Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 12 de 32

Conforto de leitura

EMF 35.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

35.1 O meu espĂ­rito vĂȘ a seguinte cena.

É noite. JosĂ© dorme em sua cama no seu pequeno quarto. Um sono tranqĂŒilo de quem descansa de muito trabalho, feito com honestidade e capricho.

Eu o vejo na escuridão do ambiente, rompida apenas por um pouco da luz do luar, que penetra por uma abertura da janela, encostada, mas não totalmente fechada, como se José tivesse calor ou quisesse ter aquele pouco de luz, para saber calcular o despontar da alvorada, levantando-se diligente. Ele estå deitado de lado e, no sono, sorri, quem sabe a qual sonho que esteja tendo.

Mas, seu sorriso se transforma em preocupação. Ele suspira profundamente, como se faz quando se tem um pesadelo, e acorda sobressaltado. JosĂ© se assenta sobre a cama, esfrega os olhos, e olha ao redor de si. Olha, depois, para a janela, por onde estĂĄ entrando a claridade do luar. É noite alta, mas ele pega a roupa, que estĂĄ estendida aos pĂ©s da cama e, continuando sentado sobre a mesma, a vai vestindo sobre a tĂșnica branca de mangas curtas que ele trazia sobre a pele. Afastadas as cobertas, pĂ”e os pĂ©s no chĂŁo e procura as sandĂĄlias. Depois ele as calça e amarra. PĂ”e-se em pĂ© e vai atĂ© a porta, que estĂĄ em frente de sua cama, nĂŁo a que estĂĄ de lado e que dĂĄ para o salĂŁo onde foram recebidos os Magos.

Ele bate Ă  porta, de leve, sĂł um toc-toc, com a ponta dos dedos. JosĂ© deve ter ouvido que estĂĄ sendo convidado a entrar, porque abre com cuidado a porta, e a torna a encostar, sem fazer barulho. Antes de ir atĂ© Ă  porta, ele acendeu uma pequena candeia, de um sĂł bico, e assim tem uma luz para poder andar. Ele entra. Mas, em um quarto pouco maior do que o seu, e no qual estĂĄ uma caminha ao lado de um berço, ele vĂȘ uma luzinha jĂĄ acesa; a chama vacilante, que estĂĄ a um canto, parece uma estrelinha de uma luz tĂȘnue e dourada, que permite enxergar, mas sem incomodar quem estiver dormindo.

35.2 Maria, porĂ©m, nĂŁo estĂĄ dormindo. Ela estĂĄ ajoelhada junto ao berço, vestida com sua veste clara, e estĂĄ rezando, velando a Jesus que dorme tranqĂŒilo, Jesus que tem a idade em que o vi na visĂŁo dos Magos. É uma criança de cerca de um ano, bonita, rĂłsea e loira, que estĂĄ dormindo, com a cabecinha de cabelos encaracolados afundada no travesseiro, e com uma mĂŁozinha com o punho fechado, encostada na garganta.

– NĂŁo estĂĄs dormindo? –pergunta JosĂ©, em voz baixa, e admirada–. Por que? Jesus nĂŁo estĂĄ bem?

– Oh, nĂŁo! Ele estĂĄ bem. Eu estou rezando. Mas certamente depois dormirei. Por que vieste, JosĂ©?

Maria fala, permanecendo ajoelhada onde estava.

José fala em voz muito baixa, para não despertar o Menino, mas sua voz é agitada.

– Precisamos ir embora logo daqui. Mas logo! Prepara o baĂș e um saco com tudo o que puder caber nele. Eu vou preparar tudo o mais, e levarei o mais que puder. Ao romper da aurora, fugiremos. Eu faria isso atĂ© antes, mas preciso falar com a dona da casa


– Mas, por que esta fuga?

– Depois, eu te falarei melhor. É por causa de Jesus. Um anjo me disse: “Pega o Menino e a mãe, e foge para o Egito.” Não percas tempo. Eu vou preparar o que puder.

35.3 NĂŁo hĂĄ necessidade de dizer a Maria que nĂŁo perca tempo. Assim que ela ouviu falar de anjo, de Jesus e de fuga, compreendeu que estĂĄ em perigo o seu Filho, pĂŽs-se em pĂ©, branca como se tivesse um rosto de cera, com uma mĂŁo posta sobre o coração, angustiada. Logo começou a mover-se, desembaraçada e ligeira, e a arrumar as roupas no baĂș e num grande saco, que ela estendeu sobre o leito, e que ainda nĂŁo foi usado. Certamente estĂĄ aflita, mas nĂŁo perde a cabeça, e faz tudo apressadamente, mas com ordem. De vez em quando, ao passar por perto do berço, olha para o Menino, que estĂĄ dormindo sem saber de nada.

– EstĂĄs precisando de ajuda? –pergunta-lhe JosĂ©, de vez em quando, pondo a cabeça para dentro da porta, que estĂĄ entreaberta.

– Não, obrigada –responde sempre Maria.

Somente quando o saco estå cheio, e fica pesado, é que ela chama José para ajudå-la a fechå-lo e levantå-lo da cama. Mas José não quer ser ajudado e faz tudo sozinho, pegando o grande volume, e levando-o para o seu quartinho.

– Pego tambĂ©m as cobertas de lĂŁ? –pergunta Maria.

– Pega o mais que puderes. Porque o que ficar estará perdido. Por isso, o mais que puderes, apanha-o! Para nós vai ser bom, porque
 porque teremos pela frente uma longa viagem, Maria!


José fica muito sentido, ao ter que dizer isso. Pode-se imaginar como estå Maria. Suspirando, ela vai dobrando suas colchas e as de José e ele as amarra com uma corda:

– Vamos deixar os acolchoados e as esteiras –diz ele, enquanto amarra as colchas–. Ainda que eu levasse trĂȘs burrinhos, nĂŁo posso sobrecarregĂĄ-los demais. Temos que fazer uma longa e incĂŽmoda viagem, uma parte pelas montanhas, e outra pelo deserto. Cobre bem Jesus. As noites serĂŁo frias tanto nas montanhas, como no deserto. Apanhei os presentes dos Magos, porque eles nos serĂŁo Ășteis lĂĄ embaixo. Tudo o que eu tiver gastarei para comprar os dois burrinhos. NĂłs nĂŁo podemos mandĂĄ-los de volta, e por isso eu preciso adquiri-los. Eu vou, sem ficar esperando o romper da aurora. Sei onde procurĂĄ-los. Tu, acabas de preparar tudo.

E sai. Maria recolhe ainda alguns objetos e, depois de ter ido ver Jesus, sai e volta com duas pequenas vestes que parecem estar ainda Ășmidas, talvez tenham sido lavadas no dia anterior. Ela as dobra e envolve em um pano e as ajunta com as outras coisas. JĂĄ nĂŁo hĂĄ mais nada.

Ela olha ao redor e vĂȘ um brinquedo de Jesus em um canto: Ă© uma ovelhinha entalhada em madeira. Ela a pega com um soluço, e a beija. A madeira estĂĄ com os sinais dos dentinhos de Jesus, e as orelhas da ovelhinha estĂŁo mordiscadas. Maria acaricia aquele objeto sem valor, feito com uma madeira clara e comum, mas que para ela Ă© de grande valor, porque lhe fala do afeto de JosĂ© por Jesus e lhe fala tambĂ©m do seu Menino. Por isso o pĂ”e tambĂ©m junto com as outras coisas sobre o baĂș jĂĄ fechado.

35.4 Agora, jĂĄ nĂŁo hĂĄ mais nada mesmo. SĂł falta Jesus, que ainda estĂĄ em seu bercinho. Maria acha que Ă© bom preparĂĄ-Lo tambĂ©m. Vai ao berço e o sacode um pouco para despertĂĄ-Lo. Mas Ele dĂĄ apenas um leve sinal, e virando-se para o outro lado, continua a dormir. Maria o acaricia de leve, sobre os caracoizinhos. Jesus abre a boquinha para um bocejo. Maria se inclina e o beija na face. Jesus acaba de despertar. Abre os olhos. VĂȘ a mamĂŁe, e sorri, e estende as mĂŁozinhas para o seio dela.

– Sim, amor da mamãe. Sim, o leite. Antes da hora habitual
 Mas Tu estás sempre pronto para sugar tua mamãe, meu santo cordei­rinho!

Jesus ri e brinca, agitando os pezinhos para fora das cobertas, agitando os braços com uma daquelas alegrias de criança, tão bela de se ver. Ele apóia os pezinhos sobre o estÎmago da mãe, curva-se como um arco e apóia também a cabecinha loira sobre o seu seio e, depois, se atira para trås, rindo, com as mãozinhas agarradas aos cordÔezinhos que ajustam o vestido ao pescoço de Maria, procurando abri-lo. Em sua camisinha de linho Ele estå muito bonito, gorducho, rosado como uma flor.

Maria se inclina e, estando assim por cima do berço como uma proteção, chora e sorri ao mesmo tempo, enquanto o Menino balbucia aquelas palavras, de todos os bebĂȘs, que nĂŁo sĂŁo palavras, e entre as quais ouve-se jĂĄ clara e repetidamente a palavra “mamĂŁe”. Ele olha­ para ela, admirado por vĂȘ-la chorar. Estende uma mĂŁozinha para as lĂĄgrimas que caem, e se deixa molhar por aquelas carĂ­cias. Gracioso, torna a apoiar-se no seio materno, e se encolhe todo, acariciando-o com sua mĂŁozinha.

Maria o beija por entre os cabelos, e o pega no colo, senta-se e o veste. O vestidinho de lã jå estå posto, e as sandalinhas também. Maria lhe då de mamar, Jesus suga contente o bom leite de sua mamãe e, quando percebe que da direita estå vindo menos, procura a esquerda, ri ao fazer isso, olhando de alto a baixo para sua mamãe. Depois adormece de novo sobre o seio dela. Sua bochecha rosada e gorducha estå ainda contra o seio branco e redondo.

Maria se levanta, lentamente, e o coloca sobre a colcha de seu leito. Cobre-o com o seu manto. Volta ao berço e dobra as pequenas cobertas. Fica pensando se nĂŁo serĂĄ bom pegar tambĂ©m o pequeno colchĂŁo. É tĂŁo pequeno! Pode-se levar. EntĂŁo, Ela o coloca, junto com o travesseiro, perto das coisas jĂĄ postas sobre o baĂș. Chora sobre o berço vazio a pobre mĂŁe, que estĂĄ sendo perseguida com seu Filho.

35.5 José jå estå de volta.

– Estás pronta? Jesus está pronto? Pegaste as suas cobertas, a sua caminha? Não podemos levar o berço, mas pelo menos que Ele tenha o seu pequeno colchão, pobre Pequenino, que procuram a sua morte!

– JosĂ©!

Maria då um grito, enquanto se agarra ao braço de José.

– Sim, Maria, a sua morte. Herodes o quer morto
 porque tem medo
 por causa do seu reino humano, ele tem medo deste Inocente, aquela fera imunda. Que irĂĄ ele fazer, quando ficar sabendo que o Menino fugiu, eu nĂŁo sei. Mas nĂłs jĂĄ estaremos longe. NĂŁo creio que ele queira se vingar, procurando-o atĂ© na GalilĂ©ia. JĂĄ lhe seria muito difĂ­cil descobrir que nĂłs somos galileus, e mais ainda, que nĂłs somos de NazarĂ©, e quem Ă© que somos exatamente. A nĂŁo ser que SatanĂĄs o ajude, para agradecĂȘ-lo por ser-lhe um servo fiel. Mas
 se isso acontecesse
 Deus nos ajudarĂĄ do mesmo modo. NĂŁo chores, Maria. Ver-te chorar Ă© para mim uma dor bem mais forte do que a de ter que ir para o exĂ­lio.

– Perdoa-me, JosĂ©. NĂŁo Ă© por mim que eu choro, nem pelas poucas coisas que vamos deixar. Eu choro por ti
 JĂĄ tiveste que sacrificar-te tanto! E agora tornas a ficar de novo sem clientes e sem casa. Quanto eu custo para ti, Ăł JosĂ©!

– Quanto? Não, Maria. Tu não me custas nada. Tu me consolas. Sempre. Não fiques pensando no dia de amanhã. Nós temos as riquezas dos magos. Elas nos ajudarão nos primeiros tempos. Depois, eu acharei trabalho. Um operário honesto e que tenha capacidade, logo abre caminhos. Já viste como foi aqui. As horas não me bastam para o trabalho que tenho.

– Eu sei. Mas, quem te aliviará da saudade?

– E a ti, quem te aliviará da saudade daquela casa de que tanto gostas?

– Jesus. Tendo-o, tenho o que lá tive.

– E eu, tendo Jesus, tenho a pĂĄtria a qual tenho esperado atĂ© a poucos meses. Tenho o meu Deus. EstĂĄs vendo como nĂŁo vou perder nada do que me Ă© mais querido sobre todas as coisas. Basta que salvemos a Jesus, que tudo ficarĂĄ conosco. Mesmo que nĂŁo tivĂ©ssemos mais de ver este cĂ©u, estes campos, nem aqueles ainda mais queridos da GalilĂ©ia, terĂ­amos sempre tudo, porque o temos.

35.6 Vem, Maria, que o amanhecer está chegando. É hora de irmos saudar a nossa hospedeira e pegar as nossas coisas. Tudo irá bem.

Maria se levanta, obediente. Envolve-se no manto, enquanto JosĂ© estĂĄ fazendo um Ășltimo embrulho, e depois sai, transportando-o.

Maria soergue delicadamente o Menino, e o envolve com um xale, apertando-o contra o coração. Olha para as paredes que a hospedaram durante alguns meses, e, com uma mão, toca nelas de leve. Feliz casa, que mereceu ser amada e abençoada por Maria!

Ela sai. Atravessa o pequeno quarto, que era de JosĂ©, e entra no salĂŁo. A dona da casa, em lĂĄgrimas, a beija e saĂșda, e, levantando uma das extremidades do xale, beija na fronte o Menino, que estĂĄ dormindo tranqĂŒilo. Descem pela escadinha externa.

Vem chegando uma primeira claridade da aurora, quando se começa a ver alguma coisa. Naquela pouca luz, pode-se ver trĂȘs burrinhos. O mais robusto estĂĄ carregado com as alfaias. Os outros, estĂŁo selados. JosĂ© faz força para acomodar bem o baĂș e os embru­lhos sobre a albarda do primeiro. Vejo as suas ferramentas de carpinteiro, amarradas em pacotes, dentro do saco.

Ainda hå saudaçÔes e lågrimas. Depois Maria monta no seu bur­rinho, enquanto a dona da casa segura Jesus no colo, e o beija ainda, devolvendo-O depois a Maria. José monta também, tendo antes amar­rado o seu jumento ao outro jumento, que vai com a bagagem, a fim de ficar com a mão livre para segurar o burrinho de Maria, pelo cabresto.

A fuga tem início, enquanto Belém, que sonha ainda com a fantåstica cena dos Magos, dorme quieta, sem saber o que a espera.

E a visĂŁo cessa assim.

Anotação

Mateus 2, 13-23 : Depois de terem partido, o anjo do Senhor apareceu a José num sonho e disse-lhe: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e foge para o Egito. Fica lå até eu te dizer, porque Herodes vai procurar o menino para o matar. Nessa noite, José levantou-se, pegou no menino e na sua mãe e fugiu para o Egito, onde ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse a palavra do Senhor dita pelo profeta: "Do Egito chamei o meu filho.

Quando Herodes viu que os såbios tinham troçado dele, ficou furioso. Mandou matar todas as crianças até aos dois anos de idade em Belém e em toda a região, de acordo com a data que lhe fora indicada pelos magos. Cumpriram-se então as palavras do profeta Jeremias: "Hå um clamor em Ramå, choro e dor: é Raquel que chora os seus filhos e não quer ser consolada, porque eles jå não existem.

Depois da morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: "Levanta-te, toma o menino e a sua mãe e vai para a terra de Israel, porque os que procuravam tirar a vida ao menino morreram. José levantou-se, tomou o menino e a sua mãe e foi para a terra de Israel. Mas quando soube que Arqueu estava a governar na Judeia em vez de Herodes, seu pai, teve medo de ir para lå. Avisado em sonho, retirou-se para a região da Galileia e foi viver para uma cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse a palavra dos profetas: Ele serå chamado nazareno.

Palavras-chave

EMF 35.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(..) VĂłs estais tĂŁo embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vĂłs ela ultrapassa demais ao espĂ­rito) que nĂŁo podeis seguir por estas vias, sem cair; ou entĂŁo, parar, desencorajados. Dizeis a vĂłs e a quem queria fazer que vos adiantĂĄsseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: “Jesus, Maria, JosĂ© (e assim por diante todos os santos) nĂŁo eram como nĂłs. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, atĂ© nas pequenas dores que sentiram! Eles nĂŁo sentiam paixĂ”es. Eram jĂĄ seres fora da terra.”

Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixÔes!

35.8 A dor foi para nĂłs a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.

As paixĂ”es
 NĂŁo useis erradamente um vocĂĄbulo, chamando de “paixĂ”es” os vĂ­cios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de “vĂ­cios” e, alĂ©m disso, capitais. Quanto aos vĂ­cios, nĂŁo Ă© que os ignorĂĄssemos. NĂłs tĂ­nhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e SatanĂĄs fazia dançar esses vĂ­cios Ă  nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundĂ­cie, ou tentando-nos com as suas insinuaçÔes. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradĂĄveis a Deus, fazia com que aquela imundĂ­cie e aquelas insinuaçÔes, em vez de satisfazerem o objetivo de SatanĂĄs, provocasse o contrĂĄrio. Quanto mais ele trabalhava, mais nĂłs nos refugiĂĄvamos na luz de Deus, por repugnĂąncia das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.

Nós não ignoramos as paixÔes, no sentido filosófico. Nós amamos a påtria, com a nossa pequena Nazaré, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. Nós sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que não haveríamos de sentir? Não nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a não ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.

Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂ­vel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă  vontade de Deus.

Palavras-chave

EMF 35.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu “sim” lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂ­vel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă  vontade de Deus.

Palavras-chave

EMF 36

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria viu uma casa muito pobre no Egito. Viu o Menino Jesus a brincar no chĂŁo, com dois anos, dois anos e meio no mĂĄximo. Maria trabalha no seu tear enquanto observa o Menino. A certa altura, volta a calçar-lhe as sandĂĄlias, dĂĄ-lhe um beijo e afasta-se do tear. Volta, dĂĄ a mĂŁo ao Menino e saem de casa para a rua. Por fim, parou junto a um poço. JosĂ© chegou entretanto e acelerou o passo quando viu a sua mulher e o seu Filho. Ao chegar junto deles, JosĂ© inclina-se para dar um pedaço de fruta ao Menino e hĂĄ um abraço suave e cheio de afeto entre Jesus e o seu suposto pai. JosĂ© levanta-se e toma Jesus no seu braço direito, e os trĂȘs regressam a casa. Maria vĂȘ-os preparar o jantar e comer juntos, com muita simplicidade, depois de terem rezado.

Jesus faz então um ditado, insistindo na humildade, na resignação e na perfeita harmonia da Sagrada Família. José e Maria são os guardiães da Sagrada Família, mas não retiram daí qualquer benefício material. Vivem na pobreza, no exílio, num mundo onde as pessoas desconfiam umas das outras porque são estranhas. No entanto, hå paz, serenidade e harmonia.

Nesta casa, "nĂŁo hĂĄ pessoas nervosas e melindrosas, nem rostos fechados, nem censuras mĂștuas, e muito menos censuras a Deus, que nĂŁo as cumula de bem-estar material". Nesta casa", continua Jesus, "reza-se, Ă©-se frugal, ama-se o trabalho. A humildade reinava na Sagrada FamĂ­lia, e a ordem sobrenatural, moral e material era respeitada. Respeitamos Deus (ordem sobrenatural), respeitamos JosĂ© como pai e chefe de famĂ­lia (ordem moral) e agradecemos a Deus os nossos bens, mesmo que sejam pobres (ordem material).

Jesus termina convidando-nos a meditar sobre esta visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 36.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A pouca distĂąncia dali, Ă  sombra de uma ĂĄrvore, tambĂ©m estĂĄ Maria. EstĂĄ tecendo em um tear rĂșstico, vigiando o Menino. Vejo suas mĂŁos delicadas e brancas, que vĂŁo e vĂȘm, atirando a lançadeira sobre a trama, e o pĂ©, calçado com sandĂĄlia, movendo o pedal. EstĂĄ vestida com uma tĂșnica da cor flor de malva: um roxo meio rosado, como o de certas ametistas. Sua cabeça estĂĄ descoberta e assim posso ver que seus cabelos loiros estĂŁo repartidos ao meio e penteados de modo simples, em duas tranças, que lhe formam uma bela madeixa sobre a nuca. Maria estĂĄ de mangas compridas, e um tanto estreitas. Nenhum enfeite, alĂ©m de sua beleza e da sua doce expressĂŁo. A cor da face, dos cabelos e dos olhos e a forma do rosto Ă© sempre a mesma quando a vejo. Parece muito jovem. Pelo sim, pelo nĂŁo, podem dar-se-lhe uns vinte anos.

A um certo momento, ela se levanta e se inclina sobre o Menino, pÔe-lhe de novo as sandalinhas, e as amarra com todo o cuidado. Depois, o acaricia e o beija sobre a cabecinha e sobre os olhinhos. O Menino balbucia e ela responde, mas não compreendo as palavras. Depois ela volta ao seu tear, estende um pano sobre a tela e sobre a trama, pega o banco sobre o qual estava sentada, e o leva para casa. O Menino a segue com o olhar, sem importunå-la, quando ela o deixa sozinho.

VĂȘ-se que o trabalho terminou, e que a tarde estĂĄ chegando. De fato, o sol desce sobre as areias nuas, e um verdadeiro incĂȘndio invade o cĂ©u inteiro, atrĂĄs da longĂ­nqua pirĂąmide.

Maria volta. Pega Jesus pela mĂŁo, e o faz levantar-se de sua esteira. O Menino obedece sem resistĂȘncia. Enquanto a mamĂŁe recolhe os brinquedos e a esteira, e os leva para casa, Ele corre aos pulinhos com suas perninhas torneadas, ao encontro da cabritinha, lançando-lhe os bracinhos ao pescoço. A cabrita bale, e esfrega o focinho nas costas de Jesus.

Maria volta de novo. Agora estå com um longo véu sobre a cabeça, e com uma ùnfora na mão. Pega Jesus pela mãozinha, e pÔem-se os dois a caminho, andando ao redor da casa, para chegarem do outro lado.

Eu os acompanho, admirando a graça deste quadro. Maria, que regula o seu passo pelo do Menino, e o Menino que vai dando pulinhos ao seu lado. Vejo os calcanhares rosados dele, que se levantam e se pĂ”em outra vez no chĂŁo, sobre a areia da vereda, com a graça prĂłpria das crianças. Noto que a pequena tĂșnica nĂŁo lhe chega atĂ© os pĂ©s, mas sĂł atĂ© a metade da barriga da perna. A tĂșnica Ă© muito bonita, muito simples, ajustada Ă  cintura por um cordĂŁozinho tambĂ©m branco.

Vejo que Ă  frente da casa, a sebe Ă© interrompida por uma rĂșstica cancela, que Maria abre para sair para a estrada. É um pequeno caminho, desses que hĂĄ nas periferias de uma cidade, ou lugarejo, no ponto em que este se limita com os campos, que aqui sĂŁo formados pela areia e por uma ou outra casinha, pobre como esta, com algumas pequenas hortas de escassas verduras.

Não vejo ninguém. Maria não olha para o campo e sim para o centro, como se estivesse esperando alguém, depois se dirige para um pequeno tanque ou poço, que estå a uns dez metros, mais ou menos, e sobre o qual algumas palmeiras fazem um círculo de sombra. Vejo que ali também o terreno tem ervas verdes.

Detalhe

A Sagrada Família estå em Matarea. Logo no primeiro parågrafo, Maria faz uma descrição física de Maria.

Palavras-chave

EMF 36.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora vejo, vindo pelo caminho um homem, nĂŁo muito alto, mas

robusto. Reconheço que é José, que vem sorrindo. Estå mais jovem do que quando eu o vi na visão do Paraíso. Parece ter, no måximo, quarenta anos. Estå com os cabelos e a barba crescidos e pretos, a pele bastante bronzeada, os olhos escuros. Um rosto honesto e agradåvel, um rosto que inspira confiança.

Vendo Jesus e Maria, ele apressa o passo. Traz sobre o ombro esquerdo uma espĂ©cie de serra e uma espĂ©cie de plaina, e com a mĂŁo estĂĄ segurando outras ferramentas do seu ofĂ­cio, nĂŁo como as de hoje, mas quase iguais. Parece que estĂĄ voltando de algum trabalho na casa de alguĂ©m. EstĂĄ com uma roupa entre a cor avelĂŁ e o marrom, nĂŁo muito comprida, que chega a uma boa altura acima do tornozelo, e tem as mangas curtas atĂ© o cotovelo. À cintura, tem uma cinta de couro, me parece. Uma verdadeira roupa de traba­lho­. Nos pĂ©s leva sandĂĄlias atadas ao tornozelo.

Maria sorri, e o Menino solta gritinhos de alegria e estende o bracinho que estĂĄ livre. Quando os trĂȘs se encontram, JosĂ© se inclina, oferecendo ao Menino uma fruta, que me parece ser uma maçã, pela cor e pela forma. Depois lhe estende os braços, e o Menino deixa a mamĂŁe, e vai-se aninhar nos braços de JosĂ©, curvando a cabecinha na cavidade do pescoço de JosĂ© que o beija e por ele Ă© beijado. SĂŁo gestos cheios de graça e de afeto.

Eu ia me esquecendo de dizer que Maria foi solícita em ir apanhar as ferramentas de trabalho de José, a fim de deixå-lo com os braços livres para poder abraçar o Menino.

Depois, José, que tinha se abaixado para poder ficar à altura de Jesus, se levanta, pega novamente com a mão esquerda as suas ferramentas e, com o braço direito, segura apertado contra o seu peito o pequeno Jesus. E se dirige para a casa, enquanto Maria vai à fonte encher a sua ùnfora.

Tendo entrado no recinto da casa, José pÔe o Menino no chão, pega o tear de Maria e o leva para casa, depois vai tirar o leite da cabrita. Jesus observa atentamente essas operaçÔes e a do fechamento da cabrita num pequeno cubículo, que estå ao lado da casa.

A tarde cai. Vejo o vermelho do pĂŽr-do-sol ir-se tornando violĂĄceo sobre as areias que, por causa do calor, parecem tremular. A pirĂąmide parece mais escura.

JosĂ© entra em casa, em um dos cĂŽmodos da casa que deve ser oficina, cozinha e sala de jantar, ao mesmo tempo. VĂȘ-se que o outro cĂŽmodo Ă© o quarto de dormir. Mas nele eu nĂŁo entro. AĂ­ hĂĄ uma lareira baixa, que estĂĄ acesa. HĂĄ tambĂ©m um banco de carpinteiro, uma pequena mesa, bancos, prateleiras com umas poucas louças e duas candeias. Em um canto estĂĄ o tear de Maria. E muita ordem e limpeza. Morada muito pobre mas muito limpa.

Eis uma observação que pude fazer: em todas as visÔes referentes à vida humana de Jesus, notei que, tanto Ele, como Maria, como José, como João, estão sempre ordenados e limpos em suas roupas e na cabeça. Roupas modestas e penteados simples, mas de uma limpeza que os faz parecerem pessoas de grande distinção.

36.5 Maria volta com a Ăąnfora e, em seguida, fecha a porta, pois o crepĂșsculo chegou de repente. O quarto Ă© iluminado por uma candeia que JosĂ© acendeu e pĂŽs sobre o seu banco, onde ele estĂĄ trabalhando debruçado sobre umas pequenas peças de madeira, enquanto Maria prepara o jantar. O fogo tambĂ©m estĂĄ clareando o quarto. Jesus, com as mĂŁozinhas apoiadas sobre o banco, e a cabecinha virada para cima, estĂĄ observando o que JosĂ© faz.

Depois eles se aproximam da mesa, tendo rezado antes. NĂŁo fazem, Ă© natural, o sinal da cruz, mas rezam. É JosĂ© que reza, e Maria responde. Mas eu nĂŁo entendo nada. Deve ser um salmo. Mas foi dito em uma lĂ­ngua que para mim Ă© totalmente desconhecida.

AĂ­ Ă© que se sentam Ă  mesa. Agora a candeia estĂĄ sobre a mesa. Maria estĂĄ com Jesus em seu colo, e o faz beber do leite da cabrita, no qual ela vai molhando pequenas fatias de pĂŁo, tiradas de um pĂŁozi­nho­ redondo, de crosta escura, e escuro tambĂ©m por dentro. Parece pĂŁo feito com centeio ou cevada. Deve ter muito farelo, porque estĂĄ cinzento. Enquanto isso, JosĂ© estĂĄ comendo pĂŁo e queijo, uma fatiazinha de queijo e muito pĂŁo. Depois Maria coloca Jesus sentado sobre um banquinho perto dela, e pĂ”e sobre a mesa verduras cozidas — parecem cozidas na ĂĄgua e temperadas como costumamos fazer — e come ela tambĂ©m, depois de JosĂ© ter-se servido. Jesus, tranqĂŒilo, estĂĄ mordiscando sua maçã, e sorri, mostrando os dentinhos brancos. O jantar termina com umas azeitonas ou com tĂąmaras. NĂŁo entendo bem, porque para serem azeitonas, estĂŁo claras demais; e, para serem tĂąmaras estĂŁo por demais duras. De vinho, nada. É um jantar de gente pobre.

Mas Ă© tĂŁo grande a paz que se respira neste quarto, que nem a visĂŁo de um palĂĄcio real, por mais pomposo que fosse, me poderia dar uma paz semelhante. Quanta harmonia!

36.6 Jesus nesta noite nĂŁo fala. NĂŁo veio me ilustrar a cena. Ele me ensina com o seu dom da visĂŁo, e basta. Por isso seja Ele sempre e igualmente bendito.

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Descrição física de José no início do MVC 36.4

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EMF 36.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

JosĂ© e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, nĂŁo tiveram nem o pobre bem de serem pobres na prĂłpria pĂĄtria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a “prĂłpria” casinha, e um alojamento nĂŁo era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fĂĄcil encontrar trabalho e prover-se do necessĂĄrio para a vida. Eles sĂŁo dois fugitivos, e justamente porque Me tĂȘm consigo. O clima Ă© diferente, o lugar Ă© diferente, tĂŁo triste em comparação com os doces campos da GalilĂ©ia, lĂ­ngua e costumes diferentes, em meio a uma população que nĂŁo os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.

Privados daqueles mĂłveis cĂŽmodos e estimados da “sua” casinha, de tantas coisas humildes mas necessĂĄrias que lĂĄ havia, e que nĂŁo pareciam tĂŁo necessĂĄrias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tĂŁo belas, como aquelas coisas supĂ©rfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lĂĄ deixadas, do pomar, do qual talvez ninguĂ©m esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas ĂĄrvores Ășteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, Ă s roupas, ao fogo, dia apĂłs dia, Ă s Minhas necessidades de criança, Ă  qual nĂŁo se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhĂŁ, que ainda Ă© desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.

Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura tornå-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortåvel. Nesta casa só hå um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miseråvel para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.

Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos Céus, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terra­!

Naquela casa não houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovaçÔes recíprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que não os cumulou com o bem-estar material. José não censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura José por ele não saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação não é com o próprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor não conhece egoísmo. O verdadeiro amor é sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida à caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeiçÔes de cÎnjuges.

O amor de minha mĂŁe e de JosĂ© era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, nĂŁo obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espĂ­rito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espĂ­rito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tĂȘ-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.

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Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂ­lia no Egito.

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EMF 36.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Naquela casa reina a humildade. Esta é uma lição de humildade para vós, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razÔes para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cÎnjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria é Esposa e mãe de Deus, e, no entanto, serve o seu cÎnjuge, não se fazendo servir por ele, é toda amor para com ele. José é o chefe de casa, julgado por Deus tão digno de ser um chefe de família, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno Espírito. Contudo, é sempre solícito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo até os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria não se canse. Mas não só, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cÎmoda, e a pequena horta com flores viçosas.

Detalhe

Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂ­lia no Egito.

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EMF 37.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

37.1 Vejo aparecer, como um doce raio de sol em um dia de chuva, o meu Jesus, pequeno menino beirando os seus cinco anos, todo loiro e bonito, na sua simples vestezinha azul-clara que lhe desce até o meio da barriga da perna.

Ele estĂĄ brincando com terra na horta. EstĂĄ fazendo montinhos e, em cima deles, vai fincando raminhos, como se estivesse formando bosques em miniatura. Com pedrinhas faz pequenas estradas, e depois queria fazer um pequeno lago, aos pĂ©s de suas minĂșsculas colinas, e, para isso, pega o fundo de uma vasilha velha e o enterra atĂ© a beira, depois o enche d’água com um jarro que ele mergulha em um tanque, certamente usado como lavatĂłrio ou para regar a pequena horta. Mas nĂŁo consegue nada mais do que molhar toda a roupa, especialmente as mangas. A ĂĄgua escapa da vasilha, que estĂĄ toda esburacada
 e o lago continua seco.

JosĂ© aparece Ă  porta e, em silĂȘncio, fica a olhar, por algum tempo, a trabalheira do Menino, e sorri. De fato, Ă© um espetĂĄculo que faz sor­rir de alegria. Depois, para que Jesus nĂŁo continue a se molhar, ele o chama. Jesus se vira sorrindo e, vendo JosĂ©, corre para ele com os bracinhos estendidos. JosĂ©, com a ponta de sua veste de trabalho enxuga as pequenas mĂŁos molhadas e cheias de terra, e as beija. E um doce diĂĄlogo se inicia entre os dois.

Jesus explica o seu trabalho e o seu brinquedo, e as dificuldades que encontrou para executĂĄ-los. Ele queria fazer um lago, como aquele de GenezarĂ© (Deste eu suponho que lhe haviam falado, ou que o tinham jĂĄ levado atĂ© lĂĄ). Ele queria fazer aquele lago em miniatura para seu divertimento. Aqui, neste ponto era TiberĂ­ades, ali Magdala, lĂĄ adiante Cafarnaum. Esta era a estrada que, passando por CanĂĄ, ia para NazarĂ©. Ele queria lançar pequenos barcos no lago — estas folhas­ sĂŁo os barcos — e passar para a outra margem. Mas a ĂĄgua estĂĄ escapando


José observa, e se interessa, como se fosse uma coisa séria. Depois ele se propÔe a fazer, no dia seguinte, um pequeno lago, não com aquela vasi­lha furada, mas com um pequeno tanque de madeira, bem calafetado com breu, sobre o qual Jesus poderia lançar verdadeiros barquinhos de madeira que José o ensinaria a fazer.

37.2 Agora mesmo ele jĂĄ estava trazendo pequenas ferramentas de trabalho, apropriadas para Jesus, a fim de que Ele pudesse aprender a usĂĄ-las, sem se cansar muito.

– Assim eu te ajudarei! –diz Jesus, com um sorriso.

– Sim, vais me ajudar, e depois te tornarĂĄs um bom carpinteiro. Vem vĂȘ-las!

E entram na oficina. José lhe mostra um pequeno martelo, uma serrinha, pequenas chaves de fenda, uma plaina de boneca, tudo colocado sobre um banco de carpinteiro na relva: um banco adaptado à altura do pequeno Jesus.

– Olha: para serrar, coloca-se esta madeira apoiada assim. Pega-se depois a serra assim, e prestando atenção para não ir com ela sobre os dedos, se serra. Experimenta


E a lição começa. Jesus tornando-se vermelho, pelo esforço feito, e apertando os lĂĄbios, vai serrando com atenção e, depois, alisa a pequena tĂĄbua com a plaina e, ainda que tenha ficado um pouco torta, parece-lhe bonita, e JosĂ© o elogia, e o ensina a trabalhar com paciĂȘncia e amor.

37.3 Maria retorna, pois certamente estava fora, e ao chegar Ă  porta

olha. Os dois nĂŁo a vĂȘem, porque estĂŁo de costas. A mamĂŁe sorri, ao ver o cuidado com que Jesus trabalha com a plaina, e o afeto com que JosĂ© o ensina.

Mas Jesus deve estar sentindo aquele sorriso. Ele se vira, vĂȘ a mamĂŁe, e corre para ela com a sua tabuinha semi-aplainada, e lhe mostra. Maria fica admirada, e se inclina para beijar Jesus. Ela compĂ”e os cachinhos do cabelo desalinhado, enxuga-lhe o suor do rosto afogueado, escuta com afeto que Ele lhe promete fazer-lhe um banquinho, para ficar mais cĂŽmodo para ela trabalhar.

José, em pé junto ao pequeno banco, com as mãos nas ilhargas, olha­ e sorri.

Eu assisti à primeira lição de trabalho do meu Jesus. E toda a paz desta Família santa estå em mim.

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