Notas da palavra-chave

A Virgem Maria

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 30 de 32

Conforto de leitura

EMF 206.8-9.14-17 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação


 É incansĂĄvel de fato — enquanto o sol desaparece, deixando como lembrança uma vermelhidĂŁo no cĂ©u, com o primeiro, incerto e solitĂĄrio trilar dos grilos, — Jesus se pĂ”e a caminho pelo meio de um prado, hĂĄ pouco ceifado, e no qual as ervas cortadas, que jĂĄ estĂŁo murchando, formam um tapete de uma fragrĂąncia aguda e suave. Acompanham-no os apĂłstolos, as Marias, Marta e LĂĄzaro com os de sua casa, Isaac com os seus discĂ­pulos, eu diria atĂ© que com toda a BetĂąnia. Entre os seus servos estĂĄ o velhinho com a mulher, aqueles dois que, no Monte das Bem-aventuranças, acharam tambĂ©m um conforto para os seus dias.

Jesus para, a fim de abençoar o patriarca que, chorando, vai beijar-lhe a mão e acaricia o menino, que vai caminhando ao lado de Jesus, e dizendo-lhe:

– Feliz de ti, que o podes acompanhar sempre! É uma grande felicidade! Sobre tua cabeça está suspensa uma coroa
 Oh! Feliz de ti!

Quando todos jå estão em seus lugares, Jesus começa a falar (...).

[Jesus conta a parĂĄbola do rei que celebra o casamento do seu filho.]

Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençÎo, Ăł cidadĂŁos de BetĂąnia, a todos vĂłs. Eu vos abençÎo e vos dou a minha paz. Eu abençÎo em particular a ti, Ăł LĂĄzaro, meu amigo, e a ti, Marta. AbençÎo aos meus discĂ­pulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as nĂșpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizĂȘ-la aqui ao meu lado, de pĂ©, porque assim hĂĄ de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pĂ© somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trĂȘmulo e que reza, com uma voz nĂŁo bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso
”

Ouvem-se alguns soluços
 de homem, de mulher


Margziam estĂĄ ajoelhado justamente ao lado de Maria, que estĂĄ segurando suas mĂŁozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mĂŁe Ă© belo! E como Ă© belo tambĂ©m o pai. Parece estarmos no CĂ©u. SerĂĄ que minha mĂŁe estĂĄ aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? TambĂ©m eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trĂĄs a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bĂȘnção mosaica de sempre.

Depois todos se levantam, indo cada um para a sua própria casa. Só Låzaro é que acompanha ainda Jesus, entrando com Ele na casa de Simão, para estar mais algum tempo com Ele. Entram também todos os outros. Iscariotes se coloca em um canto meio escuro, contrariado. Não tem coragem de ficar perto de Jesus, como fazem os outros


206.15

LĂĄzaro se congratula com Jesus. Ele diz:

– Oh! Sinto muito vĂȘ-lo partir. Mas estou mais contente do que se te tivesse visto partir anteontem!

– Por que, Lázaro?

– Porque me parecias estar muito triste e cansado
 Não falavas nada e pouco sorrias
Ontem e hoje te tornaste o meu santo e doce Mestre e isto me dá muita alegria


– Eu o era, mesmo estando calado


– Tu o eras. Mas Tu Ă©s serenidade e palavra. NĂłs queremos isto de Ti. É nestas fontes que bebemos a nossa força. E agora estas fontes pareciam estar secas. Nossa sede nos estava atormentando. Tu estĂĄs vendo como atĂ© os pagĂŁos ficaram espantados e vieram procurĂĄ-las


Iscariotes, do qual se havia aproximado JoĂŁo de Zebedeu, se atreve a perguntar:

– É isso. JĂĄ tambĂ©m a mim me haviam feito esta pergunta. Porque eu estava junto Ă  fortaleza AntĂŽnia, esperando ver-te.

– Tu sabias onde Eu estava, responde Jesus curtamente.

– Eu sabia. Mas eu pensava que nĂŁo terias decepcionado a quem Te estava esperando. TambĂ©m os romanos ficaram decepcionados. NĂŁo sei por que fizeste assim


– E Ă©s tu que me fazes esta pergunta? NĂŁo estarĂĄs tu a par das intençÔes do SinĂ©drio, dos fariseus e de outros ainda, a meu respeito?

– Por quĂȘ? Terias tido medo?

– Medo não. Náusea.

206.16

No ano passado, quando Eu estava sozinho, um sĂł contra todo mundo, que nem mesmo sabia se Eu era um Profeta, Eu mostrei que nĂŁo tinha medo. E tu foste uma conquista daquela minha coragem. Eu fiz que se ouvisse a minha voz contra todo mundo que urrava contra Mim; fiz ouvir a voz de Deus a um povo que se tinha esquecido dela; purifiquei a Casa de Deus das sujeiras materiais que estavam nela, nĂŁo esperando que pudesse limpĂĄ-la das bem mais graves sujeiras morais que se tinham aninhado nela, porque Eu nĂŁo ignoro o futuro dos homens, mas para cumprir o meu dever, pelo zelo da Casa do Senhor Eterno, transformada em uma praça barulhenta de revendedores, usurĂĄrios e ladrĂ”es e para sacudir do torpor aqueles que muitos sĂ©culos de desleixo sacerdotal tinham feito cair num letargo espiritual. Foi o toque de recolher para o meu povo, a fim de levĂĄ-lo para Deus. Este ano Eu voltei.. E pude ver que o Templo Ă© sempre o mesmo
 E que estĂĄ pior ainda. JĂĄ nĂŁo Ă© mais uma espelunca de ladrĂ”es, mas um lugar de conspiração. Depois se tornarĂĄ sede do delito, depois um lupanar e finalmente, serĂĄ destruĂ­do por uma força maior que a de SansĂŁo, esmagando uma casta indigna de ser chamada santa. É inĂștil falar naquele lugar, no qual, eu peço que te lembres, foi-me proibido falar. Povo desleal! Povo envenenado em seus chefes, povo que ousa interditar que a Palavra de Deus fale em sua Casa! Foi-me proibido. Eu me calei por amor aos pequeninos. NĂŁo Ă© ainda a hora de me matarem. Muitos precisam de Mim, e os meus apĂłstolos ainda nĂŁo estĂŁo fortes para receberem em seus braços a minha prole: o Mundo. NĂŁo chores, mĂŁe, perdoa, tu que Ă©s boa, a necessidade que teu Filho tem de falar a Verdade, que Eu sou, a quem quer ou pode iludir-se
 Eu me calo
 Mas, ai daqueles por causa dos quais Deus se cala!
 Ó mĂŁe, Ăł Margziam, nĂŁo choreis!
 Isto Eu vos peço. NinguĂ©m chore.

Mas, na realidade todos mais ou menos estĂŁo chorando e com muita dor.

Judas, pĂĄlido como um morto, em sua veste amarela e vermelha com listras, ainda se atreve a falar com uma voz choramingante e ridĂ­cula:

– Podes crer, Mestre, que eu estou assombrado e entristecido
 Não sei o que queres dizer
 Eu não estou sabendo de nada
 É verdade que eu não vi nenhum do Templo. Eu rompi relacionamento com todos
 Mas, se Tu estás dizendo, deve ser verdade


– Judas, não viste nem Sadoc?

Judas inclina a cabeça, murmurando:

– É um amigo
 Como tal eu o vi. E não como um dos do Templo


206.17

Jesus não lhe då resposta. Mas vira-se para Isaac e para João de Endor, aos quais faz ainda recomendaçÔes sobre o trabalho deles.

Entretanto, as mulheres estão confortando Maria, que estå chorando, e ao menino, que também chora, ao ver Maria chorar.

Até Låzaro e os apóstolos estão entristecidos. Mas Jesus vai até eles. Ele retomou o seu doce sorriso e, enquanto abraça a mãe e acaricia o menino, diz:

– E agora Eu vos saĂșdo, a vĂłs que ficais. Porque amanhĂŁ cedo nĂłs partiremos. Adeus, LĂĄzaro. Adeus, Maximino. JosĂ©, Eu te agradeço por toda cortesia feita Ă  minha mĂŁe e Ă s discĂ­pulas enquanto aguardavam por mim. Agradeço por tudo. Adeus, LĂĄzaro, abençoa tambĂ©m Ă  Marta em meu nome. Logo Eu voltarei. Vem, minha mĂŁe, vamos descansar. E tu tambĂ©m, Maria e SalomĂ©, se Ă© que vĂłs tambĂ©m quereis ir.

– Com certeza, nós iremos –dizem as duas Marias.

– Então, para a cama. A paz esteja com todos. Deus esteja convosco!

Jesus faz um gesto de bĂȘnção e sai, segurando pela mĂŁo o menino e abraçado com sua mĂŁe


A permanĂȘncia em BetĂąnia terminou.

Palavras-chave

EMF 207.1-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Simão de Jonas pÔe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a BelĂ©m? JoĂŁo diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas Ă© porque estĂĄvamos vindo de JerusalĂ©m. Indo-se por aqui o caminho Ă© mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nĂłs nos separaremos, como decidistes hĂĄ tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mĂŁe deseja permanecer.

– É verdade, nĂłs o dissemos
 Mas seria muito bonito, se fĂŽssemos todos juntos
 especialmente com a mĂŁe
 porque a Rainha de BelĂ©m e da Gruta Ă© ela e ela sabe tudo muito bem
 Ouvindo as palavras dela, seria outra coisa, aĂ­ estĂĄ.

Jesus sorri, olhando para SimĂŁo, que insinuou delicadamente o seu desejo.

– Que gruta, pai? –pergunta Margziam.

– A gruta onde nasceu Jesus.

– Oh! Que bonito! Eu tambĂ©m vou lĂĄ.

– Seria bonito de fato! –dizem Maria de Alfeu e SalomĂ©.

– Muito bonito!
 Seria voltar atrĂĄs
 ao tempo em que o mundo nĂŁo te conhecia, Ă© verdade, mas tambĂ©m ainda nĂŁo te odiava
 Seria encontrar de novo o amor dos simples, que nĂŁo souberam senĂŁo crer e amar, com humildade e fé  Seria depor este peso de amargura, que me oprime o coração, quando sei como Ă©s odiado e colocar esse peso lĂĄ no teu berço .. LĂĄ deve ter ficado ainda a doçura do teu olhar, da tua respiração, daquele teu sorriso incerto, lá
 e fariam carĂ­icias ao meu coração
 Ele estĂĄ tĂŁo amargurado!


Maria fala baixo, com saudade e tristeza.

– EntĂŁo, iremos lĂĄ, minha mĂŁe. Guia-me, tu. Hoje Ă©s tu Mestra e eu a criança que aprende.

– Oh! Filho! NĂŁo! Tu Ă©s sempre o Mestre!

– NĂŁo, minha mĂŁe. SimĂŁo de Jonas falou bem. Na terra de BelĂ©m, a Rainha Ă©s tu. É lĂĄ o teu primeiro castelo. Maria, da estirpe de Davi, guia este pequeno povo por entre tuas moradas.

Iscariotes ia falar, mas resolve calar-se. Jesus, que nota aquele ato e o interpreta, diz:

– Se alguĂ©m, por cansaço ou por outro motivo, nĂŁo quiser ir, prossiga por Betsur livremente.

Mas ninguém diz nada.

207.2

Prosseguem a estrada, atravĂ©s do fresco vale que vai na direção leste-oeste. Depois se dirigem levemente para o norte, a fim de costearem uma colina, que vem aparecendo Ă  frente e alcançam assim o caminho que de JerusalĂ©m vai para BelĂ©m, justamente perto do cubo, encimado por uma pequena cĂșpula redonda, que Ă© a da tumba de Raquel. Todos se aproximam dela para rezar com reverĂȘncia.

– Foi aqui que paramos eu e José  EstĂĄ tudo igual ao que era naquele tempo. SĂł a estação Ă© que era diferente. aquele era um dos dias frios do mĂȘs de Casleu. Havia chovido e as estradas tinham ficado alagadas. Depois, veio um vento gelado, pois talvez de noite tivesse caĂ­do geada. As estradas estavam duras, mas todas com sulcos feitos pelos carros e pelas multidĂ”es, e eram como um mar cheio de buracos e o meu burrinho se fatigava muito


– E tu não, minha mãe?

– Oh! eu Te tinha comigo!
 –e olha para Ele com um rosto tão feliz, que comove.

Depois toma de novo a palavra:

– A tarde jĂĄ vinha chegando e JosĂ© estava muito preocupado
 Um vento cada vez mais forte vinha se levantando, um vento que cortava
 As pessoas se apressavam a caminho de BelĂ©m, esbarrando umas nas outras, e muitos diziam palavras injuriosas ao meu burrinho, porque ele ia muito devagar, procurando os lugares onde podia pĂŽr os cascos
 Mas Ă© que ele parecia que soubesse que havias Tu
 e que estavas dormindo o teu Ășltimo sono no berço do meu seio. Fazia frio
 Mas o que eu sentia era um forte calor. Eu percebia que vinhas vindo. Que vinhas vindo? Poderias dizer: “Eu estava lĂĄ, minha mĂŁe, com nove meses.” Sim. Mas agora era como se estivesses vindo dos CĂ©us. Os CĂ©us se abaixavam, se abaixavam sobre mim e eu via os esplendores deles
 Eu via incendiar-se a Divindade, em sua alegria pelo teu prĂłximo nascimento e aqueles fogos me penetravam, me incendiavam tambĂ©m, me levavam para fora de mim mesma
 de tudo
 Frio
 vento
 pessoas
 nada! Eu sĂł via a Deus
 De vez em quando, com esforço, eu conseguia fazer voltar o meu espĂ­rito por sobre a terra, e sorria para JosĂ©, que tinha medo de que o frio e a fadiga me fizessem mal e ia guiando o burrinho com cuidado, para que ele nĂŁo tropeçasse, e me envolvia de novo na coberta, para que nĂŁo me resfriasse
 Mas nada podia acontecer. As sacudidas, eu nem percebia. Parecia-me estar andando por um caminho estrelado, por entre nuvens cĂąndidas e sendo sustentada por anjos
 E eu sorria
 Primeiro para Ti
 Eu olhava para Ti, atravĂ©s da barreira da carne e estavas dormindo com os punhozinhos fechados em teu leitozinho de rosas vivas, meu botĂŁo de lĂ­rio
 Depois, sorria para o esposo, que estava tĂŁo aflito, tĂŁo aflito, para encorajĂĄ-lo. Depois para as pessoas, que ainda nĂŁo sabiam estarem jĂĄ respirando na ĂĄura do Salvador


Paramos junto à tumba de Raquel para dar um pouco de descanso ao burrinho e para comer um pouco de pão com azeitonas, que eram as nossas provisÔes de pobres. Mas Eu não tinha fome. Não podia ter fome.

Era alimentada pela minha alegria.

207.3

Pusemo-nos de novo a caminho. Vinde. Vou mostrar-vos onde encontramos o pastor
 Não tenhais medo de que eu me engane. Eu revivo aquela hora e encontro de novo cada lugar, porque vejo tudo através de uma grande luz angélica. Talvez a multidão angélica estå de novo aqui, invisível aos olhos dos corpos, mas visível para as almas, com seu luminoso candor e tudo se revela, tudo é mostrado. Eles não podem enganar-se, e me vão conduzindo
para alegria minha e para alegria vossa. Aí estå: daquele campo para este, veio Elias com as suas ovelhas e José foi pedir-lhe leite para mim. E ali, naquele prado, nós paramos, enquanto ele tirava o leite quente e restaurador, e dava seus conselhos a José.

Vinde, vinde
 Ali estĂĄ, ali estĂĄ o caminho do Ășltimo pequeno vale, antes de BelĂ©m. Fomos por este, porque a estrada principal, nas proximidades da cidade, estava numa grande confusĂŁo de pessoas e cavalgaduras


207.4

Eis BelĂ©m! Oh! A querida! Querida terra de meus pais, que me deste o primeiro beijo de meu Filho! Tu te abriste, boa e fragrante, como o pĂŁo do qual tens o nome[1], para dar o PĂŁo Verdadeiro ao mundo que estĂĄ morrendo de fome! Tu me abraçaste como uma mĂŁe, tu, na qual ficou o amor materno de Raquel, Terra Santa da BelĂ©m davĂ­dica, primeiro Templo do Salvador, a Estrela da ManhĂŁ, nascida de JacĂł, a fim de mostrar a rota dos CĂ©us a toda a humanidade. Olhai para ela e vede como estĂĄ bela nesta primavera! Mas, mesmo entĂŁo, ainda que os campos e os vinhedos estivessem despojados, ela estava bela! Um leve vĂ©u de geada voltava a brilhar, a tremeluzir sobre os galhos nus, e eles se tornavam como que polvilhados com diamantes, como se estivessem enrolados em um impalpĂĄvel vĂ©u do ParaĂ­so. Cada casa soltava fumaça por sua chaminĂ©, pois a hora da ceia estava prĂłxima. E a fumaça, subindo pela encosta atĂ© o perĂ­metro, mostrava a cidade, ela tambĂ©m coberta com um vĂ©u
 Tudo era casto, recolhido Ă  espera de
 de Ti, de Ti, Filho. A terra percebia que estavas vindo. E atĂ© os belemitas Te teriam percebido, porque maus eles nĂŁo sĂŁo, por mais que nĂŁo o acrediteis. Eles nĂŁo podiam hospedar-nos
 Nas casas de BelĂ©m se comprimiam, arrogantes como sempre, surdos e soberbos, aqueles que ainda hoje o sĂŁo, e esses tais nĂŁo poderiam perceber a tua presença
 Quantos fariseus, saduceus, herodianos, escribas, essĂȘnios havia lĂĄ! Oh! O serem eles uns obcecados agora, Ă© coisa que jĂĄ vem de terem sido duros de coração entĂŁo. Eles fecharam o coração ao amor para com a sua pobre irmĂŁ naquela tarde
 e permaneceram, e permanecem nas trevas. Eles rejeitaram a Deus, desde entĂŁo, rejeitando o amor ao prĂłximo.

207.5

Vinde. Vamos Ă  gruta. Entrar na cidade, Ă© inĂștil. Os maiores amigos do meu Menino jĂĄ nĂŁo estĂŁo mais lĂĄ. Fica a natureza amiga, com suas pedras, com o seu rio e sua lenha para fazer fogo. A natureza, que percebeu a vinda do seu Senhor
 EntĂŁo, vinde sem temor. Vai-se por aqui
 LĂĄ estĂŁo os escombros da Torre de Davi. Oh! querida por mim mais do que um palĂĄcio. Benditas ruĂ­nas! Bendito rio! Bendita planta que, como por milagre, foste despojada pelo vento de tantos ramos, para que pudĂ©ssemos achar lenha e fazer fogo!

Maria desce, ligeira, para a gruta, atravessa o pequeno rio por uma pinguela que serve de ponte, corre pelo descampado que está diante dos escombros, cai de joelhos na entrada da gruta, inclina-se e beija o chão. Acompanham-na todos os outros. Estão comovidos
 O menino, que não a deixa um instante, parece estar ouvindo uma maravilhosa história e os seus olhinhos negros bebem as palavras e os gestos de Maria, não perdendo um só deles.

Maria torna a levantar-se, e entra, dizendo:

– Tudo, tudo como naquele tempo!
 SĂł que naquele tempo era noite
 JosĂ© fez fogo quando entrei. EntĂŁo, sĂł entĂŁo, descendo do burrinho Ă© que eu senti como estava cansada e gelada
 Um boi me saudou e eu fui atĂ© ele para sentir um pouco de calor e para descansar sobre o feno
 Aqui, onde estou, JosĂ© espalhou mais feno, para fazer-me uma cama e o enxugou para mim, como para Ti, meu Filho, diante das chamas do fogo aceso naquele canto
 pois JosĂ© era bom como um pai, em seu amor de esposo-anjo
 E, segurando-nos pelas mĂŁos, como dois irmĂŁos perdidos no escuro da noite, comemos nosso pĂŁo e queijo. Depois, ele foi avivar o fogo, tirando o seu capote para tapar uma abertura
 Na verdade, desceu um vĂ©u diante da glĂłria de Deus, que descia dos CĂ©us, e eras Tu, meu Jesus
 e eu fiquei sobre o feno, ao calor dos dois animais, envolvida em meu manto e com a capa de lã
 Ó meu querido esposo! Naquela hora de Ăąnsia e de temor na qual eu estava sozinha, diante do mistĂ©rio da primeira maternidade, que Ă© plena do desconhecido para uma mulher, e para mim, naquela Ășnica maternidade, plena tambĂ©m de mistĂ©rio, como teria sido o de ver o Filho de Deus saindo da carne mortal, ele, JosĂ©, foi para mim como uma mĂŁe, foi um anjo
 foi o meu conforto
 entĂŁo e sempre


207.6

Depois veio o silĂȘncio e o sono que envolveram a José  para que ele nĂŁo visse aquilo que era para mim o beijo diĂĄrio de Deus
 E, para mim, depois de um intervalo para as necessidades humanas, sobrevĂȘm-me as ondas desmesuradas de um ĂȘxtase, vindas do mar do ParaĂ­so e que me elevavam de novo para cima das cristas luminosas, cada vez mais altas, levando-me para cima, mais para cima consigo, para um oceano de luz, de luz, de alegria, de paz, de amor, atĂ© que me encontrei perdida no mar de Deus, do seio de Deus
 Uma voz veio ainda da terra: “EstĂĄs dormindo, Maria?” Oh! Ela vinha de tĂŁo longe! Parecia mais um eco, uma lembrança da terra! E tĂŁo fraca, que a alma nĂŁo se agita, e nem sei com que palavras respondi enquanto subo, vou subindo ainda por este abismo de fogo, de felicidade infinita, de uma precognição de Deus
 atĂ© Ele, Ele
 Oh! Mas Ă©s Tu que nasceste, ou sou Eu que nasci dos Trinos fulgores, naquela noite? Fui eu que Te dei, ou foste Tu que me deste o sopro da vida? Eu nĂŁo sei


Depois a descida, de um coro a outro coro, de um astro a outro astro, de um estrato a outro estrato, doce, lenta, feliz, tĂŁo plĂĄcida como uma flor levada para o alto por uma ĂĄguia e depois solta no ar e vai descendo lentamente nas asas do ar, tornando-se mais bela por uma gota de chuva que brilha como uma pedra preciosa, por um pedacinho do arco-Ă­ris arrebatado ao cĂ©u, esse reencontra no torrĂŁo natal
 É o meu diadema: Tu! Tu sobre o meu coração


Sentada aqui, depois de ter-te adorado de joelhos, eu te amei. Finalmente, Te pude amar sem as barreiras da carne, e daqui eu me movi para levar-te ao amor daquele que, como eu, era digno de estar entre os primeiros a amar-te. E aqui, entre duas rĂșsticas colunas, eu te ofereci ao Pai. E foi aqui que descansaste, pela primeira vez, sobre o coração de José  Depois, eu te enfaixei e, juntos, nĂłs te colocamos aqui
 Eu te balançava, enquanto JosĂ© enxugava o feno ao fogo e o conservava quente, para depois pĂŽ-lo sobre o teu peito e, em seguida, ficĂĄvamos te adorando nĂłs dois, assim, inclinados sobre Ti como agora, bebendo a tua respiração, olhando atĂ© onde o aniquilamento do amor pode conduzir, chorando as lĂĄgrimas que certamente no CĂ©u se choram, pela alegria inexaurĂ­vel de ver sempre a Deus.

207.7

Naquela sua recordação, Maria ia e vinha, mostrando os lugares, ardente em seu amor, com um brilho de lágrimas em seus olhos azuis e um sorriso de alegria em sua boca, inclinando-se de verdade sobre o seu Jesus, que agora está sentado ali sobre uma pedra grande, enquanto Ela vai-se lembrando de tudo e o beija por entre os cabelos, chorando e adorando-o, como então


– E depois, os pastores, que entravam aqui para adorar, com seu bom coração e com o grande suspiro da terra, que aqui com eles entrava, com aquele odor de humanidade, de rebanhos e de feno. Fora e por toda parte, os anjos para adorar-Te com seu amor, os cantos deles que a criatura humana Ă© incapaz de repetir, e com o amor dos CĂ©us, com aquele ar de CĂ©u que entrava com eles, que eles traziam junto com os seus fulgores
 Foi o teu nascimento bendito!


Maria ajoelhou-se ao lado do Filho, e estĂĄ chorando de emoção, com a cabeça inclinada sobre os joelhos dele. NinguĂ©m, por algum tempo, tem coragem de falar. Mais ou menos emocionados, os presentes olham ao redor, uns para os outros, como se, por entre as teias de aranha e as pedras escabrosas, eles esperassem ir vendo pintada a cena, que havia sido descrita


Maria recobra a coragem e diz:

– Eis. Eu falei do infinitamente simples e infinitamente grande nascimento do meu Filho. Com meu coração de mulher, mas nĂŁo com a sabedoria de mestre. Outra coisa nĂŁo hĂĄ, porque foi a maior coisa da Terra, escondida por debaixo das aparĂȘncias mais comuns.

207.8

– Mas, e o dia seguinte? E depois dele? –perguntam muitos, entre os quais as duas Marias.

– No dia seguinte? Oh! Muito simples! Fui a mĂŁe que dĂĄ leite ao seu menino, que o lava e enfaixa, como fazem todas as outras mĂŁes. Eu esquentava a ĂĄgua buscada no rio, sobre o fogo que era aceso ali fora, a fim de que a fumaça nĂŁo fizesse aqueles dois olhinhos azuis chorar e, depois, no canto mais abrigado da gruta, em uma velha gamela, eu lavava o meu Filho e o enrolava em panos frescos. Depois, eu ia ao rio lavar os paninhos e os estendia ao sol
 Em seguida, alegria das alegrias, eu punha Jesus ao peito e Ele sugava, tornando-se mais corado e feliz. No primeiro dia, Ă  hora do maior calor, fui sentar-me ali fora, para vĂȘ-lo bem. Aqui a luz nĂŁo entra direta, mas se filtra, e a luz e as chamas dĂŁo Ă s coisas uma aparĂȘncia esquisita. Eu fui lĂĄ para fora, ao sol, e olhei para o Verbo Encarnado. Foi entĂŁo que a mĂŁe conheceu o Filho, a Serva de Deus ao seu Senhor. AĂ­ eu fui mulher e adoradora
. Depois, a casa de Ana
 aqueles dias junto ao teu berço, os teus primeiros passos, a primeira palavra. Mas isso foi depois, a seu tempo
 E nada, nada foi igual Ă  hora do teu nascimento
 SĂł no retorno para Deus reencontrarei aquela plenitude


– Mas
 deixar para partir assim, na Ășltima hora! Que imprudĂȘncia! Por que nĂŁo esperar? O decreto previa tambĂ©m uma data mais afastada, para os casos excepcionais, como os de nascimentos e doenças. Alfeu falou assim
 –disse Maria de Alfeu.

– Esperar? Oh! NĂŁo. Naquela tarde em que JosĂ© trouxe a notĂ­cia, eu e Tu, meu Filho, saltamos de alegria. Era o chamado, porque aqui, somente aqui Ă© que devias nascer, como os Profetas haviam dito. E aquele decreto de improviso foi como um cĂ©u piedoso para JosĂ©, pois acabava atĂ© com a lembrança da suspeita dele. Era aquilo que eu esperava para Ti, para ele, para o mundo judaico e para o mundo futuro, atĂ© o fim dos sĂ©culos. Estava dito[2]. E, como estava dito, aconteceu. Esperar! Pode a esposa aceitar uma espera para o sonho de suas nĂșpcias? Por que esperar?

– Mas
 por tudo o que podia acontecer
 –diz ainda Maria de Alfeu.

– Eu não tinha medo nenhum. Eu descansava em Deus.

– Mas, tu sabias que tudo teria sido assim?

– NinguĂ©m me havia dito isso, nem eu pensava nisso, tanto assim, que para encorajar JosĂ©, eu deixei que ele ficasse dĂșvidando, e a vĂłs tambĂ©m, sobre se jĂĄ era, ou nĂŁo, o tempo do nascimento. Mas eu sabia, isto eu sabia, que na festa das Luzes nasceria a Luz do mundo


– E tu, entĂŁo, minha mĂŁe, por que nĂŁo acompanhaste Maria? E o pai, por que nĂŁo pensou nisso? VĂłs tambĂ©m devĂ­eis ter vindo aqui. Hoje nĂŁo viemos todos? –pergunta sĂ©rio Judas Tadeu.

– Teu pai tinha decidido que viria depois das EncĂȘnias, e disse isto ao irmĂŁo dele. Mas JosĂ© nĂŁo quis esperar.

– Mas tu, ao menos
 –retruca ainda Tadeu.

– NĂŁo a censures, Judas. De comum acordo, achamos justo descer um vĂ©u sobre o mistĂ©rio deste nascimento.

– Mas JosĂ© sabia que ele teria acontecido com aqueles sinais? Se nem tu sabias, como podia ele saber?

– Nós não sabíamos de nada, a não ser que Ele devia nascer.

– E então?

– E entĂŁo a Sabedoria divina nos guiou assim, como era justo. O nascimento de Jesus, sua presença no mundo, devia aparecer privada de tudo o que fosse extraordinĂĄrio e provocasse a ira de satanĂĄs
 E vĂłs estais vendo como o Ăłdio atual de BelĂ©m para com o Messias Ă© uma consequĂȘncia da primeira manifestação de Cristo. O rancor do demĂŽnio usou da revelação para fazer derramar sangue e, pelo sangue derramado, fazer nascer o Ăłdio.

207.9

EstĂĄs contente, SimĂŁo de Jonas, tu que nĂŁo dizes nada e quase nem respiras mais?

– Muito
 e a tal ponto que me parece que estou fora do mundo, em um lugar ainda mais santo, do que se estivesse do outro lado do vĂ©u do Templo
 A tal ponto, que agora que eu te vi neste lugar, e com a luz daquele tempo, eu fico temeroso por haver-te tratado com respeito, sim, mas como uma grande mulher, sempre mulher. Agora
 agora eu nĂŁo terei coragem de te chamar como antes: “Maria.” Antes, eras para mim a mamĂŁe do meu Mestre. Agora, agora que eu te vi sobre as alturas daquelas ondas celestes, que eu te vi como Rainha, eu miserĂĄvel, faço assim, como um escravo que sou –e se joga no chĂŁo para beijar os pĂ©s de Maria.

Nesse momento, Jesus lhe fala:

– Simão, levanta-te. Vem cá, bem perto de Mim.

Pedro vai, entĂŁo, para a esquerda de Jesus, porque Maria estĂĄ Ă  direita.

– Que Ă© que somos agora nĂłs? –pergunta Jesus.

– Nós? Ora, somos Jesus, Maria e Simão.

– Está bem. Mas, quantos somos?

– TrĂȘs, Mestre.

– Portanto, Ă© uma trindade. Um dia[3] no CĂ©u Ă  Divina Trindade veio um pensamento: “Agora chegou o tempo de o Verbo ir Ă  terra”, e, em uma palpitação de amor, o Verbo veio Ă  terra. Separou-se, pois do Pai e do espĂ­rito Santo. Veio trabalhar na terra. No CĂ©u, os Dois que ficaram contemplaram as obras do Verbo e se conservaram mais unidos do que nunca, para assim unirem o Pensamento e o Amor, a fim de ajudar a Palavra que trabalha na terra. Um dia virĂĄ em que do CĂ©u baixarĂĄ esta ordem: “JĂĄ Ă© tempo para que Tu voltes, porque tudo jĂĄ se cumpriu”, e entĂŁo, o Verbo voltarĂĄ aos CĂ©us, assim (e Jesus dĂĄ um passo para trĂĄs, deixando Maria e Pedro onde eles estavam) do alto dos CĂ©us, contemplarĂĄ as obras dos dois que ficaram na terra, os quais, por um movimento santo, se unirĂŁo mais do que nunca, para unirem o poder e o amor, e fazer deles um meio para que se cumpra o desejo do Verbo: A redenção do mundo atravĂ©s do perpĂ©tuo ensinamento de sua Igreja. E o Pai, Filho e espĂ­rito Santo farĂŁo dos seus raios uma corrente para ajuntar cada vez mais os dois que ficaram na terra: minha mĂŁe, Ă© o amor; e tu, o poder. DeverĂĄs, pois, tratar bem Maria como rainha, sim, mas nĂŁo como um escravo. Que te parece?

– A mim me parece o que Tu quiseres. Eu estou aniquilado. Eu, ficar com o poder? Oh! Se Ă© que eu sou o poder, entĂŁo sim Ă© que eu me devo apoiar nela! Oh! MĂŁe do meu Senhor, nĂŁo me abandones nunca, nunca, nunca


– NĂŁo tenhas medo. Eu te terei sempre pela mĂŁo, do mesmo modo como fazia com o meu Menino, atĂ© que Ele se tornou capaz de andar sozinho.

– E depois?

– E depois eu te socorrerei com a oração. Coragem, SimĂŁo. Nunca duvides do poder de Deus. Dele nĂŁo duvidei eu nem JosĂ©. E nem tu deves dĂșvidar. Deus dĂĄ sua ajuda a cada hora, desde que permaneçamos humildes e fiĂ©is.

Palavras-chave

EMF 207.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

EstĂĄs contente, SimĂŁo de Jonas, tu que nĂŁo dizes nada e quase nem respiras mais?

– Muito
 e a tal ponto que me parece que estou fora do mundo, em um lugar ainda mais santo, do que se estivesse do outro lado do vĂ©u do Templo
 A tal ponto, que agora que eu te vi neste lugar, e com a luz daquele tempo, eu fico temeroso por haver-te tratado com respeito, sim, mas como uma grande mulher, sempre mulher. Agora
 agora eu nĂŁo terei coragem de te chamar como antes: “Maria.” Antes, eras para mim a mamĂŁe do meu Mestre. Agora, agora que eu te vi sobre as alturas daquelas ondas celestes, que eu te vi como Rainha, eu miserĂĄvel, faço assim, como um escravo que sou –e se joga no chĂŁo para beijar os pĂ©s de Maria.

Nesse momento, Jesus lhe fala:

– Simão, levanta-te. Vem cá, bem perto de Mim.

Pedro vai, entĂŁo, para a esquerda de Jesus, porque Maria estĂĄ Ă  direita.

– Que Ă© que somos agora nĂłs? –pergunta Jesus.

– Nós? Ora, somos Jesus, Maria e Simão.

– Está bem. Mas, quantos somos?

– TrĂȘs, Mestre.

– Portanto, Ă© uma trindade. Um dia[3] no CĂ©u Ă  Divina Trindade veio um pensamento: “Agora chegou o tempo de o Verbo ir Ă  terra”, e, em uma palpitação de amor, o Verbo veio Ă  terra. Separou-se, pois do Pai e do espĂ­rito Santo. Veio trabalhar na terra. No CĂ©u, os Dois que ficaram contemplaram as obras do Verbo e se conservaram mais unidos do que nunca, para assim unirem o Pensamento e o Amor, a fim de ajudar a Palavra que trabalha na terra. Um dia virĂĄ em que do CĂ©u baixarĂĄ esta ordem: “JĂĄ Ă© tempo para que Tu voltes, porque tudo jĂĄ se cumpriu”, e entĂŁo, o Verbo voltarĂĄ aos CĂ©us, assim (e Jesus dĂĄ um passo para trĂĄs, deixando Maria e Pedro onde eles estavam) do alto dos CĂ©us, contemplarĂĄ as obras dos dois que ficaram na terra, os quais, por um movimento santo, se unirĂŁo mais do que nunca, para unirem o poder e o amor, e fazer deles um meio para que se cumpra o desejo do Verbo: A redenção do mundo atravĂ©s do perpĂ©tuo ensinamento de sua Igreja. E o Pai, Filho e espĂ­rito Santo farĂŁo dos seus raios uma corrente para ajuntar cada vez mais os dois que ficaram na terra: minha mĂŁe, Ă© o amor; e tu, o poder. DeverĂĄs, pois, tratar bem Maria como rainha, sim, mas nĂŁo como um escravo. Que te parece?

– A mim me parece o que Tu quiseres. Eu estou aniquilado. Eu, ficar com o poder? Oh! Se Ă© que eu sou o poder, entĂŁo sim Ă© que eu me devo apoiar nela! Oh! MĂŁe do meu Senhor, nĂŁo me abandones nunca, nunca, nunca


– NĂŁo tenhas medo. Eu te terei sempre pela mĂŁo, do mesmo modo como fazia com o meu Menino, atĂ© que Ele se tornou capaz de andar sozinho.

– E depois?

– E depois eu te socorrerei com a oração. Coragem, SimĂŁo. Nunca duvides do poder de Deus. Dele nĂŁo duvidei eu nem JosĂ©. E nem tu deves dĂșvidar. Deus dĂĄ sua ajuda a cada hora, desde que permaneçamos humildes e fiĂ©is.

Detalhe

A Virgem acaba de contar a Natividade com as suas prĂłprias palavras.

Anotação

Trindade celeste - Trindade terrestre: Para estabelecer um paralelismo entre a Trindade celeste (Pai, Filho e Espírito Santo) e a Trindade terrestre (Jesus, Maria e Pedro), a explicação deve recorrer ao expediente de atribuir a Deus pensamentos e comportamentos humanos, estabelecendo separaçÔes e reuniÔes entre as Pessoas divinas.

No entanto", nota Maria Valtorta numa cópia dactilografada, "não se trata de negar a união hipoståtica (= união das duas naturezas, divina e humana) pela qual o Verbo, estando verdadeiramente na carne do Filho de Deus e de Maria, não deixou de ser um com o Pai e, portanto, com o Amor; não deixou de ser o Santo dos Santos, porque o era pela sua natureza divina e o era na sua natureza humana, pela graça e por uma vontade perfeitíssima".

Esta nota, acompanhada dos textos deEMV 207.11 |EMV324.3 | EMV 567.17 | EMV 630.21 e EMV 634.11, bem como das notas deEMV 54.5 | EMV 68.1 | EMV 342.5 e EMV 346.5, pode também ser utilizada para interpretar corretamente as expressÔes que se encontram em EMV 62.2 (para me unir ao Pai) | EMV 62.4 (eu estava no Pai) | EMV 123.5 (saí do Céu) | EMV 126.1 (não a mim, mas àquele que me enviou) | EMV 126.10 | EMV 128.2 (não eu. Deus) | EMV 129.3 (Deus estå no Céu. Ele adora e vai a Ele) | EMV 249.4 | EMV 254.3 (Deveis perguntar a quem os fez) | EMV 272.2 | EMV 287.6 (A Deus, não ao seu Servo) | EMV 298.6 (Não de mim, mas do Pai) | EMV 317.5 | EMV 371.6 | EMV 399.4 (Ele deixou o Pai) | EMV 452.11 | EMV 479.2 (Ele volta ao Pai) | EMV 487.9 | EMV 517.2 (Deixei uma parte da união) | EMV 534.8 (A Sabedoria deixou o Céu) | EMV600.21 (Deixei o Pai) | EMV 618.5 (Jå não estou separado do Pai) | EMV 632.34 (Deixou o Céu) | EMV 637.6 (Deixei o Céu) | EMV 642.9, etc.

Por fim, Ă© de notar o conceito expresso por Maria Valtorta no texto de EMV 474.2/3: a divindade, sempre unida hipostaticamente ao Homem Jesus, nĂŁo foi em todos os momentos sensĂ­vel ao Homem Redentor, que teve de chegar ao ponto de experimentar essa dor.

Palavras-chave

EMF 207.10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Agora, vinde aqui fora, Ă  beira do rio, Ă  sombra daquela ĂĄrvore boa que, se o verĂŁo jĂĄ tivesse chegado, vos estaria dando agora suas maçãs, alĂ©m de sua boa sombra. Vinde. Vamos comer, antes de nos pormos a caminho
 Para onde, meu Filho?

– Para Jala. Fica perto. E amanhã iremos a Betsur.

Assentam-se Ă  sombra da macieira, e Maria se coloca justamente na frente do tronco robusto.

Bartolomeu olha fixamente para ela, tão jovem e animada pela evocação feita, recebendo do Filho o alimento que Ele abençoou, sorrindo para Ele com uns olhos cheios de amor, murmura:

– “A sombra dele eu me assentei, e seu alimento Ă© doce ao meu paladar.”

Judas Tadeu Ă© quem lhe responde:

– É verdade. Ela estĂĄ lĂąnguida de amor. Mas nĂŁo se hĂĄ de dizer que sob uma macieira Ă© que ela foi despertada.

– E, por que não, meu irmão? Que sabemos nós dos segredos do Rei? –responde Tiago de Alfeu.

E Jesus, sorrindo:

– A nova Eva foi concebida pelo Pensamento, aos pĂ©s da ĂĄrvore do ParaĂ­so, para que com o seu sorriso e com o seu pranto, afugentasse a serpente e desintoxicasse a intoxicada fruta. Ela se fez assim a ĂĄrvore do fruto redentor. Vinde, amigos e comei dele. Porque nutrir-se alguĂ©m de sua doçura Ă© nutrir-se com o mel de Deus.

– Mestre, responde a um meu antigo desejo de saber: O Cñntico, que nós estamos citando[4] tem a previsão dela? –pergunta Bartolomeu, enquanto Maria está ocupada com o menino, e conversando com as mulheres.

– Desde o principio do Livro se fala dela, e dela se falarĂĄ nos livros que vierem depois, atĂ© que a palavra do homem se mude no sempiterno hosana da eterna Cidade de Deus –e Jesus se vira para as mulheres.

– Como se percebe que Ă© de Davi! Que sabedoria, que poesia! –diz Zelotes, falando com os companheiros.

Detalhe

A Virgem Maria contou o nascimento do seu Filho.

Anotação

Livro de CĂąnticos 2, 3

Ct 2,3 "Como a macieira entre as ĂĄrvores do bosque Ă© minha amiga entre os jovens, tenho grande prazer em sentar-me Ă  sua sombra. Como Ă© doce o seu fruto ao meu paladar".

Livro dos CĂąnticos 8, 5

Ct 8,5: Quem Ă© esta que sobe do deserto, apoiada no seu amado? O NASCIMENTO. Ali te concebeu a tua mĂŁe, ali te concebeu, ali te deu Ă  luz.

Palavras-chave

EMF 208.1-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Quase com certeza os encontraremos, se nos conservarmos andando por algum tempo na estrada que vai para Hebron. Eu vos peço isto: Andai dois a dois, Ă  procura deles, pelos caminhos das montanhas. Daqui atĂ© Ă s piscinas de SalomĂŁo, depois de lĂĄ atĂ© Betsur. NĂłs vos acompanharemos. Esta Ă© a zona de pastagem deles –diz o Senhor aos doze, e eu compreendo que Ele estĂĄ falando dos pastores.

Os apĂłstolos se apressam em andar, cada um com o companheiro de sua preferĂȘncia e sĂł a dupla quase inseparĂĄvel de JoĂŁo e AndrĂ© Ă© que nĂŁo se une, porque os dois vĂŁo a Iscariotes e lhe dizem:

– Eu vou contigo.

E Judas responde:

– Sim, vem AndrĂ©. É melhor assim, JoĂŁo. Eu e tu seremos dois que jĂĄ conhecemos os pastores. É melhor, entĂŁo que vĂĄs com qualquer outro.

– Que venha comigo o rapaz –diz Pedro, deixando Tiago de Zebedeu que, sem protestar, vai com TomĂ©, enquanto Zelotes vai com Judas Tadeu, Tiago de Alfeu com Mateus e os inseparĂĄveis Filipe e Bartolomeu, vĂŁo por conta deles. O menino fica com Jesus e com as Marias.

A estrada Ă© fresca e bela entre os montes todos verdes, por causa das diferentes culturas, dos bosques e dos prados. Encontram-se os rebanhos que, Ă  luz dourada da aurora, vĂŁo Ă s pastagens.

A cada batida do cincerro, Jesus para de falar e olha. Depois, pergunta aos pastores se Elias, o pastor belemita, estĂĄ por aqueles lugares. Compreendo que Elias jĂĄ estĂĄ sendo chamado “o belemita.” Ainda que outros pastores tambĂ©m o sejam, ele Ă©, por direito, ou por caçoada, “o belemita.” Mas ninguĂ©m sabe. Eles respondem, parando o rebanho, e cessando de tocar suas rĂșsticas flautas.

Os jovens, quase todos, tem estas flautas toscas feitas de caniço, e isso faz que Margziam fique extasiado, até que um pastor velho e bom resolve dar-lhe a de seu neto, dizendo:

– Ele fará outra para si.

E Margziam sai dali feliz com o seu instrumento a tiracolo, ainda que, por enquanto nĂŁo saiba tocar.

208.2

– Eu gostaria muito de encontrá-los! –exclama Maria.

– Nós os encontraremos com certeza. Nesta estação, estão sempre perto de Hebron.

O menino se interessa por estes pastores, que viram Jesus Menino e faz mil perguntas a Maria, que lhe explica tudo, com muita paciĂȘncia e bondade.

– Mas, por que foi que os castigaram? Eles só tinham feito o bem

–pergunta o menino, depois que lhe foram contadas as desventuras por que eles passaram.

– Porque muitas vezes o homem comete erros, acusando os inocentes de um mal que na realidade foi feito por outro. Mas, visto que eles eram bons, e souberam perdoar, Jesus os ama muito. É preciso saber perdoar sempre.

– Mas, todos aqueles meninos que foram mortos, como fizeram para perdoar a Herodes?

– Eles sĂŁo pequenos mĂĄrtires, Margziam, e os mĂĄrtires sĂŁo santos. Eles nĂŁo somente perdoam ao seu carrasco, mas o amam, porque ele abre para eles o CĂ©u.

– EntĂŁo, eles estĂŁo no CĂ©u?

– Não, por enquanto não. Mas estão no Limbo, para serem a alegria dos Patriarcas e dos Justos.

– Por quĂȘ?

– Porque disseram, quando chegaram com suas almas tingidas de sangue: “Eis-nos aqui, nós somos os arautos do Cristo Salvador. Alegrai-vos, vós que estais esperando, porque Ele já está na terra.” E todos os amam porque eles são os portadores dessa boa nova.

– Meu pai me disse que a boa nova Ă© tambĂ©m a palavra de Jesus. EntĂŁo, quando meu pai for para o Limbo, depois de a ter dito sobre a terra, e eu tambĂ©m irei para lĂĄ, seremos nĂłs tambĂ©m amados?

– Tu não irás para o Limbo, pequenino.

– Por quĂȘ?

– Porque Jesus jĂĄ terĂĄ voltado para os CĂ©us, e os terĂĄ aberto, e todos os bons, na hora de sua morte, irĂŁo logo para o CĂ©u.

– Eu vou ser bom, assim prometo. E SimĂŁo de Jonas? Ele tambĂ©m, nĂŁo Ă©? Porque eu nĂŁo quero ficar ĂłrfĂŁo pela segunda vez.

– Ele tambĂ©m, com certeza. Mas no CĂ©u ninguĂ©m Ă© ĂłrfĂŁo. LĂĄ temos Deus. Deus Ă© tudo. Nem aqui nĂłs somos ĂłrfĂŁos. Porque o Pai estĂĄ sempre conosco.

– Mas, Jesus, naquela bela oração que Tu me ensinaste de dia e minha mĂŁe de noite, diz: “Pai nosso que estais nos CĂ©us.” NĂłs ainda nĂŁo estamos no CĂ©u. Como, entĂŁo podemos estar com Ele?

– Porque Deus estĂĄ em toda parte, meu filho. Ele vela sobre o menino que nasce e sobre o velho que morre. O menino que estĂĄ nascendo neste momento, no ponto mais remoto da terra, tem consigo os olhares e o amor de Deus, e os terĂĄ atĂ© Ă  morte.

– Ainda que ele seja mau, como Doras?

– Sim. Ainda que o seja.

– Mas Deus, que Ă© bom, como pode amĂĄ-lo, se Doras Ă© tĂŁo mau e faz chorar ao meu velho pai?

– Deus olha para ele com desgosto e com dor. Mas, se ele se arrependesse. Ele lhe diria o que o pai da parábola disse ao filho arrependido.

208.3

Tu deverias rezar para que ele se arrependa e


– Oh! Não, mãe! Eu rezarei para que ele morra! –diz impetuosamente o menino.

Por mais que esta saĂ­da seja pouco
 angĂ©lica, o Ă­mpeto do menino Ă© tĂŁo veemente e tĂŁo sincero, que os outros tĂȘm que fazer esforço para nĂŁo rir.

Mas depois Maria assume de novo a sua doce seriedade de Mestra:

– NĂŁo, meu querido. Isto nĂŁo deves fazer a um pecador. Deus nĂŁo te ouviria e atĂ© olharia para ti com severidade. NĂłs devemos desejar para o prĂłximo, ainda que ele seja muito mau, o maior bem. A vida Ă© um bem porque dĂĄ ao homem o modo de adquirir mĂ©ritos aos olhos de Deus.

– Mas, se alguĂ©m Ă© mau, o que adquire sĂŁo pecados.

– Reza-se para que ele se torne bom.

O menino fica pensando
 mas não entende muito esta lição sublime e conclui:

– Doras nĂŁo se tornarĂĄ bom, mesmo se eu rezar. Ele Ă© mau demais. Ainda que comigo rezassem todos os meninos mĂĄrtires de BelĂ©m, ele nĂŁo se tornaria bom. NĂŁo sabes que
 nĂŁo sabes que
 que um dia ele bateu com uma barra de ferro em meu velho pai, porque o encontrou sentado na hora do trabalho? Meu pai nĂŁo podia levantar-se, porque se sentia mal, e ele
 bateu nele atĂ© deixĂĄ-lo quase morto e depois lhe deu ainda um pontapĂ© no rosto
 Eu vi tudo, porque estava escondido atrĂĄs de uma sebe
 Eu tinha ido atĂ© lĂĄ porque ninguĂ©m me tinha levado pĂŁo jĂĄ havia dois dias, e eu estava com fome
E u tive que fugir de lĂĄ, para nĂŁo me perceberem, pois eu estava chorando, ao ver meu pai sendo tratado daquele modo, com a barba cheia de sangue, e como se estivesse morto
 Eu sai de lĂĄ chorando e pedindo pĂŁo
 mas aquele pĂŁo, eu o encontrei sempre foi aqui
 aquele tinha sabor do sangue e das lĂĄgrimas de meu pai e tambĂ©m das minhas, e de todos os que sĂŁo torturados, e nĂŁo podem amar a quem os tortura. Eu, gostaria de bater em Doras, para que ele sentisse o que sĂŁo as batidas, eu gostaria de deixĂĄ-lo sem pĂŁo, para que ele ficasse sabendo o que Ă© a fome, e quereria fazĂȘ-lo trabalhar, ao ardor do sol, ou na lama, sob as ameaças dos vigilantes e sem comer, para que ele ficasse sabendo o que estĂĄ dando aos pobres
 Eu nĂŁo lhe posso querer bem, porque
 ele estĂĄ matando a meu santo pai, e eu, se nĂŁo vos encontrasse, de quem haveria de ser depois?

O menino, tomado por uma dor convulsiva, grita e chora, tremendo, agitado, com seus pequenos punhos fechados, dando socos no ar, jĂĄ que nĂŁo pode dĂĄ-los no carrasco.

As mulheres estĂŁo assombradas e comovidas, e procuram acalmĂĄ-lo. Mas ele estĂĄ, de fato, numa crise de dor, e nĂŁo ouve o que lhe falam. Ele grita:

– Eu não posso, não posso amá-lo e perdoá-lo. Eu o odeio, eu o odeio por todos, o odeio!


Causa dĂł e medo.

208.4

É a reação da criatura que sofreu demais.

E Jesus diz:

– Este Ă© o maior dos delitos de Doras: levar um inocente a odiar


Mas depois Ele toma nos braços o menino, e lhe diz:

– Escuta, Margziam. Queres tu um dia ficar com a mamãe, o pai, os irmãozinhos e o velho pai?

– Siiim


– Nesse caso nĂŁo podes odiar ninguĂ©m. No CĂ©u nĂŁo entra quem odeia. NĂŁo podes rezar, por enquanto, por Doras? EstĂĄ bem: nĂŁo rezes, mas tambĂ©m nĂŁo odeies. Sabes o que tens que fazer? NĂŁo deves nunca virar-te para trĂĄs, para ficar pensando no passado


– Mas meu pai, que está sofrendo, não está no passado


– É verdade. Mas olha, Margziam experimenta rezar assim: “Pai nosso, que estais nos CĂ©us, pensa Tu naquilo que Ă© desejo meu
” VerĂĄs que o Pai te escuta do melhor dos modos. E, mesmo que matasses Doras, que farias? Perderias o amor de Deus, o CĂ©u, a uniĂŁo com teu pai e tua mĂŁe, e nĂŁo livrarias das penas o velho que amas. Dize-lhe: “Tu sabes como eu amo ao velho pai e como amo a todos aqueles que sĂŁo infelizes. Pensa nisso, Tu que tudo podes.” Como? EntĂŁo nĂŁo queres pregar a Boa Nova? Mas ela fala de amor e de perdĂŁo! Como podes tu dizer a um outro: “NĂŁo odeies. Perdoa”, se tu nĂŁo sabes amar e perdoar? Deixa, deixa que o bom Deus aja, e verĂĄs como tudo Ele predispĂ”e bem. Tu farias isso?

– Sim, porque te quero bem.

Jesus beija o menino e o pÔe no chão. O episódio fica superado e a estrada também.

Anotação

É melhor assim, Jean. Tu e eu seríamos duas pessoas que já conhecem os pastores. Cf. EMV 75.2 e EMV 75.6.

Quando o clarim é tocado, Jesus påra de falar. Clarim: Sino colocado ao pescoço do gado.

Nesta bela oração que tu e minha mãe me ensinaram, ela de noite e tu de dia: cf. EMV 206,14.

Se ele se arrependesse, dir-lhe-ia o que o pai da parĂĄbola disse ao filho arrependido. Na parĂĄbola do filho prĂłdigo(EMV 205.5).

Palavras-chave

EMF 208.7-11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O pĂŽr do sol começa, quando Betsur jĂĄ vem aparecendo sobre a colina e, quase de repente, na estrada secundĂĄria, que tomaram para virem, eis que os rebanhos dos pastores vĂȘm chegando com os pastores. Mas, quando Elias vĂȘ que Maria tambĂ©m estĂĄ lĂĄ, levanta os braços com espanto e fica nessa posição, nem podendo crer no que estĂĄ vendo.

– A paz esteja contigo, Elias. Sou eu mesma. Havia sido prometido a ti, mas em JerusalĂ©m nĂŁo foi possĂ­vel ver-nos
NĂŁo pense mais nisso. Agora nos estamos vendo –diz Maria com doçura.

– Oh! Mãe, mãe!


Elias nem acha o que dizer. Depois, finalmente encontra:

– Agora! Minha PĂĄscoa eu vou fazĂȘ-la agora
 É o mesmo, e melhor ainda.

– Mas, Ă© verdade, Elias. NĂłs fizemos uma boa venda. E agora bem que podemos matar um cordeirinho. Oh! Sede bem-vindos Ă  nossa pobre mesa
 –Pede Levi, e tambĂ©m JosĂ©.

– Nesta tarde estamos cansados. Deixai para amanhã. Escutai. Conheceis uma certa Elisa casada com Abraão de Samuel?

– Sim. Ela estĂĄ na casa dela em Betsur. Mas AbraĂŁo morreu e, no ano passado morreram os filhos dele. O primeiro morreu com uma doença que durou poucas horas, e ninguĂ©m ficou sabendo de que foi que ele morreu. O outro foi-se indo lentamente e nada cortou a doença. NĂłs lhe dĂĄvamos o primeiro leite de uma cabra, porque os mĂ©dicos diziam que isso era bom para o doente, e ele bebia muito leite que lhe era levado por todos os pastores, pois sua pobre mĂŁe o tinha mandado procurar com todos os que tivessem no rebanho alguma cabra de primeiro leite. Mas nĂŁo adiantou nada. Quando voltamos Ă  planĂ­cie, o jovem jĂĄ nem se alimentava mais. E, quando voltamos, no mĂȘs de Adar, jĂĄ havia duas luas que ele tinha morrido.

– Pobre de minha amiga! No Templo ela me queria bem. Era-me parenta num antepassado. Era tĂŁo boa. Saiu para ir casar-se com AbraĂŁo, ao qual estava prometida desde pequena, dois anos antes de mim! E lembro quando ela veio fazer a oferta do seu primogĂȘnito ao Senhor. Ela mandou me chamar, nĂŁo a mim sozinha, mas me quis depois sozinha, por mais tempo
 E agora, ela Ă© que estĂĄ sozinha
Oh! Preciso apressar-me em ir consolĂĄ-la! VĂłs, ficai aqui. Eu vou com Elias, e entrarei sozinha. A dor exige respeito ao redor de si


– Nem Eu posso ir, mãe?

– Tu podes sempre. Mas os outros
 Nem mesmo tu, pequenino. Seria uma dor. Vem, vem, Jesus!

– Esperai-nos na praça do povoado. Procurai um abrigo para a noite. Adeus –ordena Jesus a todos.

208.8

E, sozinhos com Elias, Jesus e a mãe vão até uma espaçosa casa, toda fechada e silenciosa, a cuja porta o pastor bate com o seu cajado. Uma serva mostra o rosto por uma janelinha, perguntando quem é. Maria vai à frente e diz:

– Maria de Joaquim e seu Filho, de NazarĂ©. Vai dizer isto Ă  tua patroa.

– É inĂștil. Ela nĂŁo quer ver ninguĂ©m. Quer chorar atĂ© morrer.

– Experimenta.

– NĂŁo. Eu sei como ela me repele, quando procuro distraĂ­-la. NĂŁo quer saber de ninguĂ©m, nem ver a ninguĂ©m, nĂŁo quer falar com ninguĂ©m. Ela fica falando com a lembrança dos filhos.

– Vai, mulher, eu te ordeno. Dize a ela: “AĂ­ estĂĄ a pequena Maria de NazarĂ©, aquela que no Templo era como tua filha
” VerĂĄs que ela me quer.

A mulher lå se vai, sacudindo a cabeça.

Maria explica ao Filho e ao pastor:

– Elisa era muito mais velha do que eu. Ficava esperando no Templo a volta do seu esposo, que tinha ido ao Egito ver uns negĂłcios de herança e por lĂĄ ficou atĂ© uma idade bem avançada. Ela tem quase dez anos mais do que eu. As mestras costumavam dar Ă s pequeninas algumas discĂ­pulas mais adultas, que as guiassem
 e ela foi a minha companheira-mestra. Era boa e
 aĂ­ vem vindo a mulher.

De fato, a criada vem correndo, admirada, e abre um portĂŁo bem largo:

– Entra, entra –diz ela.

E depois, em voz baixa:

– Bendita sejas se a fizeres sair daquele quarto.

Elias se despede, e entram Maria e o Filho.

– Mas este homem, na verdade
 Por piedade! Tem a idade de Levi


– Deixa-o entrar. É meu Filho e a consolará mais do que eu.

A mulher encolhe os ombros e vai na frente, pelo longo vestíbulo de uma bela, mas triste casa. Tudo aí está limpo, mas tudo parece morto


208.9

Uma mulher alta, mas que vem vindo inclinada e com vestes escuras, vem adiante, na penumbra.

– Elisa! Querida! Eu sou Maria! –diz Maria, correndo ao seu encontro e abraçando-a.

– Maria? Tu
 Pensava que tu tambĂ©m tinhas morrido. Tinham-me contado
 quando foi? NĂŁo me lembro mais
 Eu estou com um vazio aqui na cabeça
 Tinham-me dito que tu estavas morta, com muitas outras mĂŁes, depois da vinda dos Magos. Mas quem foi que me disse que eras a mĂŁe do Salvador?

– Talvez os pastores


– Oh! Os pastores!

A mulher tem uma explosão de pranto cheio de aflição:

– NĂŁo me fales naquele nome. Ele me faz lembrar a Ășltima esperança para a vida de Levi
 E, no entanto
 sim
 um pastor me falou do Salvador e eu matei meu filho, levando-o ao lugar onde se dizia que estava o Messias, perto do JordĂŁo. Mas lĂĄ nĂŁo havia ninguĂ©m
 e o meu filho voltou a tempo para morrer
 O cansaço, o frio
eu o matei
 Mas eu nĂŁo quis ser uma assassina. Diziam-me que Ele, o Messias, curava as doenças
 e eu lĂĄ fui para conseguir a cura. Agora meu filho me acusa de tĂȘ-lo matado


– Não, Elisa. És tu que pensas assim. Escuta. Eu creio que teu filho, ao contrário, foi quem me tomou pela mão e me disse: “Vai à casa de minha mãe. Leva-lhe o Salvador. Eu estou melhor aqui do que na terra. Mas ela só dá ouvidos ao seu pranto e não pode ouvir as palavras que eu lhe sussurro por entre beijos, a pobre da minha mãe, que está possuída por um demînio, que a tenta para levá-la ao desespero, porque quer nos ver separados. Enquanto que, se ela se resignar e crer que Deus tudo faz para um bom fim, estaremos unidos para sempre com o pai e com o irmão. Jesus pode fazer isso.” E eu vim
 com Ele
 Não o queres ver?


Maria assim falou, conservando sempre entre os seus braços a desventurada, beijando-a sobre os cabelos cinzentos e com uma doçura que só ela pode ter.

– Oh! Se fosse verdade! Mas, por que, por que, entĂŁo, Daniel nĂŁo foi a ti, para dizer-te que viesses antes?
Mas, quem foi que me disse, hĂĄ tempo, que tu estavas morta? NĂŁo me lembro
nĂŁo me lembro
 tambĂ©m por isso eu fiquei esperando, para ir ao Messias. Mas me haviam dito que Ele tinha morrido, Ele, tu e todos em BelĂ©m


– Não fiques pensando em quem disse isto.

208.10

Vem, olha, aqui estå o meu Filho. Vem até Ele. Faze que fiquem contentes teus filhos e tua Maria. Sabes que eståvamos sofrendo ao te vermos assim?

E a leva para Jesus que se tinha colocado num Ăąngulo escuro e sĂł agora vem adiante, iluminado agora por uma luz que a empregada pendurou em um alto escrĂ­nio.

A pobre mĂŁe levanta a cabeça
 e ali vejo que Elisa esteve tambĂ©m sobre o CalvĂĄrio, entre as piedosas mulheres. Jesus lhe estende as mĂŁos com um gesto de convite, todo cheio de amor. A desventurada reluta um pouco, depois lhe confia as suas mĂŁos e, por fim, de repente, se abandona ao peito de Jesus, gemendo:

– Dize-me, dize-me que eu não tenho culpa da morte de Levi! Dize-me que eles não estão perdidos para sempre! Dize-me que logo estarei com eles!


– Sim, sim. Escuta. Eles estĂŁo cheios de uma grande alegria, neste momento em que tu estĂĄs em meus braços. Dentro de pouco tempo, eu irei atĂ© eles e que devo dizer-lhes entĂŁo: Que tu nĂŁo te conformas com o Senhor? É isto que Eu devo dizer? As mulheres de Israel, as mulheres de Davi, tĂŁo fortes, tĂŁo sĂĄbias, serĂĄ que vĂŁo ser desmentidas por ti? NĂŁo. Tu estĂĄs sofrendo, mas Ă© porque ficaste sofrendo sozinha. A tua dor e tu. Tu e a dor. NĂŁo podes suportar assim. NĂŁo te lembras das palavras[2] de esperança a respeito daqueles que a morte nos tomou? “Eu vos trarei de vossos sepulcros e vos conduzirei para a terra de Israel. E vĂłs ficareis sabendo que Eu sou o Senhor, quando Eu tiver aberto as vossas tumbas e vos tiver tirado dos vossos sepulcros. Quando Eu tiver infundido em vĂłs o meu espĂ­rito, vĂłs tereis vida.” A terra de Israel, para os justos que dormiram no Senhor, Ă© o Reino de Deus. Eu o abrirei e o darei aos que o estĂŁo esperando.

– E ao meu Daniel tambĂ©m? E tambĂ©m ao meu Levi?
 Ele tinha tanto medo da morte!
 NĂŁo podia nem pensar em ficar longe de sua mamĂŁe. Por isto eu queria morrer e ir ao lado dele para o sepulcro


– Mas no sepulcro eles não estavam com a sua parte viva. Lá estavam as coisas mortas, que não te podiam ouvir. Eles estão no lugar de espera


– Mas existe mesmo? Oh! NĂŁo fiques escandalizado comigo. A minha memĂłria lĂĄ se foi com o pranto! Estou com a cabeça cheia pelo rumor do pranto e dos estertores dos filhos. Que estertores! Que estertores! Eles me dissolveram o cĂ©rebro. NĂŁo tenho nada mais do que aqueles estertores aqui dentro


– Mas Eu vou colocar-te aĂ­ dentro as palavras da vida. Semearei a Vida, porque Eu sou a Vida, onde estĂĄ o fragor da morte. Lembra-te do grande Judas Macabeu, que quis que se oferecesse um sacrifĂ­cio pelos mortos, pensando corretamente que eles estĂŁo destinados a ressurgir, e que Ă© preciso acelerar a chegada da paz para eles, por meio de oportunos sacrifĂ­cios. Se Judas Macabeu nĂŁo tivesse tido a certeza da ressurreição, teria ele rezado, ou feito rezar pelos mortos? Mas, ao contrĂĄrio, como estĂĄ escrito[3], ele pensou como Ă© grande a recompensa que estĂĄ reservada Ă queles que morrem piedosamente, como certamente aconteceu com os teus filhos
 VĂȘs, pois, como estĂĄs dizendo sim? Portanto, nĂŁo desesperes. Mas santamente reza pelos teus mortos a fim de que os seus pecados sejam cancelados, antes da minha ida a eles. E, se assim for feito, irĂŁo comigo para o CĂ©u. Porque Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, e conduzo, e digo a Verdade e dou a Vida a quem crĂȘ em minha Verdade, e me segue. Dize-me: Os teus filhos acreditavam na vinda do Messias?

– Com certeza, Senhor. Eles haviam aprendido de mim esta crença.

– E Levi acreditava que era possível a cura por minha vontade?

– Sim, Senhor. Nós esperávamos em Ti, mas
 não adiantou. Ele morreu desconsolado, depois de ter esperado tanto


O pranto da mĂŁe recomeça, mais calmo, mas mais desolado em sua calma, do que estava, em sua fĂșria de antes.

– NĂŁo digas que nĂŁo adiantou. Quem crĂȘ em Mim, ainda que tenha morrido, viverĂĄ para sempre


208.11

A tarde vem caindo, mulher. Eu vou reunir-me aos meus apóstolos. Eu te deixo a minha mãe


– Oh! Fica Tu tambĂ©m!
 Tenho medo que, indo-te embora, me assalte de novo aquele tormento
. Começando apenas a acalmar-se a tempestade, ao som das tuas palavras


– Não tenhas medo! Tens Maria contigo. Amanhã, Eu virei de novo. Eu tenho que ir dizer algumas coisas aos pastores. Posso dizer a eles que venham para a tua casa?

– Oh! Sim. Eles vinham atĂ© aqui no ano passado, por causa do meu filho
 AtrĂĄs da casa hĂĄ um jardim e, depois dele, hĂĄ um pĂĄtio rĂșstico. Eles podem ir para lĂĄ, como faziam, para recolher os seus rebanhos


– EstĂĄ bem. Eu virei. SĂȘ boa. Lembra-te de que Maria no Templo estava confiada a ti. Eu tambĂ©m a confio, por esta noite.

– Sim. Fica tranquilo. Eu cuidarei dela,
 Tenho que ir pensar na ceia dela, no seu descanso
 Há quanto tempo, não penso nestas coisas! Maria, queres dormir no meu quarto, como fazia Levi em sua doença? Eu, no leito do filho e tu no meu. E, então, me parecerá estar ouvindo novamente a sua respiração
 Ele ficava sempre segurando a minha mão


– Sim, Elisa. Mas antes vamos falar de muitas coisas.

– Não. Tu estás cansada. Precisas dormir.

– Tu tambĂ©m.

– Oh! Eu! Há meses que não tenho dormido
 Fico chorando
 chorando
 Já nem sei fazer outra coisa!

– Mas nesta noite vamos rezar, depois vamos para a cama, e tu dormirĂĄs
 Dormiremos de mĂŁos dadas, nĂłs duas tambĂ©m. Vai, pois, meu Filho, e reza por nĂłs


– Eu vos abençîo. A paz esteja convosco e com esta casa!

E Jesus vai com a empregada, que estĂĄ assombrada e sĂł fica repetindo:

– Que milagre, Senhor! Que milagre! Depois de tantos meses, ela falou, ela pensou! Oh! Que coisa admirĂĄvel!
 Diziam que ela ia morrer louca
 E eu ficava com pena dela, porque Ă© muito boa.

– Sim, Ă© boa, e por isso Deus a ajudarĂĄ. Adeus, mulher. A paz esteja contigo tambĂ©m.

Jesus sai pela estrada semi-escura, e tudo termina.

Detalhe

O caso de uma mãe que perdeu os seus dois filhos por doença. Jesus vem consolå-la com a Virgem Maria.

Anotação

A Elise era muito mais velha do que eu. Cerca de dez anos. Portanto, ela estĂĄ nos seus sessenta e poucos anos.

Quando regressĂĄmos, no mĂȘs de Adar, ele jĂĄ estava morto hĂĄ duas luas. Adar Ă© em fevereiro/março.

NĂŁo vos lembrais das palavras de esperança sobre aqueles que a morte nos tirou? "Tirar-vos-ei dos vossos tĂșmulos e reconduzir-vos-ei Ă  terra de Israel. EntĂŁo sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir os vossos tĂșmulos e vos fizer levantar das vossas sepulturas. Porei dentro de vĂłs o meu espĂ­rito e vivereis. "Veja Ezequiel 37:11-14 abaixo.

Lembrai-vos do grande Judas Macabeu que queria fazer um sacrifício pelos mortos, porque pensava, com razão, que eles estavam destinados a ressuscitar e que a hora da paz devia ser-lhes apressada por sacrifícios oportunos. Se Judas Macabeu não tivesse a certeza da ressurreição, teria rezado e mandado rezar pelos mortos? Pelo contrårio, como estå escrito, ele pensava que estava reservada uma grande recompensa para aqueles que morressem piedosamente, como certamente fizeram os vossos filhos... Ver o segundo livro dos Macabeus 12, 43-46 abaixo.

Livro de Ezequiel 37, 11-14

Ezequiel37, 11-14: E ele disse-me: "Filho do homem, estes ossos sĂŁo toda a casa de Israel. Eis que eles dizem: 'Os nossos ossos estĂŁo secos, a nossa esperança morreu, estamos perdidos! Por isso, profetiza e diz-lhes: "Assim diz o Senhor JavĂ©: 'Eis que vou abrir os vossos tĂșmulos e levantar-vos das vossas sepulturas, Ăł meu povo, e vou reconduzir-vos Ă  terra de Israel. E sabereis que eu sou o Senhor JavĂ©, quando eu abrir os vossos tĂșmulos e vos levantar das vossas sepulturas, povo meu. Porei dentro de vĂłs o meu EspĂ­rito, e vivereis; dar-vos-ei descanso na vossa terra, e sabereis que eu, JavĂ©, digo e faço, - orĂĄculo de JavĂ©!"

Segundo Livro dos Macabeus 12, 43-45

2 M 12, 43-46: Depois, tendo recolhido a soma de duas mil dracmas, enviou-a a JerusalĂ©m, para ser utilizada num sacrifĂ­cio expiatĂłrio. Uma ação bela e nobre, inspirada pelo pensamento da ressurreição! Porque, se ele nĂŁo acreditasse que os soldados mortos em combate ressuscitariam, teria sido inĂștil e fĂștil rezar pelos mortos. 45 AlĂ©m disso, ele considerou que uma recompensa muito boa estĂĄ reservada para aqueles que adormecem na piedade, e este Ă© um pensamento santo e piedoso. Foi por isso que ele fez este sacrifĂ­cio expiatĂłrio pelos mortos, para que eles pudessem ser libertados dos seus pecados.

Palavras-chave

EMF 209.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A serva abre a porta. Jesus entra, recebendo as repetidas inclinaçÔes dela.

– Onde está tua patroa?

– Com tua mĂŁe
 e, imagina! JĂĄ desceu atĂ© o jardim! É uma coisa! Uma coisa incrĂ­vel! E, ontem de tarde, ela veio atĂ© Ă  sala das refeiçÔes
Estava chorando, mas veio. Eu gostaria de vĂȘ-la tomar tambĂ©m alimentos, em vez de ficar tomando aqueles pingos de leite, como costuma fazer, mas ainda nĂŁo consegui!

– Ela os tomarĂĄ. NĂŁo fiques insistindo. SĂȘ paciente, atĂ© em teu amor para com a patroa.

– Sim, meu Salvador. Eu farei tudo o que mandares.

Eu creio que, de fato, se Jesus mandasse Ă quela mulher fazer as coisas mais estranhas, ela as faria sem discutir, pois de tal modo ela se persuadiu de que Jesus Ă© Jesus, e de que tudo o que Ele faz Ă© bom. No momento, ela o estĂĄ acompanhando atravĂ©s de uma vasta horta-jardim, cheia de fruteiras e de flores. Mas, se as fruteiras cuidaram de si mesmas, para se vestirem de folhas e de flores, para fazerem que suas frutinhas vinguem e aumentem em volume, as pobres plantas que dĂŁo flores e que nĂŁo recebem cuidados hĂĄ mais de uma ano, viraram um pequeno e emaranhado matagal, onde as plantas mais delicadas e de pouca altura ficaram sufocadas sob o peso das mais fortes. Canteiros, caminhos, tudo desapareceu em um Ășnico e caĂłtico emaranhado. SĂł lĂĄ no fundo, onde a necessidade da empregada a fez semear verduras e legumes, Ă© que ainda hĂĄ um pouco de ordem.

Maria estå com Elisa, debaixo de uma trepadeira completamente despojada de folhas, e que deixa cair até o chão seus sarmentos e gavinhas. Jesus para e fica olhando para sua jovem mãe, que, com arte finíssima, desperta e dirige a mente de Elisa para coisas bem diferentes das que eram até ontem os pensamentos da desolada mulher.

A empregada vai até sua patroa, e lhe diz:

– O Salvador chegou.

As mulheres se dirigem para Ele, uma com um doce sorriso e a outra com um rosto cheio de cansaço e perturbado.

– A paz esteja convosco. Que belo Ă© este jardim


– Era belo
 –diz Elisa.

– E a terra fĂ©rtil. Olha quantas frutas bonitas estĂŁo a caminho de amadurecer! E quantas flores nestas roseiras! E lĂĄ adiante? SĂŁo lĂ­rios?

– Sim, ao redor de um tanque, onde gostavam muito de brincar os meus filhinhos. Naquele tempo estava tudo em ordem
 Agora tudo está arruinado. E já nem parece mais o jardim dos meus filhos.

– Dentro de poucos dias, vai ficar como antes. Eu te ajudarei. NĂŁo Ă©, Jesus? Tu me deixas por alguns dias aqui com Elisa. Temos muito que fazer


– Tudo o que queres, Eu quero.

Elisa olha para Ele, e murmura:

– Obrigada.

Jesus a acaricia na cabeça encanecida e depois se despede, para ir aos pastores.

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EMF 210.1.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mas eu nĂŁo creio que queirais fazer uma peregrinação a todos os lugares histĂłricos de Israel, diz, irĂŽnico, Iscariotes, que estĂĄ discutindo em um grupo em que se encontram Maria de Alfeu e SalomĂ©, alĂ©m de AndrĂ© e TomĂ©.

– Por que nĂŁo? Quem o proĂ­be? –pergunta Maria de ClĂ©ofas.

– Ora, eu. Minha mãe está me esperando há tanto tempo


– Ora, vai-te para tua mĂŁe. NĂłs te buscaremos depois –diz SalomĂ©, e parece acrescentar mentalmente: “NinguĂ©m ficarĂĄ triste por tua ausĂȘncia.”

– Isso não. Eu, por mim, vou com o Mestre. Já não mais está aqui a mãe, como estava previsto. E isso em verdade não ia ser feito, porque havia sido prometido que ela estaria aqui.

– Ela se deteve em Betsur para uma boa obra. Aquela mulher estava bem infeliz.

– Jesus a podia ter curado de repente, sem precisar fazĂȘ-la recuperar-se pouco a pouco. NĂŁo sei porque agora Ele nĂŁo estĂĄ gostando mais de fazer seus retumbantes milagres.

– Se Ele fez assim, deve ter suas santas razĂ”es –diz calmamente AndrĂ©.

– Ora, essa! É assim que Ele perde os seus prosĂ©litos. (...)

[Thomas intervém e diz num tom severo:]

– Tu estĂĄs doente da bĂ­lis, meu amigo. E ela te faz sentir gosto amargo, e ver a cor verde por toda parte. Ela deve elaser em ti uma doença intermitente. E podes crer que Ă© pouco agradĂĄvel conviver com alguĂ©m como tu. Precisas mudar. Eu nĂŁo irei dizer nada a ninguĂ©m e, se estas boas mulheres me quiserem escutar, ficarĂŁo caladas como eu, e assim tambĂ©m farĂĄ AndrĂ©. Mas tu, procura mudar. NĂŁo creias que estĂĄs desiludido, porque aqui nĂŁo hĂĄ desilusĂŁo. NĂŁo creias seres necessĂĄrio porque o Mestre sabe fazer tudo sozinho. NĂŁo queiras tu ser o mestre do Mestre. Se Ele, atĂ© para aquela pobre mulher que Ă© Elisa, agiu assim, Ă© sinal de que estava bem fazer assim. Deixa que as serpentes cuspam Ă  vontade. NĂŁo fiques querendo encarregar-te para servires de mediador entre eles e Ele, e muito menos fiques pensando que te rebaixas por estares com Ele. Ainda que Ele nĂŁo curasse nem mesmo um simples resfriado, Ele seria sempre poderoso. SĂł sua palavra jĂĄ Ă© um continuo milagre. E conserva-te em paz. NĂłs nĂŁo temos arqueiros atrĂĄs de nĂłs. Chegaremos — Oh! se chegaremos — a convencer o mundo de que Jesus Ă© Jesus. E fica tranquilo tambĂ©m, porque, se Maria prometeu ir Ă  casa de tua mĂŁe, ela irĂĄ. E, nesse Ă­nterim, nĂłs vamos peregrinando por estas belas regiĂ”es, e isto Ă© o nosso trabalho!

Anotação

Maria de Cléofas: Maria, filha de Cléofas e mulher de Alfeu. Em Nazaré, havia vårias "Maria de Alfeu". Para os tornar mais precisos, foi utilizado um segundo elo de parentesco ou de filiação. Encontramos esta diversidade nos relatos evangélicos: Judas, irmão de Tiago, Judas, o homem (isch) de Kerioth.

Esta mulher era muito infeliz. Elise, a mĂŁe aflita. Ver o capĂ­tulo anterior.

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EMF 210.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Pai AbraĂŁo, conserva-me a paciĂȘncia! E em que te parece estar o Mestre preferindo os outros a ti?

– Mas, nĂŁo estĂĄs vendo nem agora? Quando chegou o tempo de deixarmos Betsur, depois de uma permanĂȘncia para instruir trĂȘs pastores, que podiam muito bem ser instruĂ­dos por Isaac, eis aĂ­ quem Ă© que Ele deixa com sua mĂŁe! Eu ? Tu? NĂŁo. Deixa SimĂŁo. Um velho, que quase nĂŁo fala!


– Mas o pouco que ele diz, ele o diz sempre bem –retruca TomĂ©, que agora estĂĄ sozinho, visto que as mulheres com AndrĂ© se afastaram, passaram para a frente, apressadas, como para evitar que tenham que fazer uma parte do caminho todo sozinhas.

210.5

Os dois apĂłstolos estĂŁo tĂŁo excitados, que nem percebem que Jesus se aproxima, porque o barulho dos passos dele fica abafado pela grande quantidade de poeira que hĂĄ na estrada. Mas, se Ele nĂŁo fez barulho, os dois, ao contrĂĄrio, estĂŁo urrando por dez e Jesus ouve. AtrĂĄs dele estĂŁo Pedro, Mateus, os dois primos do Senhor, Filipe e Bartolomeu e os dois filhos de Zebedeu, que vĂŁo levando, entre os dois, Margziam.

Jesus diz:

– Disseste bem, TomĂ©. SimĂŁo fala pouco, mas o pouco que fala, ele o diz sempre bem. Ele tem uma mente pacata e um coração honesto. E, sobretudo, tem uma grande boa vontade. Por isso, Eu o deixei com minha mĂŁe. É um verdadeiro gentil-homem e, ao mesmo tempo, Ă© alguĂ©m que sabe viver, que sofreu muito, e que estĂĄ velho. Por isso, — falo porque suponho que haja aqui alguĂ©m a quem lhe pareça injusta a minha escolha — por isso ele era o mais apto para ficar. Eu nĂŁo podia, Judas, permitir que minha mĂŁe ficasse sozinha ao lado de uma mulher ainda doente. E era justo que a deixasse. A mĂŁe completarĂĄ a obra iniciada por Mim. Mas Eu nĂŁo podia nem mesmo deixĂĄ-la com os meus irmĂŁos, nem com AndrĂ©, Tiago e JoĂŁo e, menos ainda, contigo. Se nĂŁo compreendes a razĂŁo disso, nĂŁo sei o que dizer


– Porque Ă© tua mĂŁe, Ă© jovem, Ă© bela, e o povo


– NĂŁo. As pessoas sempre terĂŁo a lama no pensamento, nos lĂĄbios e nas mĂŁos, mas especialmente no coração. As pessoas desonestas, que vĂȘem em todos, os sentimentos que elas tĂȘm em si. Mas Eu nĂŁo estou tratando da lama delas.. A lama cai por si mesma depois que seca. Mas Eu preferi SimĂŁo, porque jĂĄ Ă© velho e nĂŁo teria trazido de novo Ă  lembrança da desolada mulher os seus filhos mortos. VĂłs jovens os terĂ­eis trazido de novo Ă  lembrança dela com a vossa juventude
 SimĂŁo sabe velar, sem fazer perceber sua presença, nĂŁo exige nunca nada, sabe compadecer-se, sabe vigiar sobre si mesmo. Eu podia escolher Pedro. Quem melhor do que ele para ficar perto de minha mĂŁe? Mas ele ainda Ă© muito impulsivo. Vede que Eu estou dizendo isso na cara dele e ele nĂŁo se perturba com isso. Pedro Ă© sincero e ama a sinceridade, mesmo quando fica prejudicado. Eu poderia escolher Natanael. Mas ele nunca esteve na Judeia. SimĂŁo, ao contrĂĄrio, a conhece bem e serĂĄ muito Ăștil para guiar a mĂŁe atĂ© Keriot. Ele sabe tambĂ©m onde estĂĄ a tua casa de campo e a da cidade, e nĂŁo fará


210.6

– Mas
 Mestre! Mas tua mãe irá mesmo à casa da minha?

– Mas Eu já o disse. E, quando uma coisa se diz, se faz. Nós iremos indo devagar, fazendo paradas para evangelizar estes povoados. Não queres que Eu evangelize a tua Judeia?

– Oh! sim, Mestre
 Mas eu acreditava
 eu pensava


– Mas, mais do que tudo, tu mesmo buscavas teus sofrimentos nas quimeras com que vives sonhando. Na segunda fase da lua do mĂȘs de Ziv, estaremos todos na casa de tua mĂŁe. NĂłs, quer dizer, tambĂ©m minha mĂŁe com SimĂŁo. Por enquanto, Ela estĂĄ evangelizando Betsur, cidade da Judeia, assim como Joana estĂĄ evangelizando JerusalĂ©m e, com ela, fazem a mesma coisa uma menina e um sacerdote, que jĂĄ foi leproso, assim como LĂĄzaro com Marta e o velho Ismael estĂŁo evangelizando BetĂąnia, assim como em Juta estĂĄ evangelizando Sara e, em Keriot certamente estĂĄ falando do Messias tua mĂŁe. NĂŁo podes absolutamente dizer que Eu deixo a Judeia sem quem lhe leve as palavras. Mas, ao contrĂĄrio, eu dou a ela, fechada e petulante mais que as outras regiĂ”es, as palavras mais doces, que sĂŁo as das mulheres, alĂ©m das de Isaac, que Ă© santo, e as de LĂĄzaro, meu amigo. As mulheres, que Ă s palavras unem aquela arte prĂłpria da mulher, que Ă© mestra em levar as almas para o ponto que quer. NĂŁo dizes mais nada? Por que Ă© que estĂĄs quase chorando, menino caprichoso? Que te adianta viveres te envenenando com as sombras? Tens ainda motivo para inquietaçÔes? Vamos! Fala


– Eu sou mau
 e Tu Ă©s tĂŁo bom. Tua bondade sempre me impressiona, porque Ă© sempre tĂŁo serena, tĂŁo nova
 Eu
 eu nada sei dizer, quando a encontro em meu caminho.

– Disseste a verdade. Nem o podes saber. Mas Ă© porque nĂŁo Ă© nem serena, nem nova. Ela Ă© eterna, Judas. Ela Ă© onipresente, Judas


Detalhe

Judas e Tomé discutem e o Iscariotes censura Jesus por ter deixado a Virgem Maria em Bet-çur.

Anotação

No segundo quarto da lua de Ziv, estaremos todos em casa da tua mĂŁe: Ziv corresponde a abril/maio.

Joana evangeliza Jerusalém e com ela uma rapariga e um sacerdote: trata-se de João, o sacerdote, e de Anålia. Cf. EMV 199.4-5 e EMV 199.6.

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EMF 214.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– AĂ­ vem a mĂŁe, a mĂŁe com SimĂŁo! –diz o menino, que vĂȘ Maria e SimĂŁo subindo pela escada que vai para o terraço, no qual estĂĄ o quarto.

Todos se pĂ”em de pĂ© e vĂŁo ao encontro dos dois que estĂŁo chegando. HĂĄ um rumor de exclamaçÔes, de saudaçÔes, de cadeiras arrastadas. Mas nada desvia Maria de ir saudar primeiro a Jesus, depois Ă  mĂŁe de Judas, que se inclinou profundamente e que Maria procura fazer que se reerga e abraça como se fosse uma amiga reencontrada por ela depois de ausĂȘncia.

Tornam a entrar no quarto e Maria de Judas manda mais alimentos para os que chegaram depois.

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