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EMF 13.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.1 Como estå bela Maria, entre suas amigas e mestras festivas, com as suas vestes de esposa! No meio delas, estå também Isabel.

Toda vestida com um linho alvĂ­ssimo, tĂŁo macio e fino, que parece seda preciosa. Um cinturĂŁo, feito de ouro e prata, trabalhado a buril, Ă© formado por medalhĂ”es presos um ao outro por correntinhas — Cada medalhĂŁo Ă© um bordado feito com fios de ouro, entremeados com os de prata, que o tempo jĂĄ poliu — O cinturĂŁo cinge a fina cintura de Maria e, talvez porque ele fica muito folgado para ela, pois ela Ă© ainda muito jovem, estĂĄ pendurado na frente com os trĂȘs Ășltimos medalhĂ”es da ponta, descendo por entre as pregas do vestido, que Ă© bastante amplo, e que ela vai arrastando um pouco, por ser comprido demais. Nos pĂ©s tem sandĂĄlias feitas de uma pele muito branca, com fivelas de prata.

Ao pescoço, o vestido estå ajustado por meio de uma correntinha com rosetas de ouro e filigranas de prata, que reproduzem, em ponto pequeno, a figura do cinturão e passa pelos ilhoses, que estão no amplo decote, reunindo suas margens em vårias dobras, e formando um belo adorno. O pescoço de Maria sobressai daquela alvura cheia de dobras com a beleza de um caule envolto em uma gaze preciosa, e parece ficar ainda mais delgado e branco, um caule de lírio, que termina no rosto lirial, que tornou-se ainda mais pålido e puro pela emoção. Um rosto de hóstia puríssima.

Seus cabelos jå não estão mais caídos sobre os ombros. Estão graciosamente dispostos em um laço com tranças, que alguns grampos de prata brunida, todos feitos em bordado de filigrana no ponto mais alto, conservam os cabelos em seu lugar. O véu materno estå pousado sobre estas tranças e recai em graciosas dobras até abaixo da lùmina preciosa, que estå cingindo a branquíssima fronte. Ele não desce até a cintura, porque Maria não é alta como era sua mãe, e nela o véu passa abaixo dos quadris, enquanto que em Ana chegava só até a cintura.

Maria não tem nada nas mãos, tem braceletes nos pulsos. Mas seus pulsos são tão finos, que os pesados braceletes maternos caem até o dorso das mãos e, se Maria as sacudisse, eles cairiam no chão.

13.2 As companheiras a estão contemplando de todos os lados, e a admiram. Fazem um alegre chilrear de passarinhos, com os seus pedidos e palavras de admiração.

– São de tua mãe?

– Antigos, nĂŁo Ă©?

– Que bonita, Sara, esta cintura!

– E este vĂ©u, Susana? Olha que fino! E olha estes lĂ­rios tecidos nele!

– Deixa-me ver as pulseiras, Maria! Eram de tua mãe?

– Ela as usou. Mas eram da mãe de Joaquim, meu pai.

– Oh! VĂȘ sĂł! Trazem o selo de SalomĂŁo, entremeado com finos raminhos de palmeira e de oliveira, e entre eles hĂĄ lĂ­rios e rosas. Oh! Quem terĂĄ feito um trabalho tĂŁo minucioso e perfeito?

– SĂŁo da Casa de Davi –explica Maria–. SĂŁo usados, hĂĄ sĂ©culos, pelas mulheres da estirpe, que se tornam esposas, e ficam de herança para a herdeira.

– Certo. Pois tu Ă©s uma filha herdeira


– Trouxeram-te tudo de NazarĂ©?

– Não. Quando minha mãe morreu, minha prima levou o enxoval para sua casa, a fim de conservá-lo melhor. E agora o trouxe para mim.

– Onde está? Onde? Mostra-o às amigas.

Maria nĂŁo sabe como fazer
 Ela gostaria de ser cortĂȘs, mas gostaria tambĂ©m de nĂŁo ficar tirando do lugar todas as peças do vestuĂĄrio, colocadas em trĂȘs pesados baĂșs.

Em sua ajuda, intervĂȘm as mestras:

– O esposo estĂĄ para chegar. NĂŁo Ă© tempo de fazer confusĂŁo. Deixai-a estar quieta, que a estais cansando, e ide, tambĂ©m vĂłs, preparar-vos.

O enxame de tagarelas se afasta, um pouco amuado. Maria pode, entĂŁo, ouvir em paz suas mestras, que lhe dizem palavras de louvor e de bĂȘnção.

13.3 Isabel tambĂ©m se aproximou. E, estando Maria comovida e chorando, porque Ana de Fanuel, beijando-a com um afeto verdadeiramente materno, a chamou de “Filha”, Isabel lhe diz:

– Maria, tua mĂŁe estĂĄ e nĂŁo estĂĄ aqui. O espĂ­rito dela estĂĄ exultante junto ao teu. E olha bem, as coisas que tu estĂĄs usando te fazem sentir as carĂ­cias dela de novo. Nelas podes sentir ainda o sabor dos beijos dela. Faz muitos anos, no dia em que vieste ao Templo, ela me disse: “Preparei para ela as vestes e enxoval de esposa, porque quero ser sempre eu quem hĂĄ de fiar os linhos e fazer-lhe as vestes de esposa, para nĂŁo estar ausente no dia da alegria dela.” E, sabes de mais uma coisa? Nos Ășltimos tempos, quando eu a acompanhava, todas as tardes ela queria acariciar as tuas primeiras vestes e estas que agora estĂĄs vestindo, e dizia: “Aqui estou sentindo o cheiro de jasmim da minha pequenina, e aqui eu quero que ela sinta o beijo da sua mamĂŁe.” Quantos beijos ela deu neste vĂ©u, que te estĂĄ sombreando a fronte! HĂĄ nele mais beijos do que fios!
 E, quando vestires as roupas por ela tecidas, pensa um pouco que, mais do que os fios, o que as formou foi o amor de tua mĂŁe. E aqueles colares
 mesmo em horas penosas, eles foram guardados por teu pai para ti, a fim de tornar-te bela como hĂĄ de ser uma princesa do sangue de Davi nesta hora. Alegra-te, pois, Maria. Porque nĂŁo estĂĄs ĂłrfĂŁ, os teus estĂŁo contigo, e tens um esposo que para ti Ă© pai e mĂŁe, de tĂŁo perfeito que é 

– Oh! Sim. É verdade. É certo que dele nĂŁo posso queixar-me. Em menos de dois meses veio duas vezes, e hoje vem pela terceira, desafiando chuvas e ventanias, para vir ouvir as minhas ordens
 Pensa sĂł: as minhas ordens! Eu, que sou uma pobre mulher, e bem mais nova do que ele! Ele nunca me negou nada. Pelo contrĂĄrio, nem espera que eu lhe peça. Parece que um anjo lhe diz o que eu desejo, e ele o diz, antes que eu fale. Na Ășltima vez, ele disse: “Maria, acho que preferes estar na casa de teus pais. Porque, uma vez que Ă©s filha herdeira, tu podes fazer isso, quando o desejares. Eu irei para a tua casa. SĂł para guardar a cerimĂŽnia, irĂĄs ficar uma semana na casa do Alfeu, meu irmĂŁo. Maria jĂĄ te ama muito. E, na tarde das nĂșpcias, partirĂĄ de lĂĄ o cortejo, que te acompanharĂĄ atĂ© a tua casa.” NĂŁo Ă© ser gentil? NĂŁo se importou nem mesmo que ele podia estar fazendo com que o povo ficasse falando que ele nem tem uma casa que me agrade
 Para mim serĂĄ sempre bem aceita uma casa, se ele estiver nela, pois ele Ă© tĂŁo bom. Mas com certeza
 prefiro, na verdade, a minha casa
 por causa das lembranças
 Oh! Como o JosĂ© Ă© bom!

– Que Ă© que ele falou do teu voto? Ainda nĂŁo me disseste nada.

– NĂŁo fez nenhuma oposição. Pelo contrĂĄrio, ao saber de minhas razĂ”es, disse: “Eu vou unir o meu sacrifĂ­cio ao teu.”

– É um jovem santo –diz Ana de Fanuel.

13.4 A essa altura, o “jovem santo” vem entrando, acompanhado por Zacarias.

EstĂĄ literalmente esplĂȘndido. Todo em amarelo ouro, e atĂ© parece tratar-se de algum soberano do Oriente. Um esplĂȘndido cinturĂŁo segura por baixo a bolsa e o punhal, a bolsa feita de marroquim bordado em ouro, e o punhal numa bainha tambĂ©m de marroquim com frisos de ouro. Tem na cabeça um turbante, que Ă© a cobertura de costume como se vĂȘ ainda em certos povos da África, como os beduĂ­nos, preso por um cordĂŁo precioso, um tĂȘnue fio de ouro, ao qual estĂŁo atados pequenos maços de mirto. Ele estĂĄ com um manto novo, cheio de franjas, o que lhe dĂĄ um ar majestoso, e estĂĄ fulgurante de alegria. Nas mĂŁos traz ainda pequenos maços de mirto florido.

– A paz esteja contigo minha esposa! –ele saĂșda–. A paz esteja com todos.

E, depois de ter recebido a saudação de resposta, diz:

– Eu vi a tua alegria no dia em que te dei aquele ramo do teu jardim. Pensei agora em trazer-te o mirto apanhado perto da gruta de que tanto gostas. Queria trazer-te as rosas que jĂĄ estĂŁo abrindo as primeiras flores em frente Ă  tua casa. Mas as rosas duram pouco, e com tantos dias de viagem
 Eu teria chegado aqui sĂł com os espinhos. A ti, querida, sĂł quero oferecer rosas, atapetando os caminhos de flores delicadas e perfumosas, para que sobre elas possas pĂŽr o teu pĂ©, para que nĂŁo encontre nenhuma sujeira ou aspereza.

– Agradeço a ti, bom homem! Como conseguiste que ele chegasse atĂ© aqui tĂŁo viçoso e bonito?

– Eu amarrei um vaso na sela, e dentro dele pus os ramos, com as flores ainda em botĂŁo. E, pelo caminho, as flores foram-se abrindo. E aqui estĂŁo elas, Maria. Que a tua fronte se engrinalde de pureza, que Ă© o sĂ­mbolo da esposa, mas que nunca serĂĄ igual Ă  pureza que tens no coração.

Isabel e as mestras enfeitam Maria com a pequena grinalda de flores que se formou, ao fixarem no lindo arco os ramalhetes cĂąndidos de mirto, e vĂŁo entremeando pequenas rosas brancas que estĂŁo num vaso posto sobre um baĂș.

Maria se esforça para apanhar o seu amplo manto branco e colocå-lo puxado sobre os ombros. Mas o esposo a precede no gesto e a ajuda a fixar, com duas fivelas de prata, o amplo manto no alto dos ombros. As mestras arrumam as dobras com arte e amor.

13.5 Estå tudo pronto. Enquanto estão esperando por algo que não sei o que seja, José diz (ele fala aproximando-se um pouco de Maria):

– Eu estava pensando, agora mesmo, no teu voto. Eu jĂĄ te disse que quero parti­lha­r dele contigo. Mas quanto mais nisso penso, tanto mais vou compreendendo que nĂŁo basta o nazireato temporĂĄrio, ainda que seja renovado muitas vezes. Eu te compreendi, Maria. Eu ainda nĂŁo mereço a palavra da Luz. Mas dela um murmĂșrio jĂĄ estĂĄ chegando aos meus ouvidos. É isto que me estĂĄ levando a entender o teu segredo, pelo menos em suas linhas mais expressivas. Eu sou um pobre ignorante, Maria. Sou um pobre operĂĄrio. NĂŁo entendo de letras, nem possuo tesouros. Mas aos teus pĂ©s quero pĂŽr o meu tesouro. Para sempre. A minha castidade absoluta, para poder ser digno de estar ao teu lado, Ăł virgem de Deus, “irmĂŁ esposa minha, jardim fechado, fonte selada”, como diz o nosso AvĂŽ que talvez tenha atĂ© escrito o CĂąntico, tendo-te Ă  frente de seus olhos
 Eu serei o guardiĂŁo deste jardim de aromas no qual se encontram as mais finas frutas e do qual jorra uma nascente de ĂĄgua viva, com Ă­mpeto suave: a tua doçura, Ăł minha esposa, que com sua candura me conquistaste o espĂ­rito, Ăł toda bela. Bela, mais do que uma aurora, sol que resplandece, porque teu coração resplandece, Ăł toda cheia de amor pelo teu Deus, e pelo mundo ao qual queres dar o Salvador com o teu sacrifĂ­cio de mulher. Vem, amada minha­.

E a toma delicadamente pela mĂŁo, levando-a rumo Ă  porta.

Todos os outros os acompanham, e do lado de fora se reĂșnem todas as companheiras da festa, todas de branco e com vĂ©us.

13.6 VĂŁo pelos pĂĄtios e pĂłrticos, por entre a multidĂŁo que os observa, atĂ© chegarem a um ponto, que nĂŁo Ă© ainda o Templo, mas parece quase um salĂŁo usado para o culto, pois aĂ­ se vĂȘem lĂąmpadas e rolos de pergaminho, como nas sinagogas. Os dois esposos vĂŁo atĂ© Ă  frente de uma estante, semelhante a uma cĂĄtedra, e lĂĄ se detĂȘm. Os outros se colocam em ordem atrĂĄs deles. Ao fundo se aglomeram outros sacerdotes e os curiosos.

O Sumo Sacerdote estĂĄ entrando solenemente. HĂĄ um murmĂșrio entre os curiosos.

– É ele que vai celebrar o casamento?

– Sim, porque Ă© de sangue real e sacerdotal. A esposa, Flor de Davi e de ArĂŁo, Ă© virgem do Templo. O esposo Ă© da tribo de Davi.

O Pontífice pÔe a mão direita da esposa na do esposo, e os abençoa solenemente:

– Que o Deus de AbraĂŁo, de Isaque e de JacĂł esteja convosco. Que Ele vos una e que se realize em vĂłs a sua bĂȘnção, dando-vos Ele a sua paz e uma numerosa descendĂȘncia, uma vida longa e uma morte feliz no seio de AbraĂŁo.

Depois ele se retira, com a mesma solenidade que entrou.

Fazem-se as promessas mĂștuas. Maria jĂĄ Ă© esposa de JosĂ©.

Todos saem e, sempre em perfeita ordem, vĂŁo atĂ© a sala, onde Ă© lavrado o contrato de nĂșpcias, no qual se diz que Maria, filha herdeira de Joaquim de Davi e de Ana de ArĂŁo, entrega como dote ao seu esposo a sua casa com os seus bens, os enxovais e todos os outros bens que ela herdou de seu pai.

Tudo terminou.

13.7 Os esposos saem para o pĂĄtio e o atravessam, indo para a saĂ­da, que fica perto do quarteirĂŁo das mulheres que trabalham no Templo. Um carro de boi bem cĂŽmodo e pesado estĂĄ Ă  espera deles. Sobre o carro estĂĄ estendido um toldo de proteção onde se encontram tambĂ©m os pesados baĂșs de Maria.

Despedidas, beijos, lĂĄgrimas, bĂȘnçãos, conselhos, recomendaçÔes e depois Maria sobe com Isabel colocando-se no centro do carro. Na frente, estĂŁo JosĂ© e Zacarias. JĂĄ tiraram os mantos de festa, e todos se envolveram num grande manto escuro.

O carro parte, ao trote pesado de um cavalo grande e escuro. Os muros do Templo vão ficando longe, depois também os da cidade, e vão chegando os campos novos e verdejantes, cheios das flores dos primeiros dias da primavera, com as plantaçÔes jå crescidas a um bom palmo do chão, mostrando suas folhinhas leves, que à brisa ligeira formam ondas, parecendo esmeraldas, soltando um cheiro mesclado das flores dos pessegueiros e das macieiras, junto com cheiro de trevos e do poejo selvagem.

Maria estå chorando baixinho, debaixo do seu véu e, de vez em quando, afasta a cortina do toldo para olhar mais uma vez o Templo, que vai ficando sempre mais longe, e a cidade, que ela estå deixando para trås


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O noivado de José e Maria

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EMF 13.8-11

O Evangelho como me foi revelado

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13.8 Jesus diz:

– Que Ă© que diz o livro da Sabedoria, cantando os louvores dela? “Na sabedoria estĂĄ, de fato, o espĂ­rito da inteligĂȘncia, santo, Ășnico, multĂ­plice, sutil.” E continua enumerando os dotes dela, para terminar o perĂ­odo com estas palavras: “
 que tudo pode, tudo prevĂȘ, que compreende todos os espĂ­ritos, inteligente, puro, sutil. A sabedoria penetra com sua pureza, Ă© um vapor da virtude de Deus
 por isso nada hĂĄ de impuro
 imagem da bondade de Deus. Mesmo sendo Ășnica, tudo pode, imutĂĄvel, renova todas as coisas, comunica-se Ă s almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas.”

13.9 Tu viste como JosĂ©, nĂŁo por uma cultura humana, mas por uma instrução sobrenatural, sabe ler no livro selado da virgem imaculada, e como ele se aproxima das verdades profĂ©ticas com a sua “visĂŁo” de um mistĂ©rio sobre-humano, no qual os outros viam apenas uma virtude. Impregnado dessa sabedoria, que Ă© vapor da virtude de Deus, e uma certa emanação do Onipotente, ele se dirige com espĂ­rito seguro no mar desse mistĂ©rio de graça que Ă© Maria, aprofunda-se com ela em conversaçÔes espirituais, nas quais, mais do que com os lĂĄbios, sĂŁo seus dois espĂ­ritos que falam um ao outro, no sagrado silĂȘncio das almas, onde sĂł Deus ouve as vozes, e sĂł as percebem aqueles que sĂŁo agradĂĄveis a Deus, porque sĂŁo seus servos fiĂ©is, e Dele estĂŁo plenos.

A sabedoria do justo, que aumenta pela uniĂŁo e proximidade daquela que Ă© a toda graça, prepara-o para penetrar nos segredos mais altos de Deus, e para poder cuidar e defendĂȘ-los das insĂ­dias do homem e do demĂŽnio. Por enquanto a sabedoria lhe dĂĄ um novo vigor. Do justo faz um santo, do santo faz um guardiĂŁo da esposa e do Filho de Deus.

Sem faltar com a reverĂȘncia para com o selo de Deus, ele, o casto, que agora leva a sua castidade atĂ© um heroĂ­smo angelical, pode ler a palavra de fogo escrita sobre o diamante virginal, pelo dedo de Deus. Nele lĂȘ aquilo que a sua prudĂȘncia nĂŁo diz, mas que Ă© muito maior do que o que MoisĂ©s leu nas tĂĄbuas de pedra. E, para que nenhum olho profano, nem de leve, se atreva a tocar no MistĂ©rio, ele se pĂ”e como selo sobre o selo, como o arcanjo de fogo sobre a entrada do ParaĂ­so, dentro do qual o Eterno acha as suas delĂ­cias, “passeando Ă  brisa da tarde”, e falando com aquela que Ă© o seu amor, bosque de lĂ­rios em flor, aura impregnada de aromas, aragem fresca da manhĂŁ, estrela de rara beleza, delĂ­cia de Deus. A nova Eva estĂĄ lĂĄ, diante dele, nĂŁo osso de seus ossos, nem carne de sua carne, mas companheira de sua vida, Arca viva de Deus, a qual Ă© recebida por ele de Deus para que a guarde, e a entregue a Deus, tĂŁo pura como quando a recebeu.

“Esposa de Deus” era o que estava escrito naquele livro mĂ­stico de pĂĄginas imaculadas
 E quando, na hora da prova, a suspeita assobiou para ele, para atormentĂĄ-lo, como homem e como servo de Deus, sofreu como nenhum outro, pela suspeita de ter havido um sacrilĂ©gio. Contudo, essa foi a prova que estava por vir. Por enquanto, nesse tempo de graça, ele vĂȘ e se coloca ao serviço sincero de Deus. Depois, virĂĄ a tempestade da provação, como para todos os santos, a fim de serem provados e transformados em cooperadores de Deus.

13.10 O que se lĂȘ no LevĂ­tico? “Diz a ArĂŁo, teu irmĂŁo, que ele nĂŁo en tre, em momento algum, no santuĂĄrio, alĂ©m do VĂ©u, diante do propiciatĂłrio, que estĂĄ sobre a Arca, porque Eu apareço sobre o propiciatĂłrio em uma nuvem, e ele poderĂĄ morrer, se antes nĂŁo tiver feito estas coisas: oferecer um novilho pelo pecado e um carneiro em holocausto. Vestir a tĂșnica de linho e com calças de linho cobrir sua nudez.”

Com efeito, José entra quando Deus quer e quanto Deus quer no santuårio de Deus, além do véu que encobre a Arca, e sobre a qual paira o Espírito de Deus, e se oferece a si mesmo, oferecendo o Cordeiro, holocausto pelo pecado do mundo e expiação por esse pecado. E assim faz, estando vestido de linho, e com os seus membros viris mortificados, para abolir a sensualidade que, uma vez, no princípio dos tempos, triunfou, lesando o direito de Deus sobre o homem, mas que agora vai ser calcada no Filho, na mãe e no pai adotivo, para reconduzir os homens à graça e reintegrar a Deus o seu direito sobre o homem. E faz isso com a sua perpétua castidade.

JosĂ© nĂŁo estava no GĂłlgota? Pensais, entĂŁo que ele nĂŁo estava entre os corredentores? Em verdade, vos digo que ele foi o primeiro dos corredentores e, por isso, ele Ă© grande aos olhos de Deus. Grande pelo sacrifĂ­cio, pela paciĂȘncia, pela constĂąncia e pela fĂ©. Qual fĂ© foi maior do que a de quem acreditou , sem ter visto os milagres do Messias?

13.11 Louvor seja dado ao meu pai adotivo, exemplo para vós naquilo que mais vos falta: pureza, fidelidade e amor perfeito. Ao magnífico leitor do Livro selado, instruído pela Sabedoria para saber compreender os mistérios da graça e eleito para guardar a salvação do mundo contra as insídias de todos os inimigos.

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Depois de dar a visão do noivado de José e Maria, Jesus fala do seu suposto pai e diz

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EMF 14

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : O casal chega a Nazaré

Data da visĂŁo: 6 de setembro de 1944

Calendårio:6 de março d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Casamento com José

Resumo: Maria descreve Nazaré. Maria regressa à sua cidade depois de ter vivido durante anos no Templo. Estå noiva de José e ele acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Nazaré festeja com eles. Chegam a casa e José, Zacarias e Isabel mostram-lhe a casa e o jardim de Joaquim. A Virgem conhece também Alfeu, Maria de Cléofas e os seus filhos. Depois, conheceu Sara e o seu filho, Alfeu, o namorado de Ana. José percorre a casa com a sua mulher e o irmão dela fica a saber que não vão casar logo. Este ficou surpreendido e José respondeu-lhe que só fariam a cerimónia quando Maria tivesse dezasseis anos. O futuro santo fez-lhe então prometer que o chamaria sempre que precisasse dele. A família parte, e Zacarias decide deixar Isabel para que ela ensine a prima a ser uma dona de casa perfeita. Assim, Maria poderå também decorar a sua casa a seu gosto.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 14.1: O caminho atravĂ©s das colinas da Galileia. 14.2: Entrada triunfal em NazarĂ©. 14.3: JosĂ© aponta de longe a casa de Maria. É ele quem vai trabalhar lĂĄ. 14.4: Maria acolhe Alfeu e Sara. 14.5: JosĂ© oferece-se a Maria como confidente. 14.6: O casamento realizar-se-ĂĄ quando ela tiver dezasseis anos. 14.7: Isabel fica com a sua prima durante algum tempo.

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EMF 14.2-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.2 Um carro de boi estĂĄ indo pela estrada. É o carro que leva JosĂ© e Maria com seus primos. A viagem estĂĄ chegando ao fim.

Maria olha, com aqueles olhos cheios de ansiedade de quem quer conhecer, ou melhor, reconhecer, aquilo que ela jå viu, mas de que não se lembra mais, e sorri, quando alguma sombra de lembrança volta à sua memória e se detém, como uma luz que mostra esta ou aquela coisa, este ou aquele ponto. Isabel, Zacarias e José, ajudam Maria a se lembrar, mostrando uma elevação do terreno, ou uma ou outra casa.

Desta forma, Nazaré começa a despontar, estendida por cima das ondulaçÔes de sua colina. Olhada pelo lado esquerdo do sol poente, Nazaré nos mostra a cor branca rosada de suas casinhas largas e baixas com seus terraços sobrepostos. Algumas delas, atingidas em cheio pelo sol, parecem estar para pegar fogo, pois, a fachada fica tão vermelha com o sol, que incendeia até a ågua dos regos e dos poços rasos, quase sem peitoril por onde os cùntaros com ågua para a casa e os odres para a horta sobem chiando.

Meninos e mulheres aparecem Ă  beira da estrada para olhar o car­ro, saĂșdam JosĂ©, que Ă© muito conhecido. Mas depois ficam perplexos e atemorizados, ao verem os outros trĂȘs.

Quando chegam a entrar na pequena cidade propriamente dita, nĂŁo encontram mais nenhuma perplexidade, nem temor. Muitas pessoas, de todas as idades, estĂŁo na entrada da cidade, sob um arco rĂșstico com flores e folhagens. Mal o carro de boi aponta atrĂĄs do cotovelo formado pela Ășltima casa, construĂ­da enviesada, ouve-se um trilar de vozes agudas, acompanhado pelo rumor de ramos e flores agitados. SĂŁo as mulheres e as crianças de NazarĂ© que saĂșdam os esposos. Os homens, mais sisudos, estĂŁo atrĂĄs da cerca viva dos cantores, saudando-os com moderação.

O carro jå foi descoberto, pois tiraram o toldo, antes de chegarem à cidade, visto que o sol não mais incomoda, e Maria assim tem oportunidade de ver melho­r a sua terra natal. Portanto, agora ela também aparece em sua beleza, como uma flor. Branca e loira como um anjo, ela sorri com bondade para as crianças, que lhe jogam flores e beijos, para as jovens de sua idade, que a chamam pelo nome, para as esposas, para as mães, para as velhas que a abençoam cantando. Ela faz uma inclinação para os homens, e especialmente para um que parece ser o rabino, ou a pessoa mais influente da cidade.

Enquanto isso, o carro continua lentamente pela rua principal, acompanhado, durante um bom tempo, pela multidĂŁo, para a qual aquela chegada foi um agradĂĄvel acontecimento.

14.3 – Aqui estĂĄ a tua casa Maria –diz JosĂ©, mostrando, com o chicote que estĂĄ em sua mĂŁo, uma casinha que fica precisamente ao pĂ© de uma das ondulaçÔes da colina, tendo aos fundos um belo e vasto jardim todo florido, e que termina em um pequenino olival. Do outro lado, estĂĄ a costumeira sebe com o espinheiro-alvar e as cactĂĄceas, marcando o limite da propriedade. Os campos, que antes pertenciam a Joaquim, estĂŁo atrĂĄs da sebe.

– Como estĂĄs vendo, te restou pouca coisa –diz Zacarias–. A doença de teu pai foi longa e se gastou muito com ela. TambĂ©m se gastou bastante com as despesas para reparar os prejuĂ­zos dados por Roma. EstĂĄs vendo? A estrada feita pelos romanos levou os trĂȘs principais cĂŽmodos da casa, deixando-a muito diminuĂ­da. Para tornĂĄ-la mais ampla, sem que fossem necessĂĄrias despesas excessivas, foi aproveitada uma parte do monte onde hĂĄ uma gruta. Era lĂĄ que Joaquim guardava as suas provisĂ”es, e Ana os seus teares. Tu farĂĄs aĂ­ o que achares bom.

– Oh! Que seja pouca coisa, não tem importñncia! Sempre para mim bastará. Eu vou trabalhar


– NĂŁo, Maria. –É JosĂ© que estĂĄ falando–. Eu Ă© que trabalharei. Tu nĂŁo farĂĄs mais do que tecer e costurar as coisas da casa. Eu estou jovem e forte, e sou teu esposo. NĂŁo me faças ficar envergonhado com o teu trabalho.

– Farei como queres.

– Sim, neste ponto eu quero. Em qualquer outra coisa o teu desejo Ă© lei. Exceto isto.

14.4 Chegaram. O carro pĂĄra.

Duas mulheres e dois homens, respectivamente com os seus quarenta e cinqĂŒenta anos, estĂŁo Ă  porta, rodeados por muitas crianças e adolescentes.

– A paz de Deus esteja contigo, Maria –diz o homem mais velho, enquanto uma das mulheres se aproxima de Maria, a abraça e beija.

– É o meu irmĂŁo Alfeu e Maria, sua mulher, e estes sĂŁo os filhos dele. Vieram de propĂłsito para te fazerem festa e para te dizerem que a casa deles Ă© tua, se quiseres –diz JosĂ©.

– Sim, vem, Maria, se te for penoso ficar vivendo sozinha. O campo Ă© belo na primavera, e nossa casa fica no meio dos campos em flor. Entre as outras flores, tu serĂĄs a mais bela –diz Maria de Alfeu.

– Eu te agradeço, Maria. Eu iria de muito boa vontade. Irei em alguma oportunidade, irei sem falta para as nĂșpcias. Mas estou com tanto desejo de ver, de reconhecer a minha casa. Eu a deixei, quando ainda era pequena, e tinha perdido a sua lembrança
 Agora eu a reencontro
 parece-me reencontrar a minha mĂŁe, que se foi, e o meu amado pai, com o eco de suas palavras
 e o perfume do seu Ășltimo suspiro. Parece-me nĂŁo estar mais ĂłrfĂŁ, porque tenho de novo, ao redor de mim, o abraço destas paredes
 Compreende-me, Maria.

Maria estĂĄ, um pouco, com pranto na voz e nos olhos.

Maria de Alfeu lhe responde:

– Como quiseres, querida. Quero que me consideres irmĂŁ e amiga e tambĂ©m um pouco mĂŁe, porque sou muito mais velha do que tu.

A outra mulher vem para a frente:

– Maria, eu te saĂșdo. Sou Sara, amiga de tua mĂŁe. Eu te vi nascer. E este Ă© o Alfeu, sobrinho de Alfeu e grande amigo de tua mĂŁe. O que eu fiz por tua mĂŁe, farei por ti, se quiseres. EstĂĄs vendo? A minha casa Ă© a que estĂĄ mais perto da tua, e os teus campos agora sĂŁo nossos. Mas, se quiseres vir, faze-o a qualquer hora. NĂłs abriremos uma passagem na sebe, e estaremos juntas, mesmo se estiver cada uma em sua casa. Este Ă© o meu marido.

– Eu vos agradeço a todos, e por tudo. Por todo o bem que desejastes aos meus e desejais a mim. Que o Senhor Onipotente vos abençoe por isso.

14.5 As caixas pesadas são descarregadas e levadas para casa. Entram. Agora eu reconheço a casinha de Nazaré como é vista, mais tarde, na vida de Jesus Cristo.

Como costume, José toma Maria pela mão para entrar na casa. Na entrada, ele lhe diz:

– Agora, na soleira desta porta, quero de ti uma promessa. Que qualquer coisa que te aconteça, ou que te suceda, nĂŁo tenhas outro amigo, outra ajuda, para a qual te voltes, a nĂŁo ser JosĂ©, e que, por nenhum motivo tenhas que ficar-te atormentando sozinha. Eu sou tudo para ti, lembra-te disso, e serĂĄ minha alegria tornar feliz o teu caminho, pois, se a felicidade nem sempre depende do nosso poder, pelo menos posso tornar este caminho para ti calmo e seguro.

– Prometo, JosĂ©.

Abrem-se as portas e janelas. Os Ășltimos raios de sol, curiosos, entram.

Maria tirou o manto e o vĂ©u, porque tendo, por enquanto, tirado sĂł as flores de mirto, ainda estĂĄ com as vestes das nĂșpcias. Sai para o jardim florido. E fica olhando, sorri e, sempre segura pela mĂŁo de JosĂ©, dĂĄ uma volta pelo jardim. Parece estar tomando de novo posse de um lugar perdido.

José fala dos seus trabalhos:

– EstĂĄs vendo? Aqui eu fiz esta cava para receber a ĂĄgua da chuva, pois estas videiras sempre sofrem com o calor. Eu cortei os ramos mais velhos desta oliveira, para dar-lhe um novo vigor, pus no lugar definitivo estas macieiras, porque duas delas jĂĄ estavam mortas. Mais adiante, plantei duas figueiras. Quando elas crescerem, protegerĂŁo a casa do ardor do sol e dos olhares dos curiosos. A armação da parreira Ă© a antiga. Nada mais fiz do que mudar os mourĂ”es que estavam podres e trabalhar com a tesoura. Espero que esta parreira dĂȘ muita uva. E aqui, olha — enquanto a leva, orgulhoso, para a encosta que se ergue atrĂĄs da casa, cercando o pomar do lado norte — aqui escavei uma pequena gruta, reforçando-a para que quando estas plantinhas pegarem, fique quase igual Ă quela que tinhas. Falta a nascente
 mas eu espero trazer atĂ© aqui um fio de ĂĄgua da nascente. Vou trabalhar nas longas tardes do verĂŁo, quando eu vier te ver


14.6 – Mas como? –diz Alfeu–. Não ireis casar-vos neste verão?

– NĂŁo. Maria quer fiar os tecidos de lĂŁ, as Ășltimas coisas que estĂŁo faltando para o enxoval. E eu estou contente que seja assim. Maria Ă© tĂŁo jovem, que esperar um ano, ou atĂ© mais, nĂŁo Ă© nada. Enquanto isso, ela se vai acostumando com a casa


– Ora, ora! Tu sempre foste um pouco diferente dos outros, e ainda continuas o mesmo. NĂŁo sei se poderia haver alguĂ©m que nĂŁo tivesse pressa em ter por mulher uma flor, como Maria. E tu ainda queres esperar meses!


– Alegria longamente esperada, Ă© alegria mais intensamente gozada –responde JosĂ© com um amĂĄvel sorriso.

O irmĂŁo encolhe os ombros, e pergunta:

– E então? Quando achas que sairá o casamento?

– Quando Maria fizer dezesseis anos. Depois da Festa dos Tabernáculos. Assim, serão doces as tardes de inverno para os novos esposos!


E sorri outra vez, olhando para Maria. É um sorriso suave, que faz parte de uma combinação secreta. Faz parte de uma castidade fraterna e consoladora.

Depois, José retorna ao seu passeio:

– Este Ă© o quarto grande, do lado do monte. Se achas bom, dele farei a minha oficina, quando vier aqui. Ele estĂĄ perto da casa sem fazer parte dela. Assim nĂŁo perturbarei ninguĂ©m, fazendo barulho ou desordem. Mas, se quiseres de outro modo


– NĂŁo, JosĂ©. EstĂĄ muito bem assim.

14.7 Tornam a entrar em casa e acendem as lĂąmpadas.

– Maria estĂĄ cansada –diz José–. Deixemo-la descansar com os primos.

Todos se despedem. José fica ali ainda alguns minutos e fala com Zacarias em voz baixa.

– Teu primo deixa contigo Isabel, por algum tempo. EstĂĄs contente? Eu sim. Porque ela vai te ajudar
 para que te tornes uma perfeita dona de casa. Com ela poderĂĄs pĂŽr em ordem, como gostas, as tuas coisas e tuas alfaias, e eu virei todas as tardes tambĂ©m para te ajudar. Com ela poderĂĄs ir comprar lĂŁ e o mais que for preciso. Eu responderei pela despesa. Lembra-te que prometeste me procurar para tudo. Adeus, Maria. Dorme o primeiro sono nesta tua casa, e o anjo de Deus torne o teu sono tranqĂŒilo. O Senhor esteja sempre contigo.

– Adeus, JosĂ©. Que tu tambĂ©m estejas sob as asas do anjo de Deus. Obrigada, JosĂ©. Por tudo. Na medida que eu puder, vou te dar, com o meu amor, uma compensação ao teu amor por mim.

JosĂ© saĂșda os primos e sai.

E com isto cessa a visĂŁo.

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EMF 14.5.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.5 As caixas pesadas são descarregadas e levadas para casa. Entram. Agora eu reconheço a casinha de Nazaré como é vista, mais tarde, na vida de Jesus Cristo.

Como costume, José toma Maria pela mão para entrar na casa. Na entrada, ele lhe diz:

– Agora, na soleira desta porta, quero de ti uma promessa. Que qualquer coisa que te aconteça, ou que te suceda, nĂŁo tenhas outro amigo, outra ajuda, para a qual te voltes, a nĂŁo ser JosĂ©, e que, por nenhum motivo tenhas que ficar-te atormentando sozinha. Eu sou tudo para ti, lembra-te disso, e serĂĄ minha alegria tornar feliz o teu caminho, pois, se a felicidade nem sempre depende do nosso poder, pelo menos posso tornar este caminho para ti calmo e seguro.

– Prometo, JosĂ©. (...)

[O irmão de José, Alfeu, pergunta:]

– E então? Quando achas que sairá o casamento?

– Quando Maria fizer dezesseis anos. Depois da Festa dos Tabernáculos. Assim, serão doces as tardes de inverno para os novos esposos!


E sorri outra vez, olhando para Maria. É um sorriso suave, que faz parte de uma combinação secreta. Faz parte de uma castidade fraterna e consoladora.

Depois, José retorna ao seu passeio:

– Este Ă© o quarto grande, do lado do monte. Se achas bom, dele farei a minha oficina, quando vier aqui. Ele estĂĄ perto da casa sem fazer parte dela. Assim nĂŁo perturbarei ninguĂ©m, fazendo barulho ou desordem. Mas, se quiseres de outro modo


– NĂŁo, JosĂ©. EstĂĄ muito bem assim.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Estå noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel.

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EMF 15

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: A pretexto de conclusão no Protévangile

Data dos ditados: SĂĄbado, 16 de setembro de 1944.

Ciclo: O casamento com José

Resumo: Jesus anuncia que o Evangelho estå terminado. Maria estå então no exílio e ele diz-lhe que a fez ter estas visÔes durante estes tempos tão difíceis porque queria cuidar dela. Em breve anuncia o fim da guerra e o fim do seu exílio. Cristo também lhe agradece por ela ter ajudado tanto a Itålia e a sua aldeia através do seu espírito de vítima. Depois encoraja-a a continuar, porque é através das almas-hospedeiras que se pode evitar a ruína total de uma påtria. Segue-se uma breve intervenção da Virgem: Maria viu estes episódios para este período conturbado e recebeu uma cadeia de presentes. A Virgem convida-a a amå-lo cada vez mais.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 15.1: VisĂ”es abençoadas longe da ferocidade que envolve Maria Valtorta. 15.2: Alguns dos vossos sofrimentos cessarĂŁo. 15.3: Muitas hostes foram consumidas pelo teu exemplo. 15.4: A Sabedoria estĂĄ a instruir-te cada vez mais na compreensĂŁo e na prĂĄtica da CiĂȘncia da Vida. 15.5: Maria para Maria: Carreguei-te comigo no segredo dos meus primeiros anos; agora ama-me como filha e irmĂŁ no teu destino de vĂ­tima.

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EMF 15.1-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– O ciclo terminou. E, com este ciclo tĂŁo doce e suave, o teu Jesus te fez sair, sem sobressaltos, para fora do tumulto destes dias. Como um menino enfaixado em lĂŁs macias, colocado sobre fofas almofadas, tu tambĂ©m foste enfaixada por estas felizes visĂ”es, para que nĂŁo sentisses, com terror, a ferocidade dos homens, que se odeiam[1], em vez de se amarem. NĂŁo poderias mais suportar certas coisas, eu nĂŁo quero que morras por causa delas, mas tomo conta da minha “porta-voz.”

15.2

EstĂĄ para terminar no mundo a causa pela qual as vĂ­timas foram torturadas por todo tipo de desespero. TambĂ©m para ti, Maria, cessa, por isso, o tempo do tremendo sofrimento causado por razĂ”es tĂŁo diferentes do teu modo de entender. NĂŁo cessarĂĄ o teu sofrimento, pois Ă©s vĂ­tima. Mas, uma parte dele, sim: essa parte cessa. Depois chegarĂĄ o dia em que Eu te direi, como disse a Maria de Magdala, quando estava morrendo[2]: “Repousa. Agora Ă© teu tempo de repousar. DĂĄ-me teus espinhos. Agora Ă© tempo de rosas. Repousa e espera. Eu te abençÎo, bendita.”

Isto eu te dizia, e era uma promessa, que tu não chegaste a compreender, quando estava chegando o tempo em que terias ficado mergulhada, revolvida, acorrentada, repleta até o mais profundo do teu ser, com espinhos
 Eu te repito isto agora, com uma alegria que só o Amor que Eu sou, é capaz de fazer experimentar, ao cessar uma dor de um seu filho querido. Isto Eu te digo agora, quando cessa aquele tempo de sacrifício. Eu, que sei, te digo, para o mundo que não sabe, para a Itålia, para Viareggio, esta pequena aldeia, à qual tu me levaste. Medita no sentido destas palavras, medita no agradecimento que se deve aos holocaustos, pelo sacrifício deles.

15.3

Quando Eu te mostrei Cecília, a virgem-esposa, te disse que ela se impregnou dos meus perfumes, arrastando o marido, o cunhado, os escravos, os parentes e amigos. Tu não o sabes, mas Eu que sei, te digo que fizeste a parte de Cecília neste mundo enlouquecido. Tu te saciaste de Mim, da minha palavra. Levaste os meus ideais entre as pessoas, das quais, as que são melhores compreenderam estes ideais, surgindo muita gente atrås de ti, oferta como vítima. A partir daí, portanto, não aconteceu uma ruína completa de tua påtria ou dos lugares que a ti são tão caros, porque tantas hóstias se consumaram, seguindo o teu exemplo e o teu ministério.

Obrigado, bendita. Mas, continua ainda. Tenho muita necessidade de salvar a terra. De comprar de novo a terra. E as moedas sois vĂłs, como vĂ­timas.

15.4

A sabedoria que instruiu os santos, e te instruiu com um magistĂ©rio direto, te eleve sempre mais ao compreender a ciĂȘncia da vida e colocĂĄ-la em prĂĄtica. Levanta a tua pequena tenda junto Ă  casa do Senhor. Finca as estacas da tua prĂłpria morada, na morada da sabedoria, sem saĂ­res nunca mais dela. RepousarĂĄs debaixo da proteção do Senhor, que te ama, como um passarinho por entre ramos em flor, e Ele serĂĄ teu abrigo, contra todas as intempĂ©ries espirituais, e estarĂĄs na luz da glĂłria de Deus, do qual descerĂŁo para ti, palavras de paz e de verdade.

Vai em paz. Eu te abençîo, bendita”.

Detalhe

Jesus mostra a Maria o Evangelho e dĂĄ-lhe o seguinte ditado.

A visão de Maria Madalena a morrer encontra-se nos Cahiers de 1944 (30 de março de 1944). Cécile, a virgem esposa, é vista nas visÔes e ditados de 22 e 23 de julho de 1944.

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