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Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 206.8-9.14-17 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação


 É incansĂĄvel de fato — enquanto o sol desaparece, deixando como lembrança uma vermelhidĂŁo no cĂ©u, com o primeiro, incerto e solitĂĄrio trilar dos grilos, — Jesus se pĂ”e a caminho pelo meio de um prado, hĂĄ pouco ceifado, e no qual as ervas cortadas, que jĂĄ estĂŁo murchando, formam um tapete de uma fragrĂąncia aguda e suave. Acompanham-no os apĂłstolos, as Marias, Marta e LĂĄzaro com os de sua casa, Isaac com os seus discĂ­pulos, eu diria atĂ© que com toda a BetĂąnia. Entre os seus servos estĂĄ o velhinho com a mulher, aqueles dois que, no Monte das Bem-aventuranças, acharam tambĂ©m um conforto para os seus dias.

Jesus para, a fim de abençoar o patriarca que, chorando, vai beijar-lhe a mão e acaricia o menino, que vai caminhando ao lado de Jesus, e dizendo-lhe:

– Feliz de ti, que o podes acompanhar sempre! É uma grande felicidade! Sobre tua cabeça está suspensa uma coroa
 Oh! Feliz de ti!

Quando todos jå estão em seus lugares, Jesus começa a falar (...).

[Jesus conta a parĂĄbola do rei que celebra o casamento do seu filho.]

Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençÎo, Ăł cidadĂŁos de BetĂąnia, a todos vĂłs. Eu vos abençÎo e vos dou a minha paz. Eu abençÎo em particular a ti, Ăł LĂĄzaro, meu amigo, e a ti, Marta. AbençÎo aos meus discĂ­pulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as nĂșpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizĂȘ-la aqui ao meu lado, de pĂ©, porque assim hĂĄ de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pĂ© somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trĂȘmulo e que reza, com uma voz nĂŁo bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso
”

Ouvem-se alguns soluços
 de homem, de mulher


Margziam estĂĄ ajoelhado justamente ao lado de Maria, que estĂĄ segurando suas mĂŁozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mĂŁe Ă© belo! E como Ă© belo tambĂ©m o pai. Parece estarmos no CĂ©u. SerĂĄ que minha mĂŁe estĂĄ aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? TambĂ©m eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trĂĄs a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bĂȘnção mosaica de sempre.

Depois todos se levantam, indo cada um para a sua própria casa. Só Låzaro é que acompanha ainda Jesus, entrando com Ele na casa de Simão, para estar mais algum tempo com Ele. Entram também todos os outros. Iscariotes se coloca em um canto meio escuro, contrariado. Não tem coragem de ficar perto de Jesus, como fazem os outros


206.15

LĂĄzaro se congratula com Jesus. Ele diz:

– Oh! Sinto muito vĂȘ-lo partir. Mas estou mais contente do que se te tivesse visto partir anteontem!

– Por que, Lázaro?

– Porque me parecias estar muito triste e cansado
 Não falavas nada e pouco sorrias
Ontem e hoje te tornaste o meu santo e doce Mestre e isto me dá muita alegria


– Eu o era, mesmo estando calado


– Tu o eras. Mas Tu Ă©s serenidade e palavra. NĂłs queremos isto de Ti. É nestas fontes que bebemos a nossa força. E agora estas fontes pareciam estar secas. Nossa sede nos estava atormentando. Tu estĂĄs vendo como atĂ© os pagĂŁos ficaram espantados e vieram procurĂĄ-las


Iscariotes, do qual se havia aproximado JoĂŁo de Zebedeu, se atreve a perguntar:

– É isso. JĂĄ tambĂ©m a mim me haviam feito esta pergunta. Porque eu estava junto Ă  fortaleza AntĂŽnia, esperando ver-te.

– Tu sabias onde Eu estava, responde Jesus curtamente.

– Eu sabia. Mas eu pensava que nĂŁo terias decepcionado a quem Te estava esperando. TambĂ©m os romanos ficaram decepcionados. NĂŁo sei por que fizeste assim


– E Ă©s tu que me fazes esta pergunta? NĂŁo estarĂĄs tu a par das intençÔes do SinĂ©drio, dos fariseus e de outros ainda, a meu respeito?

– Por quĂȘ? Terias tido medo?

– Medo não. Náusea.

206.16

No ano passado, quando Eu estava sozinho, um sĂł contra todo mundo, que nem mesmo sabia se Eu era um Profeta, Eu mostrei que nĂŁo tinha medo. E tu foste uma conquista daquela minha coragem. Eu fiz que se ouvisse a minha voz contra todo mundo que urrava contra Mim; fiz ouvir a voz de Deus a um povo que se tinha esquecido dela; purifiquei a Casa de Deus das sujeiras materiais que estavam nela, nĂŁo esperando que pudesse limpĂĄ-la das bem mais graves sujeiras morais que se tinham aninhado nela, porque Eu nĂŁo ignoro o futuro dos homens, mas para cumprir o meu dever, pelo zelo da Casa do Senhor Eterno, transformada em uma praça barulhenta de revendedores, usurĂĄrios e ladrĂ”es e para sacudir do torpor aqueles que muitos sĂ©culos de desleixo sacerdotal tinham feito cair num letargo espiritual. Foi o toque de recolher para o meu povo, a fim de levĂĄ-lo para Deus. Este ano Eu voltei.. E pude ver que o Templo Ă© sempre o mesmo
 E que estĂĄ pior ainda. JĂĄ nĂŁo Ă© mais uma espelunca de ladrĂ”es, mas um lugar de conspiração. Depois se tornarĂĄ sede do delito, depois um lupanar e finalmente, serĂĄ destruĂ­do por uma força maior que a de SansĂŁo, esmagando uma casta indigna de ser chamada santa. É inĂștil falar naquele lugar, no qual, eu peço que te lembres, foi-me proibido falar. Povo desleal! Povo envenenado em seus chefes, povo que ousa interditar que a Palavra de Deus fale em sua Casa! Foi-me proibido. Eu me calei por amor aos pequeninos. NĂŁo Ă© ainda a hora de me matarem. Muitos precisam de Mim, e os meus apĂłstolos ainda nĂŁo estĂŁo fortes para receberem em seus braços a minha prole: o Mundo. NĂŁo chores, mĂŁe, perdoa, tu que Ă©s boa, a necessidade que teu Filho tem de falar a Verdade, que Eu sou, a quem quer ou pode iludir-se
 Eu me calo
 Mas, ai daqueles por causa dos quais Deus se cala!
 Ó mĂŁe, Ăł Margziam, nĂŁo choreis!
 Isto Eu vos peço. NinguĂ©m chore.

Mas, na realidade todos mais ou menos estĂŁo chorando e com muita dor.

Judas, pĂĄlido como um morto, em sua veste amarela e vermelha com listras, ainda se atreve a falar com uma voz choramingante e ridĂ­cula:

– Podes crer, Mestre, que eu estou assombrado e entristecido
 Não sei o que queres dizer
 Eu não estou sabendo de nada
 É verdade que eu não vi nenhum do Templo. Eu rompi relacionamento com todos
 Mas, se Tu estás dizendo, deve ser verdade


– Judas, não viste nem Sadoc?

Judas inclina a cabeça, murmurando:

– É um amigo
 Como tal eu o vi. E não como um dos do Templo


206.17

Jesus não lhe då resposta. Mas vira-se para Isaac e para João de Endor, aos quais faz ainda recomendaçÔes sobre o trabalho deles.

Entretanto, as mulheres estão confortando Maria, que estå chorando, e ao menino, que também chora, ao ver Maria chorar.

Até Låzaro e os apóstolos estão entristecidos. Mas Jesus vai até eles. Ele retomou o seu doce sorriso e, enquanto abraça a mãe e acaricia o menino, diz:

– E agora Eu vos saĂșdo, a vĂłs que ficais. Porque amanhĂŁ cedo nĂłs partiremos. Adeus, LĂĄzaro. Adeus, Maximino. JosĂ©, Eu te agradeço por toda cortesia feita Ă  minha mĂŁe e Ă s discĂ­pulas enquanto aguardavam por mim. Agradeço por tudo. Adeus, LĂĄzaro, abençoa tambĂ©m Ă  Marta em meu nome. Logo Eu voltarei. Vem, minha mĂŁe, vamos descansar. E tu tambĂ©m, Maria e SalomĂ©, se Ă© que vĂłs tambĂ©m quereis ir.

– Com certeza, nós iremos –dizem as duas Marias.

– Então, para a cama. A paz esteja com todos. Deus esteja convosco!

Jesus faz um gesto de bĂȘnção e sai, segurando pela mĂŁo o menino e abraçado com sua mĂŁe


A permanĂȘncia em BetĂąnia terminou.

Palavras-chave

EMF 206.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em verdade, Eu vos digo que, assim como Eu estou no Pai, os pobres estĂŁo em Deus. É por isso que Eu, o Verbo do Pai, quis nascer pobre, e viver pobre. Porque, entre os pobres, Eu me sinto mais prĂłximo do Pai, que ama os pequeninos e Ă© amado por eles com todas as suas forças. Os ricos tĂȘm muitos amigos. Os pobres vivem sozinhos. Os ricos tĂȘm muitas consolaçÔes. Os pobres nĂŁo tem consolaçÔes

Os ricos tĂȘm muitos divertimentos. Os pobres sĂł tĂȘm trabalho. Os ricos tĂȘm o dinheiro, que lhes torna tudo fĂĄcil. Os pobres, alĂ©m de tudo, ainda tĂȘm que levar a cruz, que Ă© o temor das doenças e da carestia, que para eles sĂł trazem a fome e a morte. Mas os pobres tem Deus consigo. Ele Ă© amigo deles. É o consolador deles. É Ele quem os consola com as esperanças do CĂ©u, quando eles sofrem as penas do momento presente. É Ele a quem eles podem dizer — e o sabem dizer, e o dizem justamente porque sĂŁo pobres, humildes e sĂłs —: ‘Socorre-nos, Ăł Pai, com a tua misericĂłrdia.’

Palavras-chave

EMF 206.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Os pobres conservam no coração as pĂ©rolas, que sĂŁo as palavras de Deus. Elas sĂŁo o seu Ășnico tesouro. Quem tem uma sĂł riqueza toma todo o cuidado com ela. Quem tem muitas, vive aborrecido e desatento, e se torna soberbo e sensual. Por tudo isso, ele nĂŁo admira com olhos humildes e cheios de amor o tesouro que Deus lhe deu, mas o confunde com outros tesouros, que sĂŁo preciosos sĂł na aparĂȘncia, tesouros que sĂŁo as riquezas desta terra.

Palavras-chave

EMF 207

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Em Belém, Maria recorda o nascimento de Jesus.

Data da visão: Terça-feira 3 de julho de 1945.

CalendĂĄrio: Quinta-feira 6 de abril de 28 (24 Nissan 3788)

Lugar (mapa) : Belém

Ciclo: Apostolado na Judeia

Resumo: O grupo apostĂłlico vai a BelĂ©m com as discĂ­pulas. Pedro revela o seu desejo de ir Ă  gruta da Natividade com Maria. Rapidamente se combinou que a Virgem lhes contaria as suas recordaçÔes do nascimento de Jesus, o que ela fez com grande emoção. A MĂŁe do Senhor conta-lhes onde pararam e como ela e JosĂ© se sentem. JosĂ© estava preocupado, mas a Toda-Pura ardia de amor por Deus. Pararam perto do tĂșmulo de Raquel antes de partirem de novo. Encontram Elias, que os aconselha a ficar, e depois chegam a BelĂ©m. A Virgem conta as suas impressĂ”es sobre a cidade antes de se dirigir Ă  gruta. Explica como um sono se abateu sobre o Justo e como se sentiu quando Cristo nasceu. Em ĂȘxtase, quando teve Jesus junto do seu coração, adorou-o, ofereceu-o ao Pai, envolveu-o em faixas e cuidou dele com JosĂ©. Maria conta a chegada dos pastores e, quando lhe perguntam o que fez no dia seguinte, explica que tudo foi muito simples: cuidou do seu bebĂ© como qualquer outra mĂŁe. Maria de Alfeu diz-lhe que a Sagrada FamĂ­lia poderia ter partido mais tarde, para as EncenaçÔes, mas Maria sabia que Jesus nasceria ali e nĂŁo havia que esperar. AlĂ©m disso, para JosĂ©, esta era uma forma de lavar todos os vestĂ­gios de suspeita que tinha contra ela, uma vez que as Escrituras se tinham cumprido.

Pedro ficou satisfeito com este relato e explicou que a ia venerar como Rainha e ser seu escravo. Jesus intervém então e, depois de explicar a Trindade, explica que o seu Pontífice terå poder onde Maria terå amor. Ele deve tratå-la sempre como Rainha, mas sem ser escravo. O grupo faz uma pausa e, enquanto Maria fala com as mulheres, os apóstolos perguntam-se se hå versículos no Cùntico dos Cùnticos que anunciam a Virgem prometida. Cristo confirma então que se fala dela desde o início do Livro e que continuarå a falar-se dela nos livros vindouros.

Judas declara então que o Verbo poderia ter evitado humilhar-se submetendo-se às misérias da infùncia. Podia ter descido à Terra numa carne jå adulta e ter tido uma mãe adotiva, como o seu suposto pai. O Mestre declara então que a sua verdadeira encarnação é uma coisa justa e que vão circular heresias sobre a sua encarnação. Mas ele confirma que é uma verdadeira carne e que Maria é realmente a Mãe do Verbo feito carne. Além disso, confirma que é eternamente Um com o Pai e unido a Deus como Carne, pois o Amor pode todas as coisas. A sua encarnação tem como objetivo reparar todos os erros do homem.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 207.1: Maria recorda o passado. 207.2: Como Maria se sentiu durante a viagem. 207.3: O tĂșmulo de Raquel e o encontro com Elias. 207.4: Como lhe apareceu a cidade de BelĂ©m. 207.5: A instalação na gruta. 207.6: O ĂȘxtase do nascimento. 207.7: A visita dos pastores. 207.8: No dia seguinte, mulher e adorador. 207.9: Pedro e Maria: poder e amor. 207.10: Maria, a ĂĄrvore dos frutos redentores. 207.11: Judas teria gostado de um nascimento diferente. Discurso sobre a realidade carnal de Jesus.

Edição anterior: Volume 3, capítulo 69

Palavras-chave

EMF 207.1-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Simão de Jonas pÔe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a BelĂ©m? JoĂŁo diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas Ă© porque estĂĄvamos vindo de JerusalĂ©m. Indo-se por aqui o caminho Ă© mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nĂłs nos separaremos, como decidistes hĂĄ tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mĂŁe deseja permanecer.

– É verdade, nĂłs o dissemos
 Mas seria muito bonito, se fĂŽssemos todos juntos
 especialmente com a mĂŁe
 porque a Rainha de BelĂ©m e da Gruta Ă© ela e ela sabe tudo muito bem
 Ouvindo as palavras dela, seria outra coisa, aĂ­ estĂĄ.

Jesus sorri, olhando para SimĂŁo, que insinuou delicadamente o seu desejo.

– Que gruta, pai? –pergunta Margziam.

– A gruta onde nasceu Jesus.

– Oh! Que bonito! Eu tambĂ©m vou lĂĄ.

– Seria bonito de fato! –dizem Maria de Alfeu e SalomĂ©.

– Muito bonito!
 Seria voltar atrĂĄs
 ao tempo em que o mundo nĂŁo te conhecia, Ă© verdade, mas tambĂ©m ainda nĂŁo te odiava
 Seria encontrar de novo o amor dos simples, que nĂŁo souberam senĂŁo crer e amar, com humildade e fé  Seria depor este peso de amargura, que me oprime o coração, quando sei como Ă©s odiado e colocar esse peso lĂĄ no teu berço .. LĂĄ deve ter ficado ainda a doçura do teu olhar, da tua respiração, daquele teu sorriso incerto, lá
 e fariam carĂ­icias ao meu coração
 Ele estĂĄ tĂŁo amargurado!


Maria fala baixo, com saudade e tristeza.

– EntĂŁo, iremos lĂĄ, minha mĂŁe. Guia-me, tu. Hoje Ă©s tu Mestra e eu a criança que aprende.

– Oh! Filho! NĂŁo! Tu Ă©s sempre o Mestre!

– NĂŁo, minha mĂŁe. SimĂŁo de Jonas falou bem. Na terra de BelĂ©m, a Rainha Ă©s tu. É lĂĄ o teu primeiro castelo. Maria, da estirpe de Davi, guia este pequeno povo por entre tuas moradas.

Iscariotes ia falar, mas resolve calar-se. Jesus, que nota aquele ato e o interpreta, diz:

– Se alguĂ©m, por cansaço ou por outro motivo, nĂŁo quiser ir, prossiga por Betsur livremente.

Mas ninguém diz nada.

207.2

Prosseguem a estrada, atravĂ©s do fresco vale que vai na direção leste-oeste. Depois se dirigem levemente para o norte, a fim de costearem uma colina, que vem aparecendo Ă  frente e alcançam assim o caminho que de JerusalĂ©m vai para BelĂ©m, justamente perto do cubo, encimado por uma pequena cĂșpula redonda, que Ă© a da tumba de Raquel. Todos se aproximam dela para rezar com reverĂȘncia.

– Foi aqui que paramos eu e José  EstĂĄ tudo igual ao que era naquele tempo. SĂł a estação Ă© que era diferente. aquele era um dos dias frios do mĂȘs de Casleu. Havia chovido e as estradas tinham ficado alagadas. Depois, veio um vento gelado, pois talvez de noite tivesse caĂ­do geada. As estradas estavam duras, mas todas com sulcos feitos pelos carros e pelas multidĂ”es, e eram como um mar cheio de buracos e o meu burrinho se fatigava muito


– E tu não, minha mãe?

– Oh! eu Te tinha comigo!
 –e olha para Ele com um rosto tão feliz, que comove.

Depois toma de novo a palavra:

– A tarde jĂĄ vinha chegando e JosĂ© estava muito preocupado
 Um vento cada vez mais forte vinha se levantando, um vento que cortava
 As pessoas se apressavam a caminho de BelĂ©m, esbarrando umas nas outras, e muitos diziam palavras injuriosas ao meu burrinho, porque ele ia muito devagar, procurando os lugares onde podia pĂŽr os cascos
 Mas Ă© que ele parecia que soubesse que havias Tu
 e que estavas dormindo o teu Ășltimo sono no berço do meu seio. Fazia frio
 Mas o que eu sentia era um forte calor. Eu percebia que vinhas vindo. Que vinhas vindo? Poderias dizer: “Eu estava lĂĄ, minha mĂŁe, com nove meses.” Sim. Mas agora era como se estivesses vindo dos CĂ©us. Os CĂ©us se abaixavam, se abaixavam sobre mim e eu via os esplendores deles
 Eu via incendiar-se a Divindade, em sua alegria pelo teu prĂłximo nascimento e aqueles fogos me penetravam, me incendiavam tambĂ©m, me levavam para fora de mim mesma
 de tudo
 Frio
 vento
 pessoas
 nada! Eu sĂł via a Deus
 De vez em quando, com esforço, eu conseguia fazer voltar o meu espĂ­rito por sobre a terra, e sorria para JosĂ©, que tinha medo de que o frio e a fadiga me fizessem mal e ia guiando o burrinho com cuidado, para que ele nĂŁo tropeçasse, e me envolvia de novo na coberta, para que nĂŁo me resfriasse
 Mas nada podia acontecer. As sacudidas, eu nem percebia. Parecia-me estar andando por um caminho estrelado, por entre nuvens cĂąndidas e sendo sustentada por anjos
 E eu sorria
 Primeiro para Ti
 Eu olhava para Ti, atravĂ©s da barreira da carne e estavas dormindo com os punhozinhos fechados em teu leitozinho de rosas vivas, meu botĂŁo de lĂ­rio
 Depois, sorria para o esposo, que estava tĂŁo aflito, tĂŁo aflito, para encorajĂĄ-lo. Depois para as pessoas, que ainda nĂŁo sabiam estarem jĂĄ respirando na ĂĄura do Salvador


Paramos junto à tumba de Raquel para dar um pouco de descanso ao burrinho e para comer um pouco de pão com azeitonas, que eram as nossas provisÔes de pobres. Mas Eu não tinha fome. Não podia ter fome.

Era alimentada pela minha alegria.

207.3

Pusemo-nos de novo a caminho. Vinde. Vou mostrar-vos onde encontramos o pastor
 Não tenhais medo de que eu me engane. Eu revivo aquela hora e encontro de novo cada lugar, porque vejo tudo através de uma grande luz angélica. Talvez a multidão angélica estå de novo aqui, invisível aos olhos dos corpos, mas visível para as almas, com seu luminoso candor e tudo se revela, tudo é mostrado. Eles não podem enganar-se, e me vão conduzindo
para alegria minha e para alegria vossa. Aí estå: daquele campo para este, veio Elias com as suas ovelhas e José foi pedir-lhe leite para mim. E ali, naquele prado, nós paramos, enquanto ele tirava o leite quente e restaurador, e dava seus conselhos a José.

Vinde, vinde
 Ali estĂĄ, ali estĂĄ o caminho do Ășltimo pequeno vale, antes de BelĂ©m. Fomos por este, porque a estrada principal, nas proximidades da cidade, estava numa grande confusĂŁo de pessoas e cavalgaduras


207.4

Eis BelĂ©m! Oh! A querida! Querida terra de meus pais, que me deste o primeiro beijo de meu Filho! Tu te abriste, boa e fragrante, como o pĂŁo do qual tens o nome[1], para dar o PĂŁo Verdadeiro ao mundo que estĂĄ morrendo de fome! Tu me abraçaste como uma mĂŁe, tu, na qual ficou o amor materno de Raquel, Terra Santa da BelĂ©m davĂ­dica, primeiro Templo do Salvador, a Estrela da ManhĂŁ, nascida de JacĂł, a fim de mostrar a rota dos CĂ©us a toda a humanidade. Olhai para ela e vede como estĂĄ bela nesta primavera! Mas, mesmo entĂŁo, ainda que os campos e os vinhedos estivessem despojados, ela estava bela! Um leve vĂ©u de geada voltava a brilhar, a tremeluzir sobre os galhos nus, e eles se tornavam como que polvilhados com diamantes, como se estivessem enrolados em um impalpĂĄvel vĂ©u do ParaĂ­so. Cada casa soltava fumaça por sua chaminĂ©, pois a hora da ceia estava prĂłxima. E a fumaça, subindo pela encosta atĂ© o perĂ­metro, mostrava a cidade, ela tambĂ©m coberta com um vĂ©u
 Tudo era casto, recolhido Ă  espera de
 de Ti, de Ti, Filho. A terra percebia que estavas vindo. E atĂ© os belemitas Te teriam percebido, porque maus eles nĂŁo sĂŁo, por mais que nĂŁo o acrediteis. Eles nĂŁo podiam hospedar-nos
 Nas casas de BelĂ©m se comprimiam, arrogantes como sempre, surdos e soberbos, aqueles que ainda hoje o sĂŁo, e esses tais nĂŁo poderiam perceber a tua presença
 Quantos fariseus, saduceus, herodianos, escribas, essĂȘnios havia lĂĄ! Oh! O serem eles uns obcecados agora, Ă© coisa que jĂĄ vem de terem sido duros de coração entĂŁo. Eles fecharam o coração ao amor para com a sua pobre irmĂŁ naquela tarde
 e permaneceram, e permanecem nas trevas. Eles rejeitaram a Deus, desde entĂŁo, rejeitando o amor ao prĂłximo.

207.5

Vinde. Vamos Ă  gruta. Entrar na cidade, Ă© inĂștil. Os maiores amigos do meu Menino jĂĄ nĂŁo estĂŁo mais lĂĄ. Fica a natureza amiga, com suas pedras, com o seu rio e sua lenha para fazer fogo. A natureza, que percebeu a vinda do seu Senhor
 EntĂŁo, vinde sem temor. Vai-se por aqui
 LĂĄ estĂŁo os escombros da Torre de Davi. Oh! querida por mim mais do que um palĂĄcio. Benditas ruĂ­nas! Bendito rio! Bendita planta que, como por milagre, foste despojada pelo vento de tantos ramos, para que pudĂ©ssemos achar lenha e fazer fogo!

Maria desce, ligeira, para a gruta, atravessa o pequeno rio por uma pinguela que serve de ponte, corre pelo descampado que está diante dos escombros, cai de joelhos na entrada da gruta, inclina-se e beija o chão. Acompanham-na todos os outros. Estão comovidos
 O menino, que não a deixa um instante, parece estar ouvindo uma maravilhosa história e os seus olhinhos negros bebem as palavras e os gestos de Maria, não perdendo um só deles.

Maria torna a levantar-se, e entra, dizendo:

– Tudo, tudo como naquele tempo!
 SĂł que naquele tempo era noite
 JosĂ© fez fogo quando entrei. EntĂŁo, sĂł entĂŁo, descendo do burrinho Ă© que eu senti como estava cansada e gelada
 Um boi me saudou e eu fui atĂ© ele para sentir um pouco de calor e para descansar sobre o feno
 Aqui, onde estou, JosĂ© espalhou mais feno, para fazer-me uma cama e o enxugou para mim, como para Ti, meu Filho, diante das chamas do fogo aceso naquele canto
 pois JosĂ© era bom como um pai, em seu amor de esposo-anjo
 E, segurando-nos pelas mĂŁos, como dois irmĂŁos perdidos no escuro da noite, comemos nosso pĂŁo e queijo. Depois, ele foi avivar o fogo, tirando o seu capote para tapar uma abertura
 Na verdade, desceu um vĂ©u diante da glĂłria de Deus, que descia dos CĂ©us, e eras Tu, meu Jesus
 e eu fiquei sobre o feno, ao calor dos dois animais, envolvida em meu manto e com a capa de lã
 Ó meu querido esposo! Naquela hora de Ăąnsia e de temor na qual eu estava sozinha, diante do mistĂ©rio da primeira maternidade, que Ă© plena do desconhecido para uma mulher, e para mim, naquela Ășnica maternidade, plena tambĂ©m de mistĂ©rio, como teria sido o de ver o Filho de Deus saindo da carne mortal, ele, JosĂ©, foi para mim como uma mĂŁe, foi um anjo
 foi o meu conforto
 entĂŁo e sempre


207.6

Depois veio o silĂȘncio e o sono que envolveram a José  para que ele nĂŁo visse aquilo que era para mim o beijo diĂĄrio de Deus
 E, para mim, depois de um intervalo para as necessidades humanas, sobrevĂȘm-me as ondas desmesuradas de um ĂȘxtase, vindas do mar do ParaĂ­so e que me elevavam de novo para cima das cristas luminosas, cada vez mais altas, levando-me para cima, mais para cima consigo, para um oceano de luz, de luz, de alegria, de paz, de amor, atĂ© que me encontrei perdida no mar de Deus, do seio de Deus
 Uma voz veio ainda da terra: “EstĂĄs dormindo, Maria?” Oh! Ela vinha de tĂŁo longe! Parecia mais um eco, uma lembrança da terra! E tĂŁo fraca, que a alma nĂŁo se agita, e nem sei com que palavras respondi enquanto subo, vou subindo ainda por este abismo de fogo, de felicidade infinita, de uma precognição de Deus
 atĂ© Ele, Ele
 Oh! Mas Ă©s Tu que nasceste, ou sou Eu que nasci dos Trinos fulgores, naquela noite? Fui eu que Te dei, ou foste Tu que me deste o sopro da vida? Eu nĂŁo sei


Depois a descida, de um coro a outro coro, de um astro a outro astro, de um estrato a outro estrato, doce, lenta, feliz, tĂŁo plĂĄcida como uma flor levada para o alto por uma ĂĄguia e depois solta no ar e vai descendo lentamente nas asas do ar, tornando-se mais bela por uma gota de chuva que brilha como uma pedra preciosa, por um pedacinho do arco-Ă­ris arrebatado ao cĂ©u, esse reencontra no torrĂŁo natal
 É o meu diadema: Tu! Tu sobre o meu coração


Sentada aqui, depois de ter-te adorado de joelhos, eu te amei. Finalmente, Te pude amar sem as barreiras da carne, e daqui eu me movi para levar-te ao amor daquele que, como eu, era digno de estar entre os primeiros a amar-te. E aqui, entre duas rĂșsticas colunas, eu te ofereci ao Pai. E foi aqui que descansaste, pela primeira vez, sobre o coração de José  Depois, eu te enfaixei e, juntos, nĂłs te colocamos aqui
 Eu te balançava, enquanto JosĂ© enxugava o feno ao fogo e o conservava quente, para depois pĂŽ-lo sobre o teu peito e, em seguida, ficĂĄvamos te adorando nĂłs dois, assim, inclinados sobre Ti como agora, bebendo a tua respiração, olhando atĂ© onde o aniquilamento do amor pode conduzir, chorando as lĂĄgrimas que certamente no CĂ©u se choram, pela alegria inexaurĂ­vel de ver sempre a Deus.

207.7

Naquela sua recordação, Maria ia e vinha, mostrando os lugares, ardente em seu amor, com um brilho de lágrimas em seus olhos azuis e um sorriso de alegria em sua boca, inclinando-se de verdade sobre o seu Jesus, que agora está sentado ali sobre uma pedra grande, enquanto Ela vai-se lembrando de tudo e o beija por entre os cabelos, chorando e adorando-o, como então


– E depois, os pastores, que entravam aqui para adorar, com seu bom coração e com o grande suspiro da terra, que aqui com eles entrava, com aquele odor de humanidade, de rebanhos e de feno. Fora e por toda parte, os anjos para adorar-Te com seu amor, os cantos deles que a criatura humana Ă© incapaz de repetir, e com o amor dos CĂ©us, com aquele ar de CĂ©u que entrava com eles, que eles traziam junto com os seus fulgores
 Foi o teu nascimento bendito!


Maria ajoelhou-se ao lado do Filho, e estĂĄ chorando de emoção, com a cabeça inclinada sobre os joelhos dele. NinguĂ©m, por algum tempo, tem coragem de falar. Mais ou menos emocionados, os presentes olham ao redor, uns para os outros, como se, por entre as teias de aranha e as pedras escabrosas, eles esperassem ir vendo pintada a cena, que havia sido descrita


Maria recobra a coragem e diz:

– Eis. Eu falei do infinitamente simples e infinitamente grande nascimento do meu Filho. Com meu coração de mulher, mas nĂŁo com a sabedoria de mestre. Outra coisa nĂŁo hĂĄ, porque foi a maior coisa da Terra, escondida por debaixo das aparĂȘncias mais comuns.

207.8

– Mas, e o dia seguinte? E depois dele? –perguntam muitos, entre os quais as duas Marias.

– No dia seguinte? Oh! Muito simples! Fui a mĂŁe que dĂĄ leite ao seu menino, que o lava e enfaixa, como fazem todas as outras mĂŁes. Eu esquentava a ĂĄgua buscada no rio, sobre o fogo que era aceso ali fora, a fim de que a fumaça nĂŁo fizesse aqueles dois olhinhos azuis chorar e, depois, no canto mais abrigado da gruta, em uma velha gamela, eu lavava o meu Filho e o enrolava em panos frescos. Depois, eu ia ao rio lavar os paninhos e os estendia ao sol
 Em seguida, alegria das alegrias, eu punha Jesus ao peito e Ele sugava, tornando-se mais corado e feliz. No primeiro dia, Ă  hora do maior calor, fui sentar-me ali fora, para vĂȘ-lo bem. Aqui a luz nĂŁo entra direta, mas se filtra, e a luz e as chamas dĂŁo Ă s coisas uma aparĂȘncia esquisita. Eu fui lĂĄ para fora, ao sol, e olhei para o Verbo Encarnado. Foi entĂŁo que a mĂŁe conheceu o Filho, a Serva de Deus ao seu Senhor. AĂ­ eu fui mulher e adoradora
. Depois, a casa de Ana
 aqueles dias junto ao teu berço, os teus primeiros passos, a primeira palavra. Mas isso foi depois, a seu tempo
 E nada, nada foi igual Ă  hora do teu nascimento
 SĂł no retorno para Deus reencontrarei aquela plenitude


– Mas
 deixar para partir assim, na Ășltima hora! Que imprudĂȘncia! Por que nĂŁo esperar? O decreto previa tambĂ©m uma data mais afastada, para os casos excepcionais, como os de nascimentos e doenças. Alfeu falou assim
 –disse Maria de Alfeu.

– Esperar? Oh! NĂŁo. Naquela tarde em que JosĂ© trouxe a notĂ­cia, eu e Tu, meu Filho, saltamos de alegria. Era o chamado, porque aqui, somente aqui Ă© que devias nascer, como os Profetas haviam dito. E aquele decreto de improviso foi como um cĂ©u piedoso para JosĂ©, pois acabava atĂ© com a lembrança da suspeita dele. Era aquilo que eu esperava para Ti, para ele, para o mundo judaico e para o mundo futuro, atĂ© o fim dos sĂ©culos. Estava dito[2]. E, como estava dito, aconteceu. Esperar! Pode a esposa aceitar uma espera para o sonho de suas nĂșpcias? Por que esperar?

– Mas
 por tudo o que podia acontecer
 –diz ainda Maria de Alfeu.

– Eu não tinha medo nenhum. Eu descansava em Deus.

– Mas, tu sabias que tudo teria sido assim?

– NinguĂ©m me havia dito isso, nem eu pensava nisso, tanto assim, que para encorajar JosĂ©, eu deixei que ele ficasse dĂșvidando, e a vĂłs tambĂ©m, sobre se jĂĄ era, ou nĂŁo, o tempo do nascimento. Mas eu sabia, isto eu sabia, que na festa das Luzes nasceria a Luz do mundo


– E tu, entĂŁo, minha mĂŁe, por que nĂŁo acompanhaste Maria? E o pai, por que nĂŁo pensou nisso? VĂłs tambĂ©m devĂ­eis ter vindo aqui. Hoje nĂŁo viemos todos? –pergunta sĂ©rio Judas Tadeu.

– Teu pai tinha decidido que viria depois das EncĂȘnias, e disse isto ao irmĂŁo dele. Mas JosĂ© nĂŁo quis esperar.

– Mas tu, ao menos
 –retruca ainda Tadeu.

– NĂŁo a censures, Judas. De comum acordo, achamos justo descer um vĂ©u sobre o mistĂ©rio deste nascimento.

– Mas JosĂ© sabia que ele teria acontecido com aqueles sinais? Se nem tu sabias, como podia ele saber?

– Nós não sabíamos de nada, a não ser que Ele devia nascer.

– E então?

– E entĂŁo a Sabedoria divina nos guiou assim, como era justo. O nascimento de Jesus, sua presença no mundo, devia aparecer privada de tudo o que fosse extraordinĂĄrio e provocasse a ira de satanĂĄs
 E vĂłs estais vendo como o Ăłdio atual de BelĂ©m para com o Messias Ă© uma consequĂȘncia da primeira manifestação de Cristo. O rancor do demĂŽnio usou da revelação para fazer derramar sangue e, pelo sangue derramado, fazer nascer o Ăłdio.

207.9

EstĂĄs contente, SimĂŁo de Jonas, tu que nĂŁo dizes nada e quase nem respiras mais?

– Muito
 e a tal ponto que me parece que estou fora do mundo, em um lugar ainda mais santo, do que se estivesse do outro lado do vĂ©u do Templo
 A tal ponto, que agora que eu te vi neste lugar, e com a luz daquele tempo, eu fico temeroso por haver-te tratado com respeito, sim, mas como uma grande mulher, sempre mulher. Agora
 agora eu nĂŁo terei coragem de te chamar como antes: “Maria.” Antes, eras para mim a mamĂŁe do meu Mestre. Agora, agora que eu te vi sobre as alturas daquelas ondas celestes, que eu te vi como Rainha, eu miserĂĄvel, faço assim, como um escravo que sou –e se joga no chĂŁo para beijar os pĂ©s de Maria.

Nesse momento, Jesus lhe fala:

– Simão, levanta-te. Vem cá, bem perto de Mim.

Pedro vai, entĂŁo, para a esquerda de Jesus, porque Maria estĂĄ Ă  direita.

– Que Ă© que somos agora nĂłs? –pergunta Jesus.

– Nós? Ora, somos Jesus, Maria e Simão.

– Está bem. Mas, quantos somos?

– TrĂȘs, Mestre.

– Portanto, Ă© uma trindade. Um dia[3] no CĂ©u Ă  Divina Trindade veio um pensamento: “Agora chegou o tempo de o Verbo ir Ă  terra”, e, em uma palpitação de amor, o Verbo veio Ă  terra. Separou-se, pois do Pai e do espĂ­rito Santo. Veio trabalhar na terra. No CĂ©u, os Dois que ficaram contemplaram as obras do Verbo e se conservaram mais unidos do que nunca, para assim unirem o Pensamento e o Amor, a fim de ajudar a Palavra que trabalha na terra. Um dia virĂĄ em que do CĂ©u baixarĂĄ esta ordem: “JĂĄ Ă© tempo para que Tu voltes, porque tudo jĂĄ se cumpriu”, e entĂŁo, o Verbo voltarĂĄ aos CĂ©us, assim (e Jesus dĂĄ um passo para trĂĄs, deixando Maria e Pedro onde eles estavam) do alto dos CĂ©us, contemplarĂĄ as obras dos dois que ficaram na terra, os quais, por um movimento santo, se unirĂŁo mais do que nunca, para unirem o poder e o amor, e fazer deles um meio para que se cumpra o desejo do Verbo: A redenção do mundo atravĂ©s do perpĂ©tuo ensinamento de sua Igreja. E o Pai, Filho e espĂ­rito Santo farĂŁo dos seus raios uma corrente para ajuntar cada vez mais os dois que ficaram na terra: minha mĂŁe, Ă© o amor; e tu, o poder. DeverĂĄs, pois, tratar bem Maria como rainha, sim, mas nĂŁo como um escravo. Que te parece?

– A mim me parece o que Tu quiseres. Eu estou aniquilado. Eu, ficar com o poder? Oh! Se Ă© que eu sou o poder, entĂŁo sim Ă© que eu me devo apoiar nela! Oh! MĂŁe do meu Senhor, nĂŁo me abandones nunca, nunca, nunca


– NĂŁo tenhas medo. Eu te terei sempre pela mĂŁo, do mesmo modo como fazia com o meu Menino, atĂ© que Ele se tornou capaz de andar sozinho.

– E depois?

– E depois eu te socorrerei com a oração. Coragem, SimĂŁo. Nunca duvides do poder de Deus. Dele nĂŁo duvidei eu nem JosĂ©. E nem tu deves dĂșvidar. Deus dĂĄ sua ajuda a cada hora, desde que permaneçamos humildes e fiĂ©is.

Palavras-chave

EMF 207.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

EstĂĄs contente, SimĂŁo de Jonas, tu que nĂŁo dizes nada e quase nem respiras mais?

– Muito
 e a tal ponto que me parece que estou fora do mundo, em um lugar ainda mais santo, do que se estivesse do outro lado do vĂ©u do Templo
 A tal ponto, que agora que eu te vi neste lugar, e com a luz daquele tempo, eu fico temeroso por haver-te tratado com respeito, sim, mas como uma grande mulher, sempre mulher. Agora
 agora eu nĂŁo terei coragem de te chamar como antes: “Maria.” Antes, eras para mim a mamĂŁe do meu Mestre. Agora, agora que eu te vi sobre as alturas daquelas ondas celestes, que eu te vi como Rainha, eu miserĂĄvel, faço assim, como um escravo que sou –e se joga no chĂŁo para beijar os pĂ©s de Maria.

Nesse momento, Jesus lhe fala:

– Simão, levanta-te. Vem cá, bem perto de Mim.

Pedro vai, entĂŁo, para a esquerda de Jesus, porque Maria estĂĄ Ă  direita.

– Que Ă© que somos agora nĂłs? –pergunta Jesus.

– Nós? Ora, somos Jesus, Maria e Simão.

– Está bem. Mas, quantos somos?

– TrĂȘs, Mestre.

– Portanto, Ă© uma trindade. Um dia[3] no CĂ©u Ă  Divina Trindade veio um pensamento: “Agora chegou o tempo de o Verbo ir Ă  terra”, e, em uma palpitação de amor, o Verbo veio Ă  terra. Separou-se, pois do Pai e do espĂ­rito Santo. Veio trabalhar na terra. No CĂ©u, os Dois que ficaram contemplaram as obras do Verbo e se conservaram mais unidos do que nunca, para assim unirem o Pensamento e o Amor, a fim de ajudar a Palavra que trabalha na terra. Um dia virĂĄ em que do CĂ©u baixarĂĄ esta ordem: “JĂĄ Ă© tempo para que Tu voltes, porque tudo jĂĄ se cumpriu”, e entĂŁo, o Verbo voltarĂĄ aos CĂ©us, assim (e Jesus dĂĄ um passo para trĂĄs, deixando Maria e Pedro onde eles estavam) do alto dos CĂ©us, contemplarĂĄ as obras dos dois que ficaram na terra, os quais, por um movimento santo, se unirĂŁo mais do que nunca, para unirem o poder e o amor, e fazer deles um meio para que se cumpra o desejo do Verbo: A redenção do mundo atravĂ©s do perpĂ©tuo ensinamento de sua Igreja. E o Pai, Filho e espĂ­rito Santo farĂŁo dos seus raios uma corrente para ajuntar cada vez mais os dois que ficaram na terra: minha mĂŁe, Ă© o amor; e tu, o poder. DeverĂĄs, pois, tratar bem Maria como rainha, sim, mas nĂŁo como um escravo. Que te parece?

– A mim me parece o que Tu quiseres. Eu estou aniquilado. Eu, ficar com o poder? Oh! Se Ă© que eu sou o poder, entĂŁo sim Ă© que eu me devo apoiar nela! Oh! MĂŁe do meu Senhor, nĂŁo me abandones nunca, nunca, nunca


– NĂŁo tenhas medo. Eu te terei sempre pela mĂŁo, do mesmo modo como fazia com o meu Menino, atĂ© que Ele se tornou capaz de andar sozinho.

– E depois?

– E depois eu te socorrerei com a oração. Coragem, SimĂŁo. Nunca duvides do poder de Deus. Dele nĂŁo duvidei eu nem JosĂ©. E nem tu deves dĂșvidar. Deus dĂĄ sua ajuda a cada hora, desde que permaneçamos humildes e fiĂ©is.

Detalhe

A Virgem acaba de contar a Natividade com as suas prĂłprias palavras.

Anotação

Trindade celeste - Trindade terrestre: Para estabelecer um paralelismo entre a Trindade celeste (Pai, Filho e Espírito Santo) e a Trindade terrestre (Jesus, Maria e Pedro), a explicação deve recorrer ao expediente de atribuir a Deus pensamentos e comportamentos humanos, estabelecendo separaçÔes e reuniÔes entre as Pessoas divinas.

No entanto", nota Maria Valtorta numa cópia dactilografada, "não se trata de negar a união hipoståtica (= união das duas naturezas, divina e humana) pela qual o Verbo, estando verdadeiramente na carne do Filho de Deus e de Maria, não deixou de ser um com o Pai e, portanto, com o Amor; não deixou de ser o Santo dos Santos, porque o era pela sua natureza divina e o era na sua natureza humana, pela graça e por uma vontade perfeitíssima".

Esta nota, acompanhada dos textos deEMV 207.11 |EMV324.3 | EMV 567.17 | EMV 630.21 e EMV 634.11, bem como das notas deEMV 54.5 | EMV 68.1 | EMV 342.5 e EMV 346.5, pode também ser utilizada para interpretar corretamente as expressÔes que se encontram em EMV 62.2 (para me unir ao Pai) | EMV 62.4 (eu estava no Pai) | EMV 123.5 (saí do Céu) | EMV 126.1 (não a mim, mas àquele que me enviou) | EMV 126.10 | EMV 128.2 (não eu. Deus) | EMV 129.3 (Deus estå no Céu. Ele adora e vai a Ele) | EMV 249.4 | EMV 254.3 (Deveis perguntar a quem os fez) | EMV 272.2 | EMV 287.6 (A Deus, não ao seu Servo) | EMV 298.6 (Não de mim, mas do Pai) | EMV 317.5 | EMV 371.6 | EMV 399.4 (Ele deixou o Pai) | EMV 452.11 | EMV 479.2 (Ele volta ao Pai) | EMV 487.9 | EMV 517.2 (Deixei uma parte da união) | EMV 534.8 (A Sabedoria deixou o Céu) | EMV600.21 (Deixei o Pai) | EMV 618.5 (Jå não estou separado do Pai) | EMV 632.34 (Deixou o Céu) | EMV 637.6 (Deixei o Céu) | EMV 642.9, etc.

Por fim, Ă© de notar o conceito expresso por Maria Valtorta no texto de EMV 474.2/3: a divindade, sempre unida hipostaticamente ao Homem Jesus, nĂŁo foi em todos os momentos sensĂ­vel ao Homem Redentor, que teve de chegar ao ponto de experimentar essa dor.

Palavras-chave

EMF 207.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora, vinde aqui fora, Ă  beira do rio, Ă  sombra daquela ĂĄrvore boa que, se o verĂŁo jĂĄ tivesse chegado, vos estaria dando agora suas maçãs, alĂ©m de sua boa sombra. Vinde. Vamos comer, antes de nos pormos a caminho
 Para onde, meu Filho?

– Para Jala. Fica perto. E amanhã iremos a Betsur.

Assentam-se Ă  sombra da macieira, e Maria se coloca justamente na frente do tronco robusto.

Bartolomeu olha fixamente para ela, tão jovem e animada pela evocação feita, recebendo do Filho o alimento que Ele abençoou, sorrindo para Ele com uns olhos cheios de amor, murmura:

– “A sombra dele eu me assentei, e seu alimento Ă© doce ao meu paladar.”

Judas Tadeu Ă© quem lhe responde:

– É verdade. Ela estĂĄ lĂąnguida de amor. Mas nĂŁo se hĂĄ de dizer que sob uma macieira Ă© que ela foi despertada.

– E, por que não, meu irmão? Que sabemos nós dos segredos do Rei? –responde Tiago de Alfeu.

E Jesus, sorrindo:

– A nova Eva foi concebida pelo Pensamento, aos pĂ©s da ĂĄrvore do ParaĂ­so, para que com o seu sorriso e com o seu pranto, afugentasse a serpente e desintoxicasse a intoxicada fruta. Ela se fez assim a ĂĄrvore do fruto redentor. Vinde, amigos e comei dele. Porque nutrir-se alguĂ©m de sua doçura Ă© nutrir-se com o mel de Deus.

– Mestre, responde a um meu antigo desejo de saber: O Cñntico, que nós estamos citando[4] tem a previsão dela? –pergunta Bartolomeu, enquanto Maria está ocupada com o menino, e conversando com as mulheres.

– Desde o principio do Livro se fala dela, e dela se falarĂĄ nos livros que vierem depois, atĂ© que a palavra do homem se mude no sempiterno hosana da eterna Cidade de Deus –e Jesus se vira para as mulheres.

– Como se percebe que Ă© de Davi! Que sabedoria, que poesia! –diz Zelotes, falando com os companheiros.

Detalhe

A Virgem Maria contou o nascimento do seu Filho.

Anotação

Livro de CĂąnticos 2, 3

Ct 2,3 "Como a macieira entre as ĂĄrvores do bosque Ă© minha amiga entre os jovens, tenho grande prazer em sentar-me Ă  sua sombra. Como Ă© doce o seu fruto ao meu paladar".

Livro dos CĂąnticos 8, 5

Ct 8,5: Quem Ă© esta que sobe do deserto, apoiada no seu amado? O NASCIMENTO. Ali te concebeu a tua mĂŁe, ali te concebeu, ali te deu Ă  luz.

Palavras-chave

EMF 207.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Na verdade, Eu sou carne e, em verdade, Maria Ă© a mĂŁe do Verbo Encarnado. Se a hora do nascimento nĂŁo foi mais que um ĂȘxtase, Ă© porque Ela Ă© a nova Eva, sem o peso da culpa e sem a herança do castigo. Mas nĂŁo foi um aviltamento para Mim o repousar nela.

Detalhe

Jesus disse:

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