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EMF 174

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Sexto Sermão da Montanha: escolher entre o bem e o mal, o adultério e o divórcio. A chegada indesejåvel de Maria Madalena.

Data da visão: terça-feira, 29 de maio de 1945 (174.1-10); såbado, 12 de agosto de 1944 (EMV 174.11-14); terça-feira, 29 de maio de 1945 (174.15-22).

CalendĂĄrio: Sexta-feira 18 de fevereiro 28 (5 Adar I 3788)

Lugar (mapa): Os cornos de Hattin

Ciclo: SermĂŁo da Montanha

Resumo: HĂĄ uma multidĂŁo. TomĂ© e Judas dividem-na em vĂĄrios grupos: um para os doentes, outro para os que esperam um tostĂŁo, outro para os que aguardam os ensinamentos de Jesus. Pedro estĂĄ com as crianças, alguns dos apĂłstolos gostam de levar os doentes e os enfermos ao Senhor, AndrĂ© e JoĂŁo recolhem as esmolas dos fiĂ©is. SĂŁo abordados por uma mulher que precisa de falar com o Mestre sobre assuntos pessoais, que nada tĂȘm a ver com saĂșde ou doença. JoĂŁo leva-a para uma tenda, enquanto AndrĂ© vai falar com o Mestre, e dois outros infelizes juntam-se Ă  mulher, apresentando-lhe as suas misĂ©rias. Antes de ir ter com eles, o Mestre cura os doentes e uma rapariguinha com uma lesĂŁo na coluna. Depois, vai ouvir estas trĂȘs almas que o esperam. A mulher tinha o marido que se tinha ido embora com uma prostituta: conseguiu a sua conversĂŁo. A segunda tinha uma filha que se tinha tornado lasciva depois de uma visita a TiberĂ­ades: o pai foi ter com Joana de Kouza e ela convidou-o a encontrar Jesus. O pai conseguiu a conversĂŁo da filha, mas teve de se encarregar de perdoar. Finalmente, o terceiro narra uma discussĂŁo com os seus irmĂŁos por causa da herança. Estes acusam-no de ter roubado o dinheiro, mas foi o pai, jĂĄ falecido, que mudou a cassete de sĂ­tio sem os avisar. Jesus diz-lhe que os seus irmĂŁos encontraram o dinheiro enquanto ele estava fora e que se arrependeram. Mas o homem prefere ouvir Jesus a ir-se embora imediatamente.

Jesus dĂĄ entĂŁo um sermĂŁo. O homem tem a opção de seguir o caminho que leva para cima, ou seja, para Deus, ou de seguir o caminho que leva para baixo, ou seja, para SatanĂĄs. Ele tem livre arbĂ­trio. Claro que SatanĂĄs tenta, mas Deus tambĂ©m tenta as almas com a sua Palavra, com as suas promessas, com o seu amor. Se alguĂ©m diz que queria converter uma alma mas se deixou corromper pelo mal do prĂłximo, Ă© porque o seu coração estava pronto a aceitar esse mal ou esse pecado. Cristo encoraja-nos, portanto, a resistir Ă  sensualidade, ao mundo, Ă  ciĂȘncia e ao demĂłnio. Devemos procurar nĂŁo ser incoerentes e escolher um sĂł Mestre, porque nĂŁo podemos servir a Deus ou a Mamom.

Depois de descrever brevemente Eva e a sua corrupção, Cristo fala da lùmpada do corpo. Se o nosso olho for puro, tudo serå puro. Quanto à tentação, não é um mal: sofremos por lhe resistir, mas pela vitória adquirimos uma eternidade de paz. Dito isto, devemos ser sempre misericordiosos para com os nossos irmãos que caíram.

Jesus Ă© interrompido pela chegada inoportuna de Maria Madalena, entĂŁo uma grande pecadora. É acompanhada por vĂĄrios homens, entre os quais um romano que ela parece preferir. A irmĂŁ de LĂĄzaro estĂĄ realmente a agir de forma escandalosa e, depois de olhar para ela por um momento, Jesus vira a cabeça e nĂŁo olha mais para ela. Pelo contrĂĄrio, retoma o seu discurso: fala do adultĂ©rio e da impureza, censura os ricos e os que se divertem. Maria Madalena, ofendida, sai no meio dos murmĂșrios da multidĂŁo, e Cristo anuncia que vĂŁo deixar os Cornos de Hattin, pois hĂĄ dois dias que sĂŁo perturbados pelos assobios de SatanĂĄs. No entanto, indica que voltarĂĄ a falar, depois de a multidĂŁo se ter abrigado do calor e ter comido. Jesus fala entĂŁo brevemente a Pedro, depois a Judas, a quem renova a promessa de ir para a Judeia. Por fim, SimĂŁo de Jonas obriga o seu Mestre a comer.

Enquanto Bartolomeu recorda que dentro de algumas horas Ă© sĂĄbado, Jesus exorta os que nĂŁo confiam na ProvidĂȘncia do Pai a irem-se embora. Saem cinquenta pessoas e ele retoma o seu discurso. Insiste de novo no adultĂ©rio, no divĂłrcio e no repĂșdio, lembrando que sĂł a morte pode romper um casamento. AlĂ©m disso, sĂŁo sobretudo os filhos que sofrem quando o pai ou a mĂŁe voltam a casar, pelo que o Senhor nos manda ser fiĂ©is ao nosso marido ou Ă  nossa mulher.

Por fim, para concluir as suas palavras, Cristo encoraja as almas Ă  caridade e Ă  prudĂȘncia: nĂŁo se trata de dar verdades eternas a homens que as distorcem e se fazem de profetas. As pĂ©rolas nĂŁo devem ser atiradas aos porcos. Por fim, conclui dizendo que aquele que pĂ”e em prĂĄtica as suas palavras constrĂłi a sua casa sobre a rocha, e que aquele que nĂŁo o escuta constrĂłi os seus alicerces sobre a areia. Depois despediu-se da multidĂŁo, mas esta seguiu-o e nĂŁo o deixou...

ConteĂșdo do capĂ­tulo: 174.1: O horizonte numa manhĂŁ de primavera. 174.2: Jesus pede aos apĂłstolos que reĂșnam os que pedem ajuda. 174.3: Os apĂłstolos agitam-se no meio da multidĂŁo. 174.4: AndrĂ© avisa Jesus que trĂȘs pessoas em particular querem vĂȘ-lo. 174.5: Jesus tranquiliza uma mulher abandonada pelo marido. 174.6: Promete a um pai a conversĂŁo de sua filha. 174.7: Ele orienta uma disputa de herança para uma solução. 174.8: NĂŁo se pode pertencer igualmente a Deus e a Mamom. 174.9: Como SatanĂĄs seduziu Eva. 174.10: NĂŁo te deixes levar pela tentação e sĂȘ misericordioso com o pecador. 174.11: A mesma manhĂŁ floresceu na montanha. 174.12: A chegada pomposa e provocante de Maria Madalena. 174.13: Ai de vĂłs, ricos e abastados! 174.14: Sob censura indireta, Maria Madalena foge. 174.15: Jesus dĂĄ tempo Ă  multidĂŁo para descansar. 174.16: Judas, perturbado pela Madalena, Ă© consolado por Jesus, que vai ter com a sua mĂŁe na Judeia. 174.17: Pedro faz Jesus beber um ovo. 147.18: Ensinamento sobre o adultĂ©rio. 174.19: Quem manda embora a sua prĂłpria mulher expĂ”e-na ao adultĂ©rio. 174.20: Gravai nos vossos coraçÔes o SermĂŁo da Montanha, ele Ă© o vosso guia. 174.21 : Escutai as minhas palavras e ponde-as em prĂĄtica. 174.22: Jesus desce para Cafarnaum com a multidĂŁo.

Edição antiga: Volume 3, capítulo 34

Palavras-chave

EMF 174.2-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A multidĂŁo pĂ”e-se em movimento, para dividir-se assim em trĂȘs partes: os que estĂŁo doentes, os que sĂŁo pobres e os que somente desejam a doutrina.

Mas, entre estes Ășltimos, primeiro dois e depois trĂȘs, parecem ter necessidade de alguma coisa, que nĂŁo Ă© a saĂșde nem o dinheiro, mas, Ă© mais necessĂĄria do que estas coisas. Uma mulher e dois homens. Olham, olham para os apĂłstolos e nĂŁo ousam falar. (...)

Jesus estå inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. Uma mulher, que parece estar sofrendo muito, ousa puxar João pela veste, enquanto ele estå conversando alegremente com André. Ele se inclina e pergunta:

– Que queres, mulher?

– Desejaria falar com o Mestre


– Tens alguma doença? Pobre nĂŁo Ă©s


– NĂŁo tenho doença e nĂŁo sou pobre. Mas estou precisando dele
 porque existem doenças sem febre e misĂ©rias sem pobreza. E a minha
 a minha
 –e chora.

– Escuta, AndrĂ©. Esta mulher tem um sofrimento em seu coração e desejaria ir dizĂȘ-lo ao Mestre. Como faremos?

André olha para a mulher, e diz:

– Certamente Ă© alguma coisa que faz sofrer ao revelar-se


A mulher faz com a cabeça o sinal que sim. Então, André continua:

– NĂŁo chores
 JoĂŁo, procura levĂĄ-la atrĂĄs da nossa tenda. Eu levarei o Mestre atĂ© lĂĄ.

João, com seu sorriso, pede que abram caminho para ele poder passar, enquanto André vai na direção oposta, para Jesus. Aqueles movimentos deles são observados por dois homens aflitos, e um deles parou João e o outro André e, pouco depois, tanto um como o outro estão juntos com João e com a mulher detrås do tapume de ramos que serve de parede para a tenda.

AndrĂ© alcança Jesus, no momento em que este estĂĄ curando um aleijado, que levanta as muletas como dois trofĂ©us, ĂĄgil como um bailarino, apregoando a sua bĂȘnção. AndrĂ© sussurra:

– Mestre, lĂĄ atrĂĄs do nossa tenda, hĂĄ trĂȘs que estĂŁo chorando. Mas o mal deles Ă© do coração, e nĂŁo pode ser conhecido por outros


– EstĂĄ bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fĂ©.

André vai (...).

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

Jesus vai agora para a tenda.

Judas de Keriot grita:

– Mestre, e estes?

Jesus se vira, e diz:

– Esperem onde estĂŁo. Eles tambĂ©m serĂŁo consolados.

Com passos råpidos, se dirige para trås do tapume, ao lugar onde estão, André e João e os sofredores.

– Primeiro, a mulher. Vem comigo entre estas sebes. Fala sem medo.

– Senhor, meu marido me abandonou por uma prostituta. Eu tenho cinco filhos, e o Ășltimo estĂĄ com dois anos
 Minha dor Ă© grande
 penso nos filhos
 NĂŁo sei se ele os quererĂĄ, ou se os deixarĂĄ comigo. Os filhos homens, pelo menos o primeiro, quererĂĄ que fique com ele
 e eu, que o dei a luz, nĂŁo poderei mais ter a alegria de vĂȘ-lo? E, que ficarĂŁo eles pensando do pai e de mim? De um dos dois eles hĂŁo de pensar mal. E eu nĂŁo gostaria que eles ficassem julgando o seu pai


– Não chores. Eu sou o Senhor da Vida e da Morte. Teu marido não se casará com aquela mulher. Vai em paz, e continua a ser boa.

– Mas
 não o vais matar? Oh! Senhor, eu o amo!

Jesus sorri:

– Eu nĂŁo matarei ninguĂ©m. Mas haverĂĄ quem faça o seu trabalho. Fica sabendo que o demĂŽnio nĂŁo Ă© mais que Deus. Retornando Ă  tua cidade, saberĂĄs que alguĂ©m matou a criatura maldosa, de tal modo, que o teu marido compreenderĂĄ o que estava fazendo e te amarĂĄ com um renovado amor.

A mulher beija-lhe a mão, que Jesus pÎs sobre sua cabeça, e vai embora.

174.6

Vem um dos dois homens.

– Eu tenho uma filha, Senhor. Infelizmete, ela foi a TiberĂ­ades com algumas amigas e foi como se ela houvesse aspirado um veneno. Voltou para casa como Ă©bria. Agora quer ir embora com um grego
 e depois
 Mas, por que me nasceu esta filha? Sua mĂŁe estĂĄ com tamanha dor que talvez morrerá
 Eu
 somente as tuas palavras, que eu ouvi no inverno passado Ă© que ainda me impedem de matĂĄ-la. Mas, eu te confesso, o meu coração jĂĄ a amaldiçoou.

– NĂŁo. Deus, que Ă© Pai, nĂŁo amaldiçoa senĂŁo um pecado completo e obstinado. Que queres de Mim?

– Que tu a faças cair em si.

– Eu nĂŁo a conheço, e ela certamente nĂŁo vem atĂ© Mim.

– Mas Tu podes mudar o coração dela tambĂ©m de longe! Sabes quem me manda a Ti? Joana de Cusa. Estava partindo para JerusalĂ©m, quando eu fui ao seu palĂĄcio para perguntar se conhecia esse grego infame. Eu pensava que ela nĂŁo o conhecesse, porque Ă© boa, ainda que more em Tiberiades, mas, como Cusa lida com os pagĂŁos
 NĂŁo o conhece. Mas me disse: “Vai atĂ© Jesus. Ele, estando bem longe de mim, fez voltar o meu espĂ­rito e me curou da minha tuberculose com aquele gesto. Ele curarĂĄ tambĂ©m o coração da tua filha. Eu rezarei e tu, tem fĂ©. Eu tenho fĂ©.” Tu estĂĄs vendo. Tem piedade, Mestre.

– Tua filha, nesta tarde, irĂĄ chorar sobre os joelhos de sua mĂŁe, pedindo perdĂŁo. E tu tambĂ©m, sĂȘ bom, como a mĂŁe: perdoa. O passado morreu.

– Sim, Mestre. Seja como Tu queres, e que sejas bendito.

Ele se vira para ir embora
 mas depois volta a trás:

– Perdoa, Mestre, mas estou com muito medo
 A luxĂșria Ă© um verdadeiro demĂŽnio! DĂĄ-me um fio da tua veste. Eu o colocarei no travesseiro de minha filha. Enquanto ela estiver dormindo, o demĂŽnio nĂŁo a tentarĂĄ.

Jesus sorri, e sacode a cabeça
 mas atende ao homem, dizendo-lhe:

– É para que fiques tranquilo. Mas podes crer que, quando Deus diz “Eu quero”, o diabo vai-se embora, sem que seja preciso mais nada. Quer dizer que terás isto como uma lembrança de Mim –e lhe dá um pequeno floco de suas franjas.

174.7

Vem o terceiro homem:

– Mestre, meu pai morreu. Mas nĂłs pensĂĄvamos que ele possuĂ­sse riqueza em dinheiro. Mas nada disso encontramos. Isso ainda seria um mal menor, porque entre nĂłs irmĂŁos nĂŁo nos falta o pĂŁo. Mas eu, sendo o primogĂȘnito, morava com meu pai. Agora os outros dois irmĂŁos estĂŁo me acusando de ter feito desaparecer as moedas e querem mover uma ação contra mim, como se eu fosse ladrĂŁo. Tu estĂĄs vendo o meu coração. Eu nĂŁo roubei nem um vintĂ©m. Meu pai guardava seu dinheiro em um cofre, dentro de uma caixinha de ferro. Quando ele morreu, abrimos a caixinha e nela nada havia. EntĂŁo eles disseram: “Esta noite, enquanto estĂĄvamos dormindo, tu a apanhaste.” NĂŁo Ă© verdade. Ajuda-me a manter a paz e a estima entre nĂłs.

Jesus olha para ele, fitando-o bem, e sorri.

– Por que estás sorrindo, Mestre?

– Porque o culpado foi o teu pai, uma culpa de criança quando esconde o seu brinquedo, por medo de que o apanhem.

– Mas ele não era avarento. Podes crer. Ele fazia o bem.

– Eu sei
 Mas jĂĄ estava muito velho
 SĂŁo doenças de velhos. Ele queria conservar o dinheiro para vĂłs e vos pĂŽs em choque, por causa de um amor exagerado. Mas a caixinha estĂĄ enterrada aos pĂ©s da escada da adega. Eu te digo isto, para que fiques sabendo que Eu sei. Enquanto Eu estou te falando, por um mero acaso, o teu irmĂŁo menor estava batendo no chĂŁo, com raiva, e fez que a caixa vibrasse e a descobriram, ficando eles confusos e arrependidos por te terem acusado. Volta para casa tranquilo e sĂȘ bom para com eles. NĂŁo lhes digas nada pela falta de estima deles para contigo.

– Não, Senhor. Eu nem irei agora. Eu ficarei aqui para te ouvir. Irei amanhã.

– E se ficarem com o teu dinheiro?

– Tu dizes que nĂŁo devemos ser avarentos. Eu nĂŁo quero ser. Basta-me que haja paz entre nĂłs. Afinal, eu nem sabia quanto dinheiro havia na caixinha e nĂŁo ficarei aflito com nenhuma notĂ­cia que me derem, mesmo que seja diferente da verdade. Penso atĂ© que aquele dinheiro podia estar perdido
 Como eu teria vivido antes, viverei agora, se eles me negarem o que Ă© meu. Basta que nĂŁo me chamem de ladrĂŁo.

– Estás já bem adiantado no caminho de Deus. Segue assim, e a paz esteja contigo.

Ele também parte contente.

Palavras-chave

EMF 174.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Passa Bartolomeu, jå ancião e muito sério; passa Mateus e Filipe, que levam nos braços um aleijado que teria tido muito trabalho para atravessar a multidão compacta; passam os primos do Senhor amparando um mendigo quase cego e uma velha pobrezinha, que chora enquanto conta a Tiago os seus males; passa Tiago de Zebedeu com uma pobre menina nos braços, certamente doente que ele tomou da mãe, que o segue aflita, para impedir que a multidão faça algum mal a ela. (...)

Jesus estĂĄ inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidĂŁo festejam cada milagre. (...)

AndrĂ© alcança Jesus, no momento em que este estĂĄ curando um aleijado, que levanta as muletas como dois trofĂ©us, ĂĄgil como um bailarino, apregoando a sua bĂȘnção. AndrĂ© sussurra:

– Mestre, lĂĄ atrĂĄs do nossa tenda, hĂĄ trĂȘs que estĂŁo chorando. Mas o mal deles Ă© do coração, e nĂŁo pode ser conhecido por outros


– EstĂĄ bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fĂ©.

André vai, enquanto Jesus se inclina sobre a menina, que a mãe tomou de novo no colo.

– Como te chamas? –pergunta-lhe Jesus.

– Maria.

– E Eu, como me chamo?

– Jesus –responde a menina.

– Quem sou Eu?

– O Messias do Senhor, que veio para fazer o bem aos corpos e às almas.

– Quem te disse isto?

– A mamãe e o papai, que esperam em Ti pela minha vida.

– Vive e sĂȘ boa.

A menina, que acho ter sido doente da espinha, pois mesmo com sete anos ou mais, não se movia senão com as mãos, e toda apertada em grossas e duras faixas, das axilas até os quadris (podem-se ver as faixas, porque a mãe abriu o vestidinho da menina para mostrå-las), fica ainda assim como estava hå alguns minutos. Depois tem um sobressalto, desliza do colo materno para o chão, e corre até Jesus, que estå curando a mulher, cujo caso não compreendo.

Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”

Palavras-chave

EMF 174.8-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco.

Quando Eu vos explico os caminhos do Senhor é para que os sigais. Poderíeis vós, ao mesmo tempo, ir à direita e à esquerda? Não poderíeis. Porque, se tomais um, deveis abandonar o outro. Mesmo que se tratasse de dois caminhos próximos um do outro, poderíeis insistir em caminhar com um pé em um e o outro pé no outro, mas acabaríeis cansando-vos ou errando, ainda que se tratasse de uma aposta. Contudo, entre o caminho de Deus e o de satanås existe uma grande distùncia, que torna sempre maior, justamente como aqueles dois caminhos que desembocam aqui, mas que, a cada passo, ao descer para o vale, ficam sempre mais longe um do outro, porque um vai para Cafarnaum e o outro para Ptolomaida.

A vida Ă© assim, desliza lĂĄ do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro estĂĄ o homem, com a sua vontade e o seu livre arbĂ­trio. Nas extremidades, de um lado estĂĄ Deus e o CĂ©u; do outro, estĂĄ satanĂĄs e o Inferno. O homem pode escolher. NinguĂ©m o obriga. NĂŁo se diga “satanĂĄs tenta”, como desculpa para as descidas pelo caminho de baixo. TambĂ©m Deus tenta, com o seu amor que Ă© bem forte; com as suas palavras, que sĂŁo bem santas; com as suas promessas, que sĂŁo bem sedutoras! Por que, entĂŁo, deixar-se tentar sĂł por um dos dois e logo por aquele que nenhum merecimento tem para ser escutado? As palavras, as promessas, o amor de Deus nĂŁo serĂŁo suficientes para neutralizar o veneno de satanĂĄs?

Olhai bem como isto depĂ”e contra vĂłs. Quando alguĂ©m Ă© fĂ­sica e fortemente sĂŁo, nĂŁo Ă© imune aos contĂĄgios, mas os supera com facilidade. Contudo, se alguĂ©m estĂĄ doente e, portanto, enfraquecido, perecerĂĄ quase com certeza, se alguma nova infecção lhe sobrevier e, ainda que ele sobreviva a ela, estarĂĄ mais doente do que antes, porque nĂŁo tem, em seu sangue, a força para destruir os germes infecciosos, completamente. O mesmo se diga para a parte superior. Se alguĂ©m Ă© moral e espiritualmente sĂŁo e forte, sabe que nĂŁo estĂĄ isento da tentação, mas o mal nĂŁo criarĂĄ raĂ­zes nele. Quando ouço alguĂ©m dizer: “Eu me aproximei disto e daquilo, lendo algo ou procurando convencer alguĂ©m do bem que tinha o mal na mente e no coração, ou no livro lido, isso penetrou em mim.” Concluo: “Demonstra assim que jĂĄ tinhas preparado o terreno favorĂĄvel para aquela penetração. Isso demonstra que Ă©s um fraco, sem energia moral e espiritual. Porque atĂ© de nossos inimigos devemos tirar algum bem. Observando os erros deles, devemos aprender a nĂŁo cair nos mesmos. O homem inteligente nĂŁo se torna joguete da primeira doutrina que ouve. O homem saturado de uma doutrina encontrar em si mesmo lugar para outras. Isto explica a dificuldade para persuadir pessoas que estĂŁo convictas de outras doutrinas a seguirem a verdadeira Doutrina. Mas se tu me dizes que mudas de pensamento, ao menor sopro de vento, Eu vejo que estĂĄs cheio do vazio, tens a tua fortaleza espiritual cheia de fendas, os diques do teu pensamento estĂŁo furados em mil pontos e por eles estĂŁo saindo as ĂĄguas boas e entrando as contaminadas, e tu ficas tĂŁo pasmado e apĂĄtico, que nem te dĂĄs conta do que estĂĄ acontecendo, nem tomas providĂȘncias. És um infeliz.”

Por isso, sabei escolher o bom entre os dois caminhos e prosseguir, resistindo, resistindo, resistindo aos aliciamentos da sensualidade, do mundo, da ciĂȘncia e do demĂŽnio. A meia fĂ©, os comprometimentos, os pactos entre os opostos, deixai-os para os homens do mundo. NĂŁo deviam existir nem mesmo entre os homens honestos. Mas vĂłs, pelo menos vĂłs, Ăł homens de Deus, nĂŁo os tenhais. Nem com Deus, nem com Mamon podeis fazer esses pecar, porĂ©m façam nem convosco mesmos, porque nĂŁo teriam valor. As vossas açÔes mescladas do que Ă© bom com o que nĂŁo Ă© bom, nĂŁo teriam nenhum valor. As açÔes completamente boas viriam a ser depois anuladas pelas nĂŁo boas. As mĂĄs vos levariam diretamente aos braços do inimigo. NĂŁo as façais, pois. Mas, sede leais no vosso serviço.

Ninguém pode servir a dois senhores que pensem diferentemente. Ou amarå a um para odiar o outro, ou vice-versa. Não podeis ser igualmente de Deus e de Mamon. O espírito de Deus não pode conciliar com o espírito do mundo. Um sobe, o outro desce. Um santifica, o outro corrompe. Se estais corrompidos, como podereis agir com pureza? A sensualidade se acende nos corrompidos e, atrås da sensualidade, as outras fomes.

174.9

VĂłs jĂĄ sabeis como Eva se corrompeu, depois AdĂŁo, por meio dela. SatanĂĄs beijou[1] os olhos da mulher e os seduziu assim, de modo que toda a aparĂȘncia, atĂ© entĂŁo pura, tornou-a impura, passando a despertar estranhas curiosidades. Em seguida, satanĂĄs beijou-lhe os ouvidos e os fez ficar abertos a palavras de uma ciĂȘncia atĂ© entĂŁo desconhecida: a dele. TambĂ©m a mente de Eva quis conhecer o que nĂŁo era necessĂĄrio. Depois, satanĂĄs, aos olhos e Ă  mente despertados para o Mal, mostrou o que antes nĂŁo tinham visto nem compreendido, e tudo em Eva foi despertado e corrompido e a Mulher, indo ao Homem, revelou-lhe o seu segredo e persuadiu AdĂŁo a que provasse do novo belo fruto e que atĂ© agora era proibido. Beijou-o com a boca e as pupilas as quais havia entĂŁo a desordem de satanĂĄs. A corrupção penetrou em AdĂŁo que viu, atravĂ©s dos olhos, desejando o que era proibido e o mordeu, com a companheira, caindo da grande altura em que estava, na lama.

Quando alguém estå corrompido, arrasta o outro para a corrupção, a não ser que o outro seja um santo, no verdadeiro sentido da palavra.

Atentos com os vossos olhares, homens. Tanto com os olhares dos olhos como os da mente. Os olhos, uma vez corrompidos, não podem deixar de corromper o resto. Os olhos são a luz do corpo. Luz do coração é o teu pensamento. Mas, se os teus olhos não forem puros (pela sujeição dos órgãos ao pensamento, os sentidos se corrompem por um pensamento corrompido), tudo em ti ficarå ofuscado, e névoas sedutoras criarão em ti fantasmas impuros. Tudo é puro naqueleque tem pensamentos e olhares puros. A luz de Deus desce como senhora onde não hå obståculos postos pelos sentidos. Mas se, por uma decisão, tu educaste os teus olhos a uma visão desordenada, tudo em ti se tornarå trevas. Inutilmente olharås até para as coisas mais santas. No escuro, elas não serão mais do que trevas, e tu farås obras das trevas.

174.10

Por isso, filhos de Deus, guardai-vos contra vĂłs mesmos. Vigiai-vos atentamente contra todas as tentaçÔes. Que sejamos tentados nĂŁo Ă© mal. O atleta se prepara para a vitĂłria pela luta. Mal Ă© ser vencidos por sermos despreparados e desatentos. Eu sei que tudo serve para tentar. Eu sei que a defesa enerva. Eu sei que a luta cansa. Mas coragem! Pensai no que podeis adquirir com estas coisas! Por uma hora de prazer, seja lĂĄ de que qualidade for, quereis perder uma eternidade de paz? Que Ă© que vos deixa o prazer da carne, do ouro e do pensamento? Nada. Que Ă© que adquiris, repudiando-os? Tudo. Eu falo a pecadores, porque o homem Ă© pecador. Pois bem, dizei-me a verdade: depois de terdes satisfeito a sensualidade ou o orgulho, ou a avareza, vos sentistes mais viçosos, mais contentes, mais seguros? Na hora que vem depois daquela satisfação — e que Ă© sempre uma hora de reflexĂŁo —, sereis mesmo, sinceramente, felizes? Eu nĂŁo provei esse pĂŁo da sensualidade. Mas Eu respondo por vĂłs: “NĂŁo! PaixĂŁo, descontentamento, incerteza, nĂĄusea, medo, inquietação. Eis o suco espremido da hora passada.” Mas Eu vos peço. Mesmo se digo “Nunca façais isto”, tambĂ©m vos digo: “NĂŁo sejais inexorĂĄveis com os que erram.” Recordai-vos que sois todos irmĂŁos, feitos de carne e de alma. Pensai que muitas sĂŁo as causas pelas quais alguĂ©m Ă© induzido a pecar. Sede misericordiosos para com os pecadores e com bondade levantai-os e conduzi-os a Deus, mostrando que o caminho por eles percorrido Ă© cheio de perigos da carne, da mente e do espĂ­rito. Fazei isto, e recebereis um grande prĂȘmio. Porque o Pai que estĂĄ nos CĂ©us Ă© misericordioso com os bons, sabendo dar o cĂȘntuplo por um. Por isso Eu vos digo


(E aqui Jesus me diz que devo copiar a visĂŁo ditado, de 12 de agosto de 1944, B 961, da 35ÂȘ linha atĂ© o fim , isto Ă©, atĂ© a partida de Madalena: “e ri de raiva e de escĂĄrnio.” Depois continuarĂĄ o que vem em seguida, naturalmente omitindo[2] este parĂȘntesis).

Detalhe

Esta Ă© a primeira pregação de Cristo na MTS 174. SĂŁo trĂȘs no total.

Palavras-chave

EMF 174.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A vida (...) desliza lå do alto, entre o passado e o futuro, entre o mal e o bem. No centro estå o homem, com a sua vontade e o seu livre arbítrio. Nas extremidades, de um lado estå Deus e o Céu; do outro, estå satanås e o Inferno. O homem pode escolher. Ninguém o obriga.

Palavras-chave