Notas da palavra-chave

Ditados de Jesus e da Virgem Maria na EMV

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 2 de 7

Conforto de leitura

EMF 15.1-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– O ciclo terminou. E, com este ciclo tĂŁo doce e suave, o teu Jesus te fez sair, sem sobressaltos, para fora do tumulto destes dias. Como um menino enfaixado em lĂŁs macias, colocado sobre fofas almofadas, tu tambĂ©m foste enfaixada por estas felizes visĂ”es, para que nĂŁo sentisses, com terror, a ferocidade dos homens, que se odeiam[1], em vez de se amarem. NĂŁo poderias mais suportar certas coisas, eu nĂŁo quero que morras por causa delas, mas tomo conta da minha “porta-voz.”

15.2

EstĂĄ para terminar no mundo a causa pela qual as vĂ­timas foram torturadas por todo tipo de desespero. TambĂ©m para ti, Maria, cessa, por isso, o tempo do tremendo sofrimento causado por razĂ”es tĂŁo diferentes do teu modo de entender. NĂŁo cessarĂĄ o teu sofrimento, pois Ă©s vĂ­tima. Mas, uma parte dele, sim: essa parte cessa. Depois chegarĂĄ o dia em que Eu te direi, como disse a Maria de Magdala, quando estava morrendo[2]: “Repousa. Agora Ă© teu tempo de repousar. DĂĄ-me teus espinhos. Agora Ă© tempo de rosas. Repousa e espera. Eu te abençÎo, bendita.”

Isto eu te dizia, e era uma promessa, que tu não chegaste a compreender, quando estava chegando o tempo em que terias ficado mergulhada, revolvida, acorrentada, repleta até o mais profundo do teu ser, com espinhos
 Eu te repito isto agora, com uma alegria que só o Amor que Eu sou, é capaz de fazer experimentar, ao cessar uma dor de um seu filho querido. Isto Eu te digo agora, quando cessa aquele tempo de sacrifício. Eu, que sei, te digo, para o mundo que não sabe, para a Itålia, para Viareggio, esta pequena aldeia, à qual tu me levaste. Medita no sentido destas palavras, medita no agradecimento que se deve aos holocaustos, pelo sacrifício deles.

15.3

Quando Eu te mostrei Cecília, a virgem-esposa, te disse que ela se impregnou dos meus perfumes, arrastando o marido, o cunhado, os escravos, os parentes e amigos. Tu não o sabes, mas Eu que sei, te digo que fizeste a parte de Cecília neste mundo enlouquecido. Tu te saciaste de Mim, da minha palavra. Levaste os meus ideais entre as pessoas, das quais, as que são melhores compreenderam estes ideais, surgindo muita gente atrås de ti, oferta como vítima. A partir daí, portanto, não aconteceu uma ruína completa de tua påtria ou dos lugares que a ti são tão caros, porque tantas hóstias se consumaram, seguindo o teu exemplo e o teu ministério.

Obrigado, bendita. Mas, continua ainda. Tenho muita necessidade de salvar a terra. De comprar de novo a terra. E as moedas sois vĂłs, como vĂ­timas.

15.4

A sabedoria que instruiu os santos, e te instruiu com um magistĂ©rio direto, te eleve sempre mais ao compreender a ciĂȘncia da vida e colocĂĄ-la em prĂĄtica. Levanta a tua pequena tenda junto Ă  casa do Senhor. Finca as estacas da tua prĂłpria morada, na morada da sabedoria, sem saĂ­res nunca mais dela. RepousarĂĄs debaixo da proteção do Senhor, que te ama, como um passarinho por entre ramos em flor, e Ele serĂĄ teu abrigo, contra todas as intempĂ©ries espirituais, e estarĂĄs na luz da glĂłria de Deus, do qual descerĂŁo para ti, palavras de paz e de verdade.

Vai em paz. Eu te abençîo, bendita”.

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Jesus mostra a Maria o Evangelho e dĂĄ-lhe o seguinte ditado.

A visão de Maria Madalena a morrer encontra-se nos Cahiers de 1944 (30 de março de 1944). Cécile, a virgem esposa, é vista nas visÔes e ditados de 22 e 23 de julho de 1944.

Palavras-chave

EMF 15.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Logo depois, Maria diz:

– A Maria o presente da mãe, para a sua festa. Uma porção de presentes. E, se algum espinho estiver entremeado com eles, não te lamentes ao Senhor, que te amou, como poucos.

Eu te havia dito, desde o princĂ­pio: “Escreve sobre mim. Toda pena tua serĂĄ consolada.” EstĂĄs vendo que era verdade. Este dom estava reservado a ti neste tempo de agitação, porque nĂŁo cuidamos apenas do espĂ­rito, mas tambĂ©m da matĂ©ria, que nĂŁo Ă© rainha, mas uma serva Ăștil ao espĂ­rito, a fim de que ele possa cumprir a sua missĂŁo.

SĂȘ grata ao AltĂ­ssimo, que para ti Ă© verdadeiramente Pai, atĂ© mesmo no sentido afetivo e humano, afagando-te com ĂȘxtases suaves, para ocultar o que poderia assustar-te.

Procura querer-me sempre bem. Eu te mostrei os segredos dos meus primeiros anos. Agora sabes tudo de mim como mãe. Procura querer-me bem como filha e como irmã, na qualidade de vítima. Ama a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo com perfeição de amor.

A bĂȘnção do Pai, do Filho e do EspĂ­rito Santo que passa pelas minhas mĂŁos, perfuma-se com o meu amor materno, desça e repouse em ti. Que sejas sobrenaturalmente feliz.

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Jesus acaba de dar um ditado a Maria.

Palavras-chave

EMF 17

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo : A desobediĂȘncia de Eva e a obediĂȘncia de Maria

Data dos ditados : Domingo, 5 de março de 1944 (EMV 17.1 a 17.7) e quarta-feira, 8 de março de 1944 (EMV 17.8 a 17.21)

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Jesus dĂĄ o seu primeiro ditado. Ele parte do GĂ©nesis e explica qual deve ser o domĂ­nio do homem: ele deve dominar a carne, mas tambĂ©m o carĂĄcter moral e espiritual. Cristo fala entĂŁo da alma e das discussĂ”es que poderĂ­amos ter com ela, e depois volta especificamente Ă  Queda de AdĂŁo e Eva. Fala tambĂ©m de LĂșcifer e da origem do Mal.

Num segundo ditado, Maria fala das suas vĂĄrias alegrias no momento da Anunciação. A alegria de ser mĂŁe. A alegria de ser aquela por quem a paz reconciliou o cĂ©u e a terra. A alegria de ter feito Deus feliz. Alegria de ser crente num Deus cheio de alegria. A MĂŁe de Cristo fala entĂŁo da desobediĂȘncia de Eva e da obediĂȘncia que a Imaculada praticou em todas as ocasiĂ”es. Ela pronunciou o seu Fiat em todas as ocasiĂ”es e convidou Maria a ser um trampolim para que outras almas se elevassem atĂ© Deus.

Por fim, Jesus dĂĄ um Ășltimo ditado. Depois de se dirigir Ă queles que nĂŁo acolhem a Obra ou que sĂŁo cĂ©pticos em relação a ela, volta Ă  ĂĄrvore do conhecimento do bem e do mal e dĂĄ-lhe uma conotação simbĂłlica. O Mestre detĂ©m-se tambĂ©m na condenação de AdĂŁo e Eva, que pode parecer demasiado severa. O Salvador debruça-se sobre o fruto proibido, bem como sobre a plenitude da graça.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 17.1: Pergunta Ă  tua alma pelas verdades celestes. 17.2: O homem foi chamado a dominar tudo. 17.3: O nascimento do mal em LĂșcifer. 17.4: A procriação desejada por Deus. 17.5: SatanĂĄs desperta a carne em Eva, que nĂŁo se volta para o Pai. 17.6: Uma condenação maior pesa sobre a mulher. 17.7: A graça contra as trĂȘs concupiscĂȘncias. 17.8: O meu espĂ­rito alegra-se. 17.9: Eu nĂŁo sabia que nĂŁo tinha mĂĄcula. 17.10: A alegria de ser mĂŁe de um homem e de Deus. 17.11: A alegria de ter feito Deus feliz. 17.12: A desobediĂȘncia de Eva e as suas consequĂȘncias. 17.13: Obedeci com alegria e com dor. 17.14: O meu "sim" apagou o "nĂŁo" de Eva Ă  ordem de Deus. 17.15: Ser um trampolim para que outros consigam caminhar em direção Ă  Cruz. 17.16: A ĂĄrvore metafĂłrica ou simbĂłlica. 17.17: A gravidade do primeiro pecado. 17.18: O amor dos homens devia ser sem luxĂșria. 17.19: Eva acreditou em SatanĂĄs e desejou o que nĂŁo era bom sem remorsos. 17.20 : Receber a Luz. 17.21 : Os animais selvagens ultrapassam-vos na honestidade dos seus amores.

Palavras-chave

EMF 17.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

NĂŁo se lĂȘ no GĂȘnesis que Deus fez o homem para dominar tudo o que havia sobre a terra, ou seja, tudo, com exceção de Deus e dos seus ministros angĂ©licos? NĂŁo se lĂȘ que fez a mulher para ser compa­nheira do homem na alegria e na dominação de todos os seres vivos? NĂŁo se lĂȘ que eles podiam comer de tudo, menos da ĂĄrvore da ciĂȘncia do Bem e do Mal? Por quĂȘ? O que estĂĄ sub-entendido nas palavras “para que domines”? O que estĂĄ sub-entendido na ĂĄrvore da ciĂȘncia do Bem e do Mal? Nunca vos fizestes tais perguntas, vĂłs que viveis perguntando tantas coisas inĂșteis, mas nĂŁo indagam vossa alma a respeito das verdades celestes?

A vossa alma, se estivesse viva, vos responderia. Quando ela estĂĄ na graça de Deus, estĂĄ bem segura, como uma flor entre as mĂŁos do vosso anjo. Quando estĂĄ na graça de Deus, Ă© como uma flor beijada pelos raios do sol, borrifada por um orvalho do EspĂ­rito Santo, que a aquece e ilumina, que a irriga e adorna com suas luzes celestes. Quantas verdades vos diria a vossa alma, se soubĂ©sseis conversar com ela, se a amĂĄsseis, como se ama alguĂ©m que voz faz semelhantes a Deus, que tambĂ©m Ă© EspĂ­rito. Que grande amiga terĂ­eis, se amĂĄsseis a vossa alma, em vez de odiĂĄ-la, ao ponto de matĂĄ-la? Que grande e sublime amiga com a qual poderĂ­eis falar das coisas do cĂ©u, vĂłs que gostais tanto de falar, e vos arruinais reciprocamente, com amizades que, se nĂŁo sĂŁo indignas, pelo menos sĂŁo quase sempre inĂșteis, transformando-se num vazio vĂŁo e nocivo de palavras, totalmente terrenas.

NĂŁo disse[3] Eu: “Quem me ama guardarĂĄ a minha palavra e meu Pai o amarĂĄ, e viremos a ele e faremos nele morada”? A alma no estado de graça possui o amor, possuindo entĂŁo Deus, ou seja, o Pai que mantĂ©m esta alma, o Filho que a ensina, o EspĂ­rito que a ilumina. Possui, portanto, o Conhecimento, a CiĂȘncia, a Sabedoria. Possui a Luz. Pensai, entĂŁo, nas conversaçÔes sublimes que vossa alma poderia entabular convosco. SĂŁo os diĂĄlogos que encheram os silĂȘncios dos calabouços, das celas, dos ermos, dos aposentos dos enfermos santos. Souberam confortar os que estavam encarcerados, Ă  espera do martĂ­rio, os enclausurados por amor Ă  busca da Verdade, os ermitĂŁos ansiosos pelo conhecimento antecipado de Deus, os enfermos pela suportação. Em suma, souberam ensinar o amor Ă  cruz.

17.2

Se soubĂ©sseis fazer perguntas Ă  vossa alma, ela vos diria que o significado verdadeiro, exato, vasto como a criação, da palavra “domina” Ă© este: “O homem deve dominar tudo, em todos os estados: o estado inferior, que Ă© o animal; o estado mediano, que Ă© o moral e o estado superior, que Ă© o espiritual. O homem usa os trĂȘs estados[4] para atingir um Ășnico fim, que Ă© possuir a Deus.” Merecer isto atravĂ©s deste fĂ©rreo domĂ­nio, que subjuga as forças do eu, tornando-as escravas deste Ășnico objetivo: merecer a possessĂŁo de Deus. Vossa alma vos diria que Deus proibira o conhecimento do Bem e do Mal, porque o Bem tinha sido dado por Ele Ă s suas criaturas gratuitamente, mas Ele desejava que o Mal vĂłs nĂŁo conhecĂȘsseis, porque Ă© um fruto doce ao paladar, mas que, descendo para o sangue, desperta uma febre que mata, produzindo uma tal ardĂȘncia, que quanto mais se bebe daquele suco mentiroso, mais se tem sede dele.

17.3

VĂłs me objetareis: “EntĂŁo, por que o Mal foi colocado diante de nĂłs?” Porque Ă© uma força que nasceu por si mesma, como nascem certos males monstruosos atĂ© nos corpos mais sadios.

LĂșcifer era um anjo, o mais belo dos anjos. EspĂ­rito perfeito, inferior somente a Deus. No entanto em seu ser luminoso nasceu uma sombra de soberba, que ele nĂŁo tratou de dispersar, mas, ao contrĂĄrio, procurou condensar, incubando-a. Dessa incubação, nasceu o Mal. Este existia, antes que o homem fosse criado. Deus havia precipitado o maldito incubador do Mal para fora do ParaĂ­so, que tinha se maculado com este Mal. NĂŁo podendo mais sujar o ParaĂ­so, o eterno incubador do Mal sujou a Terra.

17.4

A planta metafĂłrica quer demonstrar esta verdade. Deus tinha dito ao homem e Ă  mulher: “VĂłs conheceis todas as leis e os mistĂ©rios da criação. Mas nĂŁo queirais usurpar-me o direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça humana, bastarĂĄ o meu amor, que circularĂĄ entre vĂłs, sem libido de sensualidade, mas pelo impulso da caridade, que suscitarĂĄ novos AdĂŁos. Tudo eu vos dou. SĂł me reservo este mistĂ©rio da formação do homem.”

17.5

SatanĂĄs quis tirar esta virgindade intelectual do homem e, com sua lĂ­ngua serpentina, aplacou, acariciando membros e olhos da Eva, fazendo surgir neles reflexos e sagacidades, que antes nĂŁo tinham, quando a malĂ­cia nĂŁo os tinha intoxicado ainda.

Ela “viu.” E quis experimentar. A carne foi despertada. Oh! se tivesse chamado por Deus! Se tivesse corrido para ir dizer-lhe: “Pai, eu estou doente. A Serpente me acariciou, e estou perturbada.” O Pai a teria purificado, e curado com o seu hĂĄlito, que podia infundir-lhe novamente a inocĂȘncia, como lhe havia infundido a vida, fazendo-a esquecer-se do tĂłxico da Serpente, colocando nela a repugnĂąncia por ela, como acontece com aqueles que foram assaltados por algum mal, guardando uma instintiva repugnĂąncia dele. Mas Eva nĂŁo foi ao Pai. Ela voltou Ă  Serpente. Aquela sensação foi doce para ela: “Vendo que o fruto da ĂĄrvore era bom para se comer, bonito de se ver e agradĂĄvel ao aspecto, foi apanhĂĄ-lo, e comeu.”

E “compreendeu.” A malícia já tinha começado a morder-lhe as entranhas. Ela passou a ver com outros olhos, e a ouvir com outros ouvidos, os usos e as vozes dos irracionais. Passou a desejá-los com uma louca cobiça.

17.6

Ela iniciou sozinha o pecado. E o terminou com o seu companheiro. Por isso Ă© que sobre a mulher pesa uma pena maior. Foi por meio dela que o homem se tornou rebelde a Deus e que ele conheceu a luxĂșria e a morte. Foi por ela que ele nĂŁo soube mais dominar os trĂȘs reinos: do espĂ­rito, porque permitiu que o espĂ­rito desobedecesse a Deus; da moral, porque permitiu que as paixĂ”es o dominassem; e da carne, porque o aviltou, submetendo-o Ă s leis instintivas que regem os brutos. “A Serpente me seduziu”, diz Eva. “A mulhe­r me ofereceu o fruto, e eu o comi”, diz AdĂŁo. A trĂ­plice concupiscĂȘncia rouba os seus trĂȘs reinos do homem.

17.7

Somente a Graça pode desacorrentar o homem preso Ă quele monstro impiedoso. Mas, se a Graça Ă© viva, mantida sempre assim pela vontade do filho fiel, ela chega a destroçar o monstro, e nĂŁo Ă© preciso temer mais nada: nem os tiranos internos, isto Ă©, a carne e as paixĂ”es; nem os tiranos externos, ou seja, o mundo e os poderosos dele. Nem as perseguiçÔes. Nem a morte. É como diz o ApĂłstolo Paulo[5]: “Nenhuma destas coisas eu temo, nem amo a minha vida mais do que a mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o ministĂ©rio que recebi do Senhor Jesus, que Ă© o de dar testemunho do Evangelho da Graça de Deus.”

Palavras-chave

EMF 17.8-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.8 Maria diz:

– Estou na alegria, pois, desde que compreendi a missão a que Deus me destinava, fiquei repleta de alegria. O meu coração se abriu como um lírio que desabrocha e o sangue derramou dele, como ter­reno para o Embrião do Senhor.

17.9 Alegria de ser mĂŁe.

Eu me tinha consagrado a Deus desde a mais tenra idade, porque a luz do AltĂ­ssimo me havia feito conhecer a causa do mal no mundo e eu quis, por quanto estava em meu poder, anular, por mim mesma, o plano de satanĂĄs.

Eu ainda não sabia que não possuía a mancha do pecado. Nem eu podia pensar nisso,pois, teria sido presunção e soberba, dado que, nascida de pais humanos, não me era lícito pretender que logo eu é que seria a escolhida para não ter måcula.

O Espírito de Deus me tinha instruído sobre a dor do Pai, diante da corrupção de Eva, que tinha querido aviltar-se, pois, sendo criatura por graça, desceu ao nível de uma criatura inferior. Havia em mim a intenção de amenizar aquela dor, reconduzindo a minha carne à pureza angélica, conservando-me inviolada por pensamentos, desejos e contactos humanos. Só por Ele o meu coração palpitava de amor, só a Ele eu consagrava o meu ser. Mas, se não havia em mim o ardor da carne, contudo ainda havia o sacrifício de não ser mãe.

A maternidade, livre de tudo o que agora a avilta, tinha sido concedida assim pelo Pai Criador também a Eva. Uma doce e pura maternidade, sem o peso da sensualidade! Eu a experimentei! De quantas vantagens Eva se despojou, quando renunciou a uma riqueza de tal porte! Essa riqueza era muito mais do que a imortalidade. E que não vos pareça um exagero dizer isso. De fato, o meu Jesus, e com Ele eu, sua mãe, tivemos de passar pelos langores da morte. Eu passei por ela, como alguém que, cansado, adormece docemente, e Ele, por meio do atroz sofrimento de quem estå morrendo, porque foi condenado a isso. Portanto, também para nós houve morte. Mas a maternidade sem pesos e sem violaçÔes só aconteceu comigo, a nova Eva, a fim de que ela pudesse dizer ao mundo que doçura teria sido para a mulher chamada a ser mãe, se não sentisse dor em sua carne. Ora, o desejo dessa maternidade pura estava também na virgem toda de Deus, pois a maternidade é a glória da mulher. Se pensardes, então, na honra que era ser mãe para a mulher israelita, ainda mais podereis compreender o meu sacrifício, ao consagrar-me a Deus, com a privação da maternidade.

Mas o Eterno Bem quis dar Ă  Sua serva este dom, sem deixĂĄ-la perder o candor que a revestia, tornando-a uma flor no seu trono. Eu me sentia jubilosa com a dupla alegria de poder ser a mĂŁe de um homem e, ao mesmo tempo, ser a mĂŁe de Deus.

17.10 AAlegria de ser aquela pela qual a paz se estabelecia entre o Céu e a Terra.

Oh! Ter tanto desejado essa paz, por amor de Deus e do prĂłximo, e saber que atravĂ©s de mim, uma pobre serva do Todo-Poderoso, Ă© que tal paz viria ao mundo! Poder dizer: “Ó homens, nĂŁo choreis mais, pois eu trago em mim o segredo que vos farĂĄ felizes. NĂŁo posso lhes comunicar este segredo, porque estĂĄ selado no meu coração, assim como o Filho no meu ventre inviolado. Mas jĂĄ O trago em meio a vĂłs, e cada hora que passa, fica mais perto o momento em que o vereis, e conhecereis seu Nome Santo”.

17.11 A Alegria de ter contentado a Deus: a alegria do fiel que faz feliz o seu Deus.

Oh! Sim! Ter tirado do coração de Deus a amargura da desobediĂȘncia de Eva! Da soberba de Eva! Da sua incredulidade!

17.12 Meu Jesus me explicou a culpa com que o primeiro casal se manchou. Eu anulei aquela culpa, refazendo de modo retroativo as etapas da descida deste casal, para depois subir de novo.

O princĂ­pio da culpa estava na desobediĂȘncia: “NĂŁo comais daquela ĂĄrvore, e nĂŁo toqueis nela”, Deus havia dito. Mas o homem e a mulher nĂŁo levaram em conta aquela proibição. Eles que eram os reis da criação, podiam tocar em tudo, comer de tudo, menos daquela ĂĄrvore, pois Deus queria tornĂĄ-los inferiores sĂł aos anjos.

A ĂĄrvore: meio para provar a obediĂȘncia dos filhos.

O que Ă© a obediĂȘncia ao mandamento de Deus? É um bem, porque Deus sĂł exige o bem. O que Ă© a desobediĂȘncia? É um mal, porque pĂ”e a alma na disposição de rebeldia, oferecendo a satanĂĄs um campo propĂ­cio para as suas operaçÔes.

Eva vai atĂ© Ă  ĂĄrvore, da qual receberia o bem, ao evitĂĄ-la, ou o mal, aproximando-se dela. Ela Ă© arrastada por uma curiosidade infantil que deseja ver o que a ĂĄrvore tem de especial. É levada pela imprudĂȘncia, que lhe faz conceber o mandamento de Deus como inĂștil, pois se sente forte e pura, rainha do Éden, no qual tudo lhe obedece, onde nada lhe farĂĄ mal. Esta presunção causa sua ruĂ­na. A presunção Ă© um fermento da soberba.

Junto Ă  ĂĄrvore, ela encontra o sedutor, que se aproveita da sua inexperiĂȘncia, daquela inexperiĂȘncia virgem e bela, tĂŁo mal protegida por ela mesma, para cantar-lhe a canção da mentira: “CrĂȘs tu que isso seja um mal? NĂŁo. Deus te disse isso porque vos quer conservar escravos do seu poder! Pensais que sois reis? Nem liberdade tendes, como a tĂȘm os animais. Pois aos animais foi concedido que se amem com verdadeiro amor. Mas a vĂłs, nĂŁo. Ao animal foi concedido tornar-se criador, como Deus. Ele gerarĂĄ filhos e verĂĄ crescer sua famĂ­lia, Ă  vontade. A vĂłs, porĂ©m, Ă© negada essa alegria. Porque, entĂŁo, ser homem ou mulher, se tendes que viver desse modo? Sede deuses! NĂŁo sabeis que alegria Ă© estarem ambos numa sĂł carne, para que dessa uniĂŁo se crie uma terceira criatura, e depois muitas outras criaturas? NĂŁo acrediteis na promessa de Deus de que tereis alegria em vossos descendentes, vendo os vossos filhos criarem novas famĂ­lias, deixando pai e mĂŁe, por causa delas. Deus vos deu apenas uma sombra de vida: a verdadeira vida Ă© conhecer as suas leis. EntĂŁo, sim, sereis semelhantes a deuses e podereis dizer a Deus: ‘Somos iguais a ti’.”

E a sedução continuou, porque nĂŁo houve vontade de acabar com ela, pelo contrĂĄrio, houve vontade de continuar conhecendo o que nĂŁo era lĂ­cito ao homem conhecer. É aĂ­ que a ĂĄrvore proibida se torna realmente mortĂ­fera para a raça humana, pois dos seus ramos estĂĄ o fruto da amarga sabedoria, que vem de satanĂĄs. A mulher se torna fĂȘmea e, com o fermento do conhecimento satĂąnico no coração, corrompe o companheiro, AdĂŁo. Aviltada, pois, a carne, corrompida a moral, degradado o espĂ­rito, eles passaram a conhecer a dor e a morte do espĂ­rito, sem a graça, e morte da carne, sem a imortalidade. A ferida de Eva gerou o sofrimento, que nĂŁo se aplacarĂĄ, enquanto nĂŁo se extinguir a vida do Ășltimo casal, sobre a terra.

17.13 Eu percorri, de modo regressivo, os caminhos daqueles dois pecadores. Obedeci. Obedeci de todos os modos. Deus me pediu que eu permanecesse virgem. Eu obedeci. Tendo amado a virgindade, que me tornava pura como a primeira das mulheres, antes de conhecer satanás, Deus me pediu que fosse esposa. Eu obedeci, colocando o matrimînio naquele primeiro grau de pureza conforme o pensamento de Deus, quando criou o primeiro homem e mulher. Convicta de que estava destinada à solidão no matrimînio, a ser desprezada pelos outros, pela minha esterilidade voluntária, Deus me pedia para me tornar mãe. Eu obedeci. Eu acreditei que seria possível e que aquela palavra tinha vindo de Deus, pois, ao ouvi-la, difundiu-se em mim uma grande paz. Não fiquei pensando: “Eu mereci isto.” Não fiquei dizendo a mim mesma: “Agora, o mundo vai me admirar, pois sou semelhante a Deus, criando a carne de Deus.” Não. Eu me aniquilei na humildade.

A alegria brotou-me do coração, como um pedĂșnculo de roseira florida. Mas esta viu-se bem depressa ornada com agudos espinhos, apertada no emaranhado da dor, como aqueles ramos que ficam enrolados por alguma trepadeira. A dor pela dor do esposo: eis a angĂșstia na minha alegria. A dor pela dor do meu Filho: eis o espinho na minha alegria.

Eva quis o gozo, o triunfo, a liberdade. Eu aceitei a dor, o aniquilamento, a escravidĂŁo. Renunciei Ă  minha vida tranqĂŒila, ao amor do meu esposo, Ă  minha prĂłpria liberdade. NĂŁo conservei nada para mim. Fiz-me a serva de Deus na carne, na moral, no espĂ­rito, confiando-me a Ele, nĂŁo sĂł para a concepção virginal, mas para a defesa de minha honra, para a consolação do esposo, para o meio com o qual ele pudesse entender a purificação do matrimĂŽnio, de tal modo a fazer de nĂłs dois os que haveriam de restituir a dignidade perdida ao homem e Ă  mulher.

17.14 Abracei a vontade do Senhor, por mim mesma, pelo esposo e por meu Filho. Eu disse “sim” pelos trĂȘs, certa de que Deus nĂŁo teria faltado com sua palavra, quando prometeu me socorrer na minha­ dor de esposa, que estĂĄ sendo julgada culpada, de mĂŁe que gera um Filho para entregĂĄ-Lo Ă  dor.

Eu disse sim, e basta. Aquele “sim” anulou o “nĂŁo” de Eva ao mandamento de Deus. “Sim, Senhor, como quiseres. Conhecerei o que Tu queres. Viverei como Tu queres. Alegrar-me-ei, se Tu quiseres. Sofrerei o que Tu quiseres. Sim, sempre sim, meu Senhor, desde o momento em que o Teu raio me fez mĂŁe, atĂ© o momento em que me chamaste para Ti. Sempre sim. Todas as vozes da carne, todas as paixĂ”es da moral, sob o peso deste meu perpĂ©tuo sim. Acima, como num pedestal de diamante, o meu espĂ­rito, ao qual faltam asas para voar a Ti, mas que Ă© senhor de todo o eu domado, servo teu. Serva na alegria, serva na dor. Sorri, Ăł meu Deus! SĂȘ feliz! A culpa foi vencida, excluĂ­da, destruĂ­da. Ela, agora sob o meu calcanhar, estĂĄ lavada em meu pranto, destruĂ­da pela minha obediĂȘncia. De meu ventre nascerĂĄ a ĂĄrvore nova, que hĂĄ de ter em si o Fruto, que conhecerĂĄ todo o Mal, por tĂȘ-lo padecido em Si, e que doarĂĄ todo o Bem. Os homens poderĂŁo ir a Ele. Eu me darei por feliz, se eles colherem desse fruto, ainda que nĂŁo se lembrem que este fruto estĂĄ nascendo de mim. Contanto que o homem se salve, e que Deus seja amado, que se faça desta tua serva o que se faz do solo sobre o qual surge uma ĂĄrvore: um degrau para subir.”

17.15 Maria, Ă© preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, nĂŁo faz mal. Contanto que consigam chegar Ă  Cruz. É a nova ĂĄrvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que Ă© um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta ĂĄrvore tambĂ©m tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pĂ©s dos homens, contanto que o nĂșmero dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus nĂŁo seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a HĂłstia santa e, aos pĂ©s da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, Ăł Pai, a HĂłstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nĂłs, Ăł Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dĂĄ-nos a tua bĂȘnção.”

Eu te dou minhas carĂ­cias. Repousa, minha filha. O Senhor estĂĄ contigo.

Detalhe

Marie fez este ditado depois do capítulo sobre a Anunciação.

Palavras-chave

EMF 17.16-21

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.16 Jesus diz:

– A palavra de minha mĂŁe deveria dissipar toda e qualquer titubeação de pensamento, atĂ© mesmo dos mais bloqueados com relação Ă s fĂłrmulas.

[
].

Eu chamei antes de “árvore metafĂłrica.” Agora vou chamar de “árvore simbĂłlica.” Talvez compreendais melhor. O sĂ­mbolo Ă© claro: assim como os dois filhos de Deus procederam a respeito desta ĂĄrvore, se entende como estava neles a tendĂȘncia para o Bem ou para o Mal. Como a ĂĄgua rĂ©gia prova o ouro, a balança do ourives pesa os quilates de ouro, aquela ĂĄrvore tinha assumido uma “missĂŁo” pela ordem de Deus a seu respeito, dando a medida de pureza do metal que era AdĂŁo e Eva.

17.17 Estou já ouvindo a vossa objeção: “Não foi rigorosa demais a condenação, e pueril o meio usado para condená-los?”

NĂŁo foi. Uma vossa desobediĂȘncia hoje, que sois os herdeiros de AdĂŁo e Eva, Ă© menos grave do que a deles. VĂłs fostes redimidos por Mim. Mas o veneno de satanĂĄs continua sempre pronto a se reerguer, como certas doenças que nunca saem totalmente do sangue. Os dois progenitores eram possuidores da graça, sem nunca terem sido nem tocados pela desgraça. Por isso eram mais fortes, mais amparados pela graça, que gerava neles inocĂȘncia e amor. O dom que Deus lhes havia dado era infinito. A queda deles, portanto, foi bem mais grave, nĂŁo obstante aquele dom.

17.18 O fruto oferecido e comido tambĂ©m Ă© simbĂłlico. Era o fruto de uma experiĂȘncia que se quis fazer contra a ordem de Deus, por instigação satĂąnica. Eu nĂŁo havia proibido o amor aos homens. Queria unicamente que se amassem sem malĂ­cia; como Eu os amava com a minha santidade. Eles deviam amar-se na santidade de afetos, sem sujarem-se com a luxĂșria.

17.19 NĂŁo se hĂĄ de esquecer que a graça Ă© luz e quem a possui conhece o que Ă© Ăștil e bom. Aquela que Ă© cheia de graça conheceu tudo, porque a Sabedoria a instruĂ­a. A sabedoria Ă© graça, e ela soube guiar-se santamente. Eva conhecia o que lhe era bom conhecer. NĂŁo mais do que isso, porque Ă© inĂștil conhecer o que nĂŁo Ă© bom. NĂŁo teve fĂ© nas palavras de Deus e nĂŁo foi fiel Ă  sua promessa de obediĂȘncia. Acreditou em satanĂĄs, infringiu a promessa, quis saber o que nĂŁo Ă© bom e o amou sem remorso, fazendo com que o amor, que Eu lhe tinha dado como algo santo, se corrompesse, se aviltasse. Anjo decaĂ­do, rolou na lama e no esterco, enquanto poderia cor­rer feliz entre as flores do ParaĂ­so terrestre, vendo florescer a prole ao redor de si, assim como uma ĂĄrvore que se cobre de flores, sem precisar curvar sua copa sobre o brejo.

17.20 Não fiqueis como os meninos tolos de que Eu falo no Evangelho os quais ouviram cantar, e taparam os ouvidos, ouviram tocar e não dançaram, ouviram chorar, e quiseram rir. Não sejais mesquinhos, não sejais negadores. Aceitai, aceitai a Luz sem malícia e teimosia, sem ironia e incredulidade. A respeito deste assunto, basta por enquanto.

17.21 Para fazer-vos compreender o quanto deveis ser gratos Àquele que morreu para elevar-vos ao cĂ©u e vencer a concupiscĂȘncia de satanĂĄs, neste tempo de preparação para a PĂĄscoa, Eu vos quis falar do primeiro elo da corrente com que o Verbo do Pai foi arrastado Ă  morte, do Cordeiro Divino no matadouro. Eu vos quis falar disso, porque agora noventa por cento entre vĂłs Ă© semelhante Ă  Eva, intoxicada pelo hĂĄlito, pela palavra de lĂșcifer, e nĂŁo viveis para amar-vos, mas para saciar-vos de sensualidade, nĂŁo viveis para o CĂ©u, mas para a lama, nĂŁo sois criaturas dotadas de alma e de razĂŁo, mas cĂŁes sem alma e sem razĂŁo. VĂłs jĂĄ matastes a alma; jĂĄ depravastes a razĂŁo. Em verdade, vos digo que os animais irracionais estĂŁo acima de vĂłs, na honestidade dos seus amores.

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A parte em itålico é da edição de 1985. Não aparece na segunda edição.

Palavras-chave

EMF 18.7-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Querida filha, quando, depois de cessar o ĂȘxtase, que me havia enchido de inexprimĂ­vel alegria, voltei ao uso dos sentidos nesta ter­ra, o primeiro pensamento que tive foi JosĂ©, pensamento pungente como um espinho de roseira, me feria o coração, enfaixado , hĂĄ alguns instantes, pelas rosas do Divino Amor, meu Esposo.

Eu jå o amava, este meu santo e previdente guarda. Desde quando a vontade de Deus, por meio da palavra de seu Sacerdote, me tinha­ querido desposada a José, eu jå pudera conhecer e apreciar a santidade deste justo. Unida a ele eu tinha sentido que cessava aquela minha desorientação de órfã, e jå não tinha mais saudade do meu tempo de asilada no Templo. Para mim ele era tão bom, como meu falecido pai. Junto dele eu me sentia segura, como junto ao Sacerdote. Toda minha titubeação havia cessado, e não só cessado, mas ficado esquecida, de tal modo tranquilizava-me o coração de virgem, ao compreender que jå não precisava mais titubear, pois não tinha que temer nada da parte de José. Mais segura do que um menino nos braços da mãe, assim estava a minha virgindade confiada a José.

18.8 Mas, e como dizer-lhe que eu era mãe? Eu procurava palavras para dizer-lhe isso, mas era uma tarefa árdua. Eu não queria louvar-me pelo dom de Deus, e não podia, de maneira alguma, justificar a minha maternidade, sem dizer: “O Senhor me amou mais do que todas as mulheres, e de mim, sua serva, me fez sua esposa.”

Enganå-lo, escondendo-lhe o meu estado, eu não queria também.

Mas, enquanto estava rezando, o Espírito, do qual eu estava plena, me disse: “Cala-te. Confia a Mim a tarefa de justificar-te perante o esposo.”

Mas, enquanto estava rezando, o EspĂ­rito, do qual eu estava plena, me disse: “Cala-te. Confia a Mim a tarefa de justificar-te perante o esposo.” Quando? Como? Estas coisas nĂŁo lhe perguntei. Eu sempre me havia confiado a Deus, como uma flor na onda que a transporta. Nunca o Eterno me tinha feito ficar sem sua ajuda. Sua mĂŁo sempre me havia sustentado, protegido e guiado, atĂ© aqui. E iria fazer tudo isso tambĂ©m agora.

18.9 Minha filha, como é bela e confortåvel a fé em nosso eterno e bom Deus! Ele nos acolhe em seus braços como em um berço, nos leva ao luminoso porto do Bem, como num barco, nos aquece o coração, nos consola, nos nutre, nos då repouso e alegria, nos då luz e guia. A confiança em Deus é tudo, pois Deus tudo då a quem tem confiança Nele. Ele se då até a Si mesmo.

Naquela tarde levei a minha confiança de criatura à perfeição. Agora, eu o podia fazer, porque Deus estava em mim. Antes, tinha tido a confiança de uma pobre criatura. Sempre um nada, mesmo sendo tão amada, a ponto de ser sem mácula. Mas agora eu tinha uma confiança divina, porque Deus era meu: meu Esposo, meu Filho! Oh! Que alegria! Ser uma com Deus! Não para a minha glória, mas para amá-lo com uma união total e poder dizer-lhe: “Tu, só Tu, que estás em mim, aperfeiçoa com tua divina perfeição tudo o que eu faço.”

Se Ele nĂŁo me tivesse dito: “Cala-te”, talvez eu atĂ© tivesse ousado, com o rosto em terra, dizer a JosĂ©: “O EspĂ­rito penetrou em mim, e em mim estĂĄ a Semente de Deus.” Ele teria acreditado em mim, porque me estimava e porque, como todos aqueles que nĂŁo mentem nunca, ele acreditava que os outros tambĂ©m nĂŁo lhe mentissem. Sim, contanto que eu nĂŁo lhe causasse nenhuma dor no futuro, eu teria vencido a recusa de dar-me aquele louvor. Mas obedeci Ă  ordem divina.

Durante muitos meses, a partir daquele momento, senti a primeira ferida em meu coração. Foi a primeira dor, na minha condição de co-redentora. Eu a ofereci e sofri para reparar e para dar-vos uma norma de vida nos momentos de sofrimento, quando hĂĄ necessidade de silĂȘncio em relação a algum acontecimento que vos dĂȘ aparĂȘncia de culpados, aos olhos de quem vos ama.

18.10 Deixai a Deus a guarda do vosso bom nome e dos vossos interesses afetivos. Merecei com uma vida santa a tutela de Deus, e depois, caminhai tranqĂŒilos. Ainda que todo o mundo estiver contra vĂłs, Ele vos defenderĂĄ junto a quem vos ama, e farĂĄ com que a verdade apareça.

Repousa agora, minha filha. E sĂȘ sempre mais minha filha.

Detalhe

Maria descreve as suas experiĂȘncias apĂłs a Anunciação.

Palavras-chave

EMF 20.6-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Vou falar pouco, porque estás muito cansada, ó minha pobre fi­lha­.

Somente quero chamar a tua atenção, e a de quem estiver lendo, sobre o håbito constante de José, e meu também, de dar sempre o primeiro lugar à oração. Cansaço, pressa, desgostos, ocupaçÔes eram coisas que não impediam as oraçÔes, pelo contrårio, a ajudavam até. Ela era sempre a rainha das nossas ocupaçÔes. O nosso conforto, a nossa luz, a nossa esperança. Se nas horas tristes, a oração era um conforto, nas horas felizes, era um canto. Mas era sempre a amiga constante de nossa alma. Era ela que nos fazia desprender-nos da ter­ra deste exílio, elevando-nos ao Céu, nossa Påtria.

Não somente eu, que jå tinha Deus dentro de mim, não precisava senão olhar para o meu interior, para adorar o Santo dos santos, mas também José se sentia unido a Deus quando rezava, porque a nossa oração era adoração verdadeira, com todo o nosso ser que se fundia em Deus, adorando-O e sendo por Ele abraçado.

Olhai bem, mesmo assim, eu que tinha em mim o Eterno, não me senti isenta de prestar um reverente obséquio ao Templo. A santidade mais alta não exime ninguém de sentir-se nada diante de Deus, e de humilhar esse nada, pois o Senhor no-lo permite, em um contínuo hino de louvor à Sua glória.

20.7

Sois pobres, fracos, defeituosos? Invocai a santidade do Senhor: “Santo, Santo, Santo!” Clamai por Ele, Santo bendito, sobre a vossa misĂ©ria. Ele virĂĄ e derramarĂĄ sobre vĂłs a sua santidade. Sois santos e ricos de merecimentos aos Seus olhos? Invocai, do mesmo modo, a santidade do Senhor. Essa santidade Ă© infinita e farĂĄ crescer sempre mais a vossa. Os anjos, seres que estĂŁo acima das fraquezas da humanidade, nĂŁo cessam um instante de cantar o seu “Sanctus”, e a beleza sobrenatural deles aumenta, cada vez que invocam a santidade de nosso Deus. Imitai os anjos.

NĂŁo vos priveis nunca da proteção da oração, contra a qual ficam embotadas as armas de satanĂĄs, as malĂ­cias do mundo, os apetites da carne e as soberbas da mente. NĂŁo deponhais nunca esta arma, pela qual se abrem os cĂ©us, de onde chovem graças e bĂȘnçãos.

A terra estå precisando de um banho de oraçÔes para limpar-se das culpas que atraem os castigos de Deus. Mas, como são poucos os que rezam, esses poucos precisam rezar como se fossem muitos, multiplicando as suas oraçÔes vivas, para fazerem delas o total necessårio para se obter a graça pedida. OraçÔes vivas, são as temperadas com verdadeiro amor e com sacrifício.

20.8

Que tu, minha filha, sofras, principalmente porque o teu sofrimento, unido ao meu e ao de Jesus, torna-se uma coisa boa, agradĂĄvel a Deus, com muitos merecimentos. Gosto muito do teu amor de compaixĂŁo. Queres dar-me um beijo? Beija as chagas de meu Filho. Embalsama-as com o teu amor. Eu senti espiritualmente as dores, a angĂșstia e a aflição causadas pelos flagelos, pelos espinhos e pela tortura dos cravos e da cruz. Mas, de modo igual, eu sinto espiritualmente todas as carĂ­cias feitas ao meu Jesus: sĂŁo beijos dados a mim. Depois, vem. Eu sou a rainha do cĂ©u. Mas sou sempre a mĂŁe


Maria termina a fala. E me sinto abençoada!

Palavras-chave

EMF 22.10-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– A primeira caridade para com o prĂłximo hĂĄ de ser exercida para com o prĂłximo. NĂŁo penses que isso seja um jogo de palavras. Porque a caridade se exerce para com Deus e para com o prĂłximo. Na caridade para com o prĂłximo estĂĄ compreendida tambĂ©m a que Ă© dirigida a nĂłs mesmos. Mas, se nos amarmos mais do que aos outros, jĂĄ nĂŁo estaremos sendo caridosos, e, sim egoĂ­stas. Mesmo nas coisas lĂ­citas, precisamos ser tĂŁo santos, a ponto de darmos sempre a precedĂȘncia Ă s necessidades do prĂłximo. Ficai bem atentos, meus filhos, que Deus compensa os generosos com os meios do seu poder e da sua bondade.

22.11

Esta certeza me fez ir a Hebron, ajudar minha parenta no estado em que ela se achava. E, a esta minha intenção de prestar socorro humano, Deus, acima de toda medida, como Ele costuma fazer, uniu um dom de socorro sobrenatural, que ninguém esperava. Eu vou para prestar ajuda material, e Deus santifica a minha reta intenção, fazendo que ela santificasse o fruto do ventre de Isabel, e, através dessa santificação, com a qual o Batista foi pré-santificado, Deus suavizou os sofrimentos físicos daquela filha de Eva jå madura, que concebeu em idade não mais apropriada.

Isabel, mulher de fé intrépida e confiante abandono à vontade de Deus, merece compreender o mistério escondido em mim. O Espírito Santo lhe fala, através do saltar de seu ventre que ela sente. Assim, o Batista pronunciou o seu primeiro discurso de anunciador do Verbo, através dos véus e das paredes formadas pelas veias e pela carne, que o separa de Isabel e, ao mesmo tempo, o unem à sua santa mãe.

A Isabel eu nĂŁo nego a minha qualidade de mĂŁe do Senhor, pois ela Ă© digna de sabĂȘ-lo. A Luz se revela a ela. Negar-lhe isso teria sido negar a Deus um louvor que era justo Lhe dar, o louvor que eu levava em mim e que, nĂŁo podendo dizer a ninguĂ©m, eu o dizia Ă s ervas, Ă s flores, Ă s estrelas, ao sol, aos pĂĄssaros canoros, Ă s pacientes ovelhas, Ă s ĂĄguas murmurantes e Ă  luz de ouro que me vinha beijar, descendo do cĂ©u. Mas, rezarmos juntas, Ă© muito mais doce do que ficarmos dizendo, cada uma sozinha, a sua oração. Eu teria querido que o mundo todo soubesse da minha sorte, nĂŁo por mim, mas para que o mundo se unisse a mim, em dar louvor ao meu Senhor.

Foi a prudĂȘncia que me impediu de revelar a Zacarias a verdade. Teria sido isso dar passos alĂ©m do plano de Deus. Se eu era Sua esposa e mĂŁe, continuava a ser sempre sua serva, e nĂŁo devia, porque Ele me tinha amado sem medida, permitir-me a ousadia de me substituir a Ele, tomando o seu lugar, por uma decisĂŁo minha.

Isabel, em sua santidade, compreende tudo isso, e se cala. Pois quem Ă© santo Ă© sempre indulgente e humilde.

22.12

É preciso que o dom de Deus nos torne sempre melhores. Quanto mais recebemos Dele, mais devemos dar. Porque, se recebemos muito, isso Ă© sinal de que Ele estĂĄ em nĂłs. Quanto mais Ele estiver em nĂłs, mais devemos esforçar-nos, para alcançar a perfeição que recebemos Dele.

Este Ă© o motivo porque eu, deixando de lado o meu trabalho, trabalho para Isabel. NĂŁo me deixo tomar pelo medo de nĂŁo ter tempo. Deus Ă© o Senhor do tempo. A divina ProvidĂȘncia nada deixa faltar a quem espera Nele, mesmo as coisas mais comuns. O egoĂ­smo nĂŁo faz nada andar depressa, mas atrasa. A caridade nĂŁo atrasa, mas faz andar depressa. Tende sempre isso presente.

22.13

Quanta paz na casa de Isabel! Se eu nĂŁo tivesse tido sempre o pensamento de JosĂ© e do meu Menino, que era o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas Ă© que a cruz jĂĄ vinha projetando sua sombra sobre a minha vida e eu ouvia as vozes dos Profetas, como um som fĂșnebre


Eu me chamava Maria. E a amargura desse nome estava sempre misturada com as doçuras que Deus derramava em meu coração. Essa amargura foi aumentando, até à morte de meu Filho. Mas, quando Deus nos chama, Maria, como as escolhidas vítimas para a sua honra, então, é doce sermos trituradas, como o grão no moinho, para que da nossa dor seja feito o pão que fortalece os fracos, e os torna capazes de chegar ao céu!

Agora basta. EstĂĄs cansada e feliz. Descansa com a minha bĂȘnção.

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EMF 23.9-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Se a minha presença santificou o Batista, não tirou a Isabel a condenação que deriva de Eva: “Tu darás à luz os filhos com dor”, havia dito o Eterno.

Somente eu, sem mancha, e que não tinha tido união com homem, é que fui isenta de dar à luz com dor. A tristeza e a dor são frutos da culpa. Eu, que era a inculpåvel, tive que conhecer também a dor e a tristeza, porque eu era a co-redentora. Mas não conheci a dor, ao dar à luz. Eu não senti essa dor.

Contudo, acredita em mim, minha filha, que nunca houve, nem haverĂĄ dor de parto semelhante Ă  minha dor de mĂĄrtir, de uma maternidade espiritual, que se realizou sobre o mais duro leito: o leito da minha cruz, aos pĂ©s do patĂ­bulo de meu Filho, que estava morrendo. Qual a mĂŁe que foi constrangida a dar Ă  luz desse modo? Qual a mĂŁe que teve de misturar o tormento sofrido em suas entranhas dilaceradas pelos estertores de seu Filho moribundo, com o das entra­nhas que se retorcem, por terem que superar o horror de ter que dizer: “Eu vos amo. Vinde a mim, que sou vossa mĂŁe”? Qual a mĂŁe que teve que dizer isso aos assassinos de seu Filho, o Filho nascido do mais sublime amor que o cĂ©u nunca tinha visto antes, do amor de um Deus por uma virgem, do beijo de Fogo e do abraço de Luz, que se fizeram carne, tornando o ventre de uma mulher, o TabernĂĄculo de Deus?

“Quanta dor para ser mĂŁe!” diz Isabel. Uma grande dor, sem dĂșvida, mas quase nada, em comparação com a minha dor.

“Deixa-me pîr as mãos sobre o teu ventre.” Oh! se em vossos sofrimentos me pedísseis sempre isto!

Eu sou a eterna portadora de Jesus. Ele estå no meu ventre, conforme tu viste no ano passado, que Ele é como uma Hóstia consagrada no ostensório. Quem vem a mim, O encontra. Quem em mim se apoia, pÔe-se em contato com Ele. Quem se dirige a mim, fala com Ele. Eu sou a sua veste. Ele é a minha alma. Agora Ele estå mais unido a mim, do que nos nove meses em que crescia no meu ventre. O meu Filho estå unido à sua mãe. Acalmam-se todas as dores, florescem todas as esperanças, fluem todas as graças de quem vem a mim, e pousa sua cabeça sobre o meu ventre.

Eu rezo por vós. Recordai-vos disso. A felicidade de estar no céu, de viver no raio da luz de Deus, não me deixam esquecer meus filhos sofredores na terra. Rezo. Todo o céu estå rezando. Porque o céu ama. O céu é caridade viva. A caridade tem piedade de vós. Ainda que fossem só as minhas oraçÔes, jå seriam suficientes para as necessidades de quem espera em Deus. Porque eu não cesso de rezar por todos vós: pelos santos e pelos maus, para alcançar a alegria para os santos, e o arrependimento que salva para os malvados.

Vinde, ó filhos de minha dor. Eu vos espero aos pés da cruz para dar-vos a graça.

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