Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

PĂĄgina 9 de 198

Conforto de leitura

EMF 17.13-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A alegria brotou-me do coração, como um pedĂșnculo de roseira florida. Mas esta viu-se bem depressa ornada com agudos espinhos, apertada no emaranhado da dor, como aqueles ramos que ficam enrolados por alguma trepadeira. A dor pela dor do esposo: eis a angĂșstia na minha alegria. A dor pela dor do meu Filho: eis o espinho na minha alegria.

Eva quis o gozo, o triunfo, a liberdade. Eu aceitei a dor, o aniquilamento, a escravidĂŁo. Renunciei Ă  minha vida tranqĂŒila, ao amor do meu esposo, Ă  minha prĂłpria liberdade. NĂŁo conservei nada para mim. Fiz-me a serva de Deus na carne, na moral, no espĂ­rito, confiando-me a Ele, nĂŁo sĂł para a concepção virginal, mas para a defesa de minha honra, para a consolação do esposo, para o meio com o qual ele pudesse entender a purificação do matrimĂŽnio, de tal modo a fazer de nĂłs dois os que haveriam de restituir a dignidade perdida ao homem e Ă  mulher.

17.14

Abracei a vontade do Senhor, por mim mesma, pelo esposo e por meu Filho. Eu disse “sim” pelos trĂȘs, certa de que Deus nĂŁo teria faltado com sua palavra, quando prometeu me socorrer na minha­ dor de esposa, que estĂĄ sendo julgada culpada, de mĂŁe que gera um Filho para entregĂĄ-Lo Ă  dor.

Eu disse sim, e basta. Aquele “sim” anulou o “nĂŁo” de Eva ao mandamento de Deus. “Sim, Senhor, como quiseres. Conhecerei o que Tu queres. Viverei como Tu queres. Alegrar-me-ei, se Tu quiseres. Sofrerei o que Tu quiseres. Sim, sempre sim, meu Senhor, desde o momento em que o Teu raio me fez mĂŁe, atĂ© o momento em que me chamaste para Ti. Sempre sim. Todas as vozes da carne, todas as paixĂ”es da moral, sob o peso deste meu perpĂ©tuo sim. Acima, como num pedestal de diamante, o meu espĂ­rito, ao qual faltam asas para voar a Ti, mas que Ă© senhor de todo o eu domado, servo teu. Serva na alegria, serva na dor. Sorri, Ăł meu Deus! SĂȘ feliz! A culpa foi vencida, excluĂ­da, destruĂ­da. Ela, agora sob o meu calcanhar, estĂĄ lavada em meu pranto, destruĂ­da pela minha obediĂȘncia. De meu ventre nascerĂĄ a ĂĄrvore nova, que hĂĄ de ter em si o Fruto, que conhecerĂĄ todo o Mal, por tĂȘ-lo padecido em Si, e que doarĂĄ todo o Bem. Os homens poderĂŁo ir a Ele. Eu me darei por feliz, se eles colherem desse fruto, ainda que nĂŁo se lembrem que este fruto estĂĄ nascendo de mim. Contanto que o homem se salve, e que Deus seja amado, que se faça desta tua serva o que se faz do solo sobre o qual surge uma ĂĄrvore: um degrau para subir.”

17.15

Maria, Ă© preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, nĂŁo faz mal. Contanto que consigam chegar Ă  Cruz. É a nova ĂĄrvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que Ă© um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta ĂĄrvore tambĂ©m tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pĂ©s dos homens, contanto que o nĂșmero dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus nĂŁo seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a HĂłstia santa e, aos pĂ©s da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, Ăł Pai, a HĂłstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nĂłs, Ăł Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dĂĄ-nos a tua bĂȘnção.”

Palavras-chave

EMF 17.13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.13 Eu percorri, de modo regressivo, os caminhos daqueles dois pecadores. Obedeci. Obedeci de todos os modos. Deus me pediu que eu permanecesse virgem. Eu obedeci. Tendo amado a virgindade, que me tornava pura como a primeira das mulheres, antes de conhecer satanás, Deus me pediu que fosse esposa. Eu obedeci, colocando o matrimînio naquele primeiro grau de pureza conforme o pensamento de Deus, quando criou o primeiro homem e mulher. Convicta de que estava destinada à solidão no matrimînio, a ser desprezada pelos outros, pela minha esterilidade voluntária, Deus me pedia para me tornar mãe. Eu obedeci. Eu acreditei que seria possível e que aquela palavra tinha vindo de Deus, pois, ao ouvi-la, difundiu-se em mim uma grande paz. Não fiquei pensando: “Eu mereci isto.” Não fiquei dizendo a mim mesma: “Agora, o mundo vai me admirar, pois sou semelhante a Deus, criando a carne de Deus.” Não. Eu me aniquilei na humildade.

Detalhe

Maria descreve a desobediĂȘncia de AdĂŁo e Eva. Depois declara:

Palavras-chave

EMF 17.15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria, Ă© preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, nĂŁo faz mal. Contanto que consigam chegar Ă  Cruz. É a nova ĂĄrvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que Ă© um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta ĂĄrvore tambĂ©m tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pĂ©s dos homens, contanto que o nĂșmero dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus nĂŁo seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a HĂłstia santa e, aos pĂ©s da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, Ăł Pai, a HĂłstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nĂłs, Ăł Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dĂĄ-nos a tua bĂȘnção.”

Palavras-chave

EMF 17.16-21

O Evangelho como me foi revelado

Citação

17.16 Jesus diz:

– A palavra de minha mĂŁe deveria dissipar toda e qualquer titubeação de pensamento, atĂ© mesmo dos mais bloqueados com relação Ă s fĂłrmulas.

[
].

Eu chamei antes de “árvore metafĂłrica.” Agora vou chamar de “árvore simbĂłlica.” Talvez compreendais melhor. O sĂ­mbolo Ă© claro: assim como os dois filhos de Deus procederam a respeito desta ĂĄrvore, se entende como estava neles a tendĂȘncia para o Bem ou para o Mal. Como a ĂĄgua rĂ©gia prova o ouro, a balança do ourives pesa os quilates de ouro, aquela ĂĄrvore tinha assumido uma “missĂŁo” pela ordem de Deus a seu respeito, dando a medida de pureza do metal que era AdĂŁo e Eva.

17.17 Estou já ouvindo a vossa objeção: “Não foi rigorosa demais a condenação, e pueril o meio usado para condená-los?”

NĂŁo foi. Uma vossa desobediĂȘncia hoje, que sois os herdeiros de AdĂŁo e Eva, Ă© menos grave do que a deles. VĂłs fostes redimidos por Mim. Mas o veneno de satanĂĄs continua sempre pronto a se reerguer, como certas doenças que nunca saem totalmente do sangue. Os dois progenitores eram possuidores da graça, sem nunca terem sido nem tocados pela desgraça. Por isso eram mais fortes, mais amparados pela graça, que gerava neles inocĂȘncia e amor. O dom que Deus lhes havia dado era infinito. A queda deles, portanto, foi bem mais grave, nĂŁo obstante aquele dom.

17.18 O fruto oferecido e comido tambĂ©m Ă© simbĂłlico. Era o fruto de uma experiĂȘncia que se quis fazer contra a ordem de Deus, por instigação satĂąnica. Eu nĂŁo havia proibido o amor aos homens. Queria unicamente que se amassem sem malĂ­cia; como Eu os amava com a minha santidade. Eles deviam amar-se na santidade de afetos, sem sujarem-se com a luxĂșria.

17.19 NĂŁo se hĂĄ de esquecer que a graça Ă© luz e quem a possui conhece o que Ă© Ăștil e bom. Aquela que Ă© cheia de graça conheceu tudo, porque a Sabedoria a instruĂ­a. A sabedoria Ă© graça, e ela soube guiar-se santamente. Eva conhecia o que lhe era bom conhecer. NĂŁo mais do que isso, porque Ă© inĂștil conhecer o que nĂŁo Ă© bom. NĂŁo teve fĂ© nas palavras de Deus e nĂŁo foi fiel Ă  sua promessa de obediĂȘncia. Acreditou em satanĂĄs, infringiu a promessa, quis saber o que nĂŁo Ă© bom e o amou sem remorso, fazendo com que o amor, que Eu lhe tinha dado como algo santo, se corrompesse, se aviltasse. Anjo decaĂ­do, rolou na lama e no esterco, enquanto poderia cor­rer feliz entre as flores do ParaĂ­so terrestre, vendo florescer a prole ao redor de si, assim como uma ĂĄrvore que se cobre de flores, sem precisar curvar sua copa sobre o brejo.

17.20 Não fiqueis como os meninos tolos de que Eu falo no Evangelho os quais ouviram cantar, e taparam os ouvidos, ouviram tocar e não dançaram, ouviram chorar, e quiseram rir. Não sejais mesquinhos, não sejais negadores. Aceitai, aceitai a Luz sem malícia e teimosia, sem ironia e incredulidade. A respeito deste assunto, basta por enquanto.

17.21 Para fazer-vos compreender o quanto deveis ser gratos Àquele que morreu para elevar-vos ao cĂ©u e vencer a concupiscĂȘncia de satanĂĄs, neste tempo de preparação para a PĂĄscoa, Eu vos quis falar do primeiro elo da corrente com que o Verbo do Pai foi arrastado Ă  morte, do Cordeiro Divino no matadouro. Eu vos quis falar disso, porque agora noventa por cento entre vĂłs Ă© semelhante Ă  Eva, intoxicada pelo hĂĄlito, pela palavra de lĂșcifer, e nĂŁo viveis para amar-vos, mas para saciar-vos de sensualidade, nĂŁo viveis para o CĂ©u, mas para a lama, nĂŁo sois criaturas dotadas de alma e de razĂŁo, mas cĂŁes sem alma e sem razĂŁo. VĂłs jĂĄ matastes a alma; jĂĄ depravastes a razĂŁo. Em verdade, vos digo que os animais irracionais estĂŁo acima de vĂłs, na honestidade dos seus amores.

Detalhe

A parte em itålico é da edição de 1985. Não aparece na segunda edição.

Palavras-chave

EMF 18

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Maria anuncia a José a maternidade de Isabel e confia a Deus a tarefa de justificar a sua.

Data da visão e do ditado: Såbado, 25 de março de 1944 (festa da Anunciação).

CalendĂĄrio: Quarta-feira 21 de fevereiro AD -5

Local (mapa): Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia de Jesus

Resumo: Maria estĂĄ sozinha em sua casa, em NazarĂ©. É provavelmente a noite da Anunciação. Ela reza e depois come com muita simplicidade. JosĂ© chega depois de ela ter terminado e a sua mulher acolhe-o. Traz-lhe uvas e ovos que ela quer comer. Traz-lhe uvas e ovos, que quer dar a Maria. A Plenitude da Graça apercebe-se de que ele nĂŁo comeu e traz-lhe o que precisa: ele recusa apenas os ovos, que sĂŁo para Maria, e sĂł para ela. O patriarca da Sagrada FamĂ­lia come e conversa com ele. JosĂ© conta o seu dia e, depois, quando se faz silĂȘncio, Maria intervĂ©m para lhe dizer que a sua prima foi mĂŁe. JosĂ© fica surpreendido e pergunta-lhe como Ă© que ela soube. Depois, quando Maria responde, pede-lhe autorização para ir ter com Isabel. JosĂ© responde afirmativamente, mas pede-lhe que espere alguns dias, pois tem de ir a JerusalĂ©m. Assim, viajaram juntos para lĂĄ. Depois, JosĂ© regressou a casa, mas seria mais fĂĄcil para ele se a acompanhasse Ă  Cidade Santa. Maria agradeceu-lhe e, pouco depois, o futuro pai de Jesus partiu. Maria deixa-o partir, depois suspira e reza, sem dĂșvida por causa da dor de nĂŁo poder contar-lhe o seu segredo.

Maria faz entĂŁo um ditado a Maria e conta-lhe que, depois de ter voltado a si, durante o ĂȘxtase da Anunciação, o seu primeiro pensamento foi JosĂ©. JĂĄ nĂŁo sentia medo na presença do marido, mas como podia contar-lhe que era mĂŁe? Foi o EspĂ­rito Santo que a mandou calar, e o Todo-Santo levou Ă  perfeição a sua confiança de criatura. Ela abandona-se a Deus e experimenta a sua primeira dor de co-redentora. Ela recomenda-nos que deixemos que Deus defenda a nossa reputação...

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 18.1: Maria prepara-se para a refeição da noite. 18.2: JosĂ© chega. 18.3: Ela faz-lhe comer. 18.4: Conversam sobre tudo e sobre nada. 18.5: Maria vai ajudar Isabel quando ela estĂĄ grĂĄvida. 18.6: O casal separa-se. 18.7: O que devo dizer a JosĂ©? 18.8: Deixa que eu te justifique. 18.9: A minha primeira dor de Coredemptrix. 18.10: Confia a Deus o cuidado da tua reputação.

Palavras-chave

EMF 18.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.1 Aparece-me agora a casinha de NazarĂ©, onde estĂĄ Maria. Muito jovem, como quando o Anjo de Deus lhe apareceu, sua imagem faz minha alma encher-se do perfume virginal daquela morada e do perfume angĂ©lico, que ainda permanece no ambiente ventilado pelas asas douradas do anjo. É o perfume divino, que se concentrou em Maria, para lhe fazer mĂŁe, e que agora exala de sua pessoa.

Começa a entardecer, porque as sombras invadem o ambiente de onde viera tanta luz do Paraíso.

Maria, de joelhos junto de sua pequena cama, estå rezando com os braços cruzados sobre o peito, e com o rosto muito inclinado sobre a terra. Estå ainda vestida, como estava no momento da Anunciação. Tudo estå como naquele dia. O ramo florido ainda estå no vaso, e os móveis na mesma ordem. Somente a roca e o fuso estão encostados em um canto, a roca com sua estriga de linho, e o fuso com seu alvo fio enrolado.

Maria termina sua oração, e se levanta, com o rosto abrasado, como que em chamas. Sua boca sorri, mas o pranto deixa os seus olhos molhados. Ela pega a candeia e a acende, com a pederneira. Olha se tudo estå em ordem em seu pequeno aposento. Acerta a coberta da cama, que tinha saído do lugar. PÔe mais ågua no vaso do ramo florido, e o leva para fora, a fim de que tome o frescor da noite. Depois torna a entrar. Toma o bordado que estå dobrado sobre um móvel da prateleira com o candeeiro e sai, fechando a porta.

DĂĄ alguns passos pelo jardim e pelos lados da casa, depois entra no pequeno aposento, onde vi Jesus se despedindo dela. Reconheço bem o lugar, ainda que estejam faltando agora alguns mĂłveis que haverĂĄ naquele tempo. Maria desaparece, levando consigo o candeeiro para um outro pequeno quarto, e eu fico ali com a Ășnica companhia do trabalho que ela deixou sobre um canto da mesa. Ouço os passos ligeiros de Maria, que vai e vem, ouço o barulho de ĂĄgua, como o de quem estĂĄ lavando alguma coisa, depois o barulho de quem estĂĄ quebrando uns pequenos galhos, e compreendo que ela estĂĄ acendendo fogo com uns gravetos.

Depois, volta. Sai de novo para o pequeno jardim. Torna a entrar com algumas maçãs e verduras. PÔe as maçãs sobre a mesa em uma bandeja de metal que parece ser cobre burilado. Volta para a cozinha (certamente deve ser a cozinha). Agora a luz da lareira estå projetando-se alegre pela porta aberta, chegando até aqui dentro, e estå produzindo uma dança de sombras nas paredes.

Algum tempo depois, Maria volta, com um pãozinho escuro e uma tigela de leite quente. Ela se assenta, e vai molhando fatias de pão no leite, e come devagar. Depois, deixando a metade da tigela com leite, entra de novo na cozinha, voltando com as verduras sobre as quais derrama azeite, e as come com pão. Depois bebe o leite. Em seguida, apanha uma maçã e come. É uma ceia de menina.

Maria vai comendo e pensando, e tem algum pensamento que a estå fazendo sorrir. Levanta-se, corre o olhar pelas paredes, parecendo querer comunicar a elas um segredo. Mas, de vez em quando, fica séria, quase triste. Contudo, logo em seguida volta o seu sorriso.

Palavras-chave

EMF 18.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.2 Ouve-se bater Ă  porta. Maria se levanta e abre. JosĂ© entra. SaĂșdam-se. JosĂ© se assenta sobre um banco, em frente a Maria, do outro lado da mesa.

José é um belo homem, na plenitude dos seus trinta e cinco anos, quando muito. Seus cabelos castanho-escuros, e também sua barba da mesma cor, emolduram o seu rosto bastante regular, com dois doces olhos de um castanho quase preto. Ele tem a fronte espaçosa e lisa, nariz fino levemente aquilino, faces um tanto arredondadas, de cor morena não olivåceas, mas um pouco rosadas no centro. Ele não é muito alto. Mas é robusto e bem feito de corpo.

Antes de sentar-se, tirou o manto que Ă© uma peça inteira (Ă© o primeiro que vejo feito assim), presa Ă  altura da garganta por um alfinete, ou coisa semelhante, e tem um capuz. É de cor marrom clara, e parece ser de tecido impermeĂĄvel, lĂŁ nĂŁo trabalhada. Parece um daqueles mantos dos montanheses, prĂłprio para chuva.

18.3 Mas, antes mesmo de sentar-se, ele oferece a Maria dois ovos e um cacho de uvas, um pouco murchas, mas ainda bem conservadas. Ele sorri, dizendo:

– Trouxeram-me estas uvas de Caná. O centurião me deu os ovos, por um trabalho que eu fiz em seu car­ro. O carro estava com uma roda quebrada, e o carpinteiro dele está doente. Os ovos são frescos. Foram apanhados no ninho. Toma-os. Eles te farão bem.

– AmanhĂŁ os tomarei, JosĂ©. Acabei de comer agora mesmo.

– Mas a uva podes chupar. É boa. Doce como mel. Eu a trouxe com cuidado para não estragá-la. Chupa-as. Eu ainda tenho mais. Eu as trarei amanhã em um cestinho. Esta tarde eu não podia, porque estou vindo diretamente da casa do centurião.

– Então, não ceaste ainda?

– Não, mas não tem importñncia.

Maria se levanta logo, e vai para a cozinha, e volta com leite, azeitonas e queijo.

– Não tenho outra coisa –ela diz–. Toma um ovo.

José não quer. Os ovos são para ela. Ele come com gosto o seu pão com queijo e bebe o leite, que ainda estå morno. Depois aceita uma maçã. E termina a ceia.

Maria pega o seu bordado, depois de ter tirado as louças da mesa, e José a ajuda na cozinha, mesmo quando ela torna a sair. Estou ouvindo como ele se move, indo colocar cada coisa em seu lugar. Depois, atiça de novo o fogo, porque a noite vai ser fria. Quando volta, Maria lhe agradece.

18.4 Conversam um com o outro. José conta como passou aquele dia. Fala de seus pequenos sobrinhos. Interessa-se pelos trabalhos de Maria e por suas flores. Promete trazer-lhe umas flores muito bonitas que o centurião lhe prometeu.

– SĂŁo flores que nĂłs nĂŁo temos por aqui. Trouxeram-lhe de Roma. Ele me prometeu mudas. E, quando a lua for boa, eu as plantarei para ti. Elas tĂȘm belas cores e um cheiro muito agradĂĄvel. Eu as vi no verĂŁo passado, pois florescem no verĂŁo. VĂŁo te perfumar toda a casa. Depois, quando a lua for boa, podarei as plantas. Logo Ă© tempo para isso.

Maria sorri, e agradece. Ficam os dois em silĂȘncio. JosĂ© olha para a cabeça loira de Maria, que estĂĄ inclinada para o bordado. É um olhar­ de amor angelical. Pois, certamente, se um anjo amasse uma mulher com amor de esposo, seria assim que a olharia.

Palavras-chave