25.3 Acabadas todas as felicitaçÔes, quase todos vão voltando ao seu caminho, ao passo que Maria quer voltar à estalagem, para ver se José chegou. Ele não chegou ainda. Maria se sente desiludida, e fica pensativa.
Isabel estĂĄ preocupada por ela:
â AtĂ© a hora sexta, poderemos ficar, mas depois precisamos partir, para chegarmos em casa antes da primeira vigĂlia. O menino estĂĄ ainda muito pequeno para estar fora de casa pela noite a dentro.
E Maria, calma e triste:
â Eu vou ficar num dos pĂĄtios do Templo. Vou procurar minhas mestras⊠NĂŁo sei. Mas alguma coisa preciso fazer.
Zacarias intervém com uma idéia, que foi logo aceita:
â Vamos aos parentes de Zebedeu. JosĂ© certamente vai te procurar lĂĄ, e, ainda que ele nĂŁo esteja, serĂĄ fĂĄcil para ti encontrar alguĂ©m que te acompanhe a caminho da GalilĂ©ia, porque aquela casa Ă© um contĂnuo entra e sai dos pescadores de GenezarĂ©.
Pegam, pois o burrinho, e vão à casa dos parentes de Zebedeu, os quais, são aqueles mesmos com quem José e Maria ficaram, hå quatro meses.
As horas passam velozes, e José não aparece. Maria procura dominar sua aflição ninando o pequeno, mas pode-se ver que continua pensativa. Como que para esconder o seu estado, ela não tirou o manto, ainda que o calor esteja intenso e fazendo suar a todos.
25.4 Finalmente, uma grande batida na porta anuncia a chegada de José. O rosto de Maria se torna sereno de novo.
JosĂ© a saĂșda, pois ela Ă© a primeira a apresentar-se e a saudĂĄ-lo com reverĂȘncia:
â A bĂȘnção de Deus sobre ti, Maria!
â E sobre ti, JosĂ©. Graças a Deus, que vieste! Eis Zacarias e Isabel que estavam para partir, pois queriam chegar em casa antes da noite.
â O teu mensageiro chegou a NazarĂ©, enquanto eu estava em CanĂĄ, fazendo uns trabalhos. Anteontem Ă tarde, Ă© que recebi a notĂcia. E, entĂŁo, eu parti logo. Mas, mesmo caminhando sem parar, cheguei tarde, porque no caminho o burrinho perdeu uma ferradura. Perdoa-me.
â Perdoa-me, tu, por ter ficado tanto tempo afastada de NazarĂ©. Mas, estavam tĂŁo felizes de ter-me com eles, que eu quis contentĂĄ-los atĂ© agora.
â Fizeste bem, mulher. Onde estĂĄ o menino?
Entram no quarto onde Isabel estå dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.
25.5 Maria fala muito pouco. Estå quieta, silenciosa, sentada em seu cantinho com as mãos no colo e por debaixo do manto. E, mesmo quando ela toma uma taça de leite, ou ao comer um cacho de uvas com um pouco de pão, fala pouco e pouco se move. Olha para José, com um misto de pena e de curiosidade.
Ele também olha para ela. E, depois de algum tempo, inclinando-se sobre o ombro dela, lhe pergunta:
â EstĂĄs cansada ou sentindo alguma coisa? EstĂĄs pĂĄlida e triste.
â Estou triste por ter que separar-me do pequeno JoĂŁo. Gosto dele. Eu o tive sobre o meu coração, poucos momentos depois que nasceuâŠ
José não pergunta mais nada.
Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pĂĄra Ă porta, e todos se dirigem para ele. As duas primas se abraçam com amor. Maria beija duas vezes o pequeno, antes de colocĂĄ-lo no colo da mĂŁe, que jĂĄ estĂĄ sentada no carro. Depois, saĂșda Zacarias, e lhe pede a bĂȘnção. Ao ajoelhar-se diante do sacerdote, o manto se lhe desliza pelo ombro, e suas formas se tornam visĂveis, Ă luz intensa daquela tarde de verĂŁo. NĂŁo sei se JosĂ© notou alguma coisa naquele momento, atento como ele estĂĄ em saudar Isabel. O carro parte.