Eis aqui, ó Israel. Terminou o inverno, o tempo da espera. Agora é a alegria da promessa que se cumpre. O Pão e o Vinho em breve estarão prontos para matar a tua fome. O Sol está no meio de ti. A este Sol, tudo toma um fôlego mais amplo e mais doce, até o preceito da nossa Lei, o primeiro e mais santo dos preceitos: “Ama a teu Deus e ama ao teu próximo.”
Na relativa luz que até aqui te foi concedida, te foi dito — não terias podido fazer mais, porque sobre ti ainda pesava a irritação de Deus, pela culpa do desamor de Adão — te foi dito: “Ama aqueles que te amam e odeia ao teu inimigo.” E inimigo para ti era não somente quem ultrapassava as fronteiras de tua pátria, mas também quem havia faltado para contigo em particular, ou que te parecia ter faltado. Onde o ódio aninhava-se em todos os corações visto que, qual é o homem que, querendo ou não, não ofende ao seu irmão? E qual o que alcança a velhice, sem ser ofendido?
Eu vos digo: amai também aos que vos ofendem. Fazei isto pensando que Adão, e por meio dele todos os homens, são prevaricadores perante Deus, e não há ninguém que possa dizer: “Eu não ofendi a Deus.” Contudo, Deus perdoa, não uma mas dez e dez vezes perdoa, mas mil e dez mil vezes perdoa; e disso é prova o fato de o homem ainda estar existindo sobre a terra. Perdoai, pois, como Deus perdoa. E, se não o podeis fazer por amor para com o irmão que vos prejudicou, fazei-o pelo amor de Deus, que vos dá pão e vida, que vos ampara nas necessidades da terra, e predispôs cada acontecimento para proporcionar-vos a paz eterna em seu seio. Esta é a Lei nova, a Lei da primavera de Deus, do tempo florido da Graça vinda entre os homens, do tempo que vos dará o Fruto sem par, que vos abrirá as portas do Céu.