Notas do tema

Palavras-chave principais e transversais 🌟

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Conforto de leitura

EMF 4.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Esperava porque no Ășltimo dia, enquanto orava no Templo, o maior tempo que pudesse uma mulher ficar na Casa de Deus, atĂ© a noite
 Tu te recordas que eu dizia: “Ainda, ainda um pouco.” NĂŁo podia afastar-me dali sem receber a graça! Pois bem! Na sombra que jĂĄ descia do interior do lugar sagrado, que eu olhava com atração de alma para arrancar uma anuĂȘncia do Deus presente, vi partir uma luz, uma centelha de luz maravilhosa. Era alva como a lua, contudo tinha em si as luzes de todas as pĂ©rolas e pedras preciosas que existem sobre a terra. Parecia que uma das estrelas preciosas do VĂ©u, daquelas estrelas postas sob os pĂ©s dos querubins, se desprendesse uma e se tornasse esplĂȘndida, de uma luz sobrenatural
 Parecia partir um fogo para alĂ©m do VĂ©u sagrado, proveniente da prĂłpria GlĂłria, vindo a mim veloz, e ao cortar o ar cantasse com voz celeste dizendo: “O que pedistes venha a ti.” É por isso que eu canto: “Uma estrela virĂĄ a ti.” Que filho serĂĄ esse nosso, que se manifesta como luz de estrela no Templo e que diz: Eu sou” na festa das Luzes? Que filho fez com que tu tenhas visto em mim uma nova Ana de Elcana?

Detalhe

Conceção de Maria. Ana, a mãe de Maria, conta quando o seu desejo foi realizado:

Anotação

Tinhas razĂŁo em ver em mim uma nova Ana de Elcana? De facto, Joaquim tinha falado da mĂŁe do profeta Samuel em EMV 3.

Sob os pés dos querubins: os querubins (Kerubim) abundavam na decoração do Templo de Salomão (por exemplo: 1 Reis 6,23-35). As estrelas são provavelmente as estrelas de David ou o selo de Salomão.

Tive a impressão de que um fogo partia de trås do Véu sagrado, da própria Glória, que vinha rapidamente na minha direção e que, ao passar pelo ar, cantava com voz celestial: "Que te aconteça o que pediste! "Esta é a voz do Redentor, como lemos em EMV 4.5: "A própria Sabedoria desceu (...) e tornou-se uma palavra para a mulher estéril" (p. 31).

Que criança serå a nossa, então, para aparecer como a luz de uma estrela no Templo e dizer: "Eu sou" durante a Festa das Luzes? A estrela faz parte da profecia de Balaão. Nm 24, 17-19. Eu vejo-o, mas não como presente; contemplo-o, mas não de perto. Uma estrela sai de Jacob, um cetro ergue-se de Israel. Ele quebrarå os dois lados de Moab, exterminarå todos os filhos do tumulto. Edom é a sua possessão; Seir, o seu inimigo, é a sua possessão, e Israel exibe a sua valentia. De Jacob sai um soberano; ele destrói nas cidades o que resta de Edom".

"Eu sou" : o prĂłprio nome de Deus, tal como foi definido a MoisĂ©s, segundo oÊxodo 3,14-15. É isto que dirĂĄs aos filhos de Israel: "Aquele que me enviou a vĂłs Ă© EU SOU". Ver a ficha sobre o nome divino.

Palavras-chave

EMF 4.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Como chamaremos a nossa criança, que doce como um canto de águas ouço falar-me no ventre com o seu pequeno coração que bate como o de uma rolinha apanhada na cavidade das mãos?

– Se for menino o chamaremos Samuel. Se for menina Estrela. A palavra que fortaleceu o teu canto para dar-me a alegria de saber-me pai. A forma que escolheu para manifestar-se entre a sacra sombra do Templo.

– Estrela. A nossa estrela, porque, nĂŁo sei, penso que seja mesmo uma menina. Parece-me que carĂ­cias tĂŁo doces nĂŁo possam vir senĂŁo de uma dulcĂ­ssima filha. Eu nĂŁo a carrego, nĂŁo tenho nenhum sofrimento. É ela que me carrega sobre uma vereda azul e florida, como se eu estivesse amparada pelos santos anjos e a terra jĂĄ estivesse longe
 Sempre ouvi as mulheres dizerem que conceber e gerar Ă© sinĂŽnimo de dor. Mas eu nĂŁo tenho dor. Sinto-me forte, jovem, fresca, mais do que quando te dei a minha virgindade na juventude distante. Filha de Deus, visto que Ă© mais de Deus do que nossa aquela que nasce de um tronco ĂĄrido, nĂŁo dĂĄ dores Ă  sua mĂŁe. Ela traz somente paz e bĂȘnção: os frutos de Deus, seu verdadeiro Pai.

– EntĂŁo a chamaremos Maria. Estrela do nosso mar, pĂ©rola, felicidade. O nome da primeira grande mulher de Israel. Mas esta nĂŁo pecarĂĄ nunca contra o Senhor, e sĂł a Ele darĂĄ o seu canto porque a Ele Ă© oferecida, como hĂłstia, antes de nascer.

– A Ele Ă© oferecida, sim. Homem ou mulher que seja, depois de nos alegrarmos por trĂȘs anos com a nossa criança, nĂłs a daremos ao Senhor. HĂłstia tambĂ©m nĂłs com ela, pela glĂłria de Deus.

Detalhe

A escolha do nome prĂłprio de Marie. Aqui Ă© Anne, a mĂŁe, que estĂĄ a falar.

Palavras-chave

EMF 4.5-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

4.5 Jesus diz:

– A Sabedoria, depois de tĂȘ-los iluminado com os sonhos da noite, desceu Ă quela que Ă© “vapor da virtude de Deus, certa emanação da glĂłria do Onipotente”, e tornou-se Palavra para a estĂ©ril. Aquele que agora via prĂłximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqĂŒenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estĂ©reis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misĂ©rias da terra.

No entanto, pela alegria de ter uma mĂŁe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo nĂŁo contĂ©m mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um ParaĂ­so para o povo de toda a terra, por todos os sĂ©culos atĂ© o fim do mundo; ParaĂ­so que estĂĄ para vir sobre a terra. E esta Palavra opera o milagre de tornar fecundo o que era infecundo. Dar-me uma mĂŁe, que nĂŁo teve apenas Ăłtima proveniĂȘncia, como era seu destino, nascida de dois santos; nĂŁo teve somente um aumento contĂ­nuo da bondade pelo seu bem querer, nĂŁo teve somente um corpo imaculado, teve tambĂ©m o espĂ­rito imaculado, sendo Ășnica entre as criaturas.

4.6 Tu vistes a geração contĂ­nua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituĂ­a as delĂ­cias da Trindade, que ardia por enfeitĂĄ-la com as suas dĂĄdivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refĂșgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. ParaĂ­so Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.

A alma criada para ser a alma da mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu luz mais viva. Como pétala de uma empírea rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hålito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminå-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.

Ainda sem saber, a terra jĂĄ tinha a sua flor. A verdadeira, Ășnica flor que floresce eternamente: lĂ­rio e rosa, violeta e jasmim, girassol e ciclame fundidos juntos, e com essas todas as flores da terra numa Ășnica flor, Maria, na qual se reĂșne toda virtude e graça.

Em abril, a terra da Palestina parecia um enorme jardim: as fragrĂąncias e as cores davam delĂ­cia ao coração dos homens. Mas a rosa mais bonita ainda era desconhecida. Ela jĂĄ era florescente a Deus no segredo do ventre materno, jĂĄ que minha mĂŁe amou desde que foi concebida, mas sĂł quando a videira dĂĄ o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo, dizendo com o seu sorriso super inocente: “Eis que a Videira, que vos darĂĄ o Cacho espremido na prensa, como RemĂ©dio eterno contra o vosso mal, estĂĄ entre vĂłs.”

Eu disse: “Maria amou desde que foi concebida.” O que dĂĄ ao espĂ­rito luz e conhecimento? A Graça. O que leva a Graça? O pecado de origem e o pecado mortal. Maria, aquela sem mĂĄcula, nunca foi despojada da lembrança de Deus, da sua proximidade, do seu amor, da sua luz, da sua sabedoria. Ela pĂŽde por isto, compreender e amar atĂ© quando era apenas carne em torno de uma alma imaculada que sempre amou.

4.7 Depois, faço-te contemplar mentalmente a profundidade da virgindade de Maria. TerĂĄs uma vertigem celeste, como quando te fiz entender a nossa eternidade. Por enquanto, considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mĂĄcula da ausĂȘncia de Deus, dĂĄ Ă  mĂŁe uma inteligĂȘncia superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mĂŁe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus.” Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.

Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vĂ­cios vos assemelhais unicamente ao “super-demĂŽnio”, neste exemplo terĂ­eis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem.” Saber permanecer sem a contaminação de satanĂĄs para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, nĂŁo desejando mais do que isto, que Ă© pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contĂ­nua evolução atĂ© a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da InteligĂȘncia no espĂ­rito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra satanĂĄs, que seria derrubado muitos milhares de sĂ©culos antes da hora em que o serĂĄ, junto a todo o seu mal.

Anotação

"Depois de as ter iluminado atravĂ©s dos sonhos da noite, a prĂłpria Sabedoria desceu como "eflĂșvio do poder de Deus, emanação pura da glĂłria do Todo-Poderoso" e tornou-se a Palavra para a mulher estĂ©ril. Excerto do livro da Sabedoria.

Livro da Sabedoria 7, 25

Sabedoria 7, 25: Ela é o sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do Todo-Poderoso; por isso, nada de impuro pode cair sobre ela.

Única entre todas as criaturas, ela tinha uma alma imaculada. Cf. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado a 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX na Constituição Apostólica Ineffabilis Deus. A proclamação dogmática encontra-se no final do documento

Vistes a contínua geração de almas por parte de Deus. Na visão de 25 de maio de 1944. Ver os Cadernos de 1944.

Como uma pétala de rosa celeste, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que desceu para animar a carne de uma maneira muito diferente das outras carnes. Na edição antiga, estå escrito: Como uma pétala de rosa celestial, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que era o sopro de Deus, que desceu para animar a carne de uma maneira diferente da dos outros. Sobre a parte "Sopro de Deus" (alito di Dio). A expressão foi corrigida por Maria Valtorta numa cópia dactilografada. Inicialmente, ela havia escrito "Parte de Deus" (parte di Dio).

Maria, em quem todas as virtudes e graças estão unidas. "Maria, planície das graças". A comparar com o que diz Santo Afonso de Ligório: "Segundo São Bernardino, todos os dons, todas as virtudes e todas as graças são dispensadas pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer e como quer"(Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, capítulo 5).

Em abril, a terra da Palestina assemelhava-se a um imenso jardim onde os perfumes e as cores encantavam o coração dos homens. Mas a rosa mais bela era ainda desconhecida. Estava jå a desabrochar para Deus no segredo do ventre. Em abril, Maria tinha sido concebida durante 4 meses

Só no momento em que a videira då o seu sangue para ser transformado em vinho, quando o cheiro doce e forte do mosto enche as quintas e as narinas, é que ela sorrirå, primeiro para Deus e depois para o mundo. Confirmação do nascimento de Maria em setembro (ver EMV 5).

Palavras-chave

EMF 4.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aquele que agora via prĂłximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqĂŒenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estĂ©reis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misĂ©rias da terra.

Detalhe

Jesus fala da sua avĂł e apresenta os seus futuros milagres.

Palavras-chave

EMF 5

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

TĂ­tulo do capĂ­tulo: Nascimento da Virgem Maria. A sua virgindade na mente eterna do Pai.

Data da visĂŁo: SĂĄbado, 26 de agosto de 1944 (EMV 5.1-6)

Data do ditado : Domingo, 27 de agosto de 1944 (EMV 5.7-15)

CalendĂĄrio: SĂĄbado, 6 de setembro do ano 21 a.C.

Antigo calendĂĄrio juliano: sĂĄbado 8 de setembro do ano 21 a.C.

CalendĂĄrio judaico: 10 de Tishri 3741.

Localização (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infĂąncia da Virgem Maria

Resumo: HĂĄ uma seca em NazarĂ©. Joaquim estĂĄ a trabalhar no jardim e Ana junta-se a ele. Ela estĂĄ a sofrer com o calor e eles falam sobre o estado da vegetação. A tempestade estĂĄ prestes a desabar e eles regressam a casa. Anne estĂĄ prestes a dar Ă  luz e Joachim estĂĄ preocupado porque a sua mulher nĂŁo sente dores durante o parto. Para alĂ©m disso, a tempestade impressiona todos pela sua violĂȘncia. Depois, Maria nasce e chora, e tudo pĂĄra: um esplĂȘndido arco-Ă­ris nasce no cĂ©u. Ana e Joaquim dĂŁo Ă  sua filha o nome de Maria.

De seguida, Cristo profere um longo ditado. Fala da Imaculada Conceição e da virgindade da sua Mãe. Cita o Livro dos Provérbios e aplica-o a Maria. Depois fala do homem, que estava destinado a ser o rei da Criação e para quem Deus fez tudo: estrelas e planetas, mares e oceanos, plantas e årvores, animais. O homem, porém, foi decaído por Satanås. Deus, que tudo sabe, conhecia de antemão o seu pecado e jå tinha previsto a forma de o remediar: enviando o seu Filho, através de Maria. Em seguida, descreve a vitória da Imaculada Conceição sobre Satanås. Termina o ditado falando da procriação antes da Falta, do facto de que os homens em estado de graça não deveriam ter experimentado a morte ou o sofrimento no parto, como Maria. Conclui, então, falando da virgindade da Toda Bela.

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 5.1: O jardim sofre uma grave seca. 5.2: Ana confia-lhe a sua grande paz quando se aproxima o termo. 5.3: Uma tempestade violenta. 5.4: Um arco-Ă­ris gigantesco, uma estrela e uma lua adiantada saĂșdam o nascimento. 5.5: Um retrato pormenorizado da criança. 5.6: Maria Ă© entregue a Ana, que profetiza sobre ela. 5.7: Falar da imaculada conceção de Maria Ă© mergulhar no amor. 5.8: Na mente de Deus, na origem dos seres. 5.9: A consolação e a alegria de Deus. 5.10: A criação feita para o homem, seu rei. 5.11: Deus sabia o que o homem seria. 5.12: Deus criou a Esposa para ser a MĂŁe de Deus encarnado. 5.13: O parto como Deus o quis e como o homem o quis. 5.14: SatanĂĄs, esta menina derrotou-te. É a vingança de Deus. 5.15: A virgindade de Maria.

Edição anterior: Volume 1, capítulos 7 e 8

Palavras-chave

EMF 5.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

As mulheres chegam repentinamente, alegres com um embrulhozinho rosado entre tecidos alvos.

É Maria, a mĂŁe! Uma Maria pequenina que poderia dormir entre o cĂ­rculo de braços de um menino, uma Maria comprida tanto quanto um braço, uma cabecinha de marfim tingido de um rosa tĂȘnue, com a boquinha de carmim, que jĂĄ nĂŁo chora mais, mas faz o instintivo ato de sugar, tĂŁo pequena que nĂŁo se sabe como farĂĄ para pegar um mamilo, um narizinho diminuto entre duas pequenas faces arredondadas e ao tocĂĄ-lo abrem-se os olhinhos, dois pedacinhos do cĂ©u, dois pontinhos inocentes e azuis que olham, mas nĂŁo vĂȘem, entre cĂ­lios delicados, de um loiro tĂŁo intenso que Ă© quase rĂłseo. TambĂ©m os cabelinhos sobre a cabecinha arredondada sĂŁo a cor loiro-rosado de algumas qualidades de mel quase branco.

No lugar de orelhas, duas conchinhas rosadas e transparentes, perfeitas. E por mĂŁozinhas
 o que sĂŁo aquelas duas coisinhas que agitam-se no ar e depois vĂŁo Ă  boca? Fechadas como agora, dois botĂ”es de rosa musgo que separam o verde das sĂ©palas e lhes estende a seda de um tĂȘnue rosa; abertas como agora, duas pequenas jĂłias de marfim de alabastro ligeiramente rosado, com cinco romĂŁs pĂĄlidas no lugar das unhazinhas. Como farĂŁo aquelas mĂŁozinhas para enxugar tanto choro?

E os pezinhos? Onde estĂŁo? Por enquanto sĂŁo sĂł um espernear escondido entre os linhos. Mas eis que a parente senta-se e a descobre
 Oh! Os pezinhos! Compridos uns quatro centĂ­metros, tĂȘm por planta, uma concha coralina, como dorso uma concha de um branco neve com veiazinhas azuis, tĂȘm por dedinhos as obras-primas de escultura liliputiana, sĂŁo tambĂ©m coroados por pequenos fragmentos de pĂĄlida romĂŁ. Mas como se encontrarĂŁo sandalinhas tĂŁo pequenas para poder estar naqueles pezinhos, quando tais pezinhos de boneca derem os primeiros passos? E como estes mesmos pezinhos farĂŁo tĂŁo ĂĄspero caminho e sustentarĂŁo tanta dor, debaixo de uma cruz?

Mas agora isto nĂŁo se sabe, e se ri e sorri do seu debater-se e espernear, das perninhas bonitas torneadas, das coxas pequenas que fazem covinhas e dobrinhas de tanto que sĂŁo gorduchas, da barriguinha, uma taça emborcada do pequeno tĂłrax perfeito sob cuja seda cĂąndida se vĂȘ o movimento da respiração que certamente se ouve. O pai feliz escuta seu peitinho agora, e o beija ao ouvir bater um coraçãozinho
 Um coraçãozinho que Ă© o mais bonito que a terra teve nos sĂ©culos dos sĂ©culos, o Ășnico coração humano imaculado.

E as costas? Eis que a viram, e se vĂȘ a forma dos rins e depois os ombros gorduchos e a nuca rosada tĂŁo forte que a cabecinha se ergue sobre o arco das pequenas vĂ©rtebras, parecendo a cabecinha de um pĂĄssaro que perscruta ao redor o mundo novo e tem um gritinho de protesto por ser assim mostrada, ela, a pura e casta, aos olhos de tantos, ela que homem nenhum a verĂĄ nua, a toda virgem, a santa e imaculada. Cobri, cobri este botĂŁo de flor-de-lis que nunca se abrirĂĄ sobre a terra e que darĂĄ, ainda mais bonita que ela, a sua flor, sempre permanecendo botĂŁo. SĂł nos CĂ©us o LĂ­rio do Trino Senhor abrirĂĄ todas as suas pĂ©talas. Porque no cĂ©u nĂŁo hĂĄ poeira de culpa que possa involuntariamente profanar aquele candor. Porque lĂĄ em cima deve ser acolhido, Ă  vista de todo o EmpĂ­reo, o Deus TrinitĂĄrio que agora ocultado em um coração sem mĂĄcula, entre poucos anos estarĂĄ nela: Pai, Filho, Esposo.

Eis ali de novo entre os linhos e entre os braços do pai terreno, com quem ela se assemelha. NĂŁo agora. Agora Ă© um esboço de homem. Eu digo que se lhe assemelharĂĄ quando mulher. Da mĂŁe nĂŁo tem nada. Do pai, a cor da pele, dos olhos e certamente dos cabelos que, se agora sĂŁo brancos, na juventude eram certamente loiros como o dizem as sobrancelhas. Do pai, as feiçÔes, feitas mais perfeitas e gentis por ser ela mulher, a mulher. Do pai o sorriso, o olhar, o modo de mexer-se e a estatura. Pensando em Jesus, como o vejo, acho que Ana deu a sua estatura ao Neto e a cor marfim mais carregada da pele. Enquanto que Maria nĂŁo tem aquela imponĂȘncia de Ana, um palmo mais alta e flexĂ­vel, mas tem a gentileza do pai.

Detalhe

Descrição de Maria que acaba de nascer.

Palavras-chave

EMF 5.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– É a Estrela –diz [Ana]–. O seu sinal estĂĄ no cĂ©u. Maria, arco de paz! Maria, minha estrela! Maria, lua pura! Maria, nossa pĂ©rola!

– Chama-se Maria?

– Sim. Maria, estrela, pĂ©rola, luz e paz


– Mas tambĂ©m quer dizer amargura
 NĂŁo temes trazer-lhe desventura?

– Deus está com ela. Já era Dele antes de ser. Ele a conduzirá pelos seus caminhos e toda amargura se transformará em um paradisíaco mel. Agora sejas da tua mãe
 ainda por um pouco, antes de seres toda de Deus


Detalhe

A escolha do nome prĂłprio de Marie. Aqui Ă© Anne, a mĂŁe, que estĂĄ a falar.

Palavras-chave

EMF 5.7-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Surge e apressa-te pequena amiga. Tenho um desejo ardente de te levar Comigo para o azul paradisĂ­aco da contemplação da Virgindade de Maria. SairĂĄs com a alma jovem como se tu tambĂ©m fosses criada hĂĄ pouco pelo Pai, uma pequena Eva que ainda nĂŁo conhece a carne. SairĂĄs com o espĂ­rito repleto de luz, porque tu mergulharĂĄs, na contemplação da obra-prima de Deus. SairĂĄs com todo o teu ser saturado de amor, porque compreenderĂĄs como Deus sabe amar. Falar da concepção de Maria, a sem mĂĄcula, quer dizer mergulhar-se no azul, na luz, no amor.

5.8 Vem e lĂȘ as suas glĂłrias no Livro do Avo: “Deus me possuiu no inĂ­cio de suas obras, desde o princĂ­pio, antes da criação. “Ab aeterno” fui predeterminada no princĂ­pio. Antes que fosse feita a terra, ainda nĂŁo existiam os abismos e eu jĂĄ era concebida. Nem as nascentes das ĂĄguas transbordavam, nem os montes tinham-se erguido em suas grandes dimensĂ”es, nem as colinas eram cadeias montanhosas ao sol, e eu jĂĄ tinha sido gerada. Deus ainda nĂŁo tinha feito a terra, os rios, e as bases do mundo, e eu era. Quando preparava os cĂ©us eu estava presente, quando com lei imutĂĄvel fechou sob a orla celeste o abismo, quando tornou estĂĄvel no alto a abĂłbada celeste e suspendeu as fontes das ĂĄguas, quando fixava ao mar os seus confins e dava leis Ă s ĂĄguas de nĂŁo passar os seus limites, quando assentava os fundamentos da terra, eu estava com Ele a dispor todas as coisas. Sempre na alegria brincava diante Dele continuamente, brincava no universo
”. Aplicaram estas palavras Ă  Sabedoria, mas na realidade elas falam dela: a bela mĂŁe, a santa mĂŁe, a virgem mĂŁe da Sabedoria, que sou Eu que te falo.

5.9 Eu quis que tu escrevesses o primeiro verso deste hino no inĂ­cio do livro que fala dela, para que fosse confessada e percebida a consolação e a alegria de Deus; a razĂŁo do constante, perfeito, Ă­ntimo regozijo deste Deus uno e trino, que vos guia e ama, que do homem teve tantas razĂ”es de tristeza; a razĂŁo pela qual Deus perpetuou a raça, mesmo quando, Ă  primeira prova[3], merecia ser destruĂ­da; a ra zĂŁo do perdĂŁo que vocĂȘs tiveram.

Ter Maria que o amasse. Oh! bem merecia criar o homem, e deixå-lo viver, e decretar perdoå-lo, para ter a virgem bela, a virgem santa, a virgem imaculada, a virgem enamorada, a filha dileta, a mãe puríssima, a esposa amorosa! Muito e mais ainda vos deu e vos daria Deus para poder possuir a criatura das suas delícias, o sol do seu sol, a flor do seu jardim. E muito continua a dar-vos por ela, a pedido dela, pela alegria dela, porque a sua alegria se derrama na alegria de Deus e a aumenta de esplendor que enche de faíscas a luz, a grande luz do Paraíso; cada centelha é uma graça para o universo, para a raça do homem, para os próprios bem-aventurados, que respondem-lhes com um grito radiante de aleluia a cada geração de milagre divino, criado pelo desejo do Deus Trino de ver o cintilante riso de alegria da Virgem.

5.10 Deus quer um rei no universo que Ele havia criado do nada. Um rei que, pela natureza da matĂ©ria, fosse o primeiro entre todas as criaturas criadas e dotadas de matĂ©ria. Um rei que, pela natureza do espĂ­rito, fosse quase divino, fundido na Graça como no seu inocente primeiro dia. Mas a Mente suprema, onde sĂŁo notĂłrios todos os acontecimentos mais distantes em sĂ©culos, cuja vista vĂȘ incessantemente tudo quanto era, Ă©, e serĂĄ, enquanto contempla o passado e observa o presente, eis que aprofunda o olhar no Ășltimo futuro sem ignorar a morte do Ășltimo homem, sem confusĂŁo nem descontinuidade, esta Mente nunca ignorou o rei criado por Ele, para estar ao seu lado, semidivino, no CĂ©u, herdeiro do Pai. Ao entrar adulto no seu reino, depois de ter vivido na casa da mĂŁe, a terra com a qual foi feito, durante a sua infĂąncia de Eterno, na sua jornada sobre a terra, este rei teria cometido contra si mesmo o delito de matar-se na Graça e o latrocĂ­nio de furtar-se do CĂ©u.

Por que entĂŁo o criara? Certamente muitos se perguntam isto. TerĂ­eis preferido nĂŁo existir? Este dia nĂŁo merecia ser vivido, por si mesmo, tĂŁo pobre, nu e amargo pela vossa maldade, mas para conhecer e admirar a Beleza infinita que a mĂŁo de Deus semeou no universo?

Para quem teria feito estes astros e planetas que deslizam como setas e flechas, riscando o arco do firmamento? Ou os aparentemente lentos, majestosos na sua corrida como bĂłlidos, presentean­do-vos com luzes e estaçÔes como se fossem eternos, imutĂĄveis, ainda que em contĂ­nua mudança, oferecendo-vos uma pĂĄgina nova para ser lida sobre o azul, toda noite, todo mĂȘs, todo ano, quase como dizendo-vos: “Esquecei-vos do cĂĄrcere, deixai as vossas gravuras repletas de coisas obscuras, podres, sujas venenosas, enganosas, blasfemadoras, corruptoras e elevai, ao menos com o olha­r na ilimitada liberdade dos firmamentos. Tende uma alma azul olhando tĂŁo grande serenidade, criai-vos uma reserva de luz, para levar Ă  vossa prisĂŁo escura. Lede a palavra que nĂłs escrevemos cantando o nosso coro sideral mais harmonioso do que acompanhado por um ĂłrgĂŁo de catedral. A palavra que nĂłs escrevemos brilhando, a palavra que nĂłs escrevemos amando, visto que sempre temos presente Aquele que nos quis dar a alegria de existir, e o amamos por nos ter dado este ser, este esplendor, este deslizar, este sermos livres e belos em meio ao azul suave, alĂ©m do qual vemos um azul ainda mais sublime, o ParaĂ­so. E do qual cumprimos a segunda parte do preceito de amor amando a vĂłs, o nosso prĂłximo universal, amando-vos doando guia, luz, calor e beleza. Lede a palavra que nĂłs dizemos, e Ă© aquela sobre a qual regulamos o nosso canto, o nosso resplandecer, o nosso riso: Deus?”

Para quem teria feito aquele lĂ­quido azul, que Ă© um espelho para o cĂ©u, um caminho para a terra, sorriso das ĂĄguas, voz das ondas, palavra tambĂ©m essa que como os sussurros de seda farfalhando, com risadinhas de crianças serenas, com suspiros de velhos que lembram e choram, com bofetĂ”es violentos e com chifradas, mugidos e estrondos, sempre fala e diz: “Deus?” O mar Ă© para vĂłs, como o cĂ©u e os astros. E com o mar, os lagos, os rios, os pĂąntanos, os riachos e as nascentes puras, que servem a todos para vos transportar, nutrir, dessedentar e purificar, e que vos servem, servindo o Criador, sem saĂ­rem para fora dos seus limites, afogando-vos, como mereceis.

Para quem teria feito todas as inumeråveis famílias dos animais, como flores que voam cantando, os servos que correm, que trabalham, nutrem e são recreação para vós, os reis?

Para quem teria feito todas as inumerĂĄveis famĂ­lias das plantas, e das flores que parecem borboletas, que parecem jĂłias e passarinhos imĂłveis, dos frutos que parecem os cofres de pedras preciosas, como tapetes para vossos pĂ©s, proteção para as vossas cabeças, recreação Ăștil, alegria para a vossa mente, membros, vista e olfato?

Para quem teria feito os minerais nas entranhas da terra, os sais dissolvidos nas fontes de åguas geladas ou ferventes, as fontes sulfurosas, as iodadas, as alcalinas? Não teria sido para que alguém gozasse de tudo, alguém que não era Deus, mas filho de Deus? O homem.

Para a alegria de Deus, para as necessidades de Deus, nada era preciso. Deus se basta a Si mesmo. NĂŁo tem que se contemplar para alegrar-se, nutrir-se, viver e repousar. Tudo o que foi criado nĂŁo aumentou um ĂĄtomo a sua infinita alegria, sua beleza, seu poder. Mas tudo Ele fez pela sua criatura, que Ele quis colocar como rei na Sua obra: o homem.

Para ver tĂŁo grandes obras de Deus e por reconhecimento para com o seu poder, vale a pena viver. Como viventes deveis ser gratos. DeverĂ­eis ter sido gratos, mesmo se nĂŁo tivĂ©sseis sido redimidos, hoje ou no fim dos sĂ©culos, porque nĂŁo obstante tenhais sido os Primeiros, singularmente, sois atĂ© hoje prevaricadores, soberbos, luxuriosos, homicidas. Mas Deus ainda vos concede sabor de gozar das belezas do universo e da bondade do universo, e vos trata como se fosseis bons, filhos bons aos quais tudo Ă© ensinado e concedido, a fim de tornar-lhes mais doce e sadia a vida. Quanto sabeis, vĂłs o sabeis pela luz que Deus vos deu. Tudo quanto descobris, vĂłs o descobris porque Deus vĂŽ-lo indica no Bem. Porque os outros conhecimentos e descobertas, que tĂȘm o sinal do mal, vĂȘm do Mal supremo, satanĂĄs.

5.11 A Mente suprema, que nada ignora, antes ainda que o homem existisse, sabia que o homem, por si mesmo, teria sido um ladrĂŁo e um homicida. E, jĂĄ que a Bondade eterna nĂŁo tem limites, antes que acontecesse a Culpa, pensou no meio para anulĂĄ-la. E o meio seria: Eu. E o instrumento para fazer do meio um instrumento operante seria: Maria. Assim Ă© que a virgem foi criada no Pensamento sublime de Deus.

5.12 Todas as coisas foram criadas para Mim, Filho dileto do Pai. Eu,

como Rei, deveria ter tido sob os meus pés de Rei divino tapetes e jóias como nenhum palåcio real jamais teve. Cantos, vozes, servos e ministros tão numerosos ao redor de minha pessoa que nenhum soberano jamais teve. Flores, pedras preciosas, todo o sublime, o grandioso, o gentil, o minucioso, tudo o que é possível buscar no Pensamento de um Deus.

Mas Eu devia ser Carne, além de ser Espírito. Carne, para salvar a carne. Carne para sublimar a carne, levando-a para o Céu, muitos séculos antes da hora. Porque a carne, habitada pelo espírito, é a obra-prima de Deus, e por ela, o Céu fora feito. Para ser Carne, eu tinha necessidade de uma mãe. Para ser Deus, eu tinha necessidade de que meu Pai fosse Deus.

Eis que, entĂŁo, Deus criou para Si uma esposa, e lhe disse: “Vem comigo. A meu lado, vĂȘ tudo quanto Eu faço pelo nosso Filho. Olha e jubila-te, virgem eterna, menina eterna, que o teu riso encha todo este empĂ­reo, e dĂȘ aos anjos a nota inicial, e ensina ao ParaĂ­so uma harmonia celeste. Eu olho para ti. E te vejo como serĂĄs, Ăł mulher imaculada que, por enquanto, Ă©s apenas espĂ­rito, o espĂ­rito em que me deleito. Olho para ti, e dou o azul do teu olhar ao mar e ao firmamento, a cor dos teus cabelos ao trigo, a tua candura ao lĂ­rio, o tom rĂłseo Ă  rosa, semelhante Ă  tua pele de seda. Imito nas pĂ©rolas os teus dentes graciosos; olhando tua boca, faço os doces morangos, ponho na voz rouxinĂłis Ă s tuas notas, e na das rolinhas o teu pranto. Ainda lendo os teus futuros pensamentos, ouvindo as palpitaçÔes do teu coração, eu encontrei os modelos de arte para criar. Vem, minha Alegria! Habita os mundos para divertimento teu, enquanto fores a luz que se move em meu Pensamento, teus hĂŁo de ser os mundos pelo teu sorriso, tuas as belas formaçÔes das estrelas e o colar dos astros todos. Coloca a lua sob os teus pĂ©s gentis, cinge-te com o cinto de estrelas da Via LĂĄctea. As estrelas e os planetas sĂŁo para ti. Vem e diverte-te, vendo as flores que serĂŁo o divertimento do teu Menino, servindo de almofada para o Filho do teu ventre. Vem, e vĂȘ como se criam as ovelhas e os cordeiros, as ĂĄguias e as pombas. Fica perto de mim, enquanto eu faço como uns vasos, os mares e os rios, enquanto ergo as montanhas e as enfeito com a neve e as florestas, enquanto semeio as searas, as ĂĄrvores, as videiras, enquanto faço para ti a oliveira, minha rainha de paz, para ti a videira, meu sarmento que levarĂĄ o Cacho eucarĂ­stico. Corre, voa, jubila-te, Ăł minha beleza, e que o mundo todo, que vai sendo criado de hora em hora, aprenda contigo a me amar, Ăł amorosa, e se torne mais bonito com o teu sorriso, Ăł mĂŁe do meu Filho­, rainha do meu ParaĂ­so, amor do teu Deus.” Vendo o Erro, e olhando para a Sem Erro diz ainda: “Vem a Mim, tu que anulas a amargura da desobediĂȘncia, da ingratidĂŁo, da fornicação humana com satanĂĄs. Eu terei contigo a desforra sobre satanĂĄs”.

5.13 Deus, Pai Criador, criara o homem e a mulher com uma lei de amor tão perfeita, que não podeis, nem ao menos compreender. E vós vos enganais ao pensar como teria aparecido a raça humana, se o homem não o tivesse alcançado pelo ensinamento de satanås.

Olhai as plantas que produzem fruto e semente. Por acaso elas conseguem ter semente e fruto por meio de uma fornicação ou de uma fecundação em cada cem encontros conjugais? Não. Da flor masculina sai o pólen, guiado por um complexo de leis meteóricas e magnéticas, vai ao ovårio da flor feminina. Esta se abre, o recebe e produz. Não se suja e o rejeita depois, como vós fazeis, para poderdes gozar, no dia seguinte, da mesma sensação. Depois de produzir não floresce, até a próxima estação e, quando floresce, é para reproduzir.

Olhai os animais. Todos. JĂĄ vistes algum animal, macho ou fĂȘmea, ir um ao outro para algum abraço estĂ©ril, ou sĂł para algum encontro lascivo? NĂŁo. De perto ou de longe, voando, rastejando, pulando ou correndo, eles vĂŁo, quando chega a hora, ao rito fecundativo, e nĂŁo se subtraem a isso para ficarem sĂł no prazer, mas vĂŁo alĂ©m, vĂŁo atĂ© Ă s conseqĂŒĂȘncias sĂ©rias e santas, que conduzem Ă  geração da prole, o Ășnico escopo que, no homem, semideus pela origem da Graça que Eu restituĂ­ inteira, deveria fazĂȘ-lo aceitar a animalidade do ato necessĂĄrio, uma vez que descestes um grau no nĂ­vel do animal.

VĂłs nĂŁo fazeis como as plantas e os animais. VĂłs tivestes por mestre satanĂĄs, pois o escolhestes e o desejais. As obras que praticais sĂŁo dignas do mestre que quisestes ter. Mas, se tivĂ©sseis sido fiĂ©is a Deus, terĂ­eis tido santamente, sem dor, a alegria de filhos, sem vos esgotardes em cĂłpulas obscenas, indignas, que os prĂłprios animais nĂŁo conhecem, os animais que nĂŁo tĂȘm alma racional e espiritual.

Ao homem e à mulher, depravados por satanås, Deus quis opor o Homem nascido de mulher tão purificada por Deus, a ponto de poder gerå-Lo sem relação com homem. Flor que gera flor, sem necessidade de semente, mas apenas com o beijo do Sol sobre o cålice inviolado do Lírio que é Maria.

5.14 A desforra de Deus!

Solta os teus silvos de inveja, ó satanås, enquanto ela estå nascendo. Esta menina te venceu! Antes que tu fosses o Rebelde, o Tortuoso, o Corruptor, jå estavas vencido, e ela é a tua vencedora. Mil exércitos alinhados nada podem contra o teu poder, e contra as tuas couraças caem as armas das mãos dos homens, ó perene, e não hå vento que possa dispersar o mau cheiro do teu hålito. No entanto, este calcanharzinho de criança, tão rosado, que parece o interior de uma camélia também rosada, tão liso e tão macio que a seda é åspera comparado a ele, tão pequenino, que poderia caber no cålice de uma tulipa e uså-la como sapatinho, eis que ele te pisa sem medo, e te confina em teu antro. Eis que só o seu vagido jå te pÔe em fuga, a ti que não tens medo dos exércitos. O hålito dela purifica o mundo do teu fedor. Estås derrotado. Só o nome dela, só o seu olhar, só a sua pureza jå são uma lança, um fulgor de raio, uma enorme pedra que te transpassam, que te abatem, que te aprisionam no teu covil do inferno, ó Maldito, que tiraste a Deus a alegria de ser Pai de todos os homens criados.

Foi inĂștil, pois, teres corrompido os que haviam sido criados inocentes, levando-os a conhecer e a conceber sinuosidades da luxĂșria, privando Deus, de ser o doador dos filhos, em suas diletas criaturas, dando-lhes regras que, se respeitadas, teriam mantido sobre a terra um equilĂ­brio entre os sexos e as raças, capaz de evitar guerras entre os povos e desventuras entre famĂ­lias.

Obedecendo, teriam conhecido o amor. SĂł obedecendo, teriam conhecido e conservado o amor. Uma posse plena e tranqĂŒila desta emanação de Deus, que do sobrenatural desce ao inferior, para que tambĂ©m a carne se alegre santamente, esta que estĂĄ ligada ao espĂ­rito, criada por Aquele que criou o espĂ­rito.

Agora, o vosso amor, Ăł homens, os vossos amores o que sĂŁo? Ou libidinagem vestida de amor, ou medo insanĂĄvel de perder o amor do cĂŽnjuge, seja pela libidinagem prĂłpria, ou alheia. JĂĄ nĂŁo estais mais seguros quanto Ă  posse do coração do esposo ou da esposa, desde quando a libidinagem entrou neste mundo. Tremeis, chorais e tornais-vos loucos de ciĂșmes, atĂ© assassinos, Ă s vezes, para vingar alguma traição, desesperados, ou entĂŁo abĂșlicos e atĂ© dementes.

Eis o que fizeste, satanås, aos filhos de Deus. Estes, que corrompeste, teriam conhecido a alegria de ter filhos sem sentirem dor, a alegria de nascer sem o medo de morrer. Mas agora estås vencido em uma mulher e por uma mulher. De agora em diante, quem a amar, tornarå a ser de Deus, superando as tuas tentaçÔes, para poder imitar a sua pureza imaculada. De agora em diante, não mais podendo conceber sem dor, as mães a terão para o seu conforto. De agora em diante, as esposas a terão por guia e os moribundos por mãe, sendo doce para eles morrer sobre aquele seio, que é um escudo contra ti, oh Maldito, e proteção, diante do julgamento de Deus.

Maria, minha cara interlocutora, viste o nascimento do Filho da virgem e o nascimento da virgem no CĂ©u. Viste, pois, que para os sem culpa Ă© desconhecido o castigo de dar a vida e tambĂ©m o sofrimento de dar-se Ă  morte. Mas, se Ă  inocentĂ­ssima mĂŁe de Deus foi reservada a perfeição dos dons celestes, a todos, que tivessem permanecido inocentes e filhos de Deus, teria sido possĂ­vel gerar sem dor e morrer sem afĂŁ, por justiça de terem sabido unir-se e conceber sem luxĂșria.

A sublime desforra de Deus sobre a vingança de satanĂĄs foi a de elevar a perfeição da criatura dileta a uma super-perfeição, capaz de anular, ao menos nela, toda lembrança de humanidade, que fosse suscetĂ­vel ao veneno de satanĂĄs, e para a qual, nĂŁo de um casto abraço de homem, mas de um divino amplexo, que empalidece o espĂ­rito num ĂȘxtase de Fogo, lhe teria vindo o Filho.

5.15 A virgindade da Virgem!


Vem. Medita nesta virgindade profunda, que produz em quem a contempla vertigens de abismo! O que Ă© a pobre virgindade forçada da mulher que por nenhum homem foi desposada? É menos do que nada. O que Ă© a virgindade daquela que quer ser virgem, para ser de Deus, mas sabe sĂȘ-lo sĂł no corpo e nĂŁo no espĂ­rito, no qual deixa entrar muitos pensamentos estranhos, acaricia e aceita as carĂ­cias de pensamentos humanos? Isto jĂĄ começa a ser uma mĂĄscara de virgindade, mas muito pouco ainda. O que Ă© a virgindade de uma enclausurada, que vive sĂł para Deus? É muito. Mas, mesmo assim, ainda nĂŁo Ă© uma virgindade perfeita, se comparada com a virgindade da minha mĂŁe.

Sempre existiu um enlace, atĂ© mesmo no mais santo. O enlace da origem, entre o espĂ­rito e a Culpa. SĂł o Batismo o desfaz. Mas, Ă© como uma mulher separada do marido pela morte, nĂŁo restitui mais em si a virgindade total, como a virgindade dos nossos Primeiros, antes do Pecado. Uma cicatriz permanece, e dĂłi ao ser lembrada, e estĂĄ sempre pronta para reabrir-se em ferida, como certas doenças que periodicamente voltam com seus vĂ­rus, ainda mais ativos. Na virgem nĂŁo fica esse sinal de um enlace dissolvido com a Culpa. Sua alma apresenta-se bonita e intacta, como quando estava na mente do Pai, e reĂșne em Si todas as Graças.

É a virgem, a Ășnica, a perfeita, a completa, foi assim pensada, gerada, querida, coroada. É eternamente a virgem, o abismo da intocabilidade, da pureza, da graça que se perde no Abismo do qual brotou: em Deus, intangibilidade, pureza e graça perfeitĂ­ssima.

AĂ­ estĂĄ a desforra do Deus Trino e Uno. Contra suas criaturas profanadas, Ele ergue esta Estrela de perfeição. Contra a curiosidade doentia, esta se esquiva, recompensada em poder amar somente a Deus. Contra a ciĂȘncia do mal, esta sublime ignorante. Nela nĂŁo existe somente a ignorĂąncia do que Ă© um amor aviltado; nĂŁo hĂĄ tambĂ©m somente a ignorĂąncia do amor que Deus havia dado aos esposos. E ainda mais. Nela hĂĄ a ignorĂąncia das concupiscĂȘncias, herança do pecado. Nela hĂĄ somente a sabedoria gĂ©lida, mas incandescente, do Amor divino. Fogo que protege de gelo a carne, para que se torne espelho transparente no altar onde um Deus desposa uma virgem, e nĂŁo se avilta, porque sua Perfeição abraça aquela que, como convĂ©m a uma esposa, sĂł em um ponto Ă© inferior ao esposo, sendo-lhe sujeita por ser mulher, mas Ă© sem mancha, como Ele.

Detalhe

Ditado sobre a Imaculada Conceição, a conceção de Maria e a sua virgindade.

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