Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 10.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria era a cheia de Graça. Toda a Graça, una e trina estava nela, toda a Graça una e trina a preparava como esposa para as nĂșpcias. Preparava-a como o leito nupcial para a prole, divinizando-a para a sua maternidade e missĂŁo. Ela Ă© a que vem concluir o ciclo das profetisas do Antigo Testamento, e abre o ciclo dos “porta-vozes de Deus”, no Novo Testamento.

Arca da verdadeira Palavra de Deus, olhando em seu seio eternamente inviolado, Maria descobria as palavras da ciĂȘncia eterna, traçadas pelo dedo de Deus em seu coração imaculado, e se recordava, como todos os Santos, tĂȘ-las jĂĄ ouvido, quando gerada com o seu espĂ­rito imortal de Deus Pai, criador de toda vida. E, se nĂŁo se recordava de tudo, a respeito de sua futura missĂŁo, Ă© porque em toda perfeição humana, Deus deixa algumas lacunas, por divina prudĂȘncia, que Ă© bondade e merecimento, em favor da criatura.

Como uma segunda Eva, Maria precisou conquistar a sua parte de merecimento, ao ser a mĂŁe de Cristo, com uma fiel boa vontade, que Deus quis ter atĂ© em seu Cristo, para fazĂȘ-lo Redentor.

O espírito de Maria estava no Céu. Sua personalidade e sua carne estavam na terra, devendo pisar terra e carne, para chegar ao espírito e uni-lo ao Espírito, num abraço fecundo.

Palavras-chave

EMF 11

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo: Maria confia o seu voto ao Sumo Sacerdote.

Data da visĂŁo: Domingo, 3 de setembro de 1944

CalendĂĄrio:novembro do ano 7 (Elul 3754).

Localização (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: Maria regressa à sua cela com outras virgens. Quando estå prestes a entrar no seu quarto, uma patroa diz-lhe que o sumo sacerdote a quer ver. Então ela vai e encontra o sacerdote, assim como Zacarias e Ana de Fanuel. Simão ben Boethos diz-lhe que conhece a sua santidade e que gostaria que ela ficasse no Templo a rezar ao Senhor todas as manhãs. Mas a Lei diz o contrårio e ela deve casar-se. Ele tranquiliza-a, dizendo que não se tinha esquecido de que ela era da linhagem de David e que, como não conhecia ninguém, confiariam em Deus para escolher o seu marido. Maria confia então o seu voto de virgindade ao sumo sacerdote, que lhe pergunta quando o terå cumprido. A Mãe do Senhor mergulhou nas suas memórias para lhe responder. Disse-lhe que não se opunha ao casamento, mas que queria continuar virgem. O sumo sacerdote disse-lhe que Deus lhe daria um marido, que seria santo, porque ela se tinha confiado ao Altíssimo. Ela contarå ao seu futuro marido o seu voto.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 11.1: Maria Valtorta fica encantada com o sorriso de Maria no meio de um bombardeamento. 11.2: Maria regressa Ă  sua cela com as virgens. 11.3: O PontĂ­fice lembra-lhe que deve casar-se. 11.4: Mas Maria prometeu-se ao Senhor e conta-lhe como. 11.5: DirĂĄs ao teu marido o teu voto.

Palavras-chave

EMF 11.2-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria estĂĄ sempre no Templo. Agora, ela estĂĄ saindo com outras virgens do Templo verdadeiro e propriamente dito.

Lå dentro deve ter havido alguma cerimÎnia, pois o cheiro do incenso se espalha pelo ar, que estå todo avermelhado por causa de um belo pÎr-do-sol, que eu diria de um outono adiantado, com um céu docemente cansado, como um outubro sereno, inclinando-se sobre os jardins de Jerusalém, nos quais o amarelo-ocre das folhas, estando para cair, vão derramando manchas loiro-avermelhadas no verde-prateado das oliveiras.

A fileira, ou melhor, o cĂąndido enxame das virgens, atravessa o pĂĄtio dos fundos, sobe por uma escadaria, passa por uma sĂ©rie de pĂłrticos, entra em um outro pĂĄtio mais simples, quadrado, tendo uma Ășnica entrada. Deve ser este o lugar que serve para acomodar os pequenos quartos das virgens destinadas ao Templo, pois cada menina se dirige para a sua cela, como uma pombinha para o seu ninho, e atĂ© parece um bando de pombas que se separam, depois de estarem unidas respondendo a um apelo. Muitas, eu diria todas, falam entre si em voz baixa e alegre, antes de se separarem. Maria estĂĄ calada. Somente antes de se separar das outras, ela as saĂșda afetuosamente, depois se dirige para o seu pequeno quarto, que fica num canto Ă  direita.

11.3 Lå, ela se encontra com uma mestra também anciã, embora não tanto quanto Ana de Fanuel.

– Maria, o Sumo Sacerdote te espera.

Maria olha para ela, ligeiramente surpresa, mas nĂŁo lhe pergunta nada. Responde sĂł isto:

– Irei imediatamente.

Não sei se a ampla sala em que ela entra faz parte da casa do Sacerdote, ou se faz parte dos aposentos das mulheres que trabalham no Templo. Só sei que é uma sala vasta e muito clara, bem arrumada, onde, além do Sumo Sacerdote, majestoso em suas vestes, estão também Zacarias e Ana de Fanuel.

Maria faz uma grande reverĂȘncia na entrada, nĂŁo continuando a entrar atĂ© que o Sumo Sacerdote lhe diga:

– Adiante, Maria. Não temas.

Maria ergue, entĂŁo, de novo o corpo, e vai para a frente devagar, nĂŁo porque queira, mas por um movimento involuntĂĄrio que lhe dĂĄ um ar solene, fazendo-a parecer, de fato, uma mulher.

Ana sorri para ela, para dar-lhe coragem, e Zacarias a saĂșda, dizendo:

– A paz esteja contigo, prima.

O PontĂ­fice a observa atentamente, e depois diz a Zacarias:

– Nela se vĂȘ logo a estirpe de Davi e de ArĂŁo.

– Minha filha, eu conheço a tua graça e bondade. Sei que cada dia vieste crescendo na ciĂȘncia e na graça, aos olhos de Deus e dos homens. Sei que a voz de Deus murmura ao teu coração as mais doces palavras. Sei que tu Ă©s a Flor do Templo de Deus e que um terceiro querubim estĂĄ diante do Testemunho, desde quando tu lĂĄ estĂĄs. Eu gostaria que o teu perfume continuasse a subir com o incenso em cada novo dia. Mas as palavras que a Lei diz sĂŁo outras. Tu nĂŁo Ă©s mais uma menina, mas uma mulher. E toda mulher deve ser esposa em Israel, para levar ao Senhor o seu filho varĂŁo. Tu cumprirĂĄs a ordem da Lei. NĂŁo tenhas medo, nĂŁo fiques envergonhada. Estou bem lembrado da tua realeza. A prĂłpria Lei jĂĄ tutela essa condição, quando ordena que a cada homem seja dada a mulher da sua estirpe. Ainda que assim nĂŁo fosse, assim eu o faria, para nĂŁo corromper o teu nobilĂ­ssimo sangue. NĂŁo conheces, Maria, alguĂ©m da tua estirpe, que possa ser o teu esposo?

Maria ergue o rosto, todo ruborizado de pudor, e sobre o qual, dos cĂ­lios das pĂĄlpebras vem brotando um primeiro sinal de pranto, e com voz trĂȘmula, responde:

– NinguĂ©m.

– Mas ela nĂŁo pode conhecer alguĂ©m, porque entrou aqui em sua infĂąncia, e a estirpe de Davi tem sido perseguida e dispersa de tal modo, que nĂŁo foi possĂ­vel que os diversos ramos se reunissem como em uma fronde, formando a copa da palmeira real –diz Zacarias.

– Então, vamos deixar para Deus a escolha.

11.4 As lĂĄgrimas, atĂ© aĂ­ contidas jorram agora, e descem atĂ© Ă  boca trĂȘmula, e Maria lança um olhar suplicante Ă  sua mestra.

– Maria fez um voto ao Senhor pela sua glória e pela salvação de Israel. Naquele tempo ela não passava de uma menina, estava aprendendo a soletrar, e já se tinha obrigado por um voto
 –diz Ana em sua ajuda.

– O teu pranto, entĂŁo, Ă© por isso? NĂŁo Ă© por resistĂȘncia Ă  Lei?

– É por isso
 e não por outra causa. Eu obedeço a ti, Sacerdote de Deus.

– Isto vem confirmar tudo o que sempre me foi dito de ti. Há quantos anos que fizeste essa promessa de virgindade?

– Desde sempre, penso. Ainda não estava neste Templo, e já me havia entregue ao Senhor.

– NĂŁo Ă©s tu aquela pequenina que, faz agora doze invernos, vieste pedir-me para entrar?

– Sou eu.

– E como podes dizer que naquele tempo já eras de Deus?

– Se olho para trĂĄs, vejo-me consagrada jĂĄ ao Senhor. NĂŁo posso lembrar-me da hora em que nasci, nem de como foi que comecei a amar a minha mĂŁe e a dizer a meu pai: “Meu pai, eu sou tua filha”
 Mas eu me lembro, ainda que nĂŁo saiba quando começou, de ter dado a Deus meu coração. Talvez tenha sido com o primeiro beijo que eu soube dar, com a primeira palavra que eu consegui pronunciar, com o primeiro passo que eu fui capaz de dar
 Sim, isso mesmo. Creio que a primeira recordação de amor, vou encontrĂĄ-la no primeiro passo firme que eu consegui dar
 Minha casa
 tinha um jardim cheio de flores
 tinha um pomar e muitos campos
 e lĂĄ havia uma nascente, bem lĂĄ no fundo, ao sopĂ© de um monte, e a nascente jorrava de uma rocha escavada, que formava uma gruta
 era cheia de ervas de talos longos e finos, que ficavam penduradas como pequenas cascatas verdes, que vinham de diversas direçÔes e parecia que estivesse chovendo, porque as folhinhas leves das pequenas copas semelhantes a um bordado, tinham uma gotinha de ĂĄgua em cada uma que, ao pingar, fazia o som de uma campainha, bem pequenina. E a nascente tambĂ©m cantava. LĂĄ havia passarinhos nos ramos das oliveiras e das macieiras, que estavam na encosta acima da nascente, pombas brancas, que vinham lavar-se no espelho lĂ­mpido da ĂĄgua da fonte
 Eu nĂŁo me lembrava mais de tudo aquilo, porque eu tinha colocado todo o meu coração em Deus e, com exceção do pai e da mĂŁe, amados por mim na vida e na morte, quaisquer outras coisas da terra tinham desaparecido do meu coração
 Mas tu me estĂĄs fazendo pensar, Sacerdote
 Devo descobrir quando foi que me dei a Deus
 e por isso as coisas dos primeiros anos estĂŁo voltando Ă  minha mente
 Eu amava aquela gruta, porque, mais doce do que o canto da ĂĄgua e dos passarinhos, lĂĄ eu ouvia uma Voz que me dizia: “Vem, minha querida!” Eu amava aquelas ervas ornadas com gotas sonoras e parecidas com lindos diamantes, porque nelas eu via o sinal do meu Senhor, e me tornava alheia a tudo mais, ao dizer a mim mesma: “VĂȘ como Ă© grande o teu Deus, Ăł minha alma! Aquele que fez os cedros do LĂ­bano, lĂĄ no Norte, fez tambĂ©m aqui estas folhinhas que se inclinam sob o peso de um mosquitinho, para alegria dos teus olhos e como anteparo para os teus pequenos pĂ©s.” Eu amava aquele silĂȘncio das coisas puras: o vento leve, a ĂĄgua prateada, o asseio das pombas
 eu amava aquela paz que velava sobre a pequena gruta, descendo das macieiras e das oliveiras, agora todas em flor, e depois todas carregadas de frutos
 E nĂŁo sei
 parecia que a Voz me dissesse: “Vem, tu, minha oliva linda; vem, tu, doce maçã; vem, tu, fonte selada; vem, tu, Ăł minha pomba”
 Doce, o amor do pai e da mĂŁe
 doce era a voz deles que me chamava
 mas esta voz, esta voz! Oh! No ParaĂ­so terrestre, penso que foi assim que a ouviu aquela que foi a culpada, e eu nem sei como foi que ela pĂŽde preferir um sibilo a esta Voz de amor, como pĂŽde apetecer um outro conhecimento, que nĂŁo fosse o de Deus
 Com os lĂĄbios, que ainda estavam com o cheiro do leite materno, mas com o coração tornado Ă©brio pelo mel celeste, eu disse, entĂŁo: “Eis-me aqui, eu vou. Sou tua. E nenhum outro senhor terĂĄ a minha carne, senĂŁo Tu, Senhor, como outro amor nĂŁo tem o meu espĂ­rito”
 Parecia-me estar repetindo coisas jĂĄ ditas e estar cumprindo um rito hĂĄ tempo realizado, nem era estranho para mim o Esposo escolhido, porque Dele conhecia jĂĄ o ardor e minha vista estava jĂĄ afeita Ă  sua luz, e minha capacidade de amar se havia completado entre os seus braços. Quando foi? NĂŁo sei. Do lado de lĂĄ da vida, eu diria, porque sinto que sempre o tive, e que Ele sempre me teve, e que eu existo porque Ele me quis para alegria do seu EspĂ­rito e do meu


11.5 Agora, eu obedeço, Sacerdote. Mas diz-me tu, como Ă© que deverei agir. NĂŁo tenho pai nem mĂŁe. SĂȘ tu o meu guia.

– Deus te darĂĄ o esposo, e santo ele hĂĄ de ser, pois te entregas a Deus. Tu contarĂĄs ao teu esposo qual Ă© o teu voto.

– E ele aceitará?

– Assim espero. Reza, ó filha, para que ele possa compreender teu coração. Vai agora. Deus te acompanhe sempre.

Maria se retira com Ana. Zacarias fica com o PontĂ­fice.

Cessa assim a visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 12

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José escolhido como esposo da Virgem.

Data da visĂŁo: Segunda-feira, 4 de setembro de 1944

CalendĂĄrio:Sexta-feira 23 de dezembro do ano 7 d.C.

Lugares (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: O sumo sacerdote reuniu os homens da tribo de David no Templo. Neste capĂ­tulo, ficamos a saber que ele pediu a todos que trouxessem um ramo de amendoeira. É deste grupo que serĂĄ escolhido o marido da Virgem. Todos estĂŁo curiosos e Zacarias estĂĄ presente. O sumo sacerdote chega finalmente e revela que um dos ramos tinha florescido em pleno inverno e que era esse que iria casar com Maria. JosĂ© Ă© escolhido como o felizardo e o sumo sacerdote manda chamar a futura MĂŁe de Cristo. Entretanto, Simon ben Boethos revela que Maria fez um voto. JosĂ© tem de ajudar o Todo-Puro a contar-lhe. Quando ela chegou, todos se retiraram e os dois noivos conheceram-se. JosĂ© fala da casa de NazarĂ©, de Ana, de Joaquim, e isso dĂĄ confiança Ă  Virgem. O marido diz-lhe que Ă© nazareno, o que a encoraja a contar-lhe o seu voto, que ele aceita: pede-lhe mesmo que junte o seu voto ao dela. Por fim, SĂŁo JosĂ© diz que vai cuidar da casa de NazarĂ© atĂ© que Maria deixe definitivamente o Templo.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 12.1: ReuniĂŁo de homens em trajes de festa. 12.2: JosĂ© fala com um anciĂŁo. 12.3: Um levita traz um feixe de ramos secos com um ramo florido. 12.4: JosĂ© Ă© designado esposo de Maria graças ao ramo milagrosamente florido. 12.5: O PontĂ­fice apresenta JosĂ© a Maria. 12.6: JosĂ© Ă© nazireu. 12.7: Maria confia a sua consagração a Deus a JosĂ©, que a aceita. Eles viverĂŁo em castidade. 12.8: Em NazarĂ©, o casal vive separado e JosĂ© cuida de tudo.

Palavras-chave

EMF 12.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

NĂŁo hĂĄ em Israel outra flor de tĂŁo rara beleza e pureza.

Palavras-chave

EMF 12.6-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os dois noivos ficam um em frente ao outro. Maria, com o rosto vermelho, estå de cabeça inclinada. José também ruborizado, a observa, procurando as primeiras palavras para dizer.

Finalmente um sorriso ilumina-lhe o rosto. Ele diz:

– Eu te saĂșdo, Maria. Eu te vi menina de poucos dias
 Era amigo de teu pai, e tenho um sobrinho, filho do meu irmĂŁo Alfeu, que era muito amigo de tua mĂŁe. Seu pequeno amigo, que hoje nĂŁo tem mais do que dezoito anos, quando ainda nĂŁo tinhas ainda nascido era como um homenzinho e alegrava as horas tristes de tua mĂŁe, que o amava muito. Tu nĂŁo o conheces, porque vieste para aqui ainda pequena. Mas em NazarĂ© todos te querem bem, pensam na pequena Maria e falam nela, na pequena Maria do Joaquim, cujo nascimento foi um milagre do Senhor, que fez com que uma estĂ©ril florescesse
 Eu me lembro daquela tarde em que nasceste
 Todos nos lembramos dela pelo prodĂ­gio acontecido de uma grande chuva que veio salvar os campos, e de um violento temporal no qual os raios nĂŁo destroçaram nem mesmo um caule de Ă©rica selvagem, e que terminou com um arco-Ă­ris tĂŁo surpreendente, que ninguĂ©m jamais viu outro maior, nem mais bonito. E depois
 quem nĂŁo se lembra da alegria do Joaquim? Ele te levava por toda parte, mostrando-te aos vizinhos
 Como se fosses uma flor vinda do CĂ©u, ele te admirava, e queria que todos te admirassem. O velho pai era feliz e morreu falando de sua Maria, tĂŁo bela, tĂŁo boa, e de suas palavras tĂŁo cheias de graça e sabedoria
 Ele tinha razĂŁo de te admirar e de dizer que nĂŁo existe outra mais bela do que tu! E tua mĂŁe? Ela enchia com o seu canto o lugar onde era a tua casa, e parecia uma cotovia na primavera, quando te levava em suas entranhas e, mais tarde, quando te amamentava. Fui eu que fiz o teu berço. Um bercinho todo entalhado com rosas, porque assim o quis tua mĂŁe. Talvez ele ainda esteja na casa que estĂĄ fechada
 Eu estou velho, Maria. Quando nasceste, eu estava fazendo os meus primeiros trabalhos. JĂĄ fazia alguma coisa
 Quem me teria dito que eu haveria de ter-te como esposa? Talvez os teus tivessem morrido mais alegres, pois eles eram meus amigos. Eu sepultei o teu pai, chorando, com um coração sincero, porque ele foi para mim um bom mestre na vida.

Maria vai erguendo devagarinho seu rosto, reanimando-se sempre mais, ouvindo que José lhe fala assim e, quando ele se refere ao berço, ela sorri levemente, e quando José lhe fala do pai, ela lhe estende uma mão e diz:

– Obrigada, JosĂ©.

Um agradecimento tĂ­mido e suave.

José toma a mãozinha de jasmim, entre as suas mãos curtas e fortes de carpinteiro e a acaricia com um afeto que quer encorajar sempre mais. Talvez espere por outras palavras. Mas Maria se cala de novo. Então, é ele que retoma a palavra:

– A casa, como sabes, estĂĄ intocada, menos naquela parte que foi demolida por ordem do CĂŽnsul, transfomando um atalho numa estrada, para as carruagens de Roma. Mas o campo estĂĄ um pouco descuidado, aquela parte que ficou para ti, porque, tu sabes, a doença do pai fez que se gastasse muito do que era teu. JĂĄ sĂŁo mais de trĂȘs primaveras que as ĂĄrvores e as videiras nĂŁo vĂȘem a tesoura do hortelĂŁo. A terra estĂĄ inculta e dura. Mas as ĂĄrvores, que te viram pequenina, estĂŁo lĂĄ ainda e, se tu me permites, eu vou cuidar logo delas.

– Obrigada JosĂ©. Mas tu jĂĄ estĂĄs trabalhando


– Trabalharei no teu pomar nas primeiras e nas Ășltimas horas do dia. Agora os dias estĂŁo alongando-se cada vez mais. Na primavera, quero que tudo esteja em ordem, para tua alegria. Olha, este Ă© um ramo da amendoeira que estĂĄ Ă  frente da casa. Eu quis apanhar este
 HĂĄ entradas por toda parte na sebe arruinada, mas agora eu a consertarei e a farei ficar mais forte e sĂłlida. Eu quis apanhar este ramo, pensando que se fosse o escolhido
 (nĂŁo o esperava, porque sou nazireu[1] e sĂł obedeci por ser ordem do Sacerdote, nĂŁo por desejar as nĂșpcias) Como eu ia dizendo, pensei que terias tido prazer em ter uma flor do teu jardim. Ei-la aqui, Maria. Com ela te dou o meu coração que, como esta flor, floresceu atĂ© agora para o Senhor, florescendo agora para ti, minha esposa.

12.7 Maria pega o ramo. EstĂĄ comovida, e olha para JosĂ© com um rosto sempre mais tranqĂŒilo e radiante. Sente-se segura com ele. Por isso, quando ele lhe disse: “Eu sou nazireu”, o rosto de Maria se iluminou, e ela se encheu de coragem:

– Eu tambĂ©m sou toda de Deus, JosĂ©. NĂŁo sei se o Sumo Sacerdote te disse isto.

– Ele sĂł me disse que Ă©s boa e pura, que me irĂĄs falar de um voto, e que eu seja bom para contigo. Fala, Maria. O teu JosĂ© quer te fazer feliz em todos os teus desejos. Eu nĂŁo te amo com a carne. Eu te amo com o meu espĂ­rito, Ăł santa menina a mim dada por Deus! VĂȘ em mim, Maria, um pai e um irmĂŁo, mais do que um esposo. Como em um pai, confia, e como a um irmĂŁo, tranqĂŒiliza-te.

– Desde a minha infĂąncia, eu me consagrei ao Senhor. Eu sei que em Israel nĂŁo se faz isso. Mas eu ouvia uma Voz que me pedia a minh­a virgindade como um sacrifĂ­cio de amor pela vinda do Messias. Faz tanto tempo que Israel o estĂĄ esperando!
 Por este motivo nĂŁo Ă© demais renuciar Ă  alegria de ser mĂŁe!

José olha para ela fixamente, como se quisesse ler em seu coração, e depois lhe pega as duas mãozinhas, que ainda estão com o ramo florido entre os dedos, e diz:

– Eu tambĂ©m unirei o meu sacrifĂ­cio ao teu, e amaremos tanto ao Eterno com a nossa castidade, que Ele haverĂĄ de dar o Salvador mais depressa Ă  terra, permitindo-nos ver a sua Luz brilhar no mundo. Vem, Maria. Vamos andar na frente de sua Casa, e juremos que nos haveremos de amar como anjos se amam uns aos outros.

12.8

Depois eu irei a Nazaré preparar tudo para ti na tua casa, se achares bom ires para lå, ou então um outro lugar, que preferires.

– Na minha casa havia uma gruta, lá no fundo. Ainda existe?

– Ainda existe, mas nĂŁo Ă© mais tua. Mas eu farei uma para ti, onde sentirĂĄs um ar fresco, que te porĂĄs Ă  vontade, nas horas quentes do dia. Eu a farei, o mais possĂ­vel, igual Ă  outra. Diz-me uma coisa: quem gostarias de ter contigo?

– NinguĂ©m. Eu nĂŁo tenho medo. A mĂŁe do Alfeu, que sempre costuma vir estar comigo, me farĂĄ um pouco de companhia de dia. De noite prefiro ficar sozinha. Nada me pode acontecer de mal.

– AlĂ©m disso, eu agora estarei lĂĄ. Quando devo vir te buscar?

– Quando quiseres, JosĂ©.

– Então virei, logo que a casa esteja em ordem. Não vou tocar em nada. Quero que encontres tudo como tua mãe a deixou. Mas quero que ela esteja cheia de sol e bem limpa, para receber-te sem tristeza. Vem, Maria. Vamos dizer ao Altíssimo que o bendizemos.

Não vejo mais nada. Mas fica em meu coração o sentido da segurança que Maria estå experimentando.

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EMF 12.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Juremos que nos haveremos de amar como anjos se amam uns aos outros.

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EMF 13

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Casamento da Virgem com José, instruído pela Sabedoria de que ele seria o guardião do Mistério.

Data da visão e do ditado: Terça-feira, 5 de setembro de 1944

Calendårio: 6 de março d.C.

Localização (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: JosĂ© e Maria estĂŁo noivos no Templo de JerusalĂ©m. Maria estĂĄ linda com o seu enxoval de noiva. As virgens que a rodeiam ficam extasiadas com a sua beleza e as suas amantes vĂȘm em socorro da sua protegida. As donzelas vĂŁo-se embora e Isabel chega. A Virgem fala-lhe do enxoval de casamento concebido por Ana, e a Virgem fala-lhe de JosĂ©, que Ă© descrito como um jovem santo. O noivo chega e os dois noivos voltam a encontrar-se. JosĂ© Ă© soberbo e diz-lhe que pensou no voto da Virgem. Ele compreende-o e une-se a ela num nazirĂ©at perpĂ©tuo. O sumo-sacerdote faz-lhes entĂŁo o noivado. Depois disso, Maria e JosĂ© deixam JerusalĂ©m e vĂŁo para NazarĂ©... Jesus faz entĂŁo um ditado sobre o seu suposto pai.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 13.1: A beleza de Maria com as suas vestes nupciais. 13.2: Os seus companheiros admiram-na. 13.3: As tuas roupas sĂŁo a carĂ­cia da tua mĂŁe. 13.4: JosĂ© chega com as suas roupas mais bonitas. O seu discurso de boas-vindas. 13.5: JosĂ© fala do voto de castidade absoluta. 13.6: O PontĂ­fice preside ao casamento. 13.7: Os noivos partem numa carruagem com Zacarias e Isabel. 13.8: Louvor Ă  Sabedoria. 13.9: JosĂ©, guardiĂŁo da Esposa e do Filho de Deus. 13.10: JosĂ©, um novo AarĂŁo que acreditou sem ver. 13.11: JosĂ©, exemplo corredentor de pureza, de fidelidade e de amor perfeito.

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