Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 14 de 32

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EMF 42

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vĂȘ o banco do carpinteiro em NazarĂ©. Jesus estĂĄ a trabalhar lĂĄ. Maria chega e chama o seu Filho: entram num quarto onde JosĂ© estĂĄ a morrer. Jesus aproxima-se do seu pai, tenta reanimĂĄ-lo e faz com que a sua MĂŁe se sente. Depois reza ao lado do moribundo e conforta-o. JosĂ© morre tranquilamente nos seus braços, rodeado pelo seu Filho e pela sua SantĂ­ssima Esposa.

Jesus faz então um ditado e insiste no sofrimento de Maria naquele momento, porque ela amava verdadeiramente o seu José. Para encontrar força nesta prova e para dar o seu fiat, ela agarra-se a Jesus. Também ela se agarra a Deus na hora da provação.

Jesus convida-nos a fazer o mesmo e a invocĂĄ-lo na hora da nossa morte, porque, entre as suas meias, ela perde toda a sua dureza. Jesus disse por todos nĂłs: "Senhor, nas tuas mĂŁos entrego o meu espĂ­rito", por todos aqueles que morrem a pensar nele, para que as nossas agonias sejam aliviadas.

Palavras-chave

EMF 42.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

42.1 Poderosamente, esta visĂŁo penetra em mim, enquanto eu estou procurando corrigir o fascĂ­culo, como tambĂ©m o que me foi ditado sobre as falsas religiĂ”es de agora. Vou descrevĂȘ-la, Ă  medida que a vou vendo.

Vejo o interior de uma oficina de carpinteiro. Parece-me que duas das paredes da oficina sĂŁo formadas por paredes rochosas, como se tivesse sido aproveitada uma gruta natural, para com ela formar os cĂŽmodos da casa. Aqui estĂŁo justamente os lados norte e oeste, que sĂŁo de rocha, enquanto que as duas outras paredes, do sul e do leste, sĂŁo de reboco, como as nossas.

No lado norte, hå uma curva cÎncava na superfície da rocha, que foi escavada para servir de lareira rudimentar, sobre a qual estå uma panelinha com verniz ou cola, não sei bem. A lenha, queimada durante anos naquele lugar, tingiu tanto a parede, que ela parece alcatroada, de tão preta. Um buraco na parede, transposto por uma espécie de grande telha inclinada, fazia-se de chaminé aspirando a fumaça da lenha. Mas este buraco deve ter cumprido mal a sua tarefa, porque as outras paredes também estão muito enegrecidas, e no momento uma nuvem de fumaça, estå sendo espalhada pela oficina toda.

42.2 Jesus trabalha com umas grandes tåbuas. Estå aplainando-as e depois as encosta na parede, atrås de Si. A seguir, pega uma espécie de banco, que estå preso dos dois lados no torno, o solta, olha se o trabalho estå certo, esquadreja-o em todos os sentidos e, em seguida, vai até a chaminé, pega a panelinha, procurando algo dentro dela, com um pauzinho ou pincel, não sei: só vejo a parte que ficou fora, parecida com um cabinho.

Jesus estĂĄ com uma veste cor de avelĂŁ escura, e sua tĂșnica Ă© um tanto curta, com as mangas arregaçadas acima dos cotovelos e com uma espĂ©cie de avental na frente, no qual ele limpa os dedos, depois de ter tocado a panelinha.

Ele está sozinho. Trabalha continuamente, mas com calma. Nenhum­ movimento desordenado, impaciente. É exato e incessante em seu trabalho. Não se aborrece com nada, nem com um nó na madeira que não se deixa aplainar, nem com uma chave de parafusos (assim me parece), que lhe cai duas vezes do banco, nem com a fumaça espalhada, que lhe deve incomodar os olhos.

De vez em quando, Ele levanta a cabeça, e olha para a parede do lado sul, onde hå uma porta fechada, como se estivesse escutando alguma coisa. A um dado momento, Ele abre uma porta que estå na parede do lado leste, e que då para a rua. Vejo um pedaço de uma viela poeirenta. Parece que Ele estå esperando alguém. Depois, volta ao trabalho. Não estå triste, mas estå sério. Torna a fechar a porta, e retoma o trabalho.

42.3 Enquanto estĂĄ ocupado em fabricar alguma coisa, que me parece as partes de uma roda, a mamĂŁe entra. Ela entra por uma porta do lado sul. Entra apressadamente e corre atĂ© Jesus. EstĂĄ vestida de azul escuro, e sem nada na cabeça. Uma simples tĂșnica ajustada Ă  cintura por um cordĂŁo da mesma cor. Chama com aflição o Filho, e se apĂłia com ambas as mĂŁos em um dos seus braços, com gestos de sĂșplica e de dor. Jesus a acaricia passando-lhe o braço sobre o ombro, e a conforta. Depois sai com ela, deixando logo o trabalho e tirando o avental.

Penso que o senhor quer saber também as palavras que foram ditas. Foram bem poucas, da parte de Maria:

– Oh! Jesus! Vem, vem. Ele está mal!

Estas palavras são ditas com lábios que tremem, e com o brilho do pranto nos olhos avermelhados e cansados. Jesus só diz: “Mãe!” Mas está tudo nesta palavra.

Entram no quarto ao lado, todo cheio da luz do sol, que entra por uma porta escancarada, que då para um pequeno jardim cheio de luz e de verde, no qual voam pombos entre a agitação, causada pelo vento, de umas roupas que estão estendidas para secar. O quarto é pobre, mas arrumado. Hå uma enxerga, coberta com pequenos colchÔes (eu digo pequenos colchÔes porque certamente são coisas altas e macias, mas não se trata de uma cama como a nossa). Sobre ela, apoiado em muitos travesseiros, estå José. Estå morrendo. Di-lo claramente o rosto lívido, o olhar apagado, o peito ofegante e a imobilidade do corpo todo.

42.4 Maria se coloca Ă  sua esquerda, pega-lhe a mĂŁo enrugada e lĂ­vida nas unhas, a fricciona, a acaricia, a beija, enxuga-lhe com um lenço o suor, que faz riscos que brilham nas tĂȘmporas encavadas, a lĂĄgrima, que pĂĄra no canto do olho, e lhe banha os lĂĄbios com um pano de linho­ molhado em um lĂ­quido que parece vinho branco.

Jesus se pÔe à direita. Soergue com agilidade e cuidado o corpo, que se deixa cair e o endireita sobre os travesseiros, que ajeita com Maria. Acaricia sobre a fronte o agonizante, e procura reanimå-lo.

Maria chora baixinho, sem fazer barulho, mas chora. Grandes lågrimas rolam ao longo das faces pålidas, e até sobre a veste azul escuro, e parecem safiras brilhantes.

JosĂ© volta a si por algum tempo, olha fixamente Jesus, dĂĄ-lhe a mĂŁo, como querendo dizer-lhe alguma coisa, e para ter, ao contato divino, força na Ășltima provação. Jesus se inclina sobre aquela mĂŁo, e a beija. JosĂ© sorri. Depois, ele se vira, para procurar Maria, sorrindo tambĂ©m para ela. Maria se ajoelha junto Ă  cama, procurando sorrir. Mas, nĂŁo se saiu bem, e curva a cabeça. JosĂ© lhe coloca a mĂŁo sobre a cabeça, com uma casta carĂ­cia, que parece uma bĂȘnção.

Não se ouve mais nada, a não ser o esvoaçar e o arrulhar dos pombos, o roçar das folhas, o barulho da ågua e, no quarto, a respiração do moribundo.

Jesus anda ao redor do leito, pega um banco e faz Maria sentar-se, dizendo-lhe somente: “MamĂŁe.” Depois volta ao seu lugar e pega de novo a mĂŁo de JosĂ© entre as suas. É uma cena tĂŁo real, que eu choro com dĂł de Maria.

42.5 Depois Jesus, curvando-se sobre o moribundo, em voz baixa recita um salmo. Eu sei que é um salmo, mas agora não posso dizer qual. Começa assim:

– “Protege-me, Ăł Senhor, porque em Ti pus a minha esperança
 Em favor dos santos, que estĂŁo na terra, ele cumpriu admiravelmente todos os seus desejos
 Bendirei ao Senhor que me dĂĄ conselhos
 Tenho sempre o Senhor diante de mim. Ele estĂĄ Ă  minha direita, para que eu nĂŁo vacile. Por isso se alegra o meu coração, e exulta a minha lĂ­ngua, e tambĂ©m meu corpo repousarĂĄ na esperança. Porque Tu nĂŁo abandonarĂĄs a minha alma na mansĂŁo dos mortos, nem permitirĂĄs que o teu santo veja a corrupção. Far-me-ĂĄs conhecer os caminhos da vida, cumular-me-ĂĄs de alegria com a tua face.”

José se reanima todo e, com um olhar mais vivo, sorri para Jesus e lhe aperta os dedos.

Jesus responde com um sorriso ao sorriso e com uma carĂ­cia ao aperto de mĂŁo, e continua docemente, curvado sobre o seu pai adotivo:

– “QuĂŁo amĂĄveis sĂŁo os teus TabernĂĄculos, Ăł Senhor. Minha alma se consome de desejo pelos ĂĄtrios do Senhor. AtĂ© o pardal tem uma casa, e a rolinha um ninho para os seus filho­tes. Eu desejo os teus altares, Ăł Senhor. Felizes aqueles que habitam a tua casa
 Feliz o homem que encontra em Ti a sua força. Ele tem preparadas em seu coração as ascensĂ”es do vale de lĂĄgrimas ao lugar escolhido. Ó Senhor, escuta a minha oração
 Ó Deus, volta o teu olhar para a face do teu Cristo
”

JosĂ© com um soluço, olha para Jesus, e faz sinal de querer falar, como para abençoĂĄ-lo. Mas nĂŁo pode. VĂȘ-se que ele estĂĄ compreendendo, mas jĂĄ nĂŁo pode falar. Contudo, ele se sente feliz, e olha, animado e confiante para o seu Jesus.

Jesus continua:

– “Oh! Senhor, Tu foste propĂ­cio Ă  tua terra, livraste JacĂł da escravidĂŁo
 Mostra-nos, Ăł Senhor, a tua misericĂłrdia, e dĂĄ-nos o teu Salvador. Quero ouvir o que me diz dentro de mim o Senhor Deus. Certamente Ele falarĂĄ de paz ao seu povo pelos seus santos e por quem a Ele se volta de coração. Sim, a tua salvação estĂĄ prĂłxima
 e a glĂłria habitarĂĄ sobre a ter­ra
 A bondade e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram. A verdade surgiu da terra e a justiça a olhou do CĂ©u. Sim, o Senhor se mostrarĂĄ benigno, e a nossa terra darĂĄ o seu fruto. A justiça caminharĂĄ diante Dele, e deixarĂĄ no caminho os seus rastros.” Tu viste esta hora, Ăł pai, e por ela foi que te cansaste tanto. Tu ajudaste esta hora a se formar, e o Senhor te darĂĄ a recompensa. Eu te digo isto –acrescenta Jesus, enxugando uma lĂĄgrima de alegria, que desce lentamente pela face de JosĂ©.

Depois continua:

– “Ó Senhor, lembra-te de Davi, e de toda a sua mansidĂŁo. Como ele jurou ao Senhor: nĂŁo entrarei em minha casa, nĂŁo me deitarei, nĂŁo darei sono aos meus olhos, nem repouso Ă s minhas pĂĄlpebras, nem descanso Ă s minhas tĂȘmporas, enquanto eu nĂŁo encontrar um lugar para o Senhor, uma morada para o Deus de Jacó
 Levanta-te, Ăł Senhor, e vem ao teu repouso, Tu e a Arca da tua santidade (Maria compreende, e tem uma explosĂŁo de pranto). Sejam revestidos de justiça os teus sacerdotes, e façam festa os teus santos. Pelo amor de Davi, teu servo, nĂŁo nos negue o rosto do teu Cristo. O Senhor prometeu a Davi com juramento, e cumprirĂĄ: ‘Porei sobre o trono o fruto do teu seio.’ O Senhor escolheu a sua morada
 Eu farei florescer o poder de Davi, preparando uma tocha acesa para o meu Cristo.”

42.6 Obrigado, meu pai, por Mim e por minha mĂŁe. Tu foste para Mim

um pai justo, e o Eterno te colocou como guarda do seu Cristo e da sua Arca. Tu foste a tocha acesa por Ele e, para com o Fruto do ventre santo, tiveste entranhas de caridade. Vai em paz, Ăł pai! A viĂșva nĂŁo ficarĂĄ desamparada. O Senhor predispĂŽs que ela nĂŁo fique sozinha. Vai tranqĂŒilo para o teu repouso. Eu te digo.

Maria chora com o rosto curvado sobre as cobertas (parecem mantos) estendidas sobre o corpo de José, que vai esfriando. Jesus apressa os seus confortos, pois a respiração se torna mais difícil, e o olhar se torna anuviado.

– “Feliz o homem que teme o Senhor, e pĂ”e nos seus mandamentos todo o seu prazer
 A justiça dele permanece nos sĂ©culos dos sĂ©culos. Entre os homens retos, surge nas trevas como uma luz, o misericordioso, o benigno, o justo
 O justo serĂĄ lembrado para sempre
 A sua justiça Ă© eterna, o seu poder se elevarĂĄ atĂ© Ă  glĂłria
”

Tu terĂĄs esta glĂłria, meu pai. Logo virei buscar-te com os Patriarcas que te precederam, para ires Ă  glĂłria que te espera. Que o teu espĂ­rito exulte com esta minha palavra.

“Quem repousa no auxĂ­lio do AltĂ­ssimo, vive sob a proteção do Deus do CĂ©u.”

Tu jĂĄ estĂĄs nesse lugar, meu pai.

“Ele me livrou do laço dos caçadores e das palavras ĂĄsperas. Ele te cobrirĂĄ com as suas asas e debaixo de suas penas encontrarĂĄs refĂșgio. A sua verdade te defenderĂĄ como um escudo, nĂŁo temerĂĄs os espantos noturnos
 NĂŁo se aproximarĂĄ de ti o mal
 porque aos seus anjos Ele deu a ordem de guardar-te em todos os teus caminhos. Eles te levarĂŁo em suas mĂŁos, para que o teu pĂ© nĂŁo tropece nas pedras. CaminharĂĄs sobre a ĂĄspide e o basilisco, e esmagarĂĄs o dragĂŁo e o leĂŁo. Porque esperaste no Senhor, Ele te diz, Ăł pai, que te libertarĂĄ e protegerĂĄ. Porque elevaste a Ele a tua voz, Ele te ouvirĂĄ, estarĂĄ contigo na Ășltima tribulação, te glorificarĂĄ depois desta vida, fazendo-te ver desde agora a sua Salvação”, e fazendo-te entrar na outra, pela Salvação que agora te estĂĄ confortando e que logo, oh!, logo virĂĄ, te repito, cingir-te com um abraço divino e levar-te Consigo, Ă  frente de todos os Patriarcas, lĂĄ para o lugar onde estĂĄ preparada a morada do Justo de Deus, que para Mim foi um pai bendito.

Vai, na minha frente, dizer aos Patriarcas que a Salvação jĂĄ estĂĄ no mundo e que o Reino dos CĂ©us logo serĂĄ aberto para eles. Vai, pai. A minha bĂȘnção te acompanhe.

42.7 A voz de Jesus se faz mais alta, para chegar até à mente de José,

que jĂĄ se vai mergulhando nas nĂ©voas da morte. O fim Ă© iminente. Ele jĂĄ respira com dificuldade. Maria o acaricia. Jesus se assenta sobre a beira da cama, abraça e atrai para Si o agonizante, que exala o Ășltimo suspiro, sem fazer nenhum movimento.

É uma cena cheia de uma paz solene. Jesus coloca novamente o Patriarca na cama e abraça Maria, que, no fim se aproximou de Jesus na angĂșstia que sentia.

Detalhe

Morte de São José.

Palavras-chave

EMF 43.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

43.6 Não te prometo dons, nem consolaçÔes humanas. Eu te prometo as mesmas consolaçÔes que teve José, as sobrenaturais. Porque é bom que todos fiquem sabendo que os presentes dados pelos Magos, na usura que aperta pela garganta um fugitivo, sumiram rapidamente, como um relùmpago, com a compra de uma casinha e daquele mínimo de utensílios necessårios para a vida, daqueles alimentos que eram também necessårios, que só podiam vir daquela fonte, enquanto não encontråvamos trabalho.

Na comunidade hebraica sempre todos se ajudaram mutuamente. Mas a comunidade reunida no Egito era quase toda composta de fugitivos perseguidos e, por isso, pobres como nós, que tínhamos ido nos juntar a eles. Um pouco daquela riqueza que queríamos manter para Jesus, para o nosso Jesus adulto, preservada dos gastos da instalação no Egito, foi providencial para a nossa volta e apenas suficiente para reorganizar nossa casa e a oficina em Nazaré, ao nosso retorno. Porque os tempos mudam, mas a cobiça humana é sempre a mesma, servindo-se da necessidade alheia para sugar a sua parte de maneira odiosa.

NĂŁo. Termos Jesus conosco nĂŁo serviu para trazer-nos bens materiais. Muitos de vĂłs pretendem isto, quando apenas se sentem um pouco unidos a Jesus. Esquecem-se de que Ele disse: “Procurai as coisas do espĂ­rito.” Tudo o mais Ă© supĂ©rfluo. Deus provĂȘ tambĂ©m o alimento. Tanto aos homens como os pĂĄssaros. Porque sabe que eles tĂȘm necessidade do alimento, enquanto a carne for armadura em torno de vossa alma. Mas, pedi primeiro a sua Graça. Pedi primeiro pelo vosso espĂ­rito. O resto vos serĂĄ dado como acrĂ©scimo.

Palavras-chave

EMF 44

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus prepara-se para deixar Nazaré. Maria estå claramente angustiada. O Filho come e, depois de ter a mala pronta, Maria isola-se por um momento. Jesus vai ter com ela e verifica-se que ela estå a chorar na oficina de José. Jesus fala com ela e vão os dois para o jardim, onde Jesus lhe då as suas recomendaçÔes. Depois, rezam juntos o Pai-Nosso, para se apoiarem em Deus nesta hora de provação. Jesus parte, deixando a sua Mãe em Nazaré.

Cristo faz entĂŁo um ditado e fala do sofrimento de Maria apĂłs a separação de Cristo. Por um momento, diz porque estĂĄ a dar a Obra e como dĂĄ as liçÔes. Depois declara que esta visĂŁo se aplica a todos aqueles que tĂȘm de passar por uma renĂșncia dolorosa e deixar a sua famĂ­lia. Esta lição Ă© para pais e filhos.

Maria sofreu a dor de se separar do seu Filho, mas nĂŁo se revoltou contra a Vontade de Deus. Chorou - mas quem nĂŁo teria chorado ao adivinhar o sofrimento do seu Filho? Ela sabia que os seus parentes estavam cheios de senso comum humano e que nĂŁo compreenderiam a partida nem a pregação de Cristo. Ela sabia que o seu Filho iria encontrar hostilidade durante o seu ministĂ©rio. TambĂ©m ela chorou, sofreu e reparou por todas as mĂŁes que tĂȘm de separar-se dos seus filhos. As lĂĄgrimas da MĂŁe e o Sangue de Jesus Cristo fortalecem aqueles que tĂȘm de dar provas de heroĂ­smo, e fortalecem sobretudo as almas consagradas e as almas vĂ­timas.

Na hora da provação, Maria reza com Jesus. O sofrimento não a impediu de rezar, pelo contrårio. E Jesus diz-nos que devemos rezar sempre com ele, porque é Jesus que nos justifica.

Palavras-chave

EMF 44.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo o interior da casa de NazarĂ©. Nela vejo uma sala, parece uma sala de famĂ­lia, onde a FamĂ­lia faz suas refeiçÔes, ficando tambĂ©m nas horas de descanso. É uma salinha muito pequena, com uma simples mesa retangular que estĂĄ em frente de uma espĂ©cie de arquibanco, encostado Ă  parede. Ele serve de assento para um dos lados da mesa. Junto Ă s outras paredes estĂŁo um tear e um banco, dois outros bancos e uma estante sobre a qual estĂŁo algumas candeias e outros objetos. Uma porta abre-se para a horta-pomar. Deve estar anoitecendo, porque nĂŁo tem nada senĂŁo uma lembrança de sol sobre a copa de uma ĂĄrvore, que começa a verdejar com suas primeiras folhas.

Jesus estĂĄ Ă  mesa. Ele estĂĄ comendo, Maria o serve, indo e vindo, por uma portinha, a qual suponho que conduz ao lugar onde estĂĄ a lareira, da qual se vĂȘ o clarĂŁo, atravĂ©s da porta entreaberta.

Jesus diz duas ou trĂȘs vezes a Maria que se assente
 e coma tambĂ©m. Mas ela nĂŁo quer, sacode a cabeça, sorrindo tristemente, e, depois das verduras cozidas, que me parece estar em lugar da sopa, leva para a mesa peixes assados, um queijo fresco, feito de leite de ovelha e em forma de pequenas bolas parecidas com uma daquelas pedras que se encontram no fundo dos cĂłrregos, e azeitonas pequenas e escuras. O pĂŁo, feito em pequenas formas redondas (da largura de um prato comum) e de pouca altura, jĂĄ estĂĄ sobre a mesa. É um tanto escuro, que nĂŁo deve ter sido feito sem o farelo. Jesus tem diante de Si uma Ăąnfora com ĂĄgua e uma taça. Come em silĂȘncio, olhando para a mĂŁe com um doloroso amor.

É visĂ­vel o sofrimento de Maria. Ela vai e vem, para mostrar compostura. Ainda hĂĄ luz suficiente, mas ela acende uma candeia, e a coloca perto de Jesus. Ao esticar o braço para isso, acaricia a cabeça de seu Filho furtivamente, torna a abrir um alforje, que me parece feito com aqueles tecidos feitos Ă  mĂŁo, com lĂŁ virgem sendo, por isso, impermeĂĄvel, da cor de avelĂŁ. Ela procura dentro alguma coisa, sai para o pequeno pomar e vai atĂ© lĂĄ no fundo, em uma espĂ©cie de esconderijo, saindo com umas maçãs um pouco murchas, que certamente se conservaram desde o verĂŁo, colocando-as no alforje. Depois pega um pĂŁo e um queijo e os pĂ”e junto, por mais que Jesus nĂŁo queira, dizendo que o que estĂĄ lĂĄ dentro jĂĄ basta.

Maria se aproxima da mesa novamente, do lado da passagem mais estreita, Ă  esquerda de Jesus, e fica olhando-O comer. Ela olha para Ele com angĂșstia, com adoração, com o rosto ainda mais pĂĄlido que de costume, que o sofrimento faz parecer envelhecido, com os olhos maiores, marcados com uma sombra, indĂ­cio de lĂĄgrimas jĂĄ derramadas. Parecem tambĂ©m mais claros que de costume, como se tivessem sido lavados pelo pranto presente neles, pronto para cair. SĂŁo dois olhos cheios de dor e de cansaço.

44.2 Jesus, que come devagar e claramente contra a vontade, somente para contentar a mãe, estå mais pensativo do que habitualmente, levanta a cabeça e a olha. Encontra um olhar cheio de lågrimas, inclinando então a cabeça para deixå-la mais à vontade, limitando-se a segurå-la pela delicada mão que ela estå apoiando à beira da mesa. Jesus a pega com sua esquerda e a leva até à sua própria face, e a apóia nela, por um momento, para sentir a carícia daquela pobre mãozinha que estå tremendo, depois a beija no dorso com muito amor e respeito.

Vejo Maria levar à boca sua mão livre, a esquerda, como para sufocar um soluço. Em seguida, ela enxuga com os dedos uma grande lågrima que lhe escapou dos cílios, banhando-lhe a face.

Jesus continua a comer, e Maria sai rapidamente para o pequeno pomar, onde a luz jĂĄ Ă© bem pouca, e desaparece. Jesus apĂłia o cotovelo esquerdo sobre a mesa, e sobre a mĂŁo apĂłia a fronte mergulhando-se em seus pensamentos, parando de comer.

Depois parece procurar escutar algo, e se levanta. Sai também Ele para o pomar, e, ao dar uma olhada ao redor, dirige-se à direita, em relação ao lado da casa, entrando, pela abertura de uma parede rochosa, em um quarto que eu reconheço ser a oficina do carpinteiro, que desta vez estå toda em ordem, sem tåbuas nem maravalhas, e sem o fogo aceso. Ali estão o banco grande e os utensílios, tudo em seus lugares, só isso.

Curvada sobre o banco, Maria está chorando. Parece uma menina. Está com a cabeça sobre o braço esquerdo dobrado, e chora sem fazer barulho, mas com grande dor. Jesus entra devagar, e se aproxima dela, tão levemente, que ela só percebe que Ele está ali, quando o Filho lhe pousa a mão sobre a cabeça inclinada, chamando-a: “Mãe!”, com uma voz de amorosa censura.

Maria levanta a cabeça, olha para Jesus, através de um véu de lågrimas, e se apóia Nele com as duas mãos unidas, segurando-o pelo braço direito. Jesus lhe enxuga o rosto com a beira de sua larga manga, e, depois a abraça, atraindo-a sobre o seu coração e beijando-a na fronte. Jesus estå majestoso, parece mais viril que de costume, e Maria parece mais menina, exceto no rosto, que estå marcado pela dor.

– Vem, mĂŁe –lhe diz Jesus, e, segurando-a apertada contra Si pelo braço direito, dirige-se para o pomar, onde se assenta em um banco Ă  frente da parede da casa. O pomar estĂĄ silencioso, e enfim escuro. VĂȘ-se apenas um belo luar e a luz que vem da sala de jantar. A noite estĂĄ serena.

44.3 Jesus fala a Maria. A princípio, não entendo as palavras, apenas murmuradas, às quais Maria, com a cabeça, assente. Depois, eu ouço:

– Faz que venham os parentes. NĂŁo fiques sozinha. Eu ficarei mais tranqĂŒilo, mĂŁe, e tu sabes que preciso estar tranqĂŒilo para cumprir a minha missĂŁo. O meu amor nĂŁo te faltarĂĄ. Eu virei freqĂŒentemente, e mandarei avisar-te, quando estiver na GalilĂ©ia, nĂŁo podendo vir atĂ© em casa. Nesse caso, tu irĂĄs a Mim. MĂŁe, esta hora tinha que chegar. Ela começou aqui, quando o Anjo te apareceu; agora ela chegou, nĂłs devemos vivĂȘ-la, nĂŁo Ă© verdade, mĂŁe? Depois virĂĄ a paz, da provação superada, e a alegria. Primeiro, precisamos atravessar este deserto como os antigos Pais fizeram para entrarem na Terra Prometida. Mas o Senhor Deus nos ajudarĂĄ, como ajudou a eles. E nos darĂĄ a sua ajuda como um manĂĄ espiritual para nutrir o nosso espĂ­rito no esforço da prova. Vamos dizer juntos o Pai-nosso


Jesus se levanta, e Maria com Ele, erguendo os rostos ao céu. Duas hóstias vivas, que brilham na escuridão.

Jesus diz lentamente, mas com voz clara, e destacando as pala­vras, a oração dominical. Destaca de modo especial as palavras destas frases: “Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade”, separando bem estas duas frases das outras. Ele reza com os braços abertos, não propriamente em cruz, mas como fazem os sacerdotes, quando se dirigem ao povo, dizendo: “O Senhor esteja convosco!” Maria conserva suas mão unidas.

44.4 Depois, voltam para a casa, e Jesus, que eu nunca vi beber vinho, despeja em uma taça, de uma Ăąnfora apanhada na estante, um pouco de vinho branco e o leva para a mesa, pega Maria pela mĂŁo, e faz que ela se assente perto Dele e beba daquele vinho, no qual molha uma pequena fatia de pĂŁo, fazendo, depois, que ela o coma. A insistĂȘncia dele Ă© tanta, que Maria cede. Jesus bebe o que resta do vinho. Depois disso, aperta a mĂŁe ao seu lado, e a segura assim junto ao seu corpo, pela parte do coração. Nem Jesus, nem Maria estĂŁo deitados, mas sentados, como nĂłs nos sentamos. NĂŁo estĂŁo falando mais. EstĂŁo esperando. Maria acaricia a mĂŁo direita de Jesus e seus joelhos. Jesus faz uma carĂ­cia ao braço e Ă  cabeça de Maria.

44.5 Em seguida, Jesus se levanta, e Maria tambĂ©m, e se abraçam e se beijam amorosamente muitas vezes. Parece que querem se deixar, mas Maria torna a apertar contra si o seu Filho. É a Virgem Santa, mas Ă© uma mĂŁe enfim, uma mĂŁe que precisa separar-se do seu filho, sabendo qual vai ser o fim daquela separação. NinguĂ©m me venha mais dizer que Maria nĂŁo sofreu. Antes, acreditava pouco nisso, mas agora estou convencida.

Jesus pega o manto (azul escuro) e joga-o sobre as costas e a cabeça, como um capuz. Depois pendura à tiracolo o alforje, de modo que não lhe dificulte o andar. Maria o ajuda, parece que não vai terminar nunca de ajustar-lhe a roupa, o manto e o capuz. E, enquanto assim faz, ela ainda o acaricia.

Jesus vai atĂ© Ă  saĂ­da, depois de ter traçado um gesto de bĂȘnção sobre a sala. Maria o acompanha e, Ă  porta, que jĂĄ estĂĄ aberta, eles se beijam de novo.

44.6 A rua estĂĄ silenciosa e solitĂĄria, toda branca ao luar. Jesus vai caminhando. Vira-se ainda duas vezes para olhar a mĂŁe, que ficou apoiada ao umbral da porta, mais branca do que a lua, e soltando lĂĄgrimas que brilham em um pranto silencioso. Jesus vai ficando cada vez mais longe, indo pela ruazinha branca. Maria continua chorando junto Ă  porta. Depois, Jesus desaparece numa das curvas do caminho.

Começou o seu caminho de Evangelizador, que terminarĂĄ no GĂłlgota. Maria entra chorando, e fecha a porta. TambĂ©m para ela começou o caminho que a levarĂĄ ao GĂłlgota. Tudo por nĂłs


Detalhe

Jesus deixa NazarĂ© para iniciar a sua vida pĂșblica.

Palavras-chave

EMF 44.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

44.7 Jesus diz:

– Esta Ă© a quarta dor de Maria mĂŁe de Deus. A primeira foi a apresentação ao Templo; a segunda, a fuga para o Egito; a terceira, a morte de JosĂ©; a quarta, a minha separação dela.

Conhecendo o desejo do Pai, Eu te disse ontem Ă  tarde que apressarei a descrição das “nossas” dores para que elas se tornem conhecidas. Mas, como estĂĄs vendo, jĂĄ algumas, de minha mĂŁe, tinham sido relatadas. Eu expliquei a fuga[2] antes da apresentação, porque havia necessidade de fazĂȘ-lo naquele dia. Eu sei. Tu compreendes e dirĂĄs o porquĂȘ ao Pai, de viva voz.

Palavras-chave

EMF 44.9-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O ensinamento que vem da contemplação da minha separação Ă© dirigido especialmente aos pais e aos filhos que a vontade de Deus chama para uma vida de renĂșncia recĂ­proca por um amor mais alto. Em segundo lugar, Ă© dirigido a todos aqueles que se encontram diante de uma renĂșncia difĂ­cil.

Quantas dessas nĂŁo encontrais em vossas vidas! Elas sĂŁo como espinhos sobre a terra, e penetrantes ao coração. Eu sei. Mas a quem as acolhe com resignação — prestai atenção, eu nĂŁo digo: “a quem as deseja e as acolhe com alegria” (pois isto jĂĄ Ă© perfeição); mas eu digo: “com resignação” — elas se transformam em rosas eternas. Mas poucos sĂŁo os que as acolhem com resignação. Como uns burrinhos rebeldes, vĂłs vos levantais contra a vontade do Pai e teimais, se Ă© que nĂŁo procurais atĂ© ferir com coices espirituais e mordidas, ou seja, com rebeliĂŁo e blasfĂȘmias contra o bom Deus.

44.10 NĂŁo digais assim: “Mas eu nĂŁo tinha outro bem senĂŁo este, e Deus o tirou de mim. Eu nĂŁo tinha outro amor senĂŁo este, e Deus arrebatou-o de mim.” TambĂ©m Maria, mulher gentil e amorosa atĂ© Ă  perfeição, porque em sua Graça Total atĂ© as formas afetivas e sensitivas eram perfeitas, nĂŁo tinha senĂŁo um bem e um amor sobre a ter­ra: o seu Filho. Nada lhe restava, senĂŁo Ele. Seus pais estavam mortos fazia tempo, JosĂ© estava morto, havia alguns anos. NĂŁo havia senĂŁo Eu para amĂĄ-la e fazĂȘ-la sentir que nĂŁo estava sozinha. Os parentes, por causa de Mim, de quem eles nĂŁo conheciam a origem divina, lhe eram um pouco hostis, como se fosse uma mĂŁe que nĂŁo sabe se impor ao filho, que sai do bom-senso, que recusa os casamentos que lhe sĂŁo propostos os quais poderiam trazer prestĂ­gio para a famĂ­lia, e atĂ© ajuda.

Os parentes, voz do bom senso, do senso humano ainda, que vós chamais de bom-senso, não passam de um senso humano, isto é, egoísmo, teriam querido estas pråticas desenvolvidas na minha vida. No fundo, havia sempre o medo de, um dia, passarem abor­recimentos por minha causa, pois Eu jå ousava exteriorizar minhas idéias, por demais sonhadoras, no pensar deles, as quais podiam até irritar a Sinagoga. A história hebraica estava cheia de ensinamentos sobre a sorte que tiveram os profetas. Não era fåcil a missão do profeta, pois muitas vezes acarretava a morte dele e aborrecimentos para a sua parentela. No fundo, estavam sempre com o pensamento de que teriam um dia de cuidar de minha mãe.

Por isso Ă© que, ao verem que Ela nĂŁo se opunha a Mim em nada, e atĂ© parecia viver numa contĂ­nua adoração perante o Filho, isso os irritava. Esta antipatia haveria de ir crescendo, ao longo dos trĂȘs anos do ministĂ©rio, atĂ© culminar em censuras abertas, quando me encontravam no meio das multidĂ”es, e se envergonhavam, como diziam, da minha mania de ficar provocando as castas poderosas. Censuras a Mim e a Ela, a minha pobre mĂŁe!

44.11 Contudo, Maria nĂŁo opĂŽs resistĂȘncia, como vĂłs fazeis, ela que sabia as disposiçÔes dos parentes (nem todos foram como Tiago, Judas e SimĂŁo, nem como a mĂŁe deles, Maria de ClĂ©ofas), prevendo as disposiçÔes futuras, e sabendo a sua sorte durante aqueles trĂȘs anos e o que a aguardava no final deles, assim como o que Me aconteceria. Ela chorou. Quem nĂŁo teria chorado, diante da separação do filho que a amava, como Eu a amava, diante da perspectiva dos longos dias vazios, sem a minha presença, naquela casa solitĂĄria, diante do futuro do Filho, destinado a se bater contra a mĂĄ vontade de quem era culpado, procurando vingar-se da culpa, ofendendo o Inocente, atĂ© matĂĄ-lo?

Chorou porque era a Co-Redentora e a mĂŁe do gĂȘnero humano renascido para Deus, e devia chorar por todas as mĂŁes que nĂŁo sabem fazer de suas dores de mĂŁes uma coroa de glĂłria eterna.

Quantas mĂŁes neste mundo vĂȘem a morte arrancar um filho dos seus braços! Quantas mĂŁes vĂȘem a vontade sobrenatural arrebatar-lhes um filho de perto delas! Maria chorou por todas as suas filhas, como mĂŁe dos cristĂŁos, por todas as suas irmĂŁs, em sua dor de mĂŁe despojada. Chorou tambĂ©m por todos os filhos que, nascidos de mulher, estĂŁo destinados a tornarem-se apĂłstolos de Deus, ou mĂĄrtires por amor de Deus, por fidelidade a Ele ou pela ferocidade humana.

44.12 O meu Sangue e o pranto de minha mãe são a mistura que fortalece os marcados da sorte heróica, anulando-lhes as imperfeiçÔes, ou as faltas cometidas por fraqueza, dando depois do martírio sofrido, a paz de Deus e, se sofrido por Deus, a glória do Céu.

Os missionĂĄrios experimentam as lĂĄgrimas como uma chama que os aquece nas regiĂ”es onde a neve impera, como um orvalho lĂĄ onde o sol arde. SĂŁo brotadas da caridade de Maria e jorram dum coração de lĂ­rio. Suas lĂĄgrimas tĂȘm o fogo da caridade virginal unida ao Amor e o perfumado frescor da virginal pureza, semelhante ao da ĂĄgua que se recolhe no cĂĄlice de um lĂ­rio, depois de uma noite orvalhosa.

Os consagrados as encontram naquele deserto que Ă© a vida monĂĄstica bem entendida. É deserto porque nĂŁo vive senĂŁo da uniĂŁo com Deus, e qualquer outro afeto desaparece tornando-se unicamente caridade sobrenatural, para com os parentes, os amigos, os superiores e os inferiores.

SĂŁo encontradas pelos consagrados a Deus no mundo, no mundo que nĂŁo os entende e nĂŁo os ama. É deserto tambĂ©m para eles, pois vivem como se estivessem sozinhos, por serem tĂŁo incompreendidos e escarnecidos, por amor de Mim.

As minhas queridas “vĂ­timas” experimentam as lĂĄgrimas, porque Maria Ă© a primeira das vĂ­timas que por amor de Jesus dĂĄ as suas lĂĄgrimas que restauram e inebriam um maior sacrifĂ­cio, Ă s suas imitadoras, com a mĂŁo de mĂŁe e de MĂ©dica.

Santo pranto o de minha mĂŁe!

Detalhe

Jesus deixa NazarĂ© para iniciar a sua vida pĂșblica.

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EMF 45

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

João baptiza no Jordão. Maria ouve-o pregar à multidão. Entretanto, Jesus chegou de uma forma muito simples, sem se mostrar ao seu precursor. Mas o Precursor parece pressentir algo e vira-se para o primo. Vai imediatamente ter com o seu Senhor e proclama que ele é o Cordeiro de Deus. Tudo se passa então como nos diz o Evangelho. Jesus då então um ditado, dizendo que João não precisa de sinais. No entanto, houve uma série de manifestaçÔes de Cristo, para que a sua natureza de Homem-Deus não pudesse ser negada pelos seus contemporùneos.

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EMF 49.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Tens sobrinhos, Mestre?

– Eu só tenho minha mãe
 Mas nela está a pureza, a sinceridade, o amor dos pequeninos mais santos, junto à sabedoria, justiça e fortaleza dos adultos. Eu tenho tudo em minha mãe, João.

– E Tu a deixaste?

– Deus estĂĄ acima atĂ© da mais santa das mĂŁes.

– Eu irei conhecĂȘ-la?

– Sim. Tu a conhecerás.

– E ela me amará?

– Sim, te amará, porque ela ama a quem ama o seu Jesus.

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EMF 49.11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.11 É o meu predileto? Sim. Mas nĂŁo tem tambĂ©m esta semelhança Comigo? Puro, amoroso, obediente, mas tambĂ©m humilde. Eu me espelhava nele, via nele as minhas virtudes. Eu o amava por isso, como um segundo Eu. Via sobre ele o olhar do Pai que o reconhecia como um pequeno Cristo. E minha mĂŁe me dizia: “Nele sinto ter um segundo filho. Parece-me estar vendo a Ti, reproduzido em um homem.”

Oh! a cheia de sabedoria como te conheceu, Ăł meu dileto! Os cĂ©us azuis de vossos coraçÔes de pureza se fundiram em um Ășnico velĂĄrio para me dar proteção de amor, e tornarem-se assim um sĂł amor, antes ainda que Eu desse minha mĂŁe a JoĂŁo, e JoĂŁo Ă  minha mĂŁe. Eles se amaram, porque se reconheceram semelhantes: filhos­ e irmĂŁos do Pai e do Filho.

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