Notas da palavra-chave

Ditados de Jesus e da Virgem Maria na EMV

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 1 de 7

Conforto de leitura

EMF 1.1-3 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22 de agosto de 1944.

1.1 Jesus me ordena: “Pega um caderno todo novo. Copia, na primeira folha, o ditado do dia 16 de agosto. Neste livro se falará dela”.

Obedeço e copio.

16 de agosto de 1944.

1.2 Jesus diz:

– Hoje escreve apenas isto. A pureza, na sua expressão máxima, tem um tal valor que torna o seio de uma criatura capaz de conter o que não podia ser contido.

A SantĂ­ssima Trindade desceu com a sua perfeição em um pequeno espaço, habitando-o com as suas TrĂȘs Pessoas, encerrando lĂĄ o seu Infinito, sem diminuir-se com isso, pois o amor da Virgem e a vontade de Deus dilataram este espaço atĂ© transformĂĄ-lo num CĂ©u. Eis como essas caracterĂ­sticas se manifestaram:

Assim como no sexto dia[1], o Pai recria a Criatura, tendo uma “filha” digna e verdadeira, feita Ă  sua perfeita semelhança. A imagem de Deus estava estampada em Maria de tal modo que sĂł no PrimogĂȘnito do Pai lhe era superior. Maria pode ser chamada a “segundogĂȘnita” do Pai porque, pela perfeição que lhe foi dada e sabida conservar, por dignidade de esposa e mĂŁe de Deus e tambĂ©m de Rainha do CĂ©u, vem depois do Filho do Pai no seu eterno Pensamento, que “ab aeterno” nela se compraz;

o Filho, sendo tambĂ©m para ela “Filho” ensinando-a, por mistĂ©rio de graça, a sua verdade e sabedoria quando ainda nĂŁo era mais que um embriĂŁo que lhe crescia no ventre;

o Espírito Santo, aparecendo entre os homens por uma antecipada Pentecostes, por uma prolongada Pentecostes, Amor “naquela que amou”, consolação dos homens, pelo fruto do seu ventre, santificação, pela maternidade do Santo.

1.3 Deus, para manifestar-se aos homens, da forma nova e completa que inicia a era da Redenção, não escolheu para seu trono um astro do céu, nem o palåcio real de um poderoso. Não quis nem mesmo as asas dos anjos como base para seus pés. Quis um seio sem måcula.

Eva tambĂ©m tinha sido criada sem mancha. Mas espontaneamente quis corromper-se. Maria, tendo vivido num mundo corrupto (Eva, ao contrĂĄrio, vivera num mundo puro) nĂŁo quis prejudicar a sua inocĂȘncia nem mesmo com um pensamento voltado ao pecado. Sabia que o pecado existe. Viu os vultos diversos e horrĂ­veis. Viu todos, atĂ© o mais horrendo vĂ­cio: o deicĂ­dio. Mas os conheceu para expiĂĄ-los e ser, eternamente, aquela que tem piedade dos pecadores e ora por suas redençÔes.

1.4 Este pensamento serå introdução a outras coisas santas que darei para teu conforto e de muitos outros.

Palavras-chave

EMF 3.5-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

Os justos sĂŁo sempre sĂĄbios porque, sendo amigos de Deus, vivem em sua companhia e sĂŁo instruĂ­dos por Ele, que Ă© Infinita Sabedoria.

Os meus avós eram justos e por isto tinham a sabedoria. Podiam dizer com verdade quanto diz o Livro, cantando os louvores da Sabedoria, no livro: “Eu a amei e a procurei desde a juventude e procurei torná-la minha esposa”.

Ana de ArĂŁo era a mulher forte de quem fala o nosso AvĂŽ. E Joaquim da estirpe do rei Davi, nĂŁo tinha procurado tanto a formosura ou riqueza, quanto a virtude. Ana possuĂ­a uma grande virtude. Todas as virtudes reunidas num maço perfumado de flores, para tornar-se uma Ășnica lindĂ­ssima coisa, a Virtude. Uma virtude real, digna de estar perante o trono de Deus.

Joaquim tinha portanto desposado duas vezes a sabedoria “amando-a mais que qualquer outra mulher”: a sabedoria de Deus encerrada no coração da mulher justa. Ana de Arão não procurara outra coisa senão unir a sua vida à de um homem reto, certa de que na retidão está a alegria das famílias.

3.6 Sendo a insĂ­gnia da “mulher forte” nĂŁo lhe faltava nada a nĂŁo ser a coroa dos filhos, glĂłria da mulher casada, justificação do casamento, do qual fala SalomĂŁo. À sua felicidade nĂŁo lhe faltavam senĂŁo os filhos, flores da ĂĄrvore que se une Ă  ĂĄrvore vizinha obtendo assim a abundĂąncia de novos frutos, na qual duas bondades se fundem em uma, pois, tambĂ©m do lado do esposo, nunca lhe viera nenhuma desilusĂŁo.

3.7 Ela, agora a caminho da velhice, hĂĄ decĂȘnios mulher de Joaquim, era sempre para ele “a esposa da sua juventude, a sua alegria, a cerva tĂŁo querida, a graciosa gazela”, cujas carĂ­cias tinham sempre o fresco encanto da primeira noite de nĂșpcias e fascinavam docemente o seu amor, mantendo-o fresco como uma flor que o orvalho umedece e ardente como fogo constantemente alimentado. Por isto, em suas afliçÔes por nĂŁo terem filhos, um dizia ao outro “palavras de consolo em pensamento e em cuidados”.

3.8 Quando chegou a hora, a Sabedoria eterna, depois de tĂȘ-los instruĂ­do na vida, os iluminou com os sonhos da noite, alvorada do poe­ma de glĂłria que devia provir deles, Maria SantĂ­ssima, a minha mĂŁe. Se na sua humildade nĂŁo pensaram nisto, seus coraçÔes porĂ©m, tremeram de esperança, ao primeiro sinal evidente da promessa de Deus. Nas palavras de Joaquim jĂĄ havia certeza: “Espera, espera
 convenceremos Deus com nosso amor fiel”. Sonhavam com um filho: tiveram a mĂŁe de Deus.

3.9 As palavras do livro da Sabedoria parecem escritas para eles: “Por ela alcançarei glĂłria perante o povo
 por ela alcançarei imortalidade e deixarei memĂłria eterna Ă queles que depois de mim virĂŁo”. Mas, para conseguir tudo isto, tiveram de fazer-se discĂ­pulos de uma virtude veraz e duradoura, imune a qualquer acontecimento. Virtude de fĂ©. Virtude de caridade. Virtude de esperança. Virtude de castidade. A castidade dos esposos! Eles a possuĂ­ram; porque nĂŁo Ă© preciso ser virgem para ser casto. E os leitos conjugais castos tĂȘm a proteção dos anjos recebendo filhos bons, que fazem da virtude dos pais a norma de suas vidas.

3.10 Mas agora onde estĂŁo estes filhos? Hoje nĂŁo se quer mais filhos e nĂŁo se quer tampouco a castidade. Por isso eu digo que o amor e o leito conjugal estĂŁo profanados.

Anotação

Na verdade, eles poderiam repetir o que o Livro diz quando canta os louvores da Sabedoria no livro do mesmo nome: Ver Sb 8,2 abaixo.

Ana, filha de Aarão, era a mulher forte mencionada pelo nosso antepassado. Salomão, de quem Jesus descende. Autor dos "Provérbios de Salomão, filho de David, rei de Israel" (Provérbios 1,1). Para a citação, ver Provérbios 31:10-27.

Joaquim tinha assim casado duas vezes com a sabedoria "amando-a mais do que a qualquer outra mulher": a sabedoria de Deus contida no coração da mulher justa. Ver Sb 8,9 abaixo.

Para ser o emblema da "mulher forte", bastava-lhe ser coroada de filhos, pois esta é a glória da esposa, a justificação do matrimónio, de que fala Salomão. Ver Pr 31,28.

Jå idosa, esposa de Joaquim hå décadas, ela continua a ser para ele "a mulher da sua juventude, a sua alegria, a sua corça amada, a sua gazela graciosa". Ver Pr 5,18-19. A tradição é quase unùnime em afirmar que Ana estava casada hå mais de 20 anos (4 lustres) (cf. P.V. Charland, Les trois légendes de Madame Saincte Anne, volume 1 1898, pågina 11) e que teve Maria na velhice. Esta tradição é também confirmada por Marie d'Agreda(La Cité mystique de Dieu - Livre 1, Chapitre 15, § 209, pågina 518), e por Anne-Catherine Emmerich (La Vie de la Vierge Marie, Presses de la Renaissance, 2006, pågina 45).

Na sua tristeza por não terem filhos, diziam umas às outras "palavras de consolação nas suas preocupaçÔes e afliçÔes": ver Sabedoria 8, 9 abaixo.

As palavras do livro da Sabedoria parecem ter sido escritas para eles: "Por ela, terei glória entre as multidÔes... Por ela, terei a imortalidade e deixarei uma memória eterna para os que vierem depois de mim. "Ver Sb 8, 9-10.

Livro da Sabedoria 8, 2 e 8, 9-10

Sb 8, 2: Eu amava-a e procurava-a desde a minha juventude; procurava-a como esposa e estava enamorado da sua beleza.

Sb 8, 9-10: Por isso, decidi tomĂĄ-la como companheira de vida, sabendo que ela seria para mim uma conselheira em todas as coisas boas e um conforto nas minhas angĂșstias e tristezas. Por ela", disse eu a mim mesmo, "terei glĂłria nas assembleias e, ainda jovem, honra entre os velhos.

Livro dos Provérbios 5, 18-19

Pr 5, 18-19 : Abençoa a tua fonte e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Corça encantadora, gazela graciosa, deixa que os seus encantos te embriaguem em todos os momentos; enamora-te sempre do seu amor!

Livro dos Provérbios 31, 10-31

Pr 31, 10-31 :

A MULHER FORTE.

ALEPH. Quem pode encontrar uma mulher forte? O seu preço é muito superior ao das pérolas.

BETH. O coração do seu marido confia nela, e os lucros não lhe vão faltar.

GHIMEL. Ela faz-lhe bem, e nĂŁo mal, todos os dias da sua vida.

DALETH. Ela procura lĂŁ e linho, e trabalha com sua mĂŁo alegre.

HÉ. Ela Ă© como o navio do mercador, que traz o seu pĂŁo de longe.

VAV. Ela levanta-se enquanto ainda Ă© noite, e dĂĄ comida Ă  sua casa, e trabalho Ă s suas criadas.

ZAIN. Ela pensa num campo e compra-o; planta uma vinha com o fruto das suas mĂŁos.

HETH. Ela cinge os seus lombos com força, e fortalece os seus braços.

TETH. Ela sente que o seu ganho é bom; a sua lùmpada não se apaga durante a noite. YOD. Ela pÔe a mão na roca, e os seus dedos agarram o fuso.

CAPH. Ela estende a mĂŁo ao infeliz, abre a mĂŁo ao necessitado.

LAMED. Ela nĂŁo teme a neve para a sua casa, pois toda a sua casa estĂĄ vestida de carmesim.

MEM. Ela faz para si cobertores, bisso e pĂșrpura sĂŁo as suas vestes.

NUN. O seu marido Ă© bem conhecido Ă s portas da cidade, quando se senta com os anciĂŁos da terra.

SAMECH. Ela faz camisas e vende-as, e entrega cintos ao comerciante.

AÏN. A força e a graça são o seu adorno, e ela ri-se do futuro.

PHÉ. Ela abre a sua boca com sabedoria, e as boas palavras estão na sua língua.

TSADÉ. Ela vigia os caminhos da sua casa, e não come o pão da ociosidade.

QOPH. Seus filhos se levantam e a proclamam feliz; seu marido se levanta e a elogia:

RESCH. "Muitas filhas se mostraram virtuosas; mas tu as superas a todas."

SCHIN. Enganosa é a graça, e vã é a beleza; a mulher que teme a Javé é a que serå louvada.

THAV. Dai-lhe o fruto das suas mĂŁos, e que as suas obras anunciem o seu louvor Ă s portas da cidade.

Palavras-chave

EMF 4.5-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

4.5 Jesus diz:

– A Sabedoria, depois de tĂȘ-los iluminado com os sonhos da noite, desceu Ă quela que Ă© “vapor da virtude de Deus, certa emanação da glĂłria do Onipotente”, e tornou-se Palavra para a estĂ©ril. Aquele que agora via prĂłximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqĂŒenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estĂ©reis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misĂ©rias da terra.

No entanto, pela alegria de ter uma mĂŁe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo nĂŁo contĂ©m mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um ParaĂ­so para o povo de toda a terra, por todos os sĂ©culos atĂ© o fim do mundo; ParaĂ­so que estĂĄ para vir sobre a terra. E esta Palavra opera o milagre de tornar fecundo o que era infecundo. Dar-me uma mĂŁe, que nĂŁo teve apenas Ăłtima proveniĂȘncia, como era seu destino, nascida de dois santos; nĂŁo teve somente um aumento contĂ­nuo da bondade pelo seu bem querer, nĂŁo teve somente um corpo imaculado, teve tambĂ©m o espĂ­rito imaculado, sendo Ășnica entre as criaturas.

4.6 Tu vistes a geração contĂ­nua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituĂ­a as delĂ­cias da Trindade, que ardia por enfeitĂĄ-la com as suas dĂĄdivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refĂșgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. ParaĂ­so Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.

A alma criada para ser a alma da mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu luz mais viva. Como pétala de uma empírea rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hålito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminå-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.

Ainda sem saber, a terra jĂĄ tinha a sua flor. A verdadeira, Ășnica flor que floresce eternamente: lĂ­rio e rosa, violeta e jasmim, girassol e ciclame fundidos juntos, e com essas todas as flores da terra numa Ășnica flor, Maria, na qual se reĂșne toda virtude e graça.

Em abril, a terra da Palestina parecia um enorme jardim: as fragrĂąncias e as cores davam delĂ­cia ao coração dos homens. Mas a rosa mais bonita ainda era desconhecida. Ela jĂĄ era florescente a Deus no segredo do ventre materno, jĂĄ que minha mĂŁe amou desde que foi concebida, mas sĂł quando a videira dĂĄ o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo, dizendo com o seu sorriso super inocente: “Eis que a Videira, que vos darĂĄ o Cacho espremido na prensa, como RemĂ©dio eterno contra o vosso mal, estĂĄ entre vĂłs.”

Eu disse: “Maria amou desde que foi concebida.” O que dĂĄ ao espĂ­rito luz e conhecimento? A Graça. O que leva a Graça? O pecado de origem e o pecado mortal. Maria, aquela sem mĂĄcula, nunca foi despojada da lembrança de Deus, da sua proximidade, do seu amor, da sua luz, da sua sabedoria. Ela pĂŽde por isto, compreender e amar atĂ© quando era apenas carne em torno de uma alma imaculada que sempre amou.

4.7 Depois, faço-te contemplar mentalmente a profundidade da virgindade de Maria. TerĂĄs uma vertigem celeste, como quando te fiz entender a nossa eternidade. Por enquanto, considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mĂĄcula da ausĂȘncia de Deus, dĂĄ Ă  mĂŁe uma inteligĂȘncia superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mĂŁe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus.” Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.

Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vĂ­cios vos assemelhais unicamente ao “super-demĂŽnio”, neste exemplo terĂ­eis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem.” Saber permanecer sem a contaminação de satanĂĄs para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, nĂŁo desejando mais do que isto, que Ă© pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contĂ­nua evolução atĂ© a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da InteligĂȘncia no espĂ­rito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra satanĂĄs, que seria derrubado muitos milhares de sĂ©culos antes da hora em que o serĂĄ, junto a todo o seu mal.

Anotação

"Depois de as ter iluminado atravĂ©s dos sonhos da noite, a prĂłpria Sabedoria desceu como "eflĂșvio do poder de Deus, emanação pura da glĂłria do Todo-Poderoso" e tornou-se a Palavra para a mulher estĂ©ril. Excerto do livro da Sabedoria.

Livro da Sabedoria 7, 25

Sabedoria 7, 25: Ela é o sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do Todo-Poderoso; por isso, nada de impuro pode cair sobre ela.

Única entre todas as criaturas, ela tinha uma alma imaculada. Cf. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado a 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX na Constituição Apostólica Ineffabilis Deus. A proclamação dogmática encontra-se no final do documento

Vistes a contínua geração de almas por parte de Deus. Na visão de 25 de maio de 1944. Ver os Cadernos de 1944.

Como uma pétala de rosa celeste, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que desceu para animar a carne de uma maneira muito diferente das outras carnes. Na edição antiga, estå escrito: Como uma pétala de rosa celestial, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que era o sopro de Deus, que desceu para animar a carne de uma maneira diferente da dos outros. Sobre a parte "Sopro de Deus" (alito di Dio). A expressão foi corrigida por Maria Valtorta numa cópia dactilografada. Inicialmente, ela havia escrito "Parte de Deus" (parte di Dio).

Maria, em quem todas as virtudes e graças estão unidas. "Maria, planície das graças". A comparar com o que diz Santo Afonso de Ligório: "Segundo São Bernardino, todos os dons, todas as virtudes e todas as graças são dispensadas pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer e como quer"(Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, capítulo 5).

Em abril, a terra da Palestina assemelhava-se a um imenso jardim onde os perfumes e as cores encantavam o coração dos homens. Mas a rosa mais bela era ainda desconhecida. Estava jå a desabrochar para Deus no segredo do ventre. Em abril, Maria tinha sido concebida durante 4 meses

Só no momento em que a videira då o seu sangue para ser transformado em vinho, quando o cheiro doce e forte do mosto enche as quintas e as narinas, é que ela sorrirå, primeiro para Deus e depois para o mundo. Confirmação do nascimento de Maria em setembro (ver EMV 5).

Palavras-chave

EMF 5.7-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Surge e apressa-te pequena amiga. Tenho um desejo ardente de te levar Comigo para o azul paradisĂ­aco da contemplação da Virgindade de Maria. SairĂĄs com a alma jovem como se tu tambĂ©m fosses criada hĂĄ pouco pelo Pai, uma pequena Eva que ainda nĂŁo conhece a carne. SairĂĄs com o espĂ­rito repleto de luz, porque tu mergulharĂĄs, na contemplação da obra-prima de Deus. SairĂĄs com todo o teu ser saturado de amor, porque compreenderĂĄs como Deus sabe amar. Falar da concepção de Maria, a sem mĂĄcula, quer dizer mergulhar-se no azul, na luz, no amor.

5.8 Vem e lĂȘ as suas glĂłrias no Livro do Avo: “Deus me possuiu no inĂ­cio de suas obras, desde o princĂ­pio, antes da criação. “Ab aeterno” fui predeterminada no princĂ­pio. Antes que fosse feita a terra, ainda nĂŁo existiam os abismos e eu jĂĄ era concebida. Nem as nascentes das ĂĄguas transbordavam, nem os montes tinham-se erguido em suas grandes dimensĂ”es, nem as colinas eram cadeias montanhosas ao sol, e eu jĂĄ tinha sido gerada. Deus ainda nĂŁo tinha feito a terra, os rios, e as bases do mundo, e eu era. Quando preparava os cĂ©us eu estava presente, quando com lei imutĂĄvel fechou sob a orla celeste o abismo, quando tornou estĂĄvel no alto a abĂłbada celeste e suspendeu as fontes das ĂĄguas, quando fixava ao mar os seus confins e dava leis Ă s ĂĄguas de nĂŁo passar os seus limites, quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele a dispor todas as coisas. Sempre na alegria brincava diante Dele continuamente, brincava no universo
”. Aplicaram estas palavras Ă  Sabedoria, mas na realidade elas falam dela: a bela mĂŁe, a santa mĂŁe, a virgem mĂŁe da Sabedoria, que sou Eu que te falo.

5.9 Eu quis que tu escrevesses o primeiro verso deste hino no inĂ­cio do livro que fala dela, para que fosse confessada e percebida a consolação e a alegria de Deus; a razĂŁo do constante, perfeito, Ă­ntimo regozijo deste Deus uno e trino, que vos guia e ama, que do homem teve tantas razĂ”es de tristeza; a razĂŁo pela qual Deus perpetuou a raça, mesmo quando, Ă  primeira prova[3], merecia ser destruĂ­da; a ra zĂŁo do perdĂŁo que vocĂȘs tiveram.

Ter Maria que o amasse. Oh! bem merecia criar o homem, e deixå-lo viver, e decretar perdoå-lo, para ter a virgem bela, a virgem santa, a virgem imaculada, a virgem enamorada, a filha dileta, a mãe puríssima, a esposa amorosa! Muito e mais ainda vos deu e vos daria Deus para poder possuir a criatura das suas delícias, o sol do seu sol, a flor do seu jardim. E muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faíscas a luz, a grande luz do Paraíso; cada centelha é uma graça para o universo, para a raça do homem, para os próprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.

5.10 Deus quer um rei no universo que Ele havia criado do nada. Um rei que, pela natureza da matĂ©ria, fosse o primeiro entre todas as criaturas criadas e dotadas de matĂ©ria. Um rei que, pela natureza do espĂ­rito, fosse quase divino, fundido na Graça como no seu inocente primeiro dia. Mas a Mente suprema, onde sĂŁo notĂłrios todos os acontecimentos mais distantes em sĂ©culos, cuja vista vĂȘ incessantemente tudo quanto era, Ă©, e serĂĄ, enquanto contempla o passado e observa o presente, eis que aprofunda o olhar no Ășltimo futuro sem ignorar a morte do Ășltimo homem, sem confusĂŁo nem descontinuidade, esta Mente nunca ignorou o rei criado por Ele, para estar ao seu lado, semidivino, no CĂ©u, herdeiro do Pai. Ao entrar adulto no seu reino, depois de ter vivido na casa da mĂŁe, a terra com a qual foi feito, durante a sua infĂąncia de Eterno, na sua jornada sobre a terra, este rei teria cometido contra si mesmo o delito de matar-se na Graça e o latrocĂ­nio de furtar-se do CĂ©u.

Por que entĂŁo o criara? Certamente muitos se perguntam isto. TerĂ­eis preferido nĂŁo existir? Este dia nĂŁo merecia ser vivido, por si mesmo, tĂŁo pobre, nu e amargo pela vossa maldade, mas para conhecer e admirar a Beleza infinita que a mĂŁo de Deus semeou no universo?

Para quem teria feito estes astros e planetas que deslizam como setas e flechas, riscando o arco do firmamento? Ou os aparentemente lentos, majestosos na sua corrida como bĂłlidos, presentean­do-vos com luzes e estaçÔes como se fossem eternos, imutĂĄveis, ainda que em contĂ­nua mudança, oferecendo-vos uma pĂĄgina nova para ser lida sobre o azul, toda noite, todo mĂȘs, todo ano, quase como dizendo-vos: “Esquecei-vos do cĂĄrcere, deixai as vossas gravuras repletas de coisas obscuras, podres, sujas venenosas, enganosas, blasfemadoras, corruptoras e elevai, ao menos com o olha­r na ilimitada liberdade dos firmamentos. Tende uma alma azul olhando tĂŁo grande serenidade, criai-vos uma reserva de luz, para levar Ă  vossa prisĂŁo escura. Lede a palavra que nĂłs escrevemos cantando o nosso coro sideral mais harmonioso do que acompanhado por um ĂłrgĂŁo de catedral. A palavra que nĂłs escrevemos brilhando, a palavra que nĂłs escrevemos amando, visto que sempre temos presente Aquele que nos quis dar a alegria de existir, e o amamos por nos ter dado este ser, este esplendor, este deslizar, este sermos livres e belos em meio ao azul suave, alĂ©m do qual vemos um azul ainda mais sublime, o ParaĂ­so. E do qual cumprimos a segunda parte do preceito de amor amando a vĂłs, o nosso prĂłximo universal, amando-vos doando guia, luz, calor e beleza. Lede a palavra que nĂłs dizemos, e Ă© aquela sobre a qual regulamos o nosso canto, o nosso resplandecer, o nosso riso: Deus?”

Para quem teria feito aquele lĂ­quido azul, que Ă© um espelho para o cĂ©u, um caminho para a terra, sorriso das ĂĄguas, voz das ondas, palavra tambĂ©m essa que como os sussurros de seda farfalhando, com risadinhas de crianças serenas, com suspiros de velhos que lembram e choram, com bofetĂ”es violentos e com chifradas, mugidos e estrondos, sempre fala e diz: “Deus?” O mar Ă© para vĂłs, como o cĂ©u e os astros. E com o mar, os lagos, os rios, os pĂąntanos, os riachos e as nascentes puras, que servem a todos para vos transportar, nutrir, dessedentar e purificar, e que vos servem, servindo o Criador, sem saĂ­rem para fora dos seus limites, afogando-vos, como mereceis.

Para quem teria feito todas as inumeråveis famílias dos animais, como flores que voam cantando, os servos que correm, que trabalham, nutrem e são recreação para vós, os reis?

Para quem teria feito todas as inumerĂĄveis famĂ­lias das plantas, e das flores que parecem borboletas, que parecem jĂłias e passarinhos imĂłveis, dos frutos que parecem os cofres de pedras preciosas, como tapetes para vossos pĂ©s, proteção para as vossas cabeças, recreação Ăștil, alegria para a vossa mente, membros, vista e olfato?

Para quem teria feito os minerais nas entranhas da terra, os sais dissolvidos nas fontes de åguas geladas ou ferventes, as fontes sulfurosas, as iodadas, as alcalinas? Não teria sido para que alguém gozasse de tudo, alguém que não era Deus, mas filho de Deus? O homem.

Para a alegria de Deus, para as necessidades de Deus, nada era preciso. Deus se basta a Si mesmo. NĂŁo tem que se contemplar para alegrar-se, nutrir-se, viver e repousar. Tudo o que foi criado nĂŁo aumentou um ĂĄtomo a sua infinita alegria, sua beleza, seu poder. Mas tudo Ele fez pela sua criatura, que Ele quis colocar como rei na Sua obra: o homem.

Para ver tĂŁo grandes obras de Deus e por reconhecimento para com o seu poder, vale a pena viver. Como viventes deveis ser gratos. DeverĂ­eis ter sido gratos, mesmo se nĂŁo tivĂ©sseis sido redimidos, hoje ou no fim dos sĂ©culos, porque nĂŁo obstante tenhais sido os Primeiros, singularmente, sois atĂ© hoje prevaricadores, soberbos, luxuriosos, homicidas. Mas Deus ainda vos concede sabor de gozar das belezas do universo e da bondade do universo, e vos trata como se fosseis bons, filhos bons aos quais tudo Ă© ensinado e concedido, a fim de tornar-lhes mais doce e sadia a vida. Quanto sabeis, vĂłs o sabeis pela luz que Deus vos deu. Tudo quanto descobris, vĂłs o descobris porque Deus vĂŽ-lo indica no Bem. Porque os outros conhecimentos e descobertas, que tĂȘm o sinal do mal, vĂȘm do Mal supremo, satanĂĄs.

5.11 A Mente suprema, que nada ignora, antes ainda que o homem existisse, sabia que o homem, por si mesmo, teria sido um ladrĂŁo e um homicida. E, jĂĄ que a Bondade eterna nĂŁo tem limites, antes que acontecesse a Culpa, pensou no meio para anulĂĄ-la. E o meio seria: Eu. E o instrumento para fazer do meio um instrumento operante seria: Maria. Assim Ă© que a virgem foi criada no Pensamento sublime de Deus.

5.12 Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu,

como Rei, deveria ter tido sob os meus pés de Rei divino tapetes e jóias como nenhum palåcio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tão numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que é possível buscar no Pensamento de um Deus.

Mas Eu devia ser Carne, além de ser Espírito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o Céu, muitos séculos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espírito, é a obra-prima de Deus, e por ela, o Céu fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mãe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.

Eis que, entĂŁo, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: “Vem comigo. A meu lado, vĂȘ tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empĂ­reo, e dĂȘ aos anjos a nota inicial, e ensina ao ParaĂ­so uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serĂĄs, Ăł mulher imaculada que, por enquanto, Ă©s apenas espĂ­rito, o espĂ­rito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lĂ­rio, o tom rĂłseo Ă  rosa, semelhante Ă  tua pele de seda. Imito nas pĂ©rolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinĂłis Ă s tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitaçÔes do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hĂŁo de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formaçÔes das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pĂ©s gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via LĂĄctea. As estrelas e os planetas sĂŁo para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serĂŁo o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vĂȘ como se criam as ovelhas e os cordeiros, as ĂĄguias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as ĂĄrvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levarĂĄ o Cacho eucarĂ­stico. Corre, voa, jubila-te, Ăł minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, Ăł amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, Ăł mĂŁe do meu Filho­, rainha do meu ParaĂ­so, amor do teu Deus.” Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: “Vem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediĂȘncia, da ingratidĂŁo, da fornicação humana com satanĂĄs. Eu terei contigo a desforra sobre satanĂĄs”.

5.13 Deus, Pai Criador, criara o homem e a mulher com uma lei de amor tão perfeita, que não podeis, nem ao menos compreender. E vós vos enganais ao pensar como teria aparecido a raça humana, se o homem não o tivesse alcançado pelo ensinamento de satanås.

Olhai as plantas que produzem fruto e semente. Por acaso elas conseguem ter semente e fruto por meio de uma fornicação ou de uma fecundação em cada cem encontros conjugais? Não. Da flor masculina sai o pólen, guiado por um complexo de leis meteóricas e magnéticas, vai ao ovårio da flor feminina. Esta se abre, o recebe e produz. Não se suja e o rejeita depois, como vós fazeis, para poderdes gozar, no dia seguinte, da mesma sensação. Depois de produzir não floresce, até a próxima estação e, quando floresce, é para reproduzir.

Olhai os animais. Todos. JĂĄ vistes algum animal, macho ou fĂȘmea, ir um ao outro para algum abraço estĂ©ril, ou sĂł para algum encontro lascivo? NĂŁo. De perto ou de longe, voando, rastejando, pulando ou correndo, eles vĂŁo, quando chega a hora, ao rito fecundativo, e nĂŁo se subtraem a isso para ficarem sĂł no prazer, mas vĂŁo alĂ©m, vĂŁo atĂ© Ă s conseqĂŒĂȘncias sĂ©rias e santas, que conduzem Ă  geração da prole, o Ășnico escopo que, no homem, semideus pela origem da Graça que Eu restituĂ­ inteira, deveria fazĂȘ-lo aceitar a animalidade do ato necessĂĄrio, uma vez que descestes um grau no nĂ­vel do animal.

VĂłs nĂŁo fazeis como as plantas e os animais. VĂłs tivestes por mestre satanĂĄs, pois o escolhestes e o desejais. As obras que praticais sĂŁo dignas do mestre que quisestes ter. Mas, se tivĂ©sseis sido fiĂ©is a Deus, terĂ­eis tido santamente, sem dor, a alegria de filhos, sem vos esgotardes em cĂłpulas obscenas, indignas, que os prĂłprios animais nĂŁo conhecem, os animais que nĂŁo tĂȘm alma racional e espiritual.

Ao homem e à mulher, depravados por satanås, Deus quis opor o Homem nascido de mulher tão purificada por Deus, a ponto de poder gerå-Lo sem relação com homem. Flor que gera flor, sem necessidade de semente, mas apenas com o beijo do Sol sobre o cålice inviolado do Lírio que é Maria.

5.14 A desforra de Deus!

Solta os teus silvos de inveja, ó satanås, enquanto ela estå nascendo. Esta menina te venceu! Antes que tu fosses o Rebelde, o Tortuoso, o Corruptor, jå estavas vencido, e ela é a tua vencedora. Mil exércitos alinhados nada podem contra o teu poder, e contra as tuas couraças caem as armas das mãos dos homens, ó perene, e não hå vento que possa dispersar o mau cheiro do teu hålito. No entanto, este calcanharzinho de criança, tão rosado, que parece o interior de uma camélia também rosada, tão liso e tão macio que a seda é åspera comparado a ele, tão pequenino, que poderia caber no cålice de uma tulipa e uså-la como sapatinho, eis que ele te pisa sem medo, e te confina em teu antro. Eis que só o seu vagido jå te pÔe em fuga, a ti que não tens medo dos exércitos. O hålito dela purifica o mundo do teu fedor. Estås derrotado. Só o nome dela, só o seu olhar, só a sua pureza jå são uma lança, um fulgor de raio, uma enorme pedra que te transpassam, que te abatem, que te aprisionam no teu covil do inferno, ó Maldito, que tiraste a Deus a alegria de ser Pai de todos os homens criados.

Foi inĂștil, pois, teres corrompido os que haviam sido criados inocentes, levando-os a conhecer e a conceber sinuosidades da luxĂșria, privando Deus, de ser o doador dos filhos, em suas diletas criaturas, dando-lhes regras que, se respeitadas, teriam mantido sobre a terra um equilĂ­brio entre os sexos e as raças, capaz de evitar guerras entre os povos e desventuras entre famĂ­lias.

Obedecendo, teriam conhecido o amor. SĂł obedecendo, teriam conhecido e conservado o amor. Uma posse plena e tranqĂŒila desta emanação de Deus, que do sobrenatural desce ao inferior, para que tambĂ©m a carne se alegre santamente, esta que estĂĄ ligada ao espĂ­rito, criada por Aquele que criou o espĂ­rito.

Agora, o vosso amor, Ăł homens, os vossos amores o que sĂŁo? Ou libidinagem vestida de amor, ou medo insanĂĄvel de perder o amor do cĂŽnjuge, seja pela libidinagem prĂłpria, ou alheia. JĂĄ nĂŁo estais mais seguros quanto Ă  posse do coração do esposo ou da esposa, desde quando a libidinagem entrou neste mundo. Tremeis, chorais e tornais-vos loucos de ciĂșmes, atĂ© assassinos, Ă s vezes, para vingar alguma traição, desesperados, ou entĂŁo abĂșlicos e atĂ© dementes.

Eis o que fizeste, satanås, aos filhos de Deus. Estes, que corrompeste, teriam conhecido a alegria de ter filhos sem sentirem dor, a alegria de nascer sem o medo de morrer. Mas agora estås vencido em uma mulher e por uma mulher. De agora em diante, quem a amar, tornarå a ser de Deus, superando as tuas tentaçÔes, para poder imitar a sua pureza imaculada. De agora em diante, não mais podendo conceber sem dor, as mães a terão para o seu conforto. De agora em diante, as esposas a terão por guia e os moribundos por mãe, sendo doce para eles morrer sobre aquele seio, que é um escudo contra ti, oh Maldito, e proteção, diante do julgamento de Deus.

Maria, minha cara interlocutora, viste o nascimento do Filho da virgem e o nascimento da virgem no CĂ©u. Viste, pois, que para os sem culpa Ă© desconhecido o castigo de dar a vida e tambĂ©m o sofrimento de dar-se Ă  morte. Mas, se Ă  inocentĂ­ssima mĂŁe de Deus foi reservada a perfeição dos dons celestes, a todos, que tivessem permanecido inocentes e filhos de Deus, teria sido possĂ­vel gerar sem dor e morrer sem afĂŁ, por justiça de terem sabido unir-se e conceber sem luxĂșria.

A sublime desforra de Deus sobre a vingança de satanĂĄs foi a de elevar a perfeição da criatura dileta a uma super-perfeição, capaz de anular, ao menos nela, toda lembrança de humanidade, que fosse suscetĂ­vel ao veneno de satanĂĄs, e para a qual, nĂŁo de um casto abraço de homem, mas de um divino amplexo, que empalidece o espĂ­rito num ĂȘxtase de Fogo, lhe teria vindo o Filho.

5.15 A virgindade da Virgem!


Vem. Medita nesta virgindade profunda, que produz em quem a contempla vertigens de abismo! O que Ă© a pobre virgindade forçada da mulher que por nenhum homem foi desposada? É menos do que nada. O que Ă© a virgindade daquela que quer ser virgem, para ser de Deus, mas sabe sĂȘ-lo sĂł no corpo e nĂŁo no espĂ­rito, no qual deixa entrar muitos pensamentos estranhos, acaricia e aceita as carĂ­cias de pensamentos humanos? Isto jĂĄ começa a ser uma mĂĄscara de virgindade, mas muito pouco ainda. O que Ă© a virgindade de uma enclausurada, que vive sĂł para Deus? É muito. Mas, mesmo assim, ainda nĂŁo Ă© uma virgindade perfeita, se comparada com a virgindade da minha mĂŁe.

Sempre existiu um enlace, atĂ© mesmo no mais santo. O enlace da origem, entre o espĂ­rito e a Culpa. SĂł o Batismo o desfaz. Mas, Ă© como uma mulher separada do marido pela morte, nĂŁo restitui mais em si a virgindade total, como a virgindade dos nossos Primeiros, antes do Pecado. Uma cicatriz permanece, e dĂłi ao ser lembrada, e estĂĄ sempre pronta para reabrir-se em ferida, como certas doenças que periodicamente voltam com seus vĂ­rus, ainda mais ativos. Na virgem nĂŁo fica esse sinal de um enlace dissolvido com a Culpa. Sua alma apresenta-se bonita e intacta, como quando estava na mente do Pai, e reĂșne em Si todas as Graças.

É a virgem, a Ășnica, a perfeita, a completa, foi assim pensada, gerada, querida, coroada. É eternamente a virgem, o abismo da intocabilidade, da pureza, da graça que se perde no Abismo do qual brotou: em Deus, intangibilidade, pureza e graça perfeitĂ­ssima.

AĂ­ estĂĄ a desforra do Deus Trino e Uno. Contra suas criaturas profanadas, Ele ergue esta Estrela de perfeição. Contra a curiosidade doentia, esta se esquiva, recompensada em poder amar somente a Deus. Contra a ciĂȘncia do mal, esta sublime ignorante. Nela nĂŁo existe somente a ignorĂąncia do que Ă© um amor aviltado; nĂŁo hĂĄ tambĂ©m somente a ignorĂąncia do amor que Deus havia dado aos esposos. E ainda mais. Nela hĂĄ a ignorĂąncia das concupiscĂȘncias, herança do pecado. Nela hĂĄ somente a sabedoria gĂ©lida, mas incandescente, do Amor divino. Fogo que protege de gelo a carne, para que se torne espelho transparente no altar onde um Deus desposa uma virgem, e nĂŁo se avilta, porque sua Perfeição abraça aquela que, como convĂ©m a uma esposa, sĂł em um ponto Ă© inferior ao esposo, sendo-lhe sujeita por ser mulher, mas Ă© sem mancha, como Ele.

Detalhe

Ditado sobre a Imaculada Conceição, a conceção de Maria e a sua virgindade.

Palavras-chave

EMF 6.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.6 Jesus diz:

– SalomĂŁo faz a Sabedoria dizer: “Quem Ă© criança, venha a mim.” Na verdade, Ă© da fortaleza e dos muros de sua cidade que a eterna Sabedoria dizia Ă  eterna menina: “Vem a mim.” Ansiava por tĂȘ-la.

Mais tarde, o Filho desta purĂ­ssima menina dirĂĄ: “Deixai vir a Mim os pequeninos, porque deles Ă© o Reino dos CĂ©us, e quem nĂŁo se tornar semelhante a eles, nĂŁo terĂĄ parte no meu Reino.” As vozes se perseguem e, enquanto a voz do CĂ©u grita Ă  pequena Maria: “Vem a Mim”, a voz do Homem pensa em sua mĂŁe, ao dizĂȘ-lo: “Vinde a Mim, se souberdes ser pequeninos.”

Dou-vos um modelo em minha mĂŁe.

Eis a perfeita criança, do coração de pomba, simples e puro, eis Aquela que os anos e os contatos do mundo não conseguem embrutecer pela barbårie de um espírito corrompido, tortuoso, mentiroso. Porque Ela não quer este espírito. Vinde a Mim, olhando para Maria.

6.7 Tu, que a estĂĄs vendo, diz-me: o seu olhar de criança Ă© muito diferente do olhar com que a viste aos pĂ©s da Cruz, na alegria do Pentecostes, na hora em que suas pĂĄlpebras desceram sobre seus olhos de gazela para o seu Ășltimo sono? NĂŁo. Aqui estĂĄ o olhar incerto e espantado da criança; mais tarde serĂĄ o olhar espantado e verecundo da Anunciada; mais tarde ainda, o olhar feliz da mĂŁe de BelĂ©m; depois, o olhar de adoradora da minha primeira e sublime discĂ­pula; depois ainda, o olhar dilacerado da atormentada no GĂłlgota; depois, o olhar radiante da Ressurreição e Pentecostes; e, por fim, o olha­r velado do sono extĂĄtico da Ășltima visĂŁo. Mas, seja que se abra Ă s primeiras vistas, seja que se feche cansado sobre a Ășltima luz, depois de ter visto tanta alegria e tanto horror, o olho Ă© sereno, puro, plĂĄcido, nesga de cĂ©u que brilha sempre de modo igual, sob a fronte de Maria. Ira, mentira, soberba, luxĂșria, Ăłdio, curiosidade, nunca o sujam com suas nuvens de fumaça.

É o olho que olha para Deus com amor, tanto quando chora, como quando ri. Por amor de Deus acaricia e perdoa, tudo suportando. Por amor ao seu Deus se torna inatacĂĄvel aos assaltos do Mal, que muitas vezes se serve dos olhos para penetrar no coração. O olha­r puro, repousante, benevolente, que tĂȘm os puros, os santos, os enamorados de Deus.

Eu disse: “A luz do teu corpo sĂŁo os teus olhos. Se os olhos sĂŁo puros todo o teu corpo estarĂĄ iluminado. Mas se os olhos sĂŁo turvos, toda a tua pessoa estarĂĄ em trevas.” Os santos tiveram esse olho que Ă© luz para o espĂ­rito e salvação para a carne, porque como Maria, durante toda a sua vida, nĂŁo olharam senĂŁo para Deus. Ao contrĂĄrio, eles sempre se lembraram de Deus.

Explicarei a ti, pequena voz, qual é o sentido desta minha pala­vr­a.

Anotação

Mais tarde, o Filho da Criança diria: "Deixai vir a mim as criancinhas, porque delas é o reino dos céus; quem não for como elas não tem parte no meu reino. "Jesus disse isto na EMV 378.8 e em Mateus 19, 14-15, Marcos 10, 13-14 e Lucas 18, 15-17.

Eu disse-o em Mateus 6,22-23(EMV 174,9) e em Lucas 11,34-35(EMV 413,7).

Evangelho de Mateus 6, 22-23 e 19, 14-15

Mt 6,22-23: A lĂąmpada do corpo Ă© o olho. Se o teu olho for saudĂĄvel, todo o teu corpo estarĂĄ na luz; mas se o teu olho for mau, todo o teu corpo estarĂĄ nas trevas. Portanto, se a luz que hĂĄ em ti sĂŁo trevas, quĂŁo grandes serĂŁo as trevas!

Mt 19, 14-15 : Jesus disse-lhes: "Deixai estas crianças e não as impeçais de vir ter comigo, porque o Reino dos Céus é para aqueles que são como elas. "15 E, impondo-lhes as mãos, continuou o seu caminho.

Evangelho de Lucas 11, 34-35 e 18, 15-17

Lc 11,34-35 : A lùmpada do vosso corpo é o vosso olho. Se o teu olho for são, todo o teu corpo estarå na luz; se for mau, também o teu corpo estarå nas trevas.

Lc 18, 15-17 : Algumas pessoas trouxeram-lhe também as suas criancinhas, para que ele lhes tocasse. Quando os discípulos viram isso, repreenderam-nos. Mas Jesus chamou as crianças para junto de si e disse: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus pertence àqueles que são como elas. Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrarå nele. "

Evangelho de Marcos 10, 13-14

Mc 10,13-14 : Traziam-lhe as criancinhas para que ele as tocasse. Mas os discípulos repreendiam os que as traziam. Jesus, vendo isso, indignou-se e disse-lhes: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos Céus pertence aos que são semelhantes a elas".

Palavras-chave

EMF 7.7-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– JĂĄ estou ouvindo os comentĂĄrios dos doutores, em suas ironias maliciosas, dizendo: “Como Ă© que pode uma menina, que nĂŁo tem ainda nem trĂȘs anos, falar coisas assim? Isso Ă© um exagero.” E nĂŁo refletem que me tornam monstruoso, alterando a minha infĂąncia, atribuindo-me atos de adulto.

A inteligĂȘncia nĂŁo se manifesta em todos do mesmo modo e na mesma idade. A Igreja marcou a idade de seis anos como a idade em que começa a responsabilidade das açÔes, porque essa Ă© a idade na qual atĂ© um retardado Ă© capaz de distinguir o bem do mal, pelo menos de modo rudimentar. Mas hĂĄ crianças que muito antes sĂŁo capazes de discernir, entender e querer, usando de uma razĂŁo jĂĄ suficientemente desenvolvida. A pequena Imelde Lambertini, Rosa de Viterbo, Nellie Organ, Nennolina, vos sirvam de base, Ăł doutores difĂ­ceis, para crerdes que minha mĂŁe podia pensar e falar assim. NĂŁo citei mais do que quatro nomes por acaso, no meio de milhares de santas crianças que povoam o meu ParaĂ­so, depois de terem raciocinado como adultos sobre a terra, umas com mais, outras com menos idade.

7.8

Qual Ă© a razĂŁo? Um dom de Deus. Portanto, Deus o pode dar na medida que quiser, a quem quiser e quando quiser. A razĂŁo Ă© uma das coisas que mais vos tornam semelhantes a Deus, EspĂ­rito inteligente e raciocinante. A razĂŁo e a inteligĂȘncia foram graças dadas por Deus ao homem no ParaĂ­so terrestre. Quanto elas eram vivas, junto com a graça ainda intacta, operando no espĂ­rito de nossos dois Primeiros Pais!

No livro de Jesus Bar Sirac estĂĄ escrito[5]: “Toda sabedoria vem do Senhor Deus, e sempre esteve com Ele, mesmo antes dos sĂ©culos.” Quanta sabedoria teriam, entĂŁo, os homens, se tivessem permanecido filhos de Deus?

As lacunas em vossas inteligĂȘncias sĂŁo o fruto natural do vosso decaimento da graça e da honestidade. Perdendo a Graça, vĂłs vos afastastes, por sĂ©culos, da Sabedoria. Como os meteoros, que se escondem atrĂĄs de uma nebulosidade de muitos quilĂŽmetros, a Sabedoria nĂŁo chegou mais atĂ© vĂłs com os seus nĂ­tidos fulgores, mas somente atravĂ©s de um nevoeiro, que as vossas prevaricaçÔes foram tornando cada vez mais graves.

Depois veio o Cristo, e vos deu a Graça, dom supremo do amor de Deus. Mas, vĂłs sabeis guardar esta gema tĂŁo lĂ­mpida e pura? NĂŁo. Quando nĂŁo a destruis com a vossa vontade individual de pecado, a sujais com contĂ­nuas culpas menores, as vossas fraquezas, as vossas simpatias para com o vĂ­cio, e tambĂ©m aquelas simpatias que nĂŁo chegam ainda a ser verdadeiros casamentos com o vĂ­cio septiforme, mas, sĂŁo um enfraquecimento da luz da Graça e de sua atividade. Depois, tivestes sĂ©culos e sĂ©culos de cor­rupçÔes, para enfraquecer ainda mais a magnĂ­fica luz da inteligĂȘncia que Deus havia dado aos Primeiros, corrupçÔes que se repercutem como nocivas sobre o fĂ­sico e sobre a mente.

7.9

Maria porém era não somente a Pura, a nova Eva, criada de novo para a alegria de Deus: era a super-Eva, a Obra-Prima do Altíssimo, a cheia de graça, a mãe do Verbo na mente de Deus.

“O Verbo Ă© a Fonte da Sabedoria”, diz Jesus Bar Sirac. O Filho, entĂŁo, nĂŁo terĂĄ posto a sua sabedoria sobre os lĂĄbios da prĂłpria mĂŁe?

Se a um profeta[6] foi-lhe purificada a boca com carvÔes ardentes, porque devia dizer aos homens as palavras que o Verbo, a Sabedoria, lhe confiava, não terå o Amor à sua esposa ainda menina, mas que um dia iria trazer em si a Palavra, a linguagem limpa e exaltada, não terå este Amor feito com que ela não falasse mais como menina, nem mais tarde, como mulher, mas somente e sempre como uma criatura celeste, unida à grande luz e sabedoria de Deus?

O milagre nĂŁo estĂĄ em uma inteligĂȘncia superior, demonstrada por Maria em sua idade infantil, como depois aconteceu Comigo. Mas o milagre estĂĄ em poder conter em si a InteligĂȘncia infinita, que nela habitava, dentro dos diques preparados para nĂŁo assombrar as multidĂ”es e nĂŁo despertar a atenção satĂąnica.

Ainda voltarei a falar sobre este assunto, que reaparece sempre naquele “lembrar-se” de Deus, que Ă© prĂłprio dos Santos.

Detalhe

Ditado depois de Maria ter assistido a um episĂłdio da infĂąncia de Maria, em que esta mostra uma inteligĂȘncia viva e recorda textos bĂ­blicos que conta como se tivesse estado lĂĄ. Ana exclama: "Como Ă© que tu sabes estas coisas santas? Quem te ensinou? O teu pai?" "NĂŁo. NĂŁo sei quem foi. Sinto-me como se sempre as tivesse sabido. Mas se calhar Ă© alguĂ©m que as diz, mas eu nĂŁo vejo. Talvez seja um dos anjos que Deus envia para falar Ă s pessoas boas. E Jesus comenta este episĂłdio.

Palavras-chave

EMF 8.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– O Sumo Sacerdote havia dito: “Caminha em minha presença, e sĂȘ perfeita.” Ele nĂŁo sabia que estava falando Ă  mulhe­r que era inferior em perfeição sĂł a Deus. Mas ele falava em nome de Deus e, por isso, sua ordem era sagrada. Sempre sagrada, especialmente quando dada Ă quela que Ă© cheia de sabedoria.

Maria havia merecido que a “Sabedoria fosse ao seu encontro mostrando-se primeiro a ela”, porque, “desde o começo de sua vida, tinha ficado vigiando à sua porta, desejando instruir-se por amor, quis ser pura para conseguir o perfeito amor e merecer ter a sabedoria por mestra”.

Em sua humildade, nĂŁo sabia que a possuĂ­a desde antes de nascer, e que sua uniĂŁo com a Sabedoria nĂŁo era outra coisa, senĂŁo a continuação das divinas palpitaçÔes do ParaĂ­so. Ela nem podia imaginar isso. E, quando, no silĂȘncio do coração, Deus lhe dizia palavras sublimes, Ela humildemente pensava que fossem pensamentos de orgulho, e, elevando a Deus seu coração inocente, suplicava: “Tem piedade de tua serva, Senhor!”

Oh! É bem verdade que a verdadeira sĂĄbia, a virgem eterna, teve um sĂł pensamento, desde a aurora do seu dia: “Dirigir a Deus o seu coração, desde a manhĂŁ de sua vida, estando atenta Ă  vontade do Senho­r, orando diante do AltĂ­ssimo”, pedindo perdĂŁo pela fraqueza do seu coração, como sua humildade lhe sugeria, sem saber que estava antecipando os apelos de perdĂŁo que haveria de fazer pelos pecadores, aos pĂ©s da Cruz, em companhia de seu Filho, quase morto.

“Quando, pois, o Senhor o quiser, ela ficarĂĄ cheia do EspĂ­rito de inteligĂȘncia”, compreendendo, entĂŁo, sua sublime missĂŁo. Por enquanto, nĂŁo Ă© senĂŁo uma pequenina que, na sagrada paz do Templo, abraça, tornando mais estreitos com Deus, os laços de seus colĂłquios, de seus afetos e de suas recordaçÔes.

Isto Ă© para todos.

8.8 Mas para ti, pequena Maria, nĂŁo terĂĄ nada em particular para dizer-te o teu Mestre? “Caminha na minha presença: e portanto sĂȘ perfeita.” Modifico ligeiramente a frase sagrada fazendo dela uma ordem para ti: sĂȘ perfeita no amor, na generosidade, no sofrer.

Olha uma vez mais para minha mãe. E medita sobre aquilo que tantos ignoram ou querem ignorar, porque a dor é uma matéria por demais dura para o seu paladar e o seu espírito. A dor. Maria teve-a desde as primeiras horas da vida. Ser perfeita assim era possuir uma sensibilidade também perfeita. Portanto mais agudo ainda devia ser o seu sacrifício, sendo, então, mais meritório também. Quem possui pureza, possui amor, quem possui amor possui sabedoria, quem possui sabedoria, possui generosidade e heroísmo, porque sabe o motivo pelo qual se sacrifica.

Eleva para o alto o teu espírito, mesmo quando a cruz te perturba, te estraçalha, te mata. Deus estå contigo.

Detalhe

Ditado após a entrada de Maria no Templo de Jerusalém.

Palavras-chave

EMF 9.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

9.1 Jesus diz:

– Como um rĂĄpido crepĂșsculo de inverno, no qual o vento forte com neve acumula nuvens pelo cĂ©u, assim, a vida dos meus avĂłs conheceu rapidamente o chegar da noite, depois que o sol deles se deteve, brilhando na sagrada cortina do Templo.

9.2 Mas, foi dito: “A Sabedoria inspira vida aos seus filhos, toma sob a sua proteção os que a procuram
 Quem ama a sabedoria, ama a vida, e quem fica vigilante para adquiri-la, haverĂĄ de gozar de sua paz. Quem a possui, terĂĄ como herança a vida
 Quem a serve, obedecerĂĄ ao Santo, sendo muito amado por Deus
 Se crer nela, a terĂĄ por herança, confirmada pelos seus descendentes, porque ela o acompanha nas provaçÔes. Antes de tudo, o escolhe, depois enviarĂĄ sobre ele todos os temores, medos e provaçÔes, atormentando-o com o açoite de sua disciplina, para provĂĄ-lo em seus pensamentos e adquirir confiança nele. Depois lhe darĂĄ estabilidade, voltando a ele por um caminho reto e o farĂĄ contente. Ela lhe descobrirĂĄ os seus segredos, porĂĄ nele tesouros de ciĂȘncia e de inteligĂȘncia, que se manifestarĂŁo em obras de justiça.”

Sim, tudo isso foi dito. Os livros sapienciais sĂŁo aplicĂĄveis a todos os homens que neles encontram um espelho para o seu comportamento e sua guia. Mas felizes aqueles que podem ser identificados entre os amantes espirituais da Sabedoria.

Eu me fiz rodear de såbios, que foram meus parentes mortais. Ana, Joaquim, José, Zacarias e ainda mais, Isabel, e depois o Batista. Acaso não são eles verdadeiros såbios? Não falo de minha mãe, na qual a Sabedoria fez sua morada.

9.3 Da juventude atĂ© o tĂșmulo, a sabedoria tinha inspirado uma vida agradĂĄvel a Deus aos meus avĂłs, protegendo-os do perigo de pecar, como uma tenda que protege da fĂșria dos elementos. O santo temor de Deus Ă© base para a planta da sabedoria, a qual lança todos os seus ramos, atĂ© atingir, no seu vĂ©rtice, o amor tranqĂŒilo, na sua paz, o amor pacĂ­fico, na sua segurança, o amor seguro, na sua fidelidade, o amor fiel, na sua intensidade, enfim, o amor total, generoso e ativo dos santos.

“Quem ama a sabedoria, ama a vida, e terá a Vida como herança”, diz o Eclesiástico. Isto está ligado à minha Palavra: “Aquele que perder a vida por amor de Mim, salvá-la-á.” Porque não se trata da pobre vida desta terra e, sim, da vida eterna; não se trata das alegrias de um momento, mas das alegrias imortais.

Foi neste sentido que Joaquim e Ana amaram a sabedoria. E ela esteve com eles nas provaçÔes.

Quantas provaçÔes! VĂłs que, por nĂŁo serdes completamente maus, desejarĂ­eis nĂŁo ter nunca que chorar e sofrer! Imaginem, estes justos quantas dessas provaçÔes tiveram, embora merecessem ter Maria por filha! A perseguição polĂ­tica que os expulsou da terra de Davi, empobrecendo-os grandemente. A tristeza de ver reduzir-se a nada os anos que iam passando, sem que uma flor lhes dissesse: “Eu serei a vossa continuação.” E, depois, o receio de tĂȘ-la conseguido jĂĄ na idade em que nĂŁo tinham nenhuma certeza de chegarem a vĂȘ-la mulher. AlĂ©m disso, o dever que teriam de cumprir, de afastĂĄ-la de seus coraçÔes, para a colocarem sobre o altar de Deus. Ainda mais: tiveram que viver num silĂȘncio bem mais pesado; depois de estarem jĂĄ habituados com o arrulhar de sua pombinha, com o rumor de seus passinhos, os sorrisos e beijos de sua filhinha, ficaram agora esperando apenas, por entre recordaçÔes, a hora de Deus. E muitas outras coisas. Doenças, calamidades do tempo, prepotĂȘncia dos poderosos, quantos duros golpes assestados contra o frĂĄgil castelo de sua modesta propriedade. E ainda nĂŁo basta. O sofrimento da filha, que estĂĄ longe deles, que vai ficar sozinha e pobre, apesar de todos os cuidados e sacrifĂ­cios, nĂŁo tendo mais do que as sobras dos bens paternos. Como irĂĄ esta filha encontrar essas sobras, se ficarem por muitos anos sem serem cultivadas, imobilizadas, Ă  sua espera? Temores, medo, provaçÔes e tentaçÔes. E fidelidade, fidelidade, fidelidade sempre, a Deus.

9.4

E a tentação mais forte: que nĂŁo se lhes negasse o conforto de terem sua filha junto a eles quando jĂĄ estivessem bem idosos. Mas, os filhos sĂŁo de Deus, antes de serem dos pais. E cada filho pode dizer isto que Eu disse[3] Ă  minha mĂŁe: “NĂŁo sabes que Eu devo tratar dos interesses do Pai do CĂ©u?” E cada mĂŁe, cada pai deve aprender o que fazer, olhando Maria e JosĂ© no Templo, ou Ana e Joa­quim na sua casa de NazarĂ©, cada vez mais despojada e mais triste, embora possua algo que nĂŁo diminui nunca, crescendo sempre mais: a santidade de dois coraçÔes, a santidade de um casamento.

O que resta a Joaquim, já enfermo, e o que resta à sua sofredora esposa, nas longas e silenciosas tardes de velhos a caminho da morte? Os vestidinhos, as primeiras sandalinhas, os pobres brinquedos de sua pequenina, que agora está longe deles, e sempre as lembranças. E, com as lembranças, uma paz que lhes nasce no coração, quando cada um pode dizer: “Estou sofrendo, mas cumpri o meu dever de amor para com Deus”.

Estamos, pois, diante de uma alegria sobrehumana, que brilha com uma luz celestial, desconhecida aos filhos do mundo, e que nĂŁo perde o brilho ao cair, como pĂĄlpebra pesada sobre dois olhos moribundos, mas que, na sua Ășltima hora, resplende ainda mais, evidenciando verdades ocultas durante toda a vida, fechadas como borboletas em seus casulos, que sĂł davam sinal de sua presença por movimentos suaves, enquanto que agora podem abrir suas asas douradas, mostrando as palavras que as adornam. A luz de suas vidas vai-se apagando no conhecimento de um futuro feliz para eles e para sua estirpe, com um louvor ao nome do Senhor sobre os lĂĄbios.

9.5

Assim foi a morte dos meus avós, justamente pela santa vida que tiveram. Por sua santidade eles mereceram ser os primeiros guardiães da amada de Deus, e, somente quando um sol maior se mostrou no ocaso de suas vidas, eles entenderam claramente a graça que Deus lhes havia concedido.

Por sua santidade, Ana nĂŁo passou pelos sofrimentos da mulher[4] que dĂĄ Ă  luz, mas, sim, pelo ĂȘxtase de quem trazia consigo aquela que Ă© a sem culpa. Para os dois nĂŁo houve afliçÔes de agonia, mas uma languidez que foi-se desvanecendo, assim como docemente vai-se apagando uma estrela, Ă  medida que o sol vem surgindo com a aurora. Eles nĂŁo tiveram o conforto de ter-me consigo, Sabedoria Encarnada, como pĂŽde JosĂ©; no entanto, Eu era a invisĂ­vel Presença que, inclinada sobre o travesseiro deles, fazendo-os adormecer em paz, na esperança do triunfo, lhes dizia sublimes palavras.

HĂĄ quem diga: “Por que nĂŁo tiveram que sofrer para gerar, nem para morrer, sendo eles tambĂ©m filhos de AdĂŁo?” Eu respondo: “O Batista foi prĂ©-santificado sĂł por ter chegado perto de Mim, quando estava no ventre de sua mĂŁe, tendo sido ele tambĂ©m filho de AdĂŁo, concebido com o pecado original; nĂŁo teria recebido nenhuma graça a santa mĂŁe daquela que nĂŁo teve mancha, preservada por Deus, por trazer o prĂłprio Deus no seu espĂ­rito quase divino e no seu coração embrionĂĄrio, sem nunca de Deus se separar, desde que foi pensada pelo Pai, concebida num ventre, tornando a possuir Deus plenamente no cĂ©u por uma eternidade gloriosa?” E ainda respondo: “A reta consciĂȘncia dĂĄ uma morte serena, e as oraçÔes dos santos vos alcançam tal morte.”

Joaquim e Ana deixaram atrĂĄs de si uma vida inteira vivida numa consciĂȘncia reta, que surge entĂŁo como plĂĄcido panorama, servindo-lhes de guia para o CĂ©u. Eles tinham a santa, em oração pelos seus pais que estavam longe, diante do TabernĂĄculo de Deus, pais colocados por ela em segundo lugar depois de Deus, que Ă© o Bem supremo, mas que eram amados, como a lei e o sentimento o exigiam, com um amor sobrenaturalmente perfeito.

Anotação

Livro de Ben Sira, o SĂĄbio 4, 11-18

Si 4, 11-18 : A sabedoria conduz os seus filhos Ă  grandeza, cuida dos que a procuram. AmĂĄ-la Ă© amar a vida; aqueles que a procuram desde a aurora serĂŁo cheios de felicidade; aquele que a possui herdarĂĄ a glĂłria; onde ele entra, o Senhor dĂĄ a sua bĂȘnção.

Os que adoram a sabedoria celebram o Deus santo; os que a amam sĂŁo amados pelo Senhor; quem a escuta julgarĂĄ as naçÔes; quem a ela se apega estarĂĄ seguro na sua morada. Se ele confiar nela, possuĂ­-la-ĂĄ, e toda a sua descendĂȘncia a herdarĂĄ.

No inĂ­cio, ela conduzi-lo-ĂĄ por caminhos tortuosos, farĂĄ com que ele tenha medo e apreensĂŁo; atormentĂĄ-lo-ĂĄ com a severidade da sua educação, atĂ© que possa confiar nele; pĂŽ-lo-ĂĄ Ă  prova com as suas exigĂȘncias. Depois, voltarĂĄ diretamente para ele e enchĂȘ-lo-ĂĄ de felicidade ao revelar-lhe os seus segredos.

Cada filho pode dizer o que eu disse à minha Mãe: "Não sabes que tenho de cuidar dos interesses do Pai que estå nos Céus?" Em Lucas 2, 49 (cf. EMV 41.12).

Palavras-chave

EMF 10.8-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Maria se recordava de Deus. Sonhava com Deus. Pensava estar sonhando. NĂŁo fazia mais do que rever tudo o que o seu espĂ­rito havia visto no fulgor do CĂ©u de Deus, no momento em que tinh­a sido criada, para ser unida Ă  carne concebida na terra. Ela partilhava uma das propriedades de Deus ainda que de modo bem menor, como exigia a justiça. Assim, ela tinha a faculdade de recordar, ver e prever por atributo de uma inteligĂȘncia poderosa e perfeita, nĂŁo lesada pela Culpa.

10.9 O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Uma das semelhanças estå na sua possibilidade de recordar, ver e prever, através do espírito. Isto explica também a faculdade de ver o futuro. Muitas vezes, esta faculdade aparece, pela vontade de Deus, de modo direto, outras vezes, vem pela lembrança, que se ergue, como o sol da manhã, iluminando um determinado ponto do horizonte dos séculos, como é visto no seio de Deus.

Estes são mistérios altos demais, para que os possais compreender plenamente. Mas, pensai.

Aquela InteligĂȘncia suprema, aquele Pensamento que tudo sabe, aquela Vista que tudo vĂȘ, que vos criou por um ato de sua vontade, com um sopro de Seu infinito amor, fazendo-vos filhos Seus, por origem, filhos Seus tambĂ©m pela meta a que fostes destinados, poderĂĄ Ele, por acaso, dar-vos algo sem ser Ele mesmo? Ele vo-lo dĂĄ em uma medida infinitamente pequena, porque nunca uma criatura poderia ter a capacidade do seu Criador. Mas a medida que vos dĂĄ, ainda que em sua infinita pequenez, Ă© perfeita e completa.

Que tesouro de inteligĂȘncia Deus deu ao homem AdĂŁo! A culpa, certamente, diminuiu essa inteligĂȘncia, mas o Meu sacrifĂ­cio reintegra o homem, e abre para vĂłs os fulgores da InteligĂȘncia, os seus canais, a sua ciĂȘncia. Oh! Que sublimidade tem a mente humana, unida a Deus pela Graça, participando da Sua capacidade de conhecer!
 A mente humana unida a Deus pela Graça.

NĂŁo existe outro modo. Os curiosos de segredos ultra-humanos que pensem nisso. Todo conhecimento que nĂŁo proceda de uma alma em estado de graça — e nĂŁo estĂĄ em graça quem estĂĄ contra a Lei de Deus, tĂŁo clara em suas ordens — sĂł pode provir de SatanĂĄs. Dificilmente satanĂĄs corresponde Ă  verdade em tudo o que se refere a assuntos humanos, e nunca corresponde Ă  verdade no que se refere ao sobrenatural, porque o demĂŽnio Ă© pai da mentira, conduzindo-vos consigo aos cami­nho­s da mentira. NĂŁo hĂĄ nenhum outro mĂ©todo para conhecer a verdade, senĂŁo o mĂ©todo de Deus, o qual fala, diz ou faz lembrar, assim como um pai que faz um filho recordar-se da casa paterna, ao dizer: “EstĂĄs lembrado de quando Comigo fazias isto, vias aquilo, ou ouvias aquilo outro? EstĂĄs lembrado de quando recebias o meu beijo de despedida? Lembras-te de quando me viste pela primeira vez, o sol fulgurante do meu rosto sobre a tua alma virgem, que tinha acabado de ser criada, e estava ainda limpa do marasmo, que mais tarde te diminuiu e degradou, quando mal acabavas de sair de Mim? Lembras-te ainda de quando chegaste a compreender, em um sobressalto de amor, o que Ă© o Amor? Qual Ă© o mistĂ©rio do nosso Ser e da nossa ProcedĂȘncia?” AtĂ© onde a capacidade limitada do homem em estado de graça nĂŁo consegue chegar, vem o EspĂ­rito falar-lhe e ensinar-lhe.

Contudo, para o homem possuir o EspĂ­rito, Ă© necessĂĄria a Graça. Para possuir a Verdade e a CiĂȘncia, Ă© necessĂĄria a Graça. Para o homem ter o Pai, Ă© necessĂĄria a Graça. A Graça Ă© a Tenda em que as TrĂȘs Pessoas fazem a sua morada, Ă© o PropiciatĂłrio sobre o qual pousa o Eterno, e fala, nĂŁo mais de dentro da nuvem, mas revelando sua Face ao filho fiel. Os santos se recordam de Deus, das palavras ouvidas da Mente criadora e que a Bondade ressuscita em seus coraçÔes, para elevĂĄ-los, como ĂĄguias, Ă  contemplação do Verdadeiro e ao conhecimento do Tempo.

10.10 Maria era a cheia de Graça. Toda a Graça, una e trina estava nela, toda a Graça una e trina a preparava como esposa para as nĂșpcias. Preparava-a como o leito nupcial para a prole, divinizando-a para a sua maternidade e missĂŁo. Ela Ă© a que vem concluir o ciclo das profetisas do Antigo Testamento, e abre o ciclo dos “porta-vozes de Deus”, no Novo Testamento.

Arca da verdadeira Palavra de Deus, olhando em seu seio eternamente inviolado, Maria descobria as palavras da ciĂȘncia eterna, traçadas pelo dedo de Deus em seu coração imaculado, e se recordava, como todos os Santos, tĂȘ-las jĂĄ ouvido, quando gerada com o seu espĂ­rito imortal de Deus Pai, criador de toda vida. E, se nĂŁo se recordava de tudo, a respeito de sua futura missĂŁo, Ă© porque em toda perfeição humana, Deus deixa algumas lacunas, por divina prudĂȘncia, que Ă© bondade e merecimento, em favor da criatura.

Como uma segunda Eva, Maria precisou conquistar a sua parte de merecimento, ao ser a mĂŁe de Cristo, com uma fiel boa vontade, que Deus quis ter atĂ© em seu Cristo, para fazĂȘ-lo Redentor.

O espírito de Maria estava no Céu. Sua personalidade e sua carne estavam na terra, devendo pisar terra e carne, para chegar ao espírito e uni-lo ao Espírito, num abraço fecundo.

Palavras-chave

EMF 13.8-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.8 Jesus diz:

– Que Ă© que diz o livro da Sabedoria, cantando os louvores dela? “Na sabedoria estĂĄ, de fato, o espĂ­rito da inteligĂȘncia, santo, Ășnico, multĂ­plice, sutil.” E continua enumerando os dotes dela, para terminar o perĂ­odo com estas palavras: “
 que tudo pode, tudo prevĂȘ, que compreende todos os espĂ­ritos, inteligente, puro, sutil. A sabedoria penetra com sua pureza, Ă© um vapor da virtude de Deus
 por isso nada hĂĄ de impuro
 imagem da bondade de Deus. Mesmo sendo Ășnica, tudo pode, imutĂĄvel, renova todas as coisas, comunica-se Ă s almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas.”

13.9 Tu viste como JosĂ©, nĂŁo por uma cultura humana, mas por uma instrução sobrenatural, sabe ler no livro selado da virgem imaculada, e como ele se aproxima das verdades profĂ©ticas com a sua “visĂŁo” de um mistĂ©rio sobre-humano, no qual os outros viam apenas uma virtude. Impregnado dessa sabedoria, que Ă© vapor da virtude de Deus, e uma certa emanação do Onipotente, ele se dirige com espĂ­rito seguro no mar desse mistĂ©rio de graça que Ă© Maria, aprofunda-se com ela em conversaçÔes espirituais, nas quais, mais do que com os lĂĄbios, sĂŁo seus dois espĂ­ritos que falam um ao outro, no sagrado silĂȘncio das almas, onde sĂł Deus ouve as vozes, e sĂł as percebem aqueles que sĂŁo agradĂĄveis a Deus, porque sĂŁo seus servos fiĂ©is, e Dele estĂŁo plenos.

A sabedoria do justo, que aumenta pela uniĂŁo e proximidade daquela que Ă© a toda graça, prepara-o para penetrar nos segredos mais altos de Deus, e para poder cuidar e defendĂȘ-los das insĂ­dias do homem e do demĂŽnio. Por enquanto a sabedoria lhe dĂĄ um novo vigor. Do justo faz um santo, do santo faz um guardiĂŁo da esposa e do Filho de Deus.

Sem faltar com a reverĂȘncia para com o selo de Deus, ele, o casto, que agora leva a sua castidade atĂ© um heroĂ­smo angelical, pode ler a palavra de fogo escrita sobre o diamante virginal, pelo dedo de Deus. Nele lĂȘ aquilo que a sua prudĂȘncia nĂŁo diz, mas que Ă© muito maior do que o que MoisĂ©s leu nas tĂĄbuas de pedra. E, para que nenhum olho profano, nem de leve, se atreva a tocar no MistĂ©rio, ele se pĂ”e como selo sobre o selo, como o arcanjo de fogo sobre a entrada do ParaĂ­so, dentro do qual o Eterno acha as suas delĂ­cias, “passeando Ă  brisa da tarde”, e falando com aquela que Ă© o seu amor, bosque de lĂ­rios em flor, aura impregnada de aromas, aragem fresca da manhĂŁ, estrela de rara beleza, delĂ­cia de Deus. A nova Eva estĂĄ lĂĄ, diante dele, nĂŁo osso de seus ossos, nem carne de sua carne, mas companheira de sua vida, Arca viva de Deus, a qual Ă© recebida por ele de Deus para que a guarde, e a entregue a Deus, tĂŁo pura como quando a recebeu.

“Esposa de Deus” era o que estava escrito naquele livro mĂ­stico de pĂĄginas imaculadas
 E quando, na hora da prova, a suspeita assobiou para ele, para atormentĂĄ-lo, como homem e como servo de Deus, sofreu como nenhum outro, pela suspeita de ter havido um sacrilĂ©gio. Contudo, essa foi a prova que estava por vir. Por enquanto, nesse tempo de graça, ele vĂȘ e se coloca ao serviço sincero de Deus. Depois, virĂĄ a tempestade da provação, como para todos os santos, a fim de serem provados e transformados em cooperadores de Deus.

13.10 O que se lĂȘ no LevĂ­tico? “Diz a ArĂŁo, teu irmĂŁo, que ele nĂŁo en tre, em momento algum, no santuĂĄrio, alĂ©m do VĂ©u, diante do propiciatĂłrio, que estĂĄ sobre a Arca, porque Eu apareço sobre o propiciatĂłrio em uma nuvem, e ele poderĂĄ morrer, se antes nĂŁo tiver feito estas coisas: oferecer um novilho pelo pecado e um carneiro em holocausto. Vestir a tĂșnica de linho e com calças de linho cobrir sua nudez.”

Com efeito, José entra quando Deus quer e quanto Deus quer no santuårio de Deus, além do véu que encobre a Arca, e sobre a qual paira o Espírito de Deus, e se oferece a si mesmo, oferecendo o Cordeiro, holocausto pelo pecado do mundo e expiação por esse pecado. E assim faz, estando vestido de linho, e com os seus membros viris mortificados, para abolir a sensualidade que, uma vez, no princípio dos tempos, triunfou, lesando o direito de Deus sobre o homem, mas que agora vai ser calcada no Filho, na mãe e no pai adotivo, para reconduzir os homens à graça e reintegrar a Deus o seu direito sobre o homem. E faz isso com a sua perpétua castidade.

JosĂ© nĂŁo estava no GĂłlgota? Pensais, entĂŁo que ele nĂŁo estava entre os corredentores? Em verdade, vos digo que ele foi o primeiro dos corredentores e, por isso, ele Ă© grande aos olhos de Deus. Grande pelo sacrifĂ­cio, pela paciĂȘncia, pela constĂąncia e pela fĂ©. Qual fĂ© foi maior do que a de quem acreditou , sem ter visto os milagres do Messias?

13.11 Louvor seja dado ao meu pai adotivo, exemplo para vós naquilo que mais vos falta: pureza, fidelidade e amor perfeito. Ao magnífico leitor do Livro selado, instruído pela Sabedoria para saber compreender os mistérios da graça e eleito para guardar a salvação do mundo contra as insídias de todos os inimigos.

Detalhe

Depois de dar a visão do noivado de José e Maria, Jesus fala do seu suposto pai e diz

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