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Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 35.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

35.1 O meu espĂ­rito vĂȘ a seguinte cena.

É noite. JosĂ© dorme em sua cama no seu pequeno quarto. Um sono tranqĂŒilo de quem descansa de muito trabalho, feito com honestidade e capricho.

Eu o vejo na escuridão do ambiente, rompida apenas por um pouco da luz do luar, que penetra por uma abertura da janela, encostada, mas não totalmente fechada, como se José tivesse calor ou quisesse ter aquele pouco de luz, para saber calcular o despontar da alvorada, levantando-se diligente. Ele estå deitado de lado e, no sono, sorri, quem sabe a qual sonho que esteja tendo.

Mas, seu sorriso se transforma em preocupação. Ele suspira profundamente, como se faz quando se tem um pesadelo, e acorda sobressaltado. JosĂ© se assenta sobre a cama, esfrega os olhos, e olha ao redor de si. Olha, depois, para a janela, por onde estĂĄ entrando a claridade do luar. É noite alta, mas ele pega a roupa, que estĂĄ estendida aos pĂ©s da cama e, continuando sentado sobre a mesma, a vai vestindo sobre a tĂșnica branca de mangas curtas que ele trazia sobre a pele. Afastadas as cobertas, pĂ”e os pĂ©s no chĂŁo e procura as sandĂĄlias. Depois ele as calça e amarra. PĂ”e-se em pĂ© e vai atĂ© a porta, que estĂĄ em frente de sua cama, nĂŁo a que estĂĄ de lado e que dĂĄ para o salĂŁo onde foram recebidos os Magos.

Ele bate Ă  porta, de leve, sĂł um toc-toc, com a ponta dos dedos. JosĂ© deve ter ouvido que estĂĄ sendo convidado a entrar, porque abre com cuidado a porta, e a torna a encostar, sem fazer barulho. Antes de ir atĂ© Ă  porta, ele acendeu uma pequena candeia, de um sĂł bico, e assim tem uma luz para poder andar. Ele entra. Mas, em um quarto pouco maior do que o seu, e no qual estĂĄ uma caminha ao lado de um berço, ele vĂȘ uma luzinha jĂĄ acesa; a chama vacilante, que estĂĄ a um canto, parece uma estrelinha de uma luz tĂȘnue e dourada, que permite enxergar, mas sem incomodar quem estiver dormindo.

35.2 Maria, porĂ©m, nĂŁo estĂĄ dormindo. Ela estĂĄ ajoelhada junto ao berço, vestida com sua veste clara, e estĂĄ rezando, velando a Jesus que dorme tranqĂŒilo, Jesus que tem a idade em que o vi na visĂŁo dos Magos. É uma criança de cerca de um ano, bonita, rĂłsea e loira, que estĂĄ dormindo, com a cabecinha de cabelos encaracolados afundada no travesseiro, e com uma mĂŁozinha com o punho fechado, encostada na garganta.

– NĂŁo estĂĄs dormindo? –pergunta JosĂ©, em voz baixa, e admirada–. Por que? Jesus nĂŁo estĂĄ bem?

– Oh, nĂŁo! Ele estĂĄ bem. Eu estou rezando. Mas certamente depois dormirei. Por que vieste, JosĂ©?

Maria fala, permanecendo ajoelhada onde estava.

José fala em voz muito baixa, para não despertar o Menino, mas sua voz é agitada.

– Precisamos ir embora logo daqui. Mas logo! Prepara o baĂș e um saco com tudo o que puder caber nele. Eu vou preparar tudo o mais, e levarei o mais que puder. Ao romper da aurora, fugiremos. Eu faria isso atĂ© antes, mas preciso falar com a dona da casa


– Mas, por que esta fuga?

– Depois, eu te falarei melhor. É por causa de Jesus. Um anjo me disse: “Pega o Menino e a mãe, e foge para o Egito.” Não percas tempo. Eu vou preparar o que puder.

35.3 NĂŁo hĂĄ necessidade de dizer a Maria que nĂŁo perca tempo. Assim que ela ouviu falar de anjo, de Jesus e de fuga, compreendeu que estĂĄ em perigo o seu Filho, pĂŽs-se em pĂ©, branca como se tivesse um rosto de cera, com uma mĂŁo posta sobre o coração, angustiada. Logo começou a mover-se, desembaraçada e ligeira, e a arrumar as roupas no baĂș e num grande saco, que ela estendeu sobre o leito, e que ainda nĂŁo foi usado. Certamente estĂĄ aflita, mas nĂŁo perde a cabeça, e faz tudo apressadamente, mas com ordem. De vez em quando, ao passar por perto do berço, olha para o Menino, que estĂĄ dormindo sem saber de nada.

– EstĂĄs precisando de ajuda? –pergunta-lhe JosĂ©, de vez em quando, pondo a cabeça para dentro da porta, que estĂĄ entreaberta.

– Não, obrigada –responde sempre Maria.

Somente quando o saco estå cheio, e fica pesado, é que ela chama José para ajudå-la a fechå-lo e levantå-lo da cama. Mas José não quer ser ajudado e faz tudo sozinho, pegando o grande volume, e levando-o para o seu quartinho.

– Pego tambĂ©m as cobertas de lĂŁ? –pergunta Maria.

– Pega o mais que puderes. Porque o que ficar estará perdido. Por isso, o mais que puderes, apanha-o! Para nós vai ser bom, porque
 porque teremos pela frente uma longa viagem, Maria!


José fica muito sentido, ao ter que dizer isso. Pode-se imaginar como estå Maria. Suspirando, ela vai dobrando suas colchas e as de José e ele as amarra com uma corda:

– Vamos deixar os acolchoados e as esteiras –diz ele, enquanto amarra as colchas–. Ainda que eu levasse trĂȘs burrinhos, nĂŁo posso sobrecarregĂĄ-los demais. Temos que fazer uma longa e incĂŽmoda viagem, uma parte pelas montanhas, e outra pelo deserto. Cobre bem Jesus. As noites serĂŁo frias tanto nas montanhas, como no deserto. Apanhei os presentes dos Magos, porque eles nos serĂŁo Ășteis lĂĄ embaixo. Tudo o que eu tiver gastarei para comprar os dois burrinhos. NĂłs nĂŁo podemos mandĂĄ-los de volta, e por isso eu preciso adquiri-los. Eu vou, sem ficar esperando o romper da aurora. Sei onde procurĂĄ-los. Tu, acabas de preparar tudo.

E sai. Maria recolhe ainda alguns objetos e, depois de ter ido ver Jesus, sai e volta com duas pequenas vestes que parecem estar ainda Ășmidas, talvez tenham sido lavadas no dia anterior. Ela as dobra e envolve em um pano e as ajunta com as outras coisas. JĂĄ nĂŁo hĂĄ mais nada.

Ela olha ao redor e vĂȘ um brinquedo de Jesus em um canto: Ă© uma ovelhinha entalhada em madeira. Ela a pega com um soluço, e a beija. A madeira estĂĄ com os sinais dos dentinhos de Jesus, e as orelhas da ovelhinha estĂŁo mordiscadas. Maria acaricia aquele objeto sem valor, feito com uma madeira clara e comum, mas que para ela Ă© de grande valor, porque lhe fala do afeto de JosĂ© por Jesus e lhe fala tambĂ©m do seu Menino. Por isso o pĂ”e tambĂ©m junto com as outras coisas sobre o baĂș jĂĄ fechado.

35.4 Agora, jĂĄ nĂŁo hĂĄ mais nada mesmo. SĂł falta Jesus, que ainda estĂĄ em seu bercinho. Maria acha que Ă© bom preparĂĄ-Lo tambĂ©m. Vai ao berço e o sacode um pouco para despertĂĄ-Lo. Mas Ele dĂĄ apenas um leve sinal, e virando-se para o outro lado, continua a dormir. Maria o acaricia de leve, sobre os caracoizinhos. Jesus abre a boquinha para um bocejo. Maria se inclina e o beija na face. Jesus acaba de despertar. Abre os olhos. VĂȘ a mamĂŁe, e sorri, e estende as mĂŁozinhas para o seio dela.

– Sim, amor da mamãe. Sim, o leite. Antes da hora habitual
 Mas Tu estás sempre pronto para sugar tua mamãe, meu santo cordei­rinho!

Jesus ri e brinca, agitando os pezinhos para fora das cobertas, agitando os braços com uma daquelas alegrias de criança, tão bela de se ver. Ele apóia os pezinhos sobre o estÎmago da mãe, curva-se como um arco e apóia também a cabecinha loira sobre o seu seio e, depois, se atira para trås, rindo, com as mãozinhas agarradas aos cordÔezinhos que ajustam o vestido ao pescoço de Maria, procurando abri-lo. Em sua camisinha de linho Ele estå muito bonito, gorducho, rosado como uma flor.

Maria se inclina e, estando assim por cima do berço como uma proteção, chora e sorri ao mesmo tempo, enquanto o Menino balbucia aquelas palavras, de todos os bebĂȘs, que nĂŁo sĂŁo palavras, e entre as quais ouve-se jĂĄ clara e repetidamente a palavra “mamĂŁe”. Ele olha­ para ela, admirado por vĂȘ-la chorar. Estende uma mĂŁozinha para as lĂĄgrimas que caem, e se deixa molhar por aquelas carĂ­cias. Gracioso, torna a apoiar-se no seio materno, e se encolhe todo, acariciando-o com sua mĂŁozinha.

Maria o beija por entre os cabelos, e o pega no colo, senta-se e o veste. O vestidinho de lã jå estå posto, e as sandalinhas também. Maria lhe då de mamar, Jesus suga contente o bom leite de sua mamãe e, quando percebe que da direita estå vindo menos, procura a esquerda, ri ao fazer isso, olhando de alto a baixo para sua mamãe. Depois adormece de novo sobre o seio dela. Sua bochecha rosada e gorducha estå ainda contra o seio branco e redondo.

Maria se levanta, lentamente, e o coloca sobre a colcha de seu leito. Cobre-o com o seu manto. Volta ao berço e dobra as pequenas cobertas. Fica pensando se nĂŁo serĂĄ bom pegar tambĂ©m o pequeno colchĂŁo. É tĂŁo pequeno! Pode-se levar. EntĂŁo, Ela o coloca, junto com o travesseiro, perto das coisas jĂĄ postas sobre o baĂș. Chora sobre o berço vazio a pobre mĂŁe, que estĂĄ sendo perseguida com seu Filho.

35.5 José jå estå de volta.

– Estás pronta? Jesus está pronto? Pegaste as suas cobertas, a sua caminha? Não podemos levar o berço, mas pelo menos que Ele tenha o seu pequeno colchão, pobre Pequenino, que procuram a sua morte!

– JosĂ©!

Maria då um grito, enquanto se agarra ao braço de José.

– Sim, Maria, a sua morte. Herodes o quer morto
 porque tem medo
 por causa do seu reino humano, ele tem medo deste Inocente, aquela fera imunda. Que irĂĄ ele fazer, quando ficar sabendo que o Menino fugiu, eu nĂŁo sei. Mas nĂłs jĂĄ estaremos longe. NĂŁo creio que ele queira se vingar, procurando-o atĂ© na GalilĂ©ia. JĂĄ lhe seria muito difĂ­cil descobrir que nĂłs somos galileus, e mais ainda, que nĂłs somos de NazarĂ©, e quem Ă© que somos exatamente. A nĂŁo ser que SatanĂĄs o ajude, para agradecĂȘ-lo por ser-lhe um servo fiel. Mas
 se isso acontecesse
 Deus nos ajudarĂĄ do mesmo modo. NĂŁo chores, Maria. Ver-te chorar Ă© para mim uma dor bem mais forte do que a de ter que ir para o exĂ­lio.

– Perdoa-me, JosĂ©. NĂŁo Ă© por mim que eu choro, nem pelas poucas coisas que vamos deixar. Eu choro por ti
 JĂĄ tiveste que sacrificar-te tanto! E agora tornas a ficar de novo sem clientes e sem casa. Quanto eu custo para ti, Ăł JosĂ©!

– Quanto? Não, Maria. Tu não me custas nada. Tu me consolas. Sempre. Não fiques pensando no dia de amanhã. Nós temos as riquezas dos magos. Elas nos ajudarão nos primeiros tempos. Depois, eu acharei trabalho. Um operário honesto e que tenha capacidade, logo abre caminhos. Já viste como foi aqui. As horas não me bastam para o trabalho que tenho.

– Eu sei. Mas, quem te aliviará da saudade?

– E a ti, quem te aliviará da saudade daquela casa de que tanto gostas?

– Jesus. Tendo-o, tenho o que lá tive.

– E eu, tendo Jesus, tenho a pĂĄtria a qual tenho esperado atĂ© a poucos meses. Tenho o meu Deus. EstĂĄs vendo como nĂŁo vou perder nada do que me Ă© mais querido sobre todas as coisas. Basta que salvemos a Jesus, que tudo ficarĂĄ conosco. Mesmo que nĂŁo tivĂ©ssemos mais de ver este cĂ©u, estes campos, nem aqueles ainda mais queridos da GalilĂ©ia, terĂ­amos sempre tudo, porque o temos.

35.6 Vem, Maria, que o amanhecer está chegando. É hora de irmos saudar a nossa hospedeira e pegar as nossas coisas. Tudo irá bem.

Maria se levanta, obediente. Envolve-se no manto, enquanto JosĂ© estĂĄ fazendo um Ășltimo embrulho, e depois sai, transportando-o.

Maria soergue delicadamente o Menino, e o envolve com um xale, apertando-o contra o coração. Olha para as paredes que a hospedaram durante alguns meses, e, com uma mão, toca nelas de leve. Feliz casa, que mereceu ser amada e abençoada por Maria!

Ela sai. Atravessa o pequeno quarto, que era de JosĂ©, e entra no salĂŁo. A dona da casa, em lĂĄgrimas, a beija e saĂșda, e, levantando uma das extremidades do xale, beija na fronte o Menino, que estĂĄ dormindo tranqĂŒilo. Descem pela escadinha externa.

Vem chegando uma primeira claridade da aurora, quando se começa a ver alguma coisa. Naquela pouca luz, pode-se ver trĂȘs burrinhos. O mais robusto estĂĄ carregado com as alfaias. Os outros, estĂŁo selados. JosĂ© faz força para acomodar bem o baĂș e os embru­lhos sobre a albarda do primeiro. Vejo as suas ferramentas de carpinteiro, amarradas em pacotes, dentro do saco.

Ainda hå saudaçÔes e lågrimas. Depois Maria monta no seu bur­rinho, enquanto a dona da casa segura Jesus no colo, e o beija ainda, devolvendo-O depois a Maria. José monta também, tendo antes amar­rado o seu jumento ao outro jumento, que vai com a bagagem, a fim de ficar com a mão livre para segurar o burrinho de Maria, pelo cabresto.

A fuga tem início, enquanto Belém, que sonha ainda com a fantåstica cena dos Magos, dorme quieta, sem saber o que a espera.

E a visĂŁo cessa assim.

Anotação

Mateus 2, 13-23 : Depois de terem partido, o anjo do Senhor apareceu a José num sonho e disse-lhe: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e foge para o Egito. Fica lå até eu te dizer, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. Nessa noite, José levantou-se, pegou no menino e na sua mãe e fugiu para o Egito, onde ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse a palavra do Senhor dita pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho.

Quando Herodes viu que os såbios tinham troçado dele, ficou furioso. Mandou matar todas as crianças até aos dois anos de idade em Belém e em toda a região, de acordo com a data que lhe fora indicada pelos magos. Cumpriram-se então as palavras do profeta Jeremias: "Hå um clamor em Ramå, choro e dor: é Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque eles jå não existem.

Depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e vai para a terra de Israel, porque os que procuravam tirar a vida ao menino morreram. José levantou-se, tomou o menino e a sua mãe e foi para a terra de Israel. Mas quando soube que Arqueu estava a governar na Judeia em vez de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lå. Avisado em sonho, retirou-se para a região da Galileia e foi viver para uma cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse a palavra dos profetas: Ele serå chamado nazareno.

Palavras-chave

EMF 35.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Basta que salvemos a Jesus, que tudo ficarĂĄ conosco.

Detalhe

José disse esta frase no contexto da fuga para o Egito, mas também pode ser interpretada como: "Basta-nos viver com Jesus no coração e tudo nos serå deixado".

Palavras-chave

EMF 35.7-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– TambĂ©m as visĂ”es desta sĂ©rie terminam assim. Em boa paz com os doutores difĂ­ceis, viemos te mostrando as cenas que precederam, que acompanharam e que se seguiram Ă  minha Vinda, nĂŁo pelas cenas em si mesmas, pois sĂŁo muito conhecidas, por mais que tenham sido alteradas, por elementos sobrepostos atravĂ©s dos sĂ©culos, sempre por causa daquele modo de ver humano que, para dar maior louvor a Deus, e por isso Ă© perdoado, torna irreal o que Ă© tĂŁo belo, se for deixado como Ă©. Porque a minha Humanidade e a de Maria nĂŁo ficam por isso diminuĂ­das, assim como nĂŁo fica ofendida a minha Divindade e a Majestade do Pai e o Amor da SantĂ­ssima Trindade, por uma visĂŁo das coisas em sua realidade, mas, ao contrĂĄrio, esplendem os mĂ©ritos de minha mĂŁe e a minha humildade perfeita. Assim como daĂ­ Ă© que fulgura a bondade onipotente do eterno Senhor. Mostramos estas cenas para poder aplicar a ti e aos outros o sentido sobrenatural, que surge daĂ­, dando-vos como norma de vida.

O DecĂĄlogo Ă© a Lei. O meu Evangelho Ă© a doutrina que vos torna mais clara essa Lei e mais desejĂĄvel para ser seguida. Bastariam esta Lei e esta Doutrina para fazer os homens santos.

Mas vĂłs estais tĂŁo embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vĂłs ela ultrapassa demais ao espĂ­rito) que nĂŁo podeis seguir por estas vias, sem cair; ou entĂŁo, parar, desencorajados. Dizeis a vĂłs e a quem queria fazer que vos adiantĂĄsseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: “Jesus, Maria, JosĂ© (e assim por diante todos os santos) nĂŁo eram como nĂłs. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, atĂ© nas pequenas dores que sentiram! Eles nĂŁo sentiam paixĂ”es. Eram jĂĄ seres fora da terra.”

Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixÔes!

35.8 A dor foi para nĂłs a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.

As paixĂ”es
 NĂŁo useis erradamente um vocĂĄbulo, chamando de “paixĂ”es” os vĂ­cios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de “vĂ­cios” e, alĂ©m disso, capitais. Quanto aos vĂ­cios, nĂŁo Ă© que os ignorĂĄssemos. NĂłs tĂ­nhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e SatanĂĄs fazia dançar esses vĂ­cios Ă  nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundĂ­cie, ou tentando-nos com as suas insinuaçÔes. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradĂĄveis a Deus, fazia com que aquela imundĂ­cie e aquelas insinuaçÔes, em vez de satisfazerem o objetivo de SatanĂĄs, provocasse o contrĂĄrio. Quanto mais ele trabalhava, mais nĂłs nos refugiĂĄvamos na luz de Deus, por repugnĂąncia das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.

Nós não ignoramos as paixÔes, no sentido filosófico. Nós amamos a påtria, com a nossa pequena Nazaré, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. Nós sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que não haveríamos de sentir? Não nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a não ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.

Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂ­vel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă  vontade de Deus.

35.9 E Eu nĂŁo poupei palavras, quando foi preciso, mesmo quando

elas atraĂ­am o Ăłdio dos hebreus e a antipatia de Judas sobre Mim. Eu sabia (e teria podido fazĂȘ-lo) que teria bastado dinheiro para subjugĂĄ-lo a Mim. NĂŁo a Mim como Redentor, mas a Mim riqueza. Eu que multipliquei os pĂŁes, podia multiplicar tambĂ©m o dinhei­ro, se quisesse. Mas Eu nĂŁo tinha vindo procurar satisfaçÔes humanas. De ninguĂ©m. Muito menos, dos que foram chamados por Mim. Eu havia pregado a necessidade do sacrifĂ­cio, do desapego, de uma vida casta, de posiçÔes humildes. Que Mestre e que Justo teria sido, se tivesse dado dinheiro para alimentar o sensualismo mental e fĂ­sico de alguĂ©m, como Ășnico meio para segurĂĄ-lo?

No meu Reino, os grandes se tornam assim, fazendo-se “pequenos.” Quem quer ser “grande” aos olhos do mundo, nĂŁo estĂĄ preparado para reinar no meu Reino. Esse Ă© palha para a cama dos demĂŽnios. Porque a grandeza do mundo estĂĄ em contraste com a Lei de Deus.

O mundo chama “grandes” os que, com meios quase sempre ilĂ­citos, sabem ocupar as melhores posiçÔes e, para conseguirem isso, fazem do prĂłximo um degrau, sobre o qual sobem, pisando nele. Chama “grandes” aqueles que sabem matar para reinar, matar moral ou materialmente e, pela extorsĂŁo, conseguem posiçÔes e lugares, e enriquecem, sugando o sangue dos outros em suas riquezas particulares ou coletivas. O mundo muitas vezes chama os delinqĂŒentes de “grandes.” NĂŁo. A “grandeza” nĂŁo estĂĄ na delinquĂȘncia. EstĂĄ na bondade, na honestidade, no amor, na justiça. Vede os vossos “grandes”, que frutos envenenados vos oferecem, colhidos no seu malvado e demonĂ­aco pomar interior!

35.10 A Ășltima visĂŁo, pois eu quero falar dela e deixar de falar de outros assuntos que sĂŁo tĂŁo inĂșteis, e o mundo nĂŁo quer ouvir a verdade que lhe interessa, Ă© uma visĂŁo que ilumina um ponto particular, citado duas vezes no Evangelho de Mateus, numa frase repetida duas vezes: “Levanta, pega o Menino e sua mĂŁe, e foge para o Egito.” “Levanta, pega o Menino e a mĂŁe Dele, e volta para a terra de Israel.” E, como viste, Maria estava sozinha com o Menino no quarto.

A virgindade de Maria após o parto e a castidade de José são muito combatidas, por aqueles que, por serem lama podre, não admitem que alguém possa ser asa e luz. São infelizes, com coração tão corrompido, com mente que se prostituiu tanto à carne, que se tornaram incapazes de pensar que alguém como eles possa respeitar a mulher, ver nela a alma e não a carne, elevando-se a si mesmos, vivendo em uma atmosfera sobrenatural, apetecendo-se de Deus, e não da carne.

Pois bem. Aos negadores do belo, a estes vermes, incapazes de se tornarem borboletas, a estes rĂ©pteis cobertos pela baba de sua libidinagem, incapazes de compreender a beleza de um lĂ­rio, a estes Eu digo que Maria foi e permaneceu virgem, e que sĂł sua alma foi casada com JosĂ©, como o seu espĂ­rito se uniu unicamente ao EspĂ­rito de Deus e, por obra Dele, ela concebeu o seu Único Filho: Eu, Jesus Cristo, UnigĂȘnito de Deus e de Maria.

Isto não é uma tradição que floresceu mais tarde, por um amoroso respeito para com a Bem-Aventurada, que foi minha mãe. Mas é uma verdade que, desde os primeiros tempos, foi conhecida.

Mateus não nasceu séculos depois. Ele foi contemporùneo de Maria. Mateus não era um pobre ignorante, que tivesse vivido nas selvas, com facilidade de acreditar em qualquer história. Era um fiscal da receita, como diríeis hoje, ou um cobrador de gabelas, como naquele tempo dizíamos. Ele sabia ver, ouvir, compreender, separar o verdadeiro do falso. Mateus não ouviu as coisas por meio de terceiros. Mas ele as recolheu dos låbios de Maria, à qual o seu amor pelo Mestre e pela verdade o havia levado a fazer perguntas.

NĂŁo posso chegar a pensar que esses negadores da inviolabilidade de Maria pensem que ela tenha podido mentir. Os meus prĂłprios parentes a teriam podido desmentir, se ela tivesse tido outros filhos, pois Tiago, Judas, SimĂŁo e JosĂ© eram condiscĂ­pulos de Mateus. Por isso seria fĂĄcil confrontar as versĂ”es, se outras houvessem. Mateus nunca diz: “Levanta e pega tua mulher”; ele diz: “Pega a mĂŁe Dele.” Antes diz: “Virgem desposada a JosĂ©â€, “JosĂ©, seu esposo”.

35.11 NĂŁo me venham dizer que isso era um modo de falar dos hebreus, como se dizer a palavra “mulher” jĂĄ fosse uma infĂąmia. NĂŁo, negadores da Pureza. Desde as primeiras palavras do Livro, se lĂȘ: “
 e se unirĂĄ Ă  sua mulher”. Ela Ă© chamada “companheira”, atĂ© o momento da consumação sexual do casamento; mas depois Ă© chamada “mulher”, em diversas passagens e em diversos capĂ­tulos. E assim acontece com as esposas dos filhos de AdĂŁo. É assim que Sara Ă© chamada “mulher” de AbraĂŁo: “Sara, tua mulher”; e: “Toma tua mulher e as tuas duas filhas” foi dito a LĂł. E no livro de Rute estĂĄ escrito: “A moabita, mulher de Maalon.” E no primeiro livro dos Reis estĂĄ dito: “Elcana teve duas mulheres”; e, ainda mais: “depois, Elcana conheceu sua mulher Ana”; e ainda: “Eli abençoou Elcana e a mulher dele.” E sempre no livro dos Reis foi dito: “Bate-Seba, mulher de Urias, o heteu, tornou-se mulher de Davi, e lhe deu um filho.” O que se lĂȘ no livro azul de Tobias, aquilo que a Igreja canta para vĂłs nas vossas nĂșpcias, para aconselhar-vos a serem santos no matrimĂŽnio? LĂȘ-se: “Ora, quando Tobias chegou, com a mulher e com o filho
”; e ainda: “Tobias conseguiu fugir com o filho e com a sua mulher.”

Nos Evangelhos, isto Ă©, nos tempos de Cristo, nos quais se escrevia relativamente Ă queles tempos antigos em linguagem moderna, nĂŁo havendo, portanto necessidade de se pensar em erros de transcriçÔes, foi dito pelo prĂłprio Mateus no cap. 22: “
 o primeiro, tendo-a tomado por mulher, morreu e deixou a mulher ao irmĂŁo.” Marcos, no cap. 10: “Quem repudia a mulher
” Lucas chama Isabel de mulher­ de Zacarias, quatro vezes em seguida, e no oitavo capĂ­tulo diz: “Joana, mulher de Cusa.”

Como estais vendo, nĂŁo era este nome um vocĂĄbulo proscrito para quem estava nos caminhos do Senhor, um vocĂĄbulo imundo que nĂŁo era digno de ser proferido e, muito menos, escrito onde se trata de Deus e das suas admirĂĄveis obras. O anjo, dizendo: “o Menino e a mĂŁe Dele”, vos demonstra que Maria foi mĂŁe verdadeira, mas nĂŁo foi mulher de JosĂ©. Ela permaneceu sempre: a virgem desposada a JosĂ©.

Este Ă© o Ășltimo ensinamento destas visĂ”es. É uma aurĂ©ola que resplende sobre a cabeça de Maria e de JosĂ©. A virgem imaculada. O homem justo e casto. Os dois lĂ­rios entre os quais eu cresci, ouvindo sĂł fragrĂąncias de pureza.

35.12 A ti, pequeno JoĂŁo, eu poderia falar sobre a dor de Maria por seu duplo afastamento de sua casa e de sua pĂĄtria. Mas nĂŁo hĂĄ necessidade de palavras. Compreendo que seja isso, e disso desfaleces. DĂĄ-me a tua dor. SĂł quero isto. É mais do que qualquer outra coisa que me possas dar. Hoje Ă© sexta-feira, Maria. Pensa na minha dor e na de Maria sobre o GĂłlgota, para que possas suportar a tua cruz.

A paz e o nosso amor fiquem contigo.

Palavras-chave

EMF 35.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(..) VĂłs estais tĂŁo embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vĂłs ela ultrapassa demais ao espĂ­rito) que nĂŁo podeis seguir por estas vias, sem cair; ou entĂŁo, parar, desencorajados. Dizeis a vĂłs e a quem queria fazer que vos adiantĂĄsseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: “Jesus, Maria, JosĂ© (e assim por diante todos os santos) nĂŁo eram como nĂłs. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, atĂ© nas pequenas dores que sentiram! Eles nĂŁo sentiam paixĂ”es. Eram jĂĄ seres fora da terra.”

Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixÔes!

35.8 A dor foi para nĂłs a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.

As paixĂ”es
 NĂŁo useis erradamente um vocĂĄbulo, chamando de “paixĂ”es” os vĂ­cios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de “vĂ­cios” e, alĂ©m disso, capitais. Quanto aos vĂ­cios, nĂŁo Ă© que os ignorĂĄssemos. NĂłs tĂ­nhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e SatanĂĄs fazia dançar esses vĂ­cios Ă  nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundĂ­cie, ou tentando-nos com as suas insinuaçÔes. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradĂĄveis a Deus, fazia com que aquela imundĂ­cie e aquelas insinuaçÔes, em vez de satisfazerem o objetivo de SatanĂĄs, provocasse o contrĂĄrio. Quanto mais ele trabalhava, mais nĂłs nos refugiĂĄvamos na luz de Deus, por repugnĂąncia das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.

Nós não ignoramos as paixÔes, no sentido filosófico. Nós amamos a påtria, com a nossa pequena Nazaré, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. Nós sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que não haveríamos de sentir? Não nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a não ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.

Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂ­vel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă  vontade de Deus.

Palavras-chave

EMF 35.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂ­vel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă  vontade de Deus.

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