EMF 172.6
O Evangelho como me foi revelado
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Notas do tema
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EMF 173
TĂtulo do capĂtulo: Quinto discurso da Montanha: o uso das riquezas, a esmola, a confiança em Deus.
Data da visĂŁo: Domingo, 27 de maio de 1945.
CalendĂĄrio: Quinta-feira 17 de fevereiro 28 (4 Adar I 3788)
Localização (mapa): Os cornos de Hattin
Ciclo: O SermĂŁo da Montanha
Resumo: A multidĂŁo estĂĄ a crescer e Jesus continua o seu discurso. Começa por encorajar as almas a guardarem os seus tesouros no CĂ©u, onde nenhum ladrĂŁo pode roubar as nossas riquezas. Na terra, devemos fazer bom uso dos nossos bens e do nosso ouro, e lembrarmo-nos que tudo o que possuĂmos pode ser destruĂdo pelo fogo, pela doença e por outras desgraças. Devemos, portanto, transformar esses bens terrenos em bens sobrenaturais e usĂĄ-los para construir um tesouro para o Reino.
Em segundo lugar, Jesus encoraja toda a gente a ser caridosa por espĂrito sobrenatural e a nĂŁo procurar elogios humanos. NĂŁo devemos exibir a nossa caridade ou as nossas boas acçÔes, mas agir sempre com discrição. O mesmo se aplica Ă esmola: Cristo aconselha-nos a dar com caridade, e depois a esquecer o ato em si. Ficaremos com o sorriso e a paz de Deus, e o Pai recompensar-nos-ĂĄ.
Jesus é interrompido por um fariseu, que o acusa de não praticar o que diz. De facto, Jesus tinha acolhido Ismael e Sara em MTS 172, e o homem censura-o por não os ter saciado como tinha dito. Jesus corrige as suas palavras e, depois, o velho Ismael intervém. As suas palavras fazem fugir o homem impróprio e o Salvador continua o seu discurso. Tudo o que ele pede é que o homem seja perdoado.
O Mestre diz-nos para não termos medo do dia de amanhã. Deus då-nos sempre o que é preciso. Ele próprio é pobre e conta com os ricos para fazer caridade em nome de Deus. Não devemos preocupar-nos com o pouco que temos, nem com o futuro: o próprio Pai alimenta os påssaros, e nós somos mais do que påssaros. Devemos ter fé na paternidade do Senhor e procurar em primeiro lugar as virtudes. O resto ser-nos-å dado como um bónus e o amanhã encarregar-se-å de si próprio.
ConteĂșdo do capĂtulo: 173.1: A multidĂŁo estĂĄ sempre a crescer. 173.2: A frutificação da riqueza material e espiritual. 173.3 : Fazei para vĂłs tesouros no CĂ©u, onde os ladrĂ”es nĂŁo podem entrar. 173.4 : Quando deres esmola, nĂŁo toques a trombeta para atrair a atenção dos transeuntes. 173.5 : Um homem insultuoso chamou Jesus: "Mestre, estĂĄs a negar as tuas palavras! O velho Ismael repreendeu-o. 173.6 : NĂŁo façais o bem para obterdes uma recompensa ou uma garantia para o dia de amanhĂŁ. 173.7: NĂŁo vos preocupeis com o amanhĂŁ, buscai o Reino de Deus.
Edição antiga: Volume 3, capĂtulo 33
EMF 173.2-7 · Volume 3
173.2 â A paz esteja com todos vĂłs!
Ontem Eu falei da oração, do juramento, do jejum. Hoje quero instruir-vos sobre outras perfeiçÔes, que também são oração, confiança, sinceridade, amor, religião.
A primeira, de que hoje falo Ă© sobre o justo uso das riquezas, a serem transformadas, pela boa vontade do servo fiel, em muitos outros tesouros no CĂ©u. Os tesouros da terra nĂŁo duram. Mas os tesouros do CĂ©u sĂŁo eternos. VĂłs amastes o que Ă© vosso? Ficais tristes por terdes que morrer, e nĂŁo poderdes mais cuidar de vossos bens, tendo que deixĂĄ-los? EntĂŁo, transportai-os para o CĂ©u! VĂłs dizeis: âNo CĂ©u nĂŁo entra o que Ă© da terra, e Tu nos ensinas que o dinheiro Ă© a coisa mais suja da terra. Como, entĂŁo poderemos transportĂĄ-lo para o CĂ©u?â NĂŁo. NĂŁo podeis transportar as moedas, que sĂŁo coisas materiais, para o Reino, onde tudo Ă© espiritual. Mas podeis levar convosco o fruto das moedas. Quando dais a um banqueiro o vosso ouro, por que o fazes? Para que possa produzir frutos. Certamente nĂŁo quereis privar-vos dele, nem mesmo momentaneamente, nem quereis que o banqueiro vo-lo entregue tal qual o recebeu. Mas vĂłs quereis que sobre dez talentos ele vos entregue dez mais um, ou atĂ© mais. Se for assim, ficais felizes, e falais bem do banqueiro. Se nĂŁo for assim, vĂłs dizeis: âEle Ă© um homem honesto, mas Ă© um tolo.â E, se acontecer que, em vez de dez mais um, ele vos entregue nove, dizendo âEu perdi o restoâ, vĂłs o denunciais, e o colocais na cadeia.
Donde provĂ©m o fruto do dinheiro? Por acaso o banqueiro semeia o vosso dinheiro para fazĂȘ-lo crescer? NĂŁo. O fruto provĂ©m de um acertado manejo dos negĂłcios, de tal modo que, por meio de hipotecas ou emprĂ©stimos a juros, o dinheiro aumente no ĂĄgio justo pedido em favor do ouro emprestado. NĂŁo Ă© assim? Pois bem. EntĂŁo ouvi: Deus vos dĂĄ riquezas terrenas. A alguns dĂĄ muitas, a outros dĂĄ somente aquelas de que precisam para viver, e vos diz: Agora Ă© contigo. Eu as dei. Usa delas como meio para chegares a um fim, como o meu amor o deseja, para o teu bem. Eu as confio a ti. NĂŁo para que delas faças um mal. Pela estima que tenho por ti, por reconheceres os meus dons, faze que os teus bens frutifiquem para a verdadeira PĂĄtria.
173.3 E estå aà o método para se chegar a esse fim.
NĂŁo queirais acumular os vossos tesouros na terra, vivendo por eles, sendo cruĂ©is, malditos pelo prĂłximo e por Deus por causa deles. NĂŁo vale a pena. Eles estĂŁo sempre sem segurança na terra. Os ladrĂ”es sempre podem roubar-vos. O fogo pode destruir vossas casas. As doenças nas plantas e nos rebanhos podem acabar com o vosso gado e os vossos pomares. Quantas coisas perseguem os vossos bens. Ainda que eles sejam imĂłveis e inatacĂĄveis, como as casas e ouro, podem estar sujeitos a se deteriorarem, como todos os seres vivos, os vegetais e os animais. Por mais que sejam estofos preciosos, estĂŁo sujeitos Ă desvalorização. Um raio que cai nas casas, o fogo e a ĂĄgua. Os ladrĂ”es, a ferrugem, a seca, os roedores, os insetos nas lavouras; a vertigem dos cavalos, as febres, os desconjuntamentos das pernas e a peste dos animais, traças e camundongos nos tecidos preciosos e nos mĂłveis de estimação; a erosĂŁo produzida pela oxidação das vasilhas, dos lustres e grades artĂsticas; tudo, tudo estĂĄ sujeito a deteriorização.
Mas, se vĂłs fazeis um bem sobrenatural, de todos estes bens terrenos, logo ele fica a salvo de toda a deteriorização do tempo, dos homens e das intempĂ©ries. Fazei para vĂłs tesouros no CĂ©u, lĂĄ onde nĂŁo entram ladrĂ”es, e onde nĂŁo acontecem desventuras. Trabalhai com amor misericordioso com todas as misĂ©rias da terra. Acariciai as vossas moedas, e atĂ© beijai-as, se quiserdes, alegrando-vos com as colheitas que melhoram, com os vinhedos carregados de cachos, com as oliveiras que se inclinam sob o peso de numerosĂssimas azeitonas, com as ovelhas de seios fecundos e mamas cheias. Fazei tudo isso. Mas, nĂŁo de modo estĂ©ril, nĂŁo de modo humano. Fazei-o com amor e admiração, com gozo e com a mentalidade sobrenatural.
âObrigado, meu Deus pelas moedas, colheitas, plantas, pelas ovelhas, pelos negĂłcios. Obrigado, ovelhas, plantas, prados, negĂłcios, que me servis tĂŁo bem. Sede benditos todos, porque por tua bondade, Ăł Eterno, e por vossa bondade, Ăł coisas, Ă© que eu posso fazer tanto bem a quem tem fome, a quem estĂĄ nu, a quem nĂŁo tem casa, a quem estĂĄ doente, sozinhoâŠ. No ano passado eu fiz o bem por dez. Neste ano â mesmo que eu tenha dado muito em esmolas, tenho ainda mais dinheiro e minhas colheitas foram mais gordas e os meus rebanhos, mais numerosos â eu, entĂŁo, darei duas, trĂȘs vezes o que eu dei no ano passado. Do mesmo modo que todos, atĂ© os privados de seus prĂłprios bens, participem da minha alegria, e gozem e bendigam comigo a Ti, Senhor Eterno.â Esta Ă© a oração do justo. A oração unida Ă ação, que transporta os vossos bens para o CĂ©u. NĂŁo sĂł vo-los conserva para sempre, mas vos faz encontrĂĄ-los, aumentados pelos frutos santos do amor.
Tende o vosso tesouro no CĂ©u, para que tenhais o vosso coração alĂ©m do perigo, pois nĂŁo somente o ouro, as casas os campos e os rebanhos podem passar por desventuras, mas o vosso coração pode ser insidiado, despojado, queimado e morto pelo espĂrito do mundo. Se assim fizerdes, tereis vosso tesouro em vosso coração, porque tereis Deus em vĂłs, atĂ© o feliz dia no qual estareis nâEle.
173.4 Mas, para nĂŁo diminuir o fruto da caridade, tomai cuidado em serdes caridosos, com espĂrito sobrenatural. Como Eu disse da oração e do jejum, assim digo da beneficĂȘncia e de todas as outras boas obras que possais fazer.
Conservai o bem que fazeis longe da violação pela sensualidade do mundo, conservai-o virgem dos louvores humanos. NĂŁo profaneis a rosa perfumada pela vossa caridade e boas obras, verdadeiro turĂbulo de perfumes agradĂĄveis ao Senhor. O que profana o bem Ă© o espĂrito de soberba, o desejo de serdes vistos fazendo o bem e a procura de elogios. A rosa da caridade fica contaminada e corroĂda pelas grandes lesmas viscosas do orgulho satisfeito, e no turĂbulo caem palhas fedorentas da liteira na qual o soberbo se pavoneia, como um animal bem alimentado.
Oh! Aquelas beneficiĂȘncias feitas sĂł para dar o que falar! Pois, melhor mesmo, teria sido nĂŁo fazĂȘ-las! Quem nĂŁo as faz, peca por dureza de coração. E quem as faz, querendo que seja conhecida a importĂąncia que deu e o nome de quem a recebeu, estĂĄ pedindo a esmola de um louvor, e peca por soberba, tornando conhecida a sua oferta, como se dissesse: âEstais vendo quanto eu posso?â; peca por falta de caridade, porque humilha o beneficiado, tornando o seu nome conhecido; e peca por avareza espiritual, querendo acumular elogios humanos⊠que sĂŁo palhas, palhas, nada mais do que palhas Fazei que Deus e os seus anjos vos louvem.
VĂłs, quando derdes esmola, nĂŁo fiqueis tocando a trombeta em vossa frente, para chamar a atenção dos que estĂŁo passando e para serdes elogiados, como os hipĂłcritas que querem ser aplaudidos pelos homens e por isso sĂł dĂŁo esmolas onde possam ser vistos por muitos. Estes jĂĄ receberam a sua recompensa, e nĂŁo receberĂŁo a de Deus. NĂŁo incorrais na mesma culpa e na mesma presunção. Mas, quando derdes esmola, que nĂŁo saiba a vossa mĂŁo esquerda o que a direita estĂĄ fazendo, porque a vossa esmola escondida e discreta hĂĄ de ser. e, depois esquecei-vos dela. NĂŁo fiqueis olhando continuamente para vĂłs mesmos, depois de terdes feito aquele ato, inchando-vos com ele, como faz o sapo, que se olha nas ĂĄguas do brejo, com olhos anuviados, e vendo refletidos na ĂĄgua parada as nuvens, as ĂĄrvores e o carro parado perto da margem, vendo-se tĂŁo pequeno, diante de todas aquelas coisas, começa a encher-se de ar, atĂ© estourar. TambĂ©m a caridade que fizestes nĂŁo Ă© nada, em comparação com a infinita Caridade de Deus. E, se quisĂ©sseis tornar-vos semelhante a Ele e tornar grande a vossa pequena caridade, para igualar-se Ă dele, vos encherĂeis do vento do orgulho, e acabarĂeis perecendo.
Esquecei-vos disso. AtĂ© do ato em si mesmo, esquecei-vos. EstarĂĄ sempre presente uma luz, uma voz, um mel, e vos tornarĂĄ o dia luminoso, doce e feliz. Porque aquela luz serĂĄ o sorriso de Deus, aquele mel serĂĄ paz espiritual, que tambĂ©m Ă© Deus, e aquela voz Ă© a voz de Deus-Pai que vos dirĂĄ âObrigado.â Ele vĂȘ o mal oculto e vĂȘ o bem escondido, e vos darĂĄ a recompensa, Eu vo-loâŠ
173.5 â Mestre, Tu estĂĄs mentindo, com estas palavras!
O insulto, odiento e repentino, vem lĂĄ do centro da multidĂŁo. Todos se viram para o lado de onde veio aquela voz. Cria-se uma grande confusĂŁo.
Pedro diz:
â Bem que eu te havia dito! Quando hĂĄ um deles no meio⊠nada mais corre bem!
Do meio da multidĂŁo saem assobios e murmĂșrios contra o insultador. Jesus Ă© o Ășnico que estĂĄ calmo. Ele cruzou os braços sobre o peito e estĂĄ de pĂ© sobre sua pedra, vestido com sua veste azul escura e com o sol batendo-lhe no rosto.
O insultador continua, sem se preocupar com a reação da multidão:
â Ăs um mau mestre, porque ensinas o que nĂŁo praticas eâŠ
â Cala a boca! Vai-te embora! Cria vergonha! âgrita a multidĂŁo.
E diz ainda:
â Vai para os teus escribas. Para nĂłs, o Mestre basta. Que os hipĂłcritas fiquem com os hipĂłcritas! Mestres falsos! Agiotas!
E continuariam, mas Jesus diz, com sua voz de trovĂŁo:
â SilĂȘncio. Deixai que ele fale âe o povo para de gritar, mas fica cochichando suas ameaças, acompanhadas de olhares ferozes.
â Sim. Tu ensinas o que nĂŁo fazes. Dizes que se deve dar esmolas sem ser vistos, e ontem, na presença do povo todo, disseste a dois pobres: âFicai aqui, que matarei vossa fome.â
â Eu disse: âQue fiquem os dois pobrezinhos. Eles serĂŁo os hĂłspedes bem-vindos, e darĂŁo sabor ao nosso pĂŁo.â Nada mais. Eu nĂŁo quis dizer que ia matar-lhes a fome. Quem Ă© tĂŁo pobre, que nĂŁo tenha pelo menos um pĂŁo? A alegria era oferecer-lhes uma boa amizade.
â Ora! Mais esta. Ăs astuto, e sabes fazer-te um cordeiro!âŠ
O velhinho se ergue, vira-se, e levantando o seu bastĂŁo, grita:
â LĂngua infernal, que acusas o Santo, achas talvez que sabes tudo, e que podes acusar sĂł pelo que sabes. Como nĂŁo sabes quem Ă© Deus, e quem Ă© este que estĂĄs insultando, assim tambĂ©m nĂŁo sabes o que Ele faz. Somente os Anjos e o meu coração cheio de jĂșbilo o sabem. Ouvi, Ăł homens, ouvi todos, e ficai sabendo se Jesus Ă© o mentiroso e o soberbo que este lixo do Templo estĂĄ querendo dizer. EleâŠ
â Cala a boca, Ismael! Cala-te por amor de Mim. Se Eu te fiz feliz, faze-me feliz, calando-te âpede-lhe Jesus.
â Eu te obedeço, Filho Santo. Mas deixa-me dizer ainda sĂł isto: A benção do velho israelita fiel estĂĄ sobre Aquele que, da parte de Deus, me beneficiou, e Deus a colocou sobre os meus lĂĄbios, por mim e por Sara, minha nova filha. Mas sobre tua cabeça nĂŁo haverĂĄ benção. Eu nĂŁo te amaldiçoo. NĂŁo quero com uma maldição sujar minha boca, que deve dizer a Deus âAcolhe-me.â Eu nĂŁo fiz uso dela nem mesmo para quem me renegou, e por isso eu jĂĄ recebi a recompensa divina. Mas teremos quem faça as vezes do Inocente acusado e de Ismael, amigo de Deus que o beneficia.
Um coro de gritos encerra o discurso do velho, que torna a sentar-se. E o homem sai dali, afastando-se rapidamente, indo embora, perseguido pelas ameaças.
Depois a multidĂŁo grita para Jesus:
â Continua, continua, Mestre Santo! NĂłs escutamos somente a Ti, e Tu nos escutas. NĂŁo Ă queles malditos corvos!! Eles estĂŁo com ciĂșmes. Porque nĂłs te amamos mais que eles! Mas em Ti hĂĄ Santidade. Neles hĂĄ maldade. Fala, fala! EstĂĄs vendo: nĂŁo desejamos mais que a tua palavra. Casas, negĂłcios? Nada disso, para que possamos ouvir-te!
Estå bem. Eu vou falar. Mas não ligueis para isso. Rezai por aqueles infelizes. Perdoai, como Eu perdÎo. Porque, se perdoardes as faltas dos homens, também o vosso Pai do Céu vos perdoarå dos vossos pecados. Mas, se guardardes rancor e não perdoardes os homens, também o vosso Pai não vos perdoarå. E todos precisam do perdão.
173.6 Eu vos estava dizendo que Deus vos darĂĄ recompensa, mesmo se vĂłs nĂŁo lhe pedirdes um prĂȘmio pelo bem que fizestes. Mas vĂłs nĂŁo façais o bem para terdes recompensa, para terdes uma fiança no dia de amanhĂŁ. VĂłs nĂŁo façais o bem medindo, nem retidos pelo medo, dizendo: âDepois, ainda sobrarĂĄ para mim? Se nĂŁo sobrar, quem Ă© que me ajudarĂĄ? SerĂĄ que encontrarei quem faça por mim o que estou fazendo pelo outro? E, quando eu nĂŁo tiver mais nada para dar, serei ainda amado?â
Olhai bem: Eu tenho amigos poderosos entre os ricos, e amigos entre os miserĂĄveis da terra. Em verdade, Eu vos digo que nĂŁo sĂŁo os amigos poderosos os mais amados. Eu vou a eles, nĂŁo por amor a Mim, ou por ser uma vantagem para Mim. Mas, sim, porque deles eu posso receber muito para quem nĂŁo tem nada. Eu sou pobre. NĂŁo possuo nada. Gostaria de ter todos os tesouros do mundo e transformĂĄ-los em pĂŁes para quem estĂĄ com fome, em casas para quem estĂĄ sem casa, em roupas para quem estĂĄ nu, em remĂ©dios para quem estĂĄ doente. VĂłs me direis: âMas Tu podes curar.â Sim. Isto e outras coisas Eu posso. Mas nem sempre hĂĄ fĂ©, e Eu nĂŁo posso fazer o que faria e poderia fazer, se encontrasse nos coraçÔes alguma fĂ© em Mim. Eu quereria fazer o bem tambĂ©m a esses que nĂŁo tĂȘm fĂ©. E, visto que eles nĂŁo pedem milagre ao Filho do homem, eu quereria, de homem para homem, prestar-lhes socorro. Mas Eu nĂŁo tenho nada. Por isso, estendo a mĂŁo a quem tem e peço: âFazei-me uma caridade, em nome de Deusâ AĂ estĂĄ porque Ă© que tenho muitos amigos da alta sociedade. AmanhĂŁ, quando Eu nĂŁo estiver mais na terra, ainda existirĂŁo os pobres, e Eu nĂŁo estarei para realizar milagres aos que tem fĂ©, nem dar esmolas e levĂĄ-los Ă fĂ©. Mas, entĂŁo, os meus amigos ricos terĂŁo aprendido, pois estiveram em contato comigo, como Ă© que se faz beneficĂȘncia, e os meus apĂłstolos terĂŁo aprendido a pedir esmolas por amor dos irmĂŁos tambĂ©m pelo contato que tiveram comigo.. Assim os pobres serĂŁo sempre socorridos.
Pois bem. Ontem recebi mais do que tudo que me foi dado por todos aqueles que tĂȘm, de alguĂ©m que nĂŁo tem nada.. Ă um amigo tĂŁo pobre como Eu. Ele me deu uma coisa que nĂŁo se compra com nenhuma moeda, e me fez feliz, fazendo-me lembrar das horas serenas de minha infĂąncia e juventude, quando, cada tarde, sobre minha cabeça se impunham as mĂŁos do Justo, e Eu ia descansar com sua bĂȘnção, que ficava guardando o meu sono. Ontem este meu amigo pobre me fez rei, com a sua bĂȘnção. Vede que o que ele me deu nenhum dos meus amigos ricos nunca me deu. Por isso, nĂŁo tenhais medo. Mesmo se nĂŁo tiverdes o poder do dinheiro, contanto que tenhais amor e santidade, podereis fazer o bem a quem Ă© pobre e estĂĄ cansado ou aflito.
173.7 E por isso vos digo: nĂŁo vos preocupeis por receio de terdes pouco. VĂłs tereis sempre o necessĂĄrio. NĂŁo fiquem preocupados, pensando no futuro. NinguĂ©m sabe quanto de futuro tem ainda Ă sua frente. NĂŁo fiqueis pensando no que havereis de comer para sustentar-vos na vida, nem com que vos vestireis para esquentar o vosso corpo. A vida do vosso espĂrito Ă© bem mais preciosa do que o ventre e os membros e vale muito mais do que o alimento e as vestes. E o vosso Pai sabe disso. Que vĂłs tambĂ©m o saibais. Olhai as aves do cĂ©u: nĂŁo semeiam, nem colhem, nem acumulam nos celeiros e, no entanto, nĂŁo morrem de fome, porque o Pai do CĂ©u as nutre. VĂłs, homens, criaturas prediletas do Pai, valeis muito mais do que elas.
Quem de vĂłs, com toda a vossa inteligĂȘncia, seria capaz de aumentar um cĂŽvado em vossa altura? Se nĂŁo conseguis aumentar a vossa altura nem um palmo, como podeis pensar em mudar as vossas condiçÔes futuras, aumentando as vossas riquezas, para garantir uma longa e prĂłspera velhice? Podeis dizer Ă morte âTu sĂł me virĂĄs buscar quando eu quiser?â NĂŁo o podeis. Para que entĂŁo, viver preocupados com o amanhĂŁ? Por que ficar tristes por medo de nĂŁo ter o que vestir? Olhai como crescem os lĂrios do campo: eles nĂŁo se cansam, nĂŁo fiam, nem tecem, nĂŁo visitam os vendedores de tecidos para suas compras, no entanto, Eu vos asseguro que nem mesmo SalomĂŁo, com toda a sua glĂłria, nunca se vestiu como um deles. Ora, se Deus veste assim a erva, que hoje existe e amanhĂŁ irĂĄ servir para aquecer o forno, ou para a pastagem do rebanho, terminando sempre em cinza, ou esterco, quanto mais nĂŁo proverĂĄ para vĂłs, que sois seus filhos?
NĂŁo sejais pessoas de pouca fĂ©. NĂŁo vos angustieis, porque o futuro Ă© incerto, nem dizei: âQuando eu ficar velho, que Ă© que vou comer? Que Ă© que vou beber? Com que vou me vestir?â Deixai essas preocupaçÔes para os pagĂŁos, que nĂŁo tĂȘm a sublime certeza da paternidade divina. VĂłs a tendes e sabeis que o Pai conhece as vossas necessidades, e vos ama. Confiai, pois, nele. Procurai primeiro as coisas verdadeiramente necessĂĄrias: a fĂ©, a bondade, a caridade, a humildade, a misericĂłrdia, a pureza, a justiça, a mansidĂŁo, as trĂȘs e as quatro virtudes principais, e todas as outras tambĂ©m, de modo que possais ser amigos de Deus com direito ao seu Reino: Eu vos asseguro que tudo o mais vos serĂĄ dado em acrĂ©scimo, sem que vĂłs o peçais. NĂŁo hĂĄ rico mais rico nem seguro mais seguro do que o santo. Deus estĂĄ com ele. E o santo estĂĄ com Deus. Para o seu corpo nĂŁo pede nada e Deus o provĂȘ do necessĂĄrio. Mas ele trabalha para o seu espĂrito, e Deus se dĂĄ a Si Mesmo a ele aqui neste mundo, e lhe dĂĄ o ParaĂso, depois desta vida.
NĂŁo fiqueis sofrendo por algo que nĂŁo merece o vosso sofrimento. Afligi-vos, sim, por serdes imperfeitos, mas nĂŁo por terdes poucos bens terrenos. NĂŁo vos preocupeis com o dia de amanhĂŁ. O dia de amanhĂŁ pensarĂĄ a por si mesmo, e vĂłs pensareis nele quando o estiverdes vivendo. Por que pensar nele desde hoje? A vida jĂĄ nĂŁo estĂĄ bem cheia das lembranças tristes de ontem e dos pensamentos desagradĂĄveis de hoje, para sentirdes ainda necessidade de viver com o pesadelo do dia de amanhĂŁ? Deixai para cada dia os seus problemas! ExistirĂŁo sempre mais sofrimentos, do que nĂłs quererĂamos nesta vida, sem que precisemos aumentar os sofrimentos presentes com o pensamento do futuro! Dizei sempre a grande palavra de Deus: âHoje.â Sede seus filhos Ă sua semelhança. Dizei, pois com Ele: âHoje.â
E hoje Eu vos dou a minha benção. Que ela vos acompanhe até o começo do novo hoje, isto é, amanhã, e então Eu vos darei de novo a paz em nome de Deus.
Durante o seu discurso, Jesus foi interrompido por um fariseu. O fariseu referia-se a uma passagem do EMV 172, em que Jesus convida o velho Ismael e a mulher Sara a partilharem o seu pĂŁo.