Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

PĂĄgina 16 de 198

Conforto de leitura

EMF 25

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A apresentação de João Batista no Templo e a partida de Maria. A paixão de José.

Data da visĂŁo e do ditado: Quarta-feira 5 e quinta-feira 6 de abril de 1944 (Semana Santa)

Calendårio: Terça-feira 13 de agosto - 5 d.C.

Local (mapa) : Jerusalém

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria, Isabel e Zacarias estĂŁo em JerusalĂ©m para a apresentação de JoĂŁo Batista no Templo. À sua chegada, Maria pergunta por JosĂ© num estĂĄbulo onde todos os peregrinos tĂȘm de ir, mas o santo homem nĂŁo estĂĄ lĂĄ. O grupo prossegue entĂŁo o seu caminho para o Templo.

O rito de purificação tem lugar e os sacerdotes ficam felizes por darem esta festa a um dos seus. As pessoas ficam surpreendidas com o facto de Isabel ser a mĂŁe: a princĂ­pio, todos pensam que Maria Ă© a mĂŁe de JoĂŁo. Mas apercebem-se de que isso nĂŁo Ă© possĂ­vel, pois Maria jĂĄ estava grĂĄvida, enquanto JoĂŁo tinha apenas alguns dias de vida. Quando Isabel apresentou o bebĂ© no Templo, jĂĄ nĂŁo havia lugar para dĂșvidas e todos ficaram espantados.

O rito tinha terminado e não se via José em lado nenhum. Zacarias sugeriu que esperassem em casa dos pais de Zebedeu, para que, se o carpinteiro não chegasse, a sua mulher pudesse regressar à Galileia com alguns pecadores que passavam por ali. No entanto, esperaram o mais que puderam e José chegou finalmente.

Saudou a Virgem com alegria e respeito e desejou ver a criança. Isabel e Zacarias atendem-lhe o desejo e vão-se embora. São José sugere então à Cheia de Graça que parta à noite, para que a viagem lhe seja mais agradåvel. Ela concordou. Foi enquanto se preparava que José se apercebeu que Maria estava gråvida. Mas não disse nada...

De seguida, Maria faz um ditado sobre a PaixĂŁo de JosĂ©. Explica que esta durou trĂȘs dias, mas que foi intensa: a Virgem teve de lutar contra a tentação de desanimar. Ela via o sofrimento do seu marido, mas nĂŁo podia aliviĂĄ-lo de forma alguma para obedecer Ă  ordem de Deus, que lhe tinha dito para guardar silĂȘncio. Maria calou-se e JosĂ© sofreu, mas era um santo, e foi por isso que Deus lhe concedeu a sua iluminação.

Por fim, Maria exorta-nos sempre a pedir a graça e a agir com confiança, onde quer que estejamos e em qualquer altura.

ConteĂșdos programĂĄticos: 25.1: Maria fica surpreendida por nĂŁo ver JosĂ© quando chega ao Templo. 25.2: Zacarias Ă© recebido com honras. A multidĂŁo fica admirada com a idade da mĂŁe. 25.3: Maria nĂŁo encontra JosĂ© na estalagem. Espera-o em casa dos pais de Zebedeu. 25.4: JosĂ© chega e pede desculpa. 25.5: EstĂĄ preocupado com Maria. 25.6: Zacarias e Isabel vĂŁo-se embora. Maria regressa a um magnĂ­fico jardim. 25.7: JosĂ© sai durante a noite e apercebe-se do estado de Maria. 25.8: A dor de um amante Ă© o maior presente que Deus pode dar Ă queles que acreditam no seu Filho. 25.9: JosĂ© tambĂ©m teve a sua PaixĂŁo. O sofrimento de Maria nessa altura. 25.10: A grande santidade de JosĂ©. 25.11: TambĂ©m tu deves viver a tua paixĂŁo. 25.12: Depois da PĂĄscoa (1944), haverĂĄ silĂȘncio diante da dor do Redentor.

Palavras-chave

EMF 25.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cÎmodo ao qual estå amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

Maria chama o homenzinho, que Ă© o dono da estalagem, e lhe pergunta se no dia de ontem, ou nas primeiras horas da manhĂŁ de hoje, nĂŁo terĂĄ chegado nenhum nazareno.

– Nenhum, mulher –respondeu o velhinho.

Maria fica admirada, mas nĂŁo pergunta mais nada.

Ela manda que Samuel vå cuidar do burrinho, depois vai se encontrar com os dois pais da criança, e lhes fala do atraso de José:

– Ele terá precisado ocupar-se com alguma coisa. Mas hoje certamente virá.

Maria retoma o menino, que havia entregue a Isabel, e se dirigem para o Templo.

Palavras-chave

EMF 25.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cÎmodo ao qual estå amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

(...) [Ao Templo]

25.2 Zacarias Ă© recebido com grandes honras pelos guardas, saudado e cumprimentado pelos outros sacerdotes. Zacarias estĂĄ muito bonito hoje, em suas vestes sacerdotais e em sua alegria de pai feliz. Parece um patriarca. Penso que AbraĂŁo devia estar assim, quando se alegrou, ao oferecer Isaque ao Senhor.

Vejo a cerimÎnia da apresentação do novo israelita e a da purificação da mãe. Esta é ainda mais pomposa do que a de Maria, porque para o filho de um sacerdote, os sacerdotes fazem festa. Acorrem todos, e se entregam a uma grande atividade ao redor do grupo das mulheres e do recém-nascido.

Também o povo se aproximou com curiosidade, e estou podendo ouvir os comentårios. Visto que Maria estå com o menino nos braços, enquanto vão-se dirigindo para o lugar estabelecido, o povo estå pensando ser ela a mãe.

Mas uma mulher diz:

– Não pode ser. Não estais vendo que ela está grávida? O menino tem apenas poucos dias de nascido, e ela já está grávida?!

– Contudo –diz um outro–. Ela nĂŁo pode deixar de ser a mĂŁe. Pois a outra jĂĄ estĂĄ velha. A outra, pode ser uma parenta. Mas, naquela idade, mĂŁe Ă© que ela nĂŁo pode ser.

– Vamos atrás delas, e veremos quem tem razão.

E o espanto se torna geral, quando todos podem ver que quem estå cumprindo o rito da purificação é Isabel, pois ela é que estå oferecendo o cordeirinho berrador para o holocausto, e o pombo pelo pecado.

– A mĂŁe Ă© aquela? Viste?

– Não!

– Sim.

O povo estĂĄ cochichando, ainda incrĂ©dulo. Mas estĂĄ cochichando tĂŁo alto, que vem um “Psiu” imperioso do grupo sacerdotal, que estĂĄ presente Ă  cerimĂŽnia. As pessoas se calam por um momento, mas recomeçam a cochichar mais forte, quando Isabel, radiante de santo orgulho, pega o menino, e avança pelo Templo a dentro, para fazer a apresentação dele ao Senhor.

– É ela mesmo.

– É sempre a mãe que oferece.

– Mas, que milagre Ă© este?

– Que menino será esse, concedido por Deus àquela mulher, numa idade tão tardia?

– Afinal, que sinal será este?

– NĂŁo sabeis? –diz alguĂ©m que chega todo ofegante–. É o filho do sacerdote Zacarias, da estirpe de ArĂŁo, aquele que ficou mudo, enquanto estava oferecendo o incenso no SantuĂĄrio.

– MistĂ©rio! MistĂ©rio! Pois agora ele estĂĄ falando de novo. O nascimento do filho soltou a lĂ­ngua dele!

– Que espĂ­rito lhe terĂĄ falado, tornado morta a sua lĂ­ngua, para fazĂȘ-lo acostumar-se ao silĂȘncio sobre os segredos de Deus?

– MistĂ©rio! Qual verdade conhecerĂĄ Zacarias?

– Seria o Messias o filho dele, esperado por Israel?

– Ele nasceu na JudĂ©ia. Mas nĂŁo em BelĂ©m, e nĂŁo de uma virgem. O Messias ele nĂŁo pode ser.

– Quem, então?

Mas a resposta a tantas perguntas continua a ficar no silĂȘncio de Deus, enquanto o povo permanece na sua curiosidade.

O cerimonial terminou. Os sacerdotes festejam entĂŁo a mĂŁe e o menino. A Ășnica pouco observada, e atĂ© evitada com aversĂŁo, desde quando perceberam o seu estado, Ă© Maria.

Detalhe

Lucas 1, 65-66: Abriu-se-lhe imediatamente a boca e soltou-se-lhe a lĂ­ngua, e ele [Zacarias] falou e bendisse a Deus.

O medo apoderou-se de todas as pessoas da vizinhança, e todos estes factos foram contados por toda a região montanhosa da Judeia. Todos os que os ouviam guardavam-nos no coração e diziam: "Que serå então deste menino?" De facto, a mão do Senhor estava com ele.

Palavras-chave

EMF 25.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.3 Acabadas todas as felicitaçÔes, quase todos vão voltando ao seu caminho, ao passo que Maria quer voltar à estalagem, para ver se José chegou. Ele não chegou ainda. Maria se sente desiludida, e fica pensativa.

Isabel estĂĄ preocupada por ela:

– AtĂ© a hora sexta, poderemos ficar, mas depois precisamos partir, para chegarmos em casa antes da primeira vigĂ­lia. O menino estĂĄ ainda muito pequeno para estar fora de casa pela noite a dentro.

E Maria, calma e triste:

– Eu vou ficar num dos pátios do Templo. Vou procurar minhas mestras
 Não sei. Mas alguma coisa preciso fazer.

Zacarias intervém com uma idéia, que foi logo aceita:

– Vamos aos parentes de Zebedeu. JosĂ© certamente vai te procurar lĂĄ, e, ainda que ele nĂŁo esteja, serĂĄ fĂĄcil para ti encontrar alguĂ©m que te acompanhe a caminho da GalilĂ©ia, porque aquela casa Ă© um contĂ­nuo entra e sai dos pescadores de GenezarĂ©.

Pegam, pois o burrinho, e vão à casa dos parentes de Zebedeu, os quais, são aqueles mesmos com quem José e Maria ficaram, hå quatro meses.

As horas passam velozes, e José não aparece. Maria procura dominar sua aflição ninando o pequeno, mas pode-se ver que continua pensativa. Como que para esconder o seu estado, ela não tirou o manto, ainda que o calor esteja intenso e fazendo suar a todos.

25.4 Finalmente, uma grande batida na porta anuncia a chegada de José. O rosto de Maria se torna sereno de novo.

JosĂ© a saĂșda, pois ela Ă© a primeira a apresentar-se e a saudĂĄ-lo com reverĂȘncia:

– A bĂȘnção de Deus sobre ti, Maria!

– E sobre ti, JosĂ©. Graças a Deus, que vieste! Eis Zacarias e Isabel que estavam para partir, pois queriam chegar em casa antes da noite.

– O teu mensageiro chegou a NazarĂ©, enquanto eu estava em CanĂĄ, fazendo uns trabalhos. Anteontem Ă  tarde, Ă© que recebi a notĂ­cia. E, entĂŁo, eu parti logo. Mas, mesmo caminhando sem parar, cheguei tarde, porque no caminho o burrinho perdeu uma ferradura. Perdoa-me.

– Perdoa-me, tu, por ter ficado tanto tempo afastada de NazarĂ©. Mas, estavam tĂŁo felizes de ter-me com eles, que eu quis contentĂĄ-los atĂ© agora.

– Fizeste bem, mulher. Onde está o menino?

Entram no quarto onde Isabel estå dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

25.5 Maria fala muito pouco. Estå quieta, silenciosa, sentada em seu cantinho com as mãos no colo e por debaixo do manto. E, mesmo quando ela toma uma taça de leite, ou ao comer um cacho de uvas com um pouco de pão, fala pouco e pouco se move. Olha para José, com um misto de pena e de curiosidade.

Ele também olha para ela. E, depois de algum tempo, inclinando-se sobre o ombro dela, lhe pergunta:

– Estás cansada ou sentindo alguma coisa? Estás pálida e triste.

– Estou triste por ter que separar-me do pequeno João. Gosto dele. Eu o tive sobre o meu coração, poucos momentos depois que nasceu


José não pergunta mais nada.

Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pĂĄra Ă  porta, e todos se dirigem para ele. As duas primas se abraçam com amor. Maria beija duas vezes o pequeno, antes de colocĂĄ-lo no colo da mĂŁe, que jĂĄ estĂĄ sentada no carro. Depois, saĂșda Zacarias, e lhe pede a bĂȘnção. Ao ajoelhar-se diante do sacerdote, o manto se lhe desliza pelo ombro, e suas formas se tornam visĂ­veis, Ă  luz intensa daquela tarde de verĂŁo. NĂŁo sei se JosĂ© notou alguma coisa naquele momento, atento como ele estĂĄ em saudar Isabel. O carro parte.

Palavras-chave

EMF 25.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José torna a entrar em casa com Maria, que vai de novo sentar-se no canto mais escuro.

– Se nĂŁo te desagrada viajar de noite, eu proporia que partĂ­ssemos ao pĂŽr-do-sol. De dia o calor estĂĄ forte. Mas a noite estĂĄ fresca e sossegada. Eu digo isto por ti, para nĂŁo fazer-te tomar muito sol. Para mim estar exposto ao sol Ă© o mesmo que nada. Mas para ti


– Como quiseres, JosĂ©. Eu tambĂ©m acho que Ă© bom irmos de noite.

– A casa estĂĄ em pefeita ordem. E tambĂ©m o pequeno pomar. VerĂĄs que belas estĂŁo as flores. Vais chegar a tempo de vĂȘ-las todas se abrindo. A macieira, a figueira e a videira estĂŁo carregadas de frutos como nunca, e a romĂŁzeira, precisei atĂ© escorĂĄ-la, de tanto que os ramos estavam carregados de frutos, jĂĄ tĂŁo maduros, coisa que nunca se viu a esta altura do ano. Depois, a oliveira
 TerĂĄs azeite com fartura. Houve uma florada milagrosa, e nĂŁo se perdeu uma sĂł flor. Todas jĂĄ se tornaram pequenas azeitonas. Quando estiverem maduras, a oliveira vai ficar parecendo cheia de pĂ©rolas escuras. NĂŁo hĂĄ pomar mais bonito do que o teu em toda NazarĂ©. AtĂ© nossos parentes estĂŁo admirados. Alfeu diz que isso Ă© um prodĂ­gio.

– Teus cuidados Ă© que fizeram isso.

– Oh! NĂŁo. Pobre de mim. Que Ă© que devo ter feito? Um pouco de cuidado com as plantas, e um pouco de ĂĄgua nas flores
 Sabes de uma coisa? Fiz para ti uma fonte lĂĄ no fundo, perto da gruta, e construĂ­ um tanque. Assim, nĂŁo precisarĂĄs sair para ir buscar ĂĄgua. Conduzi a ĂĄgua lĂĄ daquela nascente que estĂĄ acima do olival do Matias. É uma nascente de ĂĄgua pura e abundante. Eu trouxe atĂ© perto de ti um pequeno rio. Fiz tambĂ©m um reguinho bem coberto, e agora a ĂĄgua chega no fim dele, cantando como uma harpa. Eu ficava com dĂł de ti, ao ver-te ir Ă  fonte da cidade e voltar carregando baldes cheios d’água.

– Obrigada, JosĂ©. Tu Ă©s bom.

Os dois esposos se calam agora, como se estivessem cansados. José estå cochilando. Maria estå rezando.

25.7 Chega a tarde. Os hospedeiros insistem com os dois para que comam, antes de se porem a caminho. José, então, come pão e peixe. Maria, só frutas e leite.

Depois, eles partem. Montam em seu burrinhos. JosĂ© amarrou sobre o seu, como na vinda, o baĂș de Maria, e, antes que ela monte no burrinho, verifica se a sela estĂĄ bem segura. Vejo que JosĂ© fica observando Maria, quando ela monta. Mas ele nĂŁo diz nada.

E a viagem se inicia, quando as primeiras estrelas começam a tremeluzir no cĂ©u. Eles se apressam para chegarem Ă s portas, antes que sejam fechadas. Ao saĂ­rem de JerusalĂ©m, tomam a estrada mestra, que vai para a GalilĂ©ia, quando as estrelas jĂĄ enchem todo o cĂ©u sereno. HĂĄ um grande silĂȘncio pelo campo. Ouve-se apenas o canto de algum rouxinol e o barulho dos cascos dos dois burrinhos, que vĂŁo batendo no solo duro da estrada, ressecada pelo calor do verĂŁo.

Palavras-chave

EMF 25.8-12

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Estamos na vigĂ­lia de Quinta-Feira Santa. A alguns parecerĂĄ fora de propĂłsito esta visĂŁo. Mas a tua dor de amante do meu Jesus Crucificado estĂĄ em teu coração, e aĂ­ fica, mesmo quando uma doce visĂŁo se apresenta. Esta Ă© como o pequeno calor que nasce de uma chama, que ainda Ă© fogo, mas que jĂĄ nĂŁo Ă© mais fogo. O fogo Ă© a chama. Mas nĂŁo Ă© o calor dela, pois este nĂŁo Ă© mais do que uma derivação. Nenhuma visĂŁo beatĂ­fica ou pacĂ­fica serĂĄ capaz de tirar-te aquela dor do coração. E considera-a muito mais querida do que a tua prĂłpria vida. Porque Ă© o maior dos dons que Deus possa conceder a quem crĂȘ em seu Filho. AlĂ©m disso, a minha visĂŁo nĂŁo Ă©, em sua forma pacĂ­fica, em nada discordante dos acontecimentos desta semana.

25.9 Também o meu José teve a sua Paixão. Ela começou em Jerusalém, quando ele percebeu o meu estado. Durou muitos dias, como aconteceu com Jesus e comigo. E não foi espiritualmente pouco dolorosa. Mas unicamente pela santidade de um justo, como era o meu esposo, é que ela ficou limitada a uma forma tão cheia de dignidade e de segredo, que ficou pouco conhecida, através dos séculos.

Oh! a nossa primeira paixão! Quem poderå falar da íntima e silenciosa intensidade dela? Quem saberå dizer qual a minha dor, ao ver que o céu ainda não me havia atendido em revelar o mistério a José?

Que ele ainda nada sabia, eu jĂĄ tinha compreendido, ao vĂȘ-lo respeitoso comigo, como de costume. Se ele tivesse sabido que eu trazia em mim o Verbo de Deus, ele teria adorado o Verbo encerrado em meu ventre, com os atos de veneração que sĂŁo devidos a Deus, e que ele nĂŁo teria deixado de praticar, como eu tambĂ©m nĂŁo me teria recusado a receber, nĂŁo por causa de mim, mas por Aquele que estava em mim, que eu em mim trazia, assim como a Arca da aliança conti­nha­ o cĂłdigo escrito na pedra e os vasos de manĂĄ.

Quem pode dizer qual foi a minha luta contra o desĂąnimo, que queria me vencer, para me persuadir de que eu havia esperado em vĂŁo no Senhor? Oh! Eu creio, que isso vinha da raiva de satanĂĄs! Eu senti a dĂșvida que crescia em meus ombros, e que espichava suas gar­ras geladas para aprisionar minha alma e fazĂȘ-la deixar de orar. A dĂșvida, que Ă© tĂŁo perigosa e letal para o espĂ­rito. Letal, porque ela Ă© o primeiro agente da doença mortal chamada “desespero”, e contra a qual Ă© preciso reagir com toda a força para nĂŁo perecer na alma e perder Deus.

Quem pode dizer com toda a verdade qual a dor de JosĂ©, quais os seus pensamentos, qual a perturbação que ele sentiu em seus afetos? Como um pequeno barco apanhado por uma grande tempestade, ele se achava num encontro entre idĂ©ias opostas, como em uma dança ao redor de reflexĂ”es, cada uma mais pungente e mais capaz de fazer sofrer do que a outra. Ele era um homem que, pelas aparĂȘncias, sĂł podia ter sido traĂ­do por sua mulher. Por isso, ele via desmoronar, ao mesmo tempo, o seu bom nome e a estima em que ele era tido naquele lugar. Por causa disso, ele se sentia apontado a dedo e alvo de compaixĂŁo pelos habitantes da cidade, via morrerem o afeto e a estima de que atĂ© entĂŁo eu vinha gozando, diante da evidĂȘncia de um fato.

25.10 É aqui que a santidade dele resplende ainda mais brilhante do que a minha. Eu dou testemunho disso com todo o meu afeto de esposa, porque quero que ameis o meu JosĂ©, este homem sĂĄbio e prudente, este homem paciente e bom, que nĂŁo estĂĄ separado do mistĂ©rio da Redenção, mas muito unido a ele, pois, por essa dor que o consumou, ele salvou para vĂłs o Salvador, Ă s custas de seu sacrifĂ­cio e de sua santidade.

Tivesse ele sido menos santo, teria agido como os homens: me teria denunciado como adĂșltera, para que eu fosse apedrejada, e o filho do meu pecado morresse comigo. Tivesse ele sido menos santo, Deus nĂŁo lhe teria concedido a sua luz em tĂŁo grande provação. Mas JosĂ© era santo. Seu espĂ­rito puro vivia em Deus. A caridade nele era acesa e forte. Foi pela caridade que ele salvou para vĂłs o Salvador, tanto quanto ele nĂŁo quis me acusar diante dos anciĂŁos, como tambĂ©m quando, deixando tudo, com uma pronta obediĂȘncia, salvou Jesus, levando-o consigo para o Egito.

25.11 Breves em nĂșmero, mas grandes em intensidade, foram aqueles trĂȘs dias do sofrimento de JosĂ©. E deste meu primeiro sofrimento. Porque eu compreendia o sofrimento dele, mas nĂŁo podia aliviĂĄ-lo de modo algum, por causa da obediĂȘncia ao decreto de Deus, que me havia dito: “Cala-te!”

Quando, tendo chegado a Nazaré, eu o vi sair, depois de uma curta saudação, todo curvo e como se tivesse envelhecido em pouco tempo, e não voltar mais a mim, como era de costume, vos digo, filhos, que o meu coração chorou com uma dor grande e aguda. Fechada em mi­nha casa, só, naquela casa em que tudo me fazia recordar a Anunciação e a Encarnação, e onde tudo me falava de José, desposado por mim em uma virgindade imaculada, eu tive que resistir ao desconforto, às insinuaçÔes de satanås, e ficar esperando. Orando, perdoar a suspeita de José, e ao seu gesto de justo desdém para comigo.

Filhos, é preciso esperar, rezar, perdoar, para se obter que Deus intervenha em nosso favor. Vivei, vós também, o vosso sofrimento. Ele é devido às vossas culpas. Eu vos ensino como superå-lo e transformå-lo em alegria. Esperar, além de toda medida. Rezar sem desconfiança, perdoar, para serdes perdoados. O perdão de Deus serå a paz que desejais, meus filhos.

25.12 Nada mais, por enquanto, vos direi. Enquanto nĂŁo chega o triunfo pascoal, haverĂĄ silĂȘncio. SĂŁo estes os dias da PaixĂŁo. Tende compaixĂŁo do vosso Redentor. Ouvi seus lamentos. Contai suas feridas e lĂĄgrimas. Cada uma delas veio por causa de vĂłs, e foi por vĂłs sofrida. Que qualquer outra visĂŁo desapareça, diante desta que vos recorda a Redenção, cumprida por vĂłs.

Detalhe

Maria acaba de assistir ao reencontro de Maria e JosĂ© em JerusalĂ©m, apĂłs uma ausĂȘncia de trĂȘs meses. Ele apercebeu-se de que Maria estĂĄ grĂĄvida.

Palavras-chave

EMF 25.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Considera-a muito mais querida do que a tua prĂłpria vida. Porque Ă© o maior dos dons que Deus possa conceder a quem crĂȘ em seu Filho.

Palavras-chave

EMF 25.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A dĂșvida, que Ă© tĂŁo perigosa e letal para o espĂ­rito. Letal, porque ela Ă© o primeiro agente da doença mortal chamada “desespero”, e contra a qual Ă© preciso reagir com toda a força para nĂŁo perecer na alma e perder Deus.

Palavras-chave

EMF 26

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José pede perdão a Maria. Fé, caridade e humildade para receber Deus.

Data da visĂŁo e do ditado: Quarta-feira, 31 de maio de 1944

CalendĂĄrio: SĂĄbado, 17 de agosto do ano -5

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria estĂĄ sozinha em sua casa em NazarĂ©. EstĂĄ sĂł, a rezar, atĂ© que batem Ă  porta: Ă© JosĂ©. Ele vem pedir-lhe perdĂŁo e a Virgem diz que nĂŁo tem nada a perdoar-lhe. Mas o marido responde-lhe que sabia que ela estava grĂĄvida de Emanuel e que tinha agido mal ao nĂŁo a deixar explicar. Ele ia agir sem a consultar primeiro e considerava isso um insulto Ă  sua mulher. Pede-lhe entĂŁo perdĂŁo e o carpinteiro revela-lhe todo o sofrimento dos seus Ășltimos dias. Ele pergunta-lhe porque Ă© que ela nĂŁo lhe contou o seu segredo, e Maria responde-lhe que, se a sua humildade nĂŁo fosse tĂŁo perfeita, nĂŁo lhe teria sido dada a graça de ser a MĂŁe do Salvador. Seja como for, JosĂ© propĂŽs que o casamento fosse realizado o mais depressa possĂ­vel e que se começasse a planear a vinda de Jesus. Ele estava perturbado com a ideia de receber o seu Deus em sua casa, mas Maria tranquilizou-o e falou da alegria de serem os pais do Redentor.

Nossa Senhora faz entĂŁo um ditado e comenta este episĂłdio. Ela fala entĂŁo das condiçÔes essenciais para agradar a Deus e tĂȘ-lo no coração: a fĂ©, a caridade e a humildade absoluta. AlĂ©m disso, a MĂŁe encoraja-nos a permanecer escondidos e a deixar ao Senhor a tarefa de nos proclamar seus servos, como fez Maria quando ficou grĂĄvida do EspĂ­rito Santo.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 26.1: Ver Maria. 26.2: Maria esconde-se Ă  sombra de uma macieira. 26.3: JosĂ© chega e pede desculpa por ter suspeitado dela. 26.4: Maria nĂŁo fez outra coisa senĂŁo obedecer a Deus. 26.5: O casamento realizar-se-ĂĄ na semana seguinte. 26.6: Eu estava pĂĄlida porque estava a sofrer com as dores do JosĂ©. 26.7: A humildade no seu extremo, como Aquele que eu levava. 26.8: As condiçÔes para agradar e receber Deus. 26.9: Deixai ao Senhor o cuidado de vos proclamar seus servos.

Palavras-chave