Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 4 de 32

Conforto de leitura

EMF 13.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.1 Como estå bela Maria, entre suas amigas e mestras festivas, com as suas vestes de esposa! No meio delas, estå também Isabel.

Toda vestida com um linho alvĂ­ssimo, tĂŁo macio e fino, que parece seda preciosa. Um cinturĂŁo, feito de ouro e prata, trabalhado a buril, Ă© formado por medalhĂ”es presos um ao outro por correntinhas — Cada medalhĂŁo Ă© um bordado feito com fios de ouro, entremeados com os de prata, que o tempo jĂĄ poliu — O cinturĂŁo cinge a fina cintura de Maria e, talvez porque ele fica muito folgado para ela, pois ela Ă© ainda muito jovem, estĂĄ pendurado na frente com os trĂȘs Ășltimos medalhĂ”es da ponta, descendo por entre as pregas do vestido, que Ă© bastante amplo, e que ela vai arrastando um pouco, por ser comprido demais. Nos pĂ©s tem sandĂĄlias feitas de uma pele muito branca, com fivelas de prata.

Ao pescoço, o vestido estå ajustado por meio de uma correntinha com rosetas de ouro e filigranas de prata, que reproduzem, em ponto pequeno, a figura do cinturão e passa pelos ilhoses, que estão no amplo decote, reunindo suas margens em vårias dobras, e formando um belo adorno. O pescoço de Maria sobressai daquela alvura cheia de dobras com a beleza de um caule envolto em uma gaze preciosa, e parece ficar ainda mais delgado e branco, um caule de lírio, que termina no rosto lirial, que tornou-se ainda mais pålido e puro pela emoção. Um rosto de hóstia puríssima.

Seus cabelos jå não estão mais caídos sobre os ombros. Estão graciosamente dispostos em um laço com tranças, que alguns grampos de prata brunida, todos feitos em bordado de filigrana no ponto mais alto, conservam os cabelos em seu lugar. O véu materno estå pousado sobre estas tranças e recai em graciosas dobras até abaixo da lùmina preciosa, que estå cingindo a branquíssima fronte. Ele não desce até a cintura, porque Maria não é alta como era sua mãe, e nela o véu passa abaixo dos quadris, enquanto que em Ana chegava só até a cintura.

Maria não tem nada nas mãos, tem braceletes nos pulsos. Mas seus pulsos são tão finos, que os pesados braceletes maternos caem até o dorso das mãos e, se Maria as sacudisse, eles cairiam no chão.

13.2 As companheiras a estão contemplando de todos os lados, e a admiram. Fazem um alegre chilrear de passarinhos, com os seus pedidos e palavras de admiração.

– São de tua mãe?

– Antigos, nĂŁo Ă©?

– Que bonita, Sara, esta cintura!

– E este vĂ©u, Susana? Olha que fino! E olha estes lĂ­rios tecidos nele!

– Deixa-me ver as pulseiras, Maria! Eram de tua mãe?

– Ela as usou. Mas eram da mãe de Joaquim, meu pai.

– Oh! VĂȘ sĂł! Trazem o selo de SalomĂŁo, entremeado com finos raminhos de palmeira e de oliveira, e entre eles hĂĄ lĂ­rios e rosas. Oh! Quem terĂĄ feito um trabalho tĂŁo minucioso e perfeito?

– SĂŁo da Casa de Davi –explica Maria–. SĂŁo usados, hĂĄ sĂ©culos, pelas mulheres da estirpe, que se tornam esposas, e ficam de herança para a herdeira.

– Certo. Pois tu Ă©s uma filha herdeira


– Trouxeram-te tudo de NazarĂ©?

– Não. Quando minha mãe morreu, minha prima levou o enxoval para sua casa, a fim de conservá-lo melhor. E agora o trouxe para mim.

– Onde está? Onde? Mostra-o às amigas.

Maria nĂŁo sabe como fazer
 Ela gostaria de ser cortĂȘs, mas gostaria tambĂ©m de nĂŁo ficar tirando do lugar todas as peças do vestuĂĄrio, colocadas em trĂȘs pesados baĂșs.

Em sua ajuda, intervĂȘm as mestras:

– O esposo estĂĄ para chegar. NĂŁo Ă© tempo de fazer confusĂŁo. Deixai-a estar quieta, que a estais cansando, e ide, tambĂ©m vĂłs, preparar-vos.

O enxame de tagarelas se afasta, um pouco amuado. Maria pode, entĂŁo, ouvir em paz suas mestras, que lhe dizem palavras de louvor e de bĂȘnção.

13.3 Isabel tambĂ©m se aproximou. E, estando Maria comovida e chorando, porque Ana de Fanuel, beijando-a com um afeto verdadeiramente materno, a chamou de “Filha”, Isabel lhe diz:

– Maria, tua mĂŁe estĂĄ e nĂŁo estĂĄ aqui. O espĂ­rito dela estĂĄ exultante junto ao teu. E olha bem, as coisas que tu estĂĄs usando te fazem sentir as carĂ­cias dela de novo. Nelas podes sentir ainda o sabor dos beijos dela. Faz muitos anos, no dia em que vieste ao Templo, ela me disse: “Preparei para ela as vestes e enxoval de esposa, porque quero ser sempre eu quem hĂĄ de fiar os linhos e fazer-lhe as vestes de esposa, para nĂŁo estar ausente no dia da alegria dela.” E, sabes de mais uma coisa? Nos Ășltimos tempos, quando eu a acompanhava, todas as tardes ela queria acariciar as tuas primeiras vestes e estas que agora estĂĄs vestindo, e dizia: “Aqui estou sentindo o cheiro de jasmim da minha pequenina, e aqui eu quero que ela sinta o beijo da sua mamĂŁe.” Quantos beijos ela deu neste vĂ©u, que te estĂĄ sombreando a fronte! HĂĄ nele mais beijos do que fios!
 E, quando vestires as roupas por ela tecidas, pensa um pouco que, mais do que os fios, o que as formou foi o amor de tua mĂŁe. E aqueles colares
 mesmo em horas penosas, eles foram guardados por teu pai para ti, a fim de tornar-te bela como hĂĄ de ser uma princesa do sangue de Davi nesta hora. Alegra-te, pois, Maria. Porque nĂŁo estĂĄs ĂłrfĂŁ, os teus estĂŁo contigo, e tens um esposo que para ti Ă© pai e mĂŁe, de tĂŁo perfeito que é 

– Oh! Sim. É verdade. É certo que dele nĂŁo posso queixar-me. Em menos de dois meses veio duas vezes, e hoje vem pela terceira, desafiando chuvas e ventanias, para vir ouvir as minhas ordens
 Pensa sĂł: as minhas ordens! Eu, que sou uma pobre mulher, e bem mais nova do que ele! Ele nunca me negou nada. Pelo contrĂĄrio, nem espera que eu lhe peça. Parece que um anjo lhe diz o que eu desejo, e ele o diz, antes que eu fale. Na Ășltima vez, ele disse: “Maria, acho que preferes estar na casa de teus pais. Porque, uma vez que Ă©s filha herdeira, tu podes fazer isso, quando o desejares. Eu irei para a tua casa. SĂł para guardar a cerimĂŽnia, irĂĄs ficar uma semana na casa do Alfeu, meu irmĂŁo. Maria jĂĄ te ama muito. E, na tarde das nĂșpcias, partirĂĄ de lĂĄ o cortejo, que te acompanharĂĄ atĂ© a tua casa.” NĂŁo Ă© ser gentil? NĂŁo se importou nem mesmo que ele podia estar fazendo com que o povo ficasse falando que ele nem tem uma casa que me agrade
 Para mim serĂĄ sempre bem aceita uma casa, se ele estiver nela, pois ele Ă© tĂŁo bom. Mas com certeza
 prefiro, na verdade, a minha casa
 por causa das lembranças
 Oh! Como o JosĂ© Ă© bom!

– Que Ă© que ele falou do teu voto? Ainda nĂŁo me disseste nada.

– NĂŁo fez nenhuma oposição. Pelo contrĂĄrio, ao saber de minhas razĂ”es, disse: “Eu vou unir o meu sacrifĂ­cio ao teu.”

– É um jovem santo –diz Ana de Fanuel.

13.4 A essa altura, o “jovem santo” vem entrando, acompanhado por Zacarias.

EstĂĄ literalmente esplĂȘndido. Todo em amarelo ouro, e atĂ© parece tratar-se de algum soberano do Oriente. Um esplĂȘndido cinturĂŁo segura por baixo a bolsa e o punhal, a bolsa feita de marroquim bordado em ouro, e o punhal numa bainha tambĂ©m de marroquim com frisos de ouro. Tem na cabeça um turbante, que Ă© a cobertura de costume como se vĂȘ ainda em certos povos da África, como os beduĂ­nos, preso por um cordĂŁo precioso, um tĂȘnue fio de ouro, ao qual estĂŁo atados pequenos maços de mirto. Ele estĂĄ com um manto novo, cheio de franjas, o que lhe dĂĄ um ar majestoso, e estĂĄ fulgurante de alegria. Nas mĂŁos traz ainda pequenos maços de mirto florido.

– A paz esteja contigo minha esposa! –ele saĂșda–. A paz esteja com todos.

E, depois de ter recebido a saudação de resposta, diz:

– Eu vi a tua alegria no dia em que te dei aquele ramo do teu jardim. Pensei agora em trazer-te o mirto apanhado perto da gruta de que tanto gostas. Queria trazer-te as rosas que jĂĄ estĂŁo abrindo as primeiras flores em frente Ă  tua casa. Mas as rosas duram pouco, e com tantos dias de viagem
 Eu teria chegado aqui sĂł com os espinhos. A ti, querida, sĂł quero oferecer rosas, atapetando os caminhos de flores delicadas e perfumosas, para que sobre elas possas pĂŽr o teu pĂ©, para que nĂŁo encontre nenhuma sujeira ou aspereza.

– Agradeço a ti, bom homem! Como conseguiste que ele chegasse atĂ© aqui tĂŁo viçoso e bonito?

– Eu amarrei um vaso na sela, e dentro dele pus os ramos, com as flores ainda em botĂŁo. E, pelo caminho, as flores foram-se abrindo. E aqui estĂŁo elas, Maria. Que a tua fronte se engrinalde de pureza, que Ă© o sĂ­mbolo da esposa, mas que nunca serĂĄ igual Ă  pureza que tens no coração.

Isabel e as mestras enfeitam Maria com a pequena grinalda de flores que se formou, ao fixarem no lindo arco os ramalhetes cĂąndidos de mirto, e vĂŁo entremeando pequenas rosas brancas que estĂŁo num vaso posto sobre um baĂș.

Maria se esforça para apanhar o seu amplo manto branco e colocå-lo puxado sobre os ombros. Mas o esposo a precede no gesto e a ajuda a fixar, com duas fivelas de prata, o amplo manto no alto dos ombros. As mestras arrumam as dobras com arte e amor.

13.5 Estå tudo pronto. Enquanto estão esperando por algo que não sei o que seja, José diz (ele fala aproximando-se um pouco de Maria):

– Eu estava pensando, agora mesmo, no teu voto. Eu jĂĄ te disse que quero parti­lha­r dele contigo. Mas quanto mais nisso penso, tanto mais vou compreendendo que nĂŁo basta o nazireato temporĂĄrio, ainda que seja renovado muitas vezes. Eu te compreendi, Maria. Eu ainda nĂŁo mereço a palavra da Luz. Mas dela um murmĂșrio jĂĄ estĂĄ chegando aos meus ouvidos. É isto que me estĂĄ levando a entender o teu segredo, pelo menos em suas linhas mais expressivas. Eu sou um pobre ignorante, Maria. Sou um pobre operĂĄrio. NĂŁo entendo de letras, nem possuo tesouros. Mas aos teus pĂ©s quero pĂŽr o meu tesouro. Para sempre. A minha castidade absoluta, para poder ser digno de estar ao teu lado, Ăł virgem de Deus, “irmĂŁ esposa minha, jardim fechado, fonte selada”, como diz o nosso AvĂŽ que talvez tenha atĂ© escrito o CĂąntico, tendo-te Ă  frente de seus olhos
 Eu serei o guardiĂŁo deste jardim de aromas no qual se encontram as mais finas frutas e do qual jorra uma nascente de ĂĄgua viva, com Ă­mpeto suave: a tua doçura, Ăł minha esposa, que com sua candura me conquistaste o espĂ­rito, Ăł toda bela. Bela, mais do que uma aurora, sol que resplandece, porque teu coração resplandece, Ăł toda cheia de amor pelo teu Deus, e pelo mundo ao qual queres dar o Salvador com o teu sacrifĂ­cio de mulher. Vem, amada minha­.

E a toma delicadamente pela mĂŁo, levando-a rumo Ă  porta.

Todos os outros os acompanham, e do lado de fora se reĂșnem todas as companheiras da festa, todas de branco e com vĂ©us.

13.6 VĂŁo pelos pĂĄtios e pĂłrticos, por entre a multidĂŁo que os observa, atĂ© chegarem a um ponto, que nĂŁo Ă© ainda o Templo, mas parece quase um salĂŁo usado para o culto, pois aĂ­ se vĂȘem lĂąmpadas e rolos de pergaminho, como nas sinagogas. Os dois esposos vĂŁo atĂ© Ă  frente de uma estante, semelhante a uma cĂĄtedra, e lĂĄ se detĂȘm. Os outros se colocam em ordem atrĂĄs deles. Ao fundo se aglomeram outros sacerdotes e os curiosos.

O Sumo Sacerdote estĂĄ entrando solenemente. HĂĄ um murmĂșrio entre os curiosos.

– É ele que vai celebrar o casamento?

– Sim, porque Ă© de sangue real e sacerdotal. A esposa, Flor de Davi e de ArĂŁo, Ă© virgem do Templo. O esposo Ă© da tribo de Davi.

O Pontífice pÔe a mão direita da esposa na do esposo, e os abençoa solenemente:

– Que o Deus de AbraĂŁo, de Isaque e de JacĂł esteja convosco. Que Ele vos una e que se realize em vĂłs a sua bĂȘnção, dando-vos Ele a sua paz e uma numerosa descendĂȘncia, uma vida longa e uma morte feliz no seio de AbraĂŁo.

Depois ele se retira, com a mesma solenidade que entrou.

Fazem-se as promessas mĂștuas. Maria jĂĄ Ă© esposa de JosĂ©.

Todos saem e, sempre em perfeita ordem, vĂŁo atĂ© a sala, onde Ă© lavrado o contrato de nĂșpcias, no qual se diz que Maria, filha herdeira de Joaquim de Davi e de Ana de ArĂŁo, entrega como dote ao seu esposo a sua casa com os seus bens, os enxovais e todos os outros bens que ela herdou de seu pai.

Tudo terminou.

13.7 Os esposos saem para o pĂĄtio e o atravessam, indo para a saĂ­da, que fica perto do quarteirĂŁo das mulheres que trabalham no Templo. Um carro de boi bem cĂŽmodo e pesado estĂĄ Ă  espera deles. Sobre o carro estĂĄ estendido um toldo de proteção onde se encontram tambĂ©m os pesados baĂșs de Maria.

Despedidas, beijos, lĂĄgrimas, bĂȘnçãos, conselhos, recomendaçÔes e depois Maria sobe com Isabel colocando-se no centro do carro. Na frente, estĂŁo JosĂ© e Zacarias. JĂĄ tiraram os mantos de festa, e todos se envolveram num grande manto escuro.

O carro parte, ao trote pesado de um cavalo grande e escuro. Os muros do Templo vão ficando longe, depois também os da cidade, e vão chegando os campos novos e verdejantes, cheios das flores dos primeiros dias da primavera, com as plantaçÔes jå crescidas a um bom palmo do chão, mostrando suas folhinhas leves, que à brisa ligeira formam ondas, parecendo esmeraldas, soltando um cheiro mesclado das flores dos pessegueiros e das macieiras, junto com cheiro de trevos e do poejo selvagem.

Maria estå chorando baixinho, debaixo do seu véu e, de vez em quando, afasta a cortina do toldo para olhar mais uma vez o Templo, que vai ficando sempre mais longe, e a cidade, que ela estå deixando para trås


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O noivado de José e Maria

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EMF 14

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : O casal chega a Nazaré

Data da visĂŁo: 6 de setembro de 1944

Calendårio:6 de março d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Casamento com José

Resumo: Maria descreve Nazaré. Maria regressa à sua cidade depois de ter vivido durante anos no Templo. Estå noiva de José e ele acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Nazaré festeja com eles. Chegam a casa e José, Zacarias e Isabel mostram-lhe a casa e o jardim de Joaquim. A Virgem conhece também Alfeu, Maria de Cléofas e os seus filhos. Depois, conheceu Sara e o seu filho, Alfeu, o namorado de Ana. José percorre a casa com a sua mulher e o irmão dela fica a saber que não vão casar logo. Este ficou surpreendido e José respondeu-lhe que só fariam a cerimónia quando Maria tivesse dezasseis anos. O futuro santo fez-lhe então prometer que o chamaria sempre que precisasse dele. A família parte, e Zacarias decide deixar Isabel para que ela ensine a prima a ser uma dona de casa perfeita. Assim, Maria poderå também decorar a sua casa a seu gosto.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 14.1: O caminho atravĂ©s das colinas da Galileia. 14.2: Entrada triunfal em NazarĂ©. 14.3: JosĂ© aponta de longe a casa de Maria. É ele quem vai trabalhar lĂĄ. 14.4: Maria acolhe Alfeu e Sara. 14.5: JosĂ© oferece-se a Maria como confidente. 14.6: O casamento realizar-se-ĂĄ quando ela tiver dezasseis anos. 14.7: Isabel fica com a sua prima durante algum tempo.

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EMF 14.2-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.2 Um carro de boi estĂĄ indo pela estrada. É o carro que leva JosĂ© e Maria com seus primos. A viagem estĂĄ chegando ao fim.

Maria olha, com aqueles olhos cheios de ansiedade de quem quer conhecer, ou melhor, reconhecer, aquilo que ela jå viu, mas de que não se lembra mais, e sorri, quando alguma sombra de lembrança volta à sua memória e se detém, como uma luz que mostra esta ou aquela coisa, este ou aquele ponto. Isabel, Zacarias e José, ajudam Maria a se lembrar, mostrando uma elevação do terreno, ou uma ou outra casa.

Desta forma, Nazaré começa a despontar, estendida por cima das ondulaçÔes de sua colina. Olhada pelo lado esquerdo do sol poente, Nazaré nos mostra a cor branca rosada de suas casinhas largas e baixas com seus terraços sobrepostos. Algumas delas, atingidas em cheio pelo sol, parecem estar para pegar fogo, pois, a fachada fica tão vermelha com o sol, que incendeia até a ågua dos regos e dos poços rasos, quase sem peitoril por onde os cùntaros com ågua para a casa e os odres para a horta sobem chiando.

Meninos e mulheres aparecem Ă  beira da estrada para olhar o car­ro, saĂșdam JosĂ©, que Ă© muito conhecido. Mas depois ficam perplexos e atemorizados, ao verem os outros trĂȘs.

Quando chegam a entrar na pequena cidade propriamente dita, nĂŁo encontram mais nenhuma perplexidade, nem temor. Muitas pessoas, de todas as idades, estĂŁo na entrada da cidade, sob um arco rĂșstico com flores e folhagens. Mal o carro de boi aponta atrĂĄs do cotovelo formado pela Ășltima casa, construĂ­da enviesada, ouve-se um trilar de vozes agudas, acompanhado pelo rumor de ramos e flores agitados. SĂŁo as mulheres e as crianças de NazarĂ© que saĂșdam os esposos. Os homens, mais sisudos, estĂŁo atrĂĄs da cerca viva dos cantores, saudando-os com moderação.

O carro jå foi descoberto, pois tiraram o toldo, antes de chegarem à cidade, visto que o sol não mais incomoda, e Maria assim tem oportunidade de ver melho­r a sua terra natal. Portanto, agora ela também aparece em sua beleza, como uma flor. Branca e loira como um anjo, ela sorri com bondade para as crianças, que lhe jogam flores e beijos, para as jovens de sua idade, que a chamam pelo nome, para as esposas, para as mães, para as velhas que a abençoam cantando. Ela faz uma inclinação para os homens, e especialmente para um que parece ser o rabino, ou a pessoa mais influente da cidade.

Enquanto isso, o carro continua lentamente pela rua principal, acompanhado, durante um bom tempo, pela multidĂŁo, para a qual aquela chegada foi um agradĂĄvel acontecimento.

14.3 – Aqui estĂĄ a tua casa Maria –diz JosĂ©, mostrando, com o chicote que estĂĄ em sua mĂŁo, uma casinha que fica precisamente ao pĂ© de uma das ondulaçÔes da colina, tendo aos fundos um belo e vasto jardim todo florido, e que termina em um pequenino olival. Do outro lado, estĂĄ a costumeira sebe com o espinheiro-alvar e as cactĂĄceas, marcando o limite da propriedade. Os campos, que antes pertenciam a Joaquim, estĂŁo atrĂĄs da sebe.

– Como estĂĄs vendo, te restou pouca coisa –diz Zacarias–. A doença de teu pai foi longa e se gastou muito com ela. TambĂ©m se gastou bastante com as despesas para reparar os prejuĂ­zos dados por Roma. EstĂĄs vendo? A estrada feita pelos romanos levou os trĂȘs principais cĂŽmodos da casa, deixando-a muito diminuĂ­da. Para tornĂĄ-la mais ampla, sem que fossem necessĂĄrias despesas excessivas, foi aproveitada uma parte do monte onde hĂĄ uma gruta. Era lĂĄ que Joaquim guardava as suas provisĂ”es, e Ana os seus teares. Tu farĂĄs aĂ­ o que achares bom.

– Oh! Que seja pouca coisa, não tem importñncia! Sempre para mim bastará. Eu vou trabalhar


– NĂŁo, Maria. –É JosĂ© que estĂĄ falando–. Eu Ă© que trabalharei. Tu nĂŁo farĂĄs mais do que tecer e costurar as coisas da casa. Eu estou jovem e forte, e sou teu esposo. NĂŁo me faças ficar envergonhado com o teu trabalho.

– Farei como queres.

– Sim, neste ponto eu quero. Em qualquer outra coisa o teu desejo Ă© lei. Exceto isto.

14.4 Chegaram. O carro pĂĄra.

Duas mulheres e dois homens, respectivamente com os seus quarenta e cinqĂŒenta anos, estĂŁo Ă  porta, rodeados por muitas crianças e adolescentes.

– A paz de Deus esteja contigo, Maria –diz o homem mais velho, enquanto uma das mulheres se aproxima de Maria, a abraça e beija.

– É o meu irmĂŁo Alfeu e Maria, sua mulher, e estes sĂŁo os filhos dele. Vieram de propĂłsito para te fazerem festa e para te dizerem que a casa deles Ă© tua, se quiseres –diz JosĂ©.

– Sim, vem, Maria, se te for penoso ficar vivendo sozinha. O campo Ă© belo na primavera, e nossa casa fica no meio dos campos em flor. Entre as outras flores, tu serĂĄs a mais bela –diz Maria de Alfeu.

– Eu te agradeço, Maria. Eu iria de muito boa vontade. Irei em alguma oportunidade, irei sem falta para as nĂșpcias. Mas estou com tanto desejo de ver, de reconhecer a minha casa. Eu a deixei, quando ainda era pequena, e tinha perdido a sua lembrança
 Agora eu a reencontro
 parece-me reencontrar a minha mĂŁe, que se foi, e o meu amado pai, com o eco de suas palavras
 e o perfume do seu Ășltimo suspiro. Parece-me nĂŁo estar mais ĂłrfĂŁ, porque tenho de novo, ao redor de mim, o abraço destas paredes
 Compreende-me, Maria.

Maria estĂĄ, um pouco, com pranto na voz e nos olhos.

Maria de Alfeu lhe responde:

– Como quiseres, querida. Quero que me consideres irmĂŁ e amiga e tambĂ©m um pouco mĂŁe, porque sou muito mais velha do que tu.

A outra mulher vem para a frente:

– Maria, eu te saĂșdo. Sou Sara, amiga de tua mĂŁe. Eu te vi nascer. E este Ă© o Alfeu, sobrinho de Alfeu e grande amigo de tua mĂŁe. O que eu fiz por tua mĂŁe, farei por ti, se quiseres. EstĂĄs vendo? A minha casa Ă© a que estĂĄ mais perto da tua, e os teus campos agora sĂŁo nossos. Mas, se quiseres vir, faze-o a qualquer hora. NĂłs abriremos uma passagem na sebe, e estaremos juntas, mesmo se estiver cada uma em sua casa. Este Ă© o meu marido.

– Eu vos agradeço a todos, e por tudo. Por todo o bem que desejastes aos meus e desejais a mim. Que o Senhor Onipotente vos abençoe por isso.

14.5 As caixas pesadas são descarregadas e levadas para casa. Entram. Agora eu reconheço a casinha de Nazaré como é vista, mais tarde, na vida de Jesus Cristo.

Como costume, José toma Maria pela mão para entrar na casa. Na entrada, ele lhe diz:

– Agora, na soleira desta porta, quero de ti uma promessa. Que qualquer coisa que te aconteça, ou que te suceda, nĂŁo tenhas outro amigo, outra ajuda, para a qual te voltes, a nĂŁo ser JosĂ©, e que, por nenhum motivo tenhas que ficar-te atormentando sozinha. Eu sou tudo para ti, lembra-te disso, e serĂĄ minha alegria tornar feliz o teu caminho, pois, se a felicidade nem sempre depende do nosso poder, pelo menos posso tornar este caminho para ti calmo e seguro.

– Prometo, JosĂ©.

Abrem-se as portas e janelas. Os Ășltimos raios de sol, curiosos, entram.

Maria tirou o manto e o vĂ©u, porque tendo, por enquanto, tirado sĂł as flores de mirto, ainda estĂĄ com as vestes das nĂșpcias. Sai para o jardim florido. E fica olhando, sorri e, sempre segura pela mĂŁo de JosĂ©, dĂĄ uma volta pelo jardim. Parece estar tomando de novo posse de um lugar perdido.

José fala dos seus trabalhos:

– EstĂĄs vendo? Aqui eu fiz esta cava para receber a ĂĄgua da chuva, pois estas videiras sempre sofrem com o calor. Eu cortei os ramos mais velhos desta oliveira, para dar-lhe um novo vigor, pus no lugar definitivo estas macieiras, porque duas delas jĂĄ estavam mortas. Mais adiante, plantei duas figueiras. Quando elas crescerem, protegerĂŁo a casa do ardor do sol e dos olhares dos curiosos. A armação da parreira Ă© a antiga. Nada mais fiz do que mudar os mourĂ”es que estavam podres e trabalhar com a tesoura. Espero que esta parreira dĂȘ muita uva. E aqui, olha — enquanto a leva, orgulhoso, para a encosta que se ergue atrĂĄs da casa, cercando o pomar do lado norte — aqui escavei uma pequena gruta, reforçando-a para que quando estas plantinhas pegarem, fique quase igual Ă quela que tinhas. Falta a nascente
 mas eu espero trazer atĂ© aqui um fio de ĂĄgua da nascente. Vou trabalhar nas longas tardes do verĂŁo, quando eu vier te ver


14.6 – Mas como? –diz Alfeu–. Não ireis casar-vos neste verão?

– NĂŁo. Maria quer fiar os tecidos de lĂŁ, as Ășltimas coisas que estĂŁo faltando para o enxoval. E eu estou contente que seja assim. Maria Ă© tĂŁo jovem, que esperar um ano, ou atĂ© mais, nĂŁo Ă© nada. Enquanto isso, ela se vai acostumando com a casa


– Ora, ora! Tu sempre foste um pouco diferente dos outros, e ainda continuas o mesmo. NĂŁo sei se poderia haver alguĂ©m que nĂŁo tivesse pressa em ter por mulher uma flor, como Maria. E tu ainda queres esperar meses!


– Alegria longamente esperada, Ă© alegria mais intensamente gozada –responde JosĂ© com um amĂĄvel sorriso.

O irmĂŁo encolhe os ombros, e pergunta:

– E então? Quando achas que sairá o casamento?

– Quando Maria fizer dezesseis anos. Depois da Festa dos Tabernáculos. Assim, serão doces as tardes de inverno para os novos esposos!


E sorri outra vez, olhando para Maria. É um sorriso suave, que faz parte de uma combinação secreta. Faz parte de uma castidade fraterna e consoladora.

Depois, José retorna ao seu passeio:

– Este Ă© o quarto grande, do lado do monte. Se achas bom, dele farei a minha oficina, quando vier aqui. Ele estĂĄ perto da casa sem fazer parte dela. Assim nĂŁo perturbarei ninguĂ©m, fazendo barulho ou desordem. Mas, se quiseres de outro modo


– NĂŁo, JosĂ©. EstĂĄ muito bem assim.

14.7 Tornam a entrar em casa e acendem as lĂąmpadas.

– Maria estĂĄ cansada –diz José–. Deixemo-la descansar com os primos.

Todos se despedem. José fica ali ainda alguns minutos e fala com Zacarias em voz baixa.

– Teu primo deixa contigo Isabel, por algum tempo. EstĂĄs contente? Eu sim. Porque ela vai te ajudar
 para que te tornes uma perfeita dona de casa. Com ela poderĂĄs pĂŽr em ordem, como gostas, as tuas coisas e tuas alfaias, e eu virei todas as tardes tambĂ©m para te ajudar. Com ela poderĂĄs ir comprar lĂŁ e o mais que for preciso. Eu responderei pela despesa. Lembra-te que prometeste me procurar para tudo. Adeus, Maria. Dorme o primeiro sono nesta tua casa, e o anjo de Deus torne o teu sono tranqĂŒilo. O Senhor esteja sempre contigo.

– Adeus, JosĂ©. Que tu tambĂ©m estejas sob as asas do anjo de Deus. Obrigada, JosĂ©. Por tudo. Na medida que eu puder, vou te dar, com o meu amor, uma compensação ao teu amor por mim.

JosĂ© saĂșda os primos e sai.

E com isto cessa a visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 14.5.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.5 As caixas pesadas são descarregadas e levadas para casa. Entram. Agora eu reconheço a casinha de Nazaré como é vista, mais tarde, na vida de Jesus Cristo.

Como costume, José toma Maria pela mão para entrar na casa. Na entrada, ele lhe diz:

– Agora, na soleira desta porta, quero de ti uma promessa. Que qualquer coisa que te aconteça, ou que te suceda, nĂŁo tenhas outro amigo, outra ajuda, para a qual te voltes, a nĂŁo ser JosĂ©, e que, por nenhum motivo tenhas que ficar-te atormentando sozinha. Eu sou tudo para ti, lembra-te disso, e serĂĄ minha alegria tornar feliz o teu caminho, pois, se a felicidade nem sempre depende do nosso poder, pelo menos posso tornar este caminho para ti calmo e seguro.

– Prometo, JosĂ©. (...)

[O irmão de José, Alfeu, pergunta:]

– E então? Quando achas que sairá o casamento?

– Quando Maria fizer dezesseis anos. Depois da Festa dos Tabernáculos. Assim, serão doces as tardes de inverno para os novos esposos!


E sorri outra vez, olhando para Maria. É um sorriso suave, que faz parte de uma combinação secreta. Faz parte de uma castidade fraterna e consoladora.

Depois, José retorna ao seu passeio:

– Este Ă© o quarto grande, do lado do monte. Se achas bom, dele farei a minha oficina, quando vier aqui. Ele estĂĄ perto da casa sem fazer parte dela. Assim nĂŁo perturbarei ninguĂ©m, fazendo barulho ou desordem. Mas, se quiseres de outro modo


– NĂŁo, JosĂ©. EstĂĄ muito bem assim.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Estå noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel.

Palavras-chave

EMF 16

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A Anunciação

Data da visão: Quarta-feira, 8 de março de 1944

CalendĂĄrio: Quarta-feira, 21 de fevereiro do ano 5 d.C. (15 de Adar I 3756).

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus Cristo

Resumo: Este capítulo narra a Anunciação. Maria estå a rezar em Nazaré: pede a Deus a vinda do seu Messias. No momento em que ela estava a fazer isso, chega o Arcanjo Gabriel. Tudo se passa como nos dizem os Evangelhos.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 16.1: Maria foge com um sorriso no rosto. 16.2: Canta e reza pela vinda do Messias. 16.3: Aparece o Arcanjo Gabriel. 16.4: O diĂĄlogo entre Gabriel e Maria.

Palavras-chave

EMF 16.1-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o seguinte: Maria, ainda muito jovem, com a aparĂȘncia no mĂĄximo de uns quinze anos, estĂĄ num pequeno quarto retangular. Um quarto de menina. A frente de uma das duas paredes mais longas, hĂĄ o catre: uma cama baixa, sem beiral, coberta com altas esteiras ou tapetes. Dir-se-ia que eles estĂŁo estendidos, ou sobre uma mesa, ou sobre uma esteira de caniços, pois estĂŁo muito rĂ­gidos e retos, como acontece com as nossas camas. Em frente de outra parede, hĂĄ uma estante com uma lĂąmpada de azeite, rolos de pergaminho, um trabalho de costura dobrado com cuidado, parecendo ser um bordado.

A virgem estĂĄ sentada num banco, ao lado da estante, perto da porta, que embora esteja aberta para o jardim, estĂĄ velada por uma cortina em movimento pela brisa. EstĂĄ fiando um linho muito alvo, e macio como uma seda. Suas pequenas mĂŁos, pouco mais escuras do que o linho, volteiam com grande agilidade o fuso. Seu rosto juvenil e belo estĂĄ levemente inclinado, ligeiramente sorridente, como se estivesse acariciando ou acompanhando um doce pensamento.

HĂĄ muito silĂȘncio na casinha e no jardim. HĂĄ muita paz, tanto no semblante de Maria, como no ambiente que a rodeia. Paz e ordem. Tudo muito bonito e em ordem, e o ambiente, ainda que humilde no aspecto e nos mĂłveis, embora parecendo despojado de tudo como uma cela, tem um ar de austeridade e realeza, pela grande nitidez e cuidado com que a colcha estĂĄ colocada sobre a pequena cama, como estĂŁo dispostos os rolos de pergaminho, a lĂąmpada, a pequena jarra de cobre perto da lĂąmpada, com um maço de ramos floridos, de pessegueiro ou pereira, pois, certamente, sĂŁo ĂĄrvores que produzem um fruto branco, levemente rosado.

16.2 Maria se pĂ”e a cantar em voz baixa e depois eleva um pouco a voz. NĂŁo chega a cantar alto. Mas sua voz que começa a vibrar o pequeno quarto, traduz uma vibração de alma. NĂŁo compreendo as palavras que ela estĂĄ dizendo, certamente em hebraico. Mas, como ela repete saltiadamente “Jeová”, eu percebo que se trata de um canto sagrado, como um salmo. Parece que Maria estĂĄ relembrando os cantos do Templo. Deve estar sendo uma doce recordação, porque ela pousa as mĂŁos que estĂŁo segurando o fio e o fuso sobre o regaço, levantando a cabeça, apoiando-a para trĂĄs na parede, com um belo enrubescimento no rosto, um olhar perdido, talvez atrĂĄs de algum suave pensamento. Seus olhos se tornam brilhantes por uma onda de pranto, que nĂŁo chega a se der­ramar, mas os deixa maiores. Contudo aqueles olhos estĂŁo sorrindo, com o pensamento da visĂŁo, que os abstraem das coisas sensĂ­veis. Seu rosto sobressai, das suas vestes brancas e tĂŁo simples, pois estĂĄ tĂŁo rosado, que, rodeado pelas tranças, como coroa ao redor da cabeça, mais parece uma bela flor.

O canto de Maria se transforma em oração:

– Senhor Deus AltĂ­ssimo, nĂŁo tardes a mandar o teu Servo, que venha trazer a paz sobre a terra. Faz chegar o tempo e a virgem pura e fecunda, para a vinda do teu Cristo. Pai Santo, concede Ă  tua serva que possa oferecer a sua vida para que isso aconteça sobre a terra, concede-me morrer, depois de ter visto a Tua luz e a Tua justiça sobre a ter­ra, sabendo que a Redenção jĂĄ se cumpriu. Ó Pai Santo, manda Ă  terra o suspiro dos profetas. Manda a esta tua serva o Redentor. Que no dia em que cessar a minha vida, se abra para mim a tua morada, porque, as portas do cĂ©u jĂĄ terĂŁo sido abertas pelo teu Cristo, para todos aqueles que em Ti esperaram. Vem, Ăł EspĂ­rito do Senhor! Vem aos teus fiĂ©is, que te esperam! Vem, PrĂ­ncipe da Paz!


Maria fica assim absorta


16.3 A cortina tremula mais fortemente, como se alguém estivesse agitando o ar com alguma coisa por detrås dela, ou a estivesse sacudindo, a fim de afastå-la para um lado. Uma luz branca, como se fosse de pérola fundida com prata pura, torna as paredes, que são de um amarelo claro, brancas, as cores das roupas e tecidos mais vivas e o rosto de Maria, agora soerguido, mais espiritual. O Arcanjo se prostra diante daquela luz, sem que a cortina tenha sido afastada, frente ao mistério que estå acontecendo, pois a cortina não estå mais tremulando, mas estå bem esticada, ao lado dos umbrais, como uma parede separando o interior da casa, da parte exterior.

Ele assumiu necessariamente o aspecto humano. Mas Ă© um aspecto que ultrapassa os limites da natureza humana. De que carne estarĂĄ feita esta figura tĂŁo bela e tĂŁo fulgurante? Com que substĂąncia Deus a terĂĄ materializado, para que os sentidos da Virgem a percebessem? SĂł mesmo Deus pode possuir essas substĂąncias, e usĂĄ-las de uma maneira tĂŁo perfeita. Possui rosto, corpo, olhos­, boca, cabelos e mĂŁos, como as nossas. Mas nĂŁo sĂŁo feitos de uma matĂ©ria opaca como a do nosso corpo. É uma luz que assumiu cor de carne, de olhos, de cabelos, de lĂĄbios; uma luz que se move, sorri, enxerga e fala.

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vĂȘ aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distĂąncia dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mĂŁos cruzadas sobre o peito.

Maria se pĂ”e de pĂ©, encostando-se Ă  parede. Ela se torna, ora pĂĄlida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mĂŁos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possĂ­vel, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– NĂŁo tenhas medo
 O Senhor estĂĄ contigo. Bendita Ă©s tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terå vindo esse ser extraordinårio? Serå ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– NĂŁo tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. NĂŁo tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberĂĄs em teu ventre, e darĂĄs Ă  luz um Filho, e lhe porĂĄs o nome de “Jesus.” Ele serĂĄ grande, serĂĄ chamado Filho do AltĂ­ssimo (como de fato Ă©). O Senhor Deus lhe darĂĄ o trono de Davi seu pai. Ele reinarĂĄ para sempre na casa de JacĂł e o seu Reino nunca terĂĄ fim. Procura compreender, Ăł santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mĂŁe de seu Filho, o Qual tu gerarĂĄs.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– NĂŁo serĂĄs mĂŁe por obra de homem, Ăł Maria. Tu Ă©s a virgem eterna, a santa de Deus. O EspĂ­rito Santo descerĂĄ sobre ti, e o poder do AltĂ­ssimo te cobrirĂĄ com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamarĂĄ Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estĂ©ril, concebeu em sua velhice aquele que serĂĄ o profeta do teu Filho, ele prepararĂĄ o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu oprĂłbrio, e os povos lembrarĂŁo dela, unida ao teu nome, como tambĂ©m o nome do filho dela ficarĂĄ unido ao do teu, atĂ© o fim dos sĂ©culos. As naçÔes vos chamarĂŁo bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vĂłs, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel jĂĄ estĂĄ em seu sexto mĂȘs, e o peso que ela carrega, a soergue atĂ© Ă  alegria. Nada Ă© impossĂ­vel para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverĂĄ perturbar-te. O Senhor defenderĂĄ os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o CĂ©u, o Eterno estĂŁo esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente estå vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que estå inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.

Anotação

Lucas 1:26-38

No sexto mĂȘs, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada NazarĂ©, a uma jovem virgem que tinha sido dada em casamento a um homem da casa de David chamado JosĂ©; e o nome da jovem era Maria. O anjo veio ter com ela e disse: "Salve, cheia de graça, o Senhor Ă© contigo". Quando ela ouviu isto, ficou muito chocada e interrogou-se sobre o que poderia significar esta saudação.

EntĂŁo o anjo disse-lhe: "NĂŁo tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberĂĄs e darĂĄs Ă  luz um filho, a quem porĂĄs o nome de Jesus. O Senhor Deus dar-lhe-ĂĄ o trono de David, seu pai, e ele reinarĂĄ para sempre sobre a casa de Jacob, e o seu reino nĂŁo terĂĄ fim. Maria perguntou ao anjo: "Como Ă© que isto Ă© possĂ­vel, se eu nĂŁo conheço homem algum? O anjo respondeu: "O EspĂ­rito Santo descerĂĄ sobre ti, e o poder do AltĂ­ssimo te envolverĂĄ com a sua sombra; por isso, aquele que hĂĄ-de nascer serĂĄ santo e serĂĄ chamado Filho de Deus. TambĂ©m Isabel, tua parenta, jĂĄ de idade avançada, concebeu um filho e estĂĄ no sexto mĂȘs, embora fosse chamada a mulher estĂ©ril. Porque para Deus nada Ă© impossĂ­vel. EntĂŁo Maria disse: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra". EntĂŁo o anjo deixou-a.

Palavras-chave

EMF 17.8-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.8 Maria diz:

– Estou na alegria, pois, desde que compreendi a missão a que Deus me destinava, fiquei repleta de alegria. O meu coração se abriu como um lírio que desabrocha e o sangue derramou dele, como ter­reno para o Embrião do Senhor.

17.9 Alegria de ser mĂŁe.

Eu me tinha consagrado a Deus desde a mais tenra idade, porque a luz do AltĂ­ssimo me havia feito conhecer a causa do mal no mundo e eu quis, por quanto estava em meu poder, anular, por mim mesma, o plano de satanĂĄs.

Eu ainda não sabia que não possuía a mancha do pecado. Nem eu podia pensar nisso,pois, teria sido presunção e soberba, dado que, nascida de pais humanos, não me era lícito pretender que logo eu é que seria a escolhida para não ter måcula.

O Espírito de Deus me tinha instruído sobre a dor do Pai, diante da corrupção de Eva, que tinha querido aviltar-se, pois, sendo criatura por graça, desceu ao nível de uma criatura inferior. Havia em mim a intenção de amenizar aquela dor, reconduzindo a minha carne à pureza angélica, conservando-me inviolada por pensamentos, desejos e contactos humanos. Só por Ele o meu coração palpitava de amor, só a Ele eu consagrava o meu ser. Mas, se não havia em mim o ardor da carne, contudo ainda havia o sacrifício de não ser mãe.

A maternidade, livre de tudo o que agora a avilta, tinha sido concedida assim pelo Pai Criador também a Eva. Uma doce e pura maternidade, sem o peso da sensualidade! Eu a experimentei! De quantas vantagens Eva se despojou, quando renunciou a uma riqueza de tal porte! Essa riqueza era muito mais do que a imortalidade. E que não vos pareça um exagero dizer isso. De fato, o meu Jesus, e com Ele eu, sua mãe, tivemos de passar pelos langores da morte. Eu passei por ela, como alguém que, cansado, adormece docemente, e Ele, por meio do atroz sofrimento de quem estå morrendo, porque foi condenado a isso. Portanto, também para nós houve morte. Mas a maternidade sem pesos e sem violaçÔes só aconteceu comigo, a nova Eva, a fim de que ela pudesse dizer ao mundo que doçura teria sido para a mulher chamada a ser mãe, se não sentisse dor em sua carne. Ora, o desejo dessa maternidade pura estava também na virgem toda de Deus, pois a maternidade é a glória da mulher. Se pensardes, então, na honra que era ser mãe para a mulher israelita, ainda mais podereis compreender o meu sacrifício, ao consagrar-me a Deus, com a privação da maternidade.

Mas o Eterno Bem quis dar Ă  Sua serva este dom, sem deixĂĄ-la perder o candor que a revestia, tornando-a uma flor no seu trono. Eu me sentia jubilosa com a dupla alegria de poder ser a mĂŁe de um homem e, ao mesmo tempo, ser a mĂŁe de Deus.

17.10 AAlegria de ser aquela pela qual a paz se estabelecia entre o Céu e a Terra.

Oh! Ter tanto desejado essa paz, por amor de Deus e do prĂłximo, e saber que atravĂ©s de mim, uma pobre serva do Todo-Poderoso, Ă© que tal paz viria ao mundo! Poder dizer: “Ó homens, nĂŁo choreis mais, pois eu trago em mim o segredo que vos farĂĄ felizes. NĂŁo posso lhes comunicar este segredo, porque estĂĄ selado no meu coração, assim como o Filho no meu ventre inviolado. Mas jĂĄ O trago em meio a vĂłs, e cada hora que passa, fica mais perto o momento em que o vereis, e conhecereis seu Nome Santo”.

17.11 A Alegria de ter contentado a Deus: a alegria do fiel que faz feliz o seu Deus.

Oh! Sim! Ter tirado do coração de Deus a amargura da desobediĂȘncia de Eva! Da soberba de Eva! Da sua incredulidade!

Palavras-chave

EMF 17.13-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A alegria brotou-me do coração, como um pedĂșnculo de roseira florida. Mas esta viu-se bem depressa ornada com agudos espinhos, apertada no emaranhado da dor, como aqueles ramos que ficam enrolados por alguma trepadeira. A dor pela dor do esposo: eis a angĂșstia na minha alegria. A dor pela dor do meu Filho: eis o espinho na minha alegria.

Eva quis o gozo, o triunfo, a liberdade. Eu aceitei a dor, o aniquilamento, a escravidĂŁo. Renunciei Ă  minha vida tranqĂŒila, ao amor do meu esposo, Ă  minha prĂłpria liberdade. NĂŁo conservei nada para mim. Fiz-me a serva de Deus na carne, na moral, no espĂ­rito, confiando-me a Ele, nĂŁo sĂł para a concepção virginal, mas para a defesa de minha honra, para a consolação do esposo, para o meio com o qual ele pudesse entender a purificação do matrimĂŽnio, de tal modo a fazer de nĂłs dois os que haveriam de restituir a dignidade perdida ao homem e Ă  mulher.

17.14

Abracei a vontade do Senhor, por mim mesma, pelo esposo e por meu Filho. Eu disse “sim” pelos trĂȘs, certa de que Deus nĂŁo teria faltado com sua palavra, quando prometeu me socorrer na minha­ dor de esposa, que estĂĄ sendo julgada culpada, de mĂŁe que gera um Filho para entregĂĄ-Lo Ă  dor.

Eu disse sim, e basta. Aquele “sim” anulou o “nĂŁo” de Eva ao mandamento de Deus. “Sim, Senhor, como quiseres. Conhecerei o que Tu queres. Viverei como Tu queres. Alegrar-me-ei, se Tu quiseres. Sofrerei o que Tu quiseres. Sim, sempre sim, meu Senhor, desde o momento em que o Teu raio me fez mĂŁe, atĂ© o momento em que me chamaste para Ti. Sempre sim. Todas as vozes da carne, todas as paixĂ”es da moral, sob o peso deste meu perpĂ©tuo sim. Acima, como num pedestal de diamante, o meu espĂ­rito, ao qual faltam asas para voar a Ti, mas que Ă© senhor de todo o eu domado, servo teu. Serva na alegria, serva na dor. Sorri, Ăł meu Deus! SĂȘ feliz! A culpa foi vencida, excluĂ­da, destruĂ­da. Ela, agora sob o meu calcanhar, estĂĄ lavada em meu pranto, destruĂ­da pela minha obediĂȘncia. De meu ventre nascerĂĄ a ĂĄrvore nova, que hĂĄ de ter em si o Fruto, que conhecerĂĄ todo o Mal, por tĂȘ-lo padecido em Si, e que doarĂĄ todo o Bem. Os homens poderĂŁo ir a Ele. Eu me darei por feliz, se eles colherem desse fruto, ainda que nĂŁo se lembrem que este fruto estĂĄ nascendo de mim. Contanto que o homem se salve, e que Deus seja amado, que se faça desta tua serva o que se faz do solo sobre o qual surge uma ĂĄrvore: um degrau para subir.”

17.15

Maria, Ă© preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, nĂŁo faz mal. Contanto que consigam chegar Ă  Cruz. É a nova ĂĄrvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que Ă© um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta ĂĄrvore tambĂ©m tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pĂ©s dos homens, contanto que o nĂșmero dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus nĂŁo seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a HĂłstia santa e, aos pĂ©s da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, Ăł Pai, a HĂłstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nĂłs, Ăł Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dĂĄ-nos a tua bĂȘnção.”

Palavras-chave

EMF 17.13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.13 Eu percorri, de modo regressivo, os caminhos daqueles dois pecadores. Obedeci. Obedeci de todos os modos. Deus me pediu que eu permanecesse virgem. Eu obedeci. Tendo amado a virgindade, que me tornava pura como a primeira das mulheres, antes de conhecer satanás, Deus me pediu que fosse esposa. Eu obedeci, colocando o matrimînio naquele primeiro grau de pureza conforme o pensamento de Deus, quando criou o primeiro homem e mulher. Convicta de que estava destinada à solidão no matrimînio, a ser desprezada pelos outros, pela minha esterilidade voluntária, Deus me pedia para me tornar mãe. Eu obedeci. Eu acreditei que seria possível e que aquela palavra tinha vindo de Deus, pois, ao ouvi-la, difundiu-se em mim uma grande paz. Não fiquei pensando: “Eu mereci isto.” Não fiquei dizendo a mim mesma: “Agora, o mundo vai me admirar, pois sou semelhante a Deus, criando a carne de Deus.” Não. Eu me aniquilei na humildade.

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Maria descreve a desobediĂȘncia de AdĂŁo e Eva. Depois declara:

Palavras-chave

EMF 18

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo: Maria anuncia a José a maternidade de Isabel e confia a Deus a tarefa de justificar a sua.

Data da visão e do ditado: Såbado, 25 de março de 1944 (festa da Anunciação).

CalendĂĄrio: Quarta-feira 21 de fevereiro AD -5

Local (mapa): Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria estĂĄ sozinha em sua casa, em NazarĂ©. É provavelmente a noite da Anunciação. Ela reza e depois come com muita simplicidade. JosĂ© chega depois de ela ter terminado e a sua mulher acolhe-o. Traz-lhe uvas e ovos que ela quer comer. Traz-lhe uvas e ovos, que quer dar a Maria. A Plenitude da Graça apercebe-se de que ele nĂŁo comeu e traz-lhe o que precisa: ele recusa apenas os ovos, que sĂŁo para Maria, e sĂł para ela. O patriarca da Sagrada FamĂ­lia come e conversa com ele. JosĂ© conta o seu dia e, depois, quando se faz silĂȘncio, Maria intervĂ©m para lhe dizer que a sua prima foi mĂŁe. JosĂ© fica surpreendido e pergunta-lhe como Ă© que ela soube. Depois, quando Maria responde, pede-lhe autorização para ir ter com Isabel. JosĂ© responde afirmativamente, mas pede-lhe que espere alguns dias, pois tem de ir a JerusalĂ©m. Assim, viajaram juntos para lĂĄ. Depois, JosĂ© regressou a casa, mas seria mais fĂĄcil para ele se a acompanhasse Ă  Cidade Santa. Maria agradeceu-lhe e, pouco depois, o futuro pai de Jesus partiu. Maria deixa-o partir, depois suspira e reza, sem dĂșvida por causa da dor de nĂŁo poder contar-lhe o seu segredo.

Maria faz entĂŁo um ditado a Maria e conta-lhe que, depois de ter voltado a si, durante o ĂȘxtase da Anunciação, o seu primeiro pensamento foi JosĂ©. JĂĄ nĂŁo sentia medo na presença do marido, mas como podia contar-lhe que era mĂŁe? Foi o EspĂ­rito Santo que a mandou calar, e o Todo-Santo levou Ă  perfeição a sua confiança de criatura. Ela abandona-se a Deus e experimenta a sua primeira dor de co-redentora. Ela recomenda-nos que deixemos que Deus defenda a nossa reputação...

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 18.1: Maria prepara-se para a refeição da noite. 18.2: JosĂ© chega. 18.3: Ela faz-lhe comer. 18.4: Conversam sobre tudo e sobre nada. 18.5: Maria vai ajudar Isabel quando ela estĂĄ grĂĄvida. 18.6: O casal separa-se. 18.7: O que devo dizer a JosĂ©? 18.8: Deixa que eu te justifique. 18.9: A minha primeira dor de Coredemptrix. 18.10: Confia a Deus o cuidado da tua reputação.

Palavras-chave