Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 40.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Todo homem, em qualquer tempo, tem necessidade de consultar o Senhor­ para conhecer a sua vontade e de nela confiar para não atrair sua ira.

Palavras-chave

EMF 40.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– O rapaz Ă© perfeito. (...) Que ele seja levado Ă  verdadeira sinagoga.

Passam para uma sala mais ampla e pomposa. Aqui a primeira coisa que lhe fazem é encurtar-lhe os cabelos. Os grandes caracóis são recolhidos por José. Depois, apertam-lhe a veste vermelha com uma cinta comprida, passada em diversas voltas em torno da cintura, amarram-lhe umas fitazinhas na fronte, no braço e no manto. Elas ficam seguras por uma espécie de broche. Depois, cantam salmos, e José, com uma longa oração, louva ao Senhor e invoca sobre o Filho todos os bens.

A cerimĂŽnia chega ao fim. Jesus sai com JosĂ©. Voltam para o lugar onde estavam e se reĂșnem aos seus parentes homens, compram e oferecem um cordeiro; depois, com a vĂ­tima jĂĄ degolada, vĂŁo ao encontro das mulheres.

Maria beija o seu Jesus. Parece que havia muitos anos que ela nĂŁo o via. Ela olha para Ele, feito agora mais homem, com aquela veste e aqueles cabelos, e o acaricia.

Saem e tudo termina.

Detalhe

O exame da maioria de Jesus estĂĄ concluĂ­do.

Palavras-chave

EMF 41

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus estĂĄ sozinho em JerusalĂ©m. Maria viu-o a olhar numa determinada direção, mas a visĂŁo foi muito breve. A visĂŁo recomeça mais tarde e a mĂ­stica descobre o interior do Templo. Estavam lĂĄ doutores da Lei, incluindo Gamaliel, Hillel e Shammai, que discutiam a profecia de David e do Messias. Os dois primeiros defendiam que o Salvador jĂĄ estava na Terra, enquanto o outro afirmava que a escravatura de Israel sĂł tinha aumentado e que "a paz que deveria ser trazida por aquele a quem os profetas chamam 'o PrĂ­ncipe da Paz' estĂĄ longe de reinar sobre o mundo". Jesus intervĂ©m e declara que Gamaliel tem razĂŁo. Perguntam-lhe em que Ă© que se baseiam e, durante algum tempo, as personagens falam da Natividade e do massacre dos Inocentes. Depois, Hillel pergunta de onde vem a sabedoria do rapaz e querem examinĂĄ-lo devidamente. É-lhe dado um pergaminho e surge o tema do Precursor. Jesus diz que ele jĂĄ estĂĄ na terra e que em breve precederĂĄ Cristo. AlĂ©m disso, o Filho de JosĂ© profetiza sobre o Reino de Deus e a realeza de Cristo, que Ă© inteiramente espiritual. Disse mesmo que o santuĂĄrio de Deus nĂŁo seria mais cortado e destruĂ­do, e Hillel compreendeu as suas palavras citando outra passagem do livro de Ageu.

Gamaliel fala-lhe entĂŁo da Paz de que fala o profeta e Jesus responde-lhe com as palavras do GlĂłria: "Paz aos homens de boa vontade". Mas Israel nĂŁo tem essa boa vontade, pelo que nĂŁo terĂĄ a Paz e rejeitarĂĄ o seu Messias. Por fim, Jesus regressa de novo ao Precursor, na sequĂȘncia de uma observação de Shammai, dizendo que ele precederĂĄ em breve o Cristo. Termina dizendo que, se todos fossem como Hillel, a salvação chegaria a Israel. Hillel oferece-se para ficar com ele, mas o Menino diz que deve permanecer na solidĂŁo. E assim termina a visĂŁo.

Maria explica então como soube quem eram Hillel e Gamaliel (graças à voz do seu conselheiro interior). Por fim, Jesus då um ditado sobre a recuperação de Jesus e Maria no Templo e a dor de Maria e José. Volta à famosa pergunta: "Meu filho, porque nos fizeste isto?"

Palavras-chave

EMF 41.11-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

[
].

– Voltemos muito, muito atrĂĄs. Voltemos ao Templo, onde Eu, aos doze anos, estou disputando. Ou melhor, voltemos Ă s ruas que levam a JerusalĂ©m, e de JerusalĂ©m ao Templo.

VĂȘ a angĂșstia de Maria, quando, tendo-se reunido Ă s filas dos homens e das mulheres, viu que Eu nĂŁo estava com JosĂ©.

Ela não levanta a voz, em åsperas repreensÔes contra o esposo. Todas as mulheres o teriam feito. Vós o fazeis por muito menos, esquecendo-vos de que o homem é sempre o chefe da casa. Mas a dor que transparece no rosto de Maria, magoa José, mais do que qualquer repreensão. Maria não se abandona a cenas dramåticas. Vós, por muito menos, o fazeis, pois gostais de ser notadas, e feitas alvos de compaixão. Mas a dor contida de Maria é tão evidente, pelo tremor que a toma, pelo rosto que empalidece, pelos olhos que se dilatam, que comove mais do que qualquer cena de pranto e de clamor.

NĂŁo sente mais cansaço, nem fome. O caminho foi longo e, depois de tantas horas, nĂŁo tomou nenhum alimento! Mas ela deixa tudo. Tanto a enxerga, que estĂĄ sendo arrumada, como a comida que ia ser distribuĂ­da. Volta atrĂĄs. É tarde, a noite desce. NĂŁo importa. Cada passo que dĂĄ leva-a de volta a JerusalĂ©m. Faz parar as caravanas e os peregrinos. Pergunta a todos. JosĂ© a segue e a ajuda. Um dia de caminho, voltando, e depois uma penosa busca pela cidade.

Onde, onde poderĂĄ estar o seu Jesus? E Deus permite que ela nĂŁo saiba, durante tantas horas onde Ă© que devia ir me procurar. Procurar um menino no Templo, seria uma coisa sem sentido. Que teria um menino ido fazer no Templo? No mĂĄximo, teria se perdido na cidade, e se tivesse voltado para dentro do Templo, levado pelos seus pequenos passos, sua voz chorosa teria chamado pela mĂŁe atraindo a atenção dos adultos, dos sacerdotes, os quais teriam providenciado para que se procurassem os pais dele, por meio de avisos colocados nas portas. Mas nĂŁo havia nenhum aviso. NinguĂ©m na cidade sabia desse Menino. Bonito? Loiro? Robusto? Mas hĂĄ tantos assim! Era muito pouco para se poder dizer: “Eu o vi. Estava em tal ou tal lugar!”

41.12

TrĂȘs dias depois, sĂ­mbolo de outros trĂȘs dias de futura angĂșstia, eis que Maria, exausta, penetra no Templo, percorre os pĂĄtios e os vestĂ­bulos. Nada. Corre, corre a pobre mĂŁe, no rumo de onde lhe pareceu vir uma voz de menino. E, atĂ© os cordeiros, que estĂŁo balindo, lhe parecem o pranto do Filho, que estĂĄ procurando. Mas Jesus nĂŁo estĂĄ chorando. Ele estĂĄ ensinando. Neste momento, Maria ouve, do outro lado de uma barreira de pessoas, a querida voz, que diz: “Estas pedras tremerĂŁo
” Ela tenta atravessar a multidĂŁo, e sĂł o consegue, depois de muito esforço. Aqui estĂĄ o Filho, de braços abertos, em pĂ© entre os doutores.

Maria Ă© a Virgem prudente. Mas desta vez a angĂșstia venceu a sua reserva. É como um dique, que enfrenta o que vier. Ela corre atĂ© o Filho, e o abraça levantando-o do banco, pondo-o no chĂŁo, e exclama: “Oh! Por que nos fizeste isto? HĂĄ trĂȘs dias que estamos Ă  tua procura. Tua mĂŁe estĂĄ para morrer de dor, Filho. Teu pai estĂĄ exausto de cansaço. Por que Jesus?”

NĂŁo se pergunta os “porquĂȘs” a Quem sabe os “porquĂȘs” de seu modo de agir. Aos chamados nĂŁo se pergunta “porque”, deixam tudo para seguir a voz de Deus. Eu era a Sabedoria e sabia. Eu fui “chamado” para uma missĂŁo, e a estava cumprindo. Acima do pai e da mĂŁe desta terra, estĂĄ Deus, o Pai divino. Os seus interesses superam os nossos, e seus afetos sĂŁo superiores a qualquer outro. Eu digo isso a minha mĂŁe.

Termino o ensinamento aos doutores, com o ensinamento a Maria, Rainha dos doutores. E ela nunca mais esqueceu isso. O sol voltou ao seu coração, quando me tomou pela mĂŁo, humilde e obediente, mas as minhas palavras tambĂ©m ficaram em seu coração. Muito sol e muitas nuvens passarĂŁo pelo cĂ©u, durante aqueles vinte e um anos, em que Eu estarei ainda sobre a terra. E muita alegria e muito pranto se alternarĂĄ em seu coração, por outros vinte e um anos. Mas ela nunca mais me perguntarĂĄ: “Por que, meu Filho, nos fizeste isto?”

Aprendei, Ăł homens insolentes!

41.13

Eu expliquei e esclareci a visão, porque tu não estås em condiçÔes de fazer mais.

Palavras-chave

EMF 42

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vĂȘ o banco do carpinteiro em NazarĂ©. Jesus estĂĄ a trabalhar lĂĄ. Maria chega e chama o seu Filho: entram num quarto onde JosĂ© estĂĄ a morrer. Jesus aproxima-se do seu pai, tenta reanimĂĄ-lo e faz com que a sua MĂŁe se sente. Depois reza ao lado do moribundo e conforta-o. JosĂ© morre tranquilamente nos seus braços, rodeado pelo seu Filho e pela sua SantĂ­ssima Esposa.

Jesus faz então um ditado e insiste no sofrimento de Maria naquele momento, porque ela amava verdadeiramente o seu José. Para encontrar força nesta prova e para dar o seu fiat, ela agarra-se a Jesus. Também ela se agarra a Deus na hora da provação.

Jesus convida-nos a fazer o mesmo e a invocĂĄ-lo na hora da nossa morte, porque, entre as suas meias, ela perde toda a sua dureza. Jesus disse por todos nĂłs: "Senhor, nas tuas mĂŁos entrego o meu espĂ­rito", por todos aqueles que morrem a pensar nele, para que as nossas agonias sejam aliviadas.

Palavras-chave

EMF 42.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

42.1 Poderosamente, esta visĂŁo penetra em mim, enquanto eu estou procurando corrigir o fascĂ­culo, como tambĂ©m o que me foi ditado sobre as falsas religiĂ”es de agora. Vou descrevĂȘ-la, Ă  medida que a vou vendo.

Vejo o interior de uma oficina de carpinteiro. Parece-me que duas das paredes da oficina sĂŁo formadas por paredes rochosas, como se tivesse sido aproveitada uma gruta natural, para com ela formar os cĂŽmodos da casa. Aqui estĂŁo justamente os lados norte e oeste, que sĂŁo de rocha, enquanto que as duas outras paredes, do sul e do leste, sĂŁo de reboco, como as nossas.

No lado norte, hå uma curva cÎncava na superfície da rocha, que foi escavada para servir de lareira rudimentar, sobre a qual estå uma panelinha com verniz ou cola, não sei bem. A lenha, queimada durante anos naquele lugar, tingiu tanto a parede, que ela parece alcatroada, de tão preta. Um buraco na parede, transposto por uma espécie de grande telha inclinada, fazia-se de chaminé aspirando a fumaça da lenha. Mas este buraco deve ter cumprido mal a sua tarefa, porque as outras paredes também estão muito enegrecidas, e no momento uma nuvem de fumaça, estå sendo espalhada pela oficina toda.

42.2 Jesus trabalha com umas grandes tåbuas. Estå aplainando-as e depois as encosta na parede, atrås de Si. A seguir, pega uma espécie de banco, que estå preso dos dois lados no torno, o solta, olha se o trabalho estå certo, esquadreja-o em todos os sentidos e, em seguida, vai até a chaminé, pega a panelinha, procurando algo dentro dela, com um pauzinho ou pincel, não sei: só vejo a parte que ficou fora, parecida com um cabinho.

Jesus estĂĄ com uma veste cor de avelĂŁ escura, e sua tĂșnica Ă© um tanto curta, com as mangas arregaçadas acima dos cotovelos e com uma espĂ©cie de avental na frente, no qual ele limpa os dedos, depois de ter tocado a panelinha.

Ele está sozinho. Trabalha continuamente, mas com calma. Nenhum­ movimento desordenado, impaciente. É exato e incessante em seu trabalho. Não se aborrece com nada, nem com um nó na madeira que não se deixa aplainar, nem com uma chave de parafusos (assim me parece), que lhe cai duas vezes do banco, nem com a fumaça espalhada, que lhe deve incomodar os olhos.

De vez em quando, Ele levanta a cabeça, e olha para a parede do lado sul, onde hå uma porta fechada, como se estivesse escutando alguma coisa. A um dado momento, Ele abre uma porta que estå na parede do lado leste, e que då para a rua. Vejo um pedaço de uma viela poeirenta. Parece que Ele estå esperando alguém. Depois, volta ao trabalho. Não estå triste, mas estå sério. Torna a fechar a porta, e retoma o trabalho.

42.3 Enquanto estĂĄ ocupado em fabricar alguma coisa, que me parece as partes de uma roda, a mamĂŁe entra. Ela entra por uma porta do lado sul. Entra apressadamente e corre atĂ© Jesus. EstĂĄ vestida de azul escuro, e sem nada na cabeça. Uma simples tĂșnica ajustada Ă  cintura por um cordĂŁo da mesma cor. Chama com aflição o Filho, e se apĂłia com ambas as mĂŁos em um dos seus braços, com gestos de sĂșplica e de dor. Jesus a acaricia passando-lhe o braço sobre o ombro, e a conforta. Depois sai com ela, deixando logo o trabalho e tirando o avental.

Penso que o senhor quer saber também as palavras que foram ditas. Foram bem poucas, da parte de Maria:

– Oh! Jesus! Vem, vem. Ele está mal!

Estas palavras são ditas com lábios que tremem, e com o brilho do pranto nos olhos avermelhados e cansados. Jesus só diz: “Mãe!” Mas está tudo nesta palavra.

Entram no quarto ao lado, todo cheio da luz do sol, que entra por uma porta escancarada, que då para um pequeno jardim cheio de luz e de verde, no qual voam pombos entre a agitação, causada pelo vento, de umas roupas que estão estendidas para secar. O quarto é pobre, mas arrumado. Hå uma enxerga, coberta com pequenos colchÔes (eu digo pequenos colchÔes porque certamente são coisas altas e macias, mas não se trata de uma cama como a nossa). Sobre ela, apoiado em muitos travesseiros, estå José. Estå morrendo. Di-lo claramente o rosto lívido, o olhar apagado, o peito ofegante e a imobilidade do corpo todo.

42.4 Maria se coloca Ă  sua esquerda, pega-lhe a mĂŁo enrugada e lĂ­vida nas unhas, a fricciona, a acaricia, a beija, enxuga-lhe com um lenço o suor, que faz riscos que brilham nas tĂȘmporas encavadas, a lĂĄgrima, que pĂĄra no canto do olho, e lhe banha os lĂĄbios com um pano de linho­ molhado em um lĂ­quido que parece vinho branco.

Jesus se pÔe à direita. Soergue com agilidade e cuidado o corpo, que se deixa cair e o endireita sobre os travesseiros, que ajeita com Maria. Acaricia sobre a fronte o agonizante, e procura reanimå-lo.

Maria chora baixinho, sem fazer barulho, mas chora. Grandes lågrimas rolam ao longo das faces pålidas, e até sobre a veste azul escuro, e parecem safiras brilhantes.

JosĂ© volta a si por algum tempo, olha fixamente Jesus, dĂĄ-lhe a mĂŁo, como querendo dizer-lhe alguma coisa, e para ter, ao contato divino, força na Ășltima provação. Jesus se inclina sobre aquela mĂŁo, e a beija. JosĂ© sorri. Depois, ele se vira, para procurar Maria, sorrindo tambĂ©m para ela. Maria se ajoelha junto Ă  cama, procurando sorrir. Mas, nĂŁo se saiu bem, e curva a cabeça. JosĂ© lhe coloca a mĂŁo sobre a cabeça, com uma casta carĂ­cia, que parece uma bĂȘnção.

Não se ouve mais nada, a não ser o esvoaçar e o arrulhar dos pombos, o roçar das folhas, o barulho da ågua e, no quarto, a respiração do moribundo.

Jesus anda ao redor do leito, pega um banco e faz Maria sentar-se, dizendo-lhe somente: “MamĂŁe.” Depois volta ao seu lugar e pega de novo a mĂŁo de JosĂ© entre as suas. É uma cena tĂŁo real, que eu choro com dĂł de Maria.

42.5 Depois Jesus, curvando-se sobre o moribundo, em voz baixa recita um salmo. Eu sei que é um salmo, mas agora não posso dizer qual. Começa assim:

– “Protege-me, Ăł Senhor, porque em Ti pus a minha esperança
 Em favor dos santos, que estĂŁo na terra, ele cumpriu admiravelmente todos os seus desejos
 Bendirei ao Senhor que me dĂĄ conselhos
 Tenho sempre o Senhor diante de mim. Ele estĂĄ Ă  minha direita, para que eu nĂŁo vacile. Por isso se alegra o meu coração, e exulta a minha lĂ­ngua, e tambĂ©m meu corpo repousarĂĄ na esperança. Porque Tu nĂŁo abandonarĂĄs a minha alma na mansĂŁo dos mortos, nem permitirĂĄs que o teu santo veja a corrupção. Far-me-ĂĄs conhecer os caminhos da vida, cumular-me-ĂĄs de alegria com a tua face.”

José se reanima todo e, com um olhar mais vivo, sorri para Jesus e lhe aperta os dedos.

Jesus responde com um sorriso ao sorriso e com uma carĂ­cia ao aperto de mĂŁo, e continua docemente, curvado sobre o seu pai adotivo:

– “QuĂŁo amĂĄveis sĂŁo os teus TabernĂĄculos, Ăł Senhor. Minha alma se consome de desejo pelos ĂĄtrios do Senhor. AtĂ© o pardal tem uma casa, e a rolinha um ninho para os seus filho­tes. Eu desejo os teus altares, Ăł Senhor. Felizes aqueles que habitam a tua casa
 Feliz o homem que encontra em Ti a sua força. Ele tem preparadas em seu coração as ascensĂ”es do vale de lĂĄgrimas ao lugar escolhido. Ó Senhor, escuta a minha oração
 Ó Deus, volta o teu olhar para a face do teu Cristo
”

JosĂ© com um soluço, olha para Jesus, e faz sinal de querer falar, como para abençoĂĄ-lo. Mas nĂŁo pode. VĂȘ-se que ele estĂĄ compreendendo, mas jĂĄ nĂŁo pode falar. Contudo, ele se sente feliz, e olha, animado e confiante para o seu Jesus.

Jesus continua:

– “Oh! Senhor, Tu foste propĂ­cio Ă  tua terra, livraste JacĂł da escravidĂŁo
 Mostra-nos, Ăł Senhor, a tua misericĂłrdia, e dĂĄ-nos o teu Salvador. Quero ouvir o que me diz dentro de mim o Senhor Deus. Certamente Ele falarĂĄ de paz ao seu povo pelos seus santos e por quem a Ele se volta de coração. Sim, a tua salvação estĂĄ prĂłxima
 e a glĂłria habitarĂĄ sobre a ter­ra
 A bondade e a verdade se encontraram, a justiça e a paz se beijaram. A verdade surgiu da terra e a justiça a olhou do CĂ©u. Sim, o Senhor se mostrarĂĄ benigno, e a nossa terra darĂĄ o seu fruto. A justiça caminharĂĄ diante Dele, e deixarĂĄ no caminho os seus rastros.” Tu viste esta hora, Ăł pai, e por ela foi que te cansaste tanto. Tu ajudaste esta hora a se formar, e o Senhor te darĂĄ a recompensa. Eu te digo isto –acrescenta Jesus, enxugando uma lĂĄgrima de alegria, que desce lentamente pela face de JosĂ©.

Depois continua:

– “Ó Senhor, lembra-te de Davi, e de toda a sua mansidĂŁo. Como ele jurou ao Senhor: nĂŁo entrarei em minha casa, nĂŁo me deitarei, nĂŁo darei sono aos meus olhos, nem repouso Ă s minhas pĂĄlpebras, nem descanso Ă s minhas tĂȘmporas, enquanto eu nĂŁo encontrar um lugar para o Senhor, uma morada para o Deus de Jacó
 Levanta-te, Ăł Senhor, e vem ao teu repouso, Tu e a Arca da tua santidade (Maria compreende, e tem uma explosĂŁo de pranto). Sejam revestidos de justiça os teus sacerdotes, e façam festa os teus santos. Pelo amor de Davi, teu servo, nĂŁo nos negue o rosto do teu Cristo. O Senhor prometeu a Davi com juramento, e cumprirĂĄ: ‘Porei sobre o trono o fruto do teu seio.’ O Senhor escolheu a sua morada
 Eu farei florescer o poder de Davi, preparando uma tocha acesa para o meu Cristo.”

42.6 Obrigado, meu pai, por Mim e por minha mĂŁe. Tu foste para Mim

um pai justo, e o Eterno te colocou como guarda do seu Cristo e da sua Arca. Tu foste a tocha acesa por Ele e, para com o Fruto do ventre santo, tiveste entranhas de caridade. Vai em paz, Ăł pai! A viĂșva nĂŁo ficarĂĄ desamparada. O Senhor predispĂŽs que ela nĂŁo fique sozinha. Vai tranqĂŒilo para o teu repouso. Eu te digo.

Maria chora com o rosto curvado sobre as cobertas (parecem mantos) estendidas sobre o corpo de José, que vai esfriando. Jesus apressa os seus confortos, pois a respiração se torna mais difícil, e o olhar se torna anuviado.

– “Feliz o homem que teme o Senhor, e pĂ”e nos seus mandamentos todo o seu prazer
 A justiça dele permanece nos sĂ©culos dos sĂ©culos. Entre os homens retos, surge nas trevas como uma luz, o misericordioso, o benigno, o justo
 O justo serĂĄ lembrado para sempre
 A sua justiça Ă© eterna, o seu poder se elevarĂĄ atĂ© Ă  glĂłria
”

Tu terĂĄs esta glĂłria, meu pai. Logo virei buscar-te com os Patriarcas que te precederam, para ires Ă  glĂłria que te espera. Que o teu espĂ­rito exulte com esta minha palavra.

“Quem repousa no auxĂ­lio do AltĂ­ssimo, vive sob a proteção do Deus do CĂ©u.”

Tu jĂĄ estĂĄs nesse lugar, meu pai.

“Ele me livrou do laço dos caçadores e das palavras ĂĄsperas. Ele te cobrirĂĄ com as suas asas e debaixo de suas penas encontrarĂĄs refĂșgio. A sua verdade te defenderĂĄ como um escudo, nĂŁo temerĂĄs os espantos noturnos
 NĂŁo se aproximarĂĄ de ti o mal
 porque aos seus anjos Ele deu a ordem de guardar-te em todos os teus caminhos. Eles te levarĂŁo em suas mĂŁos, para que o teu pĂ© nĂŁo tropece nas pedras. CaminharĂĄs sobre a ĂĄspide e o basilisco, e esmagarĂĄs o dragĂŁo e o leĂŁo. Porque esperaste no Senhor, Ele te diz, Ăł pai, que te libertarĂĄ e protegerĂĄ. Porque elevaste a Ele a tua voz, Ele te ouvirĂĄ, estarĂĄ contigo na Ășltima tribulação, te glorificarĂĄ depois desta vida, fazendo-te ver desde agora a sua Salvação”, e fazendo-te entrar na outra, pela Salvação que agora te estĂĄ confortando e que logo, oh!, logo virĂĄ, te repito, cingir-te com um abraço divino e levar-te Consigo, Ă  frente de todos os Patriarcas, lĂĄ para o lugar onde estĂĄ preparada a morada do Justo de Deus, que para Mim foi um pai bendito.

Vai, na minha frente, dizer aos Patriarcas que a Salvação jĂĄ estĂĄ no mundo e que o Reino dos CĂ©us logo serĂĄ aberto para eles. Vai, pai. A minha bĂȘnção te acompanhe.

42.7 A voz de Jesus se faz mais alta, para chegar até à mente de José,

que jĂĄ se vai mergulhando nas nĂ©voas da morte. O fim Ă© iminente. Ele jĂĄ respira com dificuldade. Maria o acaricia. Jesus se assenta sobre a beira da cama, abraça e atrai para Si o agonizante, que exala o Ășltimo suspiro, sem fazer nenhum movimento.

É uma cena cheia de uma paz solene. Jesus coloca novamente o Patriarca na cama e abraça Maria, que, no fim se aproximou de Jesus na angĂșstia que sentia.

Detalhe

Morte de São José.

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EMF 42.8-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– A todas as mulheres que estão sendo torturadas por alguma dor, Eu ensino a imitar Maria na sua viuvez: unindo-se a Jesus.

Aqueles que pensam que Maria não sofreu as penas do coração, estão errados. Minha mãe sofreu. Ficai sabendo disso. Santamente, porque tudo nela era santo, mas profundamente.

Aqueles que pensam que Maria amava o seu esposo com um amor tépido, visto que ele era um esposo para as coisas espirituais, e não para as carnais, estão igualmente errados. Maria amava intensamente o seu José, ao qual dedicou seis lustros (30 anos) de uma vida de fidelidade. Para Ela José foi pai, esposo, irmão, amigo e protetor.

Agora, ela se sentia sozinha, como uma vara de videira ao qual foi cortada a årvore em que se apoiava. Sua casa ficou como que ferida por um raio. Ficou dividida. Antes era uma unidade na qual os membros se sustinham um ao outro. Agora, vinha a faltar a parede mestra, sendo este o primeiro dos golpes desferido naquela Família, sinal de que dentro em breve o seu amado Jesus também a deixaria.

A vontade do Eterno, que tinha querido que ela fosse esposa e mãe, agora lhe impunha a viuvez e a entrega de seu Filho. Maria diz entre lágrimas, um dos seus sublimes “sim.” “Sim, Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” E, para ter força naquela hora, ela Me abraça.

Sempre Maria abraçou Deus nas horas mais graves da sua vida. No Templo, quando chamada para as nĂșpcias; em NazarĂ©, quando chamada para a Maternidade; ainda em NazarĂ©, derramando as lĂĄgrimas da viuvez; em NazarĂ© no suplĂ­cio da separação do Filho; no CalvĂĄrio, em que sofreu a tortura de Me ver morrer.

42.9

Aprendei, vós que chorais. Aprendei, vós que morreis. Aprendei, vós que viveis para morrer. Procurai merecer as palavras que Eu disse a José. Serão a vossa paz em vossa agonia. Aprendei, vós que morreis, a merecer a presença de Jesus perto de vós, para vosso conforto. Mesmo se não tiverdes merecido, ousai chamar-me para perto de vós. Eu virei. Com as mãos cheias de graça e de conforto, o coração cheio de perdão e amor, com os låbios cheios de palavras de absolvição e encorajamento.

A morte perde toda a sua aspereza, se ela acontecer nos meus braços. Crede nisso. Eu não posso abolir a morte, mas posso tornå-la suave para quem morre confiando em Mim.

O Cristo disse[2] para todos vĂłs, em sua Cruz: “Senhor, a Ti entrego o meu espĂ­rito.” Ele o disse, pensando na sua e nas vossas agonias, nos vossos terrores, nos vossos erros, nos vossos temores, nos vossos desejos de perdĂŁo. Ele o disse com o coração dilacerado, antes mesmo do golpe da lança, numa dilaceração mais espiritual do que fĂ­sica, para que as agonias daqueles que morrem pensando Nele, sejam amenizadas pelo Senhor e o espĂ­rito deles passe da morte Ă  Vida, da dor ao jĂșbilo eterno.

42.10

Esta, pequeno JoĂŁo, Ă© a lição de hoje. SĂȘ boa, e nĂŁo temas. A minha paz refluirĂĄ em ti sempre, atravĂ©s da palavra e atravĂ©s da contemplação. Vem. Faz de conta que Ă©s JosĂ©, que tem por travesseiro o peito de Jesus, e Maria como enfermeira. E repousa entre nĂłs, como um menino em seu berço.

Palavras-chave