Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 9 de 32

Conforto de leitura

EMF 26.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

26.3 Maria leva um susto, ao ouvir uma batida forte na porta de saĂ­da da casa. Ela deixa ali mesmo a roca e o fuso, e se levanta para ir abrir. Ainda que sua roupa seja solta e ampla, nĂŁo consegue esconder completamente a redondez de seu ventre.

Ei-la, agora, diante de José. Maria empalidece, até nos låbios. Agora seu rosto estå parecendo o de uma vítima exangue. Maria olha com uns olhos como os de quem interroga tristemente. José olha para ela com uns olhos que parecem suplicantes. Eles se calam, olhando um para o outro. Depois, Maria abre a boca:

– A esta hora, JosĂ©? EstĂĄs precisando de alguma coisa? Que me queres dizer? Vem.

José entra, e fecha a porta. Mas não fala nada.

– Fala, JosĂ©. Que queres de mim?

– Quero o teu perdão.

José se inclina, como se quisesse ajoelhar-se. Mas Maria, sempre tão reservada em tocar nele, agora o agarra pelos ombros decididamente, e o impede de ajoelhar-se.

A cor vai e volta ao rosto de Maria, que ora estĂĄ corada, ora branca como antes:

– O meu perdĂŁo? NĂŁo tenho nada que te perdoar, JosĂ©. SĂł tenho que te agradecer, mais uma vez, por tudo o que fizeste aqui dentro na minha ausĂȘncia, e pelo amor que me tens.

José olha para ela, e vejo duas grandes gotas que se formam nas cavidades de seus olhos profundos, e ali estão como sobre a borda de um vaso prontas para, logo em seguida, rolarem por sobre as faces e a barba de José.

– Perdão, Maria. Eu desconfiei de ti. Agora eu sei. Sou indigno de possuir tão grande tesouro. Faltei-te com a caridade, e te acusei em meu coração. Acusei-te injustamente, porque não te perguntei antes a verdade. Faltei contra a lei de Deus, não te amando como me amaria


– Oh! não! Não faltaste!

– Sim, faltei, Maria! Se eu tivesse sido acusado de um tal delito, eu teria me defendido. Tu
 Eu nĂŁo te estava concedendo o direito de te defenderes, porque eu jĂĄ estava atĂ© tomando decisĂ”es, sem te perguntar nada. Faltei para contigo, ofendendo-te com minha suspeita. Ora, atĂ© mesmo a suspeita jĂĄ Ă© uma ofensa, Maria. Porque quem suspeita, nĂŁo conhece. E eu nĂŁo te conhecia, como devia. Mas, pela dor que eu sofri
 trĂȘs dias de suplĂ­cio, perdoa-me, Maria!

– NĂŁo tenho nada que te perdoar. Pelo contrĂĄrio, eu Ă© que te peço perdĂŁo pela dor que te causei.

– Oh! Sim. Foi uma grande dor. Que dor! Olha, hoje de manhĂŁ me disseram que sobre as tĂȘmporas meus cabelos jĂĄ estĂŁo brancos e que no rosto jĂĄ estou com rugas. Estes trĂȘs dias pareceram-me mais de dez anos!

26.4 Mas, por que, Maria, foste tão humilde, a ponto de calares tua glória até diante de mim, teu esposo, e deixares assim que eu suspeitasse de ti?

José não estå de joelhos, mas estå tão inclinado, como se estivesse de joelhos, e Maria, então lhe pousa a mão sobre a cabeça, e sorri. Parece o estar absolvendo. Ela diz:

– Se eu nĂŁo tivesse sido humilde de uma maneira perfeita, nĂŁo teria merecido conceber o Esperado, que vem para anular a culpa de soberba, que arruinou o homem. AlĂ©m disso, eu obedeci
 Deus me pediu essa obediĂȘncia. Ela me custou tanto
 por causa de ti, pela dor que dela te adviria. Mas eu sĂł tinha que obedecer. Eu sou a serva de Deus, e os servos nĂŁo discutem as ordens que recebem. Eles vĂŁo executĂĄ-las, JosĂ©, ainda quando os fazem chorar sangue.

Maria chora silenciosamente, enquanto vai dizendo estas pala­vras. E, tão silenciosamente, que José, inclinado como estå, nem percebe isso, até que uma lågrima sua caiu no chão. Então, ele levanta a cabeça e (é a primeira vez que o vejo fazer isso) aperta as mãozinhas de Maria com suas mãos morenas e fortes, beija as pontas daqueles dedos rosados e tão delicados, que despontam como botÔes de pessegueiro, do anel formado pelo aperto das mãos de José.

26.5 – Agora Ă© preciso tomar providĂȘncias para que


José não diz mais nada, mas olha para o corpo de Maria, e ela fica ruborizada, e de repente se assenta, para não ficar assim exposta àquele olhar que a estå observando.

– Será preciso agirmos logo. Eu virei aqui. Realizaremos o casamento
 Na semana que vem. Está bem assim?

– Tudo o que fazes estĂĄ bem, JosĂ©. Tu Ă©s o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– NĂŁo. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que estĂĄ crescendo em teu ventre. Tu Ă©s bendita entre todas as mulheres de Israel. Esta tarde jĂĄ avisarei os parentes. E depois
 quando eu estiver aqui, iremos preparando tudo para receber
 Oh! como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me farĂĄ morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!


– Tu bem que o poderĂĄs, JosĂ©, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu Ă©s tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!


– Jesus vem ao mundo por nĂłs, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nĂłs dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, JosĂ©. A estirpe de Davi jĂĄ tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palĂĄcio de SalomĂŁo, porque aqui serĂĄ o cĂ©u e nĂłs dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberĂŁo. CrescerĂĄ entre nĂłs, e os nossos braços serĂŁo o berço do Redentor, que irĂĄ crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ĂŁo um pĂŁo
 Oh! JosĂ©! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mĂŁe”! Oh!


E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visĂŁo termina aqui.

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EMF 27

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O édito do recenseamento. Ensinamentos sobre o amor ao marido e a confiança em Deus.

Data da visĂŁo e do ditado: Domingo 4 de junho de 1944

CalendĂĄrio: Domingo, 17 de novembro de 5 d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria estå em casa. A sua gravidez estå muito avançada. Maria descreve-a e explica que é assim que ela serå no seu corpo glorificado. Depois retoma a história, e José chega. Sorri para a mulher, mas estå preocupado. Maria apercebe-se disso e ele explica-lhe que acaba de ser publicado um edital. Ele estava preocupado com Maria, que teria de fazer a viagem, mas a Virgem estava a pensar nas Sagradas Escrituras e sentia que o nascimento teria lugar ali. Confia os seus pensamentos a José, que fica ainda mais alarmado e preocupado, e ela tranquiliza-o, dizendo-lhe que confie em Deus. Ao ouvi-la, José acalmou-se, sorriu e decidiu pÎr mãos à obra na viagem que tinha pela frente.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 27.1: A gravidez avançada de Maria e a sua eterna juventude. 27.2: O Ă©dito Ă© publicado; temos de ir para BelĂ©m. 27.3: É lĂĄ que o Messias vai nascer. 27.4: JosĂ© volta a sorrir. 27.5: O que pesa sobre os ombros dos noivos, respetivamente. 27.6: A confiança em Deus resume as virtudes teologais. 27.7: Nada pode acontecer sem a permissĂŁo de Deus.

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EMF 27.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.1 Vejo ainda a casa de Nazaré e o pequeno quarto onde habitualmente Maria toma as suas refeiçÔes. Agora ela estå trabalhando em uma tela branca. Påra seu trabalho para acender um candeeiro, porque a tarde vem chegando, e ela não estå mais enxergando bem, com essa luz esverdeada que estå entrando pela porta semi-aberta, do lado do pomar. Maria também fecha a porta.

Vejo como jĂĄ estĂĄ volumosa de corpo. Mas ainda muito bonita. Seu passo Ă© sempre ligeiro, e gentis sĂŁo todos os seus gestos. NĂŁo hĂĄ nada daquele peso prĂłprio da mulher, que estĂĄ perto de dar Ă  luz. SĂł no rosto Ă© que ela estĂĄ mudada. Agora Ă© “a mulher.” Antes, no tempo da Anunciação, era uma jovenzinha de rosto sereno e inocente: um rosto inocente de criança. Depois, na casa de Isabel, no momento do nascimento do Batista, seu rosto jĂĄ se apresentava com uma graça mais madura. Agora Ă© um rosto sereno, mas docemente majestoso, da mulher que atingiu sua plena perfeição na maternidade.

Não faz lembrar mais a sua querida “Annunziata” de Florença, pai. Quando eu era pequena, a reconhecia ali.

Agora, o rosto estå mais longo e magro, e os olhos mais pensativos e maiores. Em suma, é como Maria hoje no Céu. Porque ela retomou o aspecto e a idade do momento em que nasceu o Salvador.

A sua eterna juventude, a qual nĂŁo sĂł nĂŁo conheceu a corrupção mortal, mas nem mesmo murchou com o passar dos anos. O tempo nĂŁo teve ação sobre ela, a nossa rainha e mĂŁe do Senhor, que criou o tempo. Nos tormentos da PaixĂŁo (tormentos que começaram para ela muito antes, pois eu diria que começaram desde o inĂ­cio da evangelização de Jesus) ela apareceu envelhecida, mas esse enve­lhecimento era como um vĂ©u colocado pela dor sobre a sua incorruptĂ­vel pessoa. De fato, desde o momento em que reencontra Jesus ressuscitado, ela se torna novamente a criatura cheia de vida e perfeita, que era antes da PaixĂŁo, como se tendo beijado as SantĂ­ssimas Chagas, tivesse bebido nelas um elixir de juventude, que anulou a ação do tempo e, mais ainda do que isto, anulou a ação da dor. TambĂ©m hĂĄ oito dias que eu vi a descida do EspĂ­rito Santo, no dia de Pentecostes, vi Maria “extraordinariamente bela, e de repente rejuvenecida”, como escrevi, e como tinha escrito antes: “Ela parece um anjo azul.” Os anjos nĂŁo conhecem velhice. SĂŁo eternamente belos com eterna juventude, do eterno presente que Ă© Deus e que eles refletem em si.

A juventude angélica de Maria, o anjo azul, se completa e atinge a idade perfeita (idade que ela levou consigo para os céus, e que conservarå para sempre em seu santo corpo glorificado, quando o Espírito adorna a sua esposa, coroando-a diante dos olhos de todos) Agora ela não estå mais no segredo de um quarto desconhecido pelo mundo, sendo testemunhada apenas por um arcanjo.

Quis fazer esta digressão, porque me pareceu necessåria. Agora volto à descrição.

Maria, pois, tornou-se verdadeiramente “mulher”, cheia de dignidade e de graça. AtĂ© seu sorriso Ă© diferente, por sua doçura e majestade. Como Ă© bela!

Detalhe

Descrição física de Marie

Palavras-chave

EMF 27.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.2 JosĂ© vem entrando. Parece que estĂĄ vindo da cidade, porque estĂĄ entrando pela porta da casa, e nĂŁo da oficina. Maria levanta a cabeça e sorri para ele. JosĂ© retribui ao sorriso dela. Mas parece que ele faz isso como quem estĂĄ cansado, preocupado. Maria observa isso. Depois, ela se levanta para pegar o manto, que JosĂ© estĂĄ tirando, o dobra e o coloca sobre um baĂș.

José se assenta junto à mesa. Apóia um cotovelo sobre a mesa e a cabeça sobre a palma da mão, enquanto com a outra mão, alisa a barba, muito pensativo.

– Tens algum pensamento que te atormenta? –pergunta-lhe Maria–. Posso te consolar?

– Tu me consolas sempre, Maria. Mas desta vez o meu grande pensamento Ă©s
 tu.

– Eu, JosĂ©? O que Ă©?

– Colocaram um edito sobre a porta da sinagoga. EstĂĄ ordenado o recenseamento de todos os palestinos. E Ă© preciso que cada um vĂĄ recensear-se em seu lugar de origem. NĂłs temos que ir a BelĂ©m


27.3 – Oh! –interrompe Maria, pondo uma mão sobre o ventre.

– Isso te assusta, nĂŁo Ă©?

– NĂŁo, JosĂ©. NĂŁo Ă© isso. Penso nas Sagradas Escrituras: Raquel, mĂŁe de Benjamim e mulher de JacĂł, da qual nascerĂĄ a Estrela: o Salvador. Raquel estĂĄ sepultada em BelĂ©m, da qual estĂĄ escrito: “E tu, BelĂ©m Efrata, Ă©s a menor entre as terras de JudĂĄ, mas de ti sairĂĄ o Dominador.” É o Dominador que foi prometido, da estirpe de Davi. Ele vai nascer lá


– Achas
 achas que já chegou o tempo? E, então, como faremos?

José estå completamente perturbado. Ele olha para Maria com dois olhos cheios de piedade.

Ela percebe isso, e sorri. Sorri, mais para si mesma, do que para ele. É um sorriso que parece dizer: “É um homem justo, sim, mas um homem. E vĂȘ as coisas como homem. Pensa como homem. Tem compaixĂŁo dele, minha alma, e guia-o para que possa ver como homem espiritual.” Mas a bondade de Maria a leva a tranqĂŒilizĂĄ-lo. NĂŁo mente, porĂ©m afasta a sua preocupação:

– NĂŁo sei, JosĂ©. O tempo estĂĄ muito perto. Mas nĂŁo poderia o Senhor fazĂȘ-lo chegar mais devagar, para te livrar dessa preocupação? Ele pode tudo. NĂŁo tenhas medo.

– Mas, e a viagem? Depois, pensa sĂł na multidĂŁo que se vai aglomerar
 Encontraremos bom alojamento? E poderemos fazer tudo, a tempo de voltar? E se
 se tivesses de dar Ă  luz por lĂĄ, como Ă© que farĂ­amos? NĂłs nĂŁo temos casa em BelĂ©m
 NĂŁo conhecemos ninguĂ©m lá


– NĂŁo tenhas medo. Tudo irĂĄ sair bem. Deus faz que os animais encontrem uma toca para darem cria. Queres que Ele nĂŁo faça que achemos um lugar para o nascimento do seu Messias? NĂłs confiamos Nele. NĂŁo Ă© verdade? Sempre confiamos Nele. Quanto mais forte Ă© a provação, mais confiamos. Como duas crianças, colocamos nossas mĂŁos na Sua de Pai. Ele nos guia. Estamos completamente entregues a Ele. Olha como nos conduziu atĂ© aqui com amor. Um pai, por melhor que seja, nĂŁo poderia tĂȘ-lo feito com maior cuidado. Somos seus filhos e seus servos. Façamos a Sua vontade. Nada de mal nos pode acontecer. AtĂ© mesmo esse edito Ă© da vontade Dele. Pois, afinal, quem Ă© CĂ©sar? Apenas um instrumento de Deus. Desde quando o Pai decidiu perdoar ao homem, Ele dispĂŽs os fatos com antecedĂȘncia, para que o seu Cristo nascesse em BelĂ©m. Esta, a menor das cidades de JudĂĄ, ainda nĂŁo existia, e jĂĄ a sua glĂłria estava planejada. A fim de que essa glĂłria se realize, e a palavra de Deus nĂŁo seja desmentida, com o nascimento do Messias noutro lugar, bem longe daqui surgiu um poderoso, que nos dominou, e que agora, que o mundo estĂĄ em paz, quer saber quantos sĂŁo os seus sĂșditos. Oh! O que Ă© toda esta nossa pequena fadiga, se pensarmos na beleza deste momento de paz? Pensa, JosĂ©. Um tempo em que nĂŁo hĂĄ Ăłdio no mundo! Mas que pode ser ainda mais feliz, ao surgir a “Estrela”, cuja luz Ă© divina, e cujo influxo Ă© redenção? Oh! NĂŁo tenhas medo, JosĂ©. Se as estradas sĂŁo inseguras e a multidĂŁo de gente torna difĂ­cil a nossa passagem, os anjos nos defenderĂŁo, e abrirĂŁo caminho para nĂłs. NĂŁo propriamente para nĂłs, mas para o Rei deles. Se nĂŁo encontramos abrigo, eles nos farĂŁo uma tenda com suas asas. Nada nos acontecerĂĄ de mal. NĂŁo pode acontecer: Deus estĂĄ conosco.

27.4 José olha para ela, e a ouve extasiado. As rugas de sua fronte parecem diminuir, e seu sorriso volta. Ele se levanta, jå sem cansaço e sem desùnimo. Sorri.

– Bendita Ă©s tu, Ăł sol do meu espĂ­rito! Bendita Ă©s tu, que sabes ver tudo atravĂ©s da graça, da qual estĂĄs cheia! EntĂŁo, nĂŁo percamos tempo. Pois Ă© preciso partir quanto antes e
 voltar sem demora, porque aqui jĂĄ estĂĄ tudo pronto para o
 para o


– Para o nosso Filho, JosĂ©. Isso Ă© o que deve ser aos olhos do mundo, lembra-te bem disso! O Pai encobriu com mistĂ©rio esta sua vinda, e nĂłs nĂŁo devemos levantar o vĂ©u do mistĂ©rio. Jesus farĂĄ isso, quando chegar a hora


A beleza do rosto, do olhar, da expressĂŁo e da voz de Maria, quando pronuncia o nome de “Jesus”, Ă© indescritĂ­vel. É em ĂȘxtase. E, com este ĂȘxtase, cessa a visĂŁo.

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EMF 28

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A chegada a Belém.

Data da visĂŁo: Segunda-feira 5 de junho de 1944

Calendårio: Terça-feira 10 de dezembro -5 D.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria e José partem para Belém. Maria vai montada num burro e José vai a pé, pois não conseguiu arranjar dois burros. O marido da Virgem pergunta-lhe se ela estå cansada, mas ela tranquiliza-o. Quando José lhe pergunta se tem frio, ela também o tranquiliza, mas desta vez o seu tutor não fica satisfeito com a sua resposta e julga que os seus pés estão frios. Por isso, då-lhe mais um cobertor.

No caminho, o casal encontra Elias, um dos futuros pastores que virão adorar Cristo. Acompanhado do seu rebanho de ovelhas, då-lhes leite fresco. Dado o estado de Maria, då-lhes informaçÔes sobre Belém e diz-lhes que estå cheia de gente por causa do édito. O homem då-lhes alguns conselhos preciosos, caso não consigam encontrar abrigo, e diz-lhes para irem para as cabanas da montanha, se não conseguirem mesmo encontrar nada.

Quando voltam a partir, Maria diz ao marido que acha que chegou o momento. A Virgem estava verdadeiramente feliz com o nascimento do seu Filho, mas José não estava tão contente e apressou-se a arranjar-lhes alojamento. Ninguém os recebe e jå é noite. Assim, são obrigados a dirigir-se aos abrigos mencionados por Elias, mas os melhores lugares estão ocupados. Por fim, foram encaminhados para uma cova muito pobre, onde só havia um boi. Instalaram-se ali por falta de algo melhor, mas, como disse José, "é melhor do que nada". O animal era muito dócil e aceitou os novos visitantes. José prepara um lugar para Maria, aquecendo feno e depois, quando tudo estå pronto, encoraja-a a dormir. E assim termina a visão.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 28.1: Na estrada, em pleno inverno. 28.2: NĂŁo sei se encontrarĂĄs um lugar para ficar. 28.3: NĂŁo hĂĄ lugar na estalagem. 28.4: Uma espĂ©cie de gruta onde hĂĄ um boi. 28.5: JosĂ© estĂĄ a preparar tudo. 28.6: A visĂŁo fala por si.

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EMF 28.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

28.1 Vejo uma estrada mestra. Nela hå muita gente. Também bur­rinhos que vão carregando utensílios domésticos e pessoas. Burrinhos que voltam. As pessoas esporam suas cavalgaduras, e quem vai a pé anda depressa, porque estå fazendo frio.

O ar estĂĄ limpo e seco, e o cĂ©u sereno, mas no ar hĂĄ um ventinho cortante, caracterĂ­stico do pleno inverno. O campo, depois das colhei­tas, parece mais vasto, os pastos estĂŁo com a erva baixa e tostada pelos ventos do inverno; por eles as ovelhas procuram um pouco de alimento e buscam os raios do sol surgindo, pouco a pouco. Elas estĂŁo muito juntas umas das outras, porque tambĂ©m estĂŁo com frio e balem, levantando o focinho e olhando para o sol, como se lhe quisessem dizer: “Vem logo, que estĂĄ fazendo frio!” O terreno Ă© cheio de ondulaçÔes, que vĂŁo se tornando cada vez mais nĂ­tidas. Na verdade, este Ă© um lugar de colinas. Aqui hĂĄ vales cheios de ĂĄrvores e de encostas, hĂĄ pequenos vales e morros. A estrada passa pelo meio, e se dirige para sudeste.

Maria estĂĄ sobre um burrinho cinzento. EstĂĄ toda enrolada no pesado manto. Na dianteira da sela estĂĄ aquele instrumento, jĂĄ visto na viagem para Hebron, e por cima, estĂĄ o baĂș com as coisas mais essenciais.

José vai caminhando, ao lado do burrinho de Maria, segurando a rédea.

– Estás cansada? –pergunta ele de vez em quando.

Maria olha para ele, sorrindo, e diz:

– Não.

Mas, na terceira vez, ela acrescenta:

– Tu, sim, que estĂĄs caminhando, Ă© que deves estar cansado.

– Oh! Eu? Para mim isso nĂŁo Ă© nada. O que penso Ă© que se eu tivesse achado um outro jumento, podias estar com mais comodidade e andar um pouco mais. Mas eu nĂŁo achei. Agora todos estĂŁo precisando de cavalgaduras. Tem coragem! Daqui a pouco, estaremos em BelĂ©m. AtrĂĄs daquele monte estĂĄ Efrata.

Calam-se. A virgem, quando nĂŁo estĂĄ falando, parece recolher-se em uma oração interior. Sorri, com um sorriso manso, por algum pensamento passageiro e, olhando as pessoas, parece nĂŁo as estar vendo, isto Ă©, nĂŁo as distingue, se trata-se de um homem, uma mulher, um velho, um pastor, um rico ou um pobre. O que ela vĂȘ sĂŁo sĂł pessoas.

– EstĂĄs com frio? –pergunta JosĂ©, porque o vento começa a soprar.

– Não, obrigada.

Mas JosĂ© nĂŁo se fia no que ela diz. Toca com as mĂŁos os pĂ©s dela, que vĂŁo pendurados aos lados do burrinho, calçados com sandĂĄlias, e que mal se vĂȘem apontar por debaixo da longa veste. A JosĂ© eles devem estar parecendo frios, porque ele sacode a cabeça, pega numa coberta que ia levando a tiracolo e com ela envolve as pernas de Maria. Ele a estende tambĂ©m sobre o regaço, de maneira que as mĂŁos dela fiquem bem quentes por debaixo da coberta e do manto.

28.2 Encontram-se com um pastor, que estå atravessando a estrada com o seu rebanho, passando do pasto da direita para a esquerda. José se inclina para dizer-lhe alguma coisa. O pastor responde que sim. José påra o burrinho, e depois o vai puxando pelo pasto, atrås do rebanho. O pastor apanha uma tosca escudela de um alforje e, depois de tirar o leite de uma ovelha grande, que estå com as tetas cheias, o då na escudela a José, que o oferece a Maria.

– Deus vos abençoe aos dois –diz Maria–. A ti pelo teu amor, e a ti pela tua bondade. Eu rezarei por ti.

– Estais vindo de longe?

– De NazarĂ© –responde JosĂ©.

– E para onde ides?

– Para BelĂ©m.

– É uma viagem longa para uma mulher nesse estado. É tua esposa?

– É minha esposa.

– JĂĄ tĂȘm lugar onde ficar em BelĂ©m?

– Não.

– A coisa estĂĄ feia! BelĂ©m estĂĄ cheia de gente vinda de toda parte, para o recenseamento ou de passagem para outro lugar. NĂŁo sei se encontrareis alojamento. Tens conhecimento do lugar?

– Não muito.

– Pois bem
 eu vou te ensinar
 por causa dela (e acena para Maria). Procura o albergue. Ele deve estar cheio. Mas eu falo nele somente para que vos sirva como ponto de referĂȘncia. Ele fica numa praça, a maior praça da cidade. Vai-se atĂ© lĂĄ por esta estrada mestra. NĂŁo hĂĄ engano. O albergue tem uma fonte na frente, e Ă© largo e baixo, com um grande portĂŁo. Ele estarĂĄ cheio. Mas, se nĂŁo encontrardes lugar no albergue nem nas casas, dai a volta por detrĂĄs do albergue, para o rumo do campo. No monte hĂĄ estrebarias, que Ă s vezes servem para os mercadores que vĂŁo a JerusalĂ©m e deixam lĂĄ seus animais, quando nĂŁo acham lugar no albergue. SĂŁo estrebarias, entendeis? EstĂŁo no monte e sĂŁo Ășmidas, frias e sem porta. Mas sempre sĂŁo um refĂșgio, pois a mulher nĂŁo pode ficar pela estrada. Talvez lĂĄ encontreis um lugar
 e feno para se poder dormir e tambĂ©m para o jumento. E que Deus vos acompanhe.

– E Deus te dĂȘ alegria –responde Maria.

José por sua vez responde:

– A paz esteja contigo.

28.3 Retomam a estrada. Um vale bem maior se faz ver do alto do morro que acabam de galgar. No vale, para cima e para baixo, pelos declives suaves que o circundam, aparecem casas e mais casas. É BelĂ©m.

– Eis-nos, afinal, na terra de Davi, Maria. Agora descansarás, pois me pareces tão cansada


– Não. Eu pensava
 estou pensando


Maria agarra a mão de José e lhe diz com um alegre sorriso:

– Acho que o tempo chegou mesmo!

– Deus de misericórdia! Como vamos fazer?

– NĂŁo tenhas medo, JosĂ©. Procura ficar firme. NĂŁo vĂȘs como eu estou calma?

– Mas estás sofrendo muito.

– Oh! nĂŁo. Estou cheia de alegria. Uma alegria tal, e tĂŁo forte, tĂŁo bela, tĂŁo incontrolĂĄvel, que o meu coração estĂĄ batendo forte, e me estĂĄ dizendo: “Ele estĂĄ nascendo! Ele estĂĄ nascendo!” A cada batida, ele diz isso. É o meu Menino, que estĂĄ batendo Ă  porta do meu coração, e estĂĄ dizendo: “mamĂŁe, eu estou aqui e vim te dar o beijo de Deus.” Oh! Que alegria meu JosĂ©!

Mas JosĂ© nĂŁo se sente invadido por aquela alegria dela. Ele estĂĄ pensando na necessidade urgente de encontrar um abrigo, e aperta o passo. De porta em porta, vai pedindo um abrigo. Nada. Tudo ocupado. Chegam ao albergue. EstĂĄ cheio, atĂ© por baixo dos pĂłrticos rĂșsticos, que circundam o grande pĂĄtio interno, com gente que acampou por ali.

JosĂ© deixa Maria sobre o burrinho, dentro do pĂĄtio, e sai procurando pelas outras casas. Volta desanimado. NĂŁo se acha nada. O rĂĄpido escurecer deste tempo de inverno jĂĄ começa a se estender sobre a terra. JosĂ© vai suplicar ao albergador. Suplica aos viajantes, e lhes diz que eles sĂŁo homens e estĂŁo com saĂșde, e que aqui hĂĄ uma mulher que estĂĄ para dar Ă  luz um filho, e que eles tenham piedade. Mas nada.

Neste lugar estå também um rico fariseu, que olha para José e Maria com um manifesto desprezo e, quando Maria se aproxima dele, ele se desvia dela, como se estivesse chegando perto uma leprosa. José olha para ele, e um rubor de desdém lhe sobe ao rosto. Maria pousa a mão sobre o pulso de José, para acalmå-lo, e lhe diz:

– Não insistas! Vamos. Deus providenciará.

28.4 Saem e vĂŁo acompanhando o muro do albergue. Dobram para uma estradinha encaixada entre o muro e uns casebres. Andam por detrĂĄs do albergue. Procuram. Acham umas grutas parecidas com umas adegas mais que uns estĂĄbulos de tĂŁo baixas e Ășmidas que sĂŁo. As mais bonitas jĂĄ estĂŁo ocupadas. JosĂ© sente-se prostrado.

– Escuta, Ăł galileu! –grita-lhe um velho que vem vindo por detrĂĄs–. LĂĄ no fundo, por baixo daquele desmoronamento, existe uma toca. Quem sabe ninguĂ©m a tenha ocupado ainda.

Eles se apressam para chegarem Ă quela “toca.” É mesmo uma toca. Por entre os escombros da construção em ruĂ­na, hĂĄ uma abertura depois da qual aparece uma gruta, que nada mais Ă© do que uma escavação feita no monte. Parecem ser os fundamentos de antiga construção que ficaram servindo de teto aos entulhos escorados por troncos de ĂĄrvores.

Para ver melhor, pois no lugar hå muito pouca luz, José pega a isca e o fuzil e acende uma lampadinha, que ele tira do alforje, trazido por ele a tiracolo. Entra e é saudado por um mugido.

– Vem, Maria. Está vazia. Aí dentro há somente um boi.

José sorri e diz:

– É melhor do que nada.

28.5 Maria apeia do burrinho e entra.

JosĂ© pendurou a lampadinha em um prego fincado em um dos troncos que estĂŁo ali como escoras. Por todos os lados a gruta estĂĄ cheia de teias de aranha. O solo Ă© de terra batida e todo cheio de buracos, de pedrinhas, de detritos, excrementos e coberto com fragmentos de palha. LĂĄ no fundo, o boi se vira e fica olhando com seus olhos mansos, enquanto o feno estĂĄ pendente de seus beiços. Dentro da gruta hĂĄ tambĂ©m um assento rĂșstico e duas pedras a um canto, perto de uma fresta. A cor enegrecida daquele canto nos diz que lĂĄ dentro se costuma acender fogo.

Maria se aproxima do boi. Ela estå com frio. PÔe as mãos no pescoço do boi, para sentir a temperatura. O boi muge, e deixa-se ser tocado. Parece estar compreendendo. Mesmo quando José o afasta dali para tirar mais feno da manjedoura e fazer uma cama para Maria. A manjedoura é dupla isto é, onde o boi come e, mais acima, numa espécie de prateleira estå outro feno de reserva. José apanha um punhado deste feno. O boi o deixa fazer tudo isso. José arranja um lugar também para o burrinho que, cansado e com fome, logo se pÔe a comer.

JosĂ© descobre por ali tambĂ©m um cĂąntaro emborcado e todo amassado. Sai com este cĂąntaro porque lĂĄ fora jĂĄ descobriu um riacho. Volta trazendo ĂĄgua para o burrinho. Depois, apanha um feixe de ramos que estĂĄ posto num canto, procura varrer um pouco o chĂŁo. Em seguida, estende o feno. Faz com ele uma enxerga, perto do boi, no canto que estĂĄ mais enxuto e resguardado. Mas percebe que o feno estĂĄ Ășmido, e dĂĄ um suspiro. Passa, entĂŁo, a procurar acender o fogo e, com uma paciĂȘncia de JĂł, vai enxugando o feno, aos punhados, conservando-o perto da fonte de calor.

Maria, sentada no banco, estĂĄ cansada e olha sorrindo. EstĂĄ tudo pronto. Maria se acomoda melhor sobre o feno fofo, com as costas apoiadas em um tronco, JosĂ© completa
 as alfaias, estendendo o seu manto como uma cortina sobre a abertura que serve de porta. É um resguardo muito precĂĄrio. Depois, oferece pĂŁo e queijo Ă  virgem, e lhe dĂĄ ĂĄgua de um cantil para beber.

– Dorme agora –lhe diz ele–. Eu ficarei acordado para não deixar o fogo apagar. Por sorte, temos ainda lenha; esperemos que ela dure e seja boa para o fogo. Assim poderemos economizar azeite para a candeia.

Maria se estende, obediente. José a cobre com o manto da própria Maria e com a coberta que ele havia posto sobre os pés dela.

– Mas tu
 ficarás com frio, tu.

– Não, Maria. Eu estou perto do fogo. Procura descansar. Amanhã tudo será melhor.

Maria fecha os olhos sem insistir. José se acomoda em seu canto, sobre o banco, com uns gravetos ao lado. São poucos. Não creio que durem para muito tempo.

Na gruta estĂŁo colocados assim: Maria Ă  direita, com as costas para a porta, meio escondida pelo tronco e pelo corpo do boi, que estĂĄ deitado sobre um estrado de palha. JosĂ© estĂĄ Ă  esquerda, virado para a porta, portanto em diagonal, tendo o rosto voltado para o fogo, e as costas para Maria. Mas ele, de vez em quando, se vira para olhar para ela, e a vĂȘ quieta, como se estivesse dormindo. JosĂ© vai quebrando devagar os seus gravetos, jogando, um por um, sobre o pequeno fogo, a fim de que nĂŁo se apague, para que produza alguma luz e para que a lenha dure mais. NĂŁo se vĂȘ mais do que uma claridade, ora mais viva, ora mais fraca, vinda do fogo, que estĂĄ se apagando, e naquela penumbra, sĂł se destaca mesmo a brancura do boi, do rosto e das mĂŁos de JosĂ©. Tudo o mais Ă© apenas uma massa confusa dentro da pesada penumbra.

28.6 – Não há ditado –diz Maria–. A visão fala por si mesma. A vós compete compreender a lição de caridade, humildade e pureza que emana dela. Descansa. Descansa velando, como eu velava, esperando Jesus. Ele virá trazer-te a Sua paz.

Anotação

Lucas 2:4-5:

José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, para a cidade de David, chamada Belém. Porque ele era da casa e da linhagem de David. Foi registar-se com Maria, que lhe tinha sido dada em casamento e que estava gråvida.

Palavras-chave

EMF 29

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo : O nascimento de Jesus. O poder salvador da maternidade divina de Maria.

Data da visão e do ditado: Terça-feira 6 de junho de 1944

CalendĂĄrio: Quarta-feira 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria e JosĂ© estĂŁo na manjedoura em BelĂ©m. JosĂ© adormeceu, mas Maria nĂŁo. Ela vĂȘ que o marido estĂĄ a dormir e sorri largamente, depois coloca-se discretamente em posição de oração. A Virgem reza intensamente. JosĂ© acorda finalmente e dirige algumas palavras a Maria, para ver se ela precisa de alguma coisa. Depois, tambĂ©m ele decide rezar Ă  lareira.

A luz da lua chega a Maria e, a certa altura, ela levanta a cabeça, como se respondesse a um chamamento. Sorriu e a luz tornou-se cada vez mais forte, envolvendo-a completamente. Quando a luz se tornou suportåvel para Maria, a Imaculada Conceição segurou o seu Filho nos braços. O bebé chorou e ela chamou o marido. Ele foi como que atingido por um raio quando viu o Salvador, mas Maria convidou-o a aproximar-se e ofereceu-o ao Pai com José. Ela confia então Jesus ao seu suposto pai, enquanto ele vai buscar as faixas. A princípio, ele foi muito reservado, com medo de ser desrespeitoso, mas assim que o teve nos braços, abandonou a sua intenção inicial e cuidou dele como se fosse a menina dos seus olhos. Juntamente com Maria, colocam-no em faixas e envolvem-no num cobertor que aqueceram à lareira, e então a Mãe pergunta, com razão, onde vão colocar o Menino. José sugere então que o coloquem numa manjedoura ao lado do boi, porque a madeira o protegeria das correntes de ar, o feno serviria de almofada e o hålito do animal, que era calmo e tranquilo, o aqueceria um pouco. E assim fizeram. E depois ambos adoraram o Redentor que tinha descido do Céu para nos salvar.

Maria då então um ditado a Maria. Anuncia a Maria um tempo de sofrimento, mas diz-lhe que é através do sofrimento que se ganha a paz, "bem como a graça para nós e para os outros". Fala de Jesus Homem que, depois da Paixão, voltou a ser Jesus Deus, mas que não teve paz no momento da sua provação, porque de outra forma não teria sofrido.

Depois a Mãe då uma lição para todos, explicando como participou na redenção das mulheres através da sua maternidade divina.

Ela venceu o orgulho, humilhando-se atĂ© ao mais profundo do seu ser. Ela venceu a ganĂąncia dos nossos primeiros pais, entregando antecipadamente o seu Filho. Ultrapassou a ganĂąncia do conhecimento e do prazer, aceitando saber apenas o que Deus queria que ela soubesse. A plenitude da Graça venceu a luxĂșria, que Ă© a gula levada ao ponto da gula. Por fim, deu a paz Ă  mulher aos pĂ©s da Cruz, quando viu o seu Filho morrer. A Virgem morreu nesse momento, para se tornar a MĂŁe da Graça.

Sublinha que foi pelas mulheres que ela fez tudo isto, para que nĂłs nos tornĂĄssemos santos de Deus.

Índice do capĂ­tulo: 29.1: Maria e JosĂ© em oração. 29.2: Uma luz transfigura Maria. 29.3: O menino nasce numa luz deslumbrante. 29.4: A criança Ă© oferecida a Deus e entregue a JosĂ©. 29.5: Apressa-se a protegĂȘ-lo do frio. 29.6: É no sofrimento que se ganha a paz. 29.7: Eu redimi o quĂĄdruplo pecado de Eva. 29.8: A humildade contra o orgulho. 29.9 : A renĂșncia contra a avareza. 29.10: A fome de Deus contra a gula. 29.11: A castidade contra a luxĂșria. 29.12: A paz obtida aos pĂ©s da cruz. 29.13: A participação na redenção.

Palavras-chave

EMF 29.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo ainda o interior deste pobre refĂșgio rochoso, onde JosĂ© e Maria encontraram o abrigo que compartilham com animais.

Um pequeno fogo estĂĄ cochilando junto ao seu guardiĂŁo. Maria levanta um pouco a cabeça da enxerga, e olha. VĂȘ JosĂ© com a cabeça inclinada sobre o peito, como se estivesse pensando, e ela tambĂ©m acha que o cansaço deva ter vencido a sua boa vontade em ficar acordado todo o tempo. Maria sorri com um sorriso cheio de bondade e, fazendo menos barulho do que pode fazer uma borboleta ao pousar sobre uma rosa, se pĂ”e sentada e, depois de sentada, se pĂ”e de joelhos. Reza com um sorriso feliz em seu rosto. Reza de braços abertos, nĂŁo propriamente cruzados, mas quase, e com as palmas viradas para o alto e para a frente. Nem parece ficar cansada naquela penosa posição. Depois, se prostra com o rosto contra o feno, em uma oração ainda mais intensa. É uma longa oração.

JosĂ© desperta. VĂȘ que o fogo estĂĄ quase apagado e a gruta estĂĄ ficando escura. Joga um punhado de gravetos bem finos, e a chama se ergue de novo; procura depois uns galhos mais grossos, porque o frio deve ser de gelar. É o frio da noite serena de inverno, que entra por todos os lados da gruta. O pobre JosĂ©, perto da porta (chamamos assim de porta a abertura sobre a qual estĂĄ estendido seu manto) deve estar se enregelando. Ele aproxima as mĂŁos da chama, desata as sandĂĄlias, aproxima tambĂ©m os pĂ©s. Procura aquecer-se. E, quando o fogo jĂĄ estĂĄ bem vivo, sua luz firme, vira as costas. Mas agora nĂŁo vĂȘ nada, nem mesmo a brancura do vĂ©u de Maria, que antes formava uma linha clara sobre o feno escuro. PĂ”e-se de pĂ© e, lentamente, vai-se aproximando da enxerga.

– Não estás dormindo, Maria? –ele pergunta.

Faz a mesma pergunta trĂȘs vezes, atĂ© que Maria estremece, e lhe responde:

– Estou rezando.

– Não estás precisando de nada?

– NĂŁo, JosĂ©.

– Procura dormir um pouco. Ou, pelo menos, descansar.

– Vou procurar. Mas rezar não me cansa.

– AtĂ© logo, Maria.

– AtĂ© logo, JosĂ©.

Maria volta à sua posição. José, para não cair de novo no sono, pÔe-se de joelhos perto do fogo, e reza. Reza apertando as mãos sobre o rosto. Tira-as, cada vez que precisa alimentar o fogo, voltando à sua fervorosa oração. Com exceção do barulho da lenha que crepita no fogo e o do burrinho que, de vez em quando, bate um casco no chão, não se ouve mais nada.

29.2 Um pouco de luar estå entrando por uma fenda do teto, e parece a lùmina de alguma prata imaterial, que vai-se aproximando de Maria. A lùmina vai-se alongando, à medida que a lua vai ficando mais alta no céu e, finalmente a alcança. Agora, jå estå sobre a cabeça da orante, ornando-a com uma auréola de luz.

Maria levanta a cabeça, como se tivesse sido chamada por uma voz do céu, e se pÔe de novo de joelhos. Oh! Como é belo aqui. Maria ergue de novo a cabeça, que parece estar brilhando, à luz branca da lua, e um sorriso não humano a transfigura. Que é que ela estarå vendo? Que estarå ouvindo? Que estarå experimentando? Somente Ela poderia dizer o que estå vendo, ouvindo e o que experimentou na hora esplendorosa de sua maternidade. Eu vejo apenas a luz crescendo sempre mais, ao redor dela. Parece descer do Céu, saindo das pobres coisas que estão ao redor, e parece emanar dela mesma, ainda mais.

Sua veste, de um azul escuro, parece agora de um suave celeste de miosĂłtis. Suas mĂŁos e seu rosto parecem ficar de um azul muito delicado, como os de alguĂ©m que fosse colocado sob o foco de uma imensa safira clara. Esta cor, ainda mais tĂȘnue, me faz lembrar as cores das minhas visĂ”es do santo ParaĂ­so, e tambĂ©m a cor da chegada dos Magos, uma cor que vai-se difundindo sobre as coisas e as vestes, purificando tudo, e tornando-as resplandecentes.

A luz, que se desprende sempre mais do corpo de Maria, absorve a luz da lua, e parece que ela atraia a si toda a luz do CĂ©u. Agora ela Ă© a depositĂĄria da Luz. É ela que deve dar esta Luz ao mundo. E esta Luz beatĂ­fica, incontrolĂĄvel, imensurĂĄvel, eterna e divina, estĂĄ para ser dada, e se anuncia como uma luz de aurora crescendo, um coro de ĂĄtomos aumentando, a marĂ© subindo, a nuvem do incenso espalhando-se, para descer depois como uma enchente e estender-se como um vĂ©u


O teto, cheio de fendas, teias de aranha, entulhos que em cima se estendem para a frente, estão em equilíbrio por um milagre da eståtica, esse teto que antes era tão enegrecido, enfumaçado e repelente, estå parecendo agora o teto de uma sala real. Cada uma das grandes pedras é um bloco de prata, cada fenda é um lampejar de opalas, cada teia de aranha é um baldaquim precioso, confeccionado com prata e diamantes. Uma lagartixa grande e verde, que estå dormindo em letargia entre duas pedras, parece um colar de esmeraldas esquecido por alguma rainha. Um cacho de morcegos, também em letargia, parece um precioso lampadårio de Înix. O feno, que estå na manjedoura de cima, jå não é mais uma erva: são fios e mais fios de prata pura, que tremulam no ar com a graça de uma cabeleira solta.

A manjedoura de baixo estĂĄ com sua madeira de cor escura transformada em bloco de prata brunida. As paredes estĂŁo cobertas de um brocado no qual a alvura da seda desaparece sob o bordado opalino do relevo, e o solo
 o que Ă© o solo agora? É um cristal que possui luz branca acesa em si mesmo. As saliĂȘncias sĂŁo como rosas de luz projetadas em homenagem ao solo; e os prĂłprios buracos sĂŁo vasos preciosos, de onde devem emanar aromas e perfumes.

29.3 A luz vai-se tornando cada vez mais forte. Ela fica insuportåvel para a vista. A virgem desaparece nela, como se estivesse sendo absorvida por um véu incandescente
 e dele surge a mãe.

Sim. Quando a luz volta a ser suportĂĄvel aos meus olhos, vejo Maria com o Filho recĂ©m-nascido nos braços. Um pequenino, todo rĂłseo e gorducho, que agita os braços e esperneia. Tem as mĂŁozinhas do tamanho de botĂ”es de rosa e seus pezinhos caberiam na corola de uma rosa. Ele solta vagidos com sua vozinha trĂȘmula, como a de um cordeirinho que acaba de nascer, abrindo a boquinha, que mais parece um moranguinho selvagem, e mostrando a linguinha que bate repetidamente contra o vĂ©u palatino. Move a cabecinha loira, que me parece quase sem cabelos, essa cabecinha redonda que a mamĂŁe sustenta na palma de sua mĂŁo, enquanto olha o Menino e o adora, chorando e rindo ao mesmo tempo, e se inclina para beijĂĄ-lo nĂŁo em sua cabecinha­, mas em seu peito, onde estĂĄ batendo seu coraçãozinho, batendo por nĂłs
 Ă© nesse coração em que um dia haverĂĄ uma ferida. E Maria, com antecipação, jĂĄ medica tal ferida, com seu beijo imaculado de mĂŁe.

O boi, despertado pela claridade, levanta-se, fazendo um grande barulho com seus cascos, e muge, enquanto o burrinho vira a cabeça e urra. É a luz que os desperta, mas eu gosto de pensar que eles quiseram saudar o seu Criador, por si mesmos, mas tambĂ©m por todos os animais.

29.4 Também José que, quase extasiado, estava rezando de um modo tão recolhido, que nem notou o que estava acontecendo ao redor, volta a si da oração, vendo filtrar-se aquela estra­nha­ luz entre os dedos das mãos, que estão unidas sobre o rosto. Tira, então, as mãos do rosto, levanta a cabeça e se vira para trås. O boi, que agora se pÎs de pé, estå escondendo Maria. Mas ela diz:

– JosĂ©, vem cĂĄ.

JosĂ© se aproxima dela. E, ao ver, pĂĄra dominado por um sentimento de reverĂȘncia, e estĂĄ para cair de joelhos lĂĄ mesmo no lugar em que estĂĄ. Mas Maria insiste, dizendo:

– Vem cĂĄ, JosĂ© –e, firmando a mĂŁo esquerda sobre o feno, com a direita ela segura apertado contra o seu coração o Menino. Levanta-se entĂŁo, indo ao encontro de JosĂ©, que caminha tropegamente, embaraçado pelo contraste do seu desejo de aproximar-se e o temor de ser irreverente.

Aos pés do catre, os dois esposos se encontram e olham um para o outro, num só e feliz pranto.

– Vem, vamos oferecer Jesus ao Pai –diz Maria.

Enquanto José se ajoelha, ela se pÔe de pé entre dois troncos que sustentam o teto, levanta o Filho em seus braços, e diz:

– Eis-me aqui, Senhor. Por Ele, Ăł Deus, eu te digo esta palavra. Eis-me aqui para fazer a tua vontade. Com Ele estamos eu, Maria, e JosĂ©, meu esposo. Eis-nos aqui, teus servos, Senhor! A tua vontade seja feita sempre por nĂłs, em toda hora e em todos os acontecimentos, para a tua glĂłria e pelo teu amor.

Depois, Maria se inclina e diz:

– Toma-o, JosĂ© –oferecendo-lhe o Menino.

– Eu? Tu o entregas a mim? Oh! não! Eu não sou digno.

José estå completamente apavorado, e se sente aniquilado, só diante da idéia de ter que tocar em Deus.

Mas Maria insiste com ele, sorrindo:

– Tu Ă©s bem digno disso, sim. NinguĂ©m mais do que tu. Por isso Ă© que o AltĂ­ssimo te escolheu. Toma-o, JosĂ©, e segura-o, enquanto eu vou buscar as roupinhas.

JosĂ©, vermelho como escarlate, estende os braços e pega aquele embrulhinho de carne que estĂĄ gritando de frio e, quando jĂĄ estĂĄ com ele nos braços, nĂŁo se deixa mais levar pela vontade de tĂȘ-lo afastado do seu corpo pelo respeito, mas o aperta ao coração, dizendo numa grande explosĂŁo de pranto:

– Ó Senhor! Ó meu Deus!

Ao inclinar-se para beijar-lhe os pezinhos, percebe que eles estĂŁo frios e, entĂŁo, senta-se no chĂŁo e o pĂ”e em seu colo procurando cobri-Lo com a veste marrom e as mĂŁos, aquecendo-O e defendendo-O do vento frio da noite. Ele bem que gostaria de ir para perto do fogo, mas passa por lĂĄ aquela corrente de ar da entrada. É melhor ficar por aqui mesmo. É melhor, aliĂĄs, ficar entre os animais, que servem de escudo contra o ar, e que produzem calor. Assim pensando, coloca-se entre o boi e o jumento, com as costas para a porta, inclinando-se sobre o RecĂ©m-Nascido, fazendo do seu peito um nicho, cujas paredes laterais sĂŁo: uma cabeça cinzenta com longas orelhas­ e um grande focinho branco, com um nariz que solta vapor quente, e olhos Ășmidos, cheios de bondade.

29.5 Maria abriu o baĂș, tirando linhos e cueiros. Depois foi para perto do fogo, e aqueceu os panos. Vai entĂŁo a JosĂ©, envolvendo o Menino naqueles tecidos mornos e no seu vĂ©u para proteger-lhe a cabecinha.

– Onde vamos colocá-lo agora? –ela pergunta.

José estå olhando ao redor, pensativo


– Espera! –diz ele–. Vamos afastar um pouco os animais e o feno deles. Depois jogamos para baixo aquele feno que estĂĄ no alto colocando-o aqui dentro. A madeira da beirada protegerĂĄ o Menino do ar frio, o feno lhe servirĂĄ de travesseiro, e o boi com o seu hĂĄlito o aquecerĂĄ um pouco. Para isso, Ă© melhor o boi. Ele Ă© mais paciente e sossegado.

José pÔe mãos à obra, enquanto Maria nina o seu Menino, apertando-o ao coração, conservando sua face sobre a cabecinha para dar-lhe mais algum calor.

José atiça o fogo, sem economizar mais a lenha, para conseguir uma boa chama, esquentar o feno, e à medida que o feno se enxuga ele o coloca no peito, para que não se esfrie. Depois, quando jå apanhou o bastante para fazer um colchãozinho para o Menino, vai até a manjedoura e o pÔe, de modo a tomar a forma de um pequeno berço.

– Está pronto! –diz ele–. Agora precisaríamos de uma coberta, para cobrir o Menino, pois o frio está forte


– Toma o meu manto –diz Maria.

– Mas tu ficarás com frio.

– Oh! NĂŁo faz mal! O cobertor Ă© ĂĄspero demais. O manto Ă© macio e quente. Eu nĂŁo tenho frio algum. Mas quero que Ele nĂŁo sofra mais!

José pega, então o grande manto de lã macia, de cor azul clara, e o coloca dobrado sobre o feno, com uma beirada que fica pendurada para fora da manjedoura. Assim, o primeiro leito do Salvador ficou pronto.

E a mãe o leva, com passos cheios de graça e doçura, a fim de colocå-Lo na manjedoura cobrindo-O com a beirada do manto, que ajeita também ao redor da cabecinha descoberta, que começou a afundar-se no feno, e estava protegida apenas pelo leve véu de Maria, contra esta aspereza. Permanece descoberto somente o rostinho do tamanho do punho, e os dois, inclinados sobre a manjedoura, o ficam olhando felizes, enquanto ele dorme o seu primeiro sono, porque o calor bom dos cueiros e do feno lhe acalmou o choro, e o doce Jesus conciliou o sono.

Detalhe

Nascimento de Jesus: Ver 29.2-3.

Anotação

Lucas 2,6-7: Enquanto estavam ali, cumpriu-se o tempo em que ela devia dar Ă  luz. Envolveu-o em panos e deitou-o numa manjedoura, porque nĂŁo havia lugar para eles na sala comum.

Palavras-chave

EMF 30

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo : O anĂșncio aos pastores, primeiros adoradores do Verbo feito homem.

Data da visĂŁo e do ditado: Quarta-feira, 7 de junho de 1944 (VigĂ­lia do Corpo de Cristo)

CalendĂĄrio: Quarta-feira, 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: A visão de Maria começa no campo de Belém. Hå uma luz muito brilhante no céu, que atrai a atenção dos animais e das pessoas. Um dos pastores sai e chama os seus companheiros, que ficam intrigados com o fenómeno. Um dos pastores mais novos começa mesmo a chorar, até que recupera a calma e parece cativado por algo: deixa de prestar atenção aos outros e avança. Isso fez os seus companheiros reflectirem e resmungaram um pouco, mas o jovem Levi falou-lhes de uma luz que descia. Depois foi o primeiro a ver um anjo e todos se ajoelharam para receber o servo do Senhor. O mensageiro angélico deu-lhes a feliz notícia do nascimento do Salvador e, em seguida, uma multidão de anjos cantou o Glória. Depois voltaram para o céu, deixando os pastores sozinhos. Mas os pastores não adiaram: puseram-se a caminho em direção ao berço, levando uma bela manta para o Menino e uma ovelha para lhe dar leite quente.

Chegaram... Mas não sabiam como o fazer. Convidaram então o mais novo, Levi, para ver o que se passava. O pastor observa e diz-lhes que a Virgem cuida do seu bebé, que chora de fome e de frio. Os pastores querem que Levi se aproxime, mas o jovem quer que Elias se aproxime, pois jå conheceu Maria e José em MTS 28. Os pastores dão-se assim a conhecer e podem adorar a criança. Oferecem-lhe os seus presentes e deixam entrar Elias, que tinha ficado à entrada, sem se atrever a aproximar-se. Jesus pode assim receber leite quente.

Os pastores dizem que a Sagrada Família não pode ficar aqui e prometem ajudå-los e espalhar a notícia do nascimento do Senhor. Quando José lhes chama a atenção para o facto de serem pobres e não os poderem compensar, eles dizem que não querem nada. Pelo contrårio, queriam servir o Menino e os seus pais. Quando Maria respondeu às suas perguntas e lhes disse que os seus pais eram Zacarias e Isabel, Elias ofereceu-se para ir ter com ele e dizer-lhe que Maria de Nazaré lhe tinha pedido para vir a Belém.

Por fim, cada pastor apresenta-se pelo seu nome e retira-se... deixando o seu coração, como explica Maria Valtorta.

Jesus faz entĂŁo um ditado e declara que os pastores sĂŁo os primeiros adoradores da Palavra. Eles tĂȘm todas as qualidades necessĂĄrias para serem almas eucarĂ­sticas, pois tĂȘm uma fĂ© definida, generosidade, humildade, desejo, obediĂȘncia pronta e, por fim, amor. Finalmente, Cristo sublinha que aqueles que tĂȘm alma de criança, como Levi, sabem ver Deus mais claramente e tĂȘm mais coragem de recorrer a Maria. Convida-nos a rezar a Maria, pois quem vai a Maria encontra-O e quem O pede a Maria recebe-O atravĂ©s da sua MĂŁe.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 30.1: Uma lua deslumbrante no campo. 30.2: Um pastor atraĂ­do por uma luz mais brilhante. 30.3: Um anjo aparece e fala aos pastores. 30.4: Uma multidĂŁo de anjos canta o GlĂłria. 30.5: O pastor do dia anterior aponta para a manjedoura. 30.6: O que o jovem pastor vĂȘ por detrĂĄs do manto Ă  entrada. 30.7: A pele de uma ovelha e o leite quente sĂŁo apresentados. 30.8: Elias vai encontrar uma casa e avisa Zacarias. 30.9: Os doze pastores dĂŁo os seus nomes e beijam a criança. 30.10: Louvor para os pastores. 30.11: Aquele que vai ter com Maria encontra-me.

Palavras-chave

EMF 30.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O pastor abre a boca, e se limita a dar um gemido.

30.7 José se vira, e vai à porta.

– Quem sois vós?

– Somos pastores. Viemos trazer-vos alimento e lã. Viemos adorar o Salvador.

– Entrai.

Eles entram, e a estrebaria se torna mais clara por causa da luz das tochas. Os velhos empurram os novos Ă  sua frente.

Maria se vira e sorri.

– Vinde –ela diz–. Vinde!

E os convida com um gesto e um sorriso, segurando aquele que viu o anjo e puxando-o para perto de si, junto Ă  manjedoura. O menino olha, feliz.

Os outros, convidados tambĂ©m por JosĂ©, vĂŁo Ă  frente com os seus presentes, e os colocam todos, com breves e comovidas palavras, aos pĂ©s de Maria. Depois se detĂȘm em olhar o Menino Jesus, que estĂĄ chorando baixinho, e sorriem, emocionados e felizes.

Detalhe

Os pastores regressam ao berço. Levi quer que Elias diga alguma coisa, porque jå conheceu José e Maria.

Palavras-chave