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EMF 74

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus estå em Belém com João, Judas e Simão, o Zelota. Vão à própria cidade, porque Cristo quer mostrar-lhes onde os såbios o saudaram. Judas mostra todo o seu sentido pråtico e usa truques para obter informaçÔes sobre Ana de Belém, que tinha dado abrigo à Sagrada Família. Faz passar o grupo apostólico por judeus de Jerusalém e o estalajadeiro, um homem chamado Ezequias, conta-lhes o massacre dos Inocentes e a morte de Ana. Jesus foi visitar as ruínas e depois falou com os habitantes de Belém. Mas eles tornaram-se abertamente hostis quando ele falou da sua Mãe e do Messias. A multidão agita-se e atira pedras, mas Jesus não consegue apaziguå-la nem confortar a sua dor. Num gesto heroico, Judas protege Jesus e o grupo retira-se. O Salvador não insiste e decide ir ao encontro dos pastores da Natividade.

Palavras-chave

EMF 74.7-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus estende os braços. Judas, que vĂȘ o gesto, diz:

– NĂŁo fales! NĂŁo Ă© prudente!

Mas Jesus enche a praça com sua voz potente:

– Homens de JudĂĄ! Homens de BelĂ©m, ouvi! Ouvi, Ăł vĂłs, mulheres da terra consagrada a Raquel! Ouvi a alguĂ©m que vem de Davi que, perseguido, sofreu, e que tornado digno de falar, fala, para dar-vos luz e conforto. Ouvi.

As pessoas param de gritar, discutir, comprar, e se ajuntam.

– É um rabi!

– Certamente vem de JerusalĂ©m.

– Quem Ă©?

– Que belo homem!

– Que voz!

– Que modos!

– E, alĂ©m disso, se Ă© da descendĂȘncia de Davi!

– EntĂŁo Ă© nosso.

– Ouçamos, ouçamos!

Toda a praça estĂĄ agora perto da escadinha, que parece um pĂșlpito.

– No GĂȘnesis estĂĄ escrito[2]: “Eu porei inimizade entre ti e a mu­lher
 esta te esmagarĂĄ a cabeça, e tu armarĂĄs ciladas ao seu calca­nhar.” E estĂĄ escrito ainda: “Eu multiplicarei os teus sofrimentos e as tuas gestaçÔes
 e a terra produzirĂĄ abrolhos e espinhos.” Esta foi a condenação do homem, da mulher e da serpente.

Tendo vindo de longe para venerar o tĂșmulo de Raquel, ouvi no vento da tarde, no orvalho da noite, no lamento do rouxinol pela manhĂŁ, repetir-se os soluços da antiga Raquel[3], pelas tantas bocas das mĂŁes de BelĂ©m encerradas nos sepulcros, ou nos coraçÔes. E ouvi o rugir da dor de JacĂł, na dor dos viĂșvos, que ficaram sem suas esposas, porque a dor as matou
 Eu choro convosco. Mas ouvi, Ăł irmĂŁos da minha terra. BelĂ©m, terra bendita, a menor das cidades de JudĂĄ, mas a maior aos olhos de Deus e da humanidade porque berço do Salvador, como diz MiquĂ©ias[4], exatamente por ser assim, por ser destinada a ser o tabernĂĄculo sobre o qual pousaria a GlĂłria de Deus, o Fogo de Deus, o seu Amor encarnado, desencadeou o Ăłdio de SatanĂĄs.

“Porei inimizade entre ti e a mulher. Ela te manterĂĄ sob o seu pĂ©, e tu armarĂĄs ciladas ao seu calcanhar.” Que inimizade hĂĄ maior do que aquela, que tem em mira os filhos, que sĂŁo o coração do coração da mulher? E qual Ă© o mais forte pĂ© do que aquele da mĂŁe do Salvador? Eis porque foi natural a vingança de SatanĂĄs vencido, o qual, nĂŁo ao calcanhar, mas ao coração das mĂŁes, pela MĂŁe, ocorreu a sua insĂ­dia.

Oh! Multiplicados sofrimentos, ao perderem os filhos, depois de tĂȘ-los dado Ă  luz! Oh! TerrĂ­veis espinhos de ter semeado e suado pela prole e serem pais sem terem mais a sua prole! Mas jubila, BelĂ©m! O teu sangue mais puro, o sangue dos inocentes, fez um caminho de fogo e de pĂșrpura para o Messias


74.8

A multidão, que vinha sempre mais rumorejando, desde quando Jesus falou no Salvador, e depois na mãe Dele, agora mostra um sinal mais claro de agitação.

– Cala-te, Mestre –diz Judas–. E vamos embora.

Mas Jesus nĂŁo lhe dĂĄ ouvidos, e continua:

– 
 para o Messias, que a Graça de Deus Pai salvou dos tiranos, a fim de conservá-lo para a salvação do povo e


Uma voz estridente de mulher grita:

– Cinco, cinco deles eu tinha dado à luz, e mais nenhum está em minha casa! Pobre de mim!

E grita histericamente. É o começo da algazarra.

Uma outra se revolve na poeira, rasga as vestes, mostra uma de suas mamas mutilada no bico, e grita:

– Aqui, aqui sobre esta mama Ă© que degolaram o meu primogĂȘnito! A espada cortou-lhe o rosto, juntamente com o bico do meu seio. Oh! O meu Eliseu!

– E eu? E eu? Eis ali o meu palĂĄcio! TrĂȘs tĂșmulos em um, velados pelo pai. Marido e filhos juntos. Eis, eis!
 Se aqui estĂĄ o Salvador, que ele me devolva os filhos, me devolva o esposo, me salve do desespero e de Belzebu, me salve!

Todos gritam.

– Os nossos filhos, os maridos, os pais! Devolva-os, se Ă© que estĂĄ aqui!

Jesus move os braços, impondo silĂȘncio.

– IrmĂŁos da minha terra, Eu gostaria de devolver-vos vossos filhos em sua prĂłpria carne. Mas Eu vos digo: Sede bons, resignados, perdoai, esperai, alegrai-vos em uma esperança, jubilai em uma certeza. Logo reavereis os vossos filhos, anjos no CĂ©u, porque o Messias estĂĄ para abrir as portas dos CĂ©us e, se fordes justos, a morte serĂĄ Vida que vem e Amor que volta


– Ah! És Tu o Messias? Dize-o em nome de Deus!

Jesus abaixa os braços, com aquele seu gesto suave, manso, que parece um abraço, e diz:

– Eu o sou!

– Fora! Fora! EntĂŁo Ă© por tua culpa!

Passa voando uma pedra, por entre assobios e escĂĄrnios.

74.9

Judas dĂĄ um belo salto
 oh! se ele tivesse sido sempre assim! Coloca-se na frente do Mestre, de pĂ© sobre o muro do terraço, o manto desdobrado, e recebe, destemido, as pedradas, e atĂ© uma que lhe sangra, e grita para o JoĂŁo e o SimĂŁo:

– Levai Jesus embora. Levai-o para atrĂĄs daquelas ĂĄrvores. Depois eu irei. Ide, em nome do CĂ©u!

E para a multidĂŁo:

– Cães hidrófobos! Eu sou do Templo, e ao Templo e a Roma vos denunciarei.

A multidão, por um momento, sente medo. Mas depois recomeça o apedrejamento, por sorte, inåbil. E Judas, impassível o recebe, respondendo com afrontas às maldiçÔes do povo. Aliås, agarra no ar uma das pedras e a remete sobre a cabeça de um velhote, que grita, como uma pega que estå sendo depenada viva. E, como estão tentando subir até o seu pedestal, ele, råpido, pega um galho seco, que estå no chão (agora ele desceu do muro), e desce o galho sobre costas, cabeças, mãos, sem piedade.

Chegam as milícias e, com suas lanças, vão abrindo caminho:

– Quem Ă©s? Por que essa briga?

– Um judeu está sendo agredido por estes plebeus. Estava comigo um rabino conhecido dos sacerdotes. Ele estava falando a estes cães. E eles escaparam das correntes, e nos atacaram.

– Quem Ă©s tu?

– Judas de Keriot, que jĂĄ fui do Templo, e agora sou discĂ­pulo do Rabi Jesus da GalilĂ©ia. Sou amigo do fariseu SimĂŁo, do saduceu JocanĂŁ, do conselheiro do SinĂ©drio JosĂ© de ArimatĂ©ia, e, enfim, isto podes conferir, de Eleazar ben Ana, o grande amigo do ProcĂŽnsul.

– Irei verificar. Para onde vais?

– Vou com meu amigo para Keriot, e depois para JerusalĂ©m.

– Vai. Nós defenderemos tuas costas.

Judas estende a mĂŁo com umas moedas para o soldado. Deve ser uma coisa ilĂ­cita
 mas usual, porque o soldado as pega, rĂĄpido e cauteloso, o saĂșda e sorri. Judas desce do seu pĂłdio e vai aos saltos pelo campo inculto, e alcança os companheiros.

– Estás muito ferido?

– Coisa de nada, Mestre. Depois, foi por Ti
 Mas eu tambĂ©m bati. Devo estar todo sujo de sangue


– Sim, na face. Aqui há um fio de água.

JoĂŁo molha um paninho e lava a face de Judas.

– Lamento Judas
 Mas vĂȘ
 tambĂ©m dizer a eles que Ă©ramos judeus, segundo o teu senso prĂĄtico


– São uns animais. Creio que terás ficado persuadido disso, Mestre. E que não insistirás.

– Oh! NĂŁo. NĂŁo por medo. Mas porque Ă© inĂștil, por enquanto. Quando nĂŁo nos querem, nĂŁo os maldizemos, mas nos retiramos, rezando pelos pobres loucos, que estĂŁo morrendo de fome, e nĂŁo enxergam o PĂŁo. Vamos por este caminho remoto. Creio que podemos tomar o caminho para Hebron. Para os pastores, se os encontrarmos.

– Para levarmos mais pedradas?

– Não. Para dizer a eles: “Sou Eu”.

– Ah! EntĂŁo Ă© certo que vĂŁo bater em nĂłs. HĂĄ trinta anos que estĂŁo sofrendo por tua causa!
.

– Veremos.

E lĂĄ se vĂŁo por um pequeno bosque compacto, sombreado, fresco, e eu os perco de vista.

Detalhe

Jesus chega às ruínas da casa de Ana. Decidiu então falar com os habitantes de Belém, que tinham perdido os seus filhos no massacre dos Inocentes.

Palavras-chave

EMF 74.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Belém, terra bendita, a menor das cidades de Judå, mas a maior aos olhos de Deus e da humanidade porque berço do Salvador, como diz Miquéias, exatamente por ser assim, por ser destinada a ser o tabernåculo sobre o qual pousaria a Glória de Deus, o Fogo de Deus, o seu Amor encarnado, desencadeou o ódio de Satanås.

“Porei inimizade entre ti e a mulher. Ela te manterĂĄ sob o seu pĂ©, e tu armarĂĄs ciladas ao seu calcanhar.” Que inimizade hĂĄ maior do que aquela, que tem em mira os filhos, que sĂŁo o coração do coração da mulher? E qual Ă© o mais forte pĂ© do que aquele da mĂŁe do Salvador? Eis porque foi natural a vingança de SatanĂĄs vencido, o qual, nĂŁo ao calcanhar, mas ao coração das mĂŁes, pela MĂŁe, ocorreu a sua insĂ­dia.

Oh! Multiplicados sofrimentos, ao perderem os filhos, depois de tĂȘ-los dado Ă  luz! Oh! TerrĂ­veis espinhos de ter semeado e suado pela prole e serem pais sem terem mais a sua prole! Mas jubila, BelĂ©m! O teu sangue mais puro, o sangue dos inocentes,

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EMF 74.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu gostaria de devolver-vos vossos filhos em sua prĂłpria carne. Mas Eu vos digo: Sede bons, resignados, perdoai, esperai, alegrai-vos em uma esperança, jubilai em uma certeza. Logo reavereis os vossos filhos, anjos no CĂ©u, porque o Messias estĂĄ para abrir as portas dos CĂ©us e, se fordes justos, a morte serĂĄ Vida que vem e Amor que volta


Detalhe

Jesus disse ao povo de Belém que tinha sofrido o massacre dos Inocentes:

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EMF 74.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Pois é  eu tive um bom faro. NĂŁo Ă© sem motivo que eu sou albergueiro. Eu nasci aqui, sou filho de filhos de albergueiros. Tenho a malĂ­cia no sangue. Por isso, eu nĂŁo quis recebĂȘ-los. Talvez um buraco para eles eu teria encontrado. Mas
 galileus, pobres, desconhecidos
 ah! nĂŁo! O Ezequias nĂŁo cai nessa! E depois
 eu sentia
 sentia que eram diferentes
 aquela mulher
 com uns olhos
 nĂŁo, nĂŁo, ela devia ter o demĂŽnio dentro de si, e que lhe falava. E ela o trouxe aqui
 a mim nĂŁo, mas na cidade. Ana era mais inocente do que uma ovelhinha, e os hospedeu poucos dias depois, jĂĄ com o Menino. Diziam que ele era o Messias
 Oh! Quanto dinheiro eu ganhei naqueles dias!

Detalhe

Ezequias, um homem de Belém e estalajadeiro, fala mal da Virgem quando conta as suas recordaçÔes da Natividade.

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EMF 75

O Evangelho como me foi revelado

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Jesus, João, Simão, o Zelota, e Judas caminham em direção a Hebron. Ouvem o som de sinos e descobrem que hå pastores por perto. Jesus dirige-se então a Elias, a Levi e a José (filho do pastor José da Natividade). Interrogou-os e, quando lhes disse que vinha de Nazaré, os pastores perguntaram-lhe se tinha ouvido falar de Maria, de José e de Jesus de Nazaré. Contam-lhe as suas perseguiçÔes, a Glória que ouviram, as suas oraçÔes e o seu comportamento ao longo da vida. Quando eles declaram que andavam à procura do Salvador, Jesus revela-se-lhes e os pastores acreditam imediatamente: ficam felizes por encontrarem o Menino que tinham adorado na manjedoura. Jesus senta-se ao lado deles e pergunta pelos doze pastores. Dois morreram (Samuel e José), mas os outros oito - Jonas, Jonathas, Benjamim, Isaac, Daniel, Simeão, João e Tobias (agora Matias) - ainda estão vivos.

Comeram juntos e os pastores perguntaram ao Mestre sobre Maria, JosĂ©, a fuga para o Egito, o regresso... AtĂ© que perguntam o que podem fazer para o servir. O Senhor diz-lhes que vai percorrer a Judeia, que os discĂ­pulos os informarĂŁo e que eles poderĂŁo vir mais tarde. Entretanto, podem ir com ele a Yutta para ver Isaac e a Hebron para se reunirem junto do tĂșmulo de Samuel.

Elias pergunta-lhe se poderĂŁo servi-lo toda a vida, e Jesus prediz que eles o servirĂŁo toda a vida. Quando o pastor responde que morrerĂĄ antes de Cristo, o Senhor desilude-o: Elias serĂĄ uma das Ășltimas pessoas que verĂĄ quando morrer, mas o velho verĂĄ o seu triunfo, apĂłs o qual esperarĂĄ a morte, que serĂĄ sinĂłnimo de um encontro eterno com o seu Jesus.

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EMF 75.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Diz-me, entĂŁo. TerĂĄ voltado para lĂĄ um menino, com uma mulher chamada Maria e um homem chamado JosĂ©, um menino ainda mais bonito do que a sua mĂŁe, que flor mais bonita nunca se viu nas encostas de JudĂĄ? Um menino nascido em BelĂ©m de JudĂĄ, no tempo do edito? Um menino que fugiu depois, para a grande sorte do mundo. Um menino, que eu daria a vida para saber se ainda estĂĄ vivo, se jĂĄ Ă© um homem feito!

– Por que dizes que foi a grande sorte do mundo o ter Ele fugido?

– Porque Ele era o Salvador, o Messias, e Herodes queria matá-lo. Eu não estava aqui, quando Ele fugiu com o pai e a mãe


Detalhe

Jesus diz que vem de Nazaré e Elias pergunta-lhe:

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