Notas da palavra-chave

Discipulado - Seguir Jesus Cristo

Tema: Palavras-chave principais e transversais 🌟 · PĂĄgina 10 de 11

Conforto de leitura

EMF 181.5-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Isto, no sentido universal. Mas para vĂłs hĂĄ um outro ainda, e vem responder Ă s perguntas que, especialmente como ontem Ă  tarde, costumais fazer. VĂłs estĂĄveis perguntando a vĂłs mesmos: “Mas, entĂŁo, no meio do grupo dos discĂ­pulos pode existir traidores?”, e tremeis de horror e de medo em vossos coraçÔes. Eles podem existir. Disso Eu estou certo.

O Semeador espalha a boa semente. Neste caso, mais do que espalhar, poder-se-ia dizer que ele “colhe.” Porque o Mestre, que seja Eu ou que tenha sido o Batista, havia escolhido os seus discĂ­pulos. Como foi que houve extraviados? NĂŁo, mas pelo contrĂĄrio, eu falei mal quando chamei os discĂ­pulos de sementes. VĂłs poderĂ­eis entender-me mal. Eu vou chamĂĄ-los, entĂŁo de “campo.” Tantos discĂ­pulos, tantos campos escolhidos pelo Mestre para formarem a ĂĄrea do Reino de Deus, os bens de Deus. Com esses o mestre se afadiga, para cultivĂĄ-los, a fim de que produzam cem por cento. Ele toma todos os cuidados. Todos. Com paciĂȘncia. Com amor.Com sabedoria. Com canseiras. Com constĂąncia. Ele olha tambĂ©m as tendĂȘncias mĂĄs deles. A aridez e cobiça deles. VĂȘ as teimosias e as fraquezas deles. Mas, fica esperando, espera sempre, e fortalece a sua esperança com a oração e a penitĂȘncia porque os quer levar Ă  perfeição.

Mas os campos estĂŁo abertos. NĂŁo sĂŁo um jardim fechado, cercado por muros como uma fortaleza, do qual sĂł o mestre Ă© o dono, e no qual sĂł ele pode penetrar. EstĂŁo abertos. Colocados no centro do mundo, no meio do mundo e todos podem aproximar-se deles, todos podem entrar neles. Todos e tudo. Oh! Oh! Mas nĂŁo Ă© sĂł o joio que Ă© a semente mĂĄ semeada. O joio: este poderia ser o sĂ­mbolo da leviandade amarga do espĂ­rito do mundo. Mas aĂ­ nascem, lançados pelo Inimigo, todas as outras sementes. AĂ­ estĂŁo as urtigas. AĂ­ as tiriricas. AĂ­ as cuscutas. AĂ­ os cipĂłs-chumbo. AĂ­, enfim as cicutas e os tĂłxicos. Por quĂȘ? Por quĂȘ? Que sĂŁo eles?

As urtigas: sĂŁo os espĂ­ritos irritantes, indomĂĄveis, que ferem, por uma superabundĂąncia de venenos, e causam tanto mal-estar. As tiriricas significam os parasitas que esgotam o mestre, pois sĂł sabem rastejar e sugar, aproveitando-se do trabalho dele e prejudicando aos cheios de vontade, que certamente colheriam maiores frutos, se seu mestre nĂŁo fosse perturbado e distraĂ­do pelos cuidados que dele exigem as tiriricas. Os cipĂłs-chumbo, inertes, que sĂł se levantam do chĂŁo, aproveitando-se do trabalho dos outros. As cuscutas sĂŁo um tormento no caminho, jĂĄ difĂ­cil, do mestre, e um tormento para os discĂ­pulos fiĂ©is que o acompanham. Elas se agarram a nĂłs, espetam, ferem, arranham, sĂł causam desconfiança e sofrimento. Os tĂłxicos: sĂŁo os delinquentes que estĂŁo entre os discĂ­pulos, aqueles que chegam a trair e a apagar a vida, como a cicuta e outras ervas venenosas. Por acaso, jĂĄ tereis visto como elas sĂŁo bonitas com as suas florzinhas, que depois se transformam em bolinhas brancas, vermelhas ou roxo azuladas? Quem diria que aquela corola estrelada, cĂąndida ou levemente rosada, com seu coraçãozinho de ouro, quem haveria de dizer que aqueles corais de todas as formas, tĂŁo parecidos com aquelas frutinhas que sĂŁo a delĂ­cia dos passarinhos e das crianças, sejam capazes de, quando maduras, dar a morte? NinguĂ©m. Mas os inocentes aĂ­ caem. CrĂȘem que todos sĂŁo bons como eles
 colhem os frutos, comem e morrem.

Acham que todos são bons como eles! Oh! que verdade que sublima o mestre e condena o seu traidor! Como? A bondade não desarma? Não torna inofensivo o querer-mal? Não. Não o torna mais assim, porque o homem, que tombou como presa do Inimigo, tornou-se insensível a tudo o que é superior. E tudo o que é superior muda de aspecto para ele. A bondade é vista como uma fraqueza, em que é permitido pisar, e refina sua må vontade, refina o desejo de degolar, como, em uma fera, só o sentir cheiro do sangue. Também o mestre é sempre um inocente, e deixa que seu traidor o envenene, porque não quer e não deixa os outros pensar que um homem seja capaz de dar a morte a quem é inocente.

181.6

Dos discĂ­pulos, que sĂŁo os campos do mestre, Ă© que vĂȘm os inimigos. E sĂŁo muitos. O primeiro Ă© satanĂĄs. Os outros sĂŁo os servos dele, isto Ă©, os homens, as paixĂ”es, o mundo e a carne. AĂ­ estĂĄ o discĂ­pulo mais fĂĄcil de ser atingido por eles, porque ele nĂŁo estĂĄ completamente ao lado do Mestre, mas estĂĄ em cima do muro, entre o Mestre e o mundo. Ele nĂŁo sabe, nĂŁo quer separar-se completamente das coisas do mundo, da carne, das paixĂ”es e do demĂŽnio, para estar completamente com quem o leva para Deus. Sobre ele o mundo e a carne, as paixĂ”es e o demĂŽnio espalham suas sementes. O ouro, o poder, a mulher, o orgulho, um medo de ser mal julgado pelo mundo e um espĂ­rito de utilitarismo. “Os grandes Ă© que sĂŁo os mais fortes. E por isso eu os sirvo, para tĂȘ-los como amigos.” E se tornam delinquentes e condenados por causa de coisas tĂŁo mesquinhas!


Por que o Mestre, que está vendo a imperfeição do discípulo, ainda que não queira render-se a este pensamento: “Este vai ser o meu matador”, não o elimina imediatamente do meio dos discípulos? Isto vós perguntais:

Porque Ă© inĂștil fazer isso.. Se o fizesse nĂŁo impediria que ele continuasse seu inimigo e agora dupla e prontamente seu inimigo, pela raiva ou pela dor de ter sido descoberto, ou por ser expulso. Dor. Sim. Porque Ă s vezes o mau discĂ­pulo nĂŁo percebe que o Ă©. É tĂŁo sutil a obra do demĂŽnio, que ele nem a percebe. Ele fica endemoninhado, sem nem suspeitar de que estĂĄ sendo submetido a essa operação. Raiva. Sim. Raiva por estar sendo conhecido pelo que realmente Ă©, quando ele nĂŁo estĂĄ inconsciente do trabalho de satanĂĄs, e de seus adeptos: sĂŁo os homens que tentam o fraco em suas fraquezas, para tirar do mundo o santo, que, sĂł por sua santidade, comparada Ă s maldades deles, jĂĄ os ofende. E, entĂŁo, o santo ora e se abandona a Deus. “O que Tu permites se faça, seja feito”, diz ele. Somente acrescenta esta clĂĄusula: “Contanto que sirva para o teu fim.” O santo sabe que virĂĄ a hora em que serĂŁo expulsos de suas colheitas os joios daninhos. Por quem? Pelo mesmo Deus, que nĂŁo permite nada alĂ©m do que Ă© Ăștil para o triunfo de sua vontade de amor.

181.7

– Mas, se Tu admites que sempre Ă© satanĂĄs e os adeptos dele
 parece que a responsabilidade do discĂ­pulo diminua –diz Mateus.

– Nem penses nisso. Se o Mal existe, existe tambĂ©m o Bem. E existe no homem o discernimento e, com ele, a liberdade.

– Tu dizes que Deus nĂŁo permite nada alĂ©m de tudo o que Ă© Ăștil para o triunfo de sua vontade de amor[2]. Portanto, tambĂ©m esse erro Ă© Ăștil, se Ele o permite, e serve para um triunfo da vontade divina

–diz Iscariotes.

– E tu argumentas, como Mateus, que isto justifica o delito do discĂ­pulo. Deus havia criado o leĂŁo sem ferocidade e a serpente sem veneno. Agora, um Ă© feroz e a outra venenosa. Mas Deus os separou do homem por isso. Medita sobre isso e tira as conclusĂ”es.

Detalhe

Jesus acaba de nos dar a paråbola do trigo e do joio, e o seu significado universal. Depois, volta à traição de João Batista por um dos seus discípulos.

Anotação

Perguntareis: "Mas pode haver traidores entre os discípulos? "Ver o capítulo anterior, em EMV 180.8. A traição de um discípulo de João Batista, que levou à prisão do profeta, causou grande celeuma.

Os bons acreditam que os outros são tão bons quanto eles! Ah, que verdade que eleva o mestre e condena o traidor! Durante a releitura do texto datilografado pelo padre Migliorini, Maria Valtorta anotou neste ponto "Trabalha para redimir com bondade, trabalha sem esperanças nem ilusÔes, por puro desejo de cumprir o teu dever até ao limite, trabalha para que os outros não se apercebam que este é mau, para que não o odeiem... Que lição divina o Divino Mestre då aos guias espirituais e a todos os cristãos!"

"Deus nĂŁo permite que ninguĂ©m se oponha ao triunfo da sua vontade amorosa mais do que Ă© Ăștil". Numa folha inserida na cĂłpia dactilografada, Maria Valtorta escreveu:

"Deus deu ao homem o intelecto para compreender, a razĂŁo para se orientar como criatura razoĂĄvel, a consciĂȘncia para aconselhar, a lei para saber regular-se, a liberdade para merecer o que quiser merecer: Deus e a glĂłria, ou o inferno e a condenação.

Além disso, deu-lhe a graça ou a predestinação para a graça, para que seja um estímulo ou um meio de elevar as coisas abaixo enumeradas a um nível capaz de lhe dar um santo gosto pelo sobrenatural e por Deus.

Ora, no homem inteligente, razoĂĄvel, consciente, livre e, sobretudo, instruĂ­do na FĂ©, conhecedor do seu fim Ășltimo e da Lei divina, sĂł deve haver as acçÔes que a Lei prescreve e que o conhecimento do fim incita a praticar, tal como a razĂŁo e a consciĂȘncia as indicam como boas para todos, mesmo para os que nĂŁo conhecem a religiĂŁo revelada, a fim dea recompensa eterna que o intelecto humano, tanto mais quando iluminado pela Graça, Ă© infinitamente superior a todas as concepçÔes que um crente possa imaginar.

Mas acontece por vezes que o homem, agindo contra a razão, transforma a sua liberdade num jugo da mais cruel das escravidÔes: a do demónio e do pecado, preferindo o Mal ao Bem.

Mesmo que Deus permita que o homem faça o que quiser por sua livre vontade, para o julgar e confirmar na graça ou para julgar que merece castigo, nada diminui a culpa do homem. Com efeito, se é verdade que o homem, sob o impulso de Deus ou a instigação de Satanås, pode fazer o bem ou o mal, não é menos verdade que o homem deve seguir apenas Deus e os seus convites amorosos, pois é dele que recebeu todos os dons naturais, morais e sobrenaturais capazes de o tornar filho de Deus, herdeiro do Reino."

Palavras-chave

EMF 200.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Este desejo dele te serve de prova de que Deus corresponde ao teu amor, de que Ele é teu amigo, que te chama e te convida, que te quer. Deus é incapaz de permanecer inerte, diante do desejo de uma criatura sua, porque aquele desejo foi inspirado àquele coração por Ele, o Criador e Senhor de toda criatura. Ele o inspirou, porque amou com um amor privilegiado a alma que agora o deseja. O desejo de Deus vem sempre antes do desejo da criatura, porque Ele é Perfeitíssimo e, por isso, o seu amor é bem mais habilidoso e abrasado do que o amor da criatura.

Detalhe

Sobre o desejo de Deus.

Palavras-chave

EMF 209.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco. Ontem Eu ouvi falar de dois infelizes. Um, ainda na aurora da vida e o outro, no fim: duas almas que choravam na desolação.

Eu chorei com elas em meu coração, vendo quanta dor existe nesta terra e como sĂł Deus pode aliviĂĄ-la. Deus! SĂł o conhecimento exato de Deus, de sua grande e infinita bondade, da sua constante presença, das suas promessas. Eu vi como o homem pode ser torturado pelo homem e como pode ser atropelado pela morte com desolaçÔes, nas quais trabalha satanĂĄs, para aumentar a dor e para produzir ruĂ­nas. Eu disse, entĂŁo, a Mim mesmo: “NĂŁo devem os filhos de Deus sofrer com esta tortura das torturas. Demos o conhecimento de Deus a quem nĂŁo o tem, demo-lo de novo a quem o esqueceu, envolvido nas tempestades da dor.” Mas Eu vi tambĂ©m que, por Mim sĂł, Eu nĂŁo basto mais para satisfazer Ă s infinitas necessidades dos irmĂŁos. E decidi chamar a muitos, em nĂșmero cada vez maior, a fim de que todos os que tĂȘm necessidade do conforto do conhecimento de Deus o possam ter.

Estes doze sĂŁo os primeiros. Como meus seguidores, sĂŁo capazes de conduzir atĂ© Mim e, por isso, ao conforto, todos aqueles que estĂŁo encurvados sob os pesos de dores grandes demais. Em verdade, Eu vo-lo digo: Vinde a Mim todos os que estais angustiados, desgostosos, com o coração ferido, cansados, e Eu compartilharei da vossa dor e vos darei paz. Vinde, por meio dos meus apĂłstolos, por meio dos meus discĂ­pulos e discĂ­pulas, que cada dia aumentam com novos voluntĂĄrios. Encontrareis o consolo em vossas dores, companhia em vossas solidĂ”es, o amor dos irmĂŁos para fazer-vos esquecer o Ăłdio do mundo, encontrareis, como mais alto do que todos, como mais consolador do que todos, como o companheiro perfeito, o amor de Deus. NĂŁo dĂșvidareis de mais nada. E nunca mais direis: “Para mim, tudo acabou!” Mas direis: “Tudo para mim estĂĄ começando, num mundo sobrenatural, que abole as distĂąncias e acaba com as separaçÔes” e pelo qual os filhos ĂłrfĂŁos serĂŁo reunidos aos seus pais, levados ao seio de AbraĂŁo, e os pais e as mĂŁes, as esposas e os viĂșvos, reencontrarĂŁo os filhos perdidos, e o consorte perdido.

Anotação

Ontem ouvi falar dois grandes infelizes, um na aurora da vida, o outro no seu crepĂșsculo: sĂŁo duas almas que choram com o peso da sua desgraça. SĂŁo elas Marziam(EMV 208.1-4) e Elise(EMV 208.7-11). Este discurso Ă© feito para ambas.

Em verdade vos digo: vinde a mim, todos vĂłs que estais aflitos e desgostosos, todos vĂłs que estais fracos e cansados; eu partilharei a vossa dor e vos trarei a paz. Cf. Mateus 11, 28-29.

Evangelho de Mateus 11, 28-29

Mt 11,28-29: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Palavras-chave

EMF 211.8 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu vos convido: “Vinde.” (...) Vinde servir a Deus. O tempo estĂĄ prĂłximo. NĂŁo fiqueis despreparados para a Redenção. Fazei que a chuva caia sobre o terreno semeado. SenĂŁo, ele terĂĄ sido semeado em vĂŁo. (...) A Salvação Ă© seguir a Voz do Senhor e crer em sua Palavra. (...) Vinde em massa para o serviço de Deus. Eu estou passando e vos chamando. NĂŁo sejais inferiores Ă s meretrizes, Ă s quais basta uma palavra de misericĂłrdia, para deixarem o caminho que percorreram antes, e virem para o Caminho do Bem.

Foi-me perguntado, quando aqui cheguei: “Mas Tu, nĂŁo conservas rancor de nĂłs?” Rancor? Oh! NĂŁo. Eu conservo Ă© amor a vĂłs. E conservo a esperança de ver-vos nas fileiras do meu povo. Do povo que Eu conduzo para Deus, neste novo ĂȘxodo para a verdadeira Terra Prometida: para o Reino de Deus, do outro lado do Mar Vermelho das sensualidades e desertos do pecado, livres de toda espĂ©cie de escravidĂŁo, para a Terra eterna, cheia de delĂ­cias, repleta de paz


Vinde! Este Ă© o Amor que passa. Qualquer um pode acompanhĂĄ-lo, porque, para ser acolhidos por Ele, nĂŁo se precisa mais do que de boa vontade.

Palavras-chave

EMF 212.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

NĂŁo tenhais medo de que, por estardes sozinhos, isso vos possa fazer cair em erros. NĂŁo. Se nĂŁo quiserdes, nĂŁo sereis infiĂ©is ao Senhor e ao seu Cristo. Afinal, quem de verdade nĂŁo pode ficar longe do Messias, fique sabendo que o Messias lhe abre o coração e os braços, e lhe diz: “Vem.” Vinde, vĂłs, que quereis vir. Permanecei, vĂłs, que quereis ficar. Mas, pregai o Cristo, tanto uns como os outros, com uma vida honesta. Pregai contra a desonestidade, que se aninha em muitos coraçÔes. Pregai isto contra a leviandade dos muitĂ­ssimos que nĂŁo sabem permanecer fiĂ©is e que se esquecem dos seus ornamentos e cintos das almas chamadas para as nĂșpcias com Cristo.

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EMF 216.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

EstĂĄs vendo aqueles que estĂŁo dormindo? Sabes quantos pensamentos eles estĂŁo esgaravatando, atĂ© durante o sono? E tambĂ©m todos aqueles que estĂŁo entre os discĂ­pulos? CrĂȘs tu que eles sĂŁo fiĂ©is, atĂ© tudo se consumar?

Olha: vamos jogar aquela velha brincadeira, que certamente jĂĄ brincaste, tu tambĂ©m, quando eras menino (e Jesus apanha uma flor seca de dente-de-leĂŁo, bem redonda, de um pĂ© que se ergue por entre as pedras, e que jĂĄ ficou completamente maduro. Leva-a delicadamente atĂ© perto da boca, sopra-a, e a flor se desmancha em minĂșsculos para-quedas, que ficam voando pelo ar, vagueando, cada um com o seu guarda-sol para cima, e a prumo, preso por um pequenino cabo.) EstĂĄs vendo? Olha
 Quantos sĂŁo os que tornaram a cair em meus braços, como se estivessem enamorados de Mim? Podes contĂĄ-los
 SĂŁo vinte e trĂȘs. Eles eram pelo menos trĂȘs vezes mais. E os outros? Olha. Uns ainda estĂŁo vagueando, outros jĂĄ caĂ­ram por serem mais pesados, outros sobem, porque sĂŁo orgulhosos com seus penachos de prata, outros caem na lama, que nĂłs fizemos com os nossos odres, Somente
 Olha, olha
 AtĂ© dos vinte e trĂȘs, que estavam sobre os meus joelhos, sete lĂĄ se foram. Bastou aquele zangĂŁo chegar atĂ© aqui com o seu vĂŽo, para fazĂȘ-los sair voando tambĂ©m!
 O que eles temiam? Ou por quem Ă© que foram seduzidos? Talvez pelo ferrĂŁo, ou pelas belas cores pretas e amarelas, ou pela garbosa aparĂȘncia, pelas asas iridescentes
 Eles lĂĄ se foram
 LĂĄ se foram, atrĂĄs de alguma beleza mentirosa
 SimĂŁo, assim vai acontecer com os meus discĂ­pulos. Uns, por serem irrequietos, outros, por inconstĂąncia, outros por pesadume, outros por orgulho, outros por leviandade, outros porque gostam da lama, outros por medo ou por ingenuidade ir-se-ĂŁo embora. CrĂȘs tu que todos aqueles que agora me dizem “Eu vou contigo”, que Eu os encontrarei a meu lado, na hora decisiva da minha missĂŁo? Eram certamente mais de setenta os penachinhos da flor seca de dente-de-leĂŁo, que o Pai criou para Mim
 e agora em meus braços hĂĄ sĂł sete, porque os outros lĂĄ se foram, levados por esta onda de vento, que fez dizer sim aos pedĂșnculos mais leves. Assim vai ser. E fico pensando nas lutas que hĂĄ em vĂłs para que me sejais fiĂ©is.

Detalhe

SimĂŁo, o Zelote, afirma que todos os apĂłstolos estĂŁo contentes por seguirem Jesus, mesmo que passem fome, tenham sede e sejam rejeitados. Mas Jesus afirma que nĂŁo Ă© assim.

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