Para a alegria de Deus, para as necessidades de Deus, nada era preciso. Deus se basta a Si mesmo. Não tem que se contemplar para alegrar-se, nutrir-se, viver e repousar. Tudo o que foi criado não aumentou um átomo a sua infinita alegria, sua beleza, seu poder. Mas tudo Ele fez pela sua criatura, que Ele quis colocar como rei na Sua obra: o homem.
Para ver tão grandes obras de Deus e por reconhecimento para com o seu poder, vale a pena viver. Como viventes deveis ser gratos. Deveríeis ter sido gratos, mesmo se não tivésseis sido redimidos, hoje ou no fim dos séculos, porque não obstante tenhais sido os Primeiros, singularmente, sois até hoje prevaricadores, soberbos, luxuriosos, homicidas. Mas Deus ainda vos concede sabor de gozar das belezas do universo e da bondade do universo, e vos trata como se fosseis bons, filhos bons aos quais tudo é ensinado e concedido, a fim de tornar-lhes mais doce e sadia a vida. Quanto sabeis, vós o sabeis pela luz que Deus vos deu. Tudo quanto descobris, vós o descobris porque Deus vô-lo indica no Bem. Porque os outros conhecimentos e descobertas, que têm o sinal do mal, vêm do Mal supremo, satanás.
– O Senhor te amou muito… – diz Isabel com um suspiro.
– É por isso que eu Lhe dou a coisa que eu mais amo. Esta minha flor.
– Como farás para arrancá-la do seio, quando chegar a hora?
– Recordando-me que eu não a tinha, e a recebi de Deus. Estarei sempre mais feliz agora, do que antes. Quando pensar que ela estará no Templo, direi a mim mesma: “Reza junto ao Tabernáculo, ora ao Deus de Israel também por sua mãe” e ficarei em paz. E ainda maior paz terei, ao dizer: “Ela é toda Sua. Quando estes dois velhos felizes que a receberam do Céu não estiverem mais em vida, Ele, o Eterno, lhe será eternamente Pai.” Podes crer, eu tenho disso a firme convicção, esta pequenina não é nossa. Nada mais eu podia fazer… Foi Ele que a colocou em meu ventre, este dom divino para enxugar o meu pranto, confortar as nossas esperanças e atender as nossas orações. Por isso ela é Sua. Nós somos somente os felizes guardiães dela… e por isso Deus seja bendito!
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Ana está a falar com Isabel, a futura mãe de João Batista. Ela pergunta-lhe como saberá oferecer o seu filho a Deus quando chegar a altura.
Quando a Bondade Divina vos der uma graça, usai desse bem recebido para dar glória a Deus. Não sejais como loucos que, de um objeto bom fazem uma arma nociva, ou como pródigos que transformam sua riqueza em miséria.
O amor de minha mãe e de José era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, não obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espírito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espírito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tê-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.
Naquela casa se rezava. Agora reza-se pouco nas casas. Nasce o dia e chega a noite, começam-se os trabalhos, e sentai-vos à mesa sem um pensamento dirigido ao Senhor, que vos permitiu ver um novo dia, podendo chegar a uma nova noite, que abençoou as vossas fadigas, concedendo que essa fadigas se tornassem o meio de conquistar aquele alimento que o fogo cozinhou, as vestes que vestis, aquele teto, todo o necessário à vossa natureza humana. Sempre é “bom” o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dá sabor e substância, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.
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Maria acaba de ter uma visão da Sagrada Família no Egito.
A casa é um dom de Deus, como as vestes e os móveis. Em todas as coisas é a Providência de Deus que se mostra, daquele Deus que provê a lã às ovelhas, as penas aos pássaros, as ervas aos prados, o feno aos animais, as sementes e as árvores frondosas às aves, tecendo a veste para o lírio do vale. A casa, as vestes, os móveis são recebidos com gratidão, bendizendo a mão divina, tratando-os com respeito como dons do Senhor, sem olhar com descontentamento porque são pobres, sem estragar os dons, abusando da Providência: ordem material.
Quando vós vos saís bem no que fazeis de bom, não vos glorieis, como se o mérito fosse todo vosso. Dai louvor a Deus, Senhor dos operários apostólicos, tende os olhos limpos e o coração sincero para ver e para dar a cada um o aplauso que lhe cabe. Olhos limpos para discernir os apóstolos que cumprem o holocausto, e que são as primeiras e verdadeiras alavancas no trabalho dos outros. Só Deus vê estes que, tímidos, parecem nada fazer, mas, ao contrário, são os raptores do fogo do céu, que ataca os audazes. Um coração sincero para saber dizer: “Eu trabalho. Mas este ama mais do que eu, prega melhor do que eu, se imola, como eu não sei fazer, e como Jesus disse: ‘… dentro do próprio quarto, com a porta fechada para rezar em segredo’. Eu, que vejo a sua humilde e santa virtude, quero torná-la conhecida, e dizer: ‘Eu sou instrumento ativo; este é força que me põe em movimento, porque, ligado a Deus como ele, que é para mim canal de força celeste’.”
A bênção do Pai, que desce para recompensar o humilde, que em silêncio se imola para dar força aos apóstolos, descerá também sobre o apóstolo que sinceramente reconhece a sobrenatural e silenciosa ajuda que lhe vem do humilde, e o seu mérito, que a superficialidade dos homens não nota.
– Não é esta a primeira nem será a última que não sinto um reconhecimento imediato. Mas Eu não peço reconhecimento. Basta-me dar às almas o modo de se salvarem. Faço o meu dever. A elas cabe fazer o delas.
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A sogra de Pedro acaba de ser curada por Jesus e não lhe agradece, nem muito tarde. Pedro ficou envergonhado e Jesus disse-lhe
Obrigado a estes cidadãos que ao Verbo do Pai, ao Pai do qual Eu sou o Verbo, abriram os seus corações. Para que saibais que não é ao Filho do homem, que vos fala, mas ao Senhor Altíssimo é que vão rendidas graças e honra por este tempo de paz com que Ele reata sua quebrantada paternidade com os filhos do homem. Louvemos o Senhor verdadeiro, o Deus de Abraão, que teve piedade e amor para com o seu povo, e lhe concede o Redentor prometido. Não a Jesus, servo da eterna Vontade, mas glória e louvor a esta Vontade de amor.
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Jesus dirigiu-se ao chefe da sinagoga de Queriote e disse-lhe