EMF 57.5
O Evangelho como me foi revelado
Citação
O meu Jesus faz bem tudo que faz.
Detalhe
diz Marie:
Notas do tema
EMF 57.5
O meu Jesus faz bem tudo que faz.
diz Marie:
EMF 58
Jesus estå em Cafarnaum: vai pescar com Pedro e André. João e Tiago estão no outro barco.
Pedro explica o seu trabalho a Cristo, que faz uma analogia com as almas. Explica que uma falta nĂŁo Ă© irreparĂĄvel em si mesma, mas que a acumulação de faltas pode tornar-se um hĂĄbito e atĂ© um vĂcio capital. Ă preciso estar sempre vigilante para nĂŁo cair em pecado.
SimĂŁo de Jonas pergunta se o Pai nĂŁo serĂĄ demasiado severo com ele, e Jesus assegura-lhe que nĂŁo serĂĄ demasiado severo com Pedro, o homem novo. TambĂ©m assegura a AndrĂ© o seu amor e fala de todos os discĂpulos que virĂŁo depois deles, mencionando o Reino dos CĂ©us e a pesca abundante que o Salvador farĂĄ. Encoraja tambĂ©m o seu apĂłstolo a nĂŁo ter ciĂșmes, porque todos tĂȘm um lugar no seu coração. Pedro fica comovido com as suas palavras; quanto a AndrĂ©, Jesus fala-lhe da sua morte abençoada.
Entretanto, JoĂŁo chega e revela que um cego veio para ser curado por Cristo. Jesus quer curĂĄ-lo imediatamente e, em resposta aos pensamentos de Pedro, que se entristece com a ideia de nĂŁo ter um bom partido, assegura-lhe a ajuda de Deus sempre que for caridoso.
Por fim, o Senhor cura o cego. E foi uma cura muito bonita.
EMF 58.3-4
58.3 Jesus interpela o seu apĂłstolo:
â Vai ser boa a pesca?
â O tempo estĂĄ favorĂĄvel. A ĂĄgua estĂĄ calma, e a lua vai ser clara. Os peixes emergirĂŁo das profundezas e a minha rede os arrastarĂĄ consigo.
â Iremos sozinhos?
â Oh! Mestre! Como queres que façamos, com este sistema de redes, se ficarmos sozinhos?
â Eu nunca pesquei e espero que tu me ensines.
Jesus vai descendo muito devagar em direção ao lago e påra à margem da areia grossa e pedregosa, junto ao barco.
â VĂȘ, Mestre: Ă© assim que se faz. Eu saio ao lado do barco de Tiago, filho de Zebedeu e vamos assim, um ao lado do outro atĂ© o ponto bom para a pesca. Depois se desce a rede. NĂłs costumamos segurar uma ponta. Tu a queres segurar, me disseste isto.
â Sim, se me disseres o que devo fazer.
â Oh! Basta tomar cuidado com a descida. Que a rede vĂĄ descendo devagar e sem fazer nĂłs. Devagar, porque estaremos em ĂĄreas de pesca e qualquer movimento muito brusco pode espantar os peixes. E sem nĂłs, para que a rede nĂŁo fique fechada, pois ela deve ir sendo aberta como uma bolsa, ou como um vĂ©u, se te agrada assim, que vai sendo enchida pelo vento. Depois, quando a rede jĂĄ foi toda descida, iremos remando devagar, ou iremos com a vela, conforme for necessĂĄrio, fazendo um semicĂrculo sobre o lago; quando o vibrar da estaca de segurança nos disser que a pesca foi boa, dirigiremos o barco para a terra e lĂĄ perto da beira içaremos a rede; nĂŁo antes, para nĂŁo nos arriscarmos a ver escapar a presa, nem depois para nĂŁo estragar os peixes nem as redes sobre as pedras. Neste ponto Ă© preciso ter olhos atentos porque os barcos devem estar muito prĂłximos para que de um se possa recolher a ponta da rede dada pelo outro, mas sem se bater para nĂŁo esmagar o saco cheio de peixes.
58.4 Eu confio em Ti, Mestre, pois este é o nosso pão. Olhos na rede, para que não se arrebente com as sacudidas. Os peixes defendem a sua liberdade com fortes golpes de cauda e se forem muitos⊠Tu entendes⊠São pequenos animais, mas reunidos em dez, em cem, em mil, tornam-se fortes como o Leviatã.
â Ă como acontece com as culpas, Pedro. Sendo a primeira, aindanĂŁo Ă© irreparĂĄvel. Mas, se alguĂ©m nĂŁo toma cuidado, nĂŁo limitando-se Ă quela, vai acumulando, acumulando⊠acabarĂĄ acontecendo que aquela pequena culpa, talvez uma simples omissĂŁo, uma simples fraqueza, vai se tornando sempre maior, passe a ser um hĂĄbito, e se transforme em um vĂcio capital. Ăs vezes, começa-se por um olhar concupiscente e se termina por um adultĂ©rio consumado. Ăs vezes, por uma falta de caridade de palavras contra um parente, acaba-se por uma violĂȘncia contra o prĂłximo. Ai de quem começa e deixa que as culpas aumentem de peso, por seu nĂșmero! Tornam-se perigosas e prepotentes como a prĂłpria Serpente infernal e arrastam para o abismo da Geena.
â Falas bem, Mestre⊠Mas, somos tĂŁo fracos!
â AdvertĂȘncia e oração para ser fortes e obter ajuda e uma firme vontade de nĂŁo pecar. Depois, uma grande confiança na amorosa justiça do Pai.
EMF 58.4
58.4 Eu confio em Ti, Mestre, pois este é o nosso pão. Olhos na rede, para que não se arrebente com as sacudidas. Os peixes defendem a sua liberdade com fortes golpes de cauda e se forem muitos⊠Tu entendes⊠São pequenos animais, mas reunidos em dez, em cem, em mil, tornam-se fortes como o Leviatã.
â Ă como acontece com as culpas, Pedro. Sendo a primeira, aindanĂŁo Ă© irreparĂĄvel. Mas, se alguĂ©m nĂŁo toma cuidado, nĂŁo limitando-se Ă quela, vai acumulando, acumulando⊠acabarĂĄ acontecendo que aquela pequena culpa, talvez uma simples omissĂŁo, uma simples fraqueza, vai se tornando sempre maior, passe a ser um hĂĄbito, e se transforme em um vĂcio capital. Ăs vezes, começa-se por um olhar concupiscente e se termina por um adultĂ©rio consumado. Ăs vezes, por uma falta de caridade de palavras contra um parente, acaba-se por uma violĂȘncia contra o prĂłximo. Ai de quem começa e deixa que as culpas aumentem de peso, por seu nĂșmero! Tornam-se perigosas e prepotentes como a prĂłpria Serpente infernal e arrastam para o abismo da Geena.
â Falas bem, Mestre⊠Mas, somos tĂŁo fracos!
â AdvertĂȘncia e oração para ser fortes e obter ajuda e uma firme vontade de nĂŁo pecar. Depois, uma grande confiança na amorosa justiça do Pai.
Pedro explica a Jesus como se peca, e Jesus aproveita a oportunidade para lhe dar uma lição sobre a culpa e o peso do pecado.
EMF 58.5
â Mas, sĂł nĂłs Ă© que seremos teus apĂłstolos?
â Ciumento, Pedro? NĂŁo. NĂŁo o sejas. Outros virĂŁo, e no meu coração haverĂĄ amor para todos. NĂŁo sejas avarento, Pedro. Tu ainda nĂŁo sabes Quem te ama. JĂĄ contaste alguma vez as estrelas? E as pedras do fundo deste lago? NĂŁo. NĂŁo poderias. Mas, menos ainda, irias poder contar as palpitaçÔes de amor de que Ă© capaz o meu coração. Pudeste alguma vez contar quantas vezes este mar beija a margem com o seu beijo de ondas no curso de doze luas? NĂŁo. NĂŁo poderias. Mas, menos ainda poderias contar as ondas de amor que deste coração se derramam para beijar os homens. Esteja certo, Pedro, do meu amor.
EMF 58.6-8
â SimĂŁo! AndrĂ©! Estou chegandoâŠ
JoĂŁo chega apressado:
â Oh! Mestre! Eu te fiz esperar?
JoĂŁo olha para Jesus com seu olhar amoroso.
Responde Pedro:
â Verdadeiramente, eu jĂĄ estava começando a pensar que nĂŁo viesses mais. Prepara logo o teu barco. E Tiago?âŠ
â AĂ estå⊠nĂłs ficamos atrasados por causa de um cego. Ele estava pensando que Jesus estivesse em nossa casa e foi para lĂĄ. EntĂŁo, nĂłs lhe dissemos: âEle estĂĄ em algum outro lugar. Talvez amanhĂŁ Ele te cure. Espera.â Mas ele nĂŁo queria esperar. Tiago lhe dizia: âTens esperado tanto a luz, que te custa esperar mais uma noite?â Mas ele nĂŁo quer saber de razĂ”esâŠ
â JoĂŁo, se tu fosses cego, nĂŁo terias pressa de rever a tua mĂŁe?
â Ah! Sem dĂșvida!
â E entĂŁo? Onde estĂĄ o cego?
â Ele vem vindo com o Tiago. EstĂĄ agarrado ao manto de Tiago e nĂŁo o solta. Mas vem vindo devagar, porque a margem Ă© pedregosa, ele tropeça⊠Mestre, me perdoas, por ter sido duro?
â Sim. Mas para compensar, vai ajudar o cego e o traz a Mim.
JoĂŁo vai correndo.
Pedro sacode um pouco a cabeça, mas se cala. Olha para o cĂ©u que começa a ficar azul depois de ter estado tanto tempo cor de cobre; olha para o lago, olha para os outros barcos que jĂĄ saĂram para a pesca e suspira.
â SimĂŁo?
â Mestre?
â NĂŁo tenhas medo. TerĂĄs uma pesca abundante, ainda que saias por Ășltimo.
â Desta vez tambĂ©m?
â Todas as vezes que tiveres caridade Deus usarĂĄ para contigo da graça de abundĂąncia.
58.7 â Eis o cego.
O pobre homem avança entre Tiago e João. Ele tem nas mãos um bastão, mas não estå servindo-se dele agora, pois acha mais seguro confiar nos dois.
â Pronto, homem! O Mestre estĂĄ na tua frente.
O cego se ajoelha:
â Meu Senhor, piedade!
â Queres ver? Levanta-te. Desde quando Ă©s cego?
Os quatro apĂłstolos se agrupam ao redor dos dois.
â Faz sete anos, Senhor. Antes, eu via bem e trabalhava. Eu era ferÂreiro em CesarĂ©ia MarĂtima e ganhava bem. O porto, os muitos negĂłcios, sempre precisavam de mim para trabalhos. Mas, ao bater um ferro de Ăąncora, e podes fazer idĂ©ia de como devia estar vermelho para se tornar macio ao golpe, soltou-se um estilhaço incandescente e me queimou um olho. Eu jĂĄ estava com os dois doentes por causa do calor da forja. Perdi o olho que foi atingido e o outro tambĂ©m se foi, trĂȘs meses depois. Acabei com minhas economias e agora vivo de caridadeâŠ
â Ăs sozinho?
â Tenho esposa e trĂȘs filhos pequenos⊠de um deles eu nem sei como Ă© o rosto⊠e tenho minha mĂŁe, jĂĄ idosa. Contudo, agora Ă© ela e minha mulher que ganham para um pouco de pĂŁo; com isto e com a esmola que eu ajunto, nĂŁo se morre de fome. Se me curasses!⊠Eu voltaria ao trabalho. NĂŁo desejo senĂŁo trabalhar, como um bom israelita e dar um pĂŁo Ă queles que eu amo.
â E vieste a Mim? Quem foi que te contou?
â Um leproso que Tu curaste aos pĂ©s do monte Tabor, quando ias de volta para o lago, depois daquele tĂŁo belo discurso.
â Que foi que ele te disse?
â Que Tu podes tudo. Que Ă©s a saĂșde dos corpos e das almas. Que Ă©s luz para as almas e para os corpos porque Ă©s a Luz de Deus. Ele, o leproso, havia ousado misturar-se com a multidĂŁo, correndo o risco de ser apedrejado, todo envolvido num manto, porque ele te havia visto passar dirigindo-se para o monte; o teu rosto tinha colocado em seu coração uma esperança. Ele me disse: âEu vi naquele rosto qualquer coisa que me disse: âAli estĂĄ a saĂșde. Vai!â E eu fui.â E assim me repetiu o teu discurso, dizendo-me que Tu o curaste, tocando-o com a tua mĂŁo sem repugnĂąncia. Ele estava voltando dos sacerdotes depois da purificação. Eu o conhecia, porque eu jĂĄ tinha trabalhado para ele, quando ele tinha uma loja em CesarĂ©ia. Eu vim perguntando por Ti pelas cidades e povoados. Agora Te achei⊠Tem piedade de mim!
58.8 â Vem. Ă bem viva ainda a luz para alguĂ©m que vem da escuridĂŁo.
â Vais curar-me, entĂŁo?
Jesus o guia em direção Ă casa da sogra de Pedro, Ă pouca luz que ainda hĂĄ no pequeno pomar e o pĂ”e Ă sua frente, mas de tal modo que os olhos, ao ficarem curados, nĂŁo fossem ter como primeira visĂŁo, o lago, ainda todo cheio de reflexos de luz. O homem parece um menino muito dĂłcil, deixa Jesus fazer como quer, sem lhe perguntar o porquĂȘ.
â Pai! A tua luz a este filho!
Jesus estendeu as mãos sobre a cabeça do homem que estå de joelhos. Ele fica assim por um instante. Depois Jesus molha as pontas dos dedos na saliva e, com a direita, toca-as de leve sobre os olhos abertos, mas sem vida.
Um instante. Em seguida, o homem move as pålpebras e as esfrega como quem sai do sono, mas estå ainda com uma névoa nos olhos.
â Que estĂĄs vendo?
â Oh! Oh!⊠oh, Deus eterno! Parece-me⊠parece-me⊠oh! que eu estou vendo⊠estou vendo a tua veste⊠é vermelha, nĂŁo Ă©? E uma mĂŁo branca⊠e uma cinta de lã⊠oh! bom Jesus⊠estou vendo cada vez melhor, vou-me acostumando a ver⊠Ali estĂĄ a erva do chĂŁo⊠aquilo certamente Ă© um poço, e ali estĂĄ uma videiraâŠ
â Levanta-te, amigo.
O homem, que chora e ri ao mesmo tempo, se levanta e, depois de um instante de luta entre o respeito e o desejo, ergue o rosto e encontra o olhar de Jesus. Um Jesus sorridente, cheio de piedade e de amor. Deve ser muito belo recuperar a vista e ver, como primeiro sol, aquele rosto! O homem då um grito e estende os braços. à um ato instintivo. Mas ele se refreia.
Mas é Jesus quem lhe abre os braços e atrai para Si o homem, que é muito mais baixo do que Ele.
â Vai agora para tua casa, sĂȘ feliz e justo. Vai com a minha paz.
â Mestre, Mestre! Senhor! Jesus! Santo! Bendito! A luz⊠Eu vejo⊠vejo tudo⊠Ali estĂĄ o lago azul e o cĂ©u sereno, e os Ășltimos raios de sol, e lĂĄ a primeira sombra da lua⊠Mas o azul mais belo e sereno eu o vejo nos teus olhos e em Ti vejo a beleza do sol mais verdadeiro, e resplandecer a pureza da mais santa lua. Astro dos doentes, Luz dos cegos, Piedade viva e operante!
â Luz dos espĂritos, Eu sou. SĂȘ tu um filho da Luz.
â Sempre, Jesus. A cada batida da minha pĂĄlpebra sobre a pupila renascida, eu renovarei este juramento. SĂȘ bendito Tu e o AltĂssimo!
â Bendito seja o AltĂssimo Pai! Vai!
E o homem vai feliz, andando com passos firmes, enquanto Jesus e os pasmados apóstolos, descem em dois barcos e começam a manobra da navegação.
E a visĂŁo termina.
Cura de um cego. Em 58.7, descreve-se outro milagre: um leproso foi curado por Jesus e foi este aleijado que encorajou o cego a ir ter com Jesus. De acordo com maria-valtorta.org, este Ă© o primeiro milagre anĂłnimo de Cristo, mas, como Jesus assinala em EMV 54.7, o milagre de CanĂĄ foi o seu primeiro prodĂgio.
EMF 58.8
â Luz dos espĂritos, Eu sou. SĂȘ tu um filho da Luz.
EMF 59
Jesus vem pregar na sinagoga de Cafarnaum. Jairo recebe-o e Jesus pede-lhe um pergaminho: o EspĂrito guiĂĄ-lo-ĂĄ. Jesus comenta entĂŁo o Livro de JosuĂ© e fala do Reino de Deus, da necessidade de nĂŁo pecar mais, de se arrepender e de se preparar para o CĂ©u e para a eternidade que hĂĄ-de vir. No fim do sermĂŁo, um homem contradiz Jesus e cita o segundo livro dos Macabeus. Jesus responde que ele estĂĄ a aplicar uma visĂŁo humana a essas palavras, enquanto o Senhor as interpreta de forma sobrenatural. Ele diz que, embora Deus tenha ferido o seu povo, amou profundamente Israel, enviando-lhe a salvação que Ă© o seu Messias.
O homem critica Cristo e duvida que ele seja o Redentor. Em resposta, Jesus evoca o Precursor e a pomba que desceu no seu batismo: afirma com toda a simplicidade que Ă© o Redentor prometido. Como o seu interlocutor tem dĂșvidas, manda chamar um homem endemoninhado, com quem nunca tinha falado. O demĂłnio fica agitado quando estĂĄ diante do Filho de Deus e afirma que ele Ă© o Santo de Deus. Jesus mandou-o calar e sair. O homem ficou curado e o demĂłnio, derrotado, foi-se embora, para escĂĄrnio da multidĂŁo.
Jesus faz vĂĄrios milagres fĂsicos e depois sai da sinagoga com dificuldade.
EMF 59.1
A paz esteja sobre todos os que procuram a Verdade!
EMF 59.1-8
59.1 Vejo a sinagoga de Cafarnaum. Ela jĂĄ estĂĄ cheia pela multidĂŁo que encontra-se em expectativa. Pessoas que estĂŁo Ă porta olham com freqĂŒĂȘncia para a praça ainda ensolarada, se bem que a tarde jĂĄ vem chegando.
Finalmente, ouve-se um grito:
â Eis o Rabi.
As pessoas viram-se todas para a porta, os mais baixos se levantam nas pontas dos pés, ou procuram lançar-se para a frente. Algumas discussÔes, alguns empurrÔes, não obstante as repreensÔes partidas dos encarregados da sinagoga e dos maiorais da cidade.
â A paz esteja sobre todos os que procuram a Verdade!
Jesus estĂĄ na entrada e saĂșda abençoando, com os braços estendidos para a frente. A luz bem forte que hĂĄ na praça cheia de sol faz com que sua figura alta se destaque, aureolando-a de luz. Jesus tirou sua veste branca ficando, como Ă© o costume, com outra azul escura. Ele avança entre a multidĂŁo, que se abre e se fecha ao redor Dele, como a onda ao redor de um navio.
59.2 â Eu estou doente, cura-me! âgeme um jovem, que pelo aspecto, me parece estar tuberculoso e que segura Jesus pela veste.
Jesus lhe pÔe a mão sobre a cabeça e diz:
â Confia. Deus te ouvirĂĄ. Deixa agora que Eu fale ao povo, depois virei a ti.
O jovem o deixa ir e fica quieto.
â Que foi que Ele te disse? âpergunta-lhe uma mulher que estĂĄ com um menino nos braços.
â Disse-me que depois de ter falado ao povo virĂĄ a mim.
â EntĂŁo, vai te curar?
â NĂŁo sei. Ele me disse: âConfia.â Eu espero.
â Que foi que Ele disse? Que foi que Ele disse?
A multidĂŁo quer saber. E a resposta de Jesus vai sendo comentada entre o povo.
â EntĂŁo, eu vou buscar o meu menino.
â E eu vou trazer aqui o meu velho pai.
â Oh! Se o Ageu quisesse vir! Eu vou tentar⊠mas ele nĂŁo virĂĄ.
59.3 Jesus chegou ao seu lugar. SaĂșda o chefe da sinagoga e Ă© saudado por ele. Ă um homenzinho baixo, gordo e de idade. Para falar a ele, Jesus precisa inclinar-se. Parece uma palmeira que se curva sobre um arbusto mais largo do que alto.
â Que queres que eu te dĂȘ? âpergunta o arqui-sinagogo.
â O que quiseres, ou melhor, o que apanhares. O EspĂrito te guiarĂĄ.
â Mas⊠estĂĄs preparado?
â Estou. DĂĄ-me um qualquer. Repito: O EspĂrito do Senhor guiarĂĄ a escolha para o bem deste povo.
O arqui-sinagogo estende a mĂŁo sobre a pilha dos rolos, tira um, abre-o, e pĂĄra num certo ponto.
â Este âdiz ele.
Jesus pega o rolo e lĂȘ o ponto indicado:
â JosuĂ©: âLevanta-te e santifica o povo, e diz a eles: âSantificai-vos para amanhĂŁ, porque diz o Senhor Deus de Israel, o anĂĄtema estĂĄ no meio de vĂłs, Ăł Israel; tu nĂŁo poderĂĄs estar Ă frente dos teus inimigos, enquanto nĂŁo for tirado do meio de ti quem se tiver contaminado com tal delitoâ.â
Ele pĂĄra, enrola o volume, e o entrega de volta.
A multidão estå muito atenta. Somente se ouve a voz de alguém que murmura:
â Vamos ouvir hoje das boas contra os inimigos!
â Ă o Rei de Israel, o Prometido, que reĂșne o seu povo!
59.4 Jesus estende os braços em seu costumeiro gesto oratĂłrio. O silĂȘncio se torna completo.
â Quem veio para santificar-vos se levantou. Ele saiu do segredo da casa onde se preparou para esta missĂŁo. Ele se purificou para dar-vos exemplo de purificação. Tomou sua posição frente aos poderosos do Templo e ao povo de Deus e agora estĂĄ entre vĂłs. Sou Eu. NĂŁo como alguns entre vĂłs pensam e esperam, com uma mente enevoada e com um fermento no coração. Mais alto e maior Ă© o Reino do qual Eu sou o futuro Rei e ao qual Eu vos chamo.
Eu vos chamo, Ăł vĂłs de Israel, antes de qualquer outro povo, porque vĂłs sois os que, nos pais dos pais, tiveram a promessa desta hora e aliança com o Senhor AltĂssimo. Mas nĂŁo serĂĄ com multidĂ”es armadas nem com ferocidades sangrentas que este Reino vai ser formado; e nele nĂŁo entrarĂŁo os violentos, nem os prepotentes, nem os soberbos, os iracundos, os invejosos, os luxuriosos, os avarentos, mas os bons, os mansos, os continentes, os misericordiosos, os humildes, os que tĂȘm amor ao prĂłximo e a Deus, os pacientes.
Israel! NĂŁo Ă© contra os inimigos de fora que Ă©s chamado a combater. Mas contra os inimigos de dentro. Contra aqueles que estĂŁo no coração de cada um de vĂłs. No coração de dezenas e dezenas de milhaÂres de filhos teus. Tirai o anĂĄtema do pecado de todos os vossos coraçÔes um por um, se quereis que amanhĂŁ Deus vos reĂșna e vos diga: âPovo meu, para ti o Reino que nĂŁo serĂĄ mais derrotado, nem invadido, nem emboscado pelos inimigos.â
AmanhĂŁ. Que amanhĂŁ Ă© este? Dentro de um ano ou de um mĂȘs? Oh! NĂŁo procureis. NĂŁo procureis, com uma sede doentia, saber o que estĂĄ para acontecer, usando para isso de meios que tĂȘm o sabor de uma culpĂĄvel feitiçaria. Deixai aos gentios o espĂrito pitĂŽnico. Deixai ao Deus eterno o segredo do seu tempo. VĂłs de amanhĂŁ, o amanhĂŁ que surgirĂĄ depois desta hora da tarde, e a que virĂĄ Ă noite, que surgirĂĄ com o canto do galo, vinde purificar-vos na verdadeira penitĂȘncia.
Arrependei-vos dos vossos pecados para serdes perdoados e preparados para o Reino. Tirai de vós o anåtema do pecado. Cada um tem o seu. Cada um tem aquele que é contrårio aos dez mandamentos de salvação eterna. Examinai-vos cada um com sinceridade e encontrareis o ponto em que errastes. Humildemente tende dele um arrependimento sincero. Tende a vontade de arrepender-vos. Não só com palavras. De Deus não se zomba e a Deus não se engana. Mas arrependei-vos com vontade firme, que vos leve a mudar de vida, a entrar de novo na Lei do Senhor. O Reino dos Céus vos espera. Amanhã.
AmanhĂŁ? Estais perguntando. Oh! Ă sempre um amanhĂŁ solĂcito a hora de Deus, ainda que ela chegue ao fim de uma vida longa como a dos Patriarcas. A eternidade nĂŁo tem por medida de tempo o correr lento da clepsidra. E aquelas medidas de tempo que vĂłs chamais dias, meses, anos, sĂ©culos, sĂŁo palpitaçÔes do EspĂrito eterno, que vos mantĂȘm vivos. Mas, vĂłs sois eternos em vosso espĂrito e deveis, para o vosso espĂrito, ter o mesmo mĂ©todo de medição do tempo que o vosso Criador tem. EntĂŁo, dizeis: âAmanhĂŁ serĂĄ o dia da minha morte.â AliĂĄs, nĂŁo morte para os fiĂ©is. Mas repouso de espera, Ă espera do Messias, que abrirĂĄ as portas do CĂ©u.
E, em verdade, vos digo que, entre os aqui presentes, só vinte e sete é que morrerão e deverão esperar. Os outros estarão jå julgados, antes da morte, e a morte serå sua passagem para Deus ou para Mamon, sem demora, porque o Messias jå veio, estå entre vós e vos chama para dar-vos a Boa Nova, para instruir-vos na Verdade e para salvar-vos no Céu.
Fazei penitĂȘncia! O âamanhĂŁâ do Reino dos CĂ©us Ă© iminente. Que ele vos encontre limpos, a fim de vos tornardes possuidores do dia eterno.
A paz esteja convosco.
59.5 Para contradizĂȘ-lo, levanta-se um empertigado e barbudo israelita. Ele diz:
â Mestre, tudo o que dizes me parece em contraste com tudo o que estĂĄ dito no segundo livro dos Macabeus, glĂłria de Israel. LĂĄ estĂĄ dito: âĂ de fato sinal de grande benevolĂȘncia nĂŁo permitir aos pecadores que fiquem andando por muito tempo atrĂĄs de seus caprichos, mas dar-lhes logo o castigo. O Senhor nĂŁo faz como as outras naçÔes, que as espera com paciĂȘncia, para puni-las quando chegar o dia do JuĂzo, quando estiver cheia a medida dos pecados.â Tu ao invĂ©s, falas como se o AltĂssimo pudesse ser muito lento em punir-nos, esperando-nos como os outros povos, no tempo do JuĂzo, quando estiver cheia a medida dos pecados. Verdadeiramente os fatos te desmentem. Israel estĂĄ punido, como diz o histĂłrico dos Macabeus. Mas, se fosse como dizes, nĂŁo hĂĄ uma divergĂȘncia entre a tua doutrina e a que estĂĄ encerrada na frase que eu te disse?
â Quem Ă©s, Eu nĂŁo sei. Mas, seja quem fores, Eu te respondo. NĂŁo hĂĄ divergĂȘncia na doutrina, mas no modo de interpretar as palavras. Tu as interpretas segundo o modo humano. Eu, segundo aquele do espĂrito. Tu, representante da maioria, vĂȘs tudo com referĂȘncias ao presente e ao transitĂłrio. Eu, representante de Deus, tudo explico, e aplico ao que Ă© eterno e sobrenatural. JavĂ© vos feriu sim, no presente, na soberba e na injustiça de ser um âpovoâ, segundo a terra. Mas, como vos tem amado e usado de paciĂȘncia para convosco, mais do que com todos os outros, concedendo-vos o Salvador, o seu Messias, para que o escuteis, e vos salveis, antes da hora da ira divina! NĂŁo quer mais que sejais pecadores. Mas, se no transitĂłrio Ele vos feriu, vendo que a ferida nĂŁo sara, mas ao contrĂĄrio, torna sempre mais obtuso o vosso espĂrito, eis que Ele vos manda, nĂŁo punição, mas salvação. Vos manda Aquele que vos cura e vos salva. Eu, que vos falo.
59.6 â NĂŁo achas que estĂĄs sendo ousado ao professar-te representante de Deus? Nenhum dos Profetas ousou tanto. E Tu⊠Quem Ă©s, Tu que estĂĄs falando? E com ordem de quem falas?
â Os Profetas nĂŁo podiam falar deles mesmos o que Eu de Mim mesmo falo. Quem sou Eu? Sou o Esperado, o Prometido, o Redentor. JĂĄ ouviste aquele que o precede dizer: âPreparai o caminho do SenhorÂ⊠Eis que o Senhor Deus vem⊠Como um pastor apascentarĂĄ o seu rebanho, sendo tambĂ©m o Cordeiro da verdadeira PĂĄscoa.â Entre vĂłs estĂŁo aqueles que ouviram do Precursor estas palavras, e viram o cĂ©u relampejar com uma luz que descia em forma de pomba, e ouviram uma voz que falava, dizendo quem Eu era. Por ordem de quem Eu falo? Daquele que Ă©, e que me envia.
â Tu podes estar dizendo isto, mas podes tambĂ©m ser um mentiroso, ou um iludido. As tuas palavras sĂŁo santas, mas Ă s vezes, SatanĂĄs tem palavras enganosas, tingidas de santidade, para induzir em erro. NĂłs nĂŁo te conhecemos.
â Eu sou Jesus de JosĂ©, da estirpe de Davi, nascido em BelĂ©m Efrata, segundo as promessas, chamado nazareno, porque minha casa Ă© em NazarĂ©. Isto segundo o mundo. Segundo Deus, sou o seu Enviado. Os meus discĂpulos sabem disso.
â Oh! Os teus discĂpulos! Eles podem falar o que quiserem e o que Tu os mandas dizer.
â Um outro falarĂĄ, um que nĂŁo me ama, e dirĂĄ quem Eu sou. Espera aĂ, que Eu vou chamar um dos que estĂŁo aqui presentes.
59.7 Jesus olha para a multidão, que estå espantada com esta discussão, irritada e dividida entre correntes opostas. Jesus olha para ela, procurando alguém com seus olhos de safira, e depois chama com voz forte:
â Ageu, vem para a frente. Eu te ordeno.
HĂĄ um grande murmĂșrio entre a multidĂŁo, que se abre, para deixar passar um homem, todo sacudido pelo tremor e sustentado por uma mulher.
â Conheces este homem?
â Sim. Ă o Ageu de Malaquias, aqui de Cafarnaum. Ă possuĂdo por um espĂrito mau, que o desatina em fĂșrias repentinas.
â Todos vĂłs o conheceis?
A multidĂŁo grita:
â Sim, sim.
â PoderĂĄ alguĂ©m aĂ dizer que ele jĂĄ esteve conversando Comigo, ainda que por poucos minutos?
A multidĂŁo grita:
â NĂŁo, nĂŁo, ele Ă© quase um idiota, e nĂŁo sai nunca de casa, e nunca ninguĂ©m te viu lĂĄ.
â Mulher, traze-o aqui diante de Mim.
A mulher o empurra e o arrasta, enquanto o pobre homem treme fortemente.
O arqui-sinagogo adverte a Jesus:
â Estai atento! O demĂŽnio vai atormentĂĄ-lo⊠e entĂŁo se arroja, arranha e morde.
A multidĂŁo abre caminho, comprimindo-se contra as paredes.
Agora os dois estĂŁo frente a frente. Ă um momento de luta. Parece que o homem, acostumado a ficar mudo, sente dificuldade para falar, e gane, mas depois sua voz toma a forma de palavras:
â Que hĂĄ entre nĂłs e Ti, Jesus de NazarĂ©? Por que vieste atormentar-nos? Por que vieste exterminar-nos, Tu, Senhor do CĂ©u e da terra? Eu sei quem Ă©s: o Santo de Deus. NinguĂ©m, na carne, foi maior do que Tu, porque em tua carne de homem estĂĄ encerrado o EspĂrito do eterno Vencedor. JĂĄ me venceste emâŠ
â Cala-te! Sai deste homem. Eu te ordeno!
O homem é tomado como que de um estranho paroxismo. Ele se agita aos arrancos, como se alguém o estivesse maltratando com empurrÔes e safanÔes, grita com uma voz desumana, espuma, em seguida é jogado ao chão, do qual depois se levanta assombrado e curado.
59.8 â Ouviste? Que respondes agora? âpergunta Jesus ao seu opositor.
O homem barbudo e empertigado encolhe os ombros e, vencido, vai-se embora sem responder. O povo zomba dele e aplaude a Jesus.
â SilĂȘncio. O lugar Ă© sagrado! âdiz Jesus, e depois ordenaâ: Venha a Mim o jovem a quem prometi a ajuda de Deus.
Aproxima-se o doente. Jesus o acaricia:
â Tiveste fĂ©! SĂȘ curado. Vai em paz e sĂȘ justo.
O jovem då um grito. Quem sabe o que estarå sentindo? Ele se prostra aos pés de Jesus e os beija, agradecendo:
â Obrigado por mim e por minha mĂŁe!
VĂȘm outros doentes: um menino com as perninhas paralisadas. Jesus o toma nos braços, o acaricia e o pĂ”e no chĂŁo⊠e o solta. E o menino nĂŁo cai, mas sai correndo ao encontro da mĂŁe que, chorando, o recebe sobre o seu coração e o bendiz com grande voz âo Santo de Israel.â Vem depois um velhinho cego guiado pela filha. TambĂ©m ele Ă© curado com uma carĂcia feita sobre as Ăłrbitas doentes.
A multidĂŁo se transforma num tumulto de bĂȘnçãos.
Jesus se afasta sorrindo e ainda que Ele seja alto, nĂŁo conseguiria abrir caminho entre a multidĂŁo se Pedro, Tiago, AndrĂ© e JoĂŁo nĂŁo trabalhassem generosamente com os seus cotovelos abrindo uma passagem do canto onde estĂŁo atĂ© Jesus e depois o protegessem atĂ© Ă saĂda para a praça onde jĂĄ nĂŁo hĂĄ mais sol.
Assim termina a visĂŁo.
Marcos 1:21-28
Entraram em Cafarnaum. Logo no sĂĄbado, Jesus foi para a sinagoga e ensinava. Eles estavam maravilhados com o seu ensino, porque ele ensinava como um homem de autoridade e nĂŁo como os escribas.
Ora, havia na sinagoga um homem que era atormentado por um espĂrito imundo e começou a gritar: "Que queres de nĂłs, Jesus de NazarĂ©? Vieste para nos perder? Eu sei quem tu Ă©s: tu Ă©s o Santo de Deus". Jesus gritou-lhe: "Cala-te! Sai deste homem. O espĂrito imundo convulsionou-o e depois, com um grande grito, saiu dele. Todos ficaram atĂłnitos e perguntaram uns aos outros: "O que Ă© que isto quer dizer? Isto Ă© um ensinamento novo, dado com autoridade! Ele atĂ© dĂĄ ordens aos espĂritos imundos, e eles obedecem-lhe. Imediatamente a sua fama espalhou-se por toda a regiĂŁo da Galileia.
Lucas 4:33-37
Ora, estava na sinagoga um homem possuĂdo pelo espĂrito de um demĂłnio imundo, e começou a gritar bem alto: "Ah! Que queres de nĂłs, Jesus de NazarĂ©? Vieste para nos perder? Eu sei quem tu Ă©s: Ă©s o Santo de Deus. Jesus ameaçou-o: "Cala-te! Sai de cima deste homem! EntĂŁo o demĂłnio atirou o homem para o meio e saiu dele sem lhe fazer mal nenhum. Todos ficaram aterrorizados e diziam uns aos outros: "O que Ă© que ele estĂĄ a dizer? Ele dĂĄ ordens aos espĂritos imundos com autoridade e poder, e eles saem! E a fama de Jesus espalhou-se por toda a regiĂŁo.