EMF 34
O Evangelho como me foi revelado
Tradução em curso
Notas da palavra-chave
EMF 34
Tradução em curso
EMF 34.10-18
Jesus diz:
â E agora? Que vos direi, Ăł almas, que percebeis que a fĂ© estĂĄ morÂrendo? Aqueles sĂĄbios do Oriente nada tinham que lhes desse a certeza da verdade. Nada tinham de sobrenatural. Tinham apenas os cĂĄlculos astronĂŽmicos e as suas reflexĂ”es, que a vida Ăntegra, que eles levaram, tornava perfeitas. Contudo, tiveram fĂ©. FĂ© em tudo: fĂ© na ciĂȘncia, fĂ© na consciĂȘncia, fĂ© na bondade divina.
Pela ciĂȘncia, acreditaram no sinal da nova estrela, que nĂŁo podia deixar de ser âaquelaâ, que era esperada, havia sĂ©culos, pela humanidade: o Messias. Pela consciĂȘncia, tiveram fĂ© na voz da mesma que, recebendo âvozesâ celestes, lhes dizia: âĂ aquela estrela que assinala a chegada do Messias.â Pela bondade, tiveram fĂ© que Deus nĂŁo os teria enganado e, visto que a sua intenção era reta, Ele os teria ajudado, de todos os modos, a chegar atĂ© Ă meta desejada.
E eles tiveram ĂȘxito. SĂł eles, entre tantos estudiosos de sinais, compreenderam aquele sinal, porque sĂł eles tinham na alma a Ăąnsia de conhecer as palavras de Deus com um fim reto, que consistia antes de tudo em dar imediata honra e louvor a Deus.
34.11 Não procuravam sua própria utilidade. Ao contrårio, eles vão de encontro a fadigas e despesas, e não pedem nenhuma compensação humana. Pedem somente que o seu Deus se lembre deles e os salve para a eternidade.
Assim como nĂŁo tĂȘm nenhum pensamento de futura compensação humana, nĂŁo tĂȘm, quando decidem a viagem, nenhuma preocupação humana. Se fĂŽsseis vĂłs, terĂeis pensado em mil dificuldades: âComo poderei fazer uma viagem tĂŁo grande, atravĂ©s de paĂses e povos de lĂnguas tĂŁo diferentes? SerĂĄ que vĂŁo acreditar em mim, ou irĂŁo prender-me como espiĂŁo? Que ajuda me darĂŁo, quando tiver que atravessar desertos, rios e montanhas? E o calor? E os ventos dos planaltos? E as febres dos pantanais? E as cheias das ĂĄguas fluviais? E as comidas diferentes? E a linguagem diferente? E⊠e⊠eâŠâ. Assim Ă© que raciocinais. Eles nĂŁo raciocinam assim. Mas dizem, com uma sincera e santa ousadia: âTu, Ăł Deus, lĂȘs os nossos coraçÔes, e vĂȘs qual o fim que perseguimos. Em tuas mĂŁos nos entregamos. Concede-nos a alegria sobre humana de adorar a tua Segunda Pessoa, que se fez Carne para a salvação do mundoâ.
Basta. Eles se pĂ”em a caminho, partindo das lonÂgĂnÂquaÂs ĂnÂdias. (Jesus me diz depois que por Ăndias querem dizer Ăsia meridional, onde agora estĂĄ a Turquia, o AfeganistĂŁo e a PĂ©rsia). Das cadeias de montanhas da MongĂłlia, sobre as quais voam somente ĂĄguias e abutres, onde Deus fala pelo zumbido dos ventos, pelo estrondo das torrentes, escrevendo mistĂ©rio sobre as pĂĄginas imensas das geleiras. Das terras onde nasce o Nilo, que vai deslizando como uma veia verde-azul, ao encontro do coração azul do MediterrĂąneo, nem os picos, nem as selvas, nem os desertos, oceanos secos mais perigosos do que os marinhos, nada disso detĂȘm a marcha deles. A estrela brilha sobre a noite deles, nĂŁo lhes permitindo dormir. Quando se procura a Deus, os hĂĄbitos animais devem ceder Ă s impaciĂȘncias e Ă s necessidades sobre humanas.
A estrela os chama, ora do Norte, ora do Oriente, ora do Sul, e, por um milagre de Deus, vai guiando os trĂȘs para um certo ponto, como por um outro milagre, os reĂșne, depois de tantos milhares de quilĂŽmetros, naquele ponto, e, por um outro milagre ainda, lhes dĂĄ, antecipando a sabedoria pentecostal, o dom de se entenderem e de se fazerem entender, assim como Ă© no ParaĂso, onde se fala uma Ășnica lĂngua: a de Deus.
34.12 Um Ășnico momento de aflição os assalta, e Ă© quando a estrela desaparece, e eles, humildes, porque sĂŁo realmente grandes, nĂŁo pensam que isto tenha acontecido por causa da maldade de outrem, jĂĄ que os corruptos de JerusalĂ©m nĂŁo mereceram ver a estrela de Deus. Mas, o que eles pensam Ă© que eles prĂłprios nĂŁo mereçam a ajuda de Deus, pondo-se a examinarem suas consciĂȘncias com tremor e com uma contrição, pronta a pedir perdĂŁo.
Mas a sua consciĂȘncia os tranqĂŒiliza. Almas acostumadas Ă meditação, eles tĂȘm uma consciĂȘncia muito sensĂvel, aperfeiçoada por uma atenção constante, por uma introspecção aguda, que faz do seu interior um verdadeiro espelho sobre o qual refletem as menores sombras dos acontecimentos diĂĄrios. Eles fizeram da voz que os adverte a prĂłpria mestra, voz que grita, nĂŁo sĂł ao menor erro, mas atĂ© a uma simples possibilidade de erro, o que Ă© humano, como a complacĂȘncia com o seu prĂłprio eu. Por isso, quando eles se pĂ”em diante desta mestra, diante deste espelho tĂŁo severo e tĂŁo nĂtido, sabem que ele nĂŁo lhes mente, mas os encoraja, tomando novo alento.
âOh! Que doce coisa Ă© sentir que nada hĂĄ em nĂłs de contrĂĄrio a Deus! Sentir que Ele olha com complacĂȘncia o Ăąnimo do filho fiel e o abençoa. Deste sentimento provĂ©m o aumento de fĂ© e de confiança, de esperança, fortaleza e paciĂȘncia. Agora Ă© hora de tempestade. Mas ela passarĂĄ, porque Deus me ama e sabe que eu o amo, e nĂŁo deixarĂĄ de ajudar-me ainda.â Assim Ă© que falam os que tĂȘm aquela paz, que provĂ©m de uma consciĂȘncia reta, que Ă© a rainha de todas as suas açÔes.
34.13 Eu disse que eles eram âhumildes, porque verdadeiramente grandes.â Em vossa vida, ao invĂ©s, que Ă© que acontece? Acontece que um, nĂŁo porque seja grande, mas porque Ă© mais prepotente, se faz poderoso por sua prepotĂȘncia, nunca humilde, pela vossa insensata idolatria,. HĂĄ pobres coitados que, sĂł por serem mordomos de alguĂ©m arrogante, ou porteiros de algum gabinete, funcionĂĄrios de alguma repartição, servos afinal, de quem assim os fez, costumam tomar a pose de semideuses. Tem-se pena atĂ© de vĂȘ-los!âŠ
Eles, os trĂȘs sĂĄbios, eram realmente grandes. Em primeiro lugar, por virtude sobrenatural; em segundo lugar, pela ciĂȘncia; e, por Ășltimo, pela riqueza. Mas eles se julgam nada: pĂł sobre o pĂł da terÂra, se comparados com Deus AltĂssimo, que cria os mundos com um sorriso, espalhando-os pelo espaço, como grĂŁos de trigo, para alegrar os olhos dos anjos com os colares de estrelas.
Mas eles se consideram nada, diante de Deus AltĂssimo, que criou o planeta, sobre o qual eles vivem, e como Escultor infinito em sua ilimitada obra fez tudo bem diversificado, colocando, aqui uma sĂ©rie de colinas de suave declive, com a força do seu polegar, acolĂĄ uma ossatura de picos e escarpas, iguais as vĂ©rtebras da terra, neste corpo desmesurado, do qual os rios sĂŁo as veias, os lagos sĂŁo as pelves, os oceanos sĂŁo os coraçÔes, tendo as florestas como vestes, as nuvens como vĂ©us, as geleiras de cristal como decoraçÔes, as turquezas e as esmeraldas como gemas, as opalas e os berilos de todas as ĂĄguas que descem cantando, com as selvas e os ventos, formando o grande coro de louvor ao seu Senhor.
Eles se consideram nada em sua sabedoria, diante do Deus AltĂssimo, do qual vem a sua sabedoria, pois foi Ele quem lhes deu olhos, ainda mais poderosos que suas duas pupilas, pelas quais eles vĂȘem as coisas: os olhos da alma, que sabem ler a palavra nĂŁo escrita por mĂŁo humana nas coisas, onde esta palavra foi gravada pelo pensamento de Deus.
Eles se consideram nada em sua riqueza: um åtomo, diante da riqueza do Dono do universo, que espalha metais e pedras preciosas nos astros e planetas, e abundùncias sobrenaturais, riquezas inesgotåveis, no coração de quem O ama.
34.14 Tendo eles chegado diante de uma pobre casa, na mais insignificante das cidades de JudĂĄ, nĂŁo sacodem a cabeça dizendo: âImpossĂvelâ, mas dobram as costas, os joelhos, e especialmente o coração, e adoram. LĂĄ, atrĂĄs daquela pobre parede, estĂĄ Deus. Aquele Deus que eles sempre invocaram, nĂŁo ousando nunca, nem de longe, esperar que o haveriam de ver. Mas que por eles foi invocado pelo bem de toda a humanidade e pelo bem eterno âdelesâ mesmos. Oh! SĂł isto Ă© o que eles desejavam para si. Poderem vĂȘ-lo, conhecĂȘ-lo, possuĂ-lo naquela vida que nĂŁo tem nem auroras, nem crepĂșsculos!
Ele estĂĄ lĂĄ, atrĂĄs daquela pobre parede. Quem sabe se o seu coração de Menino, que Ă© tambĂ©m o coração de um Deus, nĂŁo ouça estes trĂȘs coraçÔes que, inclinados no pĂł da estrada, bradam: âSanto, Santo, Santo. Bendito o Senhor nosso Deus. GlĂłria a Ele nos CĂ©us altĂssimos, e paz aos seus servos. GlĂłria, glĂłria, glĂłria e bĂȘnçãoâ? Isto eles perguntam, tremendo de amor. Por toda a noite, e na manhĂŁ seguinte preparam com a mais viva oração, o seu espĂrito, para entrarem em comunhĂŁo com o Deus-Menino.
Eles não vão a este altar, que é um seio virginal, que traz em si a Hóstia Divina, como vós ides a eles com a alma cheia de solicitudes humanas. Eles se esquecem do sono e do alimento e se usam suas mais belas vestes, não é para ostentação humana, mas para prestar honra ao Rei dos reis. Nos palåcios dos soberanos, os dignitårios se apresentam com suas mais belas vestes. Então, não deveriam eles ir apresentar-se a este Rei com suas vestes de gala? Que festa maior podia haver para eles do que esta?
Oh! LĂĄ em suas terras longĂnquas, muitas e muitas vezes precisaram se adornar para prestar honras e oferecer seus prĂ©stimos a homens como eles. Era, pois, justo que se humilhassem aos pĂ©s do Rei supremo e lĂĄ depositassem as suas pĂșrpuras e jĂłias, sedas e plumas preciosas. PĂŽr-lhe aos pĂ©s, diante daqueles benditos pezinhos, as fibras da terra, as gemas da terra, as plumas da terra, os metais da terÂra â que sĂŁo ainda obras dele â para que tambĂ©m elas, essas coisas da terra, adorem o seu Criador. Seriam felizes se a Criancinha lhes ordenasse que se estendessem no chĂŁo, como se fossem um tapete vivo, aos seus passinhos de Menino, e os pisasse, Ele que deixou as estrelas por amor deles, que nada mais sĂŁo do que pĂł.
34.15 Humildes e generosos. Obedientes Ă s âvozesâ do Alto. Essas vozes mandam que eles levem presentes ao Rei recĂ©m-nascido. Eles levam presentes. NĂŁo dizem: âEle Ă© rico, e nĂŁo precisa disso. Ele Ă© Deus, e nĂŁo conhecerĂĄ a morteâ. Eles obedecem. SĂŁo os primeiros que acodem Ă pobreza do Salvador. Como chegou em boa hora aquele ouro, para quem amanhĂŁ deveria sair de sua terra como fugitivo! Como foi significativa aquela mirra, para quem, dentro em breve, seria morto. Como foi piedoso aquele incenso, para quem teria que sentir o mau cheiro da luxĂșria humana fervendo ao redor de sua infinita pureza!
Humildes, generosos, obedientes e respeitosos um para com o outro. As virtudes geram outras virtudes. Das virtudes voltadas para Deus, nascem virtudes para o prĂłximo. Respeito que, no fim, Ă© caridade. Combinaram com o mais velho que lhe tocaria falar por todos, recebendo o primeiro beijo do Salvador, segurando-o pela mĂŁozinha. Os outros ainda poderĂŁo vĂȘ-lo outras vezes. Mas ele, nĂŁo. Ele estĂĄ velho, e o dia de sua volta para Deus estĂĄ perto. Ele verĂĄ o Cristo, depois de sua terrĂvel morte, e o acompanharĂĄ junto com os outros que serĂŁo salvos, no dia da volta do Cristo para o CĂ©u. Mas nĂŁo o verĂĄ mais nesta terra. EntĂŁo, para seu viĂĄtico, que lhe fique o calor daquela mĂŁozinha, que se confiou Ă sua mĂŁo enrugada.
NĂŁo hĂĄ nenhuma inveja nos outros. Pelo contrĂĄrio, hĂĄ atĂ© um aumento de veneração para com o mais velho dos sĂĄbios. Mais do que eles, mereceu na certa, e por mais tempo. O Deus-Menino sabe disso. Ainda nĂŁo fala, Ele que Ă© a Palavra do Pai, mas os Seus atos sĂŁo palavras. E seja bendita a sua inocente palavra, que mostra ser o seu predileto este velhoÂ.
34.16 Mas, Ăł filhos, hĂĄ outros dois ensinamentos nesta visĂŁo.
A postura de JosĂ©, que sabe ficar em âseuâ lugar. Ele estĂĄ presente como guarda e tutor da Pureza e da Santidade. Mas nĂŁo Ă© um usurpador dos direitos delas. Ă Maria, com o seu Jesus, que estĂĄ recebendo homenagens e palavras. JosĂ© se alegra por ela, nĂŁo ficando amargurado por ser uma figura secundĂĄria. JosĂ© Ă© um justo: o Justo. Ă justo sempre, tambĂ©m nesta hora. As fumaças da festa nĂŁo lhe sobem Ă cabeça. Ele continua humilde e justo.
Ele se sente feliz pelos presentes. NĂŁo por si mesmo. Mas porque pensa que com eles poderĂĄ fazer a vida de sua esposa e do doce Menino mais cĂŽmoda. NĂŁo existe avidez em JosĂ©. Ele Ă© um trabalhador, e continuarĂĄ a trabalhar. Contanto que âElesâ, os seus dois amores, tenham o necessĂĄrio, e algum conforto. Nem ele nem os magos sabem que aqueles presentes vĂŁo servir durante uma fuga e uma vida no exĂlio, nas quais as substĂąncias desaparecem como uma nuvem impelida pelo vento⊠mas eles vĂŁo servir tambĂ©m para quando voltarem Ă pĂĄtria, depois de terem perdido tudo o que tinham deixado, os clientes, os mĂłveis, salvando-se somente as paredes da casa, protegida por Deus, porque nela Ă© que Ele se uniu Ă virgem e se fez Carne.
JosĂ© Ă© humilde, ele, que Ă© guarda de Deus e da mĂŁe de Deus, esposa do AltĂssimo, chega atĂ© a segurar o estribo para estes vassalos de Deus. JosĂ© Ă© um pobre carpinteiro, porque a prepotĂȘncia humana despojou os herdeiros de Davi de suas propriedades reais. Mas ele Ă© sempre da estirpe de Davi e tem traços de rei. TambĂ©m em relação a ele vale aquele dito: âEra humilde, porque era realmente grande.â
34.17 Ainda um Ășltimo, suave e significativo ensinamento.
à Maria, que segura a mão de Jesus, que ainda não sabe abençoar, e a guia no gesto santo.
Ă sempre Maria que segura a mĂŁo de Jesus e a guia. Ainda hoje Ă© assim. Agora, Jesus sabe abençoar. Mas, Ă s vezes, sua mĂŁo traspassada cai, cansada e sem poder mais confiar, pois Ele sabe que Ă© inĂștil abençoar. Na verdade, vĂłs destruĂs a minha bĂȘnção. Ela cai tambĂ©m indignada porque vĂłs me maldizeis. EntĂŁo, Ă© Maria que tira o desprezo feito a esta mĂŁo, ao beijĂĄ-la. Oh! O beijo de minha mĂŁe! Quem pode resistir a esse beijo? Depois, ela segura o meu pulso, com seus dedos delicados, mas que sĂŁo amorosamente tĂŁo imperiosos e me força a abençoar.
Eu nĂŁo posso repelir a minha mĂŁe. Mas Ă© preciso que vĂłs vades Ă procura dela, para fazĂȘ-la vossa advogada. Ela Ă© minha rainha, antes de ser vossa, e o seu amor por vĂłs tem indulgĂȘncias tais, que nem o meu conhece. Ela, mesmo sem palavras, mas sĂł com as pĂ©rolas do seu pranto e com a lembrança da minha Cruz, cujo sinal ela me faz traçar no ar, defende a vossa causa, e ainda me admoesta: âTu Ă©s o Salvador. Salva!â
34.18 Eis, meus filhos, o âEvangelho da fĂ©â, na aparição da cena dos
Magos. Meditai e imitai. Para o vosso bem.
EMF 35.7-12
Jesus diz:
â TambĂ©m as visĂ”es desta sĂ©rie terminam assim. Em boa paz com os doutores difĂceis, viemos te mostrando as cenas que precederam, que acompanharam e que se seguiram Ă minha Vinda, nĂŁo pelas cenas em si mesmas, pois sĂŁo muito conhecidas, por mais que tenham sido alteradas, por elementos sobrepostos atravĂ©s dos sĂ©culos, sempre por causa daquele modo de ver humano que, para dar maior louvor a Deus, e por isso Ă© perdoado, torna irreal o que Ă© tĂŁo belo, se for deixado como Ă©. Porque a minha Humanidade e a de Maria nĂŁo ficam por isso diminuĂdas, assim como nĂŁo fica ofendida a minha Divindade e a Majestade do Pai e o Amor da SantĂssima Trindade, por uma visĂŁo das coisas em sua realidade, mas, ao contrĂĄrio, esplendem os mĂ©ritos de minha mĂŁe e a minha humildade perfeita. Assim como daĂ Ă© que fulgura a bondade onipotente do eterno Senhor. Mostramos estas cenas para poder aplicar a ti e aos outros o sentido sobrenatural, que surge daĂ, dando-vos como norma de vida.
O DecĂĄlogo Ă© a Lei. O meu Evangelho Ă© a doutrina que vos torna mais clara essa Lei e mais desejĂĄvel para ser seguida. Bastariam esta Lei e esta Doutrina para fazer os homens santos.
Mas vĂłs estais tĂŁo embaraçados com a vossa humanidade, que (na verdade, em vĂłs ela ultrapassa demais ao espĂrito) que nĂŁo podeis seguir por estas vias, sem cair; ou entĂŁo, parar, desencorajados. Dizeis a vĂłs e a quem queria fazer que vos adiantĂĄsseis, citando-vos os exemplos do Evangelho: âJesus, Maria, JosĂ© (e assim por diante todos os santos) nĂŁo eram como nĂłs. Eles eram fortes, foram logo consolados em suas dores, atĂ© nas pequenas dores que sentiram! Eles nĂŁo sentiam paixĂ”es. Eram jĂĄ seres fora da terra.â
Ah! Aquelas pequenas dores! Ah! Não sentiam as paixÔes!
35.8 A dor foi para nĂłs a amiga fiel, e teve todos os mais variados aspectos e nomes.
As paixĂ”es⊠NĂŁo useis erradamente um vocĂĄbulo, chamando de âpaixĂ”esâ os vĂcios, que vos desencaminham. Chamai-os sinceramente de âvĂciosâ e, alĂ©m disso, capitais. Quanto aos vĂcios, nĂŁo Ă© que os ignorĂĄssemos. NĂłs tĂnhamos olhos e ouvidos, para ver e ouvir, e SatanĂĄs fazia dançar esses vĂcios Ă nossa frente, mostrando-os nas obras, com a sua imundĂcie, ou tentando-nos com as suas insinuaçÔes. Mas a nossa vontade, inclinada a tornar-nos agradĂĄveis a Deus, fazia com que aquela imundĂcie e aquelas insinuaçÔes, em vez de satisfazerem o objetivo de SatanĂĄs, provocasse o contrĂĄrio. Quanto mais ele trabalhava, mais nĂłs nos refugiĂĄvamos na luz de Deus, por repugnĂąncia das trevas lamacentas, colocada diante dos nossos olhos carnais ou espirituais.
NĂłs nĂŁo ignoramos as paixĂ”es, no sentido filosĂłfico. NĂłs amamos a pĂĄtria, com a nossa pequena NazarĂ©, cidade que amamos mais do que qualquer outra da Palestina. NĂłs sentimos afeto por nossa casa, pelos parentes e amigos. Por que nĂŁo haverĂamos de sentir? NĂŁo nos tornamos escravos deles, porque nada nos deve possuir, a nĂŁo ser Deus. Mas fizemos deles bons companheiros.
Minha mĂŁe exultou de alegria, quando, quatro anos depois, voltou a NazarĂ© e pĂŽs o pĂ© em sua casa, podendo beijar aquelas paredes, dentro das quais o seu âsimâ lhe abriu o ventre para receber o EmbriĂŁo de Deus. JosĂ© saudou com alegria parentes e sobrinhos, crescidos em nĂșmero e idade, e se alegrou ao ver-se imediatamente lembrado pelos concidadĂŁos, tambĂ©m por sua capacidade profissional. Eu prĂłprio fui sensĂvel Ă s amizades e sofri, como uma crucificação moral, pela traição de Judas. Que dizer de tudo isso? Nem minha mĂŁe, nem JosĂ© preteriram a casa ou os parentes, Ă vontade de Deus.
35.9 E Eu nĂŁo poupei palavras, quando foi preciso, mesmo quando
elas atraĂam o Ăłdio dos hebreus e a antipatia de Judas sobre Mim. Eu sabia (e teria podido fazĂȘ-lo) que teria bastado dinheiro para subjugĂĄ-lo a Mim. NĂŁo a Mim como Redentor, mas a Mim riqueza. Eu que multipliquei os pĂŁes, podia multiplicar tambĂ©m o dinheiÂro, se quisesse. Mas Eu nĂŁo tinha vindo procurar satisfaçÔes humanas. De ninguĂ©m. Muito menos, dos que foram chamados por Mim. Eu havia pregado a necessidade do sacrifĂcio, do desapego, de uma vida casta, de posiçÔes humildes. Que Mestre e que Justo teria sido, se tivesse dado dinheiro para alimentar o sensualismo mental e fĂsico de alguĂ©m, como Ășnico meio para segurĂĄ-lo?
No meu Reino, os grandes se tornam assim, fazendo-se âpequenos.â Quem quer ser âgrandeâ aos olhos do mundo, nĂŁo estĂĄ preparado para reinar no meu Reino. Esse Ă© palha para a cama dos demĂŽnios. Porque a grandeza do mundo estĂĄ em contraste com a Lei de Deus.
O mundo chama âgrandesâ os que, com meios quase sempre ilĂcitos, sabem ocupar as melhores posiçÔes e, para conseguirem isso, fazem do prĂłximo um degrau, sobre o qual sobem, pisando nele. Chama âgrandesâ aqueles que sabem matar para reinar, matar moral ou materialmente e, pela extorsĂŁo, conseguem posiçÔes e lugares, e enriquecem, sugando o sangue dos outros em suas riquezas particulares ou coletivas. O mundo muitas vezes chama os delinqĂŒentes de âgrandes.â NĂŁo. A âgrandezaâ nĂŁo estĂĄ na delinquĂȘncia. EstĂĄ na bondade, na honestidade, no amor, na justiça. Vede os vossos âgrandesâ, que frutos envenenados vos oferecem, colhidos no seu malvado e demonĂaco pomar interior!
35.10 A Ășltima visĂŁo, pois eu quero falar dela e deixar de falar de outros assuntos que sĂŁo tĂŁo inĂșteis, e o mundo nĂŁo quer ouvir a verdade que lhe interessa, Ă© uma visĂŁo que ilumina um ponto particular, citado duas vezes no Evangelho de Mateus, numa frase repetida duas vezes: âLevanta, pega o Menino e sua mĂŁe, e foge para o Egito.â âLevanta, pega o Menino e a mĂŁe Dele, e volta para a terra de Israel.â E, como viste, Maria estava sozinha com o Menino no quarto.
A virgindade de Maria após o parto e a castidade de José são muito combatidas, por aqueles que, por serem lama podre, não admitem que alguém possa ser asa e luz. São infelizes, com coração tão corrompido, com mente que se prostituiu tanto à carne, que se tornaram incapazes de pensar que alguém como eles possa respeitar a mulher, ver nela a alma e não a carne, elevando-se a si mesmos, vivendo em uma atmosfera sobrenatural, apetecendo-se de Deus, e não da carne.
Pois bem. Aos negadores do belo, a estes vermes, incapazes de se tornarem borboletas, a estes rĂ©pteis cobertos pela baba de sua libidinagem, incapazes de compreender a beleza de um lĂrio, a estes Eu digo que Maria foi e permaneceu virgem, e que sĂł sua alma foi casada com JosĂ©, como o seu espĂrito se uniu unicamente ao EspĂrito de Deus e, por obra Dele, ela concebeu o seu Ănico Filho: Eu, Jesus Cristo, UnigĂȘnito de Deus e de Maria.
Isto não é uma tradição que floresceu mais tarde, por um amoroso respeito para com a Bem-Aventurada, que foi minha mãe. Mas é uma verdade que, desde os primeiros tempos, foi conhecida.
Mateus nĂŁo nasceu sĂ©culos depois. Ele foi contemporĂąneo de Maria. Mateus nĂŁo era um pobre ignorante, que tivesse vivido nas selvas, com facilidade de acreditar em qualquer histĂłria. Era um fiscal da receita, como dirĂeis hoje, ou um cobrador de gabelas, como naquele tempo dizĂamos. Ele sabia ver, ouvir, compreender, separar o verdadeiro do falso. Mateus nĂŁo ouviu as coisas por meio de terceiros. Mas ele as recolheu dos lĂĄbios de Maria, Ă qual o seu amor pelo Mestre e pela verdade o havia levado a fazer perguntas.
NĂŁo posso chegar a pensar que esses negadores da inviolabilidade de Maria pensem que ela tenha podido mentir. Os meus prĂłprios parentes a teriam podido desmentir, se ela tivesse tido outros filhos, pois Tiago, Judas, SimĂŁo e JosĂ© eram condiscĂpulos de Mateus. Por isso seria fĂĄcil confrontar as versĂ”es, se outras houvessem. Mateus nunca diz: âLevanta e pega tua mulherâ; ele diz: âPega a mĂŁe Dele.â Antes diz: âVirgem desposada a JosĂ©â, âJosĂ©, seu esposoâ.
35.11 NĂŁo me venham dizer que isso era um modo de falar dos hebreus, como se dizer a palavra âmulherâ jĂĄ fosse uma infĂąmia. NĂŁo, negadores da Pureza. Desde as primeiras palavras do Livro, se lĂȘ: â⊠e se unirĂĄ Ă sua mulherâ. Ela Ă© chamada âcompanheiraâ, atĂ© o momento da consumação sexual do casamento; mas depois Ă© chamada âmulherâ, em diversas passagens e em diversos capĂtulos. E assim acontece com as esposas dos filhos de AdĂŁo. Ă assim que Sara Ă© chamada âmulherâ de AbraĂŁo: âSara, tua mulherâ; e: âToma tua mulher e as tuas duas filhasâ foi dito a LĂł. E no livro de Rute estĂĄ escrito: âA moabita, mulher de Maalon.â E no primeiro livro dos Reis estĂĄ dito: âElcana teve duas mulheresâ; e, ainda mais: âdepois, Elcana conheceu sua mulher Anaâ; e ainda: âEli abençoou Elcana e a mulher dele.â E sempre no livro dos Reis foi dito: âBate-Seba, mulher de Urias, o heteu, tornou-se mulher de Davi, e lhe deu um filho.â O que se lĂȘ no livro azul de Tobias, aquilo que a Igreja canta para vĂłs nas vossas nĂșpcias, para aconselhar-vos a serem santos no matrimĂŽnio? LĂȘ-se: âOra, quando Tobias chegou, com a mulher e com o filhoâŠâ; e ainda: âTobias conseguiu fugir com o filho e com a sua mulher.â
Nos Evangelhos, isto Ă©, nos tempos de Cristo, nos quais se escrevia relativamente Ă queles tempos antigos em linguagem moderna, nĂŁo havendo, portanto necessidade de se pensar em erros de transcriçÔes, foi dito pelo prĂłprio Mateus no cap. 22: â⊠o primeiro, tendo-a tomado por mulher, morreu e deixou a mulher ao irmĂŁo.â Marcos, no cap. 10: âQuem repudia a mulherâŠâ Lucas chama Isabel de mulher de Zacarias, quatro vezes em seguida, e no oitavo capĂtulo diz: âJoana, mulher de Cusa.â
Como estais vendo, nĂŁo era este nome um vocĂĄbulo proscrito para quem estava nos caminhos do Senhor, um vocĂĄbulo imundo que nĂŁo era digno de ser proferido e, muito menos, escrito onde se trata de Deus e das suas admirĂĄveis obras. O anjo, dizendo: âo Menino e a mĂŁe Deleâ, vos demonstra que Maria foi mĂŁe verdadeira, mas nĂŁo foi mulher de JosĂ©. Ela permaneceu sempre: a virgem desposada a JosĂ©.
Este Ă© o Ășltimo ensinamento destas visĂ”es. Ă uma aurĂ©ola que resplende sobre a cabeça de Maria e de JosĂ©. A virgem imaculada. O homem justo e casto. Os dois lĂrios entre os quais eu cresci, ouvindo sĂł fragrĂąncias de pureza.
35.12 A ti, pequeno JoĂŁo, eu poderia falar sobre a dor de Maria por seu duplo afastamento de sua casa e de sua pĂĄtria. Mas nĂŁo hĂĄ necessidade de palavras. Compreendo que seja isso, e disso desfaleces. DĂĄ-me a tua dor. SĂł quero isto. Ă mais do que qualquer outra coisa que me possas dar. Hoje Ă© sexta-feira, Maria. Pensa na minha dor e na de Maria sobre o GĂłlgota, para que possas suportar a tua cruz.
A paz e o nosso amor fiquem contigo.
EMF 36.7-10
36.7 Jesus diz:
â A lição para ti e para os outros Ă© dada pelas coisas que estĂĄs vendo. Ă lição de humildade, de resignação e de boa harmonia. Posta como exemplo a todas as famĂlias cristĂŁs, e especialmente Ă s famĂlias cristĂŁs deste especial e doloroso momento.
36.8 Tu viste uma casa pobre. O que Ă© mais doloroso, uma casa pobre em paĂs estrangeiro.
Muitos, sĂł porque sĂŁo dos fiĂ©is âpassĂĄveisâ, que rezam e Me recebem na Eucaristia, rezam e comungam pelas âsuasâ necessidades, nĂŁo pelas necessidades das almas e pela glĂłria de Deus, porque Ă© raro alguĂ©m rezar sem ser egoĂsta, muitos pretenderiam ter uma vida material fĂĄcil, bem protegida de qualquer menor sofrimento, prĂłspera e feliz.
JosĂ© e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, nĂŁo tiveram nem o pobre bem de serem pobres na prĂłpria pĂĄtria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a âprĂłpriaâ casinha, e um alojamento nĂŁo era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fĂĄcil encontrar trabalho e prover-se do necessĂĄrio para a vida. Eles sĂŁo dois fugitivos, e justamente porque Me tĂȘm consigo. O clima Ă© diferente, o lugar Ă© diferente, tĂŁo triste em comparação com os doces campos da GalilĂ©ia, lĂngua e costumes diferentes, em meio a uma população que nĂŁo os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.
Privados daqueles mĂłveis cĂŽmodos e estimados da âsuaâ casinha, de tantas coisas humildes mas necessĂĄrias que lĂĄ havia, e que nĂŁo pareciam tĂŁo necessĂĄrias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tĂŁo belas, como aquelas coisas supĂ©rfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lĂĄ deixadas, do pomar, do qual talvez ninguĂ©m esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas ĂĄrvores Ășteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, Ă s roupas, ao fogo, dia apĂłs dia, Ă s Minhas necessidades de criança, Ă qual nĂŁo se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhĂŁ, que ainda Ă© desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.
Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura tornå-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortåvel. Nesta casa só hå um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miseråvel para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.
Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos CĂ©us, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terraÂ!
Naquela casa nĂŁo houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovaçÔes recĂprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que nĂŁo os cumulou com o bem-estar material. JosĂ© nĂŁo censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura JosĂ© por ele nĂŁo saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação nĂŁo Ă© com o prĂłprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor nĂŁo conhece egoĂsmo. O verdadeiro amor Ă© sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida Ă caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeiçÔes de cĂŽnjuges.
O amor de minha mĂŁe e de JosĂ© era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, nĂŁo obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espĂrito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espĂrito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tĂȘ-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.
36.9 Naquela casa se rezava. Agora reza-se pouco nas casas. Nasce o dia e chega a noite, começam-se os trabalhos, e sentai-vos Ă mesa sem um pensamento dirigido ao Senhor, que vos permitiu ver um novo dia, podendo chegar a uma nova noite, que abençoou as vossas fadigas, concedendo que essa fadigas se tornassem o meio de conquistar aquele alimento que o fogo cozinhou, as vestes que vestis, aquele teto, todo o necessĂĄrio Ă vossa natureza humana. Sempre Ă© âbomâ o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dĂĄ sabor e substĂąncia, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.
Naquela casa hå frugalidade. Haveria, mesmo que o dinheiro não faltasse. Eles se nutrem para viver, e não para agradar à gula, com a voracidade dos insaciåveis, com os caprichos dos gulosos, que se vão enchendo até não poderem mais, e esbanjam seus haveres em alimentos caros, sem um pensamento aquem tem pouco ou é privado de alimento, sem refletirem que, se tivessem moderação, muitos poderiam ser aliviados do tormento da fome.
Naquela casa se ama o trabalho. Ele seria amado, mesmo se o dinheiro fosse abundante, porque no trabalho o homem obedece ao mandamento de Deus e se livra do vĂcio que, como hera firme, aperta e sufoca os ociosos, como blocos imĂłveis de pedra. Bom Ă© o alimento, sereno Ă© o repouso, contente estĂĄ o coração, quando se trabaÂlhou bem e se goza o tempo de pausa entre um trabalho e outro. Aquele vĂcio que tem mĂșltiplas faces, nĂŁo se arraiga na casa e na mente de quem ama o trabalho. NĂŁo se arraigando, entĂŁo aĂ prospera o afeto, a estima, o respeito recĂproco, e os pequenos pimpolhos crescem numa atmosfera pura, e dĂŁo origem a futuras famĂlias santas.
Naquela casa reina a humildade. Esta Ă© uma lição de humildade para vĂłs, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razĂ”es para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cĂŽnjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria Ă© Esposa e mĂŁe de Deus, e, no entanto, serve o seu cĂŽnjuge, nĂŁo se fazendo servir por ele, Ă© toda amor para com ele. JosĂ© Ă© o chefe de casa, julgado por Deus tĂŁo digno de ser um chefe de famĂlia, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno EspĂrito. Contudo, Ă© sempre solĂcito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo atĂ© os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria nĂŁo se canse. Mas nĂŁo sĂł, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cĂŽmoda, e a pequena horta com flores viçosas.
Naquela casa a ordem Ă© respeitada. Sobrenatural, moral e material. Deus Ă© o Chefe supremo e a Ele Ă© prestado culto e amor: ordem sobrenatural. JosĂ© Ă© o chefe da famĂlia e a ele Ă© dado afeto, respeito e obediĂȘncia: ordem moral. A casa Ă© um dom de Deus, como as vestes e os mĂłveis. Em todas as coisas Ă© a ProvidĂȘncia de Deus que se mostra, daquele Deus que provĂȘ a lĂŁ Ă s ovelhas, as penas aos pĂĄssaros, as ervas aos prados, o feno aos animais, as sementes e as ĂĄrvores frondosas Ă s aves, tecendo a veste para o lĂrio do vale. A casa, as vestes, os mĂłveis sĂŁo recebidos com gratidĂŁo, bendizendo a mĂŁo divina, tratando-os com respeito como dons do Senhor, sem olhar com descontentamento porque sĂŁo pobres, sem estragar os dons, abusando da ProvidĂȘncia: ordem material.
36.10 Não entendeste as palavras trocadas no dialeto de Nazaré, nem as palavras de oração. Mas as coisas vistas deram uma grande lição. Meditai-as, ó vós todos, que agora tanto estais sofrendo por terdes falhado para com Deus, também aquelas coisas em que não falharam nunca os santos Esposos, que foram mãe e pai para Mim.
E tu, deleita-te com a recordação do pequeno Jesus, sorri, pensando em seus passinhos de criança. Dentro em pouco, o verĂĄs, camiÂnhanÂdo debaixo de uma cruz. E serĂĄ uma visĂŁo de pranto.
Maria acaba de ter uma visĂŁo da Sagrada FamĂlia no Egito.
EMF 37.4-9
37.4 Jesus diz:
â Eu te consolei, alma querida, com uma visĂŁo da minha infĂąncia, feliz em sua pobreza, porque ela estava cercada do afeto dos dois maiores santos do mundo.
37.5 Dizem que JosĂ© foi o meu sustento. Oh! Se ele nĂŁo pĂŽde, por ser homem, dar-me o leite, que Maria me nutriu, se desdobrou em pedaços no trabalho, para me dar pĂŁo e conforto, tendo para comigo a gentileza de afetos de uma verdadeira mĂŁe. Eu aprendi dele â e nenhum aluno jamais teve um mestre melhor â tudo o que faz de um menino, um homem. E um homem que tem que ganhar o seu pĂŁo.
Mesmo se a minha inteligĂȘncia de Filho de Deus fosse perfeita, Ă© preciso refletir que eu nĂŁo quis sair insolitamente dos limites da minha idade. Por isso, rebaixando a minha perfeição intelectual de Deus ao nĂvel de uma perfeição intelectual humana, sujeitei-me a ter um homem por mestre, com a necessidade de alguĂ©m para me ensinar. Mesmo se tenha aprendido com rapidez e boa vontade, isso nĂŁo me tira o merecimento de ter-me sujeitado a um homem, ao homem justo, que ensinou Ă minha pequena mente, as noçÔes necessĂĄrias para a vida.
As horas saudosas, passadas ao lado de José, para o qual foi um brinquedo ensinar-me a ser capaz de trabalhar, Eu não me esqueço, nem agora que estou no Céu. E, quando olho para o meu pai putativo, revejo o pequeno pomar e a oficina fumacenta, e me parece estar vendo a mamãe chegar com aquele seu sorriso, que transformava em ouro aquele lugar, e nos tornava felizes.
37.6 Quanto teriam que aprender as famĂlias com a perfeição destes esposos que se amaram como nenhum outro casal!
JosĂ© era o chefe. A sua autoridade familiar era evidente e nĂŁo discutida, diante da qual se inclinava respeitosamente a da esposa e mĂŁe de Deus e se sujeitava o Filho de Deus. Tudo estaria bem, se JosĂ© resolvia fazĂȘ-lo, sem discussĂ”es, sem teimosia, sem resistĂȘncias. A sua palavra era a nossa pequena lei. E, nĂŁo obstante isso, quanta humildade nele! Nunca um abuso de poder, nunca uma vontade contra a razĂŁo, sĂł por ser ele o chefe. A esposa era a sua suave conselheira. E se, em sua humildade tambĂ©m profunda, ela se julgava a serva de seu consorte, o consorte ia buscar na sabedoria dela, que era a cheia de Graça, a luz que o guiava em todos os acontecimentos.
Eu crescia como uma flor protegida por duas årvores vigorosas, entre estes dois amores, que se entrelaçavam sobre Mim para me proteger e me amar.
Enquanto a idade me fez ignorar o mundo, Eu nĂŁo tive saudades do ParaĂso. Deus Pai e o Divino EspĂrito nĂŁo estavam ausentes, porque Maria estava repleta Deles. E os anjos ali moravam, porque nada os afastava daquela casa. Um deles, pode-se dizer assim, havia assumido a carne. Era JosĂ©, alma angĂ©lica, libertada do peso da carne, somente ocupada em servir a Deus e Ă sua causa, amando-O, como amam os serafins. O olhar de JosĂ©! PlĂĄcido e puro como uma estrela que nĂŁo conhece as concupiscĂȘncias terrenas. Ele era o nosso repouso e a nossa força.
37.7 Muitos acham que Eu não tenha humanamente sofrido, quando a morte veio apagar aquele olhar santo, que vigiava a nossa casa. Se Eu era Deus e, como tal, conhecedor da feliz sorte que esperava José, não entristecido, portanto, pela sua partida que, depois de uma breve parada no Limbo, lhe teria aberto o Céu, contudo, como Homem chorei naquela casa, que ficou para nós vazia da sua amorosa presença. Chorei sobre o amigo falecido. Não teria devido chorar por este meu santo, sobre cujo peito Eu tinha dormido, quando era pequenino, e durante tantos anos, tinha recebido amor?
37.8 Enfim, faço observar aos pais como, sem o auxĂlio de uma erudição pedagĂłgica, JosĂ© soube fazer de Mim um hĂĄbil operĂĄrio. Logo que cheguei Ă idade em que jĂĄ podia manejar as ferramentas, sem deixar que Eu me entregasse Ă ociosidade, ele me encaminhou para o trabalho, valendo-se do meu amor por Maria para me estimular a trabalhar. Fazer objetos Ășteis Ă mamĂŁe. Era assim que ele me inculcava o devido respeito para com a mamĂŁe, que todo filho deveria ter, e sobre esta respeitosa e poderosa alavanca, ele se apoiava ao ensinar o futuro carpinteiro.
Onde estĂŁo hoje as famĂlias nas quais se ensina os pequenos a amar o trabalho, como meio de fazer algo agradĂĄvel aos pais? Os filhos, agora, sĂŁo os tiranos da casa. Crescem duros, indiferentes, grosseiros para com os seus pais. Acham que seus pais sĂŁo seus servos, seus escravos. NĂŁo os amam e sĂŁo pouco amados. Porque, ao mesmo tempo que fazeis de vossos filhos uns prepotentes caprichosos, tambĂ©m ficais longe deles, com um desinteresse vergonhoso.
Os filhos sĂŁo de todos, menos de vĂłs, Ăł pais do sĂ©culo vinte. Eles sĂŁo da babĂĄ, da governanta, do colĂ©gio, se sois ricos. E sĂŁo dos colegas de rua, das escolas, se sois pobres. Mas, jĂĄ nĂŁo sĂŁo vossos. VĂłs, Ăł mamĂŁes, os gerais, e isso basta. VĂłs, Ăł pais, fazeis o mesmo. Mas o filho nĂŁo Ă© sĂł carne. Ele Ă© mente, coração, espĂrito. Crede, pois, que ninguĂ©m, mais do que um pai ou uma mĂŁe, tem o dever e o direito de formar esta mente, este coração, este espĂrito.
37.9 A famĂlia existe, e deve existir. NĂŁo existe nenhuma teoria ou progresso que seja capaz de destruir esta verdade, sem provocar ruĂna. De um instituto familiar desfeito, sĂł podem vir futuros homens e futuras mulheres cada vez mais depravados, e que serĂŁo causa de ruĂnas cada vez maiores. Eu vos digo, em verdade, que seria melhor que nĂŁo houvessem mais casamentos e mais filhos sobre a terra, do que famĂlias menos unidas do que as tribos dos macacos, famĂlias que nĂŁo sĂŁo escolas de virtude, de trabalho, de amor e de religiĂŁo, mas sĂŁo caos, cada um vivendo como engrenagens desmanteladas, que acabam se despedaçando.
Quebrai. Despedaçai. Os frutos desse vosso ato de despedaçar a forma mais santa de vida social, vĂłs os estais vendo e suportando. Continuai, entĂŁo, se quiserdes. Mas nĂŁo vos lamenteis, se esta terra vai-se tornando cada vez mais um inferno, morada de monstros, que devoram famĂlias e naçÔes. VĂłs o estais querendo. Que, entĂŁo, isto vos aconteça!â
EMF 38.9
Jesus diz:
â E Maria foi Minha mestra, de Tiago e de Judas. Eis porque nos amamos como irmĂŁos, nĂŁo sĂł pelo parentesco, mas pela ciĂȘncia e por termos crescido juntos, como trĂȘs sarmentos de videira sustentados na mesma vara. A minha mamĂŁe! Doutora, como nenhum outro em Israel, esta minha doce mĂŁe. Sede da Sabedoria, e da verdadeira Sabedoria, nos instruiu para o mundo e para o CĂ©u. Digo: ânos instruiuâ, porque Eu fui seu aluno, nĂŁo diversamente dos primos. E o âsigiloâ foi mantido sobre o segredo de Deus, contra a indagação de SatanĂĄs, mantido sob a aparĂȘncia de uma vida comum.
Ficaste alegre com esta cena suave? Agora, fica em paz. Jesus estĂĄ contigo.
EMF 41.11-13
Jesus diz:
[âŠ].
â Voltemos muito, muito atrĂĄs. Voltemos ao Templo, onde Eu, aos doze anos, estou disputando. Ou melhor, voltemos Ă s ruas que levam a JerusalĂ©m, e de JerusalĂ©m ao Templo.
VĂȘ a angĂșstia de Maria, quando, tendo-se reunido Ă s filas dos homens e das mulheres, viu que Eu nĂŁo estava com JosĂ©.
Ela não levanta a voz, em åsperas repreensÔes contra o esposo. Todas as mulheres o teriam feito. Vós o fazeis por muito menos, esquecendo-vos de que o homem é sempre o chefe da casa. Mas a dor que transparece no rosto de Maria, magoa José, mais do que qualquer repreensão. Maria não se abandona a cenas dramåticas. Vós, por muito menos, o fazeis, pois gostais de ser notadas, e feitas alvos de compaixão. Mas a dor contida de Maria é tão evidente, pelo tremor que a toma, pelo rosto que empalidece, pelos olhos que se dilatam, que comove mais do que qualquer cena de pranto e de clamor.
NĂŁo sente mais cansaço, nem fome. O caminho foi longo e, depois de tantas horas, nĂŁo tomou nenhum alimento! Mas ela deixa tudo. Tanto a enxerga, que estĂĄ sendo arrumada, como a comida que ia ser distribuĂda. Volta atrĂĄs. Ă tarde, a noite desce. NĂŁo importa. Cada passo que dĂĄ leva-a de volta a JerusalĂ©m. Faz parar as caravanas e os peregrinos. Pergunta a todos. JosĂ© a segue e a ajuda. Um dia de caminho, voltando, e depois uma penosa busca pela cidade.
Onde, onde poderĂĄ estar o seu Jesus? E Deus permite que ela nĂŁo saiba, durante tantas horas onde Ă© que devia ir me procurar. Procurar um menino no Templo, seria uma coisa sem sentido. Que teria um menino ido fazer no Templo? No mĂĄximo, teria se perdido na cidade, e se tivesse voltado para dentro do Templo, levado pelos seus pequenos passos, sua voz chorosa teria chamado pela mĂŁe atraindo a atenção dos adultos, dos sacerdotes, os quais teriam providenciado para que se procurassem os pais dele, por meio de avisos colocados nas portas. Mas nĂŁo havia nenhum aviso. NinguĂ©m na cidade sabia desse Menino. Bonito? Loiro? Robusto? Mas hĂĄ tantos assim! Era muito pouco para se poder dizer: âEu o vi. Estava em tal ou tal lugar!â
41.12
TrĂȘs dias depois, sĂmbolo de outros trĂȘs dias de futura angĂșstia, eis que Maria, exausta, penetra no Templo, percorre os pĂĄtios e os vestĂbulos. Nada. Corre, corre a pobre mĂŁe, no rumo de onde lhe pareceu vir uma voz de menino. E, atĂ© os cordeiros, que estĂŁo balindo, lhe parecem o pranto do Filho, que estĂĄ procurando. Mas Jesus nĂŁo estĂĄ chorando. Ele estĂĄ ensinando. Neste momento, Maria ouve, do outro lado de uma barreira de pessoas, a querida voz, que diz: âEstas pedras tremerĂŁoâŠâ Ela tenta atravessar a multidĂŁo, e sĂł o consegue, depois de muito esforço. Aqui estĂĄ o Filho, de braços abertos, em pĂ© entre os doutores.
Maria Ă© a Virgem prudente. Mas desta vez a angĂșstia venceu a sua reserva. Ă como um dique, que enfrenta o que vier. Ela corre atĂ© o Filho, e o abraça levantando-o do banco, pondo-o no chĂŁo, e exclama: âOh! Por que nos fizeste isto? HĂĄ trĂȘs dias que estamos Ă tua procura. Tua mĂŁe estĂĄ para morrer de dor, Filho. Teu pai estĂĄ exausto de cansaço. Por que Jesus?â
NĂŁo se pergunta os âporquĂȘsâ a Quem sabe os âporquĂȘsâ de seu modo de agir. Aos chamados nĂŁo se pergunta âporqueâ, deixam tudo para seguir a voz de Deus. Eu era a Sabedoria e sabia. Eu fui âchamadoâ para uma missĂŁo, e a estava cumprindo. Acima do pai e da mĂŁe desta terra, estĂĄ Deus, o Pai divino. Os seus interesses superam os nossos, e seus afetos sĂŁo superiores a qualquer outro. Eu digo isso a minha mĂŁe.
Termino o ensinamento aos doutores, com o ensinamento a Maria, Rainha dos doutores. E ela nunca mais esqueceu isso. O sol voltou ao seu coração, quando me tomou pela mĂŁo, humilde e obediente, mas as minhas palavras tambĂ©m ficaram em seu coração. Muito sol e muitas nuvens passarĂŁo pelo cĂ©u, durante aqueles vinte e um anos, em que Eu estarei ainda sobre a terra. E muita alegria e muito pranto se alternarĂĄ em seu coração, por outros vinte e um anos. Mas ela nunca mais me perguntarĂĄ: âPor que, meu Filho, nos fizeste isto?â
Aprendei, Ăł homens insolentes!
41.13
Eu expliquei e esclareci a visão, porque tu não estås em condiçÔes de fazer mais.
EMF 42.8-10
Jesus diz:
â A todas as mulheres que estĂŁo sendo torturadas por alguma dor, Eu ensino a imitar Maria na sua viuvez: unindo-se a Jesus.
Aqueles que pensam que Maria não sofreu as penas do coração, estão errados. Minha mãe sofreu. Ficai sabendo disso. Santamente, porque tudo nela era santo, mas profundamente.
Aqueles que pensam que Maria amava o seu esposo com um amor tépido, visto que ele era um esposo para as coisas espirituais, e não para as carnais, estão igualmente errados. Maria amava intensamente o seu José, ao qual dedicou seis lustros (30 anos) de uma vida de fidelidade. Para Ela José foi pai, esposo, irmão, amigo e protetor.
Agora, ela se sentia sozinha, como uma vara de videira ao qual foi cortada a ĂĄrvore em que se apoiava. Sua casa ficou como que ferida por um raio. Ficou dividida. Antes era uma unidade na qual os membros se sustinham um ao outro. Agora, vinha a faltar a parede mestra, sendo este o primeiro dos golpes desferido naquela FamĂlia, sinal de que dentro em breve o seu amado Jesus tambĂ©m a deixaria.
A vontade do Eterno, que tinha querido que ela fosse esposa e mĂŁe, agora lhe impunha a viuvez e a entrega de seu Filho. Maria diz entre lĂĄgrimas, um dos seus sublimes âsim.â âSim, Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.â E, para ter força naquela hora, ela Me abraça.
Sempre Maria abraçou Deus nas horas mais graves da sua vida. No Templo, quando chamada para as nĂșpcias; em NazarĂ©, quando chamada para a Maternidade; ainda em NazarĂ©, derramando as lĂĄgrimas da viuvez; em NazarĂ© no suplĂcio da separação do Filho; no CalvĂĄrio, em que sofreu a tortura de Me ver morrer.
42.9
Aprendei, vós que chorais. Aprendei, vós que morreis. Aprendei, vós que viveis para morrer. Procurai merecer as palavras que Eu disse a José. Serão a vossa paz em vossa agonia. Aprendei, vós que morreis, a merecer a presença de Jesus perto de vós, para vosso conforto. Mesmo se não tiverdes merecido, ousai chamar-me para perto de vós. Eu virei. Com as mãos cheias de graça e de conforto, o coração cheio de perdão e amor, com os låbios cheios de palavras de absolvição e encorajamento.
A morte perde toda a sua aspereza, se ela acontecer nos meus braços. Crede nisso. Eu não posso abolir a morte, mas posso tornå-la suave para quem morre confiando em Mim.
O Cristo disse[2] para todos vĂłs, em sua Cruz: âSenhor, a Ti entrego o meu espĂrito.â Ele o disse, pensando na sua e nas vossas agonias, nos vossos terrores, nos vossos erros, nos vossos temores, nos vossos desejos de perdĂŁo. Ele o disse com o coração dilacerado, antes mesmo do golpe da lança, numa dilaceração mais espiritual do que fĂsica, para que as agonias daqueles que morrem pensando Nele, sejam amenizadas pelo Senhor e o espĂrito deles passe da morte Ă Vida, da dor ao jĂșbilo eterno.
42.10
Esta, pequeno JoĂŁo, Ă© a lição de hoje. SĂȘ boa, e nĂŁo temas. A minha paz refluirĂĄ em ti sempre, atravĂ©s da palavra e atravĂ©s da contemplação. Vem. Faz de conta que Ă©s JosĂ©, que tem por travesseiro o peito de Jesus, e Maria como enfermeira. E repousa entre nĂłs, como um menino em seu berço.
EMF 43.1-7
Maria diz:
â Antes de entregar estes cadernos, Eu quero unir a eles a minha bĂȘnção.
Agora, basta que queiras fazer com um pouco de paciĂȘncia; podereis ter uma coleção completa da vida Ăntima do meu Jesus. Desde a Anunciação, atĂ© o momento em que Ele sai de NazarĂ© para a pregação, tendes, nĂŁo sĂł os ditados, mas tambĂ©m a ilustração dos fatos que acompanharam a vida familiar de Jesus.
A infĂąncia, a meninice, a adolescĂȘncia e a juventude do meu Filho tĂȘm apenas uns breves traços no grande quadro de sua vida descrito pelos Evangelhos. Neles Ele Ă© o Mestre. Aqui Ă© o Homem. Ă o Deus que se humilha por amor do homem.
43.2 E que tambĂ©m opera milagres, mesmo em seu aniquilamento de uma vida comum. Ele opera em mim, que sinto a minha alma levada Ă perfeição, em contato com o Filho que me cresce no ventre. Opera na casa de Zacarias, santificando o Batista, ajudando Isabel em seu trabalho, dando palavra e fĂ© a Zacarias. Ele opera em JosĂ©, abrindo-lhe o espĂrito Ă luz de uma verdade, de tal modo excelsa, que por si mesmo nĂŁo podia compreender, embora fosse um justo.
43.3 E, depois de mim, quem mais foi beneficiado por esta chuva de divinos benefĂcios foi JosĂ©.
Observa o caminho que ele percorre, um caminho espiritual, desde quando vem para a minha casa, atĂ© o momento da fuga para o Egito. No inĂcio, nĂŁo era mais do que um homem justo do seu tempo. Depois, por fases sucessivas, tornou-se o homem justo do tempo cristĂŁo. Adquire a fĂ© no Cristo, e se entrega a essa fĂ© firme, que passa Ă esperança, desde aquela frase dita no começo da viagem de NazarĂ© para BelĂ©m: âComo faremos?â, frase em que ali estava todo o homem que se revela com os seus temores humanos e as suas preocupaçÔes humanas. Na gruta, diante do nascimento, diz: âAmanhĂŁ serĂĄ melhor.â Jesus, que estĂĄ para chegar, jĂĄ o fortalece, com esta esperança que, entre os dons de Deus, Ă© um dos mais belos. E, dessa esperança, quando o contato com Jesus o santifica, ele passa Ă ousadia. Deixou-se sempre dirigir por mim, pelo respeito reverente que nutria por mim. Agora Ă© ele que dirige tanto as coisas materiais, como as superiores, e decide como chefe da FamĂlia, quando Ă© preciso decidir. NĂŁo sĂł isso, mas na hora penosa da fuga, depois que meses de uniĂŁo com o Filho de Deus o saturaram de santidade, Ă© ele quem conforta o meu penar, e me diz: âAinda que nĂŁo tivĂ©ssemos mais nada, terĂamos sempre tudo, porque teremos a Ele.â
43.4 Seus milagres de graça, meu Jesus os opera nos pastores. O Anjo vai até onde estå o pastor, que um fugaz encontro comigo predispÔe para a Graça, e o leva até à Graça para que Esta o salve para sempre.
Ele os opera por onde passa, tanto no exĂlio, como quando volta Ă sua pequena NazarĂ©. Porque, onde Ele estava, a santidade se expandia como o Ăłleo sobre um pano, como a fragrĂąncia das flores no ar, e quem por ela era tocado, se nĂŁo fosse um demĂŽnio, sentia grande desejo de santidade. Onde hĂĄ esse desejo, hĂĄ raiz de vida eterna, porque quem quer ser bom, consegue a bondade, e a bondade leva ao Reino de Deus.
43.5 VĂłs agora tendes, apresentada em pontos, que refletem momentos diversos, a santa Humanidade de meu Filho. Desde o seu nascimento, atĂ© Ă sua morte. E, se o Pe. M. achar bom, pode fazer deles uma ordenada coleção dos pontos, de modo a poder formar um conjunto sem lacunas. Isso se julgar Ăștil fazĂȘ-lo.
TerĂamos podido dar tudo junto. Mas a ProvidĂȘncia julgou ser bom fazer assim para ti, Ăł minha alma! Em todos os ditados te demos os remĂ©dios para as tuas feridas, que haveriam de ser-te infligidas. Demos com antecedĂȘncia para te preparar. Na hora do granizo, parece que nada serve de abrigo. Mas nĂŁo Ă© assim. A tempestade faz aflorar a humanidade, que estĂĄ adormecida e sepultada debaixo das ĂĄguas espirituais, mas traz Ă tona tambĂ©m as gemas de uma doutrina sobrenatural, que caĂram no vosso coração, e que estĂŁo esperando justamente a hora da tempestade, para reaparecerem e dizer-vos: âAqui estamos nĂłs tambĂ©m. Lembra-te de nĂłsâ.
HĂĄ, alĂ©m disso, minha alma, uma razĂŁo de bondade, alĂ©m de ser de ProvidĂȘncia. Como terias podido, no atual estado de enfraquecimento, ver e ouvir certas visĂ”es e ditados? Estas coisas te teriam prostrado, atĂ© te tornarem incapaz da tua missĂŁo de âporta-vozâ. Por isso, porque em nĂłs hĂĄ bondade nĂłs os demos antes, evitando despedaçar teu coração com visĂ”es e palavras por demais consoantes com o teu sofrimento, e por isso intensas atĂ© ao espasmo. NĂŁo somos cruĂ©is, Maria. Agimos sempre de modo que vĂłs de nĂłs tenhais conforto, nĂŁo angĂșstia, nem aumento de dor. Basta-nos que vos confieis a nĂłs. Basta-nos que digas como JosĂ©: âSe ainda tenho Jesus, tenho tudo!â, para que venhamos com os dons celestes a consolar o vosso espĂrito.
43.6 NĂŁo te prometo dons, nem consolaçÔes humanas. Eu te prometo as mesmas consolaçÔes que teve JosĂ©, as sobrenaturais. Porque Ă© bom que todos fiquem sabendo que os presentes dados pelos Magos, na usura que aperta pela garganta um fugitivo, sumiram rapidamente, como um relĂąmpago, com a compra de uma casinha e daquele mĂnimo de utensĂlios necessĂĄrios para a vida, daqueles alimentos que eram tambĂ©m necessĂĄrios, que sĂł podiam vir daquela fonte, enquanto nĂŁo encontrĂĄvamos trabalho.
Na comunidade hebraica sempre todos se ajudaram mutuamente. Mas a comunidade reunida no Egito era quase toda composta de fugitivos perseguidos e, por isso, pobres como nĂłs, que tĂnhamos ido nos juntar a eles. Um pouco daquela riqueza que querĂamos manter para Jesus, para o nosso Jesus adulto, preservada dos gastos da instalação no Egito, foi providencial para a nossa volta e apenas suficiente para reorganizar nossa casa e a oficina em NazarĂ©, ao nosso retorno. Porque os tempos mudam, mas a cobiça humana Ă© sempre a mesma, servindo-se da necessidade alheia para sugar a sua parte de maneira odiosa.
NĂŁo. Termos Jesus conosco nĂŁo serviu para trazer-nos bens materiais. Muitos de vĂłs pretendem isto, quando apenas se sentem um pouco unidos a Jesus. Esquecem-se de que Ele disse: âProcurai as coisas do espĂrito.â Tudo o mais Ă© supĂ©rfluo. Deus provĂȘ tambĂ©m o alimento. Tanto aos homens como os pĂĄssaros. Porque sabe que eles tĂȘm necessidade do alimento, enquanto a carne for armadura em torno de vossa alma. Mas, pedi primeiro a sua Graça. Pedi primeiro pelo vosso espĂrito. O resto vos serĂĄ dado como acrĂ©scimo.
Da uniĂŁo com Jesus, JosĂ© teve, humanamente falando, angĂșstias, fadigas, perseguiçÔes, fome. Outra coisa nĂŁo teve. Mas, visto que servia a Jesus somente, tudo isso se transformou em paz espiritual, em sobrenatural alegria. Eu queria trazer-vos ao ponto em que estava o meu esposo ao dizer: âAinda que chegĂĄssemos a nĂŁo ter mais nada, terĂamos sempre tudo, porque temos Jesus.â
43.7 Eu sei. O coração se despedaça. Eu sei, a mente se ofusca. Eu sei, a vida se consome. Mas Maria!⊠Ăs de Jesus? Queres ser de Jesus? Onde, como morreu Jesus? Menina querida, estĂĄs chorando, mas persevera na fortaleza. O martĂrio nĂŁo consiste na forma de tormento, mas, sim na constĂąncia com que o mĂĄrtir o suporta. Por isso, Ă© martĂrio tanto uma arma, como um sofrimento moral, quando Ă© suportado por um mesmo objetivo. Tu estĂĄs suportando por amor ao meu Filho. O que fazes pelos irmĂŁos Ă© sempre por amor de Jesus, que os quer salvos. Por isso, o teu sofrimento Ă© verdadeiro martĂrio. Persevera nele. NĂŁo queiras fazer isso por ti mesma. Basta â porque a aflição Ă© forte demais para que tu possas ter ainda tanta força para guiar-te por ti mesma e dominar tambĂ©m a tua humanidade impedindo-la de chorar â basta que deixes que a dor te torture, sem rebelar-te. Basta que digas a Jesus: âAjuda-me!â. Aquilo que nĂŁo podes fazer, Ele o farĂĄ por ti. Permanece Nele. Sempre Nele. NĂŁo queiras sair Dele. Se nĂŁo quiseres, nĂŁo sais. Se a dor for tĂŁo forte, que te impeça de ver onde estĂĄs, tu estarĂĄs sempre em Jesus.
Eu te abençÎo. Diz comigo: âGlĂłria ao Pai, ao Filho e ao EspĂrito Santo.â Seja este sempre o teu grito. AtĂ© que, um dia, o digas no CĂ©u. A graça do Senhor esteja sempre contigo!
EMF 44.7-15
Jesus diz:
â Esta Ă© a quarta dor de Maria mĂŁe de Deus. A primeira foi a apresentação ao Templo; a segunda, a fuga para o Egito; a terceira, a morte de JosĂ©; a quarta, a minha separação dela.
Conhecendo o desejo do Pai, Eu te disse ontem Ă tarde que apressarei a descrição das ânossasâ dores para que elas se tornem conhecidas. Mas, como estĂĄs vendo, jĂĄ algumas, de minha mĂŁe, tinham sido relatadas. Eu expliquei a fuga[2] antes da apresentação, porque havia necessidade de fazĂȘ-lo naquele dia. Eu sei. Tu compreendes e dirĂĄs o porquĂȘ ao Pai, de viva voz.
44.8
Ă meu desejo alternar as tuas contemplaçÔes, e as minhas conseqĂŒentes explicaçÔes, com os ditados propriamente ditos, para aliviar o teu espĂrito, dando-te a bem-aventurança de ver, e tambĂ©m porque assim fica clara a diferença estilĂstica entre o teu modo de compor e o meu.
AlĂ©m disso, diante de tantos livros que falam de Mim, com tanto toca e retoca, muda e embeleza, estes livros se tornaram irreais, agora Eu desejo dar a quem crĂȘ em Mim, uma visĂŁo que leve Ă verdade do tempo da minha vida mortal. Com isso, Eu nĂŁo fico diminuĂdo, mas ao contrĂĄrio, me torno maior na minha humildade, que se faz pĂŁo por vĂłs, a fim de ensinar-vos a ser humildes e semelhantes a Mim, que fui homem como vĂłs, trazendo Comigo, na minha veste de homem, a perfeição de um Deus. Eu devia ser vosso Modelo, e os modelos devem ser sempre perfeitos.
NĂŁo terei nas contemplaçÔes uma linha cronolĂłgica correspondente Ă dos Evangelhos. Tomarei os pontos que Eu achar mais Ășteis naquele dia para ti ou para os outros, seguindo uma linha minha de ensinamento e de bondade.
44.9
O ensinamento que vem da contemplação da minha separação Ă© dirigido especialmente aos pais e aos filhos que a vontade de Deus chama para uma vida de renĂșncia recĂproca por um amor mais alto. Em segundo lugar, Ă© dirigido a todos aqueles que se encontram diante de uma renĂșncia difĂcil.
Quantas dessas nĂŁo encontrais em vossas vidas! Elas sĂŁo como espinhos sobre a terra, e penetrantes ao coração. Eu sei. Mas a quem as acolhe com resignação â prestai atenção, eu nĂŁo digo: âa quem as deseja e as acolhe com alegriaâ (pois isto jĂĄ Ă© perfeição); mas eu digo: âcom resignaçãoâ â elas se transformam em rosas eternas. Mas poucos sĂŁo os que as acolhem com resignação. Como uns burrinhos rebeldes, vĂłs vos levantais contra a vontade do Pai e teimais, se Ă© que nĂŁo procurais atĂ© ferir com coices espirituais e mordidas, ou seja, com rebeliĂŁo e blasfĂȘmias contra o bom Deus.
44.10
NĂŁo digais assim: âMas eu nĂŁo tinha outro bem senĂŁo este, e Deus o tirou de mim. Eu nĂŁo tinha outro amor senĂŁo este, e Deus arrebatou-o de mim.â TambĂ©m Maria, mulher gentil e amorosa atĂ© Ă perfeição, porque em sua Graça Total atĂ© as formas afetivas e sensitivas eram perfeitas, nĂŁo tinha senĂŁo um bem e um amor sobre a terÂra: o seu Filho. Nada lhe restava, senĂŁo Ele. Seus pais estavam mortos fazia tempo, JosĂ© estava morto, havia alguns anos. NĂŁo havia senĂŁo Eu para amĂĄ-la e fazĂȘ-la sentir que nĂŁo estava sozinha. Os parentes, por causa de Mim, de quem eles nĂŁo conheciam a origem divina, lhe eram um pouco hostis, como se fosse uma mĂŁe que nĂŁo sabe se impor ao filho, que sai do bom-senso, que recusa os casamentos que lhe sĂŁo propostos os quais poderiam trazer prestĂgio para a famĂlia, e atĂ© ajuda.
Os parentes, voz do bom senso, do senso humano ainda, que vĂłs chamais de bom-senso, nĂŁo passam de um senso humano, isto Ă©, egoĂsmo, teriam querido estas prĂĄticas desenvolvidas na minha vida. No fundo, havia sempre o medo de, um dia, passarem aborÂrecimentos por minha causa, pois Eu jĂĄ ousava exteriorizar minhas idĂ©ias, por demais sonhadoras, no pensar deles, as quais podiam atĂ© irritar a Sinagoga. A histĂłria hebraica estava cheia de ensinamentos sobre a sorte que tiveram os profetas. NĂŁo era fĂĄcil a missĂŁo do profeta, pois muitas vezes acarretava a morte dele e aborrecimentos para a sua parentela. No fundo, estavam sempre com o pensamento de que teriam um dia de cuidar de minha mĂŁe.
Por isso Ă© que, ao verem que Ela nĂŁo se opunha a Mim em nada, e atĂ© parecia viver numa contĂnua adoração perante o Filho, isso os irritava. Esta antipatia haveria de ir crescendo, ao longo dos trĂȘs anos do ministĂ©rio, atĂ© culminar em censuras abertas, quando me encontravam no meio das multidĂ”es, e se envergonhavam, como diziam, da minha mania de ficar provocando as castas poderosas. Censuras a Mim e a Ela, a minha pobre mĂŁe!
44.11
Contudo, Maria nĂŁo opĂŽs resistĂȘncia, como vĂłs fazeis, ela que sabia as disposiçÔes dos parentes (nem todos foram como Tiago, Judas e SimĂŁo, nem como a mĂŁe deles, Maria de ClĂ©ofas), prevendo as disposiçÔes futuras, e sabendo a sua sorte durante aqueles trĂȘs anos e o que a aguardava no final deles, assim como o que Me aconteceria. Ela chorou. Quem nĂŁo teria chorado, diante da separação do filho que a amava, como Eu a amava, diante da perspectiva dos longos dias vazios, sem a minha presença, naquela casa solitĂĄria, diante do futuro do Filho, destinado a se bater contra a mĂĄ vontade de quem era culpado, procurando vingar-se da culpa, ofendendo o Inocente, atĂ© matĂĄ-lo?
Chorou porque era a Co-Redentora e a mĂŁe do gĂȘnero humano renascido para Deus, e devia chorar por todas as mĂŁes que nĂŁo sabem fazer de suas dores de mĂŁes uma coroa de glĂłria eterna.
Quantas mĂŁes neste mundo vĂȘem a morte arrancar um filho dos seus braços! Quantas mĂŁes vĂȘem a vontade sobrenatural arrebatar-lhes um filho de perto delas! Maria chorou por todas as suas filhas, como mĂŁe dos cristĂŁos, por todas as suas irmĂŁs, em sua dor de mĂŁe despojada. Chorou tambĂ©m por todos os filhos que, nascidos de mulher, estĂŁo destinados a tornarem-se apĂłstolos de Deus, ou mĂĄrtires por amor de Deus, por fidelidade a Ele ou pela ferocidade humana.
44.12
O meu Sangue e o pranto de minha mĂŁe sĂŁo a mistura que fortalece os marcados da sorte herĂłica, anulando-lhes as imperfeiçÔes, ou as faltas cometidas por fraqueza, dando depois do martĂrio sofrido, a paz de Deus e, se sofrido por Deus, a glĂłria do CĂ©u.
Os missionĂĄrios experimentam as lĂĄgrimas como uma chama que os aquece nas regiĂ”es onde a neve impera, como um orvalho lĂĄ onde o sol arde. SĂŁo brotadas da caridade de Maria e jorram dum coração de lĂrio. Suas lĂĄgrimas tĂȘm o fogo da caridade virginal unida ao Amor e o perfumado frescor da virginal pureza, semelhante ao da ĂĄgua que se recolhe no cĂĄlice de um lĂrio, depois de uma noite orvalhosa.
Os consagrados as encontram[3] naquele deserto que Ă© a vida monĂĄstica bem entendida. Ă deserto porque nĂŁo vive senĂŁo da uniĂŁo com Deus, e qualquer outro afeto desaparece tornando-se unicamente caridade sobrenatural, para com os parentes, os amigos, os superiores e os inferiores.
São encontradas pelos consagrados a Deus no mundo, no mundo que não os entende e não os ama. à deserto também para eles, pois vivem como se estivessem sozinhos, por serem tão incompreendidos e escarnecidos, por amor de Mim.
As minhas queridas âvĂtimasâ experimentam as lĂĄgrimas, porque Maria Ă© a primeira das vĂtimas que por amor de Jesus dĂĄ as suas lĂĄgrimas que restauram e inebriam um maior sacrifĂcio, Ă s suas imitadoras, com a mĂŁo de mĂŁe e de MĂ©dica.
Santo pranto o de minha mĂŁe!
44.13
Maria reza. NĂŁo se recusa a rezar, sĂł porque Deus lhe manda uma dor. Lembrai-vos disso. Ela reza junto com Jesus. Reza o Pai-nosso. Nosso e vosso.
O primeiro âPai-nossoâ foi pronunciado no pomar de NazarĂ© para consolar o sofrimento de Maria, para oferecer as ânossasâ vontades ao Eterno, no momento em que se estava iniciando para essas vontades o perĂodo de uma renĂșncia sempre crescente, que iria culminar por Mim, na renĂșncia da vida e por Maria, na morte do Filho.
Ainda que nĂŁo tivĂ©ssemos nada de que pedir perdĂŁo ao Pai, contudo, por humildade, nĂłs, os Sem Culpa, pedimos perdĂŁo ao Pai, para sermos perdoados e absolvidos atĂ© de algum suspiro, para podermos ir dignamente ao encontro da nossa missĂŁo. Para ensinar-vos que quanto mais estiverdes na graça de Deus, mais a missĂŁo Ă© abençoada, e mais frutos ela produz. Para ensinar-vos o respeito a Deus e a humildade. Diante de Deus Pai, atĂ© as nossas duas perfeiçÔes de Homem e de Mulher sentiram-se um nada, pedindo perdĂŁo. Como tambĂ©m pediram o âpĂŁo de cada diaâ.
Qual era o nosso pĂŁo? Oh! nĂŁo aquele amassado pelas mĂŁos puras de Maria e assado no pequeno forno, para o qual tantas vezes Eu tinha ajeitado feixes e braçadas de lenha. TambĂ©m aquele Ă© necessĂĄrio, enquanto estivermos sobre a terra. Mas o ânossoâ pĂŁo de cada dia era aquele de fazer, dia apĂłs dia, a nossa parte da missĂŁo. Que Deus no-la desse cada dia, porque cumprir a missĂŁo que Deus dĂĄ Ă© a alegria do ânossoâ dia, nĂŁo Ă© verdade, pequeno JoĂŁo? NĂŁo dizes, tu tambĂ©m, que o dia te parece vazio, parecendo nĂŁo existir, se a bondade do Senhor te deixa um dia sem a tua missĂŁo de dor?
44.14
Maria reza junto a Jesus. Ă Jesus quem vos justifica, meus filhosÂ! Sou Eu que torno aceitĂĄveis e frutuosas as vossas oraçÔes junto ao Pai. Eu jĂĄ vos disse[4]: âTudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederĂĄâ, e a Igreja valoriza as suas oraçÔes, dizendo: âPor Jesus Cristo nosso Senhor.â
Quando rezardes, uni-vos sempre, sempre, sempre a Mim. Eu rezarei em alta voz por vĂłs, cobrindo a vossa voz de homens com a minha de Homem-Deus. Eu colocarei sobre as minhas mĂŁos traspassadas a vossa oração, e a elevarei atĂ© o Pai. Ela se tornarĂĄ uma hĂłstia de preço infinito. A minha voz, misturada com a vossa, subirĂĄ como um beijo filial ao Pai, e a pĂșrpura das minhas feridas tornarĂĄ precioso o vosso rezar. Permanecei em Mim, se quereis que o Pai permaneça em vĂłs, convosco, por vĂłs.
44.15
Terminaste a narração dizendo: âpor nĂłsâŠâ, e querias dizer: âPor nĂłs que somos tĂŁo ingratos para com estes Dois que subiram ao CalvĂĄrio por nĂłs.â Fizeste bem em colocar estas palavras. Coloca-as cada vez que Eu te fizer ver uma das nossas dores. Sejam como um sino que toca e que chama, convidando a meditar e a arrepender-se.
Agora basta. Repousa. A paz esteja contigo.