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Palavras-chave principais e transversais 🌟

PĂĄgina 26 de 198

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EMF 36

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria viu uma casa muito pobre no Egito. Viu o Menino Jesus a brincar no chĂŁo, com dois anos, dois anos e meio no mĂĄximo. Maria trabalha no seu tear enquanto observa o Menino. A certa altura, volta a calçar-lhe as sandĂĄlias, dĂĄ-lhe um beijo e afasta-se do tear. Volta, dĂĄ a mĂŁo ao Menino e saem de casa para a rua. Por fim, parou junto a um poço. JosĂ© chegou entretanto e acelerou o passo quando viu a sua mulher e o seu Filho. Ao chegar junto deles, JosĂ© inclina-se para dar um pedaço de fruta ao Menino e hĂĄ um abraço suave e cheio de afeto entre Jesus e o seu suposto pai. JosĂ© levanta-se e toma Jesus no seu braço direito, e os trĂȘs regressam a casa. Maria vĂȘ-os preparar o jantar e comer juntos, com muita simplicidade, depois de terem rezado.

Jesus faz então um ditado, insistindo na humildade, na resignação e na perfeita harmonia da Sagrada Família. José e Maria são os guardiães da Sagrada Família, mas não retiram daí qualquer benefício material. Vivem na pobreza, no exílio, num mundo onde as pessoas desconfiam umas das outras porque são estranhas. No entanto, hå paz, serenidade e harmonia.

Nesta casa, "nĂŁo hĂĄ pessoas nervosas e melindrosas, nem rostos fechados, nem censuras mĂștuas, e muito menos censuras a Deus, que nĂŁo as cumula de bem-estar material". Nesta casa", continua Jesus, "reza-se, Ă©-se frugal, ama-se o trabalho. A humildade reinava na Sagrada FamĂ­lia, e a ordem sobrenatural, moral e material era respeitada. Respeitamos Deus (ordem sobrenatural), respeitamos JosĂ© como pai e chefe de famĂ­lia (ordem moral) e agradecemos a Deus os nossos bens, mesmo que sejam pobres (ordem material).

Jesus termina convidando-nos a meditar sobre esta visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 36.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A pouca distĂąncia dali, Ă  sombra de uma ĂĄrvore, tambĂ©m estĂĄ Maria. EstĂĄ tecendo em um tear rĂșstico, vigiando o Menino. Vejo suas mĂŁos delicadas e brancas, que vĂŁo e vĂȘm, atirando a lançadeira sobre a trama, e o pĂ©, calçado com sandĂĄlia, movendo o pedal. EstĂĄ vestida com uma tĂșnica da cor flor de malva: um roxo meio rosado, como o de certas ametistas. Sua cabeça estĂĄ descoberta e assim posso ver que seus cabelos loiros estĂŁo repartidos ao meio e penteados de modo simples, em duas tranças, que lhe formam uma bela madeixa sobre a nuca. Maria estĂĄ de mangas compridas, e um tanto estreitas. Nenhum enfeite, alĂ©m de sua beleza e da sua doce expressĂŁo. A cor da face, dos cabelos e dos olhos e a forma do rosto Ă© sempre a mesma quando a vejo. Parece muito jovem. Pelo sim, pelo nĂŁo, podem dar-se-lhe uns vinte anos.

A um certo momento, ela se levanta e se inclina sobre o Menino, pÔe-lhe de novo as sandalinhas, e as amarra com todo o cuidado. Depois, o acaricia e o beija sobre a cabecinha e sobre os olhinhos. O Menino balbucia e ela responde, mas não compreendo as palavras. Depois ela volta ao seu tear, estende um pano sobre a tela e sobre a trama, pega o banco sobre o qual estava sentada, e o leva para casa. O Menino a segue com o olhar, sem importunå-la, quando ela o deixa sozinho.

VĂȘ-se que o trabalho terminou, e que a tarde estĂĄ chegando. De fato, o sol desce sobre as areias nuas, e um verdadeiro incĂȘndio invade o cĂ©u inteiro, atrĂĄs da longĂ­nqua pirĂąmide.

Maria volta. Pega Jesus pela mĂŁo, e o faz levantar-se de sua esteira. O Menino obedece sem resistĂȘncia. Enquanto a mamĂŁe recolhe os brinquedos e a esteira, e os leva para casa, Ele corre aos pulinhos com suas perninhas torneadas, ao encontro da cabritinha, lançando-lhe os bracinhos ao pescoço. A cabrita bale, e esfrega o focinho nas costas de Jesus.

Maria volta de novo. Agora estå com um longo véu sobre a cabeça, e com uma ùnfora na mão. Pega Jesus pela mãozinha, e pÔem-se os dois a caminho, andando ao redor da casa, para chegarem do outro lado.

Eu os acompanho, admirando a graça deste quadro. Maria, que regula o seu passo pelo do Menino, e o Menino que vai dando pulinhos ao seu lado. Vejo os calcanhares rosados dele, que se levantam e se pĂ”em outra vez no chĂŁo, sobre a areia da vereda, com a graça prĂłpria das crianças. Noto que a pequena tĂșnica nĂŁo lhe chega atĂ© os pĂ©s, mas sĂł atĂ© a metade da barriga da perna. A tĂșnica Ă© muito bonita, muito simples, ajustada Ă  cintura por um cordĂŁozinho tambĂ©m branco.

Vejo que Ă  frente da casa, a sebe Ă© interrompida por uma rĂșstica cancela, que Maria abre para sair para a estrada. É um pequeno caminho, desses que hĂĄ nas periferias de uma cidade, ou lugarejo, no ponto em que este se limita com os campos, que aqui sĂŁo formados pela areia e por uma ou outra casinha, pobre como esta, com algumas pequenas hortas de escassas verduras.

Não vejo ninguém. Maria não olha para o campo e sim para o centro, como se estivesse esperando alguém, depois se dirige para um pequeno tanque ou poço, que estå a uns dez metros, mais ou menos, e sobre o qual algumas palmeiras fazem um círculo de sombra. Vejo que ali também o terreno tem ervas verdes.

Detalhe

A Sagrada Família estå em Matarea. Logo no primeiro parågrafo, Maria faz uma descrição física de Maria.

Palavras-chave

EMF 36.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora vejo, vindo pelo caminho um homem, nĂŁo muito alto, mas

robusto. Reconheço que é José, que vem sorrindo. Estå mais jovem do que quando eu o vi na visão do Paraíso. Parece ter, no måximo, quarenta anos. Estå com os cabelos e a barba crescidos e pretos, a pele bastante bronzeada, os olhos escuros. Um rosto honesto e agradåvel, um rosto que inspira confiança.

Vendo Jesus e Maria, ele apressa o passo. Traz sobre o ombro esquerdo uma espĂ©cie de serra e uma espĂ©cie de plaina, e com a mĂŁo estĂĄ segurando outras ferramentas do seu ofĂ­cio, nĂŁo como as de hoje, mas quase iguais. Parece que estĂĄ voltando de algum trabalho na casa de alguĂ©m. EstĂĄ com uma roupa entre a cor avelĂŁ e o marrom, nĂŁo muito comprida, que chega a uma boa altura acima do tornozelo, e tem as mangas curtas atĂ© o cotovelo. À cintura, tem uma cinta de couro, me parece. Uma verdadeira roupa de traba­lho­. Nos pĂ©s leva sandĂĄlias atadas ao tornozelo.

Maria sorri, e o Menino solta gritinhos de alegria e estende o bracinho que estĂĄ livre. Quando os trĂȘs se encontram, JosĂ© se inclina, oferecendo ao Menino uma fruta, que me parece ser uma maçã, pela cor e pela forma. Depois lhe estende os braços, e o Menino deixa a mamĂŁe, e vai-se aninhar nos braços de JosĂ©, curvando a cabecinha na cavidade do pescoço de JosĂ© que o beija e por ele Ă© beijado. SĂŁo gestos cheios de graça e de afeto.

Eu ia me esquecendo de dizer que Maria foi solícita em ir apanhar as ferramentas de trabalho de José, a fim de deixå-lo com os braços livres para poder abraçar o Menino.

Depois, José, que tinha se abaixado para poder ficar à altura de Jesus, se levanta, pega novamente com a mão esquerda as suas ferramentas e, com o braço direito, segura apertado contra o seu peito o pequeno Jesus. E se dirige para a casa, enquanto Maria vai à fonte encher a sua ùnfora.

Tendo entrado no recinto da casa, José pÔe o Menino no chão, pega o tear de Maria e o leva para casa, depois vai tirar o leite da cabrita. Jesus observa atentamente essas operaçÔes e a do fechamento da cabrita num pequeno cubículo, que estå ao lado da casa.

A tarde cai. Vejo o vermelho do pĂŽr-do-sol ir-se tornando violĂĄceo sobre as areias que, por causa do calor, parecem tremular. A pirĂąmide parece mais escura.

JosĂ© entra em casa, em um dos cĂŽmodos da casa que deve ser oficina, cozinha e sala de jantar, ao mesmo tempo. VĂȘ-se que o outro cĂŽmodo Ă© o quarto de dormir. Mas nele eu nĂŁo entro. AĂ­ hĂĄ uma lareira baixa, que estĂĄ acesa. HĂĄ tambĂ©m um banco de carpinteiro, uma pequena mesa, bancos, prateleiras com umas poucas louças e duas candeias. Em um canto estĂĄ o tear de Maria. E muita ordem e limpeza. Morada muito pobre mas muito limpa.

Eis uma observação que pude fazer: em todas as visÔes referentes à vida humana de Jesus, notei que, tanto Ele, como Maria, como José, como João, estão sempre ordenados e limpos em suas roupas e na cabeça. Roupas modestas e penteados simples, mas de uma limpeza que os faz parecerem pessoas de grande distinção.

36.5 Maria volta com a Ăąnfora e, em seguida, fecha a porta, pois o crepĂșsculo chegou de repente. O quarto Ă© iluminado por uma candeia que JosĂ© acendeu e pĂŽs sobre o seu banco, onde ele estĂĄ trabalhando debruçado sobre umas pequenas peças de madeira, enquanto Maria prepara o jantar. O fogo tambĂ©m estĂĄ clareando o quarto. Jesus, com as mĂŁozinhas apoiadas sobre o banco, e a cabecinha virada para cima, estĂĄ observando o que JosĂ© faz.

Depois eles se aproximam da mesa, tendo rezado antes. NĂŁo fazem, Ă© natural, o sinal da cruz, mas rezam. É JosĂ© que reza, e Maria responde. Mas eu nĂŁo entendo nada. Deve ser um salmo. Mas foi dito em uma lĂ­ngua que para mim Ă© totalmente desconhecida.

AĂ­ Ă© que se sentam Ă  mesa. Agora a candeia estĂĄ sobre a mesa. Maria estĂĄ com Jesus em seu colo, e o faz beber do leite da cabrita, no qual ela vai molhando pequenas fatias de pĂŁo, tiradas de um pĂŁozi­nho­ redondo, de crosta escura, e escuro tambĂ©m por dentro. Parece pĂŁo feito com centeio ou cevada. Deve ter muito farelo, porque estĂĄ cinzento. Enquanto isso, JosĂ© estĂĄ comendo pĂŁo e queijo, uma fatiazinha de queijo e muito pĂŁo. Depois Maria coloca Jesus sentado sobre um banquinho perto dela, e pĂ”e sobre a mesa verduras cozidas — parecem cozidas na ĂĄgua e temperadas como costumamos fazer — e come ela tambĂ©m, depois de JosĂ© ter-se servido. Jesus, tranqĂŒilo, estĂĄ mordiscando sua maçã, e sorri, mostrando os dentinhos brancos. O jantar termina com umas azeitonas ou com tĂąmaras. NĂŁo entendo bem, porque para serem azeitonas, estĂŁo claras demais; e, para serem tĂąmaras estĂŁo por demais duras. De vinho, nada. É um jantar de gente pobre.

Mas Ă© tĂŁo grande a paz que se respira neste quarto, que nem a visĂŁo de um palĂĄcio real, por mais pomposo que fosse, me poderia dar uma paz semelhante. Quanta harmonia!

36.6 Jesus nesta noite nĂŁo fala. NĂŁo veio me ilustrar a cena. Ele me ensina com o seu dom da visĂŁo, e basta. Por isso seja Ele sempre e igualmente bendito.

Detalhe

Descrição física de José no início do MVC 36.4

Palavras-chave

EMF 36.7-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

36.7 Jesus diz:

– A lição para ti e para os outros Ă© dada pelas coisas que estĂĄs vendo. É lição de humildade, de resignação e de boa harmonia. Posta como exemplo a todas as famĂ­lias cristĂŁs, e especialmente Ă s famĂ­lias cristĂŁs deste especial e doloroso momento.

36.8 Tu viste uma casa pobre. O que Ă© mais doloroso, uma casa pobre em paĂ­s estrangeiro.

Muitos, sĂł porque sĂŁo dos fiĂ©is “passĂĄveis”, que rezam e Me recebem na Eucaristia, rezam e comungam pelas “suas” necessidades, nĂŁo pelas necessidades das almas e pela glĂłria de Deus, porque Ă© raro alguĂ©m rezar sem ser egoĂ­sta, muitos pretenderiam ter uma vida material fĂĄcil, bem protegida de qualquer menor sofrimento, prĂłspera e feliz.

JosĂ© e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, nĂŁo tiveram nem o pobre bem de serem pobres na prĂłpria pĂĄtria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a “prĂłpria” casinha, e um alojamento nĂŁo era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fĂĄcil encontrar trabalho e prover-se do necessĂĄrio para a vida. Eles sĂŁo dois fugitivos, e justamente porque Me tĂȘm consigo. O clima Ă© diferente, o lugar Ă© diferente, tĂŁo triste em comparação com os doces campos da GalilĂ©ia, lĂ­ngua e costumes diferentes, em meio a uma população que nĂŁo os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.

Privados daqueles mĂłveis cĂŽmodos e estimados da “sua” casinha, de tantas coisas humildes mas necessĂĄrias que lĂĄ havia, e que nĂŁo pareciam tĂŁo necessĂĄrias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tĂŁo belas, como aquelas coisas supĂ©rfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lĂĄ deixadas, do pomar, do qual talvez ninguĂ©m esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas ĂĄrvores Ășteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, Ă s roupas, ao fogo, dia apĂłs dia, Ă s Minhas necessidades de criança, Ă  qual nĂŁo se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhĂŁ, que ainda Ă© desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.

Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura tornå-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortåvel. Nesta casa só hå um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miseråvel para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.

Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos Céus, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terra­!

Naquela casa não houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovaçÔes recíprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que não os cumulou com o bem-estar material. José não censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura José por ele não saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação não é com o próprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor não conhece egoísmo. O verdadeiro amor é sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida à caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeiçÔes de cÎnjuges.

O amor de minha mĂŁe e de JosĂ© era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, nĂŁo obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espĂ­rito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espĂ­rito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tĂȘ-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.

36.9 Naquela casa se rezava. Agora reza-se pouco nas casas. Nasce o dia e chega a noite, começam-se os trabalhos, e sentai-vos Ă  mesa sem um pensamento dirigido ao Senhor, que vos permitiu ver um novo dia, podendo chegar a uma nova noite, que abençoou as vossas fadigas, concedendo que essa fadigas se tornassem o meio de conquistar aquele alimento que o fogo cozinhou, as vestes que vestis, aquele teto, todo o necessĂĄrio Ă  vossa natureza humana. Sempre Ă© “bom” o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dĂĄ sabor e substĂąncia, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.

Naquela casa hå frugalidade. Haveria, mesmo que o dinheiro não faltasse. Eles se nutrem para viver, e não para agradar à gula, com a voracidade dos insaciåveis, com os caprichos dos gulosos, que se vão enchendo até não poderem mais, e esbanjam seus haveres em alimentos caros, sem um pensamento aquem tem pouco ou é privado de alimento, sem refletirem que, se tivessem moderação, muitos poderiam ser aliviados do tormento da fome.

Naquela casa se ama o trabalho. Ele seria amado, mesmo se o dinheiro fosse abundante, porque no trabalho o homem obedece ao mandamento de Deus e se livra do vĂ­cio que, como hera firme, aperta e sufoca os ociosos, como blocos imĂłveis de pedra. Bom Ă© o alimento, sereno Ă© o repouso, contente estĂĄ o coração, quando se traba­lhou bem e se goza o tempo de pausa entre um trabalho e outro. Aquele vĂ­cio que tem mĂșltiplas faces, nĂŁo se arraiga na casa e na mente de quem ama o trabalho. NĂŁo se arraigando, entĂŁo aĂ­ prospera o afeto, a estima, o respeito recĂ­proco, e os pequenos pimpolhos crescem numa atmosfera pura, e dĂŁo origem a futuras famĂ­lias santas.

Naquela casa reina a humildade. Esta é uma lição de humildade para vós, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razÔes para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cÎnjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria é Esposa e mãe de Deus, e, no entanto, serve o seu cÎnjuge, não se fazendo servir por ele, é toda amor para com ele. José é o chefe de casa, julgado por Deus tão digno de ser um chefe de família, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno Espírito. Contudo, é sempre solícito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo até os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria não se canse. Mas não só, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cÎmoda, e a pequena horta com flores viçosas.

Naquela casa a ordem Ă© respeitada. Sobrenatural, moral e material. Deus Ă© o Chefe supremo e a Ele Ă© prestado culto e amor: ordem sobrenatural. JosĂ© Ă© o chefe da famĂ­lia e a ele Ă© dado afeto, respeito e obediĂȘncia: ordem moral. A casa Ă© um dom de Deus, como as vestes e os mĂłveis. Em todas as coisas Ă© a ProvidĂȘncia de Deus que se mostra, daquele Deus que provĂȘ a lĂŁ Ă s ovelhas, as penas aos pĂĄssaros, as ervas aos prados, o feno aos animais, as sementes e as ĂĄrvores frondosas Ă s aves, tecendo a veste para o lĂ­rio do vale. A casa, as vestes, os mĂłveis sĂŁo recebidos com gratidĂŁo, bendizendo a mĂŁo divina, tratando-os com respeito como dons do Senhor, sem olhar com descontentamento porque sĂŁo pobres, sem estragar os dons, abusando da ProvidĂȘncia: ordem material.

36.10 Não entendeste as palavras trocadas no dialeto de Nazaré, nem as palavras de oração. Mas as coisas vistas deram uma grande lição. Meditai-as, ó vós todos, que agora tanto estais sofrendo por terdes falhado para com Deus, também aquelas coisas em que não falharam nunca os santos Esposos, que foram mãe e pai para Mim.

E tu, deleita-te com a recordação do pequeno Jesus, sorri, pensando em seus passinhos de criança. Dentro em pouco, o verås, cami­nhan­do debaixo de uma cruz. E serå uma visão de pranto.

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Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂ­lia no Egito.

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EMF 36.8

O Evangelho como me foi revelado

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JosĂ© e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, nĂŁo tiveram nem o pobre bem de serem pobres na prĂłpria pĂĄtria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a “prĂłpria” casinha, e um alojamento nĂŁo era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fĂĄcil encontrar trabalho e prover-se do necessĂĄrio para a vida. Eles sĂŁo dois fugitivos, e justamente porque Me tĂȘm consigo. O clima Ă© diferente, o lugar Ă© diferente, tĂŁo triste em comparação com os doces campos da GalilĂ©ia, lĂ­ngua e costumes diferentes, em meio a uma população que nĂŁo os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.

Privados daqueles mĂłveis cĂŽmodos e estimados da “sua” casinha, de tantas coisas humildes mas necessĂĄrias que lĂĄ havia, e que nĂŁo pareciam tĂŁo necessĂĄrias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tĂŁo belas, como aquelas coisas supĂ©rfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lĂĄ deixadas, do pomar, do qual talvez ninguĂ©m esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas ĂĄrvores Ășteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, Ă s roupas, ao fogo, dia apĂłs dia, Ă s Minhas necessidades de criança, Ă  qual nĂŁo se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhĂŁ, que ainda Ă© desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.

Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura tornå-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortåvel. Nesta casa só hå um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miseråvel para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.

Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos Céus, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terra­!

Naquela casa não houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovaçÔes recíprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que não os cumulou com o bem-estar material. José não censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura José por ele não saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação não é com o próprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor não conhece egoísmo. O verdadeiro amor é sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida à caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeiçÔes de cÎnjuges.

O amor de minha mĂŁe e de JosĂ© era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, nĂŁo obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espĂ­rito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espĂ­rito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tĂȘ-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.

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Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂ­lia no Egito.

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O Evangelho como me foi revelado

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Sempre Ă© “bom” o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dĂĄ sabor e substĂąncia, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.

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EMF 36.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Bom Ă© o alimento, sereno Ă© o repouso, contente estĂĄ o coração, quando se traba­lhou bem e se goza o tempo de pausa entre um trabalho e outro. Aquele vĂ­cio que tem mĂșltiplas faces, nĂŁo se arraiga na casa e na mente de quem ama o trabalho. NĂŁo se arraigando, entĂŁo aĂ­ prospera o afeto, a estima, o respeito recĂ­proco, e os pequenos pimpolhos crescem numa atmosfera pura, e dĂŁo origem a futuras famĂ­lias santas.

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O Evangelho como me foi revelado

Citação

Naquela casa reina a humildade. Esta é uma lição de humildade para vós, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razÔes para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cÎnjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria é Esposa e mãe de Deus, e, no entanto, serve o seu cÎnjuge, não se fazendo servir por ele, é toda amor para com ele. José é o chefe de casa, julgado por Deus tão digno de ser um chefe de família, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno Espírito. Contudo, é sempre solícito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo até os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria não se canse. Mas não só, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cÎmoda, e a pequena horta com flores viçosas.

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Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂ­lia no Egito.

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