5.8 Vem e lĂȘ as suas glĂłrias no Livro do Avo: âDeus me possuiu no inĂcio de suas obras, desde o princĂpio, antes da criação. âAb aeternoâ fui predeterminada no princĂpio. Antes que fosse feita a terra, ainda nĂŁo existiam os abismos e eu jĂĄ era concebida. Nem as nascentes das ĂĄguas transbordavam, nem os montes tinham-se erguido em suas grandes dimensĂ”es, nem as colinas eram cadeias montanhosas ao sol, e eu jĂĄ tinha sido gerada. Deus ainda nĂŁo tinha feito a terra, os rios, e as bases do mundo, e eu era. Quando preparava os cĂ©us eu estava presente, quando com lei imutĂĄvel fechou sob a orla celeste o abismo, quando tornou estĂĄvel no alto a abĂłbada celeste e suspendeu as fontes das ĂĄguas, quando fixava ao mar os seus confins e dava leis Ă s ĂĄguas de nĂŁo passar os seus limites, quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele a dispor todas as coisas. Sempre na alegria brincava diante Dele continuamente, brincava no universoâŠâ. Aplicaram estas palavras Ă Sabedoria, mas na realidade elas falam dela: a bela mĂŁe, a santa mĂŁe, a virgem mĂŁe da Sabedoria, que sou Eu que te falo.
5.9 Eu quis que tu escrevesses o primeiro verso deste hino no inĂcio do livro que fala dela, para que fosse confessada e percebida a consolação e a alegria de Deus; a razĂŁo do constante, perfeito, Ăntimo regozijo deste Deus uno e trino, que vos guia e ama, que do homem teve tantas razĂ”es de tristeza; a razĂŁo pela qual Deus perpetuou a raça, mesmo quando, Ă primeira prova, merecia ser destruĂda; a ra zĂŁo do perdĂŁo que vocĂȘs tiveram.
Ter Maria que o amasse. Oh! bem merecia criar o homem, e deixĂĄ-lo viver, e decretar perdoĂĄ-lo, para ter a virgem bela, a virgem santa, a virgem imaculada, a virgem enamorada, a filha dileta, a mĂŁe purĂssima, a esposa amorosa! Muito e mais ainda vos deu e vos daria Deus para poder possuir a criatura das suas delĂcias, o sol do seu sol, a flor do seu jardim. E muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faĂscas a luz, a grande luz do ParaĂso; cada centelha Ă© uma graça para o universo, para a raça do homem, para os prĂłprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.
5.11 (...) A Mente suprema, que nada ignora, antes ainda que o homem existisse, sabia que o homem, por si mesmo, teria sido um ladrĂŁo e um homicida. E, jĂĄ que a Bondade eterna nĂŁo tem limites, antes que acontecesse a Culpa, pensou no meio para anulĂĄ-la. E o meio seria: Eu. E o instrumento para fazer do meio um instrumento operante seria: Maria. Assim Ă© que a virgem foi criada no Pensamento sublime de Deus.
5.12 Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu, como Rei, deveria ter tido sob os meus pĂ©s de Rei divino tapetes e jĂłias como nenhum palĂĄcio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tĂŁo numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que Ă© possĂvel buscar no Pensamento de um Deus.
Mas Eu devia ser Carne, alĂ©m de ser EspĂrito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o CĂ©u, muitos sĂ©culos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espĂrito, Ă© a obra-prima de Deus, e por ela, o CĂ©u fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mĂŁe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.
Eis que, entĂŁo, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: âVem comigo. A meu lado, vĂȘ tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empĂreo, e dĂȘ aos anjos a nota inicial, e ensina ao ParaĂso uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serĂĄs, Ăł mulher imaculada que, por enquanto, Ă©s apenas espĂrito, o espĂrito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lĂrio, o tom rĂłseo Ă rosa, semelhante Ă tua pele de seda. Imito nas pĂ©rolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinĂłis Ă s tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitaçÔes do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hĂŁo de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formaçÔes das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pĂ©s gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via LĂĄctea. As estrelas e os planetas sĂŁo para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serĂŁo o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vĂȘ como se criam as ovelhas e os cordeiros, as ĂĄguias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as ĂĄrvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levarĂĄ o Cacho eucarĂstico. Corre, voa, jubila-te, Ăł minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, Ăł amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, Ăł mĂŁe do meu FilhoÂ, rainha do meu ParaĂso, amor do teu Deus.â
Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: âVem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediĂȘncia, da ingratidĂŁo, da fornicação humana com satanĂĄs. Eu terei contigo a desforra sobre satanĂĄsâ.