Notas do tema

Santos, Veneráveis e Beatos da Igreja Católica

Página 40 de 111

Conforto de leitura

EMF 83.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu te digo ainda: aquilo que deve ser, será. E Judas é parte desse futuro. Ali também ele deve estar.

– Mas João me disse que Simão Pedro é todo sinceridade e fogo… Ele suportará esse homem?

– Deve suportá-lo. Pedro também está destinado a uma parte, e Judas é o estame no qual ele vai tecer a sua parte, ou, se te agrada mais, é a escola na qual Pedro se exercitará mais do que em qualquer outra. Ser bons em companhia de João, compreender espíritos como o de João, é uma virtude até de imbecis. Mas ser bons com quem é um Judas, saber entender espíritos como os de Judas, ser médico e sacerdote para pessoas assim, é difícil. Judas é para vós um ensinamento vivo.

– Para nós?

– Sim, para vós. O Mestre não estará para sempre nesta terra. Daqui Ele partirá, depois de ter comido do mais duro pão e bebido do mais amargo vinho. Mas vós ficareis como meus continuadores… e precisais saber. Porque o mundo não termina com o Mestre, mas continua, até à Sua volta e o juízo final do homem. Em verdade te digo que por um João, um Pedro, um Simão, um Tiago, um André, um Filipe, um Bartolomeu, um Tomé, há pelo menos outras tantas vezes sete Judas. E mais, mais ainda!

Palavras-chave

EMF 83.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Quando irás ao meu amigo?

– Amanhã, Simão. Com prazer, porque Eu e tu estaremos sós. Acho que ele é um homem culto e experiente como tu.

– Um grande sofredor… no corpo, e ainda mais no coração. Mestre… queria pedir-te uma coisa: se ele não te falar de suas tristezas, não lhe faças perguntas sobre sua casa.

– Não as farei. Eu procuro quem está sofrendo, mas não forço as confidências. O choro tem o seu pudor….

– Eu não Te respeitei… Fiquei com tanta pena de Ti…

– Tu és meu amigo, e já tinhas dado um nome à minha dor. Para o teu amigo Eu sou o Rabi desconhecido. Quando ele me conhecer… aí então… Agora vamos! A noite já chegou. Não façamos que os hóspedes fiquem esperando, pois estão cansados. Amanhã, ao romper do dia, iremos para Betânia.

Palavras-chave

EMF 83.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Oh! Como verdadeiramente Eu sou Homem entre os homens. Sou o Homem. Por isso, sofro, ao ver o traidor e os ingratos. Por isso Eu me alegrava com quem me amava, ou a Mim se convertia. Por isso Eu fremo e choro, diante do cadáver espiritual que é Judas. Fremo e choro como diante de um amigo falecido. Mas sabia que o teria chamado à vida, e alegrava-me, ao vê-lo já com o seu espírito no Limbo. Aqui… tenho pela frente o demônio. Não digo mais nada.

Palavras-chave

EMF 84

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus chega a Betânia. É o seu primeiro encontro com Lázaro. Lázaro confirma rapidamente que tem fé em Cristo: acredita que ele é o Messias. Um pouco mais tarde, os três homens estão a comer: Lázaro diz a Simão que a sua casa foi comprada por um anónimo (Mateus). O zelote só queria que o seu velho criado pudesse ficar em sua casa, e o comprador concordou. Lázaro pergunta então ao Mestre se usa palavras duras ou palavras de misericórdia, e Jesus responde que usa o amor. Menciona brevemente o Olimpo e as areias movediças que prendem os culpados, mas uma palavra de amor pode ajudá-los a sair. Lázaro fala então das suas leituras, porque lê obras gregas e romanas para as comparar com os seus livros judaicos e ver nelas a Doutrina de Deus. Jesus diz que não há mal nenhum em ler os seus livros, desde que a ideia de Deus não seja alterada nele. Ele recorda-nos que todas as acções não são pecaminosas se agirmos de forma santa.

Palavras-chave

EMF 84.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus e Simão caminham, ao longo de uma estradinha, que se afasta da estrada principal, fazendo um V. Estão dirigindo-se a magníficos pomares e campos de linho da altura de um homem, já quase no ponto da ceifa. Outros campos, mais distantes, mostram somente a vermelho das papoulas, entre o amarelo dos restolhos.

– Já estamos nas propriedades do meu amigo. Vê, Mestre, que a distância estava dentro da prescrição da Lei. Nunca me permitiria enganar-te. Atrás daquele pomar está a cerca do jardim, e dentro dela está a casa. Eu te fiz vir por este atalho, justamente para não sair da distância permitida.

– O teu amigo é muito rico!

– Muito. Mas não é feliz. A sua casa tem propriedades também em outros lugares.

– Ele é fariseu?

– O pai dele não o era. Ele… é muito observador. Como eu te disse: um verdadeiro israelita.

Caminham ainda um pouco. Eis um muro alto; depois, plantas e mais plantas, no meio das quais mal aparece a casa. O terreno tem aqui uma pequena elevação, que não impedem, porém aos olhos penetrarem no jardim, tão vasto, que nós o chamaremos de parque.

Contornam o canto. O muro continua na mesma altura, deixando cair lá de cima uns ramos emaranhados de roseiras e jasmineiros perfumados, lindos em suas corolas orvalhadas.

84.2 Eis a cancela pesada de ferro trabalhado. Simão bate com a pesada aldrava de bronze.

– A hora é muito matutina para entrar, Simão –diz Jesus.

– Oh! O meu amigo se levanta ao nascer do sol, não encontrando conforto senão em seu jardim e em seus livros. Para ele a noite é um tormento. Não tardes, Mestre, em comunicar-lhe tua alegria.

Um servo abre a cancela.

– Aseu, eu te saúdo. Diz ao teu patrão que Simão, o Zelote, veio com o Amigo dele.

O servo parte correndo, depois de tê-los feito entrar, dizendo:

– O vosso servo vos saúda. Entrai, a casa de Lázaro está aberta para os amigos.

Simão, conhecedor do lugar, não se dirige à alameda central, mas a uma vereda que, entre sebes de roseiras, vai até uma pérgula de jasmineiros.

De fato, é dali que pouco depois aproxima-se Lázaro. Magro e pálido, como sempre o tenho visto, alto, com os cabelos curtos, não bastos nem cacheados, com uma barba rala e somente sobre a parte inferior do queixo. Está vestido com um linho muito alvo e caminha com dificuldade, como quem tem problema nas pernas.

Quando vê Simão, faz um gesto de afetuosa saudação e depois, como pode, corre até Jesus, cai de joelhos, curvando-se até o solo para beijar a orla da Sua veste, dizendo:

– Eu não sou digno de tanta honra. Mas, visto que a tua santidade se humilha em aproximar-se da minha miséria, vem, meu Senhor, entra, e sê dono da minha pobre casa.

– Levanta-te, amigo. E recebe a minha paz.

Lázaro se levanta e beija as mãos de Jesus, olhando para Ele com uma veneração não destituída de curiosidade. Caminham rumo a casa.

– Quanto te esperei, Mestre! Cada madrugada, eu dizia: “Hoje Ele virá”, e cada tarde eu dizia: “Hoje também não o vi!”

– Por que é que me esperavas com tanta ânsia?

– Porque…

84.3 que nós de Israel esperamos senão a Ti?

– E tu crês que Eu seja o Esperado?

– Simão nunca mentiu, nem é um rapazinho que se exalte por nuvens de mentiras. A idade e a dor o tornaram maduro como um sábio. Além disso… ainda que ele não te houvesse conhecido pela verdade do teu Ser, as tuas obras falariam, e te teriam proclamado “Santo”. Quem faz as obras de Deus, deve ser homem de Deus. E Tu as fazes. E as fazes de um modo que nos diz quanto Tu és o Homem de Deus. Ele, o meu amigo, foi a Ti por teres a fama de operar milagres, e recebeu de Ti o milagre. E estou sabendo que o teu caminho está marcado por outros milagres. Por que, então, não crer que Tu és o Esperado? Oh! É tão doce crer o que é bom!

Palavras-chave

EMF 84.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

84.1 Uma aurora muito clara de verão. Mais que aurora, já é a infância do dia, porque o sol já passou a linha do horizonte, e sobe cada vez mais risonho para a terra sorridente. Não há caule que não sorria, com o brilho do orvalho. Parece que os astros noturnos tenham-se pulverizado, tornando-se ouro e gema por todos os caules, todas as folhas, e até pelas pedras espalhadas no chão, cujas lasquinhas de silício, molhadas pelo orvalho, parecem pó de diamante ou de ouro. Jesus e Simão caminham, ao longo de uma estradinha, que se afasta da estrada principal, fazendo um V. Estão dirigindo-se a magníficos pomares e campos de linho da altura de um homem, já quase no ponto da ceifa. Outros campos, mais distantes, mostram somente a vermelho das papoulas, entre o amarelo dos restolhos.

– Já estamos nas propriedades do meu amigo. Vê, Mestre, que a distância estava dentro da prescrição da Lei. Nunca me permitiria enganar-te. Atrás daquele pomar está a cerca do jardim, e dentro dela está a casa. Eu te fiz vir por este atalho, justamente para não sair da distância permitida.

– O teu amigo é muito rico!

– Muito. Mas não é feliz. A sua casa tem propriedades também em outros lugares.

– Ele é fariseu?

– O pai dele não o era. Ele… é muito observador. Como eu te disse: um verdadeiro israelita.

Caminham ainda um pouco. Eis um muro alto; depois, plantas e mais plantas, no meio das quais mal aparece a casa. O terreno tem aqui uma pequena elevação, que não impedem, porém aos olhos penetrarem no jardim, tão vasto, que nós o chamaremos de parque.

Contornam o canto. O muro continua na mesma altura, deixando cair lá de cima uns ramos emaranhados de roseiras e jasmineiros perfumados, lindos em suas corolas orvalhadas.

84.2 Eis a cancela pesada de ferro trabalhado. Simão bate com a pesada aldrava de bronze.

– A hora é muito matutina para entrar, Simão –diz Jesus.

– Oh! O meu amigo se levanta ao nascer do sol, não encontrando conforto senão em seu jardim e em seus livros. Para ele a noite é um tormento. Não tardes, Mestre, em comunicar-lhe tua alegria.

Um servo abre a cancela.

– Aseu, eu te saúdo. Diz ao teu patrão que Simão, o Zelote, veio com o Amigo dele.

O servo parte correndo, depois de tê-los feito entrar, dizendo:

– O vosso servo vos saúda. Entrai, a casa de Lázaro está aberta para os amigos.

Simão, conhecedor do lugar, não se dirige à alameda central, mas a uma vereda que, entre sebes de roseiras, vai até uma pérgula de jasmineiros.

De fato, é dali que pouco depois aproxima-se Lázaro. Magro e pálido, como sempre o tenho visto, alto, com os cabelos curtos, não bastos nem cacheados, com uma barba rala e somente sobre a parte inferior do queixo. Está vestido com um linho muito alvo e caminha com dificuldade, como quem tem problema nas pernas.

Quando vê Simão, faz um gesto de afetuosa saudação e depois, como pode, corre até Jesus, cai de joelhos, curvando-se até o solo para beijar a orla da Sua veste, dizendo:

– Eu não sou digno de tanta honra. Mas, visto que a tua santidade se humilha em aproximar-se da minha miséria, vem, meu Senhor, entra, e sê dono da minha pobre casa.

– Levanta-te, amigo. E recebe a minha paz.

Lázaro se levanta e beija as mãos de Jesus, olhando para Ele com uma veneração não destituída de curiosidade. Caminham rumo a casa.

– Quanto te esperei, Mestre! Cada madrugada, eu dizia: “Hoje Ele virá”, e cada tarde eu dizia: “Hoje também não o vi!”

– Por que é que me esperavas com tanta ânsia?

– Porque…

84.3 que nós de Israel esperamos senão a Ti?

– E tu crês que Eu seja o Esperado?

– Simão nunca mentiu, nem é um rapazinho que se exalte por nuvens de mentiras. A idade e a dor o tornaram maduro como um sábio. Além disso… ainda que ele não te houvesse conhecido pela verdade do teu Ser, as tuas obras falariam, e te teriam proclamado “Santo”. Quem faz as obras de Deus, deve ser homem de Deus. E Tu as fazes. E as fazes de um modo que nos diz quanto Tu és o Homem de Deus. Ele, o meu amigo, foi a Ti por teres a fama de operar milagres, e recebeu de Ti o milagre. E estou sabendo que o teu caminho está marcado por outros milagres. Por que, então, não crer que Tu és o Esperado? Oh! É tão doce crer o que é bom! Em tantas coisas não boas nós devemos fingir que cremos serem boas, por amor à paz, pela impossibilidade de poder mudá-las; há tantas palavras dissimuladas, que parecem adulações, elogios, benignidade, e ao invés, são sarcasmo, censura, veneno coberto de mel, e devemos mostrar que cremos nelas, mesmo sabendo que são veneno, censura e sarcasmo… Devemos fazê-lo porque… Não se pode fazer de outro modo. Somos fracos diante de todo um mundo que é forte, e estamos sozinhos diante de todo um mundo que nos é inimigo… Por que, então termos dificuldade em crer no que é bom? Afinal, os tempos estão maduros, e os sinais dos tempos aí estão. Quanto ainda poderá faltar para tornar grande o nosso crer, e livre de toda dúvida, supre-o a nossa vontade de crer e de aplacar o coração na certeza de que a espera terminou e que o Redentor já está aqui, e que aqui está o Messias… Aquele que dará a paz a Israel e aos filhos de Israel, Aquele que… nos permitirá morrer sem ânsias, pois saberemos que já estamos remidos, e viver sem aquele aguilhão de saudade de nossos mortos… Oh! Os mortos! Por que haveremos de continuar chorando-os, senão porque, não tendo mais os filhos, não têm ainda o Pai, que é Deus?

– Há muito tempo que morreu teu pai?

– Há três anos, e há sete que morreu minha mãe… Mas já faz algum tempo que não os choro mais… Eu também queria estar onde espero que eles estejam, esperando o céu.

– Não terias então o Messias como teu hóspede.

– É verdade. Agora eu sou mais do que eles, porque te tenho comigo… e meu coração se acalma com esta alegria.

84.4 Entra, Mestre! Dá-me a honra de fazer da minha casa a tua. Hoje é sábado, e não posso prestar-te as devidas honras, convidando os amigos…

– Eu não o desejo. Hoje Eu sou todo para o amigo de Simão e meu.

Entram em uma bela sala, onde os servos estão prontos para recebê-los.

– Peço-vos que os acompanheis –diz Lázaro–. Podereis refrescar-vos, antes da refeição da manhã.

E, enquanto Jesus e Simão vão a um outro lugar, Lázaro dá ordens aos servos. Compreendo que a casa é rica, e além de rica, senhoril…

… Jesus bebe leite que Lázaro faz questão de servir-lhe pessoalmente, antes de sentar-se para a refeição da manhã.

Vejo Lázaro virar-se para Simão e o ouço dizer-lhe:

– Encontrei o homem que está disposto a comprar os teus bens e pelo preço que o teu intendente deu como justo. Não tira nem uma dracma.

– Ele está disposto a observar as minhas cláusulas?

– Está disposto. Aceita tudo para poder ficar naquelas terras. E eu estou contente com isso, porque ao menos fico sabendo que vizinho é que eu vou ter. Porém, como tu não queres estar presente à venda, assim também ele quer continuar sendo um desconhecido para ti. Eu te peço que cedas a este seu desejo.

– Não vejo motivo para não fazê-lo. Tu, meu amigo, farás as minhas vezes. Tudo o que fizeres, estará bem feito. Para mim basta que o meu servo fiel não seja posto na rua… Mestre, eu vendo, e me julgo feliz por não ter mais nada que me ligue a qualquer coisa que não seja a de estar a teu serviço. Mas eu tenho um velho servo fiel, o único que ficou comigo, depois da minha desventura, e que, como eu já te disse, sempre me ajudou, quando eu vivia segregado, cuidando dos meus bens como se fossem dele, fazendo-os até passar, com a ajuda de Lázaro, como se fossem seus próprios, a fim de preservá-los para mim, para que eu pudesse me manter com eles. Não seria justo que eu o deixasse sem casa, agora que ele está velho. Determinei que uma pequena casa, na margem dos terrenos, fique de sua propriedade e que parte do total da venda seja-lhe entregue para o seu sustento no futuro. Os velhos, sabes, são como a hera. Tendo vivido sempre em um lugar, sofrem muito ao serem arrancados de lá. Lázaro o queria com ele, porque Lázaro é bom. Mas preferi fazer assim. O velho sofrerá menos…

– Tu também és bom, Simão.

84.5 Se todos fossem justos como tu, minha missão seria mais fácil –diz Jesus.

– Achas o mundo rebelde, Mestre? –pergunta Lázaro.

– O mundo?… Não. A força do mundo: satanás. Se ele não fôsse o dono dos corações, e não se conservasse de posse deles, Eu não encontraria resistência. Mas o Mal está contra o Bem, e Eu devo vencer o mal em cada um, para colocar no lugar dele o bem… mas nem todos querem…

– É verdade! Nem todos querem! Mestre, de que palavras usas com quem é culpado, para convertê-lo, persuadi-lo? Palavras de repreensão severa, como aquelas que enchem a história de Israel contra os culpados — e o último a usá-las é o precursor — ou palavras de piedade?

– Eu uso de amor e Misericórdia. Acredita, Lázaro, sobre quem caiu, tem mais poder um olhar de amor do que uma maldição.

– E se o amor for escarnecido?

– Assim mesmo, insistir. Insistir até o fim. Lázaro, conheces aquelas terras onde o chão traiçoeiro engole os incautos?

– Sim. Eu li, pois no meu estado leio muito, tanto por gosto, como para passar as longas horas de insônia já li sobre elas. Sei que há dessas terras na Síria e no Egito, e outras junto aos Caldeus. E sei que são como ventosas. Quando pegam alguém, o arrastam para si. Um romano diz que elas são bocas do inferno, habitadas por monstros pagãos. É verdade?

– Não é verdade. Elas não passam de formações especiais do solo terrestre. O Olimpo nada tem a ver com elas. Deixarão de crer no Olimpo, e elas continuarão a existir, o progresso do homem poderá apenas dar explicação mais verdadeira ao fato, mas não poderá eliminá-lo. Agora Eu te digo: como leste a respeito disso, terás também lido como é que se pode salvar a quem tiver caído nessas terras.

– Sim. Com uma corda lançada, amarrada num pau ou num ramo. Às vezes pouca coisa basta para dar ao que está afundando, aquele mínimo necessário para segurar-se, para ficar calmo, sem debater-se, à espera de maiores socorros.

– Pois bem. O culpado, o que está dominado, é como alguém arrastado pelo solo enganador, coberto de flores à superfície, mas por baixo é uma lama movediça. Acreditas tu que, se alguém soubesse o que significa ser minimamente possuído por satanás, ele consentiria? Mas não sabe… e depois… ou fica paralisado pelo espanto e pelo veneno do Mal, ou fica enlouquecido, e, para escapar do remorso de sua perdição, se debate, agarrando-se a uma outra lama, levantando pesadas ondas com seus movimentos imprudentes, o que sempre mais apressa o seu perecer. O amor é a corda, o fio, o ramo de que tu falas. É preciso insistir… insistir… até que o tenha agarrado… uma palavra… um perdão… um perdão maior do que a culpa, que sirva para impedir a descida e esperar o auxílio de Deus… Lázaro, tu conheces o poder do perdão? O perdão faz com que Deus ajude a quem socorre…

84.6 Tu lês muito?

– Muito. Não sei se faço bem. Mas a minha doença e… outras coisas me privaram de muitos prazeres do homem… Agora não tenho senão a paixão pelas flores e pelos livros… pelas árvores e também pelos cavalos… Sei que me criticam. Mas, posso eu andar a pé pelas minhas propriedades, neste estado (e descobre suas pernas grossas e enfaixadas), ou mesmo montado em uma mula? Eu preciso usar um carro veloz. Por isso passei a fazer uso de cavalos, e comecei a gostar deles. Mas, se Tu me dizes que isso é mal… vou tratar de vendê-los.

– Não, Lázaro. Não são estas coisas que corrompem e sim aquilo que perturba o espírito afastando-o de Deus.

– Aí está, Mestre. Isto é o que eu queria saber. Eu leio muito. Só tenho este conforto. Gosto de saber… no fundo, acho que é melhor saber do que fazer o mal… e que é melhor ler do que… fazer outras coisas. Mas eu não leio só os nossos livros. Gosto de conhecer também o mundo dos outros, Roma e Atenas me atraem. Agora eu sei quão grande é o mal que vem a Israel, ao se corromper com os Assírios e o Egito, e quanto mal nos fizeram os governos helenizantes. Não sei se um indivíduo poderia fazer o mal que Judá fez a si e a nós seus filhos. Mas Tu, que pensas? Quero que me ensines, Tu que não és um rabi, mas o Verbo sábio e divino.

Jesus o olha fixamente por alguns minutos, um olhar penetrante e, ao mesmo tempo, distante. Parece que Ele, transpassando o corpo opaco de Lázaro, esteja perscrutando o coração dele e, passando ainda além, veja quem sabe o que… Finalmente fala:

– As coisas que lês não te perturbam? Não te afastam de Deus e de sua Lei?

– Não, Mestre. Ao contrário, levam-me a fazer confrontos entre a nossa verdade e a falsidade pagã. Eu comparo e medito as glórias de Israel, os seus justos, os patriarcas, os profetas, com as indecorosas figuras das histórias de outros povos. Comparo a nossa filosofia, se é que assim se pode chamar a sabedoria dos textos sagrados, com a pobre filosofia grega e romana, nas quais há centelhas de fogo, mas não a chama viva e firme, que arde e brilha nos livros dos nossos sábios. E depois, ainda com maior veneração, eu me inclino com o espírito para adorar o nosso Deus que fala em Israel, através de atos, pessoas e escritos nossos.

– Então, continua a ler… Isto te servirá para conheceres o mundo pagão. Continua. Podes continuar. Em ti não há o fermento do mal e da gangrena espiritual. Por isso, podes ler, sem medo. O amor verdadeiro que tens ao teu Deus esteriliza os germes profanos que a leitura poderia disseminar em ti. Em todas as ações do homem há possibilidade de bem ou de mal, durante seu decorrer. Amar não é pecado, se se ama santamente. Trabalhar não é pecado, se se trabalha com justiça. Ganhar não é pecado, para quem se contenta com o que é honesto. Instruir-se não é pecado se, pela instrução, não se mata em nós a ideia de Deus. Enquanto que pode ser pecado até servir o altar, se alguém o faz, buscando suas próprias vantagens. Estás persuadido disto, Lázaro?

– Sim, Mestre. Eu já havia dito isso a outros que acabaram me desprezando… Mas Tu me dás luz e paz. Oh! Se todos te ouvissem!… Vem, Mestre. Entre os jasmineiros há brisa e silêncio. Doce é repousar, esperando a tarde por debaixo de suas frescas sombras.

Saem, e tudo tem fim.

Palavras-chave

EMF 84.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Lázaro é] Magro e pálido, como sempre o tenho visto, alto, com os cabelos curtos, não bastos nem cacheados, com uma barba rala e somente sobre a parte inferior do queixo. Está vestido com um linho muito alvo e caminha com dificuldade, como quem tem problema nas pernas.

Palavras-chave

EMF 84.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus bebe leite que Lázaro faz questão de servir-lhe pessoalmente, antes de sentar-se para a refeição da manhã.

Vejo Lázaro virar-se para Simão e o ouço dizer-lhe:

– Encontrei o homem que está disposto a comprar os teus bens e pelo preço que o teu intendente deu como justo. Não tira nem uma dracma.

– Ele está disposto a observar as minhas cláusulas?

– Está disposto. Aceita tudo para poder ficar naquelas terras. E eu estou contente com isso, porque ao menos fico sabendo que vizinho é que eu vou ter. Porém, como tu não queres estar presente à venda, assim também ele quer continuar sendo um desconhecido para ti. Eu te peço que cedas a este seu desejo.

– Não vejo motivo para não fazê-lo. Tu, meu amigo, farás as minhas vezes. Tudo o que fizeres, estará bem feito. Para mim basta que o meu servo fiel não seja posto na rua… Mestre, eu vendo, e me julgo feliz por não ter mais nada que me ligue a qualquer coisa que não seja a de estar a teu serviço. Mas eu tenho um velho servo fiel, o único que ficou comigo, depois da minha desventura, e que, como eu já te disse, sempre me ajudou, quando eu vivia segregado, cuidando dos meus bens como se fossem dele, fazendo-os até passar, com a ajuda de Lázaro, como se fossem seus próprios, a fim de preservá-los para mim, para que eu pudesse me manter com eles. Não seria justo que eu o deixasse sem casa, agora que ele está velho. Determinei que uma pequena casa, na margem dos terrenos, fique de sua propriedade e que parte do total da venda seja-lhe entregue para o seu sustento no futuro. Os velhos, sabes, são como a hera. Tendo vivido sempre em um lugar, sofrem muito ao serem arrancados de lá. Lázaro o queria com ele, porque Lázaro é bom. Mas preferi fazer assim. O velho sofrerá menos…

– Tu também és bom, Simão.

84.5 Se todos fossem justos como tu, minha missão seria mais fácil –diz Jesus.

Palavras-chave

EMF 85

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus subiu ao Templo de Jerusalém com Simão, o Zelota, para rezar ao Pai. Não tinha qualquer intenção de lá pregar. Ligeira referência aos pastores de Belém. Jesus planeia o que vão fazer: ir ver Jonas, ir a Nazaré e depois a Cafarnaum. Vão também encontrar-se com os outros discípulos. Falam da alma, depois da bela Galileia, de Nazaré e de Maria. Judas prega aos homens no Templo. Simão arrepende-se de ter pensado mal dele em EMV 83. Os dois homens vão então encontrar-se com João no Olival, no Getsémani. Aí ele encontra a mãe de Anália, Elisa, e encoraja-a a vir ver Jesus, porque a sua filha estava muito doente.

Palavras-chave