Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 11 de 32

Conforto de leitura

EMF 32.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Hå vårias pessoas olhando, curiosas. Um velhi­nho encurvado abre caminho entre essas pessoas, mancando, e apoiando-se num bastão. Deve ter muita idade, eu diria, mais de oitenta anos. Aproxima-se de Maria, pedindo-lhe que o deixe pegar o Menino por um instante. Maria atende ao seu pedido, sorrindo.

SimeĂŁo pega o Menino e o beija. Eu sempre acreditei que ele pertencesse Ă  classe sacerdotal, mas ao invĂ©s parecer ser apenas um simples fiel, a julgar pelas suas roupas. Jesus lhe sorri, fazendo aquela caretinha cheia de dĂșvidas, caracterĂ­stica das crianças de peito. Parece que o observa com curiosidade, porque o velhinho estĂĄ chorando e rindo ao mesmo tempo, e suas lĂĄgrimas fazem um verdadeiro bordado de pontinhos de luz, brilhando, enquanto vĂŁo-se insinuando por entre as rugas, enchendo de pĂ©rolas a barba longa e branca, para a qual Jesus estende as mĂŁozinhas. É Jesus, mas Ă© sempre um bebĂȘ, e tudo o que se move Ă  sua frente lhe chama a atenção, e lhe dĂĄ vontade de pegar para conhecer melhor, seja lĂĄ o que for. Maria e JosĂ© sorriem, e tambĂ©m os presentes, que elogiam a beleza do Pequenino.

Ouço as palavras[1] do velho santo, e vejo o olhar espantado de José, o olhar comovido de Maria e também da pequena multidão, em parte admirada mas também comovida, tomada pela alegria pelas palavras do velho. No meio da pequena multidão estão alguns barbudos e enfatuados sinedritas, que balançam a cabeça, olhando para Simeão com uma compaixão zombeteira. Devem pensar que estå fora de seu juízo, pela idade.

32.6 O sorriso de Maria se apaga e se transforma em uma acentuada

palidez, quando Simeão lhe anuncia sua futura dor. Por mais que ela jå o saiba, esta palavra lhe aflige o espírito. Ela se aproxima ainda mais de José, em busca de conforto, apertando com sentimento o seu Menino ao seio, bebendo, como alma sequiosa, as palavras de Ana[2] que, sendo mulher, tem piedade do sofrimento de Maria, e lhe promete que o Eterno amenizarå com uma força sobrenatural, a hora de sua dor:

– Mulher­, para aquele que deu o Salvador ao seu povo, nĂŁo faltarĂĄ poder para mandar um anjo confortar-te no teu pranto. Nunca faltou a ajuda do Senhor Ă s grandes mulheres de Israel, e tu Ă©s bem mais do que Judite e Jael. O nosso Deus te darĂĄ um coração de ouro purĂ­ssimo, para que possas resistir ao mar de dor, pelo qual te tornarĂĄs a maior mulher da criação, a MĂŁe. E tu, Menino, lembra-te de mim, na hora da tua missĂŁo.

E aqui cessa minha visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 33

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Canção de embalar da Virgem.

Data da visão: Terça-feira 28 de novembro de 1944

CalendĂĄrio: julho de 2004

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Em Belém, Maria embala o seu filho.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 33.1: O bebĂ©, com apenas alguns meses de idade, demora a adormecer. 33.2: A canção de embalar de Maria. 33.3: O menino Jesus nos braços da mĂŁe. 33.4: A graça da visĂŁo.

Palavras-chave

EMF 33.1-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

33.1 Esta manhĂŁ tive um despertar suave. Ainda estava entre as nĂ©voas do sono, e ouvia, uma voz muito clara, que cantava docemente uma lenta canção de ninar. Parecia uma pastoral de Natal, num ritmo vagaroso e antigo. Eu ia acompanhando aquele motivo e aquela voz, sempre mais me deleitando, e fui acordando, ao som daquelas ondas suaves. Finalmente, despertei completamente, e pude compreender. EntĂŁo disse: “Eu te saĂșdo, Maria, cheia de graça!”, pois era a mĂŁe que estava cantando. E ela começou a cantar mais forte, depois de ter dito: “Eu tambĂ©m te saĂșdo. Vem, e sĂȘ feliz!”

Eu a vi. Estava na casa de BelĂ©m, no quarto que ela ocupava, atenta em embalar Jesus, para fazĂȘ-lo dormir. No quarto estava o tear de Maria e uns trabalhos de costura. Parecia que Maria tivesse parado o trabalho para dar de mamar ao Menino, trocar-lhe as faixas, ou melhor, as fraldas, pois ele jĂĄ era um bebĂȘ de meses. Diria seis ou oito meses, no mĂĄximo, e ela estava pensando em voltar ao trabalho, assim que o Menino tivesse adormecido.

JĂĄ era fim de tarde. O pĂŽr-do-sol estava quase terminando, espalhando flocos de ouro pelo cĂ©u sereno. Os rebanhos voltavam ao cercado, pastando aqui e acolĂĄ as Ășltimas folhas de um prado florido, e baliam, levantando o focinho.

O Menino custava a adormecer. Parecia estar um pouco inquieto, como os bebĂȘs costumam ficar por causa do nascer dos dentes, ou por algum outro desconforto do nascituro.

33.2 Escrevi, como pude, no escuro daquela hora matinal, num pedaço de papel, e agora o copio aqui:

“As nuvenzinhas douradas – quais rebanhos do Senhor.

Sobre o prado todo em flor – um outro rebanho está a olhar.

Mas se eu tivesse todos os rebanhos – que estão sobre a terra

Meu cordeirinho querido – haverias de ser sempre Tu


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


Mil estrelas reluzentes – estĂŁo no cĂ©u a olhar.

Tuas serenas pupilas – não as faças mais chorar.

Os teus olhos de safira – são as estrelas do meu coração.

O teu pranto Ă© a minha dor! – Oh! NĂŁo chores mais


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


Todos os anjos resplandecentes – que no Paraíso estão,

fazem coroa a Ti inocente – para encantar-se com teu rosto.

Mas Tu choras. Queres a mamãe. – Queres a mamãe, mamãe,

aqui pertinho cantando: – nana nenĂȘ, nana nenĂȘ


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


Depois o cĂ©u se tornarĂĄ cor-de-rosa – pela aurora que retorna,

e a mamãe ainda não repousa – para não te deixar chorar.

Ao despertar, dirás: “mamãe!” – “Filho!”, eu te direi,

e um beijo de amor e vida – junto ao leite te darei


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


Sem mamĂŁe nĂŁo podes estar – nem mesmo no CĂ©u sonhando.

Vem ficar sob o meu véu, que eu te farei dormir.

O meu peito será teu travesseiro – os meus braços o teu berço.

Não tenhas medo algum! – Eu estou aqui Contigo


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


Eu Contigo estarei sempre. – És a vida do meu coração


Ele dorme
 Parece uma flor – pousado sobre o meu seio


Ele dorme
 Não perturbem! – seu Pai Santo estará vendo?

Esta vista enxuga o pranto – do meu doce Jesus


Dorme, dorme, dorme, dorme


Não chores mais


33.3 Falar da graça desta cena, Ă© impossĂ­vel. NĂŁo Ă© mais que uma mĂŁe que embala o seu pequenino. Mas Ă© aquela mĂŁe, e Ele Ă© aquele Pequenino! Poderia pensar que graça, que amor, que pureza, que CĂ©u hĂĄ nesta pequena, grande e suave cena, que sĂł com sua lembrança me alegra. Para confirmĂĄ-la fica a melodia, que eu repito para mim. Para fazĂȘ-la ouvir tambĂ©m a ela. Mas eu nĂŁo tenho aquela voz de Maria, de prata, purĂ­ssima, a voz virginal!
 E, ao cantar, ficarei parecendo um realejo sem sonoridade. Mas, nĂŁo importa. Farei como puder. Que bela canção nĂŁo seria, para ser cantada em torno ao Berço de Natal!

A mãe antes balançava o berço. Mas depois, vendo que Jesus não se aquietava, tomou-o no colo, sentou-se perto da janela aberta, ao lado do bercinho e, balançando-o levemente, ao ritmo do canto, repetiu a cantiga duas vezes, até que o pequeno Jesus fechou os olhi­nhos, inclinou a cabecinha sobre o peito materno, e adormeceu assim, com o rostinho comprimido no calor bom daquele seio, com uma das mãozinhas apoiada sobre o seio da mãe, perto de seu rosti­nho rosado, e a outra mão abandonada sobre o colo materno. O véu de Maria fazia sombra para o santo Filhinho.

Depois Maria se levantou, com o maior dos cuidados, e colocou o seu Jesus no bercinho, cobrindo-o com os pequenos panos, estendeu por cima um vĂ©u para protegĂȘ-lo das moscas e do ar, e ficou parada ali, contemplando o seu Tesouro adormecido. Maria tinha uma mĂŁo sobre o coração, e a outra ainda apoiada sobre o berço, pronta para balançå-lo, se houvesse algum sinal de que o menino ia despertar, e sorria, feliz, estando um pouco inclinada, enquanto as sombras e o silĂȘncio desciam sobre a terra e invadiam o quartinho da Virgem.

Que paz! Que beleza! Que felicidade!

33.4 NĂŁo Ă© uma visĂŁo grandiosa, talvez seja julgada inĂștil no conjunto das outras porque nĂŁo revela nada de especial. Eu sei. Mas para mim Ă© uma verdadeira graça, e assim a reputo, porque torna plĂĄcido o meu espĂ­rito, puro e amoroso, como se estivesse sendo recriado pelas mĂŁos da mĂŁe. Penso que tambĂ©m a ela serĂĄ agradĂĄvel por este motivo. Somos todos “crianças.” Melhor assim! Desta forma agradamos a Jesus. Os outros, doutos e complicados, pensem o que quiserem, e nos chamem de “pueris.” NĂłs nĂŁo nos preocupamos com isso, nĂŁo Ă© mesmo?

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EMF 34

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A Adoração dos Magos. Este é o "Evangelho da fé".

Data da visĂŁo: Segunda-feira, 28 de fevereiro de 1944.

CalendĂĄrio: outubro do ano 4 a.C.

Localização (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria vĂȘ BelĂ©m a meio da noite. A cidade estĂĄ a dormir. Depois vĂȘ a estrela que guiava os Magos, brilhando de forma sobrenatural. A estrela parou em frente da estalagem onde estava alojada a Sagrada FamĂ­lia. Os Reis Magos pararam com os seus servos e adoraram pela primeira vez o Salvador, curvando-se atĂ© ao chĂŁo. Depois retiraram-se atĂ© Ă  manhĂŁ seguinte. Para Maria, a visĂŁo pĂĄra e recomeça trĂȘs horas mais tarde.

Os Magos tinham-se preparado e estavam vestidos com roupas majestosas. VĂȘm saudar respeitosamente o Menino. Aproveitam a ocasiĂŁo para contar Ă  MĂŁe a sua viagem e oferecem-lhe trĂȘs presentes: ouro, como convĂ©m a um Rei, incenso, na sua qualidade de Deus, e mirra, porque o seu Filho, Redentor do mundo, teria de morrer. Maria empalidece perante esta menção, mas contĂ©m o seu sofrimento por detrĂĄs de um sorriso. Os trĂȘs Reis Magos querem saudar o Menino uma Ășltima vez e vĂŁo-se embora. JosĂ© acompanha-os atĂ© aos seus cavalos.

Em seguida, Jesus faz um ditado para o nosso tempo. Sublinha a fĂ© dos trĂȘs homens, o seu abandono em Deus, porque nĂŁo tĂȘm dĂșvidas e confiam-lhe a sua viagem, sem se preocuparem com nada. O seu coração sĂł tremeu quando chegaram a JerusalĂ©m e a estrela se escondeu, mas a sua consciĂȘncia tranquilizou-os. Cristo declara assim que aqueles que estĂŁo habituados a meditar e que tĂȘm uma consciĂȘncia reta aprenderam a examinar-se a si prĂłprios, para se rectificarem ao mais pequeno lapso de conduta.

Os Magos sĂŁo tambĂ©m muito ricos, mas sĂŁo humildes e, por isso, verdadeiramente grandes pela sua humildade. VĂȘem-se como pĂł perante o AltĂ­ssimo e, quando chegam a uma casa pobre, nĂŁo dizem a si prĂłprios: "É impossĂ­vel! Adoram-na e depois partem, preparando-se para ir ver o seu Rei com dignidade. Por isso, vestem a sua melhor roupa, ao contrĂĄrio dos homens que vĂŁo Ă  Eucaristia com mil preocupaçÔes materiais.

Por fim, Jesus faz duas consideraçÔes. A primeira diz respeito a José, que se alegra com os presentes, mas mantém a humildade. Não se ofende com o facto de Maria estar na ribalta. Também ele é humilde, porque é verdadeiramente grande. A segunda centra-se em Maria, que incita Jesus a abençoar, mesmo quando ele se sente desencorajado pelas nossas mås acçÔes. Beija-lhe a mão trespassada e declara: "Tu és o Salvador. Salva! Jesus não pode recusar a sua Mãe, mas nós devemos esforçar-nos por ir ter com ela.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 34.1: Os Evangelhos da fĂ©. 34.2: A planta da cidade de BelĂ©m. 34.3: Uma estrela cria ali um encanto. 34.4: Os Magos param ali de noite. 34.5: Em plena luz do dia, trazem os seus presentes. 34.6: Ajoelham-se diante da criança. 34.7: O mais velho conta a histĂłria da sua viagem. 34.8: O significado do ouro, do incenso e da mirra. 34.9: Saem de casa com pesar. 34.10: Os Magos tinham fĂ© em tudo. 34.11: NĂŁo procuravam nenhum interesse pessoal. 34.12: A retidĂŁo da sua consciĂȘncia. 34.13 : A sua humildade perante Deus. 34.14 : A sua piedade. 34.15 : SĂŁo humildes, generosos, obedientes e respeitosos uns com os outros. 34.16 : JosĂ© guardiĂŁo e protetor da pureza e da santidade, sem usurpar direitos. 34.17 : Maria Ă© nossa advogada. 34.18 : Meditar e imitar.

Palavras-chave

EMF 34.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Emitindo um fluxo de luz mais vivo, a estrela paira sobre a pequena casa, que estĂĄ do lado mais curto da pracinha. Nem os moradores da casa, nem os habitantes de BelĂ©m a vĂȘem, porque estĂŁo dormindo, e suas casas estĂŁo fechadas; mas a estrela acelera as suas palpitaçÔes de luz, faz vibrar sua cauda, e solta ondulaçÔes luminosas mais fortes, traçando pequenos semicĂ­rculos no cĂ©u, que se ilumina todo com esta rede de astros que ela arrasta consigo, numa rede de pedras preciosas, que esplendem, tingindo nas mais indistintas cores as outras estrelas, como para comunicar-lhes uma palavra de alegria.

A casinha estå toda iluminada por este fogo líquido de gemas. O teto do pequeno terraço, a escadinha de pedra escura, a pequena porta, tudo virou um bloco de pura prata, polvilhado com pó de diamantes e pérolas. Nenhum palåcio real da terra jamais teve, ou terå, uma escada como esta, feita para receber a passagem dos anjos, feita para ser usada pela mãe, que é mãe de Deus. Seus pequenos pés de virgem imaculada podem pousar sobre aquele cùndido esplendor, os seus pequenos pés destinados a pousar sobre os degraus do trono de Deus. Mas a virgem ainda não estå sabendo de nada. Ela estå velando sobre o berço de seu Filho, rezando. Sua alma tem esplendores que superam a estrela que estå embelezando as coisas.

Detalhe

A estrela guiou os Magos até à Sagrada Família. Parou em frente à estalagem onde estavam hospedados a Mãe de Deus e o seu Filho. A luz da estrela é muito intensa. Maria escreveu que "o seu globo assemelha-se a uma enorme safira, iluminada por dentro por um sol; dele emerge um rasto luminoso em que predomina um azul celeste, mas em que se misturam os louros dos topåzios, os verdes das esmeraldas, o brilho iridescente das opalas, os clarÔes sanguíneos dos rubis e o brilho suave das ametistas. Todas as pedras preciosas da terra se encontram neste rasto que percorre o céu num movimento råpido e ondulante como se estivesse vivo. Mas a cor predominante que parece chover do globo da estrela é o tom celeste da safira clara que pinta de azul prateado as casas, as ruas e o chão de Belém, berço do Salvador. "

Palavras-chave

EMF 34.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

34.6 Maria estĂĄ sentada com o Menino no colo, perto dela, em pĂ©, estĂĄ JosĂ©. Mas ela tambĂ©m se levanta e se inclina, quando vĂȘ entrar os trĂȘs Magos. Maria estĂĄ toda vestida de branco. TĂŁo bonita na sua simples veste cĂąndida, que a cobre da base do pescoço atĂ© aos pĂ©s, dos ombros aos delicados pulsos, tĂŁo bonita em sua cabeça pequena e coroada de tranças loiras, no rosto que a emoção faz ficar vivamente rosado, nos olhos que sorriem com doçura, na boca que se abre para a saudação, dizendo: “Deus esteja convosco”, que, por um instante, os trĂȘs se detĂȘm, impressionados. Depois, eles dĂŁo mais alguns passos para a frente, indo prostrarem-se aos seus pĂ©s. Pedem a ela que se assente.

Eles, por sua vez, nĂŁo se sentam, por mais que ela lhes peça. Ficam de joelhos, apoiados sobre os calcanhares. AtrĂĄs deles, tambĂ©m de joelhos, estĂŁo os trĂȘs servos. Estes estĂŁo logo atrĂĄs da soleira. Eles puseram diante de si os trĂȘs objetos que levaram, e estĂŁo esperando.

Os trĂȘs sĂĄbios contemplam o Menino, que me parece ter de nove meses a um ano, de tĂŁo esperto e robusto que estĂĄ! Ele estĂĄ sentado no colo da mamĂŁe, sorri e balbucia com uma vozinha de passarinho. Ele tambĂ©m estĂĄ todo vestido de branco, como a mamĂŁe, com sandalinhas nos pĂ©s minĂșsculos. Sua veste Ă© muito simples: uma pequena tĂșnica, da qual saem os pezinhos irrequietos, as mĂŁozinhas gorduchas que gostariam de apanhar tudo o que os olhos vĂȘem, e, sobretudo seu rostinho muito bonito, no qual brilham os olhos de um azul escuro, enquanto a boca faz umas covinhas aos lados, quando ele ri, descobrindo os primeiros dentinhos pequenos. Os caracoizinhos de seus loiros cabelos parecem ouro puro em pĂł, de tĂŁo leves e brilhantes que sĂŁo.

Detalhe

Os Reis Magos encontram-se com Maria, José e Jesus.

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EMF 34.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

34.7 O mais velho dos sĂĄbios fala por todos. Explica a Maria que eles viram, numa noite no mĂȘs de dezembro passado, acender-se uma nova estrela no cĂ©u com esplendor fora do comum. Nunca os mapas do cĂ©u tinham­ trazido aquele astro, nem falado nele. O seu nome nĂŁo era conhecido, porque nĂŁo tinha nome. Tendo, entĂŁo, nascido do seio de Deus, aquela estrela teria aparecido para vir dizer aos homens alguma verdade bendita, algum segredo de Deus. Mas os homens nĂŁo lhe haviam dado importĂąncia, estando eles com a alma presa na lama. NĂŁo eram capazes de levantar o olhar para Deus, nĂŁo sabendo ler as palavras escritas por Ele, eterno bendito, com seus astros de fogo na abĂłbada dos cĂ©us.

Eles a tinham visto, e se esforçaram para escutar sua voz. Deixando, pois, de lado, mas com alegria, o pouco descanso do sono que concediam aos seus membros, esquecendo-se atĂ© de comer, eles se haviam aprofundado no estudo do zodĂ­aco. As conjugaçÔes dos astros, o tempo, a estação, o cĂĄlculo das horas passadas e das combinaçÔes astronĂŽmicas lhes haviam dito o nome e o segredo da estrela. O seu nome: “Messias.” E o seu segredo: “O Messias veio ao mundo.” EntĂŁo, partiram para adorĂĄ-lo. Cada um deles, sem os outros dois saberem. Por montes e desertos, vales e rios, viajando de noite, foram tomando o rumo da Palestina, porque este era o rumo da estrela. Para cada um deles, vindo de trĂȘs pontos diferentes da terra, ela ia naquele rumo. Eles se tinham encontrado depois, alĂ©m do Mar Morto. A vontade de Deus os tinha reunido lĂĄ, e continuaram a viagem, juntos, se entendiam, ainda que cada um falasse a sua prĂłpria lĂ­ngua, entendendo e podendo falar a lĂ­ngua de cada regiĂŁo em que se achassem, por um milagre do Eterno.

Juntos tinham ido a JerusalĂ©m, porque o Messias devia ser o Rei de JerusalĂ©m. O Rei dos judeus. Mas lĂĄ a estrela se tinha escondido, sob o cĂ©u daquela cidade, e eles sentiram seus coraçÔes partirem-se de dor, começando entĂŁo a examinar suas consciĂȘncias, para descobrirem se nĂŁo teriam deixado de merecer a proteção de Deus. Mas, tranqĂŒilizadas suas consciĂȘncias, haviam se dirigido ao rei Herodes – perguntando-lhe em que palĂĄcio havia nascido o Rei dos judeus, pois eles o tinham vindo adorar. O rei, tendo reunido os prĂ­ncipes dos sacerdotes e os escribas, lhes perguntou onde se esperava que nascesse o Messias. Eles lhe responderam: “Em BelĂ©m de JudĂĄ.”

Tomaram, pois, os Magos o rumo de BelĂ©m, e a estrela tornou a aparecer aos seus olhos. Quando deixaram a Cidade Santa, na tarde anterior, a estrela tinha aumentado seus esplendores, e o cĂ©u parecia um incĂȘndio. Depois, a estrela parou, reunindo toda a luz das outras estrelas com a sua luz, sobre esta casa. EntĂŁo, eles compreenderam que ali estava o Filho de Deus. E agora o estavam adorando, oferecendo-lhe os seus pobres presentes e, mais do que tudo, oferecendo-lhe os seus coraçÔes, que nunca mais cessariam de bendizer a Deus pela graça concedida, nem de amar o seu Filho, cuja Humanidade eles estavam vendo. Depois, iriam, na volta, informar ao rei Herodes, porque ele tambĂ©m queria adorar o Menino.

34.8 – Aqui tens o ouro, como convĂ©m a um rei; aqui tens o incenso, como convĂ©m a Deus; e aqui tens, Ăł mĂŁe, a mirra, pois o teu Filho Ă© Homem, alĂ©m de Deus e da carne e da vida humana conhecerĂĄ a amargura e a lei inevitĂĄvel da morte. Nosso amor nĂŁo queria dizer-lhe estas palavras, mas ficar sempre pensando que Ele Ă© eterno, atĂ© em sua carne, como eterno Ă© o seu EspĂ­rito. Mas, Ăł mulher, se os nossos mapas, e tambĂ©m as nossas almas, nĂŁo erram, Ele Ă© o teu Filho, Ă© o Salvador, o Cristo de Deus, e por isso deverĂĄ, para salvar a terra, tomar para Si o seu mal, um dos quais Ă© o castigo da morte. Esta resina Ă© para aquela hora. Para que os corpos que sĂŁo santos nĂŁo conheçam a putrefação da corrupção, e conservem sua integridade atĂ© o dia da ressurreição. Que por estes nossos presentes Ele se lembre de nĂłs e salve a estes seus servos, dando-lhes o seu Reino. Por enquanto, para que sejamos santificados, que a mĂŁe, conceda o seu Pequenino ao nosso amor, para que, beijando os seus pĂ©s, desça sobre nĂłs a bĂȘnção celestial.

Maria, passada a angĂșstia em que as palavras do sĂĄbio a haviam mergulhado, esconde, com um sorriso, a tristeza daquelas fĂșnebres evocaçÔes, e lhes apresenta o Menino. Coloca-o nos braços do mais velho, que o beija e Ă© por ele acariciado, e depois o passa para os outros dois.

Jesus sorri, e brinca com as correntinhas e as franjas dos trĂȘs e olha­ com curiosidade o cofre aberto, cheio de uma coisa amarela que brilha, e ri, ao ver que o sol faz uma espĂ©cie de arco-Ă­ris, ao bater sobre a brilhante tampa da mirra.

Detalhe

Resumo: Os Magos contam a sua viagem.

Mateus 2:1-12:
Jesus nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, o Grande. Os magos do Oriente vieram a Jerusalém e perguntaram: "Onde estå o recém-nascido Rei dos Judeus? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorå-lo.

Quando o rei Herodes ouviu isto, ficou muito perturbado, e toda a JerusalĂ©m com ele. Convocou todos os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo e perguntou-lhes onde Ă© que o Cristo ia nascer. Eles responderam-lhe: "Em BelĂ©m da Judeia, porque assim escreveu o profeta: "E tu, BelĂ©m, terra de JudĂĄ, nĂŁo Ă©s certamente a Ășltima das principais cidades de JudĂĄ, porque de ti virĂĄ um chefe que serĂĄ o pastor do meu povo Israel. EntĂŁo Herodes convocou os sĂĄbios em segredo para lhes dizer quando a estrela tinha aparecido e enviou-os a BelĂ©m, dizendo-lhes: "VĂŁo e descubram tudo o que puderem sobre o menino. E quando o encontrardes, vinde dizer-me, para que tambĂ©m eu vĂĄ adorĂĄ-lo. Quando ouviram o que o rei tinha dito, puseram-se a caminho.

E eis que a estrela que tinham visto no Oriente ia à frente deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando viram a estrela, exultaram de alegria. Entraram em casa e viram o menino com Maria, sua mãe; e, prostrando-se a seus pés, adoraram-no. Abriram as arcas e ofereceram-lhe presentes de ouro, incenso e mirra. Mas, avisados em sonho para não voltarem para junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.

Palavras-chave

EMF 34.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

34.9 Depois, os trĂȘs entregam a Maria o Menino, e se levantam. Maria tambĂ©m se levanta. Inclinam-se reciprocamente, depois que o mais novo da ordens ao seu servo, que sai. Os trĂȘs falam ainda um pouco. NĂŁo conseguem decidir-se a se afastarem daquela casa. Em seus olhos hĂĄ lĂĄgrimas de emoção. Por fim, eles se dirigem Ă  saĂ­da, acompanhados por Maria e JosĂ©.

O Menino quis descer e dar a mĂŁozinha ao mais velho dos trĂȘs, e caminha assim, ajudado pela mĂŁo de Maria e do sĂĄbio, que se inclinaram para pegĂĄ-lo pela mĂŁo. Jesus dĂĄ um passinho ainda incerto como fazem os pequeninos e ri, batendo os pezinhos sobre os riscos que a luz do sol faz sobre o pavimento.

Chegando Ă  soleira (nĂŁo se deve esquecer que o salĂŁo tinha o mesmo comprimento da casa) os trĂȘs se despedem, ajoelhando-se mais uma vez e beijando os pezinhos de Jesus. Maria, inclinada sobre o Pequenino, toma-lhe a mĂŁozinha, e a vai guiando, fazendo-o traçar um gesto de bĂȘnção sobre a cabeça de cada um dos Magos. É jĂĄ um sinal da cruz, traçado pelos dedinhos de Jesus, guiados por Maria.

Depois, os trĂȘs descem a escada. A caravana jĂĄ pronta os estĂĄ esperando. Os cavalos jĂĄ estĂŁo arreados e seus arreios ornados brilham aos Ășltimos raios do sol, que estĂĄ para se pĂŽr. O povo se aglomerou na pracinha para presenciar aquele espetĂĄculo Ășnico.

Jesus ri e bate as mĂŁozinhas. A mamĂŁe o ergueu e colocou sobre o parapeito, que limita o patamar, segurando-o com um dos braços para que nĂŁo caia. JosĂ© desceu com os trĂȘs e segura para cada um deles o estribo, enquanto eles sobem em seus cavalos e no camelo.

Agora os servos e os patrĂ”es estĂŁo montados. É dada a ordem de partir. Os trĂȘs se inclinam atĂ© o pescoço da cavalgadura, em uma Ășltima saudação. JosĂ© tambĂ©m se inclina. Maria tambĂ©m o faz, e torna a guiar a mĂŁozinha de Jesus, em um gesto de adeus e de bĂȘnção.

Detalhe

Os Reis Magos contaram a sua viagem, ofereceram os seus presentes e adoraram Cristo. Agora estĂŁo a partir.

Palavras-chave

EMF 34.17-18

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ainda um Ășltimo, suave e significativo ensinamento.

É Maria, que segura a mão de Jesus, que ainda não sabe abençoar, e a guia no gesto santo.

É sempre Maria que segura a mĂŁo de Jesus e a guia. Ainda hoje Ă© assim. Agora, Jesus sabe abençoar. Mas, Ă s vezes, sua mĂŁo traspassada cai, cansada e sem poder mais confiar, pois Ele sabe que Ă© inĂștil abençoar. Na verdade, vĂłs destruĂ­s a minha bĂȘnção. Ela cai tambĂ©m indignada porque vĂłs me maldizeis. EntĂŁo, Ă© Maria que tira o desprezo feito a esta mĂŁo, ao beijĂĄ-la. Oh! O beijo de minha mĂŁe! Quem pode resistir a esse beijo? Depois, ela segura o meu pulso, com seus dedos delicados, mas que sĂŁo amorosamente tĂŁo imperiosos e me força a abençoar.

Eu nĂŁo posso repelir a minha mĂŁe. Mas Ă© preciso que vĂłs vades Ă  procura dela, para fazĂȘ-la vossa advogada. Ela Ă© minha rainha, antes de ser vossa, e o seu amor por vĂłs tem indulgĂȘncias tais, que nem o meu conhece. Ela, mesmo sem palavras, mas sĂł com as pĂ©rolas do seu pranto e com a lembrança da minha Cruz, cujo sinal ela me faz traçar no ar, defende a vossa causa, e ainda me admoesta: “Tu Ă©s o Salvador. Salva!”

34.18 Eis, meus filhos, o “Evangelho da fĂ©â€, na aparição da cena dos Magos. Meditai e imitai. Para o vosso bem.

Detalhe

Jesus fala da visĂŁo dos Magos. Jesus era ainda muito pequeno e Maria teve de o guiar para fazer um gesto de bĂȘnção.

Palavras-chave

EMF 35

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo : A fuga para o Egito. Ensinamentos sobre a Ășltima visĂŁo ligada Ă  vinda de Jesus.

Data da visĂŁo e do ditado: Sexta-feira, 9 de junho de 1944

CalendĂĄrio: Fim de novembro de 4 a.C.. PerĂ­odo da Festa das Luzes, fim do Kisleu

Localização (mapa) :Belém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: JosĂ© dorme na casa de BelĂ©m. Parece estar a ter um sonho doce, depois parece estar perturbado antes de acordar. Depois de se vestir, vai ter com a Virgem, que estĂĄ a rezar ao lado do Menino. Diz-lhe que tĂȘm de partir imediatamente, pois um anjo avisou-o para fugir para o Egito. Maria obedece imediatamente e prepara os seus pertences de forma rĂĄpida mas ordenada. JosĂ© volta para levar uma parte dos seus pertences e, com tristeza, diz-lhe que tĂȘm de levar o mĂĄximo que puderem, pois terĂŁo de ficar longe durante muito tempo. Maria continua a juntar as poucas coisas que restam e prepara Jesus. Quando ele adormece, depois de ter tomado o leite, JosĂ© regressa e diz-lhe que Herodes quer matar o menino. Este facto toca o coração de Maria. Ela chora e declara que estĂĄ a custar muito a JosĂ©, mas ele responde-lhe que ela o consolarĂĄ sempre e que a riqueza dos Magos os ajudarĂĄ nos primeiros tempos. Ambos estavam tristes por terem de partir, por terem de abandonar tudo e nĂŁo voltarem a NazarĂ©, mas enquanto tivessem Jesus, tinham tudo.

Os pais do Salvador deixam a casa e, depois de cumprimentarem o dono da casa, partem para o Egito.

Em seguida, Jesus faz um ditado e sublinha a simplicidade desta visão, que em nada diminui a humanidade de Maria e de Jesus, nem a divindade de Cristo. Demasiadas vezes", diz ele, "desencorajamo-nos pensando que Maria, Jesus e José eram fortes e que "eram eles". Mas o sofrimento foi sempre o seu fiel companheiro. Não experimentaram as paixÔes que são semelhantes aos vícios, porque fecharam o coração a Satanås. Por outro lado, tiveram muitas paixÔes, como o amor à påtria, os santos afectos à família, etc. Mas não se deixaram dominar pelas paixÔes. Mas não se deixavam dominar por essas paixÔes quando se tratava de seguir a vontade de Deus.

Também Jesus seguiu sempre a vontade de Deus, mesmo que isso lhe tenha valido o ódio dos judeus e a animosidade de Judas. Depois, critica os grandes homens deste mundo e, em seguida, detém-se sobre a castidade de José e a virgindade de Maria, afirmando-as preto no branco e retomando as palavras de Mateus. O evangelista, de facto, foi buscar as suas fontes diretamente a Maria, e a sua virgindade perpétua era uma verdade conhecida desde os tempos mais remotos.

O Cristo insiste longamente sobre a palavra "mulher" na Bíblia, para mostrar que este termo não é uma linguagem proscrita, infame, impura. Depois, retoma as palavras de Mateus para dizer que Maria é "a verdadeira Mãe de Jesus sem ser mulher de José. Ela permanecerå sempre: a Virgem, esposa de José".

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 35.1: Um sonho faz com que JosĂ© se levante a meio da noite. 35.2: Ao amanhecer, fugimos. 35.3: Maria apressa-se a recolher as suas coisas. 35.4: Desperta o menino e dĂĄ-lhe o peito. 35.5: Temos a riqueza dos Magos e Deus connosco. 35.6: Partida com trĂȘs cavalos. 35.7: Os homens, acreditando que estavam a fazer a coisa certa, tornaram irreal o que teria sido tĂŁo bonito deixar real. 35.8: As nossas honrosas paixĂ”es humanas. 35.9: Eu nĂŁo procurei a grandeza do mundo. 35.10: A virgindade de Maria e a castidade de JosĂ©. 35.11: A dor de Maria ao ser arrancada de sua casa.

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