– Mestre, Saul morreu investido pelo Espírito de Deus. Nós, que o tocamos, estamos puros, ou impuros?
– Impuros.
– E Tu?
– Eu, como os outros. Eu não mudo a Lei. A Lei é lei, e o israelita a observa. Nós ficamos impuros. Entre o terceiro dia, e o sétimo nos purificaremos. Alé lá, estamos impuros. Judas, Eu não volto passando por tua mãe. Não levo impureza na sua casa. Faz que ela seja avisada por alguém que o possa fazer. Paz a esta cidade. Vamos.
Não sabeis que a Lei diz: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”? Quem não ama ao próximo, não pode tampouco amar a Deus. E, quem não ama a Deus, como pode ir à sua Casa para rezar? Deus poderia dizer-lhe, e o diz no Céu: “Vai-te embora. Eu não te conheço. Tu és meu filho? Não. Não amas os irmãos, não respeitas o Pai, que os fez, por isso, não és irmão, nem filho, mas um bastardo: enteado de Deus, meio-irmão para os irmãos.”
– Não, amigo. É um mal do ponto de vista humano; mas do ponto de vista sobrenatural a dor é um bem. Aumenta os merecimentos dos justos, que a suportam sem desespero ou revolta, e a oferecem, com sua resignação, como um sacrifício de expiação pelas próprias faltas e as culpas do mundo, sendo redenção para aqueles que não são justos.
– É tão difícil sofrer! –diz o camponês, ao qual se uniram os seus familiares: dez pessoas, entre adultos e crianças.
– Eu sei que o homem acha isso difícil. E, sabendo disso, o Pai não haveria dado dor aos seus filhos. A dor veio pela culpa. Mas, quanto dura a dor sobre a terra? Ou na vida de um homem? Pouco tempo. Sempre pouco, mesmo que dure toda a vida. Agora Eu vos digo: não é melhor sofrer por pouco tempo, do que para sempre? Não é melhor sofrer aqui, do que no Purgatório? Pensai que lá o tempo é multiplicado de um para mil. Oh! Em verdade Eu vos digo que se deveria não maldizer, mas bendizer o sofrimento e chamá-lo de “graça”, chamá-lo de “piedade”.
Também vós, digo isto especialmente para aqueles chamados a cuidar dos corações, é necessário aprender, estudando Judas. Todos vós sois “Pedro”, vós, sacerdotes. Deveis ligar e desligar. Mas, quanto espírito de observação, quanta união com Deus, quanto estudo vivo, quantas comparações, segundo o método do vosso Mestre, havereis de fazer, para serdes como deveis ser!
Bem-aventurados aqueles que escutam a Palavra de Deus e se esforçam para fazer o que ela diz. Bem-aventurados aqueles que querem me conhecer para me amar. Neles e para eles Eu serei uma bênção.
Oh! É tão doce crer o que é bom! Em tantas coisas não boas nós devemos fingir que cremos serem boas, por amor à paz, pela impossibilidade de poder mudá-las; há tantas palavras dissimuladas, que parecem adulações, elogios, benignidade, e ao invés, são sarcasmo, censura, veneno coberto de mel, e devemos mostrar que cremos nelas, mesmo sabendo que são veneno, censura e sarcasmo… Devemos fazê-lo porque… Não se pode fazer de outro modo. Somos fracos diante de todo um mundo que é forte, e estamos sozinhos diante de todo um mundo que nos é inimigo… Por que, então termos dificuldade em crer no que é bom?