EMF 181.3-7 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
â Ainda neste belo tempo dos trigais que estĂŁo soltando espigas, Eu vos quero propor uma parĂĄbola, tomada dos grĂŁos. Ouvi-a.
O Reino dos CĂ©us Ă© semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas, enquanto o homem e seus empregados dormiam, veio um inimigo dele, espalhou sementes de joio nos sulcos e foi-se embora. A princĂpio, ninguĂ©m percebeu nada. Veio o inverno com as chuvas e as geadas, veio o fim do mĂȘs de Tebet, e as sementes germinaram. Era um verdor de grandes folhas tenras, que mal tinham despertado. Em sua infĂąncia inocente, pareciam todas iguais. Veio o mĂȘs de Shebat, depois o de Adar, e as plantas se formaram, e começaram a mostrar suas espigas. AĂ Ă© que se viu que aquele verdor nĂŁo era sĂł do trigo, mas tambĂ©m do joio, que estava bem enroscado, com seus tentĂĄculos, fininhos e pegajosos, nas hastes do trigo.
Ao verem isso, os empregados foram, Ă casa do patrĂŁo e lhe disseram: âSenhor, que semente foi que semeaste? NĂŁo foi uma semente escolhida, separada de quaisquer outras sementes?â
âCertamente. Eu escolhi os grĂŁos todos iguais em suas formas. E, se houvesse outras sementes, eu as teria visto.â
âComo Ă©, entĂŁo, que nasceu tanto joio no meio do trigo?â
O patrĂŁo pensou, depois disse: âAlgum inimigo meu fez isso para prejudicar-me.â
Os empregados ainda lhe perguntaram: âNĂŁo queres que nĂłs vamos por entre os sulcos e, com paciĂȘncia, apanhemos as espigas do joio e arranquemos? Manda, que iremos.â
Mas o patrĂŁo lhes respondeu: âNĂŁo. VĂłs poderĂeis, ao fazer o que dizeis, arrancar junto o trigo e, certamente, ofenderĂeis as espigas ainda tenras. Deixai, pois que um e outro fiquem juntos atĂ© o fim da colheita. Naquela ocasiĂŁo, eu direi aos ceifadores: âPassai a foice em tudo junto; depois, antes de amarrar os feixes, agora que a secura do tempo tornou quebradiças as hastes do joio e que, ao mesmo tempo jĂĄ estĂŁo bem formadas e duras as espigas, agora, sim, separai o joio do trigo, e fazei com ele uns feixes Ă parte. VĂłs os queimareis depois, e eles vĂŁo servir de adubo para o solo. Ao mesmo tempo, vĂłs levareis o trigo puro para os celeiros, e ele vai servir para se fazer um pĂŁo muito bom, e para humilhar o inimigo, que sĂł terĂĄ ganhado isto: ficar abjeto aos olhos de Deus pelo seu Ăłdioâ.â
Agora, refleti entre vĂłs como frequentemente acontece, e como Ă© grande a semeadura do Inimigo em vossos coraçÔes. Compreendei como Ă© preciso vigiar, com paciĂȘncia e constĂąncia, para fazer que seja pouco o joio que se misture ao trigo escolhido. O destino do joio Ă© ser queimado. Quereis vĂłs ser queimados, ou tornar-vos cidadĂŁos do Reino? Pois bem. Que saibais sĂȘ-lo. O bom Deus vos dĂĄ a Palavra. O Inimigo estĂĄ vigiando para tornĂĄ-la nociva, porque a farinha de trigo misturada com a farinha de joio dĂĄ um pĂŁo amargo que faz mal ao estĂŽmago. Saibais, com boa vontade, se houver joio em vossa alma, separĂĄ-lo para jogĂĄ-lo fora, a fim de que nĂŁo sejais indignos de Deus.
Ide, meus filhos. A paz esteja convosco.
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As pessoas se afastam lentamente. No pequeno jardim ficaram os oito apĂłstolos com Elias, seu irmĂŁo, a mĂŁe e o velho Isaac, que sente a alma alimentar-se, quando olha para o seu Salvador.
â Vinde ao Meu redor, e ouvi. Eu vos explico o sentido completo da parĂĄbola, que tem ainda dois aspectos, alĂ©m daquele de que Eu falei Ă multidĂŁo.
Num sentido universal, a parĂĄbola tem esta aplicação: o campo e o mundo. A semente boa sĂŁo os filhos do Reino de Deus, semeados por Deus sobre o mundo, Ă espera de chegarem ao seu limite, quando serĂŁo cortados pela FalcĂfera, e levados ao Dono do mundo, para que entrem novamente em seus celeiros. O joio sĂŁo os filhos do Maligno, espalhados, por sua vez, pelo campo de Deus, com a intenção de causar tristeza ao Dono do mundo e de estragar as espigas de Deus. O Inimigo de Deus o semeou de propĂłsito, atravĂ©s de um sortilĂ©gio, porque o diabo verdadeiramente desnatura o homem, atĂ© fazer dele uma criatura sua, que semeia, para tirar do caminho a outros, que ele ainda nĂŁo foi capaz de tornar seus escravos. A colheita, ou melhor, a formação dos feixes e o transporte dos mesmos atĂ© os celeiros Ă© o fim do mundo. Os que fazem essa tarefa sĂŁo os anjos. Foi mandado a eles que reĂșnam as criaturas cortadas, e separem o trigo do joio e, como na parĂĄbola ele Ă© queimado. Assim serĂŁo queimados no fogo eterno no JuĂzo Final os condenados.
O Filho do homem mandarĂĄ que sejam tirados do seu Reino todos os causadores de escĂąndalos e de iniquidades. Porque entĂŁo o Reino serĂĄ no CĂ©u e na terra, e entre os cidadĂŁos do Reino na terra estarĂŁo misturados muitos filhos do Inimigo. Estes atingirĂŁo, como foi dito[1] tambĂ©m pelos Profetas, a perfeição do escĂąndalo e da abominação em todos os ministĂ©rios da terra, e darĂŁo grandes aborrecimentos aos filhos do espĂrito. No Reino de Deus, nos CĂ©us, jĂĄ terĂŁo sido expulsos os corruptos, porque a corrupção nĂŁo entra no CĂ©u. Agora, pois, os Anjos do Senhor e, impunhando a foice por entre as fileiras da Ășltima colheita, cortarĂŁo e separarĂŁo o trigo do joio, e jogarĂŁo este na fornalha ardente, onde hĂĄ choro e ranger de dentes, mas levando consigo os justos, o trigo escolhido, para a JerusalĂ©m Eterna, onde eles brilharĂŁo como sĂłis no Reino de meu e vosso Pai.
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Isto, no sentido universal. Mas para vĂłs hĂĄ um outro ainda, e vem responder Ă s perguntas que, especialmente como ontem Ă tarde, costumais fazer. VĂłs estĂĄveis perguntando a vĂłs mesmos: âMas, entĂŁo, no meio do grupo dos discĂpulos pode existir traidores?â, e tremeis de horror e de medo em vossos coraçÔes. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.
O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele âcolhe.â Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discĂpulos. Como foi que houve extraviados? NĂŁo, mas pelo contrĂĄrio, eu falei mal quando chamei os discĂpulos de sementes. VĂłs poderĂeis entender-me mal. Eu vou chamĂĄ-los, entĂŁo de âcampo.â Tantos discĂpulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a ĂĄrea do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivĂĄ-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciĂȘncia. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constĂąncia. Ele olha tambĂ©m as tendĂȘncias mĂĄs deles. A aridez e cobiça deles. VĂȘ as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitĂȘncia porque os quer levar Ă perfeição.
Mas os campos estĂŁo abertos. NĂŁo sĂŁo um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual sĂł o mestre Ă© o dono, e no qual sĂł ele pode penetrar. EstĂŁo abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas nĂŁo Ă© sĂł o joio que Ă© a semente mĂĄ semeada. O joio: este poderia ser o sĂmbolo da leviandade amarga do espĂrito do mundo. Mas aĂ nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. AĂ estĂŁo as urtigas. AĂ as tiriricas. AĂ as cuscutas. AĂ os cipĂłs-chumbo. AĂ, enfim as cicutas e os tĂłxicos. Por quĂȘ? Por quĂȘ? Que sĂŁo eles?
As urtigas: sĂŁo os espĂritos irritantes, indomĂĄveis, que ferem, por uma superabundĂąncia de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois sĂł sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre nĂŁo fosse perturbado e distraĂdo pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipĂłs-chumbo, inertes, que sĂł se levantam do chĂŁo, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas sĂŁo um tormento no caminho, jĂĄ difĂcil, do mestre, e um tormento para os discĂpulos fiĂ©is que o acompanham. Elas se agarram a nĂłs, espetam, ferem, arranham, sĂł causam desconfiança e sofrimento. Os tĂłxicos: sĂŁo os delinquentes que estĂŁo entre os discĂpulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, jĂĄ tereis visto como elas sĂŁo bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cĂąndida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tĂŁo parecidos com aquelas frutinhas que sĂŁo a delĂcia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? NinguĂ©m. Mas os inocentes aĂ caem. CrĂȘem que todos sĂŁo bons como eles⊠colhem os frutos, comem e morrem.
Acham que todos sĂŁo bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade nĂŁo desarma? NĂŁo torna inofensivo o querer-mal? NĂŁo. NĂŁo o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensĂvel a tudo o que Ă© superior. E tudo o que Ă© superior muda de aspecto para ele. A bondade Ă© vista como uma fraqueza, em que Ă© permitido pisar, e refina sua mĂĄ vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, sĂł o sentir cheiro do sangue. TambĂ©m o mestre Ă© sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque nĂŁo quer e nĂŁo deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem Ă© inocente.
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Dos discĂpulos, que sĂŁo os campos do mestre, Ă© que vĂȘm os inimigos. E sĂŁo muitos. O primeiro Ă© satanĂĄs. Os outros sĂŁo os servos dele, isto Ă©, os homens, as paixĂ”es, o mundo e a carne. AĂ estĂĄ o discĂpulo mais fĂĄcil de ser atingido por eles, porque ele nĂŁo estĂĄ completamente ao lado do Mestre, mas estĂĄ em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele nĂŁo sabe, nĂŁo quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixĂ”es e do demĂŽnio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixĂ”es e o demĂŽnio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espĂrito de utilitarismo. âOs grandes Ă© que sĂŁo os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tĂȘ-los como amigos.â E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tĂŁo mesquinhas!âŠ
Por que o Mestre, que estĂĄ vendo a imperfeição do discĂpulo, ainda que nĂŁo queira render-se a este pensamento: âEste vai ser o meu matadorâ, nĂŁo o elimina imediatamente do meio dos discĂpulos? Isto vĂłs perguntais:
Porque Ă© inĂștil fazer isso.. Se o fizesse nĂŁo impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque Ă s vezes o mau discĂpulo nĂŁo percebe que o Ă©. Ă tĂŁo sutil a obra do demĂŽnio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que estĂĄ sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente Ă©, quando ele nĂŁo estĂĄ inconsciente do trabalho de satanĂĄs, e de seus adeptos: sĂŁo os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, sĂł por sua santidade, comparada Ă s maldades deles, jĂĄ os ofende. E, entĂŁo, o santo ora e se abandona a Deus. âO que Tu permites se faça, seja feitoâ, diz ele. Somente acrescenta esta clĂĄusula: âContanto que sirva para o teu fim.â O santo sabe que virĂĄ a hora em que serĂŁo expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que nĂŁo permite nada alĂ©m do que Ă© Ăștil para o triunfo de sua vontade de amor.
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â Mas, se Tu admites que sempre Ă© satanĂĄs e os adeptos dele⊠parece que a responsabilidade do discĂpulo diminua âdiz Mateus.
â Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe tambĂ©m o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.
â Tu dizes que Deus nĂŁo permite nada alĂ©m de tudo o que Ă© Ăștil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, tambĂ©m esse erro Ă© Ăștil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina
âdiz Iscariotes.
â E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discĂpulo. Deus havia criado o leĂŁo sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um Ă© feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusĂ”es.
Anotação
Nesta bela época do ano, em que as espigas de trigo se estão a formar, gostaria de sugerir uma paråbola emprestada do grão de trigo. Escutem-na. A paråbola do trigo e do joio é contada brevemente em Mateus 13,24-30 (ver abaixo). Na EMV 575.7, Jesus recorda esta paråbola a João e a Tiago.
No fim do mĂȘs de Tebet, o trigo germinou e viu-se o verde tenro do joio que começava a crescer. No fim do mĂȘs de Tebet: inĂcio de janeiro; Shebat corresponde a janeiro/fevereiro, Adar a fevereiro/março. Ver o calendĂĄrio para os meses e as explicaçÔes dadas aqui para o ano.
Vimos entĂŁo que o verde nĂŁo era apenas o grĂŁo, mas que havia tambĂ©m ervas daninhas enroladas com as suas gavinhas finas e tenazes Ă volta dos caules do trigo. O nome botĂąnico do azevĂ©m Ă© Lolium, prĂłximo do Loglio italiano usado por Maria Valtorta. No entanto, a Vulgata utiliza a palavra Zizania (de onde provĂ©m a expressĂŁo semer la zizanie). Em latim, este termo pode ser genĂ©rico e designar uma erva daninha de acordo com o seu significado sirĂaco (Zizon) de onde provĂ©m. Os agrĂłnomos chamam "ervas daninhas" a estas plantas indesejĂĄveis e invasoras. Ver o comentĂĄrio ao capĂtulo 181 em maria-valtorta.org(Pro e contro Maria Valtorta, La disputa tra Mir et Gregori, pĂĄgina 189 e seguintes).
Havia também o joio, que se enroscava nos pés de trigo, com as suas gavinhas finas e tenazes. Entre as "ervas daninhas" que Jesus menciona mais tarde, hå vårias plantas com gavinhas, como a trepadeira e a cuscuta da Palestina. Compreendemos que Jesus nos pede para não as arrancarmos, com receio de arrancarmos ao mesmo tempo o bom grão.
O inimigo estå atento para o tornar nocivo, porque a farinha de grão misturada com a farinha de joio faz um pão amargo, prejudicial aos intestinos. (...) Agora, todas as outras sementes foram lançadas pelo inimigo e estão a germinar: aqui estão as urtigas, a erva-dos-prados, a cuscuta, a trepadeira, a cicuta e as ervas venenosas. A cuscuta tem propriedades laxantes e a trepadeira é um purgante suave. A farinha de azevém comum, misturada em pequenas quantidades com a farinha de trigo, impede a ação das leveduras. Quanto aos problemas intestinais mencionados por Jesus, devem ser causados pela cuscuta ou pela trepadeira, ou por outro tipo de azevém que não o azevém comum, que é por vezes utilizado como planta forrageira.
Estes atingirão, como anunciam os profetas, a perfeição do escùndalo e da abominação em toda a sua atividade terrena. Por exemplo: Deuteronómio 9, 27; 11, 31.36; 12, 11.
Dt 9,27: Lembra-te dos teus servos, AbraĂŁo, Isaac e Jacob; nĂŁo olhes para a teimosia deste povo, para a sua maldade e para o seu pecado.
NĂŁo encontrĂĄmos nenhum versĂculo convincente nas outras referĂȘncias dadas.
Eis, portanto, o sentido universal: Jesus jĂĄ tinha comentado o sentido da parĂĄbola na sua catequese de 27 de outubro de 1943.
Podeis perguntar: "Mas pode haver traidores entre os discĂpulos? "Ver o capĂtulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um dos discĂpulos de JoĂŁo Batista, que levou Ă prisĂŁo do profeta, causou grande agitação.
Todas as outras sementes foram aà lançadas pelo inimigo: urtigas, erva-dos-prados, cuscuta, trepadeira, cicuta e ervas venenosas. A cuscuta palaestina é um parasita que envolve as plantas com numerosas ventosas. Ver conhecimentos botùnicos notåveis.
Jå alguma vez viste como são bonitas, com as suas pequenas flores que se transformam em bolinhas brancas, vermelhas, azuis e roxas? Bolinhas vermelhas: agridoce (Solanum dulcamara). Pensa-se que as suas bagas provocam dores abdominais, vómitos e dores de cabeça. Encontram-se no sul da Euråsia.
Bolas violeta-azuladas: Ă o caso da corriara myrtifolia (corriara myrtifolia). Os seus frutos azul-arroxeados sĂŁo apetitosos, mas provocam uma intoxicação alcoĂłlica nas manadas que os comem. Em certas condiçÔes, podem ser fatais. No entanto, esta planta sĂł Ă© comum no MediterrĂąneo ocidental. O mesmo pode acontecer com a briĂłnia diĂłica (Bryonia dioica). Planta trepadeira com gavinhas, pode provocar dermatites de diferentes graus de irritação em contacto com a pele. A ingestĂŁo de partes da planta (bagas, raiz) provoca vĂłmitos e diarreia, podendo ter consequĂȘncias graves (delĂrio, cĂŁibras, etc.). Algumas dĂșzias de bagas de cores atraentes sĂŁo suficientes para matar uma criança.
As pessoas boas acreditam que os outros são tão bons como elas! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena aqueles que o traem! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalhar para redimir com bondade, trabalhar sem esperanças nem ilusÔes, por puro desejo de cumprir ao måximo o próprio dever, trabalhar para que os outros não percebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre då aos guias espirituais e a todos os cristãos!"
"Deus nĂŁo permite que nos oponhamos ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que Ă© Ăștil". Numa folha inserida na cĂłpia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:
"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razĂŁo para se orientar como criatura razoĂĄvel, a consciĂȘncia para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glĂłria, ou o inferno e a condenação.
AlĂ©m disso, deu-lhe a graça, ou a predestinação Ă graça, para que esta seja um estĂmulo, ou um meio, de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nĂvel capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.
Ora, no homem inteligente, razoĂĄvel, consciente, livre e, sobretudo, instruĂdo na FĂ©, conhecedor do seu fim Ășltimo e da Lei divina, sĂł deve haver as acçÔes que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razĂŁo e a consciĂȘncia as indicam como boas para todos, mesmo para os que nĂŁo conhecem a religiĂŁo revelada, a fim deobter a recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando Ă© iluminado pela Graça, Ă© infinitamente superior a todas as concepçÔes que um crente possa imaginar.
Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidÔes: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.
Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou sob a instigação de Satanås, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."
Evangelho de Mateus 13, 23-30; 36-43
Mt 13, 23-30; Mt 13, 36-43: O que recebeu a semente em boa terra é aquele que ouve a Palavra e a compreende: då fruto à razão de cem, ou de sessenta, ou de trinta por um." E contou-lhes outra paråbola: "O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Mas, enquanto o povo dormia, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi-se embora. Quando o pé cresceu e deu uma espiga de trigo, apareceu também o joio. Os servos do patrão foram ter com ele e disseram-lhe: "Senhor, não é este o bom trigo que semeaste no teu campo? De onde veio o joio? Ele respondeu-lhes: "Foi um inimigo que fez isto." Os servos perguntaram-lhe: "Queres que vamos lå tirå-lo?" Ele respondeu: "Não, se tirardes o joio, correis o risco de arrancar o trigo ao mesmo tempo. Deixai-os crescer juntos até ao tempo da colheita; e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: "Tirai primeiro o joio, atai-o em molhos para o queimar; quanto ao trigo, recolhei-o para o levar para o meu celeiro.""
Depois deixou as multidĂ”es e voltou para casa. Os seus discĂpulos aproximaram-se e disseram-lhe: "Explica-nos claramente a parĂĄbola do joio no campo. Ele respondeu-lhes: "O Filho do Homem Ă© aquele que semeia a boa semente; o campo Ă© o mundo; a boa semente sĂŁo os filhos do Reino; o joio sĂŁo os filhos do Maligno. O inimigo que a semeou Ă© o demĂłnio; a colheita Ă© o fim do mundo; os ceifeiros sĂŁo os anjos. Tal como o joio Ă© levado e lançado ao fogo, assim serĂĄ no fim do mundo. O Filho do Homem enviarĂĄ os seus anjos, que tirarĂŁo do seu reino todos os que causam tropeço e todos os que praticam o mal, e lançå-los-ĂŁo na fornalha, onde haverĂĄ choro e ranger de dentes. EntĂŁo os justos brilharĂŁo como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça!