Notas da palavra-chave

Bartolomeu - Natanael (apóstolo)

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Conforto de leitura

EMF 174.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A multidão está sentada, uns na relva, outros sobre grandes pedras ou estão em pé. O colégio Apostólico não está completo. Vejo Pedro e André, João e Tiago e escuto chamar os outros dois, Natanael e Filipe. Há também um outro, que não é do grupo. Talvez tenha chegado por último. Chamam-no Simão. os outros não estão aqui. A não ser que eu não os esteja enxergando por causa da grande multidão.

Anotação

Ao contrário do que parece, este comentário é perfeitamente coerente: João, Tiago, Pedro e André foram "vistos" em 25 de fevereiro de 1944. A visão do encontro com Natanael e Filipe teve lugar a 13 de outubro de 1944, dois meses após a cena aqui descrita, e a de Simão, o Zelota, a 26 de outubro de 1944.

Palavras-chave

EMF 174.17-18 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mestre, eu quero dizer-te que hoje é sexta-feira, e que esse povo… não sei se vai poder achar comida em tempo para amanhã, ou chegar em suas casas –diz Bartolomeu.

– É verdade. É sexta-feira –dizem muitos deles.

– Não importa. Deus proverá. Mas nós o diremos a eles.

Jesus se levanta, vai para o seu novo lugar, no meio da multidão espalhada entre as moitas.

– A primeira coisa que Eu vos lembro é que hoje é sexta-feira. Agora Eu vos digo que quem achar que não vai poder chegar a tempo em suas casas, e não for capaz de crer que Deus dará amanhã alimento aos seus filhos, esse poderá retirar-se já, de modo que o pôr do Sol não o apanhe no caminho.

Do meio da multidão levantam-se umas cinquenta pessoas. Todos os demais permanecem onde estão.

174.18 Jesus sorri, e começa a falar.

Detalhe

O escriba João faz parte da multidão mencionada neste extrato (como ele próprio confirmará no capítulo seguinte).

Anotação

É a véspera do sábado, e a lei do descanso sabático proíbe qualquer pessoa de viajar depois das 18 horas, o início do dia seguinte. O escriba João está entre os que vão, como explica no capítulo seguinte.

Palavras-chave

EMF 175.3.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O povo se aproxima do Mestre, apertando-o em um círculo que não se quer abrir de modo nenhum. Nesse ínterim, o sol já se pôs e começa o repouso sabático. Os povoados estão longe. Mas as pessoas não estão sentindo falta dos povoados, nem dos alimentos, de nada. Quem se preocupa com tudo são os apóstolos e vão dizê-lo a Jesus. Até os discípulos mais velhos estão pensativos. Há mulheres, há crianças, e mesmo se a noite não estiver fria e a erva dos prados estiver macia, ainda assim as estrelas não são pães, nem as pedras dos córregos servem de alimento.

Jesus é o único que não se preocupa. Enquanto isso, o povo está comendo o que tinha, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Jesus chama a atenção dos seus sobre isso:

– Em verdade, Eu vos digo que esta gente é mais do que vós! Vede com que despreocupação acabam com tudo. Pois Eu disse a eles: “Quem não for capaz de acreditar que amanhã Deus dará alimento aos seus filhos, que se retire”, mas estes permaneceram aqui. E Deus não irá desmentir o seu Messias, nem decepcionará a quem espera n’Ele.

Os apóstolos encolhem os ombros e não cuidam de mais nada. (...)

[O escriba João veio em seu auxílio e Jesus disse:]

– E agora, que é que Eu vos devo dizer pela vossa incredulidade? Não é verdade que o Pai colocou para nós todos um pão nas mãos de alguém que, pela casta a que pertence, vem a ser meu inimigo? Oh! homens de pouca fé!… Ide agora para o meio dos fenos macios, ide dormir. Eu vou rezar ao Pai para que vos abra os corações, e agradecer-lhe por sua bondade. A paz esteja convosco.

Detalhe

Embora nenhum deles seja especificamente nomeado, os Doze estão presentes neste capítulo. Perante a sua falta de fé e de confiança na Providência do Pai para alimentar a multidão, Jesus diz-lhes isto em EMV 175.5, depois de o escriba João ter vindo em seu auxílio.

Palavras-chave

EMF 176.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus naquela noite tornou a subir para a montanha e afastou-se um pouco, de sorte que, ao romper da aurora, já podia ser visto de pé no alto de um barranco. Pedro, ao vê-lo, aponta aos seus companheiros que então sobem ao seu encontro.

– Mestre, por que não vieste conosco? –perguntam alguns.

– Eu tinha necessidade de rezar.

– Mas tens também muita necessidade de repousar.

– Meus amigos, de noite uma voz veio do céu pedindo oração pelos bons, pelos maus e também por Mim mesmo.

– Por quê? Tens necessidade disso?

– Como os outros. A minha força se nutre de oração e a minha alegria de fazer o que o meu Pai quer. O pai me falou de dois nomes de pessoas e de uma dor para Mim. Estas três coisas têm muita necessidade de oração.

Jesus está muito triste e olha para os seus com olhos que parecem pedir ou perguntar. Seus olhos pousam sobre várias coisas, mas, enfim, pousam sobre Judas Iscariotes, em quem param.

O apóstolo nota isso, e pergunta:

– Por que olhas assim para mim?

– Eu não te via. Meus olhos estavam vendo outra coisa…

– O que é?

– A natureza do discípulo. Todo o bem e todo o mal que um discípulo pode fazer a seu Mestre. Eu estava pensando nos discípulos dos Profetas e de João. Pensava também nos meus próprios. E rezava por João, pelos discípulos e por Mim…

– Estás triste e cansado esta manhã, Mestre. Conta as tuas aflições a quem Te ama –lhe diz Tiago de Zebedeu.

– Sim, conta-o, se houver alguma coisa que possamos fazer para aliviar-te, nós o faremos –diz-lhe Judas, seu primo.

Pedro está falando com Bartolomeu e Filipe, mas eu não entendo o que eles estão dizendo.

Jesus responde:

– Que sejais bons. Esforçai-vos para serdes bons e fiéis. Este é o meu consolo. Não há nenhum outro, Pedro. Entendeste? Deixa de lado as suspeitas. Procurai querer-me bem e querer-vos bem, não vos deixeis seduzir pelos que me odeiam, procurai principalmente querer bem à vontade de Deus.

– Eh! Mas, se tudo vem dela, também os nossos erros dela virão

–exclama Tomé com ar de filósofo.

– Achas que é assim? Mas não é.

176.2

Muita gente já se levantou, e está olhando para cá. Vamos descer. E vamos santificar o dia santo com a palavra de Deus.

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EMF 177.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

↗

Citação

Vindo das campinas, Jesus entra em Cafarnaum. Estão com Ele somente os doze, ou melhor, os onze apóstolos, porque João não está.

Anotação

De Pedro, em Betsaida, ficamos a saber que Jesus o enviou "à frente" com Isaac para conduzir Maria ao Batista(EMV 180.7).

Palavras-chave

EMF 178.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estou vendo Jesus, que se dirige para a beira do lago com seus onze, porque falta sempre João. Muitas pessoas o rodeiam: entre elas se encontram muitas que estavam na montanha, principalmente homens, que foram procurá-lo em Cafarnaum, para ouvirem ainda a sua palavra. Bem que gostariam de detê-lo ali. Mas Ele diz:

– Eu sou de todos. Há muitos que precisam ter-Me consigo. Voltarei. Vós Me encontrareis. Mas agora deixai-me partir.

Ele sente muita dificuldade para caminhar entre a multidão, que se apinha em um caminho estreito. Os apóstolos se esforçam, fazendo jogo de ombros para ver se conseguem abrir caminho. Mas é como que um chocar-se de alguém contra uma substância mole que, logo em seguida, toma a forma que tinha antes. Alguns ali se inquietam, mas não adianta nada.

Palavras-chave

EMF 179.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

As barcas dos Apóstolos, tendo transposto o breve trajeto do lago, que separa Cafarnaum de Betsaida, atracaram na cidade.

Detalhe

Neste capítulo, os Onze estão presentes. João foi encontrar João Batista em Hennon com a Virgem.

Palavras-chave

EMF 180

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Bartolomeu e Tiago de Zebedeu não aparecem neste capítulo, mas é muito pouco provável que estejam ausentes. No dia seguinte, quando saíram de Betsaida, Natanael estava presente e um dos Tiago estava ao leme, o que sugere que já estavam com o resto do grupo na AMV 180.

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EMF 180.7-10 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« Entendestes? Tendes alguma outra coisa a perguntar? Não? Então podemos descansar para partirmos amanhã, rumo a Cafarnaum. Eu devo ir ainda a um lugar, antes de começar a viagem para Jerusalém, pela Páscoa.

– Passaremos ainda por Arimateia? –pergunta Iscariotes.

– Não é certo. Depende dos…

Bateram na porta com violência.

– Quem é que pode ser a uma hora destas? –diz Pedro, levantando-se para abrir.

Apresenta-se João. Agitado, empoeirado, com claros sinais de pranto no rosto.

– Tu aqui? –gritam todos–. Mas, que foi que aconteceu?

Jesus, que se levantou, diz somente:

– Onde está a mãe?

João, indo para a frente, para ajoelhar-se aos pés do seu Mestre, estendendo os braços como para pedir socorro, diz:

– A mãe está bem, mas está em pranto como eu e como muitos outros, e Te pede que não andes acompanhando o Jordão pelo nosso lado. Ela me mandou voltar por isso, porque… porque João, o teu primo, está preso…

E João chora, enquanto um grande alvoroço se forma entre os presentes.

Jesus empalidece profundamente, mas não fica agitado. Ele diz somente:

– Levanta-te, e conta.

– Eu ia descendo com a mãe e as mulheres. Também Isaac e Timoneu estavam conosco. Três mulheres e três homens. Eu obedeci à tua ordem de levar Maria a João… ah! Tu bem sabias que era o último adeus!… Que devia ser o último adeus… O temporal de alguns dias atrás nos fez parar por umas poucas horas. Mas foi o suficiente para que João não pudesse mais ver Maria… Chegamos à hora sexta e ele já havia sido preso, ao cantar do galo…

– Onde? Como? Por quem? Na sua caverna? –todos perguntam, todos querem saber.

– Ele foi traído!… Usaram do teu Nome para traí-lo!

– Que horror! Mas, quem terá sido? –gritam todos.

João estremece, ao falar em voz baixa este horror, que nem o ar devia ouvir, e confessa:

– Por um dos discípulos dele…

O alvoroço chega ao auge. Uns maldizem, outros choram, outros, apavorados, ficam como estátuas.

180.8

João se agarra ao pescoço de Jesus, e grita:

– Eu temo por Ti! Por Ti! por Ti! Os santos têm os seus traidores, que pelo ouro se vendem, pelo ouro e por medo dos grandes, por sede de um prêmio, por… por obediência a satanás. Por mil, mil coisas. Oh! Jesus, Jesus, Jesus! Que dor! Ele foi o meu primeiro mestre! Foi o meu João que me levou a Ti!

– Está bem! Está bem! Nada Me acontecerá, por enquanto.

– E depois? E depois? Eu olho para mim… olho para vocês… fico com medo de todos, e até de mim. Deverá estar entre nós o teu traidor…

– Estás doido? Achas que não o reduziríamos a pedaços? –grita Pedro.

Iscariotes:

– Oh! Doido, de verdade! Eu é que não o serei, nunca. Mas, se eu me sentisse tão fraco, a ponto de chegar a sê-lo, eu me mataria. Melhor é fazer isso, do que ser homicida de Deus.

Jesus se livra do abraço apertado de João e sacode rudemente Iscariotes, dizendo:

– Não fiques aí blasfemando! Nada te poderá enfraquecer, se tu não o quiseres. Se isso acontecesse, trata de chorar, e não cometas um delito, além do deicídio. Quem por si mesmo se exaure de Deus, torna-se fraco.

180.9

Depois, volta para João, que está chorando com a cabeça sobre a mesa, e diz:

– Fala com ordem. Eu também estou sofrendo. Ele era o meu sangue e o meu Precursor.

– Eu só pude ver os discípulos, uma parte deles, consternados e furiosos contra o traidor. Os outros foram acompanhar João até à cadeia, para estarem perto dele na hora da morte.

– Mas, ele ainda não morreu… na outra vez, ele pôde fugir –assim procura confortá-lo Zelotes, que quer muito bem a João.

– Não morreu ainda. Mas vai morrer –responde o João.

– Sim. Morrerá. Ele o sabe, como Eu sei. Desta vez nada e ninguém o salvará. Quando será, Eu não sei. Só sei que não sairá vivo das mãos de Herodes.

– Sim, de Herodes. Ele tinha ido por aquela garganta, pela qual nós passamos, quando estávamos voltando para a Galileia, que fica entre os montes Hebal e Garizim, porque assim é que lhe falou o traidor: “O Messias está à morte, tendo sido assaltado por inimigos. E Ele está querendo ver-te para te confiar um segredo.” Ele foi com o traidor e mais alguns outros. Na sombra do vale estavam os homens armados de Herodes que o prenderam. Os outros fugiram, levando a notícia aos discípulos, que ficaram perto de Enon. Eles mal tinham acabado de chegar, quando cheguei eu com a mãe. O mais horrível é que se tratava de alguém das nossas cidades, e que os fariseus de Cafarnaum foram à frente do conluio para prendê-lo. Eles tinham estado com ele, dizendo que Tu tinhas sido seu hóspede, e que Tu estavas de partida para a Judeia… Ele não teria saído do seu refúgio, a não ser por causa de Ti…

180.10

Um silêncio sepulcral cai sobre a narração de João. Jesus parece estar esgotado, com os olhos de um azul bem escuro quase embaçados. Ele está de cabeça inclinada, com a mão ainda sobre o ombro de João, e sua mão está sendo sacudida por um leve tremor. Ninguém ousa falar.

Jesus rompe o silêncio:

– Vamos para a Judeia, por um outro caminho. Amanhã preciso ir a Cafarnaum. O quanto antes. Descansai. Eu vou subir entre as oliveiras. Preciso estar só.

Sai sem dizer nada.

– Certamente Ele vai chorar –murmura Tiago de Alfeu.

– Vamos acompanhá-lo, irmão –diz Judas Tadeu.

– Não. Deixai-o chorar. Nós somente, sairemos devagar, à escuta. Temo insídias em toda parte –responde Zelotes.

– Sim. Vamos. Nós pescadores iremos pela margem. Se alguém vier do lago, nós o veremos. Vós ide pelas oliveiras. Certamente Ele está em seu lugar de costume, perto da nogueira. Quando chegar a aurora, prepararemos as barcas para partirmos rapidamente. Que raça de serpentes! Eh! Eu disse! Fala, tu, agora rapaz! A Mãe está em lugar seguro?

– Oh! Sim! Também os pastores, discípulos de João, foram com ela… não veremos mais o nosso João!

– Cala-te! Cala-te! Parece-me o canto do cuco… Um precede o outro e… e…

– Pela Arca Santa! Calai-vos! Se falais ainda de desventuras para o Mestre, eu começo por vós, fazendo-vos sentir o sabor do meu remo nos rins! –grita Pedro, enfurecido–. Vós –diz ele depois aos que vão pelas oliveiras–, apanhai bastões, galhos grossos, pois lá no lenheiro há bastante, e espalhai-vos, armados com eles. O primeiro que se aproximar de Jesus para fazer mal a Ele, seja morto.

– Discípulos! Discípulos! É preciso tomar cuidado com os novos!

–exclama Filipe.

O novo discípulo se sente ferido, e pergunta:

– Estais dúvidando de mim? Ele me escolheu e me quis.

– De ti, não. Mas daqueles que são escribas e fariseus, e dos seus adoradores. De lá virá a ruína. Podeis crer.

Saem e se espalham, uns para o lado das barcas, outros por entre as oliveiras das colinas, e tudo termina.

Detalhe

Nos capítulos anteriores, João de Zebedeu devia acompanhar a Virgem a Hennon para ver João.

Anotação

"A tua mãe está bem, mas está a chorar como eu, como muita gente, e pede-te que não venhas ao longo do Jordão do nosso lado. (...) " Iremos para a Judeia por outro caminho". Jesus confirma, em EMV 187,3, que respeita o desejo de sua mãe e volta a falar com Maria sobre o assunto em EMV 198,1/2.

Chegámos à hora sexta e ele tinha sido capturado ao cantar do galo... Gallicinium, "o cantar do galo", correspondia à última vigília: das 3 às 6 horas.

"Por um dos seus discípulos..." Este facto, que não parece ser mencionado em nenhuma tradição, indica que o Precursor também foi traído por um dos seus discípulos.

Eu nunca trairei. Mas se me sentisse tão fraco que o pudesse fazer, matar-me-ia. É melhor do que ser o assassino de Deus. É o gérmen da ideia de suicídio, que Judas porá em prática após a sua traição (EMV 605.1/13).

Sim, ele vai morrer. Ele sabe-o, como eu sei-o. O próprio Jesus não o escondeu de João quando o visitou (EMV 148.2). A morte do Batista é anunciada em EMV 270.7.

Ele dirigiu-se para o desfiladeiro que nós também atravessámos no regresso à Galileia. Foi durante o encontro com a samaritana Fotinai em EMV 143.4.

Os fariseus de Cafarnaum que estavam à frente da conspiração para o capturar. Foram provavelmente Joaquim e Elias de Cafarnaum que organizaram esta conspiração (ver EMV 182.1).

Enon (ou Hennon), na fronteira entre a Decápole e a Samaria, estava fora da jurisdição de Herodes. João estava seguro ali.

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EMF 181.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma alvorada clara transforma o lago em uma grande pérola e recobre as colinas com uma névoa branca e leve como um véu de musselina, através do qual podem se ver, revestidas de um certo ar de nobreza, as oliveiras, as nogueiras, as casas e o cimo dos lugarejos, que ficam à beira do lago. As barcas deslizam serenas e silenciosas para Cafarnaum. Mas, num certo momento, Pedro vira a barra do timão de um modo tão rude, que a barca se inclina para um lado.

– Que é que estás fazendo? –pergunta-lhe André.

– Estou vendo a barca de um solitário. Está saindo agora de Cafarnaum. Eu tenho bons olhos e, desde ontem à tarde, estou farejando como um sabujo. Não quero que nos vejam. Vou voltar para o rio. Vamos a pé.

A outra barca também acompanhou a manobra, mas Tiago, que está ao timão, pergunta a Pedro:

– Por que estás fazendo isso?

– Eu te direi. Vem comigo.

Jesus, que está sentado na popa, só percebe a mudança, quando já estão perto do Jordão.

– Mas, que é que estás fazendo, Simão? –pergunta Ele.

– Vamos descer aqui. Há um chacal rondando por aí. Hoje não se pode ir a Cafarnaum. Primeiro, vou eu, para escutar um pouco. Eu com Simão e Natanael. Três pessoas dignas contra três pessoas indignas… a não ser que as haja mais indignas.

– Não fiques vendo emboscadas por toda parte, agora. Aquela não é a barca do Simão, o fariseu?

– É ela mesmo.

– Ela não foi usada na captura de João!

– Eu não estou sabendo de nada.

– Ele é sempre respeitoso para comigo.

– Eu não estou sabendo de nada.

– Tu me fazes ficar parecendo um covarde.

– Eu não estou sabendo de nada.

Ainda que Jesus não esteja com vontade de rir, acaba sorrindo pela santa teimosia de Pedro.

– Mas a Cafarnaum temos que ir. Se não hoje, mais tarde…

– Eu te disse que primeiro, vou eu e escuto e… conforme o que acontecer… farei ainda… será um espinho grosso demais para se engolir… mas eu o farei por amor de Ti… Eu irei… irei ao centurião pedir proteção…

– Não. Não é preciso isso!

A barca para sobre a prainha deserta, que fica na frente de Betsaida. Todos descem.

– Vinde, vós dois. Vem, tu também, Filipe. Vós, mais moços, ficai aqui. Vamos estar logo de volta.

O novo discípulo Elias suplica:

– Vem à minha casa, Mestre. Ficarei feliz em hospedar-Te…

– Vou, sim. Simão, tu me alcançarás na casa de Elias. Adeus, Simão. Vai, mas sejas bom, prudente e misericordioso. Vem cá para que Eu te beije e abençoe.

Pedro não garante que vá ser bom, paciente nem misericordioso. Ele se cala e troca um beijo com o Mestre.

Zelotes, também Bartolomeu e Filipe trocam o beijo de despedida, e as duas comitivas se separam, indo em direções opostas.

Detalhe

É o dia seguinte à prisão de João Batista.

Anotação

- Estou a ver um barco de corujas! Está agora a sair de Cafarnaum. Devem estar a 3 ou 4 quilómetros de Cafarnaum, e Pedro reconhece o barco de um dos fariseus.

Jesus, que estava sentado à popa, acorda quando está quase ao nível do Jordão. Popa ou parte traseira de um barco. Este é o seu lugar "habitual", como podemos ver em EMV 448.3 e EMV 185.2).

Elias, o novo discípulo, pede: este é um novo discípulo, encontrado emEMV 179.

Os dois grupos separam-se em direcções opostas. Pedro, com Simão, o Zelota, Filipe e Bartolomeu, segue ao longo da costa para sudoeste, em direção a Cafarnaum, enquanto o grupo de Jesus sobe para norte, para apanhar o caminho que leva a Corozain.

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