Depois, Jesus se levanta, då uns passos pelo terraço, olha o lago, sorri para uns meninos que estão brincando na rua e que lhe sorriem, olha a rua, na direção da pracinha, que fica a uns cem metros da casa. Depois desce. Vai até a cozinha:
â Mulher, vou passear Ă beira do lago.
Sai, e de fato vai para a beira do lago, junto dos meninos. E lhes pergunta:
â O que estais fazendo?
â NĂłs querĂamos brincar de guerra. Mas ele nĂŁo quer e, entĂŁo, vamos brincar de pesca.
O âeleâ que nĂŁo quer Ă© um homenzinho de corpo delgado, mas com um rosto que revela grande perspicĂĄcia. Talvez ele perceba que, delgado como Ă©, ao fazer âa guerraâ, poderia sair perdendo, e por isso, defende a paz.
Jesus aproveita o assunto para falar aos meninos:
â Ele tem razĂŁo. A guerra Ă© um castigo de Deus para a punição dos homens, e sinal de que o homem nĂŁo Ă© mais verdadeiro filho de Deus. Quando o AltĂssimo criou o mundo, fez todas as coisas: o sol, o mar, as estrelas, os rios, as plantas, os animais, mas nĂŁo fez as armas. Criou o homem, e lhe deu olhos para que tivesse olhares de amor, boca para dizer palavras de amor, ouvido para ouvi-las, mĂŁos para dar socorro e carĂcias, pĂ©s para correrem velozes atĂ© o irmĂŁo necessitado, e coração capaz de amar. Deu ao homem a inteligĂȘncia, a palavra, os afetos, os gostos. Mas nĂŁo deu o Ăłdio. Por que? Porque o homem, criatura de Deus, devia ser amor, como Deus Ă© Amor. Se o homem tivesse continuado a ser criatura de Deus, teria permanecido no amor, e a famĂlia humana nĂŁo teria conhecido nem guerra nem morte.
â Mas ele nĂŁo quer brincar de guerra, porque perde sempre (eu jĂĄ tinha adivinhado isso).
Jesus sorri, e diz:
â NĂŁo Ă© preciso nĂŁo querer aquilo que nos prejudica, sĂł porque nos prejudica. Mas Ă© preciso nĂŁo querer uma coisa, quando ela prejudica a todos. Se um, diz: âEu nĂŁo quero isto, porque vou perderâ, ele Ă© egoĂsta. Ao contrĂĄrio, o bom filho de Deus diz: âIrmĂŁos, eu sei que vou ganhar, mas eu vos digo: nĂŁo vamos fazer isso, porque vĂłs terĂeis prejuĂzo.â Oh! Como esse compreendeu bem o mandamento principal! Quem sabe me dizer qual Ă©?
Em coro, as onze bocas dizem:
â âAmarĂĄs o teu Deus com todo o teu ser e ao teu prĂłximo como a ti mesmo.â
â Oh! Sois uns meninos muito inteligentes!
50.4 Ides todos Ă escola?
â Sim.
â Quem Ă© o mais inteligente?
â Ele.
Ă o magrinho, que nĂŁo quer brincar de guerra.
â Como te chamas?
â Joel.
â Ă um grande nome! Ele diz: â⊠o fraco diga: âsou forteâ.â Mas forte no quĂȘ? Na lei do verdadeiro Deus, para estar entre aqueles que Ele vai julgar como santos seus, no vale da decisĂŁo final. Mas esse juĂzo jĂĄ estĂĄ perto. NĂŁo no vale da decisĂŁo, mas no monte da Redenção. LĂĄ, entre o sol e a lua, escurecidos de horror, e as estrelas tremendo num pranto de piedade, serĂŁo julgados e separados os filhos da Luz, dos filhos das Trevas. Toda Israel saberĂĄ que o seu Deus veio. Felizes aqueles que o tiverem reconhecido. A eles mel, leite e ĂĄguas claras lhes descerĂŁo aos coraçÔes, e os espinhos se tornarĂŁo rosas eternas. Quem de vĂłs quer estar entre aqueles que vĂŁo ser julgados santos de Deus?
â Eu! Eu! Eu!
â Amareis, entĂŁo, o Messias?
â Sim! Sim! A Ti! A Ti! NĂłs Te amamos! NĂłs sabemos quem Ă©s! SimĂŁo e Tiago nos disseram, e nossas mĂŁes tambĂ©m. Leva-nos Contigo!
â Na verdade, Eu vos levarei, se fordes bons. Nada mais de palaÂvras feias, nem atitudes prepotentes, nem brigas, ou respostas mĂĄs aos pais. Oração, estudo, trabalho, obediĂȘncia. Eu vos amarei e virei estar convosco.
Os meninos estĂŁo todos em cĂrculo em volta de Jesus. Parece uma corola de cores matizadas, apertada ao redor de um longo pistilo azul escuro.