Notas da palavra-chave

Milagres de Jesus Cristo

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 7 de 8

Conforto de leitura

EMF 179.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

No povo eleito se deveria encontrar, por toda parte, espĂ­ritos prontos para receber o Messias, em cuja espera ansiaram em desejos os Patriarcas e os Profetas, o Messias, que finalmente veio, precedido e acompanhado por todos os sinais profetizados, o Messias, cuja figura espiritual se delineia sempre mais clara, por meio de milagres visĂ­veis nos membros e nos elementos e milagres invisĂ­veis, realizados nas consciĂȘncias dos que se convertem e nos pagĂŁos que se voltam para o Verdadeiro Deus. Mas nĂŁo Ă© assim. Pois a prontidĂŁo em seguir o Messias Ă© fortemente obstaculada, justamente pelos filhos deste povo, e Ă© doloroso dizer-se, que Ă© tanto mais, assim quanto mais se sobe Ă s classes mais altas deste mesmo povo. Eu nĂŁo digo isto para vos escandalizar. Mas sim, para induzir-vos a rezar e a refletir.

Por que acontece isso? Por que os pagĂŁos e os pecadores procuram mais o meu caminho? Por que eles acolhem mais o que Eu digo, e os outros nĂŁo? É porque os filhos de Israel ficam ancorados, como ostras que produzem pĂ©rolas, no lugar em que nasceram. Porque estĂŁo saturados, empanturrados, obesos com af sabedoria deles, e nĂŁo sabem abrir caminho para a minha, jogando fora o supĂ©rfluo, para dar lugar ao necessĂĄrio. Os outros nĂŁo tĂȘm esta escravidĂŁo. SĂŁo pobres pagĂŁos, ou pobres pecadores, ainda soltos como barcos Ă  deriva, sĂŁo pobres que nĂŁo possuem tesouros prĂłprios, mas somente fardos de ĂȘrros ou pecados, dos quais se despojam com alegria, logo que conseguem compreender o que Ă© a Boa Nova, e sentem nela um mel fortificante muito diferente da insĂ­pida mixĂłrdia dos seus pecados.

Palavras-chave

EMF 181.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram em Corozaim, quando a aurora jĂĄ se transformou em pleno dia. NĂŁo hĂĄ nenhum ramo de erva que nĂŁo esteja brilhando, salpicado pelas gemas do orvalho. Os passarinhos cantam por toda parte. O ar Ă© puro e fresco, e parece ter um cheiro de leite, de um leite mais vegetal do que animal. É o cheiro dos grĂŁos, que se formam nas espigas e nas amendoeiras carregadas de frutas
 Ă© um cheiro que eu jĂĄ senti nas frescas manhĂŁs dos campos fĂ©rteis da planĂ­cie de PĂĄdua.

Logo chegam à casa de Elias. Mas em Corozaim muitos estão sabendo que o Mestre chegou e, quando Jesus pÔe o pé na soleira de uma casa, uma mulher corre para Ele, gritando:

– Jesus, Filho de Davi, tem dó de minha filha!

Ela vem trazendo nos braços uma menina com cerca de dez anos, jå cor de cera e magríssima. Mais do que cor de cera, ela estå toda amarelada.

– Que Ă© que tem tua filha?

– É a febre. Ela pegou a febre nas pastagens ao longo do JordĂŁo. Porque nĂłs somos pastores de um homem rico. Eu fui chamada pelo pai para ficar perto da doente. Ele voltou para os montes. Mas Tu sabes que com esta doença nĂŁo se pode ficar em lugares altos. Como, entĂŁo, vou poder ficar aqui? AtĂ© agora o patrĂŁo me deixou neste lugar. Mas eu cuido da lĂŁ e dos partos. EstĂĄ chegando o tempo de trabalho para os pastores. Seremos mandados embora, ou separados, se eu tiver que ficar. E verei morrer minha filha, se eu tiver que ir para o Hermon.

– Tens fĂ© no meu poder?

– Eu falei com Daniel, pastor de Eliseu. Ele me disse: “O nosso Menino cura todos os males. Vai ao Messias.” Eu vim do lado de lá do Meron, com esta menina nos braços, à tua procura. Eu não teria parado de caminhar, enquanto não te encontrasse


– Pois agora não caminhes mais, a não ser para voltares para a tua casa, para o trabalho tranquilo. A tua filha está curada, porque Eu assim quero. Vai em paz.

A mulher olha para a filha, e olha para Jesus. Talvez ela esteja esperando ver a filha, gorda e corada no mesmo instante. Também a menina arregala diante de Jesus seus olhos cansados, que antes ela conservava fechados, e sorri.

– Não tenhas medo, mulher. Eu não te engano. A febre desapareceu para sempre. De dia para dia ela se irá tornando mais viçosa. Deixa que ela ande. Ela não cambaleará mais, nem sentirá canseira.

A mãe pÔe no chão a menina, que jå fica de pé, bem firme e cada vez mais alegre. Por fim, ela gorjeia com sua voz de prata:

– Bendize o Senhor, minha mãe! Eu estou bem sã. Eu o sinto –e, em sua simplicidade de pastorinha e de menina, ela se lança ao pescoço de Jesus e o beija. A mãe, reservada, como o exige a idade, prostra-se, e beija a veste do Senhor, bendizendo-o.

– Ide. Lembrai-vos do benefício recebido de Deus, e sede boas. A paz esteja convosco.

Anotação

"O que é que a sua filha tem?" "Febre. Ela apanhou-as nos pastos ao longo do Jordão." Muito provavelmente febre amarela, ou febre dos pùntanos, que assolou populaçÔes em toda a Antiguidade. Sobre este assunto, ver a nota de rodapé da EMV 177: As febres dos pùntanos (febre amarela ou malåria) causaram graves epidemias na Antiguidade. São mencionadas vårias vezes na obra. Durante séculos, estas febres foram atribuídas à insalubridade do ar (aria cattiva, de onde provém a palavra italiana mala aria = mau ar), sem nunca fazer a ligação com os mosquitos. Maria Valtorta relata uma opinião que estå perfeitamente de acordo com a crença romana e que não estå relacionada com os seus conhecimentos de enfermeira.

Fui chamada pelo pai à rapariga doente. Agora ele voltou para as montanhas. Mas tu sabes que com esta doença não se pode ir para a altitude. Esta indicação médica merece ser examinada por pessoas competentes.

Palavras-chave

EMF 183.2-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um triste coro de prantos sai de uma rica morada. São vozes de mulheres e de crianças, e, muito aguda, uma voz feminina estå gritando:

– Filho! Filho!

Jesus se volta, e olha para os seus apĂłstolos. Judas vai para a frente.

– Tu, não, lhe diz Jesus. Tu, Mateus. Vai e pergunta.

Mateus vai e volta:

– Uma briga, Mestre. Um homem está morrendo. É um judeu. Quem o feriu, escapou. Era um romano. Correram para lá a mulher do ferido, a mãe dele e as crianças pequenas
 Mas ele está morrendo.

– Vamos.

– Mestre
 Mestre
 o fato aconteceu na casa de uma mulher
 que nĂŁo Ă© a mulher dele.

– Vamos!

183.3

Pela porta aberta, eles entram em um vestĂ­bulo largo e comprido, que dĂĄ para um bonito jardim. Parece que as divisĂ”es da casa sĂŁo feitas por aquela espĂ©cie de peristilo coberto e muito rico, com plantas verdes em vasos, com estĂĄtuas e objetos entalhados. É um conjunto de sala e jardim de inverno. Em um quarto, cuja porta estĂĄ escancarada para o lado do vestĂ­bulo, estĂŁo mulheres chorando. Jesus entra seguro. NĂŁo dĂĄ, porĂ©m, a sua saudação de costume.

Entre os homens que estĂŁo presentes, hĂĄ um mercador que deve conhecer Jesus, porque, logo que o vĂȘ, diz:

– É o Rabi de NazarĂ© –e o saĂșda com respeito.

– JosĂ©, que aconteceu?

– Mestre, um golpe de punhal no coração
 Ele está morrendo.

– Por que foi?

Uma mulher parda e despenteada se levanta — ela estava de joelhos ao lado do moribundo, cuja mão, já inerte, ela estava segurando — e, com olhos de uma louca, ela diz com voz estridente:

– Por causa dela, por causa dela
 Ela o endemoninhou
 Não tinha mais mãe, nem esposa nem filhos! O inferno te tenha, satanás!

Jesus levanta os olhos, acompanhando aquela mĂŁo, que estĂĄ tremendo e acusando, e vĂȘ, num canto, perto da parede vermelho-escura, Maria de Magdala , mais impudente do que nunca, eu diria vestida
 com nada na metade do corpo, pois estĂĄ semi-nua, da cintura para cima, com uma espĂ©cie de redinha de malhas hexagonais, com coisinhas redondas, que parecem pequenas pĂ©rolas. Mas ela estĂĄ num lugar meio escuro, e eu nĂŁo a vejo bem.

Jesus torna a baixar os olhos. Maria, sentindo-se açoitada pela indiferença, levanta-se, pois estava quase agachada, e procura tomar algum modo.

– Mulher –diz Jesus Ă  mĂŁe–. NĂŁo fiques praguejando. Responde-me. Para que Ă© que o teu filho estava nesta casa?

– Eu já o disse: Porque ela o fez ficar doido. Ela.

– SilĂȘncio. Portanto, ele tambĂ©m estava em pecado, porque estava cometendo adultĂ©rio, e era um pai indigno destes inocentes. Logo, merece seu castigo. Nesta e na outra vida nĂŁo hĂĄ misericĂłrdia para quem nĂŁo se arrepende. Mas Eu tenho dĂł da tua dor, mulher, e destes inocentes.

183.4

Tua casa fica longe?

– A uns cem metros.

– Levantai o homem daí, e levai-o para lá.

– NĂŁo Ă© possĂ­vel, Mestre –diz o mercador José–. Ele estĂĄ para morrer.

– Faze o que Eu mandei.

Passam uma mesa por baixo do corpo do moribundo, e o cortejo sai lentamente, atravessa a rua e entra num jardim sombreado. As mulheres continuam a chorar rumorosamente. Logo que entram no jardim, Jesus se vira para a mĂŁe.

– Podes perdoar? Se tu perdoares, Deus perdoa. É preciso ficar com o coração bom, para conseguir a graça. Este pecou e pecarĂĄ ainda. Melhor para ele seria morrer, porque, se viver, tornarĂĄ a cair no pecado e deverĂĄ responder tambĂ©m pela falta de reconhecimento para com Deus que o salva. Mas tu e estes inocentes (e mostra a mulher e as crianças) cairĂ­eis no desespero. Eu vim para salvar, e nĂŁo para deixar que se percam. Homem, Eu te digo: Levanta-te e fica sĂŁo.

O homem recupera a vida e abre os olhos, vĂȘ a mĂŁe, os filhos, a mulher e, envergonhado, inclina a cabeça.

– Meu filho, meu filho –diz a mãe–. Estavas morto, se Ele não te salvasse. Volta a ti mesmo. Não fiques delirando por causa de uma


Jesus interrompe as palavras da velha:

– Mulher, cala-te. Usa da misericĂłrdia que para contigo foi usada. Tua casa estĂĄ santificada pelo milagre, que Ă© sempre uma prova da presença de Deus. Por isso Ă© que Eu nĂŁo o pude fazer onde havia o pecado. Procura saber, pelo menos tu, conservĂĄ-la assim, mesmo que este nĂŁo o saiba fazer. Toma cuidado dele agora. É justo que ele sofra um pouquinho. Se boa, mulher. É vĂłs pequenos. Adeus.

Jesus pousou a mão sobre a cabeça das duas mulheres e dos pequeninos.

183.5

Depois Ele sai, passando por diante de Madalena, que acompanhou o cortejo até o limite da rua, e ficou encostada a uma årvore. Jesus då passos mais vagarosos como para esperar que os discípulos cheguem, mas eu acho que Ele esteja fazendo assim para dar à Maria a oportunidade de fazer algum gesto. Mas ela não o faz.

Os discípulos alcançam Jesus, e Pedro não pÎde conter-se, sem dizer, por entre os dentes, um apelido apropriado a Maria. Esta, querendo mostrar altivez, explode numa risada como sinal de seu muito pobre triunfo.

Mas Jesus, tendo ouvido a palavra de Pedro, se volta, severo para ele:

– Pedro. Eu nĂŁo insulto. Tu tambĂ©m nĂŁo insultes. Reza pelos pecadores. Nada mais.

Maria interrompe o estridor de sua risada, inclina a cabeça e foge, como uma gazela, em direção de sua casa.

Detalhe

Caso de adultério em Magdala.

Anotação

A vossa casa é santificada pelo milagre, que é sempre uma prova da presença de Deus. Em EMV 234,4/5, Jesus fala longamente deste milagre e do seu contexto.

Palavras-chave

EMF 185.1-6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

185.1 Agora que todos estĂŁo dormindo, eu vou lhe contar a minha alegria.

Eu “vi” o Evangelho de hoje. Imagine que esta manhĂŁ, ao lĂȘ-lo, eu disse a mim mesma: “Eis um episĂłdio evangĂ©lico que eu nunca chegarei a ver, porque ele pouco se presta para ser objeto de uma visĂŁo.” Ao contrĂĄrio, quando menos eu estava pensando nele, justamente ele Ă© que veio encher-me de alegria.

185.2 Eis aqui o que vi.

Um barco à vela, não grande demais, mas também não pequeno, um barco de pesca, dentro do qual poderiam comodamente mover-se cinco ou seis pessoas, vai sulcando as åguas de um belo lago de uma cor azul intensa.

Jesus estå dormindo na popa. Estå vestido de branco, como de costume. Estå com a cabeça encostada no braço esquerdo e, por baixo do braço e da cabeça, colocou o seu manto azul-escuro, dobrado em muitas dobras. Estå sentado (não deitado) no fundo do barco, apoiando a cabeça naquela parte do tablado, que fica na extremidade da popa. Não sei que nome lhe dão os marinheiros. Dorme tranquilamente. Estå muito cansado. Estå tranquilo.

Pedro estĂĄ no timĂŁo, AndrĂ© se encarregou das velas, JoĂŁo e mais dois outros, que eu nĂŁo sei quem sĂŁo, estĂŁo pondo em ordem as amarras e as redes no fundo do barco, como se tivessem a intenção de preparar-se para uma pesca, talvez Ă  noite. Eu diria que jĂĄ estĂĄ chegando a tarde, pois o sol jĂĄ vai descendo no ocidente. Os discĂ­pulos todos estĂŁo com as suas tĂșnicas sungadas, fazendo que elas fiquem parecendo bolsas ao redor da cintura, presas por meio de um cinto, a fim de que eles possam ficar mais livres em seus movimentos,e para poderem passar para cĂĄ e para lĂĄ pelo barco, por cima dos remos e dos bancos, dos cestos e das redes, sem que as vestes os estorvem. Todos tiraram os seus mantos.

185.3 Vejo que o céu estå escurecendo e que o sol vai-se escondendo atrås de nuvens negras de temporal, que apareceram de repente, surgindo por detrås da extremidade de uma colina. O vento as impele velozmente para o lago. Por enquanto, o vento estå alto e o lago ainda se conserva tranquilo, só que vai ficando mais escuro e sua superfície começa a enrugar-se. Ainda não se formaram ondas, mas as åguas jå começam a encrespar-se.

Pedro e André observam o céu e o lago e predispÔem as manobras para o acostamento à margem.

Mas o vento irrompe sobre o lago e, em poucos minutos, tudo ferve e espuma. São ondas, que se chocam umas contra as outras, que batem contra o barco, levam-no até o alto e o tornam a baixar, torcem-no para todos os lados, impedem as manobras com o timão, ao mesmo tempo que o vento não deixa que se possa fazer uso da vela, que é arriada.

Jesus dorme. Nem os passos dos apóstolos, nem suas vozes excitadas, e nem mesmo o chocar-se das ondas contra os lados e a proa, conseguem despertå-lo. Seus cabelos esvoaçam ao vento e alguns borrifos de ågua o atingem. Mas Ele dorme. João, da proa, vai correndo até a popa e o cobre com seu manto, que ele tirou de debaixo do tablado. E o cobre com um delicado amor.

A tempestade se torna cada vez mais perigosa. O lago estĂĄ escuro, como se nele se tivesse derramado tinta, estriado pela espuma das ondas. O barco começa a encher-se de ĂĄgua e cada vez mais e Ă© empurrado pelo vento para o mar alto. Os discĂ­pulos suam nas manobras e no jogar fora do barco a ĂĄgua que as ondas nele despejam. Mas nada adianta. Chapinham com suas pernas atĂ© a metade dentro d’água e a barca vai ficando cada vez mais pesada.

185.4 AĂ­ Pedro perde a calma e a paciĂȘncia. Entrega a seu irmĂŁo o timĂŁo e, cambaleando, vai atĂ© Jesus, e o sacode vigorosamente.

Jesus acorda e levanta cabeça.

– Salva-nos, Mestre, estamos para perecer! –lhe grita Pedro (Ă© preciso gritar para se fazer ouvir).

Jesus olha fixamente para o seu discĂ­pulo, olha para os outros, e depois olha para o lago.

– CrĂȘs que Eu vos possa salvar?

– Vamos logo, Mestre –grita Pedro, enquanto uma verdadeira montanha de ĂĄgua, que veio lĂĄ do centro do lago, se dirige velozmente para o pobre barco. Parece mais uma tromba d’água, de tĂŁo alta e espantosa que Ă©.

Os discĂ­pulos, que a estĂŁo vendo chegar, se ajoelham e se agarram onde e como podem, certos de que jĂĄ chegou o seu fim.

Jesus se levanta. Fica de pĂ© sobre o tablado da proa. É uma figura toda de branco sobre a cor de chumbo da tempestade. Ele estende os braços para o vagalhĂŁo, e diz ao vento:

– Firma-te e cala-te

E Ă  ĂĄgua:

– Aquieta-te. Eu o quero.

E o vagalhĂŁo se desfaz em espuma, que cai sem fazer nenhum mal, dando um Ășltimo rugido, que vai se atenuando atĂ© tornar-se um leve murmĂșrio, enquanto que o vento se transformava em um assobio e, depois, num Ășltimo suspiro. E, sobre o lago, agora em paz, volta a serenidade do cĂ©u, a esperança e a fĂ© nos coraçÔes dos discĂ­pulos.

NĂŁo posso descrever a majestade de Jesus. É necessĂĄrio vĂȘ-la para a compreender. Com alegria a contemplo em meu interior, porque me estĂĄ presente neste momento e fico pensando como era tranquilo aquele sono de Jesus e quĂŁo poderoso o seu impĂ©rio sobre os ventos e as ondas!

185.5 Jesus diz depois:

– Eu nĂŁo comento para ti o Evangelho, no sentido em que todos o comentam. Eu te esclareço sobre o que vem antes da passagem evangĂ©lica. Por que Ă© que Eu estava dormindo? SerĂĄ que Eu nĂŁo sabia que a borrasca estava para desabar? Sim, Eu o sabia. SĂł Eu o sabia. E, entĂŁo por que dormia?

Os apĂłstolos eram homens, Maria. Animados de boa vontade, mas ainda tĂŁo “homens.” O homem se crĂȘ sempre capaz de tudo. E, quando ele Ă© realmente capaz de uma coisa, age com uma conduta muito briosa e arrogante, confiando em sua “capacidade.” Pedro, AndrĂ©, Tiago e JoĂŁo eram bons pescadores e, por isso, se julgavam insuperĂĄveis nas manobras como marinheiros. Eu para eles era um grande Rabi; mas, como marinheiro, era um nada.

Por isso Me julgavam incapaz de ajudĂĄ-los e, quando subiam ao barco, para atravessar o Mar da Galileia, me pediam sempre que ficasse sentado, pois Eu nĂŁo era capaz de fazer nenhuma outra coisa. É verdade que tambĂ©m o afeto deles era causa disso, porque nĂŁo queriam que Eu me cansasse em trabalhos braçais. Mas a arrogĂąncia deles por sua capacidade superava atĂ© o seu afeto. Eu nĂŁo me imponho, Maria, a nĂŁo ser em casos excepcionais. Geralmente, Eu vos deixo livres, e espero. Naquele dia, cansado e tendo-me eles sugerido que descansasse, isto Ă©,que deixasse que eles fizessem as manobras, pois eles tinham tanta prĂĄtica, entĂŁo Eu me pus a dormir. Ao meu sono estava misturada tambĂ©m a constatação de como o homem Ă© “homem” e quer fazer tudo por si mesmo, sem perceber que Deus nada pede, a nĂŁo ser ajudĂĄ-lo. Eu via naqueles “surdos espirituais”, naqueles “cegos espirituais” todos os surdos e cegos do espĂ­ritos, que, atravĂ©s de sĂ©culos e mais sĂ©culos, se arruinariam “por quererem fazer tudo por si mesmos”, quando eles tinham a Mim, inclinado sobre as necessidades deles, Ă  espera de ser chamado por eles, para ajudĂĄ-los.

Quando Pedro gritou: “Salva-nos!”, minha angĂșstia cessou, como cai uma pedra que se solta no ar. Eu nĂŁo sou “homem”, sou o Deus-Homem. NĂŁo atuo como vĂłs atuais. VĂłs, quando alguĂ©m rejeitou vosso conselho ou vossa ajuda, e o vedes depois em dificuldades, ainda que nĂŁo sejais tĂŁo maus para vos alegrardes com aquilo, sempre o sois para ficardes desdenhosamente indiferentes olhando para ele, sem vos comoverdes com o seu grito de ajuda

E, com este modo de proceder, vós lhe estais querendo dizer: “Quando eu queria te ajudar, tu não o quiseste? Pois agora, vira-te!” Mas Eu sou Jesus. Sou o Salvador. E, de fato, Eu salvo, Maria. Salvo sempre, mal Me invocam.

185.6 Os pobres homens poderiam objetar: “E então, por que permites que se formem tempestades isoladas ou generalizadas?”

Se Eu, com o meu poder destruĂ­sse o Mal, qualquer que ele fosse, vĂłs chegarĂ­eis a acreditar que sois autores do Bem, o que na realidade seria um dom meu, e nunca mais vos lembrarĂ­eis de Mim. Nunca mais. Tendes necessidade da dor, Ăł meus pobres filhos, para fazer-vos lembrar de que tendes um Pai. Foi assim que aconteceu com o filho prĂłdigo, que sĂł se lembrou de que tinha um pai, quando a fome o afligiu.

As desventuras servem para que persuadidos do vosso nada: da vossa insensatez, que Ă© a causa de tantos erros, da vossa maldade, que Ă© causa de tantos lutos e dores; das vossas culpas, causa de punição, que dais a vĂłs mesmos; e da Minha existĂȘncia, do meu poder e da Minha bondade. Isto Ă© o que vos diz o Evangelho de hoje. É o “vosso” Evangelho da presente hora, meus pobres filhos.

Chamai-Me. Jesus sĂł dorme quando estĂĄ angustiado, ao ver-se nĂŁo amado por vĂłs. Chamai-Me e virei.

[
].

Anotação

Agora que todos estão a dormir, gostaria de partilhar convosco a minha alegria. Eu "vi" o Evangelho de hoje. As catequeses diårias de Maria Valtorta, registadas na série dos "Cadernos", começaram em abril de 1943, mas as visÔes do Evangelho só começaram verdadeiramente em janeiro de 1944. Esta é, portanto, uma das primeiras visÔes. Lembrem-se que não estão por ordem cronológica.

Jesus estĂĄ a dormir na popa. Na popa do barco.

Jesus levanta-se, de pé na prateleira da proa. O seu rosto branco destaca-se da tempestade lívida. Estende os braços para as ondas e diz ao vento: "Påra e cala-te" e à ågua: "Acalma-te. Quero que te acalmes. Segundo M.L., um leitor, este episódio da tempestade acalmada pode ser comparado com o Salmo 106 (hebraico 107), 23-30. Esta ligação deve ter estado depois presente no espírito dos apóstolos que, tal como os seus contemporùneos, conheciam de cor os Salmos. Este facto vem iluminar ainda mais os comentårios de Jesus a Maria Valtorta.

Evangelho de Mateus 8, 23-27

Mt 8, 23-27: Quando Jesus entrou no barco, os seus discípulos seguiram-no. E eis que o mar ficou tão agitado que o barco foi coberto pelas ondas. Mas Jesus estava a dormir. Os discípulos foram ter com ele e acordaram-no, dizendo: "Senhor, salva-nos! Senhor, salva-nos! Estamos perdidos! Mas ele respondeu-lhes: "Porque temeis tanto, homens de pouca fé? Então Jesus levantou-se e repreendeu os ventos e o mar, e fez-se uma grande bonança. As pessoas ficaram admiradas e disseram: "Quem é este que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Evangelho de Marcos 4, 37-41

Mc 4,37-41 : Houve uma tempestade violenta. As ondas batiam contra o barco, que jĂĄ estava a encher-se. Jesus estava a dormir na almofada da popa. Os discĂ­pulos acordaram-no e disseram-lhe: "Mestre, estamos perdidos; nĂŁo te importas? Despertado, ameaçou o vento e disse ao mar: "SilĂȘncio, cala-te!" O vento amainou e fez-se uma grande calma. Jesus disse-lhes: "Porque tendes tanto medo? Ainda nĂŁo tendes fĂ©? Eles ficaram com muito medo e diziam uns aos outros: "Quem Ă© este que atĂ© o vento e o mar lhe obedecem?

Evangelho de Lucas 8, 23-25

Lc 8, 23-25 : Enquanto navegavam, Jesus adormeceu. O lago foi invadido por uma tempestade. Ficaram submersos e em grande perigo. Os discípulos foram ter com ele e acordaram-no, dizendo: "Mestre, mestre! Estamos perdidos! E ele acordou e repreendeu o vento e as ondas turbulentas. As ondas acalmaram-se e houve paz. Então Jesus perguntou-lhes: "Onde estå a vossa fé? Cheios de medo, ficaram espantados e diziam uns aos outros: "Quem é este que då ordens até aos ventos e às ondas, e eles obedecem-lhe?

Palavras-chave

EMF 186.2.5-8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus, tendo atravessado o lago de noroeste para sudeste, recomenda a Pedro que faça o desembarque perto de Hipos. Pedro obedece sem discutir, descendo com a barca atĂ© a foz de um riozinho, que a primavera e o Ășltimo temporal fizeram que ficasse cheio e barulhento, e que desemboca no lago, passando por uma garganta ĂĄspera e rochosa, como Ă© a costa toda nesta regiĂŁo. Os empregados cuidam da segurança das barcas — hĂĄ um deles em cada barca — e recebem a ordem de ficarem esperando atĂ© a tarde, para voltarem a Cafarnaum.

– E ficai como peixes com quem vos interroga –aconselha Pedro–. A quem vos perguntar onde estĂĄ o Mestre, respondei firmes: “Eu nĂŁo sei.” E a quem quiser saber para onde Ele foi, dizei o mesmo. Tudo Ă© verdade. VĂłs nĂŁo sabeis.

Separam-se, e Jesus começa a subida por um íngreme caminho, que cada vez mais se eleva, por entre os rochedos, até ficar quase a pino. Os apóstolos o acompanham por aquele caminho difícil, até chegarem ao alto da escarpa, que se estende por um planalto coberto de carvalhos, debaixo dos quais muitos porcos estão pastando.

– Que animais fedorentos! –exclama Bartolomeu–. Eles nos impedem a passagem


– Não. Não nos impedem. Há lugar para todos –responde calmamente Jesus.

Afinal, os guardas dos porcos, vendo os israelitas, procuram juntar os animais debaixo dos carvalhos, deixando livre o caminho. E os apóstolos passam, fazendo mil caretas, por entre as sujeiras deixadas pelos porcos, que estão continuamente fuçando, jå bem gordos e procurando engordar ainda mais.

Jesus passou, sem conversar com ninguém, mas apenas dizendo aos pastores da manada:

– Deus vos pague por vossa gentileza.

Os guardas, pobre gente pouco menos suja do que os seus porcos, mas, em compensação, muito mais magra do que eles, estão olhando, espantados, o que estå acontecendo e depois cochicham entre eles. Um deles diz:

– NĂŁo Ă© israelita?

E a isto os outros respondem:

– Não estás vendo as vestes com franjas?

O grupo dos apĂłstolos se reĂșne, agora que todos jĂĄ podem andar em grupo, indo por uma vereda bem mais larga. (...)

186.5

– (...) Mas que desmoronamento Ă© este?

Todos se afastam daquele lado do monte, porque pedras e terriço vĂȘm rolando ou dando saltos pelo declive e, assombrados, olham em torno de si.

– Eis, Eis! Eis lĂĄ! Dois
 completamente nus
 eles vĂȘm vindo para nĂłs, e gesticulam. SĂŁo doidos


– Ou endemoninhados –responde Jesus a Iscariotes, que viu primeiro os dois possessos que vinham vindo para Jesus.

Eles devem ter saído de alguma das cavernas do monte. Estão urrando. Um deles, mais råpido na corrida, se precipita sobre Jesus. Parece um passarão estranho, despojado de penas, de tão ågil que é, e faz com os braços movimentos de vÎo, como se seus braços fossem asas. E vem cair aos pés de Jesus, gritando:

– Quem Ă©s Tu, Ăł Dono do Mundo? Que tenho que fazer contigo, Jesus, Filho do Deus AltĂ­ssimo? TerĂĄ jĂĄ chegado a hora do nosso castigo? Por que vieste atormentar-nos antes do tempo?

O outro endemoninhado, ou porque estivesse privado da fala, ou porque possuído por um demÎnio que o faz ficar lerdo, não faz nada mais do que jogar-se de bruços e ficar chorando baixinho e depois, tendo ido sentar-se, fica como se fosse inerte, entretendo-se com as pedras e com seus pés desnudos. O demÎnio continua a falar pela boca do primeiro, que se contorce no chão, em um paroxismo de terror. Dir-se-ia que ele quer reagir, mas não pode fazer outra coisa senão adorar, atraído e, em seguida, repelido pelo poder de Jesus. Ele urra:

– Eu Te conjuro em nome de Deus, para de me atormentar. Deixa-me ir embora!

– Sim. Mas para fora deste homem. Espírito imundo, sai deles, e dize-me o teu nome.

– LegiĂŁo Ă© o meu nome, porque somos muitos. Dominamos estes, hĂĄ muitos anos e, por meio deles, arrebentamos laços e correntes, e nĂŁo hĂĄ força humana que possa com os dois. Eles sĂŁo um terror por causa de nĂłs, que deles nos servimos para blasfemar contra Ti. Neles nĂłs nos vingamos do teu anĂĄtema. Rebaixamos o homem abaixo das feras, para zombarmos de Ti, e nĂŁo existe lobo, nem chacal ou hiena, nem abutre ou vampiro semelhante a estes, que sĂŁo dominados por nĂłs. Mas, nĂŁo nos expulses. O inferno Ă© horrĂ­vel demais!


– Saí! Em nome de Jesus, saí!

Jesus tem uma voz de trovĂŁo e seus olhos dardejam esplendores.

– Deixa-nos pelo menos entrar[2] naquela manada de porcos, que encontraste lá atrás.

– Ide.

Com um urro infernal os demĂŽnios se separam dos dois infelizes e, por entre um repentino turbilhĂŁo de vento, que faz os carvalhos balançarem como se fossem frĂĄgeis hastes, caem sobre aquele grande nĂșmero de porcos que, com estridores verdadeiramente demonĂ­acos, pĂ”em-se a correr, endemoninhados que estĂŁo, chocando-se uns com os outros, ferindo-se, mordendo-se e, enfim, precipitando-se no lago quando, tendo chegado ao cume do alto rochedo, nĂŁo encontram mais nenhum outro lugar para nele se refugiarem, a nĂŁo ser na ĂĄgua, que estĂĄ lĂĄ em baixo. Enquanto isso, os guardas dos porcos, profundamente perturbados e desolados urram de espanto, e os animais, em nĂșmero de vĂĄrias centenas vĂŁo, em precipitaçÔes sucessivas, caindo nas ĂĄguas tranquilas, agitando-as e transformando-as em uma fervura de espumas, e vĂŁo-se submergindo aqui e flutuando, pondo Ă  mostra suas barrigas redondas e seus focinhos pontudos, com uns olhos cheios de terror e, por fim, se afogam.

Os pastores, urrando ainda, correm para a cidade.

186.6

Os apĂłstolos, depois de terem ido ao lugar da calamidade, voltam dizendo:

– Não se salvou nenhum. Prestaste a eles um feio serviço!

Jesus, com calma, responde:

– É melhor que morram dois mil porcos do que um só homem. Arranjai umas vestes a estes. Não podem ficar assim.

O Zelotes abre um saco e då uma de suas vestes. Tomé då a outra. Os dois estão ainda um pouco aturdidos, como se tivessem acabado de sair de um sono pesado, cheio de pesadelos.

– Dai-lhes alimento. Que voltem a viver como homens.

E, enquanto os dois comem pĂŁo com azeitonas que lhes Ă© dado e bebem do frasco de Pedro, Jesus os observa.

Finalmente, falam:

– Quem Ă©s Tu? –diz um deles.

– Jesus de NazarĂ©.

– Não te conhecemos, diz o outro.

– Mas a vossa alma me conheceu. Levantai-vos agora e ide para as vossas casas.

– Temos sofrido muito, penso eu, mas nĂŁo me lembro bem. Quem Ă© este? –diz o que falava por meio do demĂŽnio, e mostra seu companheiro.

– Eu não sei. Ele estava contigo

– Quem Ă©s? E por que estĂĄs aqui –pergunta ao companheiro.

O que tinha estado como mudo e que ainda Ă© o mais lerdo, diz:

– Eu sou DemĂ©trio. Aqui Ă© Sidon?

– Sidon está à beira do mar, homem. Aqui estás do outro lado do lago da Galileia.

– E por que estou aqui?

Ninguém pode dar uma resposta.

186.7

VĂȘm chegando umas pessoas, acompanhadas pelos pastores. Parecem cheias de medo e curiosas. Mas, ao verem os dois jĂĄ vestidos e bem dispostos, seu assombro aumenta.

– Aquele Ă© Marcos de Josias. E aquele Ă© filho do mercador pagĂŁo!


– E aquele Ă© o que os curou e fez perecer os nossos porcos porque os demĂŽnios entraram neles –dizem os guardas dos animais.

– Senhor, Tu Ă©s poderoso, nĂłs o reconhecemos. Mas jĂĄ nos fizeste mal demais. Foi um prejuĂ­zo de muitos talentos. Vai-te embora, nĂłs te pedimos, e que o teu poder nĂŁo vĂĄ fazer que se rache o monte, e que ele se afunde no lago. Vai-te embora


– Eu vou. Eu nĂŁo me imponho a ninguĂ©m –e Jesus volta pelo caminho jĂĄ feito, sem discutir.

Acompanham-no, indo atrĂĄs dos apĂłstolos, o endemoninhado que falava. AtrĂĄs, a certa distĂąncia, muitos cidadĂŁos, para verem se parte realmente.

186.8

VĂŁo andando de novo pelo caminho Ă­ngreme e voltam Ă  foz do riozinho, perto das barcas. Os habitantes da cidade ficam na beira, olhando. O que ficou livre vai descendo, atrĂĄs de Jesus.

Nas barcas os empregados estĂŁo aterrorizados. Eles viram a chuva dos porcos caindo no lago, e ainda estĂŁo vendo os corpos que vĂŁo boiando, sempre em maior nĂșmero, cada vez mais inchados, com suas barrigas redondas viradas para cima e suas patas curtas, ressecadas como quatro estacas fincadas em uma grande bexiga cheia de gordura.

– Mas, que foi que aconteceu? –perguntam eles.

– Depois, vo-lo diremos. Agora, soltai as barcas, e vamos
 Para onde, Senhor? –pergunta Pedro.

– Para o golfo de Tariqueia.

O homem, que os acompanhou, agora que os estĂĄ vendo subir para as barcas, suplica:

– Leva-me contigo, Senhor.

– NĂŁo. Vai para tua casa; os teus tĂȘm o direito de te verem. E conta a eles as grandes coisa que te fez o Senhor e como Ele teve dĂł de ti. Essa gente do territĂłrio precisa ter fĂ©. Acende as chamas da fĂ©, em reconhecimento para com o Senhor. Vai. Adeus.

– Conforta-me pelo menos com a tua bĂȘnção, e que o demĂŽnio nĂŁo se apodere de mim outra vez.

– Não tenhas medo. Se não queres, ele não virá. Mas Eu te abençîo. Vai em paz.

As barcas se afastam da beira, indo em direção do leste para oeste. Somente agora, enquanto vão fendendo as ondas cobertas pelas vítimas suínas, é que os habitantes da cidade que não quiseram o Senhor se retiram da beira, e vão-se embora.

Aqui no verso estĂĄ a figura do lugar.

Anotação

Os empregados amarram os barcos - hĂĄ um por barco - e sĂŁo instruĂ­dos a esperar atĂ© Ă  noite para o regresso a Cafarnaum. SĂŁo duas figuras anĂłnimas, obviamente a fazer manobras. Estavam sem dĂșvida presentes na EMV 185.

Pelo menos, deixem-me entrar nesta manada de porcos: o texto original fala aqui, de facto, no singular: Lasciami. Este pedido singular Ă© interpretado com ingenuidade por Pedro em EMV 203.3.

Evangelho de Mateus 8, 28-34

Mt 8, 28-34: Quando Jesus estava a chegar Ă  outra margem do rio, ao paĂ­s dos gadarenos, dois possessos saĂ­ram do meio dos tĂșmulos para o encontrar; eram tĂŁo agressivos que ninguĂ©m podia passar por ali. E eis que começaram a gritar: "Que queres de nĂłs, Filho de Deus? Vieste atormentar-nos antes do tempo determinado?" Ao longe, havia uma grande manada de porcos Ă  procura de comida. Os demĂłnios pediram a Jesus: "Se nos vais expulsar, manda-nos para a manada de porcos. Ele disse-lhes: "VĂŁo. Eles saĂ­ram e entraram na manada de porcos; e eis que toda a manada se precipitou no mar, por cima do penhasco, e os porcos morreram nas ondas. As sentinelas fugiram e foram para a cidade contar tudo o que se passava e sobretudo o que tinha acontecido aos possessos. E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus e, ao vĂȘ-lo, o povo rogou-lhe que saĂ­sse da sua terra.

Evangelho de Marcos 5, 1-20

Mc 5,1-20 : E chegaram Ă  outra margem do mar da Galileia, Ă  terra dos gerasenos. Quando Jesus desceu do barco, saiu-lhe imediatamente ao encontro um homem com um espĂ­rito imundo, que vivia nos sepulcros, e jĂĄ ninguĂ©m o podia prender, nem mesmo com uma corrente; na verdade, ele tinha sido muitas vezes preso com ferros para as pernas e com correntes, mas tinha quebrado as correntes e os ferros, e ninguĂ©m o podia prender. Andava todo o dia e toda a noite entre os tĂșmulos e nos montes, gritando e ferindo-se com pedras. Quando viu Jesus ao longe, correu para ele, prostrou-se diante dele e gritou em alta voz: "Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus AltĂ­ssimo? Rogo-te por Deus que nĂŁo me atormentes! Jesus disse-lhe: "EspĂ­rito impuro, sai deste homem! E perguntou-lhe: "Como te chamas? O homem respondeu-lhe: "Chamo-me LegiĂŁo, porque somos muitos. E pediam a Jesus que nĂŁo os expulsasse do paĂ­s.

Ora havia uma grande manada de porcos na encosta, Ă  procura de comida. EntĂŁo os espĂ­ritos imundos pediram a Jesus: "Manda-nos a esses porcos, e nĂłs entraremos neles. Ele permitiu-lhes que o fizessem. EntĂŁo saĂ­ram do homem e entraram nos porcos. Eram cerca de dois mil, e estavam a afogar-se no mar. Espalharam a notĂ­cia na cidade e no campo, e as pessoas vieram ver o que tinha acontecido.

Quando se aproximaram de Jesus, viram o homem possuído, sentado, vestido e recuperando os sentidos, aquele que tinha tido a legião de demónios, e ficaram cheios de medo. Os que tinham visto tudo isto contaram-lhes a história do endemoninhado e do que tinha acontecido aos porcos. Então começaram a pedir a Jesus que saísse do seu território.

Quando Jesus entrou de novo no barco, o endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. Ele não consentiu, mas disse-lhe: "Vai para casa, para junto da tua família, e conta-lhes tudo o que o Senhor fez por ti, pela sua misericórdia. O homem foi-se embora e começou a anunciar na região da Decåpole o que Jesus lhe tinha feito, e todos se maravilhavam.

Evangelho de Lucas 8, 26-39

Lc 8, 26-39 : Chegaram Ă  terra dos gerasenos, que fica em frente da Galileia. Quando Jesus desembarcou, um homem endemoninhado da cidade veio ao seu encontro. HĂĄ muito tempo que nĂŁo vestia roupa e nĂŁo vivia numa casa, mas nos tĂșmulos. Quando viu Jesus, deu um grito, caiu aos seus pĂ©s e disse em voz alta: "Que queres de mim, Jesus, Filho do Deus AltĂ­ssimo? Por favor, nĂŁo me atormentes. Jesus estava, de facto, a ordenar ao espĂ­rito imundo que saĂ­sse deste homem, pois o espĂ­rito tinha-se apoderado dele muitas vezes. Mantinham-no preso com grilhĂ”es nos pĂ©s, mas ele quebrava as amarras e o demĂłnio arrastava-o para lugares desertos. Jesus perguntou-lhe: "Como te chamas? Ele respondeu: "LegiĂŁo". Muitos demĂłnios tinham entrado nele. E esses demĂłnios pediam a Jesus que nĂŁo os mandasse entrar no abismo. Havia no monte uma grande manada de porcos Ă  procura de comida. Os demĂłnios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos, e ele deixou. Eles saĂ­ram do homem e entraram nos porcos. Do alto do penhasco, a manada precipitou-se para o lago e afogou-se. Quando os pastores viram o que tinha acontecido, fugiram; espalharam a notĂ­cia na cidade e no campo, e as pessoas saĂ­ram para ver o que tinha acontecido.

Quando foram ter com Jesus, encontraram o homem que os demónios tinham deixado; estava sentado aos pés de Jesus, vestido e a recuperar os sentidos. E ficaram aterrorizados. Os que o tinham visto contaram-lhes como é que ele tinha sido salvo. Então todos os habitantes da região dos gerasenos pediram a Jesus que se fosse embora, porque tinham muito medo. Jesus entrou de novo no barco e regressou.

O homem que os demĂłnios tinham deixado perguntou-lhe se podia estar com ele. Mas Jesus mandou-o embora, dizendo: "Volta para tua casa e conta a todos o que Deus fez por ti. EntĂŁo o homem saiu e anunciou por toda a cidade o que Jesus tinha feito por ele.

Palavras-chave

EMF 189.1-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Naim devia ter uma certa importùncia nos tempos de Jesus. Não é uma cidade muito grande, mas bem construída, fechada dentro do seu cinturão de muros. Ela se estende por uma colina risonha, de pouca altitude, e é uma ramificação do pequeno Hermon que, do alto, domina uma planície muito fértil, que se vai alargando para a direção do noroeste[1].

Para quem vem de Endor, chega-se atĂ© aqui, depois de ter passado a vau um pequeno rio, que deve ser um afluente do JordĂŁo. Mas daqui nĂŁo se vĂȘ mais o JordĂŁo, e nem mesmo o seu vale, porque algumas colinas o escondem, fazendo um arco, que parece um ponto de interrogação virado para leste.

Jesus para lå se dirige, por uma estrada mestra, que liga as regiÔes do lago ao Hermon e aos seus povoados. Atrås de Jesus vão caminhando muitos dos habitantes de Endor, conversando animadamente uns com os outros.

A distĂąncia que separa o grupo dos apĂłstolos dos muros jĂĄ Ă© bem reduzida: no mĂĄximo uns duzentos metros. E, jĂĄ que a estrada mestra vai em linha reta, rumo a uma das portas da cidade, e como essa porta estĂĄ escancarada, pois jĂĄ Ă© pleno dia, pode-se ver logo o que estĂĄ acontecendo do outro lado dos muros. E Ă© assim que Jesus, que estava conversando com os apĂłstolos e com o novo convertido, vĂȘ que, por entre um grande barulho de carpideiras e de semelhantes conjuntos orientais, vem chegando um cortejo fĂșnebre.

– Vamos lá ver, Mestre? –dizem muitos. E, do meio dos habitantes de Endor, muitos já se precipitaram para ir ver.

– Vamos nĂłs tambĂ©m –diz Jesus, condescendendo.

– Oh! deve ser um rapaz, porque, olha só quantas flores e fitas estão sobre o caixão –diz Judas de Keriot a João.

– Ou então será uma virgem –responde João.

– NĂŁo. É certo que se trata de um jovenzinho, por causa das cores que eles colocaram no caixĂŁo. AlĂ©m disso, faltam os mirtos
 –diz Bartolomeu.

O funeral vai saindo para fora dos muros. Seja o que for que estiver no caixĂŁo, que vai sustentado no alto sobre os ombros dos portadores, Ă© o que nĂŁo se pode ver. Presume-se que lĂĄ esteja um corpo estendido, com suas faixas, e coberto com um lençol, pois pelo que as saliĂȘncias revelam pode-se compreender que Ă© o corpo de alguĂ©m que jĂĄ tinha chegado ao ponto mais alto de seu crescimento, porque Ă© um corpo do comprimento do caixĂŁo.

Ao lado do caixĂŁo, uma mulher de vĂ©u, amparada por parentas ou amigas, vai caminhando e chorando. É o Ășnico choro verdadeiro, no meio dessa comĂ©dia de choronas. E, quando uma pedra faz que um dos portadores tropece, ou um ressalto do solo faz que se sacuda o caixĂŁo, a mĂŁe geme: “Oh! NĂŁo! Ide devagar! Sofreu tanto este meu menino!”, e levanta sua mĂŁo trĂȘmula para acariciar a beira do caixĂŁo, — fazer mais que isso ela nĂŁo pode — e, nĂŁo podendo fazer nada mais, ela beija os vĂ©us ondulantes e as fitas, que o vento de vez em quando agita, e que passam rolando por aquele vulto imĂłvel.

– Aquela Ă© a mĂŁe –diz Pedro, todo compungido e jĂĄ com o brilho de uma lĂĄgrima em seus olhos atentos e bons.

Mas ele nĂŁo Ă© o Ășnico que estĂĄ com lĂĄgrimas nos olhos por causa daquela tristeza. TambĂ©m Zelotes, AndrĂ© e JoĂŁo, e atĂ© o sempre alegre TomĂ©, estĂŁo com os olhos brilhando. Todos, todos mesmo, estĂŁo comovidos. Judas Iscariotes murmura:

– Se fosse eu! Oh! Pobre de minha mãe


189.2

Jesus, cujos olhos são de uma doçura perturbadora, de tão profundos que são, vai indo para perto do caixão.

A mĂŁe, que jĂĄ estĂĄ soluçando mais forte, porque o cortejo jĂĄ estĂĄ quase chegando junto ao sepulcro aberto, O afasta com violĂȘncia, ao ver que Jesus procura tocar no caixĂŁo. No seu delĂ­rio, quem saberia de que ela estĂĄ com medo? Ela grita:

– É meu! –e, com uns olhos de louca, olha para Jesus.

– Eu sei, mãe. É teu.

– É o meu filho Ășnico. Por que logo ele Ă© que foi morrer, ele que era bom e querido e a minha alegria de viĂșva? Por quĂȘ?

AĂ­ a multidĂŁo das carpideiras aumenta o seu choro pago, para fazerem coro com a mĂŁe, que continua a dizer:

– Por que ele, e nĂŁo eu? NĂŁo Ă© justo que quem gerou veja perecer a sua semente. A semente precisa viver, porque senĂŁo, para que terĂĄ servido que estas vĂ­sceras se tenham rasgado para darem Ă  luz um homem? –e bate em seu prĂłprio ventre, feroz e desatinada.

– Não faças assim! Não chores, mãe.

Jesus a segura pelas mĂŁos, com um forte aperto, e as prende com sua esquerda, enquanto, com a direita, toca no caixĂŁo, dizendo aos portadores:

– Parai e ponde o caixão no chão.

Os portadores obedecem, abaixando a caminha, que fica apoiada no chão por seus quatro pés.

Jesus agarra o lençol, que estå cobrindo o morto e o joga para trås, deixando descoberto o cadåver. A mãe externa sua dor, gritando o nome de seu filho e parece-me que ela estå dizendo:

– Daniel!

Jesus, sempre conservando as mãos maternas na sua, se endireita, mostra-se imponente, no fulgor de seus olhares como quando Ele opera seus maiores milagres, e, abaixando a mão direita, ordena, com toda a força de sua voz:

– Jovenzinho, Eu te digo: Levanta-te!

189.3

O morto, do jeito que estava enfaixado, levanta-se e se assenta sobre a caminha e chama:

– Mamãe!

Ele a chama com a voz gaguejante e assustada de uma criança espavorida.

– Ele Ă© teu, mulher. Eu o entrego em nome de Deus. Ajuda-o a livrar-se da mortalha. E sede felizes.

E Jesus då sinais de que vai retirar-se dali. Mas, como? A multidão o detém junto ao catre, sobre o qual estå inclinada a mãe, que estå enfiando os dedos por entre as faixas, para ir mais depressa, porque o lamento de seu menino continua a implorar-lhe:

– Mamãe! Mamãe!

Por fim, a mortalha foi desfeita, desfeitas foram as faixas, já a mãe e o filho podem abraçar-se, e o fazem sem dar atenção aos bálsamos que se vão colando neles, e que a mãe vai tendo que tirar do querido rosto, das queridas mãos, usando as faixas, e depois, não tendo com que revesti-lo, a mãe tira o seu próprio manto e o envolve nele, e tudo o que ela faz vai servindo ao mesmo tempo para acariciá-lo


189.4

Jesus olha para ela
 olha para este quadro de amor que se formou ao lado da caminha, que agora jĂĄ nĂŁo Ă© mais fĂșnebre, e chora.

Judas Iscariotes vĂȘ esse pranto e pergunta:

– Por que estás chorando, Senhor?

Jesus vira o rosto para ele, e diz:

– Estou pensando em minha mãe


O breve colóquio faz que a mulher volte ao seu Benfeitor. Ela pega pela mão o filho e o segura, porque ele estå como alguém que ainda não acabou de sair de um torpor, continuando este em seus membros, e ela se ajoelha, dizendo:

– Tu tambĂ©m, meu filho. Vamos bendizer a este Santo, que te restituiu Ă  vida e Ă  tua mĂŁe –e se inclina para beijar a veste de Jesus, enquanto a multidĂŁo dĂĄ hosanas a Deus e ao seu Messias, jĂĄ conhecido como quem ele Ă©, porque os apĂłstolos e os habitantes de Endor tomaram eles prĂłprios a incumbĂȘncia de dizer quem Ă© aquele que operou o milagre.

E a multidĂŁo toda, entĂŁo, exclama:

– Bendito seja o Deus de Israel. Bendito seja o Messias, que Ă© o seu Enviado. Bendito seja Jesus, Filho de Davi. Um grande Profeta surgiu entre nĂłs! Deus verdadeiramente veio visitar o seu povo! Aleluia! Aleluia!

189.5

Finalmente, Jesus consegue escapar daquele aperto, e entrar na cidade. A multidĂŁo o acompanha, e o persegue, exigente em seu amor.

Chega correndo um homem, e saĂșda a Jesus com uma profunda inclinação:

– Eu te peço que pares em minha casa.

– NĂŁo posso. A PĂĄscoa me proĂ­be qualquer parada, alĂ©m daquelas que estĂŁo marcadas.

– Daqui a pouco Ă© o pĂŽr-do-sol, e hoje e sexta-feira


– É exatamente ao pîr-do-sol que Eu preciso chegar à minha etapa. Mas Eu te agradeço da mesma forma. E não me detenhas


– Mas eu sou o sinagogo.

– E com isto queres dizer que tens este direito. Homem: bastava que Eu me atrasasse uma hora e aquela mãe não teria reavido o filho. Eu vou aonde outros infelizes me estão esperando. Não atrases com egoísmo a alegria deles. Eu virei, com certeza, outra vez e ficarei contigo em Naim mais dias. Agora, deixa-me ir.

O homem nĂŁo insiste mais. E somente diz:

– Está dito. Eu fico Te esperando.

– Sim. A paz esteja contigo e com os moradores de Naim. E tambĂ©m Ă  vĂłs de Endor paz e bĂȘnção. Voltai para vossas casas. Deus vos falou por meio do milagre. Fazei que entre vĂłs aconteçam, por força do amor, muitas ressurreiçÔes para o bem em todos os coraçÔes.

Houve um Ășltimo coro de hosanas. Depois a multidĂŁo deixa Jesus ir, e Ele atravessa diagonalmente a cidade, indo sair na campina, tomando caminho para Esdrelon.

Anotação

Evangelho de Lucas 7, 11-17

Lc 7,11-17 : Jesus foi para uma cidade chamada Naim. Acompanhavam-no os seus discĂ­pulos e uma grande multidĂŁo. Chegou perto da porta da cidade, no momento em que levavam um defunto para ser sepultado; era filho Ășnico, e sua mĂŁe era viĂșva. Uma grande multidĂŁo da cidade acompanhava a mulher. Quando o Senhor viu a mulher, teve compaixĂŁo dela e disse-lhe: "NĂŁo chores. Aproximou-se e tocou no caixĂŁo; os carregadores pararam e Jesus disse: "Jovem, ordeno-te que te levantes. EntĂŁo o morto levantou-se e começou a falar. E Jesus devolveu-o Ă  sua mĂŁe. Todos ficaram aterrorizados e deram glĂłria a Deus, dizendo: "Surgiu entre nĂłs um grande profeta, e Deus visitou o seu povo". E esta notĂ­cia sobre Jesus espalhou-se por toda a Judeia e por toda a regiĂŁo.

Palavras-chave

EMF 192.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Senhor, aquele cimo Ă© o Carmelo? –pergunta-lhe o primo Tiago.

– Sim, irmĂŁo. Aquela Ă© a cadeia do Carmelo, e o cume mais alto Ă© o que dĂĄ nome Ă  cadeia.

– De lĂĄ de cima tambĂ©m deve ser bonito ver o mundo. JĂĄ estiveste lĂĄ?

– JĂĄ estive uma vez sozinho, no começo da minha pregação. Foi aos pĂ©s do Carmelo que Eu curei meu primeiro leproso.

Anotação

EpisĂłdio nĂŁo identificado. Este milagre deve ter ocorrido apĂłs o primeiro milagre de CanĂĄ.

Palavras-chave

EMF 199.4-5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos Ă queles infelizes! –diz Jesus e, virando as costas para a cidade, se dirige para um lugar desolado, situado nas encostas de uma colina rochosa, que fica entre as duas estradas, que vĂŁo de JericĂł para JerusalĂ©m.

É um lugar estranho, parecendo-se mais com um conjunto de escadarias, depois da primeira subida, acima da qual se chega a um caminho, de tal modo que o primeiro lance fica a pique, pelo menos uns trĂȘs metros acima do caminho, e igualmente o segundo. Tudo aqui Ă© aridez e morte
 Uma grande tristeza.

– Mestre –grita Simão Zelotes–, eu estou aqui. Para aí, que eu vou te ensinar o caminho


E Zelotes, que tinha se encostado Ă  rocha, procurando um pouco de sombra, vai para a frente, e conduz Jesus por um caminho em degraus, que vĂŁo no rumo do GetsĂȘmani, mas apartado dele pela estrada que, do Monte das Oliveiras vai para BetĂąnia[1].

– Já chegamos. Entre os sepulcros de Siloan eu vivi, e aqui estão os meus amigos. Só uma parte deles. Os outros estão em Ben Hinon mas não podem vir
 Teriam que atravessar a estrada, e seriam vistos.

– NĂ©s iremos a eles tambĂ©m.

– Obrigado! Por eles e por mim.

– Eles são muitos?

– O inverno matou a maior parte. Mas aqui ainda há cinco daqueles aos quais eu havia falado. Eles estão te esperando. Lá estão eles, ao lado da sua prisão


Devem ser uns dez monstros. Digo “devem ser”, porque se cinco sĂŁo bem visĂ­veis de pĂ©, os outros, ou pela cor cinzenta da pele, ou pela deformidade do rosto, ou porque assomam apenas por cima do pedregal, podem ser tĂŁo mal divisados, que tanto poderiam ser mais, como menos. Entre os que estĂŁo em pĂ©, sĂł hĂĄ uma mulher. Quem diz isto sĂŁo somente os seus cabelos jĂĄ embranquecidos e descuidados, que caem, duros e sujos, pelas costas atĂ© Ă  cintura. Mas, quanto aos outros, nĂŁo se distingue sexo, porque a doença, muito adiantada, jĂĄ os reduziu a esqueletos, destruindo todas as curvas femininas e, nos homens, sĂł um ainda mostra leves traços de bigodes e barba. Os outros jĂĄ foram rapados pela doença destruidora.

Eles gritam:

– Jesus, Salvador nosso, tem piedade de nós! –e estendem suas mãos deformadas ou cheias de feridas–. Jesus, Filho de Davi, tem piedade!

– Que quereis que Eu vos faça? –diz Jesus, levantando o rosto para aquelas misĂ©rias.

– Que Tu nos salves do pecado e da doença.

– Do pecado salva a vontade e o arrependimento


– Mas se Tu queres, podes cancelar os nossos pecados. Pelo menos, cancela os nossos pecados, se não queres curar os nossos corpos.

– Se Eu vos disser: “Escolhei uma das duas coisas”, qual delas quereis?

– O perdão de Deus, Senhor. Para ficarmos menos desolados.

Jesus faz um sinal de aprovação, com um luminoso sorriso, depois levanta os braços, e grita:

– Que sejais atendidos. Assim quero.

Atendidos! Pode ser quanto ao pecado, ou quanto à doença, ou quanto às duas coisas, e os cinco infelizes ficam sem saber. Mas, quem não ficou assim foram os apóstolos, que não podem fazer outra coisa, senão gritar hosanas, ao verem a lepra ir desaparecendo rapidamente, assim como desaparece um floco de neve, quando cai no fogo. E então, os cinco compreendem que foram completamente atendidos. E seu grito ressoa como uma exclamação de vitória. Abraçam-se uns aos outros e jogam beijos a Jesus, jå que ainda não podem ir precipitar-se a seus pés. E depois se dirigem aos companheiros, dizendo:

– VĂłs ainda nĂŁo quereis crer? Mas que espĂ©cie de infelizes sois?

– Bons! Sede bons. Os pobres irmĂŁos precisam pensar. NĂŁo lhes digais nada. A fĂ© nĂŁo se impĂ”e, mas se prega com a paz, a doçura, a paciĂȘncia, a constĂąncia. É isso que fareis, depois de vossa purificação, como SimĂŁo fez convosco. AliĂĄs o milagre, por si sĂł jĂĄ Ă© uma pregação.. VĂłs, curados, ireis quanto antes mostrar-vos ao sacerdote. VĂłs, doentes, aguardai-nos pela tarde. Iremos trazer-vos comida. A paz esteja convosco.

Jesus desce de novo para o caminho, acompanhado pelas bĂȘnçãos de todos.

199.5

– Agora, vamos para Ben Hinon –diz Jesus.

– Mestre
 eu gostaria de ir. Mas estou vendo que nĂŁo posso. Eu vou para o GetsĂȘmani –diz LĂĄzaro.

– Vai, vai, Lázaro. A paz esteja contigo.

Enquanto LĂĄzaro lentamente vai se pondo a caminho, o apĂłstolo JoĂŁo diz:

– Mestre! eu vou com ele. É cansativo e o caminho nĂŁo Ă© muito bom. Depois te alcançarei em Ben Hinon.

– Então, vai. Vamos.

Passam pelo Cedron. Costeiam o lado sul do Monte Tofet e entram pelo pequeno vale coberto de sepulcros e de lixo, sem uma ĂĄrvore nem um abrigo contra o sol, que neste lado sul derrama todos os seus fogos, abrasando as pedras destes degraus infernais, em cujas bases soltam fumaça incĂȘndios fedorentos, que aumentam ainda mais o calor. Dentro desses sepulcros, parecidos com fornos crematĂłrios, hĂĄ pobres corpos que vĂŁo se consumindo
 Siloan deve ser um lugar muito feio no inverno, com toda essa umidade que tem, e jĂĄ quase virado para o norte. Mas aqui deve ser horrĂ­vel Ă© no verĂŁo


SimĂŁo Zelotes, solta um grito de chamado e, primeiro trĂȘs, da comitiva, depois dois, depois um e mais um, vĂŁo chegando como podem, atĂ© o limite marcado. Aqui hĂĄ duas mulheres, e uma vem trazendo pela mĂŁo uma criança de aspecto horroroso, pois a lepra a atacou principalmente no rosto. Ela jĂĄ estĂĄ cega
 HĂĄ tambĂ©m um homem de aspecto nobre, apesar de sua miserĂĄvel condição. Ele Ă© que toma a palavra por todos:

– Bendito seja o Messias do Senhor, que desceu atĂ© Ă  nossa Geena, para dela tirar os que nele esperam. Salva-nos, Senhor, porque perecemos! Salva-nos, Salvador! Ó rei da estirpe de Davi, Ó Rei de Israel, tem piedade dos teus sĂșditos. Ó rebento de JessĂ©, do qual foi dito que no seu tempo nĂŁo haverĂĄ mais mal, estende a tua mĂŁo para recolher estes restos do teu povo. Faze desaparecer de nĂłs esta morte, enxuga as nossas lĂĄgrimas, pois assim foi dito de Ti. Chama-nos, Senhor, Ă s tuas pastagens excelentes, para as tuas ĂĄguas doces, pois nĂłs estamos cheios de sede. Leva-nos para as colinas eternas, onde nĂŁo hĂĄ mais culpa nem dor. Tem piedade, Senhor


– Quem Ă©s tu?

– Sou JoĂŁo, um do Templo. Fui contaminado, talvez por um leproso. Como vĂȘs, faz pouco tempo que a doença me pegou. Mas estes aĂ­!
 Alguns estĂŁo hĂĄ anos esperando a morte e esta menininha estĂĄ desde quando ainda nĂŁo sabia andar. Ela nem sabe que Ă© uma criação de Deus. Tudo o que ela conhece, tudo de que ela se lembra, entre as maravilhas de Deus, sĂŁo estes sepulcros, este sol desapiedado e as estrelas da noite. Piedade para os culpados e para os inocentes, Senhor, nosso Salvador.

E todos se ajoelharam, estendendo as mĂŁos.

Jesus chora ao ver tanta miséria, depois abre os braços, e grita:

– Pai, Eu quero: saĂșde, vida, vista e santidade para eles.

Fica ainda rezando intensamente, de braços abertos, com todo o seu espírito. Ele parece adelgaçar-se e elevar-se na oração, como uma chama branca de amor, branca e poderosa, por entre os poderosos raios de ouro que o sol emite.

– Mamãe, eu estou vendo!

É o primeiro grito, e a este correspondem os da mãe, que aperta contra o coração a menina curada, depois os gritos dos outros e dos apóstolos
 O milagre foi feito.

– JoĂŁo, tu, sacerdote, guiarĂĄs os companheiros no rito. A paz esteja convosco. A vĂłs tambĂ©m traremos alimentos, lĂĄ pela tarde.

Abençoa, e faz como quem vai tomar o caminho de volta.

Mas o leproso JoĂŁo lhe grita:

– Sobre os teus passos eu quero ir. Dize-me o que devo fazer e onde ir pregar sobre Ti!

– Nesta terra desolada e nua, que precisa converter-se ao Senhor. Que a cidade de JerusalĂ©m seja o teu campo. Adeus.

Detalhe

SimĂŁo, o Zelota, pediu a Jesus que fosse ao Vale da Morte, onde havia leprosos.

Anotação

E SimĂŁo, que se tinha encostado Ă  rocha para ter um pouco de sombra, avança e conduz Jesus por um caminho em degraus que leva ao GetsĂ©mani, mas que estĂĄ separado dele pela estrada que vai do Monte das Oliveiras para BetĂąnia. Segue-se o desenho de Maria Valtorta, que reproduzimos aqui. Colocou no centro a "pequena montanha", no cimo da qual escreveu trĂȘs vezes "leproso". A norte estĂĄ o "GetsĂ©mani", a partir do qual escreveu "O caminho mais curto para BetĂąnia e JericĂł". Do outro lado, escreveu a lĂĄpis: "O Monte das Oliveiras Ă© aqui". A oeste, fez correr o "Cedron", para alĂ©m do qual traçou "O caminho mais longo para BetĂąnia e JericĂł".

O mesmo acontece com os homens, dos quais apenas um tem um resto de bigode e barba. Os outros foram rapados por esta doença destruidora. Zacarias, o leproso. Cf. EMV 417.2.

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EMF 211.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Se nĂŁo quereis ser amaldiçoados pelo Senhor e por mim, seu servo, amai ao Messias. E nĂŁo tenhais dĂșvidas. O testemunho dele Ă© este: espĂ­rito de paz, amor perfeito, sabedoria superior a qualquer outra, doutrina celeste, humildade absoluta, potĂȘncia em cada coisa, humildade total, castidade angelical. NĂŁo podeis enganar-vos. Quando estiverdes respirando a paz ao lado de um homem que se chama Messias, quando beberdes amor, — amor que dele emana — quando passardes das vossas trevas para a luz e vir que os pecadores sĂŁo perdoados, as carnes serdes curadas, entĂŁo dizei: ‘Este Ă© realmente o Cordeiro de Deus!’

Detalhe

JoĂŁo Batista fala ao povo de Hebron e diz-lhes que devem amar o Messias.

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EMF 211.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Trazei-me os vossos doentes, e depois reuni-vos neste jardim abandonado e profanado pelo pecado, depois de ter sido feito um templo pela Graça que nele habitou.

Os hebronitas partem dali em todas as direçÔes, como andorinhas, e fica sĂł o sinagogo, que entra com Jesus e os discĂ­pulos atĂ© para lĂĄ do muro do jardim, indo Ă  sombra de uma trepadeira misturada com roseiras e videiras, que ali cresceram, como bem lhes pareceu. Os hebronitas apressam-se em voltar. E com eles jĂĄ vem sendo trazido um paralĂ­tico em uma padiola, uma jovem cega, um mudinho e dois doentes que eu nĂŁo sei o que tĂȘm, e que vĂȘm acompanhados pelos que os ajudam.

– A paz esteja contigo –diz Jesus, saudando a cada um dos doentes, que vão se aproximando dele.

E, depois, a doce pergunta:

– Que quereis que Eu vos faça?

E aí vem o coro das lamentaçÔes desses infelizes e no qual cada um quer contar a sua própria história.

Jesus, que estava sentado, levanta-se, e vai até o mudinho, cujos låbios Ele molha com sua saliva, e lhe diz a grande palavra:

– Abre-te.

E, enquanto a diz, molha também as pålpebras não separadas da cega com o dedo ainda molhado de saliva. Depois då a mão ao paralítico, e lhe diz:

– Levanta-te!

E, por fim, impÔe a mão aos dois doentes, dizendo:

– Ficai sãos, em nome do Senhor!

E o mudinho, que antes sĂł gemia, diz agora claramente:

– Mamãe! –enquanto que a jovem já bate as pálpebras, agora abertas para a luz, e faz com os dedos um abrigo contra o sol, que ela ainda não conhecia, e chora e ri, esfregando os olhos, porque não está acostumada com a luz, e olha de novo para as copas das árvores, para a terra, para as pessoas e para Jesus.

O paralítico desce com facilidade da padiola, e os seus bondosos portadores a levantam agora vazia, para mostrar aos que estão longe que a graça fora concedida, enquanto os dois doentes estão chorando de alegria, e se ajoelham para venerar ao seu Salvador.

A multidão estå fazendo uma alvoroço frenético de hosanas. Tomé, que estå perto de Judas, olha para ele de um modo tão intenso, e com uma expressão tão clara, que ele lhe responde:

– Eu era um estulto, perdoa-me.

Anotação

Tomé, que estå ao lado de Judas, olha-o tão intensamente e com uma expressão tão clara que Judas responde: "Fui um louco, perdoa-me". Isto segue-se a uma discussão entre Tomé e Judas, na qual o Iscariotes acusa Jesus de jå não fazer milagres. Cf. EMV 210.

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