Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 5 de 32

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EMF 18.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.1 Aparece-me agora a casinha de NazarĂ©, onde estĂĄ Maria. Muito jovem, como quando o Anjo de Deus lhe apareceu, sua imagem faz minha alma encher-se do perfume virginal daquela morada e do perfume angĂ©lico, que ainda permanece no ambiente ventilado pelas asas douradas do anjo. É o perfume divino, que se concentrou em Maria, para lhe fazer mĂŁe, e que agora exala de sua pessoa.

Começa a entardecer, porque as sombras invadem o ambiente de onde viera tanta luz do Paraíso.

Maria, de joelhos junto de sua pequena cama, estå rezando com os braços cruzados sobre o peito, e com o rosto muito inclinado sobre a terra. Estå ainda vestida, como estava no momento da Anunciação. Tudo estå como naquele dia. O ramo florido ainda estå no vaso, e os móveis na mesma ordem. Somente a roca e o fuso estão encostados em um canto, a roca com sua estriga de linho, e o fuso com seu alvo fio enrolado.

Maria termina sua oração, e se levanta, com o rosto abrasado, como que em chamas. Sua boca sorri, mas o pranto deixa os seus olhos molhados. Ela pega a candeia e a acende, com a pederneira. Olha se tudo estå em ordem em seu pequeno aposento. Acerta a coberta da cama, que tinha saído do lugar. PÔe mais ågua no vaso do ramo florido, e o leva para fora, a fim de que tome o frescor da noite. Depois torna a entrar. Toma o bordado que estå dobrado sobre um móvel da prateleira com o candeeiro e sai, fechando a porta.

DĂĄ alguns passos pelo jardim e pelos lados da casa, depois entra no pequeno aposento, onde vi Jesus se despedindo dela. Reconheço bem o lugar, ainda que estejam faltando agora alguns mĂłveis que haverĂĄ naquele tempo. Maria desaparece, levando consigo o candeeiro para um outro pequeno quarto, e eu fico ali com a Ășnica companhia do trabalho que ela deixou sobre um canto da mesa. Ouço os passos ligeiros de Maria, que vai e vem, ouço o barulho de ĂĄgua, como o de quem estĂĄ lavando alguma coisa, depois o barulho de quem estĂĄ quebrando uns pequenos galhos, e compreendo que ela estĂĄ acendendo fogo com uns gravetos.

Depois, volta. Sai de novo para o pequeno jardim. Torna a entrar com algumas maçãs e verduras. PÔe as maçãs sobre a mesa em uma bandeja de metal que parece ser cobre burilado. Volta para a cozinha (certamente deve ser a cozinha). Agora a luz da lareira estå projetando-se alegre pela porta aberta, chegando até aqui dentro, e estå produzindo uma dança de sombras nas paredes.

Algum tempo depois, Maria volta, com um pãozinho escuro e uma tigela de leite quente. Ela se assenta, e vai molhando fatias de pão no leite, e come devagar. Depois, deixando a metade da tigela com leite, entra de novo na cozinha, voltando com as verduras sobre as quais derrama azeite, e as come com pão. Depois bebe o leite. Em seguida, apanha uma maçã e come. É uma ceia de menina.

Maria vai comendo e pensando, e tem algum pensamento que a estå fazendo sorrir. Levanta-se, corre o olhar pelas paredes, parecendo querer comunicar a elas um segredo. Mas, de vez em quando, fica séria, quase triste. Contudo, logo em seguida volta o seu sorriso.

Palavras-chave

EMF 18.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.2 Ouve-se bater Ă  porta. Maria se levanta e abre. JosĂ© entra. SaĂșdam-se. JosĂ© se assenta sobre um banco, em frente a Maria, do outro lado da mesa.

José é um belo homem, na plenitude dos seus trinta e cinco anos, quando muito. Seus cabelos castanho-escuros, e também sua barba da mesma cor, emolduram o seu rosto bastante regular, com dois doces olhos de um castanho quase preto. Ele tem a fronte espaçosa e lisa, nariz fino levemente aquilino, faces um tanto arredondadas, de cor morena não olivåceas, mas um pouco rosadas no centro. Ele não é muito alto. Mas é robusto e bem feito de corpo.

Antes de sentar-se, tirou o manto que Ă© uma peça inteira (Ă© o primeiro que vejo feito assim), presa Ă  altura da garganta por um alfinete, ou coisa semelhante, e tem um capuz. É de cor marrom clara, e parece ser de tecido impermeĂĄvel, lĂŁ nĂŁo trabalhada. Parece um daqueles mantos dos montanheses, prĂłprio para chuva.

18.3 Mas, antes mesmo de sentar-se, ele oferece a Maria dois ovos e um cacho de uvas, um pouco murchas, mas ainda bem conservadas. Ele sorri, dizendo:

– Trouxeram-me estas uvas de Caná. O centurião me deu os ovos, por um trabalho que eu fiz em seu car­ro. O carro estava com uma roda quebrada, e o carpinteiro dele está doente. Os ovos são frescos. Foram apanhados no ninho. Toma-os. Eles te farão bem.

– AmanhĂŁ os tomarei, JosĂ©. Acabei de comer agora mesmo.

– Mas a uva podes chupar. É boa. Doce como mel. Eu a trouxe com cuidado para não estragá-la. Chupa-as. Eu ainda tenho mais. Eu as trarei amanhã em um cestinho. Esta tarde eu não podia, porque estou vindo diretamente da casa do centurião.

– Então, não ceaste ainda?

– Não, mas não tem importñncia.

Maria se levanta logo, e vai para a cozinha, e volta com leite, azeitonas e queijo.

– Não tenho outra coisa –ela diz–. Toma um ovo.

José não quer. Os ovos são para ela. Ele come com gosto o seu pão com queijo e bebe o leite, que ainda estå morno. Depois aceita uma maçã. E termina a ceia.

Maria pega o seu bordado, depois de ter tirado as louças da mesa, e José a ajuda na cozinha, mesmo quando ela torna a sair. Estou ouvindo como ele se move, indo colocar cada coisa em seu lugar. Depois, atiça de novo o fogo, porque a noite vai ser fria. Quando volta, Maria lhe agradece.

18.4 Conversam um com o outro. José conta como passou aquele dia. Fala de seus pequenos sobrinhos. Interessa-se pelos trabalhos de Maria e por suas flores. Promete trazer-lhe umas flores muito bonitas que o centurião lhe prometeu.

– SĂŁo flores que nĂłs nĂŁo temos por aqui. Trouxeram-lhe de Roma. Ele me prometeu mudas. E, quando a lua for boa, eu as plantarei para ti. Elas tĂȘm belas cores e um cheiro muito agradĂĄvel. Eu as vi no verĂŁo passado, pois florescem no verĂŁo. VĂŁo te perfumar toda a casa. Depois, quando a lua for boa, podarei as plantas. Logo Ă© tempo para isso.

Maria sorri, e agradece. Ficam os dois em silĂȘncio. JosĂ© olha para a cabeça loira de Maria, que estĂĄ inclinada para o bordado. É um olhar­ de amor angelical. Pois, certamente, se um anjo amasse uma mulher com amor de esposo, seria assim que a olharia.

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EMF 18.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.5 Maria, como alguém que toma uma decisão, pÔe sobre os joelhos o bordado, e diz:

– JosĂ©, eu tambĂ©m tenho uma coisa para te dizer: Nunca tenho nada, pois sabes como vivo retirada. Mas hoje tenho para ti uma notĂ­cia. Tive notĂ­cia de que nossa parenta Isabel, mulher de Zacarias, estĂĄ para ter um filho


José arregala os olhos, e diz:

– Naquela idade?

– Naquela idade –responde Maria, sorrindo–. O Senhor tudo pode. E agora quis dar esta alegria à nossa parenta.

– Como ficaste sabendo disso? É notícia certa?

– Veio atĂ© aqui um mensageiro. É um que nĂŁo pode mentir. Eu gostaria de ir Ă  casa de Isabel para ajudĂĄ-la e dizer-lhe que me congratulo com ela. Se me deres licença


– Maria, tu Ă©s a minha esposa, e eu sou o teu servo. Tudo o que fazes Ă© bem feito. Quando gostarias de ir?

– Quanto antes. Mas ficarei fora alguns meses.

– E eu ficarei contando os dias, Ă  tua espera. Vai tranqĂŒila. Cuidarei da casa e do pomar. EncontrarĂĄs na volta as tuas flores tĂŁo bonitas, como se tivesses cuidado delas. SĂł uma coisa
 espera. Eu preciso ir, antes da PĂĄscoa, a JerusalĂ©m, comprar alguns objetos para o meu trabalho. Se esperares um ou dois dias, te acompanharei na viagem. NĂŁo mais, porque eu preciso voltar logo. Mas, daqui atĂ© lĂĄ, podemos ir juntos. Eu fico mais tranqĂŒilo, quando sei que nĂŁo estĂĄs sozinha pelas estradas. Para a tua volta, me mandarĂĄs notĂ­cia, e irei te buscar.

– És tĂŁo bom, JosĂ©. O Senhor te recompense com as suas bĂȘnçãos, e mantenha a dor longe de ti. Peço isso sempre a Ele.

18.6 Os dois castos esposos sorriem angelicalmente um para o outro. Faz-se silĂȘncio por algum tempo.

Depois, JosĂ© se levanta. Torna a colocar o manto, puxa o capuz sobre a cabeça. SaĂșda Maria, que tambĂ©m se levanta, e sai.

Maria o fica olhando, enquanto ele caminha, e då com um suspiro, como de pena. Depois, eleva os olhos para o céu. Certamente, estå rezando. Fecha a porta com cuidado. Dobra o bordado. Vai à cozinha. Apaga, ou cobre o fogo. Olha se tudo estå em seu lugar. Toma o candeeiro, e sai, fechando a porta. Com a mão faz um anteparo de proteção para a chama do candeeiro, que estå tremendo pelo vento frio da noite. Entra no aposento, e vai rezar ainda.

A visĂŁo termina assim.

Detalhe

Maria anuncia a José a maternidade de Isabel.

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EMF 18.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Querida filha, quando, depois de cessar o ĂȘxtase, que me havia enchido de inexprimĂ­vel alegria, voltei ao uso dos sentidos nesta ter­ra, o primeiro pensamento que tive foi JosĂ©, pensamento pungente como um espinho de roseira, me feria o coração, enfaixado , hĂĄ alguns instantes, pelas rosas do Divino Amor, meu Esposo.

Eu jå o amava, este meu santo e previdente guarda. Desde quando a vontade de Deus, por meio da palavra de seu Sacerdote, me tinha­ querido desposada a José, eu jå pudera conhecer e apreciar a santidade deste justo. Unida a ele eu tinha sentido que cessava aquela minha desorientação de órfã, e jå não tinha mais saudade do meu tempo de asilada no Templo. Para mim ele era tão bom, como meu falecido pai. Junto dele eu me sentia segura, como junto ao Sacerdote. Toda minha titubeação havia cessado, e não só cessado, mas ficado esquecida, de tal modo tranquilizava-me o coração de virgem, ao compreender que jå não precisava mais titubear, pois não tinha que temer nada da parte de José. Mais segura do que um menino nos braços da mãe, assim estava a minha virgindade confiada a José.

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EMF 19

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Maria e José vão para Jerusalém.

Data da visão: Segunda-feira, 27 de março de 1944

Calendårio: Terça-feira 19 de março d.C. -5

Localização (mapa) : Partida de Nazaré e viagem para Jerusalém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: José e Maria partem para Jerusalém. Partiram de Nazaré com dois burros. José levou uma espécie de porta-bagagens e Maria agradece-lhe por essa previsão. Partiram ao romper da aurora. Os dois viajantes encontram um pastor que conduz o seu rebanho: tem nos braços um cordeiro recém-nascido que chora pela mãe, mas esta segue atentamente o seu bebé. O rebanho passa, e José e Maria pÔem-se de novo a caminho. Chegados ao campo, pouco falam. As ruas são mais movimentadas à medida que se aproximam das aldeias, mas o casal não presta atenção a ninguém. Pararam mesmo a tempo de assistir a um forte aguaceiro, que se transforma em chuva fraca. José, atento, cuida para que Maria não apanhe frio. Depois, continuam a sua viagem.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 19.1: JosĂ© vem buscar Maria com dois burros cinzentos. 19.2: De manhĂŁ cedo, encontra um rebanho de ovelhas e um cordeiro. 19.3: Uma viagem tranquila por estradas mais frequentadas e uma paragem para se abrigar de uma tempestade.

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EMF 19.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

19.1 Estou assistindo Ă  partida deles para irem Ă  casa da Santa Isabel.

José veio com dois burrinhos acinzentados para levar Maria: um para si próprio e o outro para Maria. Os dois animaizinhos estão selados com selas costumeiras; mas à sela de um deles foi acrescentado um instrumento muito especial, que depois descubro ter sido feito para levar carga: é uma espécie de porta-bagagem sobre o qual José pregou um pequeno cofre de madeira, digamos, um bauzinho, que ele trouxe a Maria, para que nele pudesse pÎr as suas roupas, e a chuva não as molhasse.

Ouço Maria agradecer muito a JosĂ© por este presente feito com tanta previdĂȘncia, pois neste baĂș ela colocou tudo o que estava num pacote, que jĂĄ havia preparado antes.

19.2 Fecham a porta da casa e pÔem-se a caminho. O dia jå estå perto de raiar, pois estou vendo a aurora cor-de-rosa, mas só do lado do Oriente. Nazaré ainda estå dormindo. Os dois viajantes madrugadores encontram apenas um pastor, que toca para a frente as suas ovelhinhas; elas vão trotando e esbarrando umas nas outras, aqui e ali, encaixadas umas entre as outras, como se fossem cunhas, berrando sem parar. Os cordeirinhos também berram, e mais do que as ovelhas, com sua voz aguda e débil. Mesmo precisando ir para a frente, o que eles mais gostariam de fazer seria procurar as tetas da mãe. Mas as mães se apressam para chegar às pastagens, e os convidam, com seu balido mais forte, a trotar com elas.

Maria fica olhando, e sorri. Ela parou para deixar passar a manada, e se inclina sobre sua sela para acariciar os mansos animaizinhos, que vão passando rentes ao burrinho. Quando o pastor chega perto, levando nos braços um cordeirinho que acabou de nascer, pára perto de Maria para saudá-la; ela sorri, acariciando o focinho rosado do cordeirinho, que berra sem consolo, e lhe diz: “Está procurando a mamãe. Aqui está a mamãe. Ela não te deixa, não, pequenino”. De fato, a ovelha mãe vai roçar-se no pastor, e se levanta para lamber o focinho do seu filhote.

A manada vai passando e fazendo barulho como o da chuva sobre as copas das ĂĄrvores, deixando atrĂĄs de si a poeira levantada pelos casquinhos, que sobem e descem, deixando as marcas de suas pegadas no chĂŁo da estrada.

José e Maria retomam o caminho. José, com seu manto grande, Maria, com uma espécie de xale listrado, pois a manhã estå muito fria.

Ao chegarem no campo, Maria estå perto de José. Pouco falam. José pensa em seus trabalhos, e Maria continua com seus pensamentos; recolhida como estå, sorri aos pensamentos e às coisas quando, saindo um pouco daquela sua concentração, gira o olhar sobre tudo o que a rodeia. De vez em quando, olha para José, e um véu de seriedade e tristeza lhe ensombra o rosto. Depois, volta-lhe o sorriso, até mesmo ao olhar para este seu esposo, tão previdente, e de poucas palavras, mas que, quando fala, é para perguntar-lhe se tudo vai indo bem e se não estå precisando de alguma coisa.

19.3 Agora, as estradas jå estão cheias de gente, especialmente nas vizinhanças dos povoados, e dentro deles. Mas os dois não se preocupam com as pessoas que vão encontrando. Lå se vão eles sobre os seus bur­rinhos, que vão trotando com grande barulho dos guizos, e só vão parar uma vez, à sombra de um pequeno bosque, para comer um pouco de pão e azeitonas, beber ågua da fonte que desce de uma pequena gruta e, outra vez, para se protegerem de um violento aguaceiro, que desaba de repente, de uma nuvem muito escura.

Colocaram-se, entĂŁo, ao abrigo do monte, debaixo da saliĂȘncia de um penhasco, que os protege pelo menos da chuva mais forte. Mas JosĂ© faz questĂŁo que Maria ponha o manto grande de lĂŁ impermeĂĄvel sobre o qual a ĂĄgua desliza sem molhĂĄ-la. Maria tem que ceder Ă  desvelada insistĂȘncia do seu esposo que, para tranqĂŒilizĂĄ-la a respeito de sua prĂłpria situação, pĂ”e sobre a cabeça e sobre os ombros uma pequena manta cinzenta, que estava sobre a sela. Era a manta do bur­rinho, provavelmente. Agora, Maria vai indo, parecendo um fradezi­nho com um capuz, que lhe emoldura o rosto, e com o manto mar­rom, que se lhe fecha Ă  altura da garganta, e a cobre de alto a baixo.

O aguaceiro diminui, mas se transforma numa chuva incÎmoda e fina. Os dois começam de novo a andar pela estrada, que agora estå toda barrenta. Mas, como é primavera, depois de alguns minutos, o sol volta, para tornar mais cÎmoda a viagem. Também os dois bur­rinhos estão agora mais dispostos, batendo as patas sobre a estrada.

NĂŁo vejo nada mais, pois aqui cessa a visĂŁo.

Anotação

Lucas 1,39: Naquele dia, Maria pĂŽs-se a caminho e dirigiu-se rapidamente para uma cidade da Judeia, na regiĂŁo montanhosa.

Palavras-chave

EMF 20

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Saída de Jerusalém. O aspeto beatífico de Maria. Importùncia da oração para Maria e José.

Data da visão: Terça-feira, 28 de março de 1944

Calendårio: Domingo 24 de março D.C. -5

Localização (mapa) : De Jerusalém a Hebron

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: JosĂ© e Maria chegam a JerusalĂ©m. Dirigem-se para o Templo e param num estĂĄbulo onde JosĂ© deixou o seu cavalo durante a apresentação no Templo. Em seguida, vĂŁo para a casa de um conhecido, onde comem alguma coisa. Maria descansa um pouco e JosĂ© regressa com um velho que tinha feito o mesmo caminho que Maria. Assim, ela teria de percorrer sozinha apenas uma pequena distĂąncia. Foram juntos atĂ© outro portĂŁo da Cidade Santa e depois o casal despediu-se. O velho era muito falador e Maria respondeu-lhe com paciĂȘncia. Quando ele se cala, ela recolhe-se em oração.

Maria descreve entĂŁo a Virgem tal como a vĂȘ no seu quarto: vĂȘ-a com o seu corpo glorificado. A plenitude da graça Ă© muito bela. Por fim, Maria faz um ditado e chama a atenção para a oração ardente de JosĂ© e Maria. Convida a alma a nunca se despojar da proteção da oração. Exorta-nos a invocar o nome do Senhor, mesmo que sejamos imperfeitos, para o invocar a comunicar-nos a sua santidade. Devemos imitar o povo que canta incessantemente o Sanctus.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 20.1: JosĂ© apresenta Maria a um companheiro de viagem. 20.2: O velho tagarela acaba por adormecer. Maria reza. 20.3: Maria Valtorta demora-se a contemplar a casta Maria. 20.4: Contraste com as horas trĂĄgicas da PaixĂŁo. 20.5: A presença dĂĄ uma grande paz. Maria Valtorta recorda os sofrimentos de Jesus no GetsĂ©mani. 20.6: Maria e JosĂ© dĂŁo sempre o primeiro lugar Ă  oração. 20.7: Na fraqueza ou na santidade, invocar sempre a santidade do Senhor. 20.8: A oração viva tem a sua fonte no amor e no sofrimento unidos aos de Maria e de Jesus.

Palavras-chave

EMF 20.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estamos em Jerusalém. Eu a reconheço bem agora, com suas estradas e suas portas.

Os dois esposos se dirigem ao Templo, em primeiro lugar. Reconhe­ço a estalagem, onde JosĂ© deixou o burrinho, no dia da Apresentação no Templo. Agora tambĂ©m Ă© ali que ele deixa os dois burros, depois de tĂȘ-los feito comer e beber, e vai adorar o Senhor, com Maria.

Depois voltam para fora. Pelo que parece, Maria e José vão para uma casa de pessoas conhecidas. Lå fazem uma refeição, e Maria descansa até a volta de José, que chega acompanhado de um velhinho.

– Este homem vai pelo mesmo caminho por onde vais. E Ă© muito pouco o que terĂĄs de andar sozinha, para chegar Ă  casa de tua parenta. Podes confiar nele, que eu o conheço.

20.2 Montam de novo nos burrinhos, e JosĂ© sai acompanhando Maria atĂ© Ă  porta da cidade (nĂŁo aquela pela qual entraram, mas uma outra). LĂĄ, eles se saĂșdam e Maria vai sozinha com o velhinho, que fala tanto mais, quanto JosĂ© falava menos, interessando-se por mil coisas. Maria vai-lhe respondendo com muita paciĂȘncia.

Agora ela tem, na parte dianteira de sua sela, o pequeno baĂș, que antes tinha sido sempre levado pelo jumento de JosĂ©, e nĂŁo mais com o manto grande. Nem mesmo o xale, pois ele estĂĄ dobrado sobre o baĂș, e Maria estĂĄ muito bonita, em sua veste azul escura, com o seu vĂ©u branco, que a protege do sol. Como estĂĄ bonita!

O velhinho deve ser um pouco surdo porque, para fazer-se ouvir por ele, Maria precisou falar bem alto, ela que sempre costuma falar em voz baixa. Mas ele agora ficou cansado. Esgotou todo o seu repertĂłrio de perguntas e de notĂ­cias, e estĂĄ cochilando sobre a sela, deixando-se guiar pelo jumento, que conhece bem a estrada.

Maria aproveita-se bem dessa trégua para recolher-se em seus pensamentos, e rezar. Deve ser uma oração, que estå cantando em voz baixa, ao olhar o céu azul, com os braços sobre o peito, um semblante abrasado e feliz por uma emoção interior.

NĂŁo vejo mais nada.

Palavras-chave

EMF 20.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Também agora, quando a visão me fica suspensa, como aconteceu ontem, fico com a mãe junto de mim, bem visível para a minha vista interior, e tão nítida, que posso descrever a cor rosada leve de sua face, não muito cheia, mas suavemente delicada, o vermelho vivo de sua pequena boca, o luzir doce de seus olhos azulados, entre o loiro escuro de seus cílios.

Posso dizer como os seus cabelos, repartidos no alto da cabeça, descem delicadamente com trĂȘs ondulaçÔes de cada lado, atĂ© cobrirem a metade das pequenas orelhas rosadas, desaparecendo, com o seu ouro pĂĄlido e brilhante, atrĂĄs do vĂ©u que lhe cobre a cabeça. Estou vendo-a com o manto na cabeça, vestida com a sua veste de seda paradisĂ­aca e com seu manto leve como um vĂ©u, embora opaco, feito do mesmo tecido que a veste.

Esta veste é ajustada ao seu pescoço por uma bainha, da qual sai um cordão, cujas pontas formam um laço na frente, na base do pescoço, e estå apertada à altura da cintura, por um cordão mais grosso, sempre de seda branca, que desce ao longo de cada lado com duas borlas nas pontas.

Posso dizer tambĂ©m que, ajustada como estĂĄ ao pescoço e Ă  cintura, a veste forma sobre o peito sete pregas redondas e frouxas, o Ășnico enfeite de sua roupa castĂ­ssima.

Posso dizer ainda da castidade que emana do aspecto todo de Maria, de suas formas tĂŁo delicadas e harmoniosas, que a tornam tĂŁo angelicalmente, mulher.

20.4

E, quanto mais a olho, tanto mais eu sofro, pensando em quanto a fizeram sofrer, e fico perguntando, a mim mesma, como puderam deixar de ter piedade dela, tĂŁo mansa e gentil, tĂŁo delicada, atĂ© em seu prĂłprio aspecto fĂ­sico. Eu a fico olhando, e torno a ouvir os gritos do CalvĂĄrio, tambĂ©m contra ela, com todas as zombarias e gracejos grosseiros. Todas as maldiçÔes, dirigidas a ela, por ser a mĂŁe do condenado. Vejo-a bela e tranqĂŒila, agora. Mas o seu aspecto de hoje nĂŁo me desfaz a lembrança de suas trĂĄgicas feiçÔes, naquelas horas de agonia, e o seu semblante desolado em sua casa em JerusalĂ©m, depois da morte de Jesus. Eu queria poder acariciĂĄ-la e beijĂĄ-la em sua face tĂŁo rĂłsea e delicada, para tirar com o meu beijo aquela recordação de pranto que certamente ela, como eu, tambĂ©m tem.

20.5

É inimaginĂĄvel a paz que sinto ao tĂȘ-la perto de mim. Penso que mor­rer, vendo-a, seja doce, e atĂ© mais do que a mais doce hora desta vida. Nesse tempo em que eu nĂŁo a via assim, toda para mim, sofri a sua ausĂȘncia, como a ausĂȘncia de uma mĂŁe. Agora sinto de novo a inefĂĄvel alegria, que foi minha companheira em dezembro e nos primeiros dias de janeiro. Estou feliz, nĂŁo obstante ter visto os tormentos da PaixĂŁo, que lançam sobre toda a minha felicidade um vĂ©u de dor.

É difícil dizer e fazer compreender o que eu experimentei e o que aconteceu a 11 de fevereiro, desde a tarde em que vi Jesus sofrer em sua Paixão. Foi uma visão que me mudou radicalmente. Morresse eu agora, ou daqui a cem anos, aquela visão permaneceria sempre igual na intensidade e nos efeitos. Antes, eu pensava nas dores de Cristo. Agora, eu as vivo, porque basta-me uma palavra, uma imagem, para eu sofrer de novo tudo o que sofri naquela tarde, horrorizando-me com aquele seu desolado padecimento. Mesmo quando nada me faz recordar aquilo, sinto essa recordação me atormentar.

Maria começa a falar e eu me calo.

Detalhe

Descrição física de Maria com o seu corpo glorificado. Comentårios de Maria sobre a sua beleza e sobre o que a Plenitude da Graça experimentou no Calvårio.

Palavras-chave

EMF 20.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

É inimaginĂĄvel a paz que sinto ao tĂȘ-la perto de mim. Penso que mor­rer, vendo-a, seja doce, e atĂ© mais do que a mais doce hora desta vida.

Detalhe

Maria Valtorta fala de Maria e diz

Palavras-chave