32.7 Jesus diz:
â Nascem dois ensinamentos para todos, da descrição que fizeste.
O primeiro: NĂŁo Ă© a um sacerdote mergulhado nos ritos, mas o espĂrito ausente, e, sim, a um simples fiel que a verdade se revela.
O sacerdote, sempre em contato com a Divindade, voltado a tudo que Ă© relacionado a Deus, dedicado a tudo o que estĂĄ acima da carne, deveria ter percebido logo quem era o Menino que estava sendo oferecido ao Templo, naquela manhĂŁ. Mas, para que pudesse pressentir, precisava de um espĂrito vivo. NĂŁo simplesmente de uma veste para cobrir um espĂrito, que, se nĂŁo estava morto, estava muito adormecido.
O EspĂrito de Deus pode, se quiser, trovejar e sacudir, como um raio e um terremoto, atĂ© o espĂrito mais obtuso. Isto Ele pode. Mas geralmente, visto que Ele Ă© EspĂrito de ordem, dado que Deus Ă© ordem em cada uma de Suas Pessoas e em Seu modo de agir, Ele se expande e se comunica, nĂŁo digo sĂł onde hĂĄ merecimento suficiente para receber a sua efusĂŁo (e nesse caso, seriam poucos os casos em que Ele se expandiria, nem mesmo tu conhecerias as suas luzes) mas, sim, onde Ele vĂȘ âboa vontadeâ em merecer a sua efusĂŁo.
Como se explica essa boa vontade? Tanto quanto possĂvel, com uma vida inteira em Deus. Na fĂ©, na obediĂȘncia, na pureza, na caridade, na generosidade, na oração. NĂŁo tanto no ativismo, mas na oração. HĂĄ uma diferença menor entre a noite e o dia, do que entre o ativismo e a oração. A oração Ă© comunhĂŁo de espĂrito com Deus, da qual, vĂłs saĂs revigorados e decididos a serdes sempre mais dâEle. O ativismo Ă© um hĂĄbito qualquer, feito por diversos fins, mas sempre egoĂstas, deixando-vos como sois, ou melhor, vos agrava atĂ© de uma culpa de mentira e de acĂdia.
32.8 SimeĂŁo tinha esta boa vontade. A vida nĂŁo lhe tinha poupado trabalhos e provaçÔes. Mas ele nĂŁo perdeu a boa vontade. Os anos e as vicissitudes nĂŁo tinham enfraquecido nem abalado a sua fĂ© no Senhor, nas Suas promessas, e nĂŁo tinham diminuido a sua boa vontade de ser sempre mais digno de Deus. Antes que os olhos de seu servo fiel se fechassem Ă luz do sol, na esperança de se reabrirem ao Sol de Deus rutilando nos CĂ©us (que seriam abertos, quando Eu lĂĄ subisse, apĂłs o meu martĂrio) Deus lhe mandou um raio do EspĂrito, que o guiou ao Templo para ver a Luz do mundo.
âMovido pelo EspĂrito Santoâ, diz o Evangelho. Oh! Se os homens soubessem que Amigo perfeito Ă© o EspĂrito Santo! Que Guia, que Mestre! Se amassem e invocassem, este Amor da SantĂssima Trindade, esta Luz da Luz, este Fogo do Fogo, esta InteligĂȘncia, esta Sabedoria! Muito alĂ©m do necessĂĄrio, eles haveriam de saber!
Escuta, Maria; escutai, meus filhos: SimeĂŁo esperou durante toda uma longa vida para âver a Luzâpara saber que a promessa de Deus estava cumprida. Mas ele nunca duvidou. Nunca disse a si mesmo: âĂ inĂștil que eu persevere em esperança e em oração.â Ele perseverou. E alcançou a graça de âverâ o que nem o sacerdote, nem os sinedritas, cheios de soberba e opacidade, viram: o Filho de Deus, o Messias, o Salvador naquele corpo infantil, que lhe dava calor e sorrisos. Ele recebeu portanto o sorriso de Deus, como primeiro prĂȘmio de sua vida honesta e piedosa, atravĂ©s dos meus lĂĄbios de Menino.
32.9 Segunda lição: As palavras de Ana. TambĂ©m ela, que Ă© profetisa, vĂȘ o Messias em Mim, recĂ©m-nascido. Isto Ă© natural, dada a sua capacidade de profecia. Mas escuta, escutai o que ela, inspirada pela fĂ© e pela caridade, diz Ă minha mĂŁe. Tirai disto luz para o vosso espĂrito, para que ele rejubile neste tempo de trevas, nesta festa da Luz. âA Ruem deu um Salvador nĂŁo faltarĂĄ o poder de dar o seu anjo para confortar o teu, o vosso pranto.â
Pensai que Deus deu-se a si mesmo, para anular a obra de satanĂĄs nos espĂritos. Agora nĂŁo poderĂĄ Ele vencer os satanases que vos torturam? NĂŁo poderĂĄ enxugar o vosso pranto, derrotando esses satanases e enviando-vos de novo a paz do seu Cristo? Por que nĂŁo o pedir com fĂ©? FĂ© verdadeira, poderosa, uma fĂ©, diante da qual, o rigor de Deus, desprezado por vossas inĂșmeras culpas, caia com um sorriso, trazendo o perdĂŁo como ajuda, trazendo a sua bĂȘnção, como arco-Ăris sobre esta terra que estĂĄ submergindo em um dilĂșvio de sangue procurado por vĂłs mesmos?
Pensai: O Pai, depois de ter castigado os homens com o dilĂșvio, disse a Si mesmo e ao Seu patriarca: âNĂŁo amaldiçoarei mais a terra por causa dos homens, porque os sentidos e os pensamentos do coração do homem estĂŁo inclinados para o mal, desde a adolescĂȘncia; portanto, nĂŁo ferirei o ser vivo mais uma vez.â Ele foi fiel Ă Sua palavra. NĂŁo mandou mais o dilĂșvio. Mas vĂłs, muitas vezes jĂĄ dissestes a vĂłs mesmos e a Deus: âSe nos salvarmos desta vez, se nos salvas, nĂŁo faremos mais guerras, nunca mais.â E depois sempre continuais fazendo guerras, cada vez mais tremendas. Quantas vezes, Ăł homens falsos e sem respeito para com o Senhor Ă© a vossa palavra? No entanto, Deus vos ajudaria ainda uma vez, se a grande massa dos fiĂ©is o chamasse com fĂ© e amor poderoso.
Escutai, Ăł vĂłs todos â que, sendo muito poucos para contrabalançar os muitos que estĂŁo mantendo vivo o rigor de Deus, permanecei devotos a Ele, nĂŁo obstante a hora tremenda que ameaça crescer a cada instante â e colocai as vossas afliçÔes aos pĂ©s de Deus. Ele saberĂĄ mandar-vos o Seu anjo, como mandou o Salvador ao mundo. NĂŁo temais. Ficai unidos Ă Cruz. Ela sempre venceu as insĂdias do demĂŽnio, que, por meio da ferocidade dos homens e das tristezas da vida, procura o domĂnio dos homens pelo desespero, isto Ă©, pela separação de Deus, pois nĂŁo pode apoderar-se dos coraçÔes de outra maneira.