Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 6 de 32

Conforto de leitura

EMF 20.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Vou falar pouco, porque estás muito cansada, ó minha pobre fi­lha­.

Somente quero chamar a tua atenção, e a de quem estiver lendo, sobre o håbito constante de José, e meu também, de dar sempre o primeiro lugar à oração. Cansaço, pressa, desgostos, ocupaçÔes eram coisas que não impediam as oraçÔes, pelo contrårio, a ajudavam até. Ela era sempre a rainha das nossas ocupaçÔes. O nosso conforto, a nossa luz, a nossa esperança. Se nas horas tristes, a oração era um conforto, nas horas felizes, era um canto. Mas era sempre a amiga constante de nossa alma. Era ela que nos fazia desprender-nos da ter­ra deste exílio, elevando-nos ao Céu, nossa Påtria.

Não somente eu, que jå tinha Deus dentro de mim, não precisava senão olhar para o meu interior, para adorar o Santo dos santos, mas também José se sentia unido a Deus quando rezava, porque a nossa oração era adoração verdadeira, com todo o nosso ser que se fundia em Deus, adorando-O e sendo por Ele abraçado.

Olhai bem, mesmo assim, eu que tinha em mim o Eterno, não me senti isenta de prestar um reverente obséquio ao Templo. A santidade mais alta não exime ninguém de sentir-se nada diante de Deus, e de humilhar esse nada, pois o Senhor no-lo permite, em um contínuo hino de louvor à Sua glória.

20.7 Sois pobres, fracos, defeituosos? Invocai a santidade do Senhor: “Santo, Santo, Santo!” Clamai por Ele, Santo bendito, sobre a vossa misĂ©ria. Ele virĂĄ e derramarĂĄ sobre vĂłs a sua santidade. Sois santos e ricos de merecimentos aos Seus olhos? Invocai, do mesmo modo, a santidade do Senhor. Essa santidade Ă© infinita e farĂĄ crescer sempre mais a vossa. Os anjos, seres que estĂŁo acima das fraquezas da humanidade, nĂŁo cessam um instante de cantar o seu “Sanctus”, e a beleza sobrenatural deles aumenta, cada vez que invocam a santidade de nosso Deus. Imitai os anjos.

NĂŁo vos priveis nunca da proteção da oração, contra a qual ficam embotadas as armas de satanĂĄs, as malĂ­cias do mundo, os apetites da carne e as soberbas da mente. NĂŁo deponhais nunca esta arma, pela qual se abrem os cĂ©us, de onde chovem graças e bĂȘnçãos.

A terra estå precisando de um banho de oraçÔes para limpar-se das culpas que atraem os castigos de Deus. Mas, como são poucos os que rezam, esses poucos precisam rezar como se fossem muitos, multiplicando as suas oraçÔes vivas, para fazerem delas o total necessårio para se obter a graça pedida. OraçÔes vivas, são as temperadas com verdadeiro amor e com sacrifício.

Palavras-chave

EMF 21

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo : Visita a Isabel

Data da visĂŁo: SĂĄbado 1 de abril de 1944

Calendårio: Domingo 24 de março D.C. -5

Local (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria chega a Hebron. Maria descreve o lugar, depois descreve mais especificamente a chegada da Virgem. PĂĄra em frente a uma casa bastante luxuosa, onde nĂŁo falta nada, e a Imaculada Conceição tenta dar a conhecer a sua presença. Uma velhinha curiosa apresenta-lhe um sino e bombardeia-a com perguntas. Felizmente, chega um criado - provavelmente um jardineiro - e salva a MĂŁe dos mexericos. Maria entra rapidamente, depois de agradecer Ă  velhinha. O criado leva-a para dentro e conta-lhe o que se passou na casa: fala do parto de Isabel, mas tambĂ©m do silĂȘncio de Zacarias, porque jĂĄ nĂŁo consegue falar. Tenta chamar a sua mulher, Sara, que Ă© outra criada, mas em vez disso chega Isabel. Ela vĂȘ Maria, Maria vĂȘ Isabel e as duas correm uma para a outra. Abraçam-se calorosamente, e Ă© entĂŁo que o EspĂ­rito Santo envolve Isabel. O Precursor Ă© santificado, e JoĂŁo Batista torna-se irrepreensĂ­vel. Isabel e Maria dizem as palavras do Evangelho, e depois chega Zacarias, que nĂŁo se apercebe do estado espiritual de Maria. Em vez disso, pergunta pela Virgem e por JosĂ©, e Isabel diz-lhe simplesmente que Ă© mĂŁe. Mas nenhum dos dois disse mais nada.

Maria escreve entĂŁo sobre como recebeu a visĂŁo e declara que viu Maria no enterro de Cristo.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 21.1: AtravĂ©s das montanhas da Judeia. 21.2: A rica propriedade de Zacarias em Hebron. 21.3: O estranho sino e a abertura do portĂŁo. 21.4: O velho Samuel dĂĄ notĂ­cias de Zacarias e Isabel. 21.5: O abraço de Isabel e Maria, a iluminação interior, o Magnificat. 21.6: A chegada de Zacarias. 21.7: VisĂ”es segundo as suas necessidades espirituais.

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EMF 21.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria vai subindo, no seu burrinho, por uma estrada em muito bom estado e que deve ser a estrada mestra. Ela vai subindo, porque o povoado, que nos oferece uma vista muito agradĂĄvel, fica no alto. Meu monitor interior me diz: “Este lugar Ă© o Hebron.” Ela falava-me de “Montana.” NĂŁo sei o que dizer. A mim foi dito este nome. NĂŁo sei se “Hebron” Ă© o nome dado a toda esta regiĂŁo, ou ao povoado. Mas eu digo como ouço.

Maria estĂĄ entrando no povoado. HĂĄ mulheres nas portas — jĂĄ chegou a tarde — e observam a chegada da forasteira. Depois começam a falar umas com as outras sobre o que viram. VĂŁo acompanhando a forasteira com o olhar, e nĂŁo ficam sossegadas, enquanto nĂŁo a vĂȘem parar na frente de uma das mais belas casas, situadas bem no meio do povoado, tendo Ă  frente um jardim, e atrĂĄs um pomar muito bem tratado, estendendo-se o terreno depois por um vasto prado, que sobe e desce pelas sinuosidades do monte, acabando num bosque de ĂĄrvores altas, alĂ©m das quais nĂŁo sei o que hĂĄ. Tudo estĂĄ cercado por uma sebe de amoreiras e roseiras selvagens. Eu nĂŁo distingo bem, porque, como se sabe, a flor e a folhagem dessas moitas espinhosas sĂŁo muito parecidas e, enquanto nĂŁo aparecerem os frutos nos ga­lhos, Ă© fĂĄcil nos enganarmos. No lado da frente da casa, que Ă© o lado onde termina o povoado, a propriedade estĂĄ cercada por um pequeno muro branco, no qual se espraiam os ramos das roseiras verdadeiras, que embora estejam ainda sem flores, estĂŁo cheias de botĂ”es. No centro hĂĄ um portĂŁo de ferro, fechado. Logo se vĂȘ que esta deve ser a casa de um dos notĂĄveis do povoado, ou de pessoas abastadas, porque tudo demostra, se nĂŁo riqueza e ostentação, certamente demonstra bem-estar. Tudo estĂĄ em ordem.

21.3 Maria desce do burrinho e se aproxima do portĂŁo. Olha por entre as barras. NĂŁo vĂȘ ninguĂ©m. EntĂŁo, procura fazer-se ouvir. Uma pequena senhora, mais curiosa do que as outras, a tinha acompanhado e mostra-lhe um utensĂ­lio muito especial, que faz as vezes de uma campainha. SĂŁo dois pedaços de metal, colocados em equilĂ­brio sobre uma barra: sacudindo-se esta barra, ao puxar-se uma corda, as duas peças batem uma na outra, produzindo o som de um sino, ou de um gongo.

Maria puxa a corda, mas de um modo tão delicado, que o som produzido é um levíssimo tinido, que ninguém ouve. Então, a mulher­zinha, uma velhota do nariz e queixo grande, com uma língua imensa, agarra a corda e puxa muitas vezes em seguida. O barulho que ela fez com isso dava para ressuscitar um morto.

– É assim que se faz, mulher. Pois, de outro modo, como vos poderiam ouvir? Ficai sabendo que Isabel estĂĄ velha, e Zacarias tambĂ©m estĂĄ velho. AlĂ©m disso, agora ele, alĂ©m de mudo, estĂĄ tambĂ©m surdo. Os dois criados estĂŁo velhos­ tambĂ©m, sabes? Nunca viestes aqui? Conheceis Zacarias? Sereis vĂłs talvez


Para livrar Maria de um dilĂșvio de notĂ­cias e de perguntas, apareceu um velhinho decidido, que deve ser o jardineiro, ou um agricultor, pois traz na mĂŁo um sacho e, amarrada Ă  cintura, uma podadeira. Ele abre o portĂŁo, Maria entra, agradecendo Ă  mulherzinha, mas
 deixando-a sem resposta. Que desilusĂŁo para a curiosa!

Logo que entrou, Maria disse:

– Sou Maria de Joaquim e de Ana, de NazarĂ©. Prima de teus patrĂ”es.

21.4 O velhinho se inclina e a saĂșda, e depois em voz alta, chama:

– Sara! Sara!

E torna a abrir o portão para fazer entrar o burrinho, que tinha ficado de fora, porque Maria, para ver-se livre da pegajosa velhi­nha, tinha escapado rapidamente para dentro, e o jardineiro, tão råpido como Maria, tinha fechado o portão no nariz da importuna.

Detalhe

Quando Maria chega a Hebron para a visita, uma mulher idosa vem ao seu encontro. Era muito faladora e curiosa, e Maria descreveu-a como uma bisbilhoteira...

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EMF 21.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ah! que grande felicidade e que grande desgraça aconteceram a esta casa! Pois o cĂ©u concedeu um filho Ă  estĂ©ril, bendito seja o AltĂ­ssimo! Mas Zacarias, jĂĄ hĂĄ sete meses, voltou mudo de JerusalĂ©m! E ele sĂł se faz entender por acenos, ou escrevendo. TerĂ­eis vĂłs sabido disso? Minha patroa desejou ter-te aqui, em sua alegria e em sua dor. Ela sempre falava de vĂłs com Sara, e dizia: “Se eu tivesse a minha pequena Maria aqui comigo! Se ela tivesse ficado ainda no Templo! Eu teria mandado Zacarias ir buscĂĄ-la. Mas agora o Senhor quis que ela se casasse com JosĂ© de NazarĂ©. SĂł ela Ă© que poderia me confortar nesta dor e ajudar-me a orar a Deus, pois ela Ă© tĂŁo boa. No Templo todos sentem saudades dela. Na festa passada, quando fui com Zacarias a JerusalĂ©m, para agradecer a Deus por me ter dado um filho, ouvi as mestras dela que diziam: ‘O Templo parece estar sem os querubins da glĂłria, desde que a voz de Maria deixou de ser ouvida por estas paredes’.” Sara! Sara! Minha mulher Ă© um pouco surda. Mas vem, vem que eu mesmo te guio.

Detalhe

Um criado da casa de Isabel falou com Maria e disse-lhe

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EMF 21.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

21.5 Mas, em vez de Sara, quem aponta no alto de uma escada, que estĂĄ ao lado da casa, Ă© uma mulher muito velhinha, jĂĄ toda cheia de rugas, e com os cabelos bem salpicados de fios brancos, cabelos que um dia devem ter sido muito pretos, bem como os cĂ­lios e as sobrance­lhas. Ela deve ter sido morena, pela cor do seu rosto. Um contraste estranho com a sua evidente velhice Ă© o seu estado, jĂĄ muito visĂ­vel, mesmo estando com vestes amplas e soltas. Ela olha, fazendo um anteparo com a mĂŁo, para amortecer a claridade. Logo reconhece Maria. Levanta, entĂŁo os braços para o cĂ©u, diz um “Oh!” cheio de pasmo e de alegria, e se precipita, do melhor modo que pode, ao encontro de Maria. TambĂ©m Maria, que Ă© sempre tranqĂŒila em seus movimentos, corre agora, ĂĄgil como um cervo, chega atĂ© os pĂ©s da escada, na mesma hora em que Isabel tambĂ©m chega, e recebe a sua prima sobre o coração, que com viva expansĂŁo, chora de alegria ao vĂȘ-la.

Ficam abraçadas por um instante, depois Isabel solta um “Ah!”, que Ă© um misto de dor e de alegria, e leva as mĂŁos sobre o ventre avolumado. Abaixa o rosto, empalidecendo e ruborizando-se alternadamente. Maria e o criado estendem as mĂŁos para sustentĂĄ-la, porque ela estĂĄ vacilando, como quem se sente mal.

Mas Isabel, depois de ter ficado um minuto como que recolhida em si mesma, levanta um rosto de tal modo radiante, que parece rejuvenescido, olha para Maria, sorrindo com veneração, como se estivesse vendo um anjo, e depois se inclina em uma saudação, que vem do fundo do seu ser, dizendo:

– Bendita Ă©s tu entre todas as mulheres! Bendito Ă© o Fruto do teu ventre! (ela fala assim em duas frases bem destacadas). Como foi que eu mereci que tenha vindo a mim, Sua serva, a mĂŁe do meu Senhor? Pois, ao som da tua voz o menino saltou em meu ventre, como cheio de alegria, quando eu te abracei, e o EspĂ­rito do Senhor disse ao meu coração verdades altĂ­ssimas. Tu Ă©s bem-aventurada, Maria, porque acreditaste que para Deus fosse possĂ­vel atĂ© o impossĂ­vel, segundo a nossa mente humana! Tu Ă©s bendita porque, por causa da tua fĂ©, farĂĄs cumprir as coisas que foram para ti preditas pelo Senhor e preditas aos Profetas, para este tempo! Tu Ă©s bendita, pela saĂșde que geras Ă  estirpe de JacĂł! Tu Ă©s bendita por teres trazido a santidade ao meu filho que salta como um cabrito, querendo externar sua alegria. Salta de puro jĂșbilo em meu ventre, porque estĂĄ sentindo-se libertado do peso da culpa, chamado para ser aquele que deve preceder sendo, para isso, santificado antes da Redenção, pelo Santo que estĂĄ crescendo em ti!

Maria, com duas lågrimas que descem como pérolas de seus olhos­, que estão rindo com a boca que sorri, com o rosto levantado para o céu e com as mãos também elevadas, naquela postura que, mais tarde, muitas vezes vai ser tomada por Jesus, exclama:

– Minha alma canta as grandezas do seu Senhor –e continua o cñntico como nos foi transmitido. No fim, ao versículo: “Veio em socorro de Israel, seu servo, etc.,” ela junta as mãos sobre o peito, e se ajoelha, muito inclinada para a terra, adorando a Deus.

Detalhe

Um homem idoso deixou entrar Maria em casa de Isabel e Zacarias e chamou Sara Ă  sua mulher.

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EMF 21.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

21.6 O criado que prudentemente tinha tratado de desaparecer dali, logo que percebeu que Isabel nĂŁo estava passando mal, mas que estava confidenciando o seu pensamento a Maria, volta do pomar com um imponente anciĂŁo vestido de branco, de barba e cabelos completamente brancos, e que, com grandes gestos, e emitindo sons guturais, saĂșda de longe Maria.

– Zacarias vem chegando –diz Isabel, tocando no ombro da virgem, que está absorta em oração–. O meu Zacarias está mudo. Deus o castigou porque ele não acreditou. Depois te contarei. Agora eu espero o perdão de Deus, porque tu vieste a nós. Tu, ó cheia de graça!

Maria se ergue e vai ao encontro de Zacarias, inclinando-se atĂ© Ă  terra diante dele, beijando-lhe a fĂ­mbria da veste branca, que o cobre atĂ© o chĂŁo. É uma veste muito ampla, presa em seu lugar na cintura por um galĂŁo grosso e bordado.

Zacarias, por meio de gestos, då as boas vindas a Maria e os dois, em companhia de Isabel, entram todos em um salão térreo, vasto e bem arrumado, onde fazem com que Maria se assente, e lhe oferecem uma taça de leite tirado na hora, ainda espumante, com uns pãezinhos.

Isabel dĂĄ ordens Ă  criada, que afinal tambĂ©m apareceu, com as mĂŁos enfarinhadas e com os cabelos ainda mais brancos, tambĂ©m por causa da farinha que estĂĄ por cima deles. Talvez ela estivesse fazendo o pĂŁo. DĂĄ ordens tambĂ©m ao criado, que percebi chamar-se Samuel, para que ele leve o baĂș de Maria para um quarto que ela lhe estĂĄ mostrando. Cumprem-se todos os deveres de uma dona de casa para com a sua hĂłspede.

Nesse meio tempo, Maria estĂĄ respondendo Ă s perguntas que Zacarias lhe faz, escrevendo sobre uma tabuinha encerada com um estilete. Percebo, pelas respostas, que ele estĂĄ perguntando por JosĂ©, e como vai ela casada com ele. Nesse ponto eu chego a compreender que a Zacarias foi negada tambĂ©m toda luz sobrenatural a respeito do estado de Maria e de sua condição de mĂŁe do Messias. É Isabel que, indo para perto do seu marido, e pondo-lhe com amor uma mĂŁo sobre o ombro, como para uma casta carĂ­cia, lhe diz:

– Maria tambĂ©m Ă© mĂŁe. Alegra-te com a felicidade dela!

Mas nĂŁo lhe fala nada mais. Olha para Maria. Maria olha para ela, sem convidĂĄ-la a falar nada mais, e ela entĂŁo se cala.

21.7 Doce, dulcĂ­ssima visĂŁo! Ela desfaz o horror que ficou em mim pela visĂŁo do suicĂ­dio de Judas.

Anotação

Lucas 1, 5-25 : No tempo de Herodes, o Grande, rei da Judeia, havia um sacerdote dos abianitas chamado Zacarias. A sua mulher era tambĂ©m descendente de AarĂŁo; chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus: seguiam todos os mandamentos e preceitos do Senhor de forma irrepreensĂ­vel. NĂŁo tiveram filhos, porque Isabel era estĂ©ril, e ambos eram de idade avançada. Ora, enquanto Zacarias servia a Deus durante o tempo destinado aos sacerdotes do seu grupo, foi escolhido por sorteio, segundo o costume dos sacerdotes, para ir oferecer incenso no santuĂĄrio do Senhor. Toda a multidĂŁo do povo estava a rezar do lado de fora no momento da oferta do incenso. O anjo do Senhor apareceu-lhe, de pĂ©, Ă  direita do altar do incenso. Ao vĂȘ-lo, Zacarias ficou chocado e com medo.

O anjo disse-lhe: "Não tenhas medo, Zacarias, porque a tua oração foi atendida: a tua mulher Isabel vai dar-te um filho, a quem porås o nome de João. Alegrar-te-ås e exultarås, e muitos se alegrarão com o seu nascimento, porque ele serå grande diante do Senhor. Ele não beberå vinho nem bebida forte, e serå cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; ele farå com que muitos filhos de Israel se voltem para o Senhor seu Deus; ele irå à frente, na presença do Senhor, com o espírito e o poder do profeta Elias, para voltar os coraçÔes dos pais para os filhos, para trazer os rebeldes de volta à sabedoria dos justos e para preparar para o Senhor um povo bem disposto."

EntĂŁo Zacarias disse ao anjo: "Como hei-de saber que isso vai acontecer? Porque sou velho e a minha mulher Ă© idosa.

O anjo respondeu: "Eu sou Gabriel e estou na presença de Deus. Fui enviado para falar contigo e trazer-te esta boa nova. Mas eis que serås silenciado e não poderås falar até ao dia em que ela se tornar realidade, porque não acreditaste nas minhas palavras; elas tornar-se-ão realidade a seu tempo.

As pessoas esperaram Zacarias e ficaram surpreendidas por ele se ter demorado no santuĂĄrio. Quando saiu, nĂŁo podia falar-lhes, e eles compreenderam que ele tinha tido uma visĂŁo no santuĂĄrio. Fez-lhes sinais e ficou em silĂȘncio. Quando terminou o seu tempo de serviço litĂșrgico, foi para casa. Algum tempo depois, a sua mulher Isabel concebeu um filho. Durante cinco meses, manteve-o em segredo. Dizia para si mesma: "Foi isto que o Senhor fez por mim, nestes dias em que pĂŽs os olhos para apagar o que era a minha vergonha diante dos homens".

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EMF 22

O Evangelho como me foi revelado

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TĂ­tulo do capĂ­tulo : Os dias passados em Hebron. Os frutos da caridade de Maria para com Isabel.

Data da visĂŁo e do ditado: Domingo, 2 de abril de 1944

CalendĂĄrio: abril do ano 5-5

Lugar (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria vive em Hebron. Isabel chega perto dela e falam das suas maternidades respectivas. A mulher de Zacarias jå não sofre agora que a Virgem estå aqui, mas antes sofria muito por causa da sua idade avançada. Maria, em comparação, não sofre, mas não tem o peso da culpa.

Isabel queria fiar roupas para JoĂŁo Batista, mas Maria disse que faria o trabalho por ela. A Virgem argumenta que tem muito tempo e que pensarĂĄ primeiro na sua prima, pois o nascimento do Precursor estĂĄ iminente. Depois pensaria no seu filho, Jesus.

Foi nessa altura que a Imaculada Conceição revelou o nome do seu Filho a Isabel e lhe revelou a sua angĂșstia. Maria conhecia os profetas e jĂĄ pressentia que Jesus seria o Cordeiro, o Homem das Dores. Mas Isabel consola-a, dizendo-lhe que Deus estarĂĄ com ela e que o seu filho serĂĄ amado para todo o sempre.

As duas mulheres falam entĂŁo de Zacarias, que Ă© mudo. É uma grande tristeza para a sua mulher. Ela esperava que, quando a criança nascesse, ele pudesse voltar a falar. A mĂŁe abençoada gostaria que o seu filho se chamasse JoĂŁo, e revela o seu sofrimento Ă  prima. Para a distrair, Maria sugere-lhe que saiam Ă  rua e encontram-se perto de um pequeno rebanho de cordeiros.

A visão muda; desta vez, o tempo passou. Maria vai à procura de Isabel. Falam de Jesus e da sua aparição. Depois falam de José, e Maria diz-lhe que deixou que fosse Deus a intervir. Para além de Isabel, ninguém devia saber da sua maternidade divina, e Isabel, que compreendeu, recorda que até tinha contado esse facto a Zacarias. Zacarias entra então e Maria reza as oraçÔes. Ela exorta o sacerdote a acreditar na misericórdia de Deus, porque o homem pensa que nunca mais poderå falar.

Por fim, Maria då uma lição sobre a caridade, sobre como fazer crescer em nós os dons de Deus. Devemos ser sempre caridosos e não egoístas. Ela då-nos também uma lição sobre a passagem do tempo: Deus é o seu mestre e ajuda aqueles que esperam nele. "O egoísmo não faz avançar nada, atrasa tudo. A caridade não atrasa nada, faz avançar as coisas". Por fim, a Mãe recorda que encontrou muita paz na casa de Isabel e que, se não tivesse sido atormentada pelo pensamento de José e do seu Filho, o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas Maria significa tanto luz como amargura...

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 22.1: Maria cose para o filho de Isabel. 22.2: Isabel sente-se muito melhor desde a visita de Maria. 22.3: Maria comove-se quando pensa no Homem das Dores de IsaĂ­as. 22.4: Isabel fica angustiada com o silĂȘncio de Zacarias. 22.5: Um passeio no jardim entre as pombas, os cabritos e os cordeiros. 22.6: Maria fia e tece. 22.7: Imagina como serĂĄ o seu filho. 22.8: Deus revela o mistĂ©rio a JosĂ©. 22.9: Zacarias volta a falar. O Messias nascerĂĄ em BelĂ©m. 22.10: O amor ao prĂłximo. 22.11: O meu amor ao prĂłximo e o meu amor a Deus. 22.12: A caridade faz as coisas acontecerem. 22.13: Amargura misturada com doçura.

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EMF 22.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22.1 Vejo Maria costurando. Parece ser de manhã e ela estå sentada na sala térrea. Isabel vai e vem, ocupando-se com os trabalhos da casa. E, quando entra, não deixa nunca de ir fazer uma carícia na cabeça loira de Maria, que estå parecendo ainda mais loira, agora que vejo no fundo as paredes escuras, ao mesmo tempo em que sua cabeça estå sendo iluminada por um belo raio de sol, que entra pela porta aberta, do lado do jardim.

Isabel se inclina para olhar o trabalho de Maria e se diz encantada com sua beleza. É o bordado que ela tinha começado em NazarĂ©.

– Tenho tambĂ©m linho para fiar –diz Maria.

– É para o teu Menino?

– Não. Para Ele eu já tinha, quando nem pensava


Maria não continuou a falar. Mas eu entendi: “
 quando não pensava que ia ser mãe de Deus.”

– Mas agora terĂĄs que usĂĄ-lo para Ele. É um linho bonito? É fino? Os bebĂȘs, como sabes, precisam de tecidos muito macios.

– Eu sei.

– Eu tinha começado
 Comecei tarde, porque quis ter certeza antes de tudo que não era mais do que um engano do maligno. Ainda que
 sentisse em mim uma alegria tão grande, que, não podia vir de satanás. Depois
 sofri muito. Estou velha, Maria, para ficar neste estado.

22.2 Sofri muito. Tu não sofres


– Eu não. Nunca estive tão bem.

– Como nĂŁo haveria de ser assim?! Tu
 em ti nĂŁo hĂĄ mancha, se Deus te escolheu para seres sua mĂŁe. É por isso que nĂŁo estĂĄs sujeita aos sofrimentos de Eva. Aquele que geras Ă© Santo.

– Parece-me ter no coração uma asa, e não um peso. Parece-me ter dentro de mim todas as flores e todos os passarinhos que cantam pela primavera, todo o mel, todo o sol
 Oh! Eu estou feliz!

– Bendita Ă©s tu! AtĂ© eu, depois que te vi, comecei a nĂŁo sentir mais peso, nem cansaço, nem dor. Parece-me que fiquei mais nova, jovem, livre das misĂ©rias de minha carne de mulher. O meu bebĂȘ, depois de ter saltado feliz ao som da tua voz, tratou de ficar quietinho, em sua alegria. Parece-me tĂȘ-lo dentro de mim como em um berço vivo, parece-me vĂȘ-lo dormir satisfeito e feliz, respirando como um passarinho, alegre debaixo da asa da mĂŁe


22.3 Agora, sim, vou começar a trabalhar. Não me será mais pesado. Estou enxergando pouco, mas


– Deixa disso, Isabel. Eu me ocuparei em fiar e tecer para ti e para o teu bebĂȘ. Eu posso fazer depressa o trabalho, pois enxergo bem.

– Mas terĂĄs tambĂ©m que pensar no teu


– Oh! Mas ainda tenho bastante tempo!
 Primeiro, vou pensar em ti, que já estás perto de ter o teu pequenino, e depois pensarei no meu Jesus.

Dizer como Ă© doce a expressĂŁo e a voz de Maria, como se lhe marejam os olhos de um suave e feliz pranto, e como sorri, ao dizer este Nome, olhando para o cĂ©u luminoso e azul, Ă© coisa que estĂĄ acima das possibilidades humanas. Parece que sĂł ao dizer “Jesus”, o ĂȘxtase a arrebata.

Isabel diz:

– Que belo nome! O Nome do Filho de Deus, nosso Salvador!

– Oh! Isabel!

Maria se torna triste, e segura as mĂŁos que sua parenta cruzou sobre o prĂłprio ventre bem avolumado:

– Diz-me tu, que, quando eu cheguei, foste inspirada pelo EspĂ­rito do Senhor, que profetizaste isto que o mundo nĂŁo sabe. Diz-me: que deverĂĄ fazer o meu Filho para salvar o mundo? Os Profetas
 Oh! Os Profetas que falam no Salvador! IsaĂ­as
 estĂĄs lembrada de IsaĂ­as? “Ele Ă© o Homem das dores. Por suas chagas Ă© que fomos curados. Foi transpassado e ferido por causa de nossos crimes. O Senhor quis consumi-lo com padecimentos
 Depois de condenado, foi exaltado
” De que exaltação estĂĄ falando o Profeta? Ele Ă© chamado o Cordeiro e eu fico pensando
 no cordeiro da PĂĄscoa, no cordeiro de MoisĂ©s, e relaciono tudo isso com a serpente elevada por MoisĂ©s numa cruz. Isabel!
 Isabel!
 Que irĂŁo fazer com o meu Filho? Que terĂĄ Ele que sofrer para salvar o mundo?

Maria chora. Isabel a consola:

– Maria, nĂŁo chores. Ele Ă© teu Filho, mas Ă© tambĂ©m Filho de Deus. Deus pensarĂĄ em Seu Filho e em ti, que Ă©s a mĂŁe dele. Se muitos vĂŁo ser cruĂ©is com Ele, tambĂ©m muitos o haverĂŁo de amar. E tantos!
 Pelos sĂ©culos dos sĂ©culos. O mundo olharĂĄ para o teu Filho, e te bendirĂĄ com Ele. BendirĂĄ a ti, como Ă  fonte de onde jorra a salvação. A sorte de teu Filho! Exaltado como Rei de todas as criaturas. Pensa nisso, Maria. Rei, porque terĂĄ resgatado todas as criaturas e, como tal, serĂĄ delas o Rei universal. AtĂ© sobre a terra, com o tempo, Ele serĂĄ amado. O meu filho irĂĄ Ă  frente do teu, e O amarĂĄ. Assim disse o anjo a Zacarias. Zacarias escreveu isso para mim


22.4 Ah! Que dor que eu sinto por ver assim mudo o meu Zacarias! Mas espero que, quando o menino nascer, o pai ficarĂĄ livre do seu castigo. Reza, tu que Ă©s a sede do poder de Deus e a causa da alegria do mundo. Para obter isso, ofereço, como posso, o meu filho: porque ele Ă© do Senhor, e Ele o emprestou Ă  sua serva para dar-lhe a alegria de ser chamada “mĂŁe.” Para dar testemunho de tudo o que Deus me fez. Quero que ele se chame “JoĂŁo.” Pois, nĂŁo Ă© uma graça o meu menino? E, nĂŁo foi Deus que me deu essa graça?

– Deus te fará essa graça, estou certa disso. Eu rezarei
 contigo.

– Como eu sinto, por vĂȘ-lo mudo!
 –Isabel estĂĄ chorando–. Quando ele escreve, porque nĂŁo pode mais falar, parece-me que montes e mares estejam entre mim e o meu Zacarias. Depois de tantos anos de doces palavras, agora sĂł hĂĄ silĂȘncio em sua boca. Agora, de modo especial, quando seria tĂŁo belo falar daquele que estĂĄ para vir. Eu me abstenho atĂ© de falar, para nĂŁo vĂȘ-lo afadigar-se naquele esforço para fazer gestos, tentando responder-me. Tenho chorado tanto! Quanto eu tenho desejado a tua presença aqui! O povoado todo fica olhando, falando e criticando. O mundo Ă© assim. Quando se tem uma dor ou uma alegria, tem-se necessidade de alguĂ©m que compreenda, e nĂŁo de alguĂ©m que critique. Agora me parece que a vida estĂĄ bem melhor. Sinto em mim uma alegria, desde que vieste ficar comigo. Sinto que a minha provação estĂĄ para ser superada, e que logo serei totalmente feliz. Assim vai ser, nĂŁo Ă© verdade? Eu me conformo com tudo. Mas, se Deus perdoasse o meu esposo! Se eu pudesse ouvi-lo rezar de novo!

22.5 Maria a acaricia e conforta, e a convida, para distraĂ­-la, a sair um pouco pelo jardim ensolarado.

Caminham debaixo de uma parreira bem cuidada, e chegam atĂ© uma torrinha de construção rĂșstica, em cujos buracos os pombos fazem ninhos.

Maria joga comida para os pombos, e ri, porque eles se precipitam sobre ela, com um contĂ­nuo arrulhar, em revoadas, formando cĂ­rculos iridescentes ao redor dela. Sobre sua cabeça, sobre os ombros, sobre os braços e as mĂŁos, eles vĂȘm pousar, espichando os pecoços para, com seus bicos rosados, catar os grĂŁozinhos nas palmas das mĂŁos, bicando de um modo gracioso os lĂĄbios rosados da virgem, e seus dentes que brilham ao sol. Maria vai tirando de um saquinho alguns dourados grĂŁos de trigo, e os joga, e fica sorrindo, ao ver aquele torneio, do qual participam os mais vorazes.

– Como eles gostam de ti –diz Isabel–. Há poucos dias que estás conosco e eles gostam de ti tanto quanto gostam de mim, que sempre tratei deles.

O passeio prossegue, até chegarem a um recinto fechado, onde estão umas cabras com seus cabritinhos.

– Voltaste do pasto? –pergunta Maria a um pequeno pastor que ela acaricia.

– Sim, porque meu pai me disse: “Vai para casa, porque daqui a pouco vai chover, e temos umas ovelhas que estão para dar cria. Providencia que elas tenham erva enxuta e que a cama dos animais esteja preparada.” Ele lá vem vindo.

E acena, mostrando para o outro lado do bosque, de onde estĂĄ vindo um balido continuado e trĂȘmulo.

Maria estå acariciando um cabritinho loiro como uma criança, que se roça contra ela, e, junto com Isabel, bebe leite tirado na hora e que o pastorzinho lhes oferece.

Chegam as ovelhas, guiadas por um pastor cabeludo como um urso. Mas deve ser um bom homem, pois vai levando sobre os ombros uma ovelha que se lamenta. Ele a pÔe no chão, devagar, e explica:

– Está para ter o cordeirinho. Já não podia mais caminhar, de tão cansada. Eu a coloquei sobre os ombros. Tive que dar uma boa car­reira para chegar a tempo.

A ovelha, mancando por causa das dores, é conduzida até o redil pelo menino.

Maria sentou-se sobre uma pedra, e estå brincando com os cabritinhos e os cordeiros, oferecendo-lhes folhas de trevo, que ela coloca diante de seus focinhos rosados. Um cabritinho branco e preto pÔe-lhe a patinha sobre os ombros, e lhe cheira os cabelos.

– NĂŁo Ă© pĂŁo –diz Maria rindo–. Mas amanhĂŁ te trarei uma crosta de pĂŁo. Fica bonzinho, por enquanto.

TambĂ©m Isabel ri, agora mais tranqĂŒilizada.

Palavras-chave

EMF 22.6-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estou vendo Maria fiando, muito ligeira, debaixo da parreira, onde as uvas jå estão aumentando de tamanho. Deve ter passado um bom tempo, porque as maçãs jå começam a avermelhar-se nos ramos, e as abelhas jå estão zumbindo ao redor dos figos maduros.

Isabel estå bem volumosa, e caminha com dificuldade. Maria olha para ela com atenção e amor. Também Maria, quando se levanta para apanhar o fuso que caiu, parece mais arredondada nos quadris, e a expressão de seu rosto estå diferente. Estå mais madura. Antes, uma menina; agora, uma mulher.

As mulheres entram para a casa, porque a tarde vem chegando e no quarto jĂĄ estĂŁo sendo acesas as lĂąmpadas. Enquanto espera a ceia, Maria estĂĄ tecendo.

– Será mesmo que não ficas cansada? –pergunta Isabel, mostrando o tear.

– Não. Podes crer.

– A mim, este calor me deixa prostrada. JĂĄ nĂŁo tenho sofrido mais, mas agora o peso Ă© grande para os meus velhos rins.

– Coragem! Daqui a pouco estarás livre. E, então, como ficarás feliz!

22.7 Eu nĂŁo vejo a hora de ser mĂŁe. De ver o meu Menino! O meu Jesus! Como serĂĄ ele?

– Será bonito como tu, Maria.

– NĂŁo. SerĂĄ mais bonito! Ele Ă© Deus, e eu sou a serva dele. Mas eu queria dizer: serĂĄ loiro, ou serĂĄ moreno? TerĂĄ uns olhos como o cĂ©u sereno, ou como os dos cervos das montanhas? Eu faço idĂ©ia de que Ele serĂĄ mais belo que um querubim, com os cabelos encaracolados e cor de ouro, com os olhos da cor do nosso Mar da GalilĂ©ia no momento em que as estrelas começam a mostrar-se lĂĄ nos confins do cĂ©u; com uma boca pequenina e vermelha como pedaço de uma romĂŁ, que se abriu, depois de ter amadurecido ao sol; e nas faces terĂĄ um rosado como esta pĂĄlida rosa, e duas mĂŁozinhas, que caberiam na cavidade de um lĂ­rio, de tĂŁo pequenas e bonitas. Seus dois pezinhos poderiam caber no cĂŽncavo de minha mĂŁo, delicados e lisos como uma pĂ©tala de flor. Olha: eu acrescento Ă  idĂ©ia que eu faço Dele todas as belezas que a terra me pode sugerir. Eu jĂĄ ouço a sua voz. SerĂĄ sua voz, quando chora, porque, o meu Menino haverĂĄ de chorar um pouco, por fome ou por sono, isso serĂĄ sempre uma grande dor para a sua mĂŁe, que nĂŁo suportarĂĄ, oh! nĂŁo suportarĂĄ ouvi-lo chorar, sem ficar com o coração transpassado. Seu choro serĂĄ como aquele balido do cordeirinho que agora estamos ouvindo, que nasceu hĂĄ poucas horas, e que estĂĄ procurando a teta e, depois, o calor da lĂŁ de sua mĂŁe, para poder dormir. Ele terĂĄ um sor­riso que me encherĂĄ o coração enamorado pelo meu Filho de cĂ©u. Posso ficar enamorada por Ele, porque Ele Ă© meu Deus, e amĂĄ-lo, nĂŁo vai contra a minha virgindade consagrada. Ele serĂĄ, em seu sorriso, como esse festivo arrulhar do pombinho, feliz por ter-se saciado, e contente, por estar em seu morno ninho. Fico pensando como serĂŁo os seus primeiros passos
 como um passarinho saltitante sobre um prado em flor. O prado vai ser o coração de sua mamĂŁe, que estarĂĄ atenta aos seus pezinhos cor-de-rosa, para que nĂŁo esbarrem em nada que os machuque. Como haverei de amĂĄ-lo, o meu Menino! Meu Filho!

22.8 E José também o amarå!

– Tu deverĂĄs dizer tudo isso a JosĂ©!

O rosto de Maria fica anuviado, e ela suspira:

– Deverei dizer-lhe, sem dĂșvida tudo isso
 Eu gostaria que o cĂ©u lhe dissesse tudo por mim, porque Ă© uma coisa difĂ­cil de dizer.

– Queres que lhe diga eu? Nós vamos convidá-lo para a circuncisão do João, e


– NĂŁo. Eu entreguei a Deus o encargo de instruir o JosĂ© sobre sua sorte feliz de ter sido escolhido para nutrir o Filho de Deus, e o Senhor­ farĂĄ isso. O EspĂ­rito me disse, naquela tarde: “Cala-te. Deixa a Mim a tarefa de justificar-te.” E Ele o farĂĄ. Deus nĂŁo mente nunca. Para mim Ă© uma grande provação. Mas, com a ajuda do Eterno, serĂĄ superada. De minha boca, com exceção de ti, a quem o EspĂ­rito Santo o revelou ninguĂ©m, vai ficar sabendo a benignidade que o Senhor fez para com sua serva.

– Eu sempre deixei de falar nisso atĂ© com Zacarias, que teria ficado muito alegre, se o soubesse. Ele acha ainda que tu Ă©s mĂŁe, mas pelas leis da natureza.

– Eu sei. E assim quis por prudĂȘncia. Os segredos de Deus sĂŁo santos. O anjo do Senhor nĂŁo revelou a Zacarias a minha maternidade divina. Ele teria podido fazĂȘ-lo, se Deus o tivesse querido, porque Deus sabia que estava iminente o tempo da Encarnação do seu Verbo em mim. Mas Deus conservou escondida a Zacarias esta luz de alegria, que rejeitava como coisa impossĂ­vel que em vossas idades pudĂ©sseis ter um filho. Eu me conformei com a vontade de Deus. E tu o estĂĄs vendo. Tu ouviste o segredo que estĂĄ vivo em mim. Ele nĂŁo percebeu nada. Enquanto nĂŁo cair o obstĂĄculo, que Ă© a sua incredulidade diante do poder de Deus, ele ficarĂĄ afastado das luzes sobrenaturais.

Isabel suspira e fica calada.

22.9 Zacarias está entrando. Oferece os rolos a Maria. É hora da oração antes da ceia. É Maria quem reza, em voz alta, em lugar de Zacarias. Depois, assentam-se à mesa.

– Quando não estiverdes mais aqui, como iremos sentir a falta de quem reze por nós –diz Isabel, olhando para o seu marido mudo.

– Tu, então, já estarás rezando, Zacarias –diz Maria.

Ele sacode a cabeça e escreve:

– Não poderei mais rezar pelos outros. Tornei-me indigno disso, desde o dia em que duvidei de Deus.

– Zacarias, tu rezarás. Deus perdoa.

O velho enxuga uma lĂĄgrima, e suspira.

Depois da ceia, Maria volta ao tear.

– Basta –diz Isabel–. Tu estás te cansando demais.

– O tempo está chegando, Isabel. Eu quero fazer para o teu menino um enxoval digno daquele que precede ao Rei da estirpe de Davi.

Zacarias escreve:

– De quem nascerá Ele? E onde?

Maria responde:

– Onde os Profetas disseram e de quem for esco­lhida pelo Eterno. Tudo o que o Senhor AltĂ­ssimo faz Ă© bem feito.

Zacarias escreve:

– EntĂŁo, vai ser em BelĂ©m! Na JudĂ©ia. Iremos lĂĄ venerĂĄ-lo, mulher. IrĂĄs tu tambĂ©m a BelĂ©m, com o teu JosĂ©.

E Maria, inclinando a cabeça sobre o tear, diz:

– Irei.

Assim cessa a visĂŁo.

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