Jesus diz:
â E agora? Que vos direi, Ăł almas, que percebeis que a fĂ© estĂĄ morÂrendo? Aqueles sĂĄbios do Oriente nada tinham que lhes desse a certeza da verdade. Nada tinham de sobrenatural. Tinham apenas os cĂĄlculos astronĂŽmicos e as suas reflexĂ”es, que a vida Ăntegra, que eles levaram, tornava perfeitas. Contudo, tiveram fĂ©. FĂ© em tudo: fĂ© na ciĂȘncia, fĂ© na consciĂȘncia, fĂ© na bondade divina.
Pela ciĂȘncia, acreditaram no sinal da nova estrela, que nĂŁo podia deixar de ser âaquelaâ, que era esperada, havia sĂ©culos, pela humanidade: o Messias. Pela consciĂȘncia, tiveram fĂ© na voz da mesma que, recebendo âvozesâ celestes, lhes dizia: âĂ aquela estrela que assinala a chegada do Messias.â Pela bondade, tiveram fĂ© que Deus nĂŁo os teria enganado e, visto que a sua intenção era reta, Ele os teria ajudado, de todos os modos, a chegar atĂ© Ă meta desejada.
E eles tiveram ĂȘxito. SĂł eles, entre tantos estudiosos de sinais, compreenderam aquele sinal, porque sĂł eles tinham na alma a Ăąnsia de conhecer as palavras de Deus com um fim reto, que consistia antes de tudo em dar imediata honra e louvor a Deus.
34.11 Não procuravam sua própria utilidade. Ao contrårio, eles vão de encontro a fadigas e despesas, e não pedem nenhuma compensação humana. Pedem somente que o seu Deus se lembre deles e os salve para a eternidade.
Assim como nĂŁo tĂȘm nenhum pensamento de futura compensação humana, nĂŁo tĂȘm, quando decidem a viagem, nenhuma preocupação humana. Se fĂŽsseis vĂłs, terĂeis pensado em mil dificuldades: âComo poderei fazer uma viagem tĂŁo grande, atravĂ©s de paĂses e povos de lĂnguas tĂŁo diferentes? SerĂĄ que vĂŁo acreditar em mim, ou irĂŁo prender-me como espiĂŁo? Que ajuda me darĂŁo, quando tiver que atravessar desertos, rios e montanhas? E o calor? E os ventos dos planaltos? E as febres dos pantanais? E as cheias das ĂĄguas fluviais? E as comidas diferentes? E a linguagem diferente? E⊠e⊠eâŠâ. Assim Ă© que raciocinais. Eles nĂŁo raciocinam assim. Mas dizem, com uma sincera e santa ousadia: âTu, Ăł Deus, lĂȘs os nossos coraçÔes, e vĂȘs qual o fim que perseguimos. Em tuas mĂŁos nos entregamos. Concede-nos a alegria sobre humana de adorar a tua Segunda Pessoa, que se fez Carne para a salvação do mundoâ.
Basta. Eles se pĂ”em a caminho, partindo das lonÂgĂnÂquaÂs ĂnÂdias. (Jesus me diz depois que por Ăndias querem dizer Ăsia meridional, onde agora estĂĄ a Turquia, o AfeganistĂŁo e a PĂ©rsia). Das cadeias de montanhas da MongĂłlia, sobre as quais voam somente ĂĄguias e abutres, onde Deus fala pelo zumbido dos ventos, pelo estrondo das torrentes, escrevendo mistĂ©rio sobre as pĂĄginas imensas das geleiras. Das terras onde nasce o Nilo, que vai deslizando como uma veia verde-azul, ao encontro do coração azul do MediterrĂąneo, nem os picos, nem as selvas, nem os desertos, oceanos secos mais perigosos do que os marinhos, nada disso detĂȘm a marcha deles. A estrela brilha sobre a noite deles, nĂŁo lhes permitindo dormir. Quando se procura a Deus, os hĂĄbitos animais devem ceder Ă s impaciĂȘncias e Ă s necessidades sobre humanas.
A estrela os chama, ora do Norte, ora do Oriente, ora do Sul, e, por um milagre de Deus, vai guiando os trĂȘs para um certo ponto, como por um outro milagre, os reĂșne, depois de tantos milhares de quilĂŽmetros, naquele ponto, e, por um outro milagre ainda, lhes dĂĄ, antecipando a sabedoria pentecostal, o dom de se entenderem e de se fazerem entender, assim como Ă© no ParaĂso, onde se fala uma Ășnica lĂngua: a de Deus.
34.12 Um Ășnico momento de aflição os assalta, e Ă© quando a estrela desaparece, e eles, humildes, porque sĂŁo realmente grandes, nĂŁo pensam que isto tenha acontecido por causa da maldade de outrem, jĂĄ que os corruptos de JerusalĂ©m nĂŁo mereceram ver a estrela de Deus. Mas, o que eles pensam Ă© que eles prĂłprios nĂŁo mereçam a ajuda de Deus, pondo-se a examinarem suas consciĂȘncias com tremor e com uma contrição, pronta a pedir perdĂŁo.
Mas a sua consciĂȘncia os tranqĂŒiliza. Almas acostumadas Ă meditação, eles tĂȘm uma consciĂȘncia muito sensĂvel, aperfeiçoada por uma atenção constante, por uma introspecção aguda, que faz do seu interior um verdadeiro espelho sobre o qual refletem as menores sombras dos acontecimentos diĂĄrios. Eles fizeram da voz que os adverte a prĂłpria mestra, voz que grita, nĂŁo sĂł ao menor erro, mas atĂ© a uma simples possibilidade de erro, o que Ă© humano, como a complacĂȘncia com o seu prĂłprio eu. Por isso, quando eles se pĂ”em diante desta mestra, diante deste espelho tĂŁo severo e tĂŁo nĂtido, sabem que ele nĂŁo lhes mente, mas os encoraja, tomando novo alento.
âOh! Que doce coisa Ă© sentir que nada hĂĄ em nĂłs de contrĂĄrio a Deus! Sentir que Ele olha com complacĂȘncia o Ăąnimo do filho fiel e o abençoa. Deste sentimento provĂ©m o aumento de fĂ© e de confiança, de esperança, fortaleza e paciĂȘncia. Agora Ă© hora de tempestade. Mas ela passarĂĄ, porque Deus me ama e sabe que eu o amo, e nĂŁo deixarĂĄ de ajudar-me ainda.â Assim Ă© que falam os que tĂȘm aquela paz, que provĂ©m de uma consciĂȘncia reta, que Ă© a rainha de todas as suas açÔes.
34.13 Eu disse que eles eram âhumildes, porque verdadeiramente grandes.â Em vossa vida, ao invĂ©s, que Ă© que acontece? Acontece que um, nĂŁo porque seja grande, mas porque Ă© mais prepotente, se faz poderoso por sua prepotĂȘncia, nunca humilde, pela vossa insensata idolatria,. HĂĄ pobres coitados que, sĂł por serem mordomos de alguĂ©m arrogante, ou porteiros de algum gabinete, funcionĂĄrios de alguma repartição, servos afinal, de quem assim os fez, costumam tomar a pose de semideuses. Tem-se pena atĂ© de vĂȘ-los!âŠ
Eles, os trĂȘs sĂĄbios, eram realmente grandes. Em primeiro lugar, por virtude sobrenatural; em segundo lugar, pela ciĂȘncia; e, por Ășltimo, pela riqueza. Mas eles se julgam nada: pĂł sobre o pĂł da terÂra, se comparados com Deus AltĂssimo, que cria os mundos com um sorriso, espalhando-os pelo espaço, como grĂŁos de trigo, para alegrar os olhos dos anjos com os colares de estrelas.
Mas eles se consideram nada, diante de Deus AltĂssimo, que criou o planeta, sobre o qual eles vivem, e como Escultor infinito em sua ilimitada obra fez tudo bem diversificado, colocando, aqui uma sĂ©rie de colinas de suave declive, com a força do seu polegar, acolĂĄ uma ossatura de picos e escarpas, iguais as vĂ©rtebras da terra, neste corpo desmesurado, do qual os rios sĂŁo as veias, os lagos sĂŁo as pelves, os oceanos sĂŁo os coraçÔes, tendo as florestas como vestes, as nuvens como vĂ©us, as geleiras de cristal como decoraçÔes, as turquezas e as esmeraldas como gemas, as opalas e os berilos de todas as ĂĄguas que descem cantando, com as selvas e os ventos, formando o grande coro de louvor ao seu Senhor.
Eles se consideram nada em sua sabedoria, diante do Deus AltĂssimo, do qual vem a sua sabedoria, pois foi Ele quem lhes deu olhos, ainda mais poderosos que suas duas pupilas, pelas quais eles vĂȘem as coisas: os olhos da alma, que sabem ler a palavra nĂŁo escrita por mĂŁo humana nas coisas, onde esta palavra foi gravada pelo pensamento de Deus.
Eles se consideram nada em sua riqueza: um åtomo, diante da riqueza do Dono do universo, que espalha metais e pedras preciosas nos astros e planetas, e abundùncias sobrenaturais, riquezas inesgotåveis, no coração de quem O ama.
34.14 Tendo eles chegado diante de uma pobre casa, na mais insignificante das cidades de JudĂĄ, nĂŁo sacodem a cabeça dizendo: âImpossĂvelâ, mas dobram as costas, os joelhos, e especialmente o coração, e adoram. LĂĄ, atrĂĄs daquela pobre parede, estĂĄ Deus. Aquele Deus que eles sempre invocaram, nĂŁo ousando nunca, nem de longe, esperar que o haveriam de ver. Mas que por eles foi invocado pelo bem de toda a humanidade e pelo bem eterno âdelesâ mesmos. Oh! SĂł isto Ă© o que eles desejavam para si. Poderem vĂȘ-lo, conhecĂȘ-lo, possuĂ-lo naquela vida que nĂŁo tem nem auroras, nem crepĂșsculos!
Ele estĂĄ lĂĄ, atrĂĄs daquela pobre parede. Quem sabe se o seu coração de Menino, que Ă© tambĂ©m o coração de um Deus, nĂŁo ouça estes trĂȘs coraçÔes que, inclinados no pĂł da estrada, bradam: âSanto, Santo, Santo. Bendito o Senhor nosso Deus. GlĂłria a Ele nos CĂ©us altĂssimos, e paz aos seus servos. GlĂłria, glĂłria, glĂłria e bĂȘnçãoâ? Isto eles perguntam, tremendo de amor. Por toda a noite, e na manhĂŁ seguinte preparam com a mais viva oração, o seu espĂrito, para entrarem em comunhĂŁo com o Deus-Menino.
Eles não vão a este altar, que é um seio virginal, que traz em si a Hóstia Divina, como vós ides a eles com a alma cheia de solicitudes humanas. Eles se esquecem do sono e do alimento e se usam suas mais belas vestes, não é para ostentação humana, mas para prestar honra ao Rei dos reis. Nos palåcios dos soberanos, os dignitårios se apresentam com suas mais belas vestes. Então, não deveriam eles ir apresentar-se a este Rei com suas vestes de gala? Que festa maior podia haver para eles do que esta?
Oh! LĂĄ em suas terras longĂnquas, muitas e muitas vezes precisaram se adornar para prestar honras e oferecer seus prĂ©stimos a homens como eles. Era, pois, justo que se humilhassem aos pĂ©s do Rei supremo e lĂĄ depositassem as suas pĂșrpuras e jĂłias, sedas e plumas preciosas. PĂŽr-lhe aos pĂ©s, diante daqueles benditos pezinhos, as fibras da terra, as gemas da terra, as plumas da terra, os metais da terÂra â que sĂŁo ainda obras dele â para que tambĂ©m elas, essas coisas da terra, adorem o seu Criador. Seriam felizes se a Criancinha lhes ordenasse que se estendessem no chĂŁo, como se fossem um tapete vivo, aos seus passinhos de Menino, e os pisasse, Ele que deixou as estrelas por amor deles, que nada mais sĂŁo do que pĂł.
34.15 Humildes e generosos. Obedientes Ă s âvozesâ do Alto. Essas vozes mandam que eles levem presentes ao Rei recĂ©m-nascido. Eles levam presentes. NĂŁo dizem: âEle Ă© rico, e nĂŁo precisa disso. Ele Ă© Deus, e nĂŁo conhecerĂĄ a morteâ. Eles obedecem. SĂŁo os primeiros que acodem Ă pobreza do Salvador. Como chegou em boa hora aquele ouro, para quem amanhĂŁ deveria sair de sua terra como fugitivo! Como foi significativa aquela mirra, para quem, dentro em breve, seria morto. Como foi piedoso aquele incenso, para quem teria que sentir o mau cheiro da luxĂșria humana fervendo ao redor de sua infinita pureza!
Humildes, generosos, obedientes e respeitosos um para com o outro. As virtudes geram outras virtudes. Das virtudes voltadas para Deus, nascem virtudes para o prĂłximo. Respeito que, no fim, Ă© caridade. Combinaram com o mais velho que lhe tocaria falar por todos, recebendo o primeiro beijo do Salvador, segurando-o pela mĂŁozinha. Os outros ainda poderĂŁo vĂȘ-lo outras vezes. Mas ele, nĂŁo. Ele estĂĄ velho, e o dia de sua volta para Deus estĂĄ perto. Ele verĂĄ o Cristo, depois de sua terrĂvel morte, e o acompanharĂĄ junto com os outros que serĂŁo salvos, no dia da volta do Cristo para o CĂ©u. Mas nĂŁo o verĂĄ mais nesta terra. EntĂŁo, para seu viĂĄtico, que lhe fique o calor daquela mĂŁozinha, que se confiou Ă sua mĂŁo enrugada.
NĂŁo hĂĄ nenhuma inveja nos outros. Pelo contrĂĄrio, hĂĄ atĂ© um aumento de veneração para com o mais velho dos sĂĄbios. Mais do que eles, mereceu na certa, e por mais tempo. O Deus-Menino sabe disso. Ainda nĂŁo fala, Ele que Ă© a Palavra do Pai, mas os Seus atos sĂŁo palavras. E seja bendita a sua inocente palavra, que mostra ser o seu predileto este velhoÂ.
34.16 Mas, Ăł filhos, hĂĄ outros dois ensinamentos nesta visĂŁo.
A postura de JosĂ©, que sabe ficar em âseuâ lugar. Ele estĂĄ presente como guarda e tutor da Pureza e da Santidade. Mas nĂŁo Ă© um usurpador dos direitos delas. Ă Maria, com o seu Jesus, que estĂĄ recebendo homenagens e palavras. JosĂ© se alegra por ela, nĂŁo ficando amargurado por ser uma figura secundĂĄria. JosĂ© Ă© um justo: o Justo. Ă justo sempre, tambĂ©m nesta hora. As fumaças da festa nĂŁo lhe sobem Ă cabeça. Ele continua humilde e justo.
Ele se sente feliz pelos presentes. NĂŁo por si mesmo. Mas porque pensa que com eles poderĂĄ fazer a vida de sua esposa e do doce Menino mais cĂŽmoda. NĂŁo existe avidez em JosĂ©. Ele Ă© um trabalhador, e continuarĂĄ a trabalhar. Contanto que âElesâ, os seus dois amores, tenham o necessĂĄrio, e algum conforto. Nem ele nem os magos sabem que aqueles presentes vĂŁo servir durante uma fuga e uma vida no exĂlio, nas quais as substĂąncias desaparecem como uma nuvem impelida pelo vento⊠mas eles vĂŁo servir tambĂ©m para quando voltarem Ă pĂĄtria, depois de terem perdido tudo o que tinham deixado, os clientes, os mĂłveis, salvando-se somente as paredes da casa, protegida por Deus, porque nela Ă© que Ele se uniu Ă virgem e se fez Carne.
JosĂ© Ă© humilde, ele, que Ă© guarda de Deus e da mĂŁe de Deus, esposa do AltĂssimo, chega atĂ© a segurar o estribo para estes vassalos de Deus. JosĂ© Ă© um pobre carpinteiro, porque a prepotĂȘncia humana despojou os herdeiros de Davi de suas propriedades reais. Mas ele Ă© sempre da estirpe de Davi e tem traços de rei. TambĂ©m em relação a ele vale aquele dito: âEra humilde, porque era realmente grande.â
34.17 Ainda um Ășltimo, suave e significativo ensinamento.
à Maria, que segura a mão de Jesus, que ainda não sabe abençoar, e a guia no gesto santo.
Ă sempre Maria que segura a mĂŁo de Jesus e a guia. Ainda hoje Ă© assim. Agora, Jesus sabe abençoar. Mas, Ă s vezes, sua mĂŁo traspassada cai, cansada e sem poder mais confiar, pois Ele sabe que Ă© inĂștil abençoar. Na verdade, vĂłs destruĂs a minha bĂȘnção. Ela cai tambĂ©m indignada porque vĂłs me maldizeis. EntĂŁo, Ă© Maria que tira o desprezo feito a esta mĂŁo, ao beijĂĄ-la. Oh! O beijo de minha mĂŁe! Quem pode resistir a esse beijo? Depois, ela segura o meu pulso, com seus dedos delicados, mas que sĂŁo amorosamente tĂŁo imperiosos e me força a abençoar.
Eu nĂŁo posso repelir a minha mĂŁe. Mas Ă© preciso que vĂłs vades Ă procura dela, para fazĂȘ-la vossa advogada. Ela Ă© minha rainha, antes de ser vossa, e o seu amor por vĂłs tem indulgĂȘncias tais, que nem o meu conhece. Ela, mesmo sem palavras, mas sĂł com as pĂ©rolas do seu pranto e com a lembrança da minha Cruz, cujo sinal ela me faz traçar no ar, defende a vossa causa, e ainda me admoesta: âTu Ă©s o Salvador. Salva!â
34.18 Eis, meus filhos, o âEvangelho da fĂ©â, na aparição da cena dos
Magos. Meditai e imitai. Para o vosso bem.