– (...) Que nós de Israel esperamos senão a Ti?
– E tu crês que Eu seja o Esperado?
– Simão nunca mentiu, nem é um rapazinho que se exalte por nuvens de mentiras. A idade e a dor o tornaram maduro como um sábio. Além disso… ainda que ele não te houvesse conhecido pela verdade do teu Ser, as tuas obras falariam, e te teriam proclamado “Santo”. Quem faz as obras de Deus, deve ser homem de Deus. E Tu as fazes. E as fazes de um modo que nos diz quanto Tu és o Homem de Deus. Ele, o meu amigo, foi a Ti por teres a fama de operar milagres, e recebeu de Ti o milagre. E estou sabendo que o teu caminho está marcado por outros milagres. Por que, então, não crer que Tu és o Esperado? Oh! É tão doce crer o que é bom! Em tantas coisas não boas nós devemos fingir que cremos serem boas, por amor à paz, pela impossibilidade de poder mudá-las; há tantas palavras dissimuladas, que parecem adulações, elogios, benignidade, e ao invés, são sarcasmo, censura, veneno coberto de mel, e devemos mostrar que cremos nelas, mesmo sabendo que são veneno, censura e sarcasmo… Devemos fazê-lo porque… Não se pode fazer de outro modo. Somos fracos diante de todo um mundo que é forte, e estamos sozinhos diante de todo um mundo que nos é inimigo… Por que, então termos dificuldade em crer no que é bom? Afinal, os tempos estão maduros, e os sinais dos tempos aí estão. Quanto ainda poderá faltar para tornar grande o nosso crer, e livre de toda dúvida, supre-o a nossa vontade de crer e de aplacar o coração na certeza de que a espera terminou e que o Redentor já está aqui, e que aqui está o Messias… Aquele que dará a paz a Israel e aos filhos de Israel, Aquele que… nos permitirá morrer sem ânsias, pois saberemos que já estamos remidos, e viver sem aquele aguilhão de saudade de nossos mortos… Oh! Os mortos! Por que haveremos de continuar chorando-os, senão porque, não tendo mais os filhos, não têm ainda o Pai, que é Deus?
– Há muito tempo que morreu teu pai?
– Há três anos, e há sete que morreu minha mãe… Mas já faz algum tempo que não os choro mais… Eu também queria estar onde espero que eles estejam, esperando o céu.
– Não terias então o Messias como teu hóspede.
– É verdade. Agora eu sou mais do que eles, porque te tenho comigo… e meu coração se acalma com esta alegria.