveiras, com Jabé no centro, olhando fixamente para Jesus, como se estivesse ouvindo uma paradisíaca lenda.

– Eu vos falarei da lição de castidade que deu minha mãe, poucos dias antes de ir para o Templo, ao seu pequeno amigo e a muitos outros.

Havia-se casado naquele dia uma moça de NazarĂ©, parente de Sara, e Joaquim e Ana tambĂ©m tinham sido convidados para a festa das nĂșpcias.Com eles foi a pequena Maria que, junto com outras crianças, tinha o encargo de jogar pĂ©talas desfolhadas sobre caminho da esposa. Dizem que era belĂ­ssima de pequena, e todos a disputavam, depois da festiva entrada da noiva. Era muito difĂ­cil ver Maria, porque ela vivia sempre em casa, pois gostava muito de uma pequena gruta que dizia ser a “dos seus esponsais”, mais do que qualquer outro lugar. Por isso, quando era vista — loura, rosada e graciosa —, era cumulada de carĂ­cias. Chamavam-na de “A Flor de NazarĂ©â€, ou entĂŁo “A PĂ©rola da Galileia”, ou ainda “A Paz de Deus”, lembrando o enorme arco-Ă­ris, que se tinha formado, de repente, ao primeiro vagido dela. E ela era, de fato, tudo o que diziam e mais ainda. É a Flor do CĂ©u e da Criação, Ă© a PĂ©rola do ParaĂ­so, e a Paz de Deus
 Sim, a Paz. Eu sou o PacĂ­fico, porque sou Filho do Pai e filho de Maria: A Paz Infinita e a Paz Suave.

Naquele dia todos a queriam beijar e tomar no colo. E ela, esquivando-se aos beijos e aos contatos, disse com uma delicada gravidade: “Eu vos peço: NĂŁo me amarroteis.” Eles pensaram que Ela estava falando de sua veste de linho, cingida Ă  cintura com uma faixa azul, e tambĂ©m nos pequenos pulsos, no pescoço, ou entĂŁo da pequena grinalda com florzinhas azuis com que Ana a tinha coroado, para conservar em seu lugar os cachinhos do cabelo.

E, assim pensando, eles lhe garantiram que nĂŁo amarrotariam nem a veste nem a grinalda.

Mas ela, segura, como uma pequena mulher de trĂȘs anos, de pĂ©, no meio de um cĂ­rculo de adultos, disse-lhes sĂ©ria: “NĂŁo estou pensando no que se repara. Estou falando da minha alma. Ela Ă© de Deus. E nĂŁo quer ser tocada, a nĂŁo ser por Deus.” EntĂŁo lhe disseram: “NĂłs beijamos a ti, nĂŁo a tua alma.” E Ela: “O meu corpo Ă© templo da alma, e o sacerdote nele Ă© o espĂ­rito. O povo nĂŁo Ă© admitido no recinto sacerdotal. Eu vo-lo peço. NĂŁo entreis no recinto de Deus.”

Alfeu, que jĂĄ tinha entĂŁo mais de oito anos, e que a amava muito, encontrando-a perto da pequena gruta, ocupada em apanhar flores, lhe perguntou: “Maria, quando fores mulher, nĂŁo me quererias como esposo?” Nele ainda estava viva a lembrança da festa de nĂșpcias Ă  qual estivera presente. E ela: “Eu te amo muito. Mas, nĂŁo olho para ti como para um homem. Vou dizer-te um segredo. Eu sĂł vejo a alma dos vivos. Aquela eu amo de todo o coração. Mas, nada mais eu vejo senĂŁo Deus, como ‘Verdadeiro Vivente’ ao qual poderei entregar-me a mim mesma.”

AĂ­ estĂĄ um episĂłdio.

– “Verdadeiro Vivente!” Sabes que esta Ă© uma palavra profunda!

–exclama Bartolomeu.

E Jesus, com humildade e com um sorriso:

– Ela era a mãe da Sabedoria.

– Era?
 Mas nĂŁo estava sĂł com trĂȘs anos?

– Era. Desde a sua concepção, eu já vivia nela, sendo eu Deus[4] , em sua Unidade e Trindade perfeitíssima.

196.8

– Mas, desculpa-me se eu, um culpado, ouso falar: então Joaquim e Ana sabiam que Ela era a virgem escolhida? –pergunta Judas Iscariotes.

– Eles não sabiam.

– E entĂŁo, como Ă© que Joaquim pĂŽde dizer que Deus a tinha salvado com antecipação? Isto nĂŁo se refere ao privilegio dela quanto Ă  culpa?

– Refere-se. Mas Joaquim falava pela boca de Deus, como todos os profetas. Ele tambĂ©m nĂŁo compreendeu a sublime verdade sobrenatural, que o espĂ­rito punha em seus lĂĄbios. Porque Joaquim era um justo. A ponto de merecer aquela paternidade. E era um homem humilde. Pois nĂŁo hĂĄ justiça onde existe soberba. Ele era justo e humilde. Consolou a filha por seu amor de pai. Instruiu-a pela sabedoria de sacerdote, pois ele o era, na qualidade de tutor da Arca de Deus. Ele a consagrou como PontĂ­fice, com o mais honroso dos tĂ­tulos: “A sem Mancha.” Dia virĂĄ em que um outro jĂĄ encanecido sacerdote dirĂĄ ao mundo: “Ela Ă© a concebida sem pecado”, e entregarĂĄ ao mundo dos crentes esta verdade, como um artigo de fĂ© incontestĂĄvel, para que no mundo que virĂĄ, um mundo que se irĂĄ afundando sempre mais numa situação cinzenta e nebulosa, de heresias e de vĂ­cios, possa brilhar, plenamente conhecida, a Toda Bela de Deus, coroada de estrelas, vestida com a luz da Lua, que Ă© menos pura que a Dela, apoiada sobre os astros, Rainha de todo Criado e do Incriado. Porque Deus-Rei tem Maria por Rainha, no seu Reino.

– Então, Joaquim era um profeta?

– Era um justo. Sua alma disse como um eco, aquilo que Deus dizia à sua alma amada por Deus.

Detalhe

Mateus pede a Jesus que fale da sua MĂŁe.

Anotação

Vou falar-vos da lição de castidade que a minha Mãe deu, alguns dias antes de entrar no Templo, ao seu namorado e a muitos outros. Provavelmente Alphée de Sara.

Eu era Deus nela, desde o momento da sua conceção, na sua Unidade e na sua Trindade perfeitíssima. Deus nela: Maria Valtorta anota numa cópia dactilografada: Maria, santuårio perpétuo e puríssimo no qual o Deus uno e trino fez a sua perpétua morada, nunca foi separada da Sabedoria: o Verbo de Deus estava sempre nela, verdadeira Arca que transporta o Verbo eterno, e nenhuma criatura conhecia tão bem como ela este Verbo que é a Sabedoria divina, que devia encarnar nela, e que devia ainda e sempre permanecer nela.

O dogma da Imaculada Conceição foi proclamado por Pio IX a 8 de dezembro de 1854 na bula Ineffabilis Deus. Este dogma foi objeto de controvérsia durante séculos e foi uma das razÔes da oposição feroz da teologia estabelecida a Maria de Ágreda, que exprimiu esta revelação nas suas visÔes.

(...) A Toda Bela de Deus, coroada de estrelas, vestida com os raios da lua menos pura que ela, e sustentada pelas estrelas, a Rainha do criado e do incriado; porque no seu Reino, Deus Rei tem Maria como sua Rainha. Cf. Apocalipse 12, 1-2.

Livro do Apocalipse 12, 1-2

Ap 12, 1-2: "Apareceu um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Ela estava gråvida e gritava com dores de parto e dores de parto".

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